Artigos

João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 11/10/2017 10:10

O Enigma Bolsonaro

          Para onde pendermos em busca de socorro quando nos sentimos como uma ilha cercada pela descrença por todos os lados? Dentro desse confuso estado de espírito, façamos uma breve abordagem sobre a futura campanha presidencial. Dentre os prováveis candidatos mencionados pelos meios de comunicação, alguns deles despontam com crédito suficiente para despertar confiança na maioria do eleitorado? Parece-nos improvável, surpreendidos que somos, a cada momento, com a participação de políticos insuspeitos envolvidos com o rebanho desgarrado, fato que aumenta e endurece cada vez mais a carapaça da nossa desconfiança. Apesar desse descalabro que envolve a política na sua mais negra escuridão, não compartilhamos com o irredutível pessimismo, incapaz de enxergar, mesmo que distante, uma tênue luz no fim do túnel que tenderá, como tudo indica, ampliar-se numa desejável claridade. A razão dessa expectativa é a eficaz intervenção cirúrgica nunca vista neste país. Estamos a nos referir, como sabemos, aos processos que correm na Lava – Jato no Paraná e outros estados, tentando remover o câncer da corrupção que em seu estado de metástase alastrava-se por todo o território nacional.

           O que nos tem mostrado a história é o tipo de ator que se habilita a subir no palco e prometer, com toda ênfase do fundo do seu ser, o milagroso remédio para a cura geral de todos os males. Será que dispomos dessa figura messiânica? A propósito, vamos reproduzir, da coluna do Cláudio Humberto, Gazeta de Alagoas de 20/09/2017, como o título Bolsonaro na frente, que diz: “Enquete no site do Diário do Poder com 3.500 votantes, revela que 24% apostam na vitória de Bolsonaro na disputa para presidente em 2018, seguido de João Dorea ( 19%), Álvaro Dias (16%), Alckmin (12%), Lula (11%), Marina (8%) e Ciro Gomes (7%). Excluído o Lula, em virtude de seu translado em um desastrado voo do céu para deliciosas tentações do inferno e o Bolsonaro pela rude originalidade de seus pensamentos sobre diversos assuntos, uns, mais do que outros, portam alguma credibilidade.

           Evidente que o cerne da questão gira em torno do Bolsonaro. Porque, apesar de seu exaltado temperamento e totalmente alheio ao convencionalismo de certas opiniões, apresenta-se, para muitos pessimistas, como a melhor opção? Curiosamente, dizia Voltaire que se alguém quiser tornar-se famoso, deve fazer-se completamente louco, contanto que se certifique que sua loucura está de acordo com a maré e o temperamento da época. O nosso personagem não está, artificialmente, tentando representar as palavras do Voltaire. Acontece que a sua personalidade, coincidentemente, preenche o vazio que vivemos, estando de acordo com a maré e o temperamento atual, acometido de um sentimento fúnebre pela falência da política.

          Frente a esse cenário desolador, pecam por irresponsabilidade os simpatizantes do Bolsonaro? Não. A vida, afinal de contas, não passa de incertezas, dúvidas e convicções, não passando também de um jogo no qual coexistem a sorte e o azar. Nela também se manifestam o insólito e o impossível que absurdamente costuma acontecer.

           Não acreditamos numa provável vitória do Bolsonaro, embora ache possível, se houver um segundo turno, que será um dos finalistas. Surgirá, por certo, um candidato que irá conseguir despertar a maioria do eleitorado. Entretanto, se o impossível acontecer, não há outro caminho a não ser esperar e pagar para ver, não podendo ser descartada a possibilidade de formar uma boa equipe que, além de fazê-lo despontar com uma boa visão administrativa, irá, como apreciador da disciplina, do respeito e à ordem, reerguer a admiração pelas mais altas instituições, reabilitando, assim, a imagem do Brasil.
 

Comentários comentar agora ❯

Ronaldo Lopes

Ronaldo Lopes

Engenheiro Civil, Vice-Prefeito de Penedo, Ex-Secretário de Estado e Ex-Diretor Presidente do DER

Postado em 04/10/2017 16:59

Rio São Francisco - 516 anos

Toni Cavalcante
Rio São Francisco - 516 anos
Aos 516 anos de descoberto o Rio São Francisco pede socorro

Em setembro, o governador Renan Filho percorreu, acompanhado de várias lideranças políticas, entre elas prefeitos, vereadores, deputados, secretários e defensores do meio ambiente, o combalido rio São Francisco, em um percurso que teve início em Piranhas e foi concluído em Penedo. O governador viu, de perto, a degradação do Velho Chico, que enfrenta hoje a pior seca dos últimos 100 anos.

