O mundo vivencia um período de incertezas e questionamentos que vão além da saúde pública, sobretudo nos espaços urbanos, onde os desafios são ainda mais complexos. No Brasil, as dificuldades são inúmeras, desde a sua configuração urbana e dimensões continentais até as condições sócio sanitárias desiguais e excludentes. A crise sanitária visível nas cidades brasileiras, ainda mais latente com a pandemia da Covid-19, reforça o papel do arquiteto e urbanista na implementação de ações que garantam melhorias habitacionais, urbanização de favelas e assentamentos, infraestrutura básica e espaços públicos de qualidade para todos.
Para a arquiteta e urbanista, Juliana Lessa, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Mario Pontes Jucá – UMJ, a pandemia provocou distúrbios sociais e econômicos com mudanças significativas na paisagem urbana. “Mas é possível observar, por exemplo, alguns efeitos positivos, como a diminuição do congestionamento, do barulho e da poluição”, destaca ela.
A arquiteta chama atenção para os espaços, como favelas e assentamentos subnormais, que encaram a pandemia com situações mais adversas, consequência da falta de infraestrutura e a extrema pobreza que estão na contramão das medidas de propostas no Plano de Contingência da OMS, como o isolamento social, trabalho em casa, circulação de ar, higiene sanitária, entre outras. “Algumas dessas medidas se tornam inviáveis em locais insalubres, superlotados e sem saneamento básico, o que facilita a propagação do vírus na região”, alerta Juliana, ao propor soluções: “As áreas de vulnerabilidade social necessitam de um olhar diferenciado quanto à viabilidade das ações do Plano de Contingência, a exemplo de uma renda básica como auxílio ao isolamento social, tarifas acessíveis dos itens básicos de higiene e alimentação, fortalecimento da assistência de saúde nesses locais, ampla comunicação e disseminação das informações sobre os cuidados, e testes são algumas ações emergenciais importantes, a curto prazo, diante de décadas de políticas públicas ineficientes”, salienta.
Para Juliana, o momento sugere um olhar do arquiteto para novos cenários urbanos e reforça a urgência na implementação de ações urbanísticas e sociais, sobretudo, nos locais mais vulneráveis do Brasil. “Questões como mobilidade, habitação, meio ambiente, meios de produção, utilização do espaço urbano e ações sustentáveis podem nortear a remodelação das cidades em locais mais resilientes e igualitários”, finaliza.
