Martha Martyres

Radialista, diretora da rádio Penedo FM, âncora do jornalismo no Programa Lance Livre


 
  • Reminicências do Colégio Imaculada Conceição Cem Anos de Histórias

     

    Somos sete irmãos, sendo cinco mulheres. Em ordem cronológica decrescente: Tânia, Fátima (eu), Márcia, Telma e Betânia Brasil. Todas nós tivemos o privilégio de estudar no Colégio Imaculada Conceição, graças à garra dos nossos pais (Zenaide e Expedito) que trabalhavam com denodo para garantir à família uma vida digna, permitindo que as necessidades básicas fossem atendidas, especialmente a educação dos seus filhos.

    Às vésperas das comemorações do centenário do Imaculada Conceição, estou vivendo momentos de grande expectativa, preparando-me para participar do grande evento, que me proporcionará momentos de fortes emoções.

    O centenário colégio preparou para a vida, milhares e milhares de estudantes, através de um ensino de primeira qualidade e de uma formação geral integrada à grade curricular do estabelecimento. Sem dúvida, as jovens que estudaram no Imaculada puderam por em prática, no decorrer de suas vidas, os ensinamentos e os sábios conselhos das irmãs e demais professores.

    Durante esses dias que antecedem minha viagem à Penedo, querida e inesquecível terra natal, minha mente se transformou numa tela de cinema, onde as cenas me fazem rememorar momentos felizes e alegres que passei no colégio, ao lado de queridas amigas e companheiras, que continuam presentes em meu coração.

    Recordar o tempo em que estudava no Imaculada Conceição é enxergar o colégio e sentir a textura de suas paredes, suas salas de aula, seus corredores, pátios e demais dependências. Tudo isso povoado pelas colegas, professores e funcionários.

    Voltando no tempo, lembro-me com muita clareza dos preparativos para os festejos do cinquentenário do Imaculada, dos quais participei ativamente e com muito entusiasmo. Agora, cinquenta anos depois, os preparativos são para as comemorações dos cem anos de existência do colégio, que continua sendo exemplo de qualidade e eficiência no cenário educacional de Alagoas, do Nordeste e do Brasil.

    Para finalizar minhas reminiscências, presto uma homenagem, com muito amor e carinho, às queridas e inesquecíveis irmãs, que, ao longo desses cem anos, sempre abraçaram a causa da Educação com fervor, devotamento e altruísmo, e que agora as recordo com saudade, respeito e admiração.

    Atualmente, resido em Salvador, Bahia. Sou casada com Júlio Arruda, tenho dois filhos (Marcos André e Rodrigo - minhas noras são Janaína e Leila, respectivamente) e dois netos (Guilherme e Vinicius).

    Autora: FÁTIMA BRASIL – Aluna no período de 1957 a 1966.
    Contato: assessoria.arruda@uol.com.br
     

    postado em 08/04/2013 11:33

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  • Retalhos de Uma Ex-Freira - Cem Anos de História

     

    Um dos meus mais caros sonhos era estudar no Colégio Imaculada Conceição e meu pai não mediu sacrifícios para realizá-lo.

    Como fiquei feliz! Como me sentia linda, vestida naquela saia azul de pregas, a blusa branca e o broche com as iniciais de Maria...

    Vivi intensamente cada dia, cada momento. E para completar a minha felicidade, integrava a Banda Marcial. Ainda ouço o ressoar da corneta dourada executada por Márcia Espinheira, iniciando o toque, para que os bombos, taróis e outros, começassem os lindos repiques. Por ser alta, as irmãs me deram um bombo. Éramos três alunas na frente, batendo naqueles bombos enormes: pô, pô,pô. Jamais esquecerei as alvoradas, às quatro da manhã. Era lindo! O céu ainda dourado, trazendo os sinais da chegada do sol.

    Quantas recordações... Foi ali que floresceu a minha vocação. Foi no Colégio Imaculada Conceição que fui premiada com o livro: "Toda Palavra é uma semente", de Dom Nivaldo Monte, quando Irmã Assunção, de saudosa memória, ordenou que as alunas fizessem uma redação. As melhores seriam premiadas. Obtive o primeiro lugar. Naquele momento descobri a minha paixão pela leitura e pela escrita.