Acompanhado do governador de Sergipe, Jackson Barreto e com o apoio dos governadores da Bahia e de Pernambuco, Renan Filho participou de um ato público em Defesa do rio São Francisco na histórica Penedo, considerada a Princesa do São Francisco.

Neste 04 de outubro, data da celebração de seu descobrimento em 1.501, pelo navegador Américo Vespúcio, ao longo do Rio, muitas outras manifestações fizeram coro na defesa do Velho Chico.

A preocupação dos governadores e do povo ribeirinho tem muito sentido. Ao longo do tempo, o rio da Unidade Nacional vem sendo agredido com a construção de barragens para geração de energia, com o desmatamento das suas matas ciliares, com a colocação de esgotos e agrotóxicos diretamente em suas águas, queimadas indiscriminadas e o aterramento de suas nascentes, assoreamento de seu leito.

Entretanto agora, com essa estiagem singular, as notícias são mais preocupantes ainda: o lago de Sobradinho, terceiro maior em volume de água no Brasil, está com apenas 5% de sua capacidade de armazenamento. Há um ano, quando já estava em crise, tinha o dobro desse volume de água.

Em dezembro, a ANA, Agência Nacional de Águas, acredita que Sobradinho vai chegar ao nível zero, ou seja, vai atingir o "volume morto", pela primeira vez na sua história. Quando a cota de água atingir o volume morto, a hidrelétrica, instalada na barragem terá que ser desligada.

Como as soluções para a revitalização do rio São Francisco são de longo prazo, de imediato, temos que rezar muito para São Francisco, o santo, reverter esta realidade. Caso contrário as consequências para o nosso já sofrido Baixo São Francisco são imprevisíveis.
  

Comentários comentar agora ❯

João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 27/09/2017 15:24

Penedo e seus calçamentos descalços

Qualquer cidade, em maior ou menor quantidade, sofre com o surgimento de buracos que se não reparados a tempo atestam uma desatenta administração, responsável pela má aparência da cidade, pelos transtornos a pedestres e a veículos. É um capricho natural causado por causas diversas, quer pelo desgaste do tempo de uso, pelas chuvas e seu poder destrutivo, quer pela inconsistência do solo e provavelmente outras circunstancias. Seja qual for o motivo, é facilmente perceptível ao cidadão.

 Acontece que Penedo, além de não deixar de sofrer os efeitos dos fenômenos acima, é deveras penalizada por um comportamento pautado pelo descaso, na incompetência de quem realiza os calçamentos e, imperdoavelmente, na irresponsabilidade de quem deve fiscalizá-los. É inacreditável, ouvimos frequentes comentários, que o calçamento feito em uma semana ou poucos meses apresentem defeitos. A propósito, o mais emblemático exemplo desses trabalhos fajutos encontra-se em frente ao supermercado Ki-barato. A falta de nivelamento causa, durante as chuvas, diversas poças d’águas. O mais cômico e vergonhoso é o calçamento que fica ao lado do estacionamento dos mototaxistas. Os tijolos, completamente soltos, não parece que foram anteriormente assentados.

 Correndo ao lado desse desmantelo, não podemos deixar de mencionar uma divertida curiosidade. Testemunhamos, por diversas vezes, ruas que ao terem seu calçamento totalmente removidos, ao ser refeito havia uma grande sobra de paralelepípedos, como se tivesse havido a multiplicação milagrosa dos pães ou um encolhimento das ruas. Mistério penedense que faz da arte laboral um desastre.

 Como devemos entender tanto amadorismo que tem raiz na deficiência e insuficiência? Que todo esse descalabro, visível a todos nós, excetua apenas os que têm a obrigação de controlar os trabalhos? Será que as obras do município estão entregues a aprendizes e amadores? Quando teremos a seriedade para encarar com responsabilidade a coisa pública? Mesmo que tivéssemos dinheiro saindo pelo ladrão se justificaria semelhante desprezo. Existe alguma razão? Evidentemente que não acreditamos estejamos envolvidos em algo semelhante ao submundo das negociatas que estão vindo à tona, envolvendo políticos e empresários.

 É por tudo que antecipadamente lamentamos que inauguração das obras do centro da cidade, funcionais e elogiáveis na aparência, não possam por muito tempo ser usufruídas pela rápida degradação das mesmas, tornando Penedo, por tradição, o rei das obras fajutas e de calçamentos descalços.
  

Comentários comentar agora ❯

João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 08/09/2017 09:46

Lula e a contumaz embriaguês pelo poder

Ninguém por mais avesso que seja ao melancia barbudo, verde por fora, vermelho por dentro, pode deixar de reconhecer os méritos políticos do Lula e de ter feito uma satisfatória administração no plano socioeconômico. Acontece que no meio desse virtuosismo, sem surpresa, germinou o distorcido poder que tudo corrompe, induzindo-o uma traição ás nossas melhores expectativas quando empunhava a bandeira