×

Maceió

Alunos vão promover ?abraço coletivo? contra racismo no Cepa

Manifestação será realizada em 12 de junho, no Dia dos Namorados

Os estudantes das escolas do Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa) decidiram celebrar o Dia dos Namorados de uma maneira diferente. Na próxima sexta-feira (12), os alunos promoverão um abraço coletivo contra a intolerância racial, religiosa e sexual. A ideia dessa mobilização surgiu nesta terça-feira (09), durante um debate sobre o racismo realizado no auditório da 13ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

O debate foi promovido pelo Instituto Raízes de Áfricas, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, por meio da Coordenadoria Especial de Gestão de Pessoas e da 13ª CRE. A atividade faz parte do projeto ‘Roda de Conversa’, com o tema ‘Fala sério: Racismo, aqui não!’.

A Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos e a Secretaria de Estado, Esporte, Lazer e Juventude também apoiam o projeto, que visa elevar o nível de conscientização dos estudantes quanto à questão racial.

De acordo com a educadora Arísia Barros, que também é presidente do Instituto Raízes de Áfricas, durante o debate, os alunos relataram vários tipos de preconceito e decidiram realizar uma manifestação no Cepa contra a intolerância racial, religiosa e sexual.

“O Dia dos Namorados foi escolhido para o abraço coletivo porque é um dia dedicado ao amor e não há sentimento melhor para combater a intolerância do que o amor ao próximo, manifestado de forma simbólica pelo abraço incondicional, sem distinção”, justificou Arísia.

Apoio da CRE

A manifestação conta com o apoio da 13ª CRE, como assegurou a coordenadora Mônica Sarmento no contato que teve com os alunos durante o debate sobre o racismo.

“Não só apoiamos a ideia, como sugerimos que ações como essa sejam levadas às demais escolas da nossa coordenadoria”, afirmou a coordenadora.

Segundo a coordenadora, inicialmente, a mobilização deve envolver apenas as escolas do Cepa, mas nas próximas edições poderá se estender também para outras unidades de ensino do Estado.

Para o aluno Joalison Santos da Silva, de 17 anos, o racismo existe dentro e fora das salas de aula. “Por isso, nada melhor do que uma mobilização como essa, programada para o dia 12 de junho, para combater a intolerância racial com muito abraço”, destacou.

A estudante do 3º Ano da Escola Estadual Moreira e Silva, Alane Cristina Souza, de 17 anos, também afirmou que já presenciou várias atitudes racistas em brincadeiras entre os colegas.

“Muitas pessoas em nossa sociedade dizem que não são racistas, mas ainda discriminam as pessoas por conta da questão social ou da cor da pele”, lamentou.

A proposta do abraço coletivo contra o racismo foi defendida de forma especial pelo aluno Edson José dos Santos, de 17 anos. Este ano, em um momento de carência afetiva, ele fez um cartaz pedindo abraços dos colegas de escola.

“Por incrível que pareça, a ideia deu tão certo que outros colegas decidiram fazer o mesmo e essa atitude se espalhou pela escola. Por isso, tenho certeza que essa manifestação contra o racismo e todo tipo de preconceito, no dia dos namorados, vai ser um sucesso”, opinou Edson José.

Seminário

Além dos alunos do Cepa, o debate contou também com participantes do XIX Seminário Afro Alagoano Ígbà Émí Wà, realizado de 22 a 25 de maio último, e que teve como tema ‘O Cotidiano do Racismo Contemporâneo e a Construção das Relações Humanas’.

“Este debate ampliado serviu para promover uma reflexão dialogada sobre o racismo presente no nosso cotidiano, principalmente entre jovens de diferentes grupos étnicos”, afirmou Arísia Barros.

Para ela, o debate serviu também “para pensar novos caminhos para a reinterpretação da discriminação racial e terminou com essa proposta maravilhosa, esse abraço contra a intolerância”.