Piscicultores comemoram avanços
O APL Piscicultura no Delta do São Francisco, coordenado pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento em parceria com o Sebrae/AL, vem transformando a vida de famílias residentes na Cooperativa de Pindorama inseridas no ‘Projeto Amanhã’ da Associação dos Piscicultores de Palmeira Alta.
Criada há dez anos, a associação descobriu na piscicultura uma alternativa efetiva de oportunidade de negócios para as famílias que moram na região. Nos dois primeiros anos, os negócios até que apresentaram uma boa produção e garantiram renda aos associados. Mas logo em seguida, no ano de 2004, o associativismo foi sendo fragilizado.
Em razão disso, como explica a presidente da Associação dos Piscicultores de Palmeira Alta Jailma Vasconcelos, uma das fundadoras, a entidade passou por dois processos de dissolução, o que acarretou no acúmulo de dívidas e prejuízos. “Foram dias difíceis para todos nós. O desânimo foi geral e quase fechamos as portas”, recorda Jailma.
Nesse período, afirma a presidente da associação, o lucro para os associados era insignificante e como se não bastasse o montante da dívida crescia a cada ano. “Fomos ao fundo do poço e acumulamos uma dívida grande em relação aos nossos negócios”, relembra Jailma sobre a dívida de R$ 17 mil, gigantesca em relação ao porte da associação.
Fortalecimento
O que parecia ser um negócio fracassado tomou um rumo inesperado. Em 2004, o governo de Alagoas por meio do Programa de Arranjos Produtivos Locais e o Sebrae implantaram ações de fortalecimento do associativismo cuja finalidade foi traçar metas para que os associados superassem a crise que se abatia na Associação dos Piscicultores de Palmeira Alta.
“Nosso objetivo foi mostrar aos associados que eles enxergassem na atividade da piscicultura como uma empresa, com uma visão na geração de renda”, explica o gestor do APL Piscicultura Delta do São Francisco, Miguel Alencar. Ele informa ainda que os técnicos do Sebrae capacitaram os associados com o curso de gestão de negócio, preço ao produto e agregar valor ao produto.
“As ações do governo e do Sebrae foram implantadas no momento de maior dificuldade da comunidade e vêm dando certo até os dia atuais”, comemora o agrônomo especialista em piscicultura Miguel Alencar.
Parceiros
Outras ações implantadas para o fortalecimento da Associação de Piscicultura de Palmeira Alta estão a distribuição de ração, tanques, redes, alevinos e barco pela Codevasf; alojamento, cozinha e ponto de comercialização de peixes doados pela Cooperativa Pindorama; enquanto que o Sebrae realizou consultorias em associativismo, gestão de negócios e abertura de mercado.
A Secretaria de Agricultura, por meio do Programa Alagoas Mais Peixe, fez a doação de 34 tanques e redes, um barco a motor, freezer e balanças industrial e digital.
Graças essas ações, a capacidade de produção de tilápia atualmente atinge meia tonelada por tanque e a expectativa é de que essa produção ultrapasse as 20 toneladas por ano. “Isso representa um ganho real para os associados que sobrevivem do pescado, aumentando a renda mensal para as famílias”.
Dona Nardir dos Santos, que há três anos faz parte da associação, já comemora com o faturamento que vem crescendo a cada ano. “Antes da chegada do APL tudo era difícil pra gente. Tinha mês de levar apenas 50 reais de lucro. Hoje as coisas estão bem melhores e acredito que nosso faturamento vai aumentar ainda mais”, acredita Nadir, sorridente com os avanços.
Venda direta ao consumidor
Outro fator que favorece o crescimento da renda e da produção do pescado para as famílias é que a comercialização é feita diretamente ao consumidor, o que elimina a figura do atravessador. “A prova disso é o poder de superação do grupo que saiu de uma situação crítica de caixa, e hoje já contabiliza lucro”.
“Nossos peixes são de boa qualidade porque são criados num ambiente limpo e com ração de primeira”, destaca Márcia dos Santos, piscicultora que faz parte da associação há pelo menos quatro anos. Segundo ela, além desses ingredientes, a dedicação e zelo também contribuem para um pescado com boa aceitação no mercado.
Venda consignada
Outra modalidade de comercialização de tilápia e que vem dando um retorno rentável aos piscicultores é a venda consignada entre os funcionários da Cooperativa Pindorama. Num ponto de venda instalado na própria cooperativa, os funcionários fazem a encomenda, recebem em casa o produto e o pagamento é feito com desconto em folha.
Para a presidente da Associação Jailma Vasconcelos, a venda do pescado vem crescendo consideravelmente e a necessidade de ampliar a área de criação é cada vez maior. “Atualmente estamos fazendo a despesca de 600 peixes por tanque e queremos dobrar essa quantidade para melhor atender o nosso mercado consumidor”, assegura Jailma. “Temos mercado garantido, mas nossa produção ainda é insuficiente para a clientela”, ressalta a presidente da associação.
Bolinho e filé
Os piscicultores também estão diversificando os negócios com o produto e já estão agregando valor ao pescado. Com o beneficiamento, dois novos produtos já estão fazendo sucesso e rendendo lucro para a Associação: o bolinho e o filé de peixe.
Graças ao curso de capacitação ofertado pelo Sebrae, Jailma Vasconcelos está pondo em prática seus dotes culinários e a procura pelos novos produtos tem crescido. “Tanto os bolinhos, como o filé de peixe já estão gerando uma renda extra”. Segundo ela, as encomendas aumentam a cada dia.
Produtos feitos com couro de tilápia
Outra atividade que recebe apoio das ações do APL Piscicultura no Baixo do São Francisco é o artesanato realizado com couro de peixe. Nos próximos meses, como garante a presidente da Associação de Palmeira Alta, novos produtos estarão no mercado graças ao curtimento do couro da tilápia. Serão confeccionados cintos, bolsas, agendas e acessórios como brincos, colares e pulseiras.
As técnicas foram repassadas por meio de um curso de capacitação realizado no Instituto Xingó, fruto de um parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri) e Sebrae.
