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“…E o Oscar vai para…”

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“…E o Oscar vai para…”

Embora estejamos na plena efervescência da campanha eleitoral, já começam a surgir os primeiros comentários a respeito dos filmes e profissionais que concorrerão ao próximo Oscar. A premiação em si, instituída no início do século passado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, deverá ocorrer lá pelo mês de fevereiro ou março de 2011, mas o zum-zum-zum já teve início. E novamente, como sempre ocorre, os grandes estúdios de Hollywood se preparam para travar uma verdadeira guerra de comunicação e de marketing para trazer para si o maior número possível de estatuetas. É guerra pra cachorro grande. Perifericamente, como também é de praxe, vários países, da segunda linha do cenário cinematográfico mundial, afiam suas armas para ficar com um pedaço do bolo. Índia, China, Espanha, França, Itália, países da Europa Oriental – e o Brasil, logicamente.

Em cada país é feita a escolha dos filmes que irão concorrer ao tão sonhado Oscar. Em alguns, a escolha decorre de uma posição de mercado; em outros, a responsabilidade fica sobre os ombros de órgãos estatais, normalmente entranhados da ideologia do regime a que servem – sejam de esquerda ou de direita. Aí verdadeiros absurdos e injustiças são cometidos e conhecidos, pois o exame não recai sobe o mérito da obra cinematográfica em si, mas sobre o conteúdo político-ideológico que tenta transmitir e repassar aos telespectadores. É pública e notória essa tentativa de utilização que regimes dos mais diferentes matizes procuram exercer sobre o trabalho dos cineastas, censurando os que não se alinham ao seu ideário, ao mesmo tempo em que incentivam e patrocinam os que se perfilam e se dobram aos seus ditames. Tudo isso ocorrendo também com a música, as artes plásticas, o teatro, a literatura…

No Brasil, anteriormente, não se tinha conhecimento de tão forte posicionamento ideológico adotado pelo órgão responsável pela escolha. Os filmes brasileiros a concorrer ao Oscar eram eleitos pelo conteúdo, pelo desempenho de bilheteria, pela repercussão… Enfim, pela consagração de público e de crítica. Este ano, coincidentemente eleitoral, rompeu-se com essa lógica. Um dos escolhidos, “O Filho do Brasil”, apesar de seu fracasso como realização cinematográfica, foi indicado a figurar na lista dos melhores do ano, capacitado, assim, a seguir para Hollywood com um pedigree carimbado pelo governo, porém carente de reconhecimento pelo público e pelos críticos. Estes o depenaram de qualquer resquício de qualidade tão logo foi lançado em custosa e apoteótica campanha mercadológica, enquanto o público – para o qual fora cuidadosamente embalado – virou-lhe as costas. Solenemente.

Assim, lá se vai “O Filho do Brasil” concorrer ao Oscar. Não se admire se por lá for bem sucedido. É que nos Estados Unidos, como de resto em boa parte do mundo civilizado, a imagem de Lula – baseada na sua origem de retirante pobre, de político humilde, lastreado em amplo apoio popular, tornado um dos mais importantes líderes mundiais deste início de século – pode pesar na escolha. Pode ser que os membros da Academia, como acontecido antes – tanto em Hollywood como na Suécia, por ocasião do Nobel – decidam politizar o processo, agregando-lhe um viés de esquerda, voltado a países emergentes. Pode ser. E aí teremos a consagração de um filme que por aqui passou e nada aconteceu. A expectativa vai ser grande. Imagine o apresentador, envelope à mão, abrindo-o e… “e o Oscar vai para… Lula! É Lula!!! O cara!!! O escolhido!!! É a glória do Brasiiiiiillllll!!! Do Brasiiilllll!!!” Já pensou?

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