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Penedo

Aprender a pensar como médico: a metodologia que coloca o aluno no centro da formação na Qualin

Faculdade de Medicina de Penedo aposta em problematização, tutoria e contato com a prática para desenvolver futuros profissionais

Em um cenário em que a prática profissional médica exige cada vez mais capacidade de análise e tomada de decisão, novas formas de ensinar surgem. Imagine chegar à faculdade de medicina e, desde os primeiros períodos, já ser desafiado a pensar como um médico. Em vez de apenas ouvir conteúdos em sala de aula e memorizar informações, o estudante é convidado a discutir casos, buscar respostas, trabalhar em equipe e relacionar o conhecimento adquirido com situações próximas da realidade profissional.

Essa é uma das propostas da metodologia adotada pela Qualin Faculdade de Medicina, em Penedo, que transforma o aluno em protagonista da própria formação. Nesse sistema, o modelo tradicional de ensino é transformado em um ecossistema dinâmico e inovador que reúne aprendizado, partilha e prática, onde o professor é o guia que orienta o estudante na sua jornada de conhecimento.

Segundo a coordenadora geral da Qualin, professora Dra. Ana Pinheiro, a proposta institucional fundamenta-se na aprendizagem baseada na problematização, colocando o estudante no centro do processo de ensino e aprendizagem, sem reduzir a participação do docente a uma função meramente observadora.

“Nesse modelo, o aluno assume papel ativo na análise das situações-problema, na busca por informações, na reflexão e na construção de possíveis soluções. Entretanto, esse protagonismo ocorre com acompanhamento docente permanente e intencional. O professor atua como mediador, orientador e facilitador da aprendizagem, auxiliando o estudante na organização do raciocínio, na identificação das necessidades de aprendizagem e no aprofundamento dos conhecimentos necessários para compreender e solucionar os problemas apresentados”, explica.

A aprendizagem ocorre no modelo de tutoria, onde o aluno investiga situações concretas, realiza pesquisas fundamentadas e leva o debate para as sessões com os demais colegas, monitores e professores. Dessa forma, a prática promove o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes fundamentais para a formação médica.

Mas desenvolver autonomia não significa ausência de orientação. E é por esse motivo que durante o processo formativo são proporcionados momentos de interação e aprendizagem com os docentes, nos quais conteúdos, conceitos e conhecimentos essenciais podem ser discutidos, esclarecidos e aprofundados de acordo com cada necessidade.

“O estudante é estimulado a desenvolver autonomia, pensamento crítico, capacidade de investigação, tomada de decisão e responsabilidade pelo próprio aprendizado, enquanto o professor participa ativamente da construção do conhecimento, oferecendo direcionamento e suporte para que a aprendizagem ocorra de maneira mais consistente e produtiva”, afirma o coordenador do curso de medicina da Qualin, professor Dr. Micael Melo.

Portanto, o professor funciona como um mediador que orienta, esclarece dúvidas, corrige interpretações inadequadas, aprofunda conceitos e ajuda o aluno a estabelecer relações entre teoria e prática. Essa mediação contribui para que o estudante não apenas encontre informações, mas compreenda seu significado, aplicação e relevância para a formação médica. Logo, o estudante tem a oportunidade de compreender não apenas qual decisão pode ser tomada, mas também os fundamentos que sustentam essa escolha.

Com esse tipo de formação, os alunos tem acesso em primeira mão, ainda nos primeiros períodos e com exclusividade, aos serviços municipais nas comunidades através das Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Penedo.

O corpo docente da faculdade acredita que os ganhos proporcionados por essa metodologia própria estão diretamente relacionados ao perfil do médico que se pretende formar, já que a prática exige muito mais do que domínio de conteúdos teóricos. “O profissional precisa saber interpretar informações, analisar diferentes possibilidades, tomar decisões, comunicar-se adequadamente e agir com responsabilidade diante de situações que, muitas vezes, são complexas e não apresentam respostas prontas. Dessa forma, o aluno desenvolve competências que serão utilizadas diretamentena futura prática profissional”, salienta professora Dra.Ana Pinheiro.

Além disso, o conhecimento adquirido nesse formato tende a ser mais favorável a uma aprendizagem concreta e significativa, justamente porque não ocorre de forma isolada. “O aprendizado tende a se tornar menos fragmentado e mais estruturado, permitindo que o aluno construa bases mais consistentes para conteúdos e situações de maior complexidade. Isso contribui para que, futuramente, consiga avaliar o paciente de maneira mais ampla, interpretar sinais e sintomas, levantar hipóteses e fundamentar suas decisões”, pontua professor Dr. Micael Melo.

O professor ainda destaca que a humanização é ponto fundamental nesse modelo, onde o estudante é estimulado a testar a capacidade de reflexão e empatia. Isso porque, para ele, o médico precisa analisar cada situação de forma individualizada, considerando não apenas a doença, mas também as condições clínicas, sociais, familiares e emocionais do paciente.

Assim, na metodologia criada pela Qualin o estudante aprende a discutir casos, ouvir diferentes perspectivas, receber orientações, revisar suas próprias conclusões e trabalhar de maneira colaborativa, o que vai além do desempenho acadêmico. Nesse sentido, contribui para a formação de um médico capaz de integrar conhecimentos científicos e clínicos, considerar o paciente de forma integral e tomar decisões fundamentadas.