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Lixões, ?feridas abertas e purulentas?

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Lixões, ?feridas abertas e purulentas?

Um consórcio entre municípios situados no Sertão e na Bacia Leiteira deverá resolver o problema do tratamento dos resíduos sólidos para 18 cidades de Alagoas. A instalação de um aterro sanitário ‘coletivo’ (investimento da Codevasf, com contrapartida do consórcio) é a solução para o caso de saúde pública e dano ao meio ambiente gerado por lixões.

Durante solenidade da troca do comando na agência da Capitania dos Portos de Penedo, conversei com o superintende regional da Codevasf, Antônio Nélson Oliveira Azevedo. Ele disse que pretende convocar os prefeitos da região do Baixo São Francisco para que encampem a idéia. Antônio Nélson explica que a operacionalização de um aterro sanitário é cara demais para uma prefeitura do porte das cidades ribeirinhas, daí a necessidade da formação de um consórcio intermunicipal.

Caso a sugestão mobilize os gestores, a união de forças chega tardiamente às margens do São Francisco. Cidades situadas no Agreste, no Sertão e no Litoral Norte já tem consórcios formados entre prefeituras, trabalho em equipe que, bem articulado, pode resultar em avanços consideráveis para as populações desses recantos das Alagoas. Se estão ativos ou desamparados, a culpa é da falta de interesse dos mandatários, mais preocupados com o próprio umbigo ou em manter currais eleitorais.

Reportagem sobre lixões em Alagoas ganhou prêmio

A formação de consórcios para construir e manter aterros sanitários é fundamental para resolver o problema que extrapolou a administração de metrópoles. O tema é recorrente na mídia e, não poderia deixar de citar, matéria vencedora na principal categoria do Prêmio Braskem/Sindjornal edição 2009, o mais concorrido do jornalismo alagoano. Em uma das ‘retrancas’ da matéria, a formação de consórcio é apresentada como solução para o problema.

Além da sugestão, a reportagem denuncia que as “Cidades estão ameaçadas por lixões”, título da matéria escrita por Lelo Macena e Severino Carvalho, capa da edição dominical da Gazeta de Alagoas de 19 de abril de 2009. “Como feridas abertas e purulentas…”, o músico-repórter Lelo Macena deve ter se inspirado no ‘escatológico’ poeta Augusto dos Anjos para abrir o texto ilustrado com imagens do experiente fotojornalista José Feitosa, do versátil Severino Carvalho e deste blogueiro, à época repórter da Sucursal GA Arapiraca.

A ‘reportagem de fôlego’, como diria o editor-chefe Célio Gomes, é ampla. Maceió, Arapiraca, União dos Palmares, São José da Tapera, Matriz do Camaragibe, Maragogi, Porto Calvo, São Luiz do Quitunde e Viçosa foram visitadas. Sob minha responsabilidade, registros fotográficos dos lixões de Penedo, de Piaçabuçu e de Arapiraca, este estampado com destaque na capa da edição, com a incorreção no crédito/autoria, erro que persiste na versão resumida disponível na página eletrônica da GA e que usei para ilustrar esse ‘post’ do blog, já que tenho a permissão para usar as imagens que produzi, informando o crédito da empresa.

Gazeta de Alagoas (cortesia)Mãe e filha moravam no lixão de Penedo

Lembro que fiquei espantado com a quantidade de lixo espalhada no que deveria ser o aterro sanitário de Penedo, na verdade um lixão carente de maquinário para cumprir com sua missão. Eu e o motorista Manoel Elias – um penedense da gema – trabalhamos na matéria durante um sábado. No lixão situado dentro da APA Marituba do Peixe, onde também se encontra o de Piaçabuçu, encontramos catadores de lixo e uma família formada apenas por mãe e filha residindo em meio à fedentina, personagens de um drama que não se deixaram fotografar por vergonha da situação em que se encontravam.

Numa casa abandonada, quase toda a decoração e mobiliário eram resultado do que as duas aproveitaram do lixo. A organização do ambiente familiar era um contraste à podridão que se via do lado de fora da casa onde as duas mulheres moravam depois de peregrinar por Penedo, ambas vindas de Arapiraca. O relato não consta na reportagem que tem duas fotos do lixão de Arapiraca, registros que o secretário de Meio Ambiente da prefeitura achou que fosse de anos passados, conforme reclamou durante telefonema ao repórter no dia seguinte à publicação da matéria, equívoco que esclareci pessoalmente, sem maiores atritos.

A questão é que as feridas continuam abertas, chagas de uma sociedade que só desperta para problemas graves quando eles batem à nossa porta.

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