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É tão estranho… Os bons morrem jovens

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É tão estranho… Os bons morrem jovens

Sem ensaiarmos para o fechamento das cortinas, eis que chega a morte e rouba toda cena. Não nos deixa fazer o último ensaio, nem mesmo nos despedirmos dos que amamos. Vem com a imposição do medo e causando dor, tristeza e muita comoção, oferece-nos um misto de sentimentos que não conseguimos explicar. Adrenalina, desespero, tristeza, muita tristeza.

Sábado, 12 de setembro de 2009! Ainda cedo o telefone toca e, pela pessoa deduzi que se tratava de alguma coisa não muito boa, já que àquela hora meu contato estaria indo pra Maceió e devia ter encontrado um movimento maior na estrada devido ao Festival do Maçuni que acontecia em Feliz Deserto. A gente acorda e a ficha vai caindo aos poucos. Ouvi ao longe a informação de que um acidente havia acontecido na Ponte da Cerquinha e que a vítima era o Ialdo. Peguei a primeira calça e camiseta que encontrei e corri para a rádio Penedo FM, no sentido de pegar algumas ferramentas de trabalho. Encontrei a SAMU e a Ambulância do Corpo de Bombeiros, que corriam em direção ao resgate do amigo que estaria ferido no meu pensamento.

Não demorei praticamente nada e corri também para o local do acidente. Cheguei e o meu mundo desabou quando encontrei o amigo Carlos Eloy olhando para mim e dizendo “estava agora mesmo ligando para você”. No chão o corpo estático e sem vida de Ialdo e poucos conhecidos ainda no local, pois, os que passaram por lá e o identificaram ainda o viram respirando pela última vez. As vozes foram se distanciando e as pessoas que estavam próximas naquele momento pareciam falar ao longe. Meu Deus, por quê? É a única coisa que eu lembro ter falado naquele momento! Depois, consegui pegar meu telefone e dizer a Nadja e Martha Martyres que Ialdo havia morrido.

Marta Martins chegou posteriormente aflita a procura do irmão que deveria está numa das ambulâncias. Que dor meu Deus!!! Consegui pegar a chave do carro de Marta e a ouvir dizendo que a “Bia” filha de Ialdo estava no carro. Minha preocupação passou a ser também para que a pequena Bia não visse o pai naquela situação. Um conhecido passou e levou a pequena para a cidade e nós continuamos lá, já com uma concentração maior de pessoas conhecidas.

Acompanhamos o desenrolar da situação até o sepultamento do corpo de Ialdo no cemitério. Quanta lembrança naquele momento. Lembrança da época em que estudávamos no Colégio Diocesano com Estela Calumby, que também nos deixou a muito tempo atrás, vítima de uma outra fatalidade. Na porta da funerária quando o corpo chegou do IML de Arapiraca, a amiga Andréia, também daquele tempo, lembrava nossa época de escola. Bons tempos que ficaram guardados na memória e em nossos corações.

Vá em paz meu amigo! Que Deus em sua infinita bondade lhe reserve o local certo para a vida eterna. Nós, pobres mortais, ficamos por aqui ainda, esperando nossa hora e fazendo jus a frase da faixa colocada por Dr Francisco Souza Guerra na grade do cemitério, dizendo que “Sua festa estará para sempre no palco de nossas vidas”.

Que Deus em sua infinita bondade cubra vocês Deise, Beatriz e a pequenina Maria Clara!

Os Bons Morrem Jovens

Legião Urbana
Composição: Renato Russo

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais

Quando eu lhe dizia
Me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse
Eu gosto de você também
Só que você foi embora…
Cedo demais!

Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Em dias assim
Dia de chuva
Dia de sol
E o que sinto não sei dizer…

Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez…

É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais!
E cedo demais…

Eu aprendi a ter
Tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz…
Do resto não sei dizer

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou.
Cedo demais!

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