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Sergipe

Aracaju pela Vida ultrapassa 500 atendimentos e profissionais reconhecem eficácia da estratégia

Implementado há pouco mais de um mês, o Programa Aracaju pela Vida, criado pela administração municipal e gerido pela Secretaria da Saúde (SMS), já atendeu a cerca de 500 pacientes. Para isso, conta com equipes diversificadas e uma rotina de visitas que tem evitado agravamentos de casos e salvado vidas.

O programa é voltado para casos suspeitos ou confirmados de covid-19 nos quais há riscos de agravamento, como em idosos ou em pessoas com comorbidades, como explica a coordenadora do programa, Sindaya Belfort. “O objetivo do Aracaju pela Vida é fazer o monitoramento dessas pessoas que têm orientação para fazer o isolamento domiciliar”, afirma Sindaya.

Atualmente, seis equipes compõem o programa: três realizam as visitas pela manhã e três pela tarde. As equipes são compostas por médicos e enfermeiros e acompanhadas por agentes de saúde da Unidade Básica de saúde (UBS) do território em que o paciente vive. Na visita, os profissionais fazem a reavaliação da condição clínica dessas pessoas.

“Verificam se há necessidade de fazer o teste ou se já foi feito; reforçam as orientações e, se necessário, mudam medicação e fazem a articulação com o núcleo da regulação para encaminhá-las a um leito hospitalar”, revela Sindaya.

O acesso dos usuários pode ser pelo MonitorAju, através do qual as pessoas já são acompanhadas remotamente; pelo atendimento em uma das oito UBS de referência para síndrome gripal ou numa identificação pela UBS do próprio bairro. “Entre esses critérios, eles vão eleger os casos que têm risco maior de complicação”, esclarece a coordenadora.

Atualmente, são quatro médicos e oito enfermeiros. Rodrigo Damázio é um desse profissionais. Recém-formado em Medicina, ele atua no programa desde o início e vê essa facilitação do acesso aos serviços de saúde como algo muito importante nesse momento. “A gente está começando do zero com esse programa e já tem descoberto bastante coisa em relação ao perfil dos pacientes, das comunidades, então, tem sido bastante desafiador”, define.

Segundo Rodrigo, o programa deixará uma marca muito positiva para o futuro. “Não vai se resumir apenas à pandemia”, acredita o médico. Também profisisonal do Aracaju pela Vida, o médico Valdir Sá vê a iniciativa como uma estratégia complementar dentro dos vários serviços na atuação contra a pandemia, seja nas retaguardas, no Hospital de Campanha ou no próprio programa.

“A gente consegue perceber o perfil de paciente que chega por essas saídas e entradas e isso é bastante interessante. A gente consegue pegar o paciente num estágio muito anterior, em vez de pegá-lo num estágio de agravamento maior, então o programa estimula a prevenção”, afirma.

Enfermeira do Aracaju pela Vida, Eline Rocha vê o trabalho em equipe como um diferencial do programa. “Médico e enfermeiro atuam juntos numa avaliação clínica e dos pacientes, e com essa avaliação o médico toma a conduta a ser realizada. O atendimento é todo de forma humanizada”, assegura.

Para ela, estar fazendo parte dessa linha de frente é muito importante. “É um projeto divisor de águas, onde a gente faz um trabalho muito bonito, com uma equipe unida que consegue definir critérios que são abordados pelos pacientes e realizar as condutas que eles precisam”, ressalta.

Todo esse trabalho é iniciado com Aleska Veiga, da área administrativa. É ela que acompanha o sistema para eleger os pacientes que serão visitados através da montagem das rotas. “Nas rotas, a gente prioriza tanto pacientes que já estão positivados quanto os que moram com essas pessoas e podem estar assintomáticas e desrespeitando o isolamento”, afirma.

A cada dia, as equipes saem com rotas diferentes. “Eu entro em contato com os pacientes para pegar as informações e através da ligação a gente busca já direcionar como será o atendimento, vendo se a pessoa tem sintomas, se já realizou o teste, etc. Assim, os profissionais já vão preparados”, justifica. Aleska faz uma triagem baseada na localização dos bairros atendidos pelo programa, que são: Soledade, Centro, Santos Dumont, Porto Santas, Cidade Nova e Industrial.

Cada equipe realiza, no máximo, oito visitas por turno. “Mas vai depender do bairro e da quantidade de pessoas que residem no local”, pondera Aleska. A rotina incluiu aguardar a definição das rotas, ir até as UBS para que agentes de saúde se unam à equipe. Já na casa do paciente, é feita a paramentação necessária, seguida de uma avaliação oral e depois física.

Só então a equipe adota as condutas, que inclui testagem para covid. Na volta à Secretaria, as informações de cada paciente são atualizadas no sistema. “A partir daí, todas essas pessoas visitadas continuam monitoradas pelas equipes das UBS onde elas residem. Caso haja agravamento, os profissionais de lá fazem os encaminhamentos necessários”, destaca a coordenadora do programa.