Uma boa parcela dos gestores de empresas de microou pequeno porte, alguns de nosso entorno de amizade ou familiar, quando questionados sobre por que seus empreendimentos não vêm dando os resultados esperados,é quase unânime em suas respostas quanto à causa principal: o mercado de trabalho.
Fico me questionando se eles, de fato, conhecem como funciona, na prática, o mercado de trabalho, que,como o próprio nome indica, é igual aos outros mercados: uma balança que oscila tanto para um lado quanto para o outro, dependendo das variáveis que o afetam.
Mas, à medida, que eles vão se posicionando sobre o assunto, começa a clarear que o mercado de trabalho, para eles, é a mão de obra que contrata e não corresponde aoque queriam. Se olharmos por este ângulo, eles não estão totalmente errados, porque estão entendendo o todo como uma fração de seus conhecimentos de gestão, que são limitados pelo que aprenderam nas suas experiências práticas nos ramos em que atuam.
Que muitas de nossas escolas de ensino fundamental emédio (por ora vamos deixar de lado as faculdades); não tem qualidade de ensino, principalmente as públicas, até as pedras já sabem e são elas que anualmente fornecem a este mercado a mão de obra de que as empresas necessitam. Acrescente a este cenário que as maiores empresas de qualquer segmento e as que tem maiores participações em seus respectivos mercados, sempre absorverão os melhores candidatos que se inscrevem nas suas seleções de admissão. Ficam para as menores os remanescentes que não são aproveitados por diversos motivos, tendo como principal o nível de conhecimentodas disciplinas aprendidas nas escolas. Atente-se a que esses candidatos ainda não tem experiências em empregos.
Os miniempreendedores que iniciam seus negócios e suas dificuldades de gestão são o tema que trataremos hoje, deixando aqueles a quem formulei a pergunta inicial para outra oportunidade, pois se lhes fosse perguntado aquele questionamento, ficariam constrangidos por nãosaberem o que responder. Esses miniempresários, que em sua grande maioria executam as tarefas do dia a, e quando sua capacidade de produção não atende à demanda de seus serviços, procuram contratar a mão de obra para solucionar esta carência. É aqui o ponto de cisão que determinará o futuro do empreendimento: o crescimento ou a inclusão na estatística das empresas que não deram certo.
Já utilizei este espaço em várias oportunidades, para dizer que a maior causa do problema aqui revisitado é a péssima qualidade das nossas escolas públicas de ensino fundamental e médio, que salvo algumas exceções,oferecem à população que mais precisa de uma boa educação. Os que tem algum recurso financeiro disponível utilizam as escolas privadas para seus filhos, onde as exceções são em sentido contrário, são poucas as que não tem qualidade em seu ensino. Como também já escrevi que atualmente vem aumentando a quantidade de município, ainda de modo incipiente, que estão melhorando a qualidade de suas escolas, de acordo com os últimos resultados do IDEB, que tem alguns itens questionáveis, mas é um ponto de referência.
Como a maioria dos fundadores de empresasindividuais é proveniente do ensino público, é normal quetenha limitações provocadas pelo desconhecimento do básico da gestão. Aí vem a primeira pergunta, quem deve ser responsável por iniciar o processo de melhor qualificação deste grupo de novos empreendedores, que precisam conhecer qual a melhor maneira de conduzir seus negócios: o poder público ou as entidades privadas que recebam recursos públicos ou não?
Basicamente, o Poder Público procura promover: 1) Capacitação e Educação, muitas vezes em parceria com entidades como Sebrae, Senai e Senac; 2) Simplificação de processos; 3) Inclusão em compras públicas; e 4) Acesso a crédito orientado.
Essas ações são imprescindíveis para que qualquer empreendimento tenha sucesso, porém, sem uma boa capacitação e educação em gestão, as demais são meras figuras decorativas. Porém, é necessário, antes de tentar capacitar o novo empreendedor, conhecer o seu nível de conhecimento. Não adianta oferecer bons cursos quandoos participantes possuem níveis de conhecimento completamente divergentes, pois, em um exemplo simplista, é como colocar um aluno do primeiro ano do ensino básico na sala de aula do sétimo ano, não vai entender nada.
É aqui que a maioria dos cursos de capacitação falha, são montados no pressuposto de que todos os participantes são iguais; e não são. É por isto que são chamados de “enlatados”.
Dito isto, acredito que a primeira ação que os gestores públicos deveriam realizar é a promessa de campanha e a criação de um conselho ou coisa parecida no qual participem, principalmente, empreendedores de sucesso, para coordenar os cursos oferecidos pelas diversas entidades segmentando-os de acordo com o que conhecem e entendem e privilegiando a prática com menos teorias, por meio de oficinas de trabalho (workshop) onde todos colocam a “mão na massa” e interagem.
Esse é um assunto que, por si só, é interminável e assim deve continuar.
Alexandre Cedrim.
