Ex-prefeito desmonta equipe técnica de olho em 2026 e deixa Rodrigo Cunha sem comando real
Maceió tem uma das piores coberturas da Estratégia Saúde da Família em Alagoas. A capital aparece com frequência nas últimas posições do ranking estadual. O cenário tende a piorar. A mudança tem origem política. A reorganização promovida por JHC não prioriza eficiência administrativa. O foco é eleitoral. Ao romper com antigos aliados e acomodar novos, o ex-prefeito redesenha a máquina pública com objetivo claro de fortalecer sua posição para a disputa estadual.
Antes de deixar a prefeitura, JHC exonerou indicados ligados a grupos que deixaram sua base. A Saúde foi uma das áreas mais atingidas. Parte do quadro técnico foi substituída em meio à transição, com critérios predominantemente políticos. Até então, a Secretaria Municipal de Saúde orbitava o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), responsável por indicações e pela articulação de emendas parlamentares que reforçavam o orçamento da pasta.
Com a ruptura, o comando passa ao ex-deputado Gilvan Barros, empresário do Agreste, sem histórico na gestão da saúde pública. A mudança coloca um perfil político à frente de uma das áreas mais sensíveis da capital. O movimento gerou reação interna. Rodrigo Cunha assume a prefeitura com estrutura já redesenhada. Herdou o cargo, mas não o controle integral da máquina. O risco apontado por interlocutores é de perda de capacidade técnica, pressão sobre as finanças e impacto direto na qualidade do atendimento.
A reorganização política também atingiu outras áreas. A Secretaria de Abastecimento, Pesca e Agricultura saiu da influência de Marx Beltrão (PP) e foi entregue ao vereador Kelmann Vieira. No Desenvolvimento Social, Davi Davino Filho perdeu espaço para a família Malta Brandão. Antônio Albuquerque também foi atingido, com a perda da pasta do Trabalho.
Abismo social amplia pressão sobre a saúde
O cenário político se agrava em meio a indicadores sociais preocupantes. Maceió está entre as piores capitais do país em qualidade de vida, segundo o Índice de Progresso Social de 2025. Com 61,48 pontos, supera apenas Macapá e Porto Velho, ficando distante de Curitiba, que lidera o ranking.
No próprio estado, o contraste é evidente. A capital aparece atrás de municípios do interior como Chã Preta, Belém e Teotônio Vilela. Esse quadro pressiona a rede pública de saúde em três frentes principais. A primeira é ambiental. A precariedade do saneamento e a irregularidade na coleta de lixo favorecem a disseminação de doenças infectocontagiosas e arboviroses, como dengue e zika.
A segunda é alimentar. A insegurança alimentar afeta diretamente o pré-natal e o desenvolvimento infantil. A terceira é o acesso. Em uma cidade com mobilidade desigual, o deslocamento até unidades de saúde depende de tempo e renda, o que concentra a demanda nos grandes centros de atendimento.
O resultado é um contraste visível. A orla apresenta indicadores comparáveis a regiões mais desenvolvidas, enquanto bairros como Benedito Bentes e Eustáquio Gomes concentram população dependente de uma rede de saúde com baixa capilaridade e sob pressão crescente.