    Quantas irmãs abnegadas , que passaram, jogaram a semente no meu coração, displicentemente, sem sequer medirem o grande feito que estavam construindo: Irmã Jolenta, Irmã Assunção, Irmã Aurélia, Irmã Genoveva, Irmã Alice Maria, Irmã Domitila, Irmã Celeste, Irmã Piedade, Irmã Josefa, Irmã Lúcia, Irmã Ângela, Irmã Patrocínio. Foram tantas, como as estrelas do céu!

    E o que dizer do baile de formatura? Papai dançou comigo a valsa da concluinte. Mas meu coração, minha alma, enfim, todo o meu ser estava em outro lugar, longe daquela linda festa: O salão era o claustro; a orquestra era o sino; o maestro, Jesus Cristo e as luzes, eram as lamparinas que velam os sacrários.

    Foi do Colégio Imaculada Conceição que eu parti com Irmã Alice Maria para a vida religiosa. Foi no Colégio Imaculada Conceição que eu me estruturei para enfrentar os altos e baixos das montanhas do mundo.

    Inspirada pela mais bela experiência da minha vida, num misto de humildade e orgulho, não posso omitir que sou a autora dos dois hinos: o do Colégio e do Centenário do mesmo. Que presente melhor eu poderia dar, senão a expressão do meu amor e da minha gratidão, ao Colégio Imaculada Conceição?


                                                                                                           Autor(a): Maria Núbia de Oliveira.
     

    postado em 28/03/2013 09:21

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  • Cem Anos de História - A Batuta Transgressora

     

    Estudava no Colégio Imaculada Conceição no final dos anos 70, em plena Ditadura Militar e todas as sextas-feiras participávamos do hasteamento da bandeira cantando o Hino Nacional reproduzido pela antiga vitrola que ficava na secretaria e tinha um alto-falante tipo “cornetão”, que emitia aquele som estridente e desprovido de graves e agudos.

    Estavam todos os alunos perfilados e eu no final de uma das filas. Sempre gostei de música. Sempre, desde pequeno, fui (como ainda sou) fã de grandes orquestras como as de Paul Mauriat, Clebanoff, James Last. Num surto de incorporação do espírito de algum maestro, passei a reger, com uma batuta imaginária, a orquestra que executava o nosso belíssimo Hino Nacional.

    Por estar no final da fila, pouco fui percebido por meus colegas. Mas eis que estava perto de mim sem que eu a notasse, a eficiente professora de matemática, América Dias.

    Naqueles austeros tempos, foi quase um atentado anti-patriota o que inocentemente fiz. Ela, sem hesitar, me levou à diretora, Irmã Conceição, para as reprimendas necessárias. Por sorte minha, a diretora estava de ótimo humor e relevou o acontecimento.

    Mas, confesso que um diabinho dentro de mim provocou-me a desafiar minha professora de Matemática.

    América morava atrás da minha casa, na tradicional Rua do Amparo. Gravei um cassete de 60 minutos, dos dois lados, com o Hino Nacional. Coloquei duas caixas de som numa grade de um antigo galinheiro que mamãe tinha em casa, viradas bem para a casa dela e fiquei de tocaia esperando sua chegada.

    Quando seu fusquinha dobrou a esquina do Tênis, acionei o tape-deck auto-reverse com o amplificador no volume mais alto. Ela entrou noite adentro escutando o Hino Nacional.

    Na segunda-feira foi a vez dela. Sua aula foi usada exclusivamente para exprimir sua revolta: "Isto foi uma afronta a minha pessoa!, dizia ela encarando-me nos olhos. Fui, ao final, expulso da sala.

    Sozinho, no pátio do colégio, confesso que me arrependi e temi pelas futuras notas baixas que certamente tiraria em Matemática.

    Em seguida aparece Tico, que saiu da sala e veio me consolar. No recreio, mais tarde, muitos colegas vieram agradecer pela aula que não houve. O comentário no intervalo não poderia ser outro.

    Graças a Deus aquela aula foi suficiente para o desabafo de América.

    Já relembrei com ela o acontecido, muito depois de deixar de ser seu aluno, em alegre momento de nostalgia. Todos que conviveram com América sabem o quanto competente e preparada ela é. Aliás, a facilidade com os números é genética em sua família. Todos sabem o quão boa pessoa ela também é.

    Minhas notas baixas em sua matéria, admito, foram culpa exclusivamente minha.
     

                                                                                                                 Autor: Roberto José Peixoto

    postado em 25/03/2013 15:26

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  • Colégio Imaculada Conceição Um Centenário de Histórias

     

    Recebi o belo convite das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras para a celebração do centenário do Colégio Imaculada Conceição e com ele algumas boas lembranças e uma doce saudade.

    Como tantos alagoanos e sergipanos de nossa região e de outras plagas do nosso Brasil, também fui aluna do Colégio Imaculada Conceição em meados da década de 60, sob as orientações e cuidados das Irmãs Franciscanas, mais precisamente, de Irmã Genoveva.

    Boas lembranças de um tempo de inocência diante do contexto político e social que se desenrolava no país, no estado e mesmo em nossa pacata Penedo e da proteção que àquela época nos ofereciam a família e a escola.

    É dentro deste espírito de boas e saudosas lembranças que decidi abrir um espaço no meu blog para as histórias desse centenário. Sei que centenas de ex-alunos e alunos possuem uma riqueza muito grande de recordações com fatos, experiências e testemunhos do cotidiano do Colégio Imaculada Conceição.

    Da rigidez dos ensinamentos às meninas que enrolavam o cós da saia para diminuir o tamanho e ao jargão popular de que “O Colégio Imaculada Conceição tem muita mulher bonita, mas não tem educação!”, passando pela disputa dos desfiles de 7 de Setembro e as paqueras com os meninos do Colégio Diocesano, muitas histórias (histórias, mesmo!), haverão de ser contadas.

    Deixo, portanto, esse espaço à disposição de todos e todas que quiserem contribuir para que possamos resgatar o que de melhor guardamos na vida: as boas lembranças!

    E para dar início a essas histórias, nada melhor do que contar a história de Chapeuzinho Vermelho, encenada por Cristina Sanchez e Fortunato.

    Tradicionalmente no final do ano, as Irmãs sempre realizaram grandes eventos. As celebrações objetivavam comemorar os resultados de um ano inteiro de trabalho e dedicação ao ensino e à formação de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver na instituição.

    Um certo final de ano, Irmã Assunção decidiu fazer uma apresentação das histórias infantis que povoaram a nossa imaginação. Tudo acertado, foram escolhidos os “atores” para representar os personagens e, claro, para representar Chapeuzinho Vermelho, ninguém melhor do que uma jovenzinha loura, linda e de olhos zuis: Cristina. Para fazer o papel de Lobo Mau, o escolhido foi Fortunado, um menino estudioso e comportado, gordinho, é verdade, e que se encaixava perfeitamente no personagem.

    E lá se foram dias e dias de ensaio na Capela, até que os idealizadores da apresentação se deram por satisfeitos com a performance dos “atores”.

    Cristina, além de loura, linda e de olhos zuis, ainda cantava maravilhosamente bem a musiquinha: “Pela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha!”. Perfeito.

    E no dia da celebração, lá estavam todos aguardando o grande momento. Cristina estava deslumbrante. Parecia ter saído diretamente do livro de histórias para aquele momento. Sua roupa, ricamente adornada, feita com muito esmero pela dona Dida (Nadyr Athayde), sua mãe, e dona Toinha da Padaria (Antonia Santos), sua madrinha, comparava-se às produções hollywoodianas. O capuz vermelho cobria parcialmente os lindos cabelos dourados e destacava os brilhantes olhos azuis. Na cestinha pendurada no braço, rubras maçãs e potes de doces eram objeto de olhares gulosos, pois todos sabiam que em cesta preparada pela Dona Dida haviam muitas delícias.

    Capela cheia, lugares ocupados pelos familiares dos alunos, o Padre faz as orações, Irmã Assunção os agradecimentos de praxe e para finalizar, o grande momento: a representação da história de Chapeuzinho Vermelho pelos devotados alunos do Colégio Imaculada Conceição.

    Estouram os aplausos e entra Cristininha, linda, loura, de olhos azuis, de capuz vermelho, cestinha pendurada no braço esquerdo e uma voz aveludada cantando:

    -“Pela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha. A estrada é longa, o caminho é deserto e o Lobo Mau anda aqui por perto.”

    Era a deixa. Da parte de trás do altar, sai Fortunato com a máscara do Lobo Mau.

