Alunas pesquisam o corante do jenipapo
Do município de Arapiraca, Agreste alagoano, à San Juan de Ambato, uma cidade no centro do Equador, a uma altitude de 2.600 metros acima do nível do mar. Este será o próximo roteiro das alunas Gleysse Taynar Gomes e Mikaelle Aryelle de Lima, da Escola Estadual Izaura Antonia de Lins. Ambas tiveram sua pesquisa selecionada durante a Feira Brasileira de Ciência e Tecnologia, realizada na Universidade de São Paulo (USP), entre os dias 12 a 17 de março.
A pesquisa, “Extração de Corantes Naturais – Amarelo e Azul – dos Frutos do Jenipapo”, desenvolvida pelas estudantes do 2º ano do ensino médio, e orientada pela professora de Química Nadja Alves, foi uma das três pesquisas selecionadas para representar o Brasil na 26ª Mostra Internacional de Ciências e Tecnologia, que será realizada no Equador, no período de 24 a 28 de abril.
A descoberta, como explicam as alunas Gleysse e Mikaelle, se deu por acaso, já que inicialmente pesquisavam sobre as propriedades nutritivas e medicinais do fruto do jenipapo.No entanto, ao se aprofundarem no tema, descobriram que com o fruto é possível extrair o corante com as tonalidades azul e amarelo, resistente, de baixo custo e sem risco de intoxicação.
“Dependendo do tamanho e do estádio de maturação, é o que se obtém diferente coloração”, atestam as jovens pesquisadoras Gleysse Gomes e Mikaelle Lima.
Segundo a professora Nadja Alves, a pesquisa é pioneira no tingimento de tecidos e na variedade de cores. Segundo ela, foram utilizados três tipos de corantes: azul, amarelo ouro e amarelo ocre. O experimento foi utilizado em tecidos brancos de algodão.
O sucesso da pesquisa foi de tamanha importância, que uma artesã do município de Arapiraca já utilizou os referidos corantes em diversas peças como experiência e o sucesso foi garantido e comprovado. “Vamos levar duas peças feito à base de algodão com o tingimento aplicado nas cores azul e amarelo para exposição no evento”, afirma Gleysse.
A conquista das alagoanas de Arapiraca em ter representar o Brasil no Equador, não foi tarefa muito fácil. Para se ter uma ideia, no evento realizado na USP foram inscritos 1.500 projetos, sendo que apenas 320 foram aprovados. Destes, apenas três foram selecionados para a Mostra Internacional.
“Essa vitória das alunas significa um momento único e especial para a direção, para os professores e estudantes que fazem parte da rede pública de ensino”, reconhece a diretora da Escola Estadual Izaura Lisboa, Rejane Rolim. Segundo ela, isso é fruto de um trabalho bem elaborado, aliado ao empenho e a determinação das alunas.
A professora Nadja Alves, orientadora da pesquisa, destaca a capacidade e o desempenho das duas alunas responsáveis pelo trabalho, e reconhece que a conquista alcançada é fruto de muita dedicação da dupla. “Nossa expectativa é de que as meninas tragam premiação do evento internacional”.
