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A regra de ouro do capitalismo

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A regra de ouro do capitalismo

Um dos elementos do capitalismo é o emprego do trabalho assalariado, que juntamente com os recursos materiais e financeiros compõem o sistema de economia capitalista. A opção de qual elemento terá preferência pela organização é que determina a filosofia gerencial da empresa, definindo o que terá maior prioridade: o capital humano ou o capital tangível.

Em nosso entorno encontramos um número considerável de empresários que prefere concentrar a atenção na produção e no financeiro, pois entendem que estes são os fatores de maior relevância para o sucesso de suas empresas, deixando em segundo plano as esperanças e os projetos que as pessoas trazem ao ingressar nestas organizações.

Normalmente os empresários que escolhem priorizar os recursos materiais e financeiros não perdem a oportunidade de comentar da falta de comprometimento e competência dos seus funcionários, um deles me afirmou que 95% do seu contingente de pessoas é ruim, mas sem detalhar quais as possíveis causas desta afirmação, deixando a dúvida de conhecer o básico para administrar as pessoas da sua empresa.

Mesmo que esta avaliação específica seja exagerada, ela é no mínimo preocupante, pois são as pessoas que tornam os outros recursos produtivos durante o período que estão na empresa, assunto recorrente desde a terceira etapa da revolução industrial (século XX e XXI) em livros e artigos de diversos autores sobre o assunto, mas aparentemente desconhecido por quem tem opinião de que a maioria das pessoas é incompetente e não demonstra interesse nos negócios da empresa.

As pessoas ao procurarem emprego esperam que as empresas tenham: 1) processo justo de seleção; 2) clareza sobre a execução das tarefas; 3) plano de desenvolvimento funcional; 4) remuneração e gratificações de acordo com o desempenho; 5) transparência sobre seu desempenho; 6) probabilidade de exercer cargos gerenciais.

Todos estes vetores são importantes para o desempenho das pessoas, mas o atrativo que provoca mais demanda pelos interessados que possuem boa escolaridade é a remuneração e a progressão funcional na empresa, em tese, deve resultar em melhoria salarial.

É difícil entender a perspectiva que tem um dirigente empresarial que adota, como regra geral de sua política de remuneração, o salário mínimo determinado pelo governo, independentemente do tempo e qualificação de seus empregados, quando atualmente encontramo-nos em um ambiente altamente competitivo, no qual os clientes estão cada vez mais exigentes quanto à qualidade dos produtos, serviços e atendimento.

 Observamos quotidianamente que o resultado desta visão limitada e ultrapassada é o encerramento das atividades de empresas e o início de atividades de novas que, ao manterem esta mesma política salarial, contribuem para que o ambiente profissional continue inalterado para o empregado, provocando a evasão das pessoas mais qualificadas para outras localidades onde possam desenvolver suas atividades profissionais e serem remuneradas pelo seus conhecimentos, habilidades e competências.

A alteração desse círculo vicioso para um círculo virtuoso é um processo demorado e doloroso, pois dependerá da mudança cultural dos empresários, que devem observar com critérios mais críticos o ambiente interno de suas empresas, procurando compreender o equilíbrio entre desempenho e remuneração, relembrando a regra de ouro do capitalismo: todos querem ganhar mais e ao mesmo tempo deixar ao lado a regra de ouro do comunismo: todos devem ganhar menos.
 

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