    Acontece que, em todos os ensaios realizados, Fortunato nunca usara a máscara. Assustada, Cristina não hesitou. Pegou a cestinha e partiu para cima de Fortunato, digo, do Lobo Mau e tome!

    Uma cestada, duas, três, mais outra e o pobre do Fortunato começou a gritar: Socorro, mamãe!!!!!

    Resumo: Cristina Sanchez, Cristininha, à época, acabou com a comemoração de final de ano do Colégio Imaculada Conceição e escreveu, na década de 60, um novo final para a história de Chapeuzinho Vermelho.

    Ah! Depois desse episódio, Cristina passou a levar dois lanches para o Colégio: um para a hora do recreio e outro para a hora do castigo.

    Agora, quem quiser que conte outra! É só enviar para: marthamartyres@aquiacontece.com.br
     

    postado em 22/03/2013 16:05

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  • A imprensa que cria mitos e monstros

     

    Internet

    Vamos colocar os pingos nos is: a culpa, muitas vezes, é da imprensa, sim!

    E isso porque é a imprensa, feita por gente de carne e osso, com ódios e paixões, predileções ou antagonismos, movidas por todos esses e aqueles sentimentos que são inerentes aos seres humanos e que fazem o mundo girar, a responsável pelo conceito que define uma pessoa e a sua existência nas relações sociais e políticas.

    A imprensa cria mitos porque sobre determinada pessoa, por incontáveis motivos, faz relatos extraordinários de sua natureza e de suas obras. Na maioria das vezes, reconheço, sem comprovação prática ou uma análise mais minuciosa, mas com uma fé inabalável na esperança de que um sonho possa tornar-se realidade.

    É claro que a imprensa, formada por pessoas, por gente, também é movida por outros interesses, sejam eles de poder político ou econômico, até mesmo de dominação ou vaidade, mas não conheço nada que se compare à mola propulsora da fé e da esperança.

    Por isso a imprensa amplifica, através do imaginário das pessoas, as qualidades em que aposta para a execução das ideias e dos sonhos. E assim são criados os mitos.

    Criamos mitos de bondade, de honradez, de competência, de honestidade e de tantas qualidades quantas forem necessárias para determinar as propriedades ou características da realidade que desejamos concretizar. Lembrem-se de que, para isso, contamos com os institutos de pesquisa.

    O bom, é que às vezes dá certo. Não é assim muito comum, mas ainda é gratificante constatar que a maioria dos valores que aprendemos entre um puxão de orelhas e outro, quando crianças, ainda prevalece.

    No entanto, quando dá errado, criam-se os monstros.

    A definição de monstro é de um ser disforme, contrário à natureza, ameaçador, desumano e cruel, que pode adquirir diversas formas, ou seja, um ser frio e hipócrita, capaz dos atos mais atrozes sem nenhuma indulgência ou remorso.

    Mas, o monstro tem uma característica singular: ele é capaz de tornar-se irreconhecível, de fantasiar-se, de mascarar-se e tomar as formas mais virtuosas.

    Assim sobrevivem os monstros políticos. Fantasiando-se, mascarando-se e cometendo os mais cruéis atos contra o povo que os prestigiou e privilegiou.

    Os monstros são traiçoeiros. Fantasiados de mitos, espertos, usam a imprensa como escudo e iniciam uma batalha para tomar o poder. Escondem suas verdadeiras intenções em falsos laços de amizade; manipulam os colaboradores para que se comportem de acordo com a direção de seus objetivos; adulteram resultados, apropriam-se dos bens públicos, subtraem direitos, usurpam ideias, menosprezam as conquistas dos outros e desdenham as virtudes alheias.

    Os monstros da política enganam o povo e só deles se aproximam para que sirvam de escravos na construção de sua pirâmide de poder. Tem nojo, medo do abraço e do aperto de mão e disfarçam o asco que o povo lhes causa com a pálida, às vezes rósea desculpa da timidez.

    Os monstros da política fazem de conta que administram, fazem de conta que entendem das necessidades e carências da população e a tudo respondem com desprezo e ironia, como se estivessem prestando um grande obséquio, uma indulgência até.

    Os monstros, nascidos muitas vezes mitos por culpa da imprensa, perpetuam o analfabetismo e a fome. Promovem a prostituição e o crime fomentando a miséria humana.

