Quando as portas da Unidade de Acolhimento Institucional Acolher se abrem é possível ver, ao fundo, uma paisagem bonita que reflete toda a esperança e o sorriso das 20 crianças e adolescentes que foram retirados de situações de alta vulnerabilidade social e agora fazem parte da rotina do abrigo, que é administrado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). Hoje, o local é destinado à transformação e à percepção de uma realidade recheada de sonhos, que até o momento da chegada, parecia impossível para todos eles.
Quem descreveu a paisagem do local, que atualmente vive um ótimo momento, foi o coordenador da unidade, o psicólogo Amaro Jorge Silva. O coordenador explica que há oito meses, o trabalho multidisciplinar que vem sendo desenvolvido dentro da unidade está mudando completamente a visão preconceituosa das pessoas – e das próprias crianças – a respeito da funcionalidade interna da unidade.
“As pessoas que não conhecem o funcionamento ou até mesmo não sabem como funcionam os processos de Assistência Social já chegaram a nos colocar como uma prisão e não é isso que oferecemos. Totalmente pelo contrário, é um trabalho de alimentação de sonhos”, destaca Amaro.
O psicólogo explica que, através do preenchimento do tempo em que os meninos e meninas não estão na escola, com outras atividades pedagógicas, testes vocacionais, terapia ocupacional e a inclusão das práticas esportivas – todas executadas dentro do Acolher -, foi possível fazer com que as crianças, que chegam ao Abrigo pelo Conselho Tutelar, apresentassem uma redução drástica no nível de estresse. O resultado foi a diminuição no número de fugas.
“Além do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que é um outro aparato da Semas no trabalho de oferta das atividades de tempo integral para jovens, contamos com várias outras opções de serviços para fazer com que, por exemplo, a criança deixe de ir aos sinais de trânsito para praticar a mendicância. Diferentemente dos SCFV e por se tratar de um abrigo, o Acolher trabalha oferecendo essas atividades, mas foca na reinserção familiar, que é quando a criança ou o adolescente volta para um ambiente que não apresenta mais risco”, disse a secretária municipal de Assistência Social, Celiany Rocha.
Entre os mais de 20 profissionais que atuam no Acolher, estão psicólogos, educadores físicos, pedagogos e coordenadores disciplinares. A unidade de acolhimento é mantida através do co-financioamento da Prefeitura de Maceió e do Governo Federal, e conta com visitas eventuais de estudantes universitários de várias áreas, que executam, juntos aos profissionais do Abrigo, projetos que objetivam a excelência na oferta desse conjunto de atividades.