    E a miséria humana está nas escolas desmontadas, nos professores mal remunerados, na falta do atendimento médico e na falta do remédio que cura a doença, nos hospitais destroçados, enfim, nas cidades devastadas, abandonadas pela incompetência, pela insensibilidade, pela irresponsabilidade, pela improbidade e por uma desonrosa indignidade.

    A culpa, muitas vezes, é da imprensa, sim!
     

    postado em 20/02/2013 16:43

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  • A alma do Mercado x o fantasma da ilicitação

     

    Cresci em tono do Mercado Público de Penedo e do Pavilhão da Farinha. Aos oito anos, quando saímos do Sítio Araçá e passamos a morar em Penedo, na Travessa Professor Henrique Thomaz, número dois, minhas tardes de quarta a sábado eram vividas no entorno do Mercado, na feira livre, onde limpava e arrumava verduras nas bancas de “Seu” Otacílio, o Oxis, de dona Maria, “Seu” Virgílio e dona Virgínia.  Pela manhã eu frequentava as aulas no Grupo Escolar Gabino Besouro e a partir das quartas-feiras, quando começavam a chegar os caminhões com as cargas de Itabaiana, em Sergipe, eu começava meu trabalho de lavar cenouras, batatas, chuchus, tomates, limpar cebolas, tudo para deixar as bancas arrumadas e atrativas para os consumidores. Era assim que ganhava um dinheirinho de muita serventia para ajudar minha mãe e também verduras e frutas.

    Do dinheiro que ganhava, uma parte era entregue à minha mãe para ajudar nas despesas da casa e outra parte era para alugar bicicleta na oficina do Edivaldo e comer creme no “Seu” Oscar.

    Junto com meus amigos de infância, que também moravam nas redondezas, percorríamos aquele entorno na seriedade de fazer os mandados que nossas mães determinavam, mas também nos divertíamos nas inúmeras brincadeiras que tinham o Mercado e o Pavilhão como cenários.

    Ainda sinto o sabor da manteiga do sertão vendida na bodega do “Seu” Cândido se desmanchando no bolachão da Padaria Primor. Ainda ouço o toc-toc dos tamancos de madeira comprados no barracão do Mané Rosendo e aspiro o cheiro das brilhantinas coloridas expostas no Pavilhão.

    Se soubesse desenhar, seria capaz de colocar no papel aquela expressão ranzinza de “Seu” Aprício ou a magreza quixotesca de “Seu” Mangabeira. O bom humor de dona Mirthes, a elegância de “Seu” Juvêncio Lisboa. “Seu” Barreto, sempre antenado com a política, ficava horas conversando com Luis Fausto.

    São tantos nomes e rostos que ficaram na lembrança. Alguns que já se foram e outros que aqui continuam em sua lida diária para sobreviver e que ainda hoje resistem no comércio de Penedo.

    Comecei a trabalhar “de carteira assinada”, aos treze anos (naquela época era permitido), na Casa Almeida, com dona Cândida. Foi ali, no Mercado Público, onde iniciei oficialmente minha vida profissional como balconista. Entre linhas, grinaldas e entremeios,  aprendi muitas coisas que carrego pela vida afora.

    Por isso a minha ligação com a feira, com as pessoas do Pavilhão da Farinha e do Mercado Público de Penedo. Eu vivi ali, eu cresci entre aquelas paredes e conheci todas aquelas e essas pessoas.

    Gente, pequenos comerciantes, balconistas como eu fui, que hoje vivem dramas pessoais, familiares e financeiros causados não pelas leis existentes, reconheço, mas pela administração e execução dessas leis.

    Hoje, quando constato que a política e a lei que deveriam promover o que entendemos por justiça e bem estar, muitas vezes podem se transformar em agentes causadores de grandes injustiças e atrocidades, minhas  lembranças e meu coração falam mais alto do que minha missão de noticiar os fatos.

    O uso de bens públicos tem regras expressas em leis que são administradas e executadas por políticos, avaliadas e aplicadas por operadores do Direito. Se essas regras fossem observadas com responsabilidade, coerência, senso de justiça, imparcialidade, retidão e lisura, certamente não provocariam tanta angústia e desalento.

    Mas infelizmente não é assim. Principalmente porque é ano eleitoral. Logo teremos os resultados mais convenientes e o barulho dos fogos de artifício das inaugurações vão sufocar os soluços dos injustamente derrotados.
     

    postado em 13/03/2012 17:14

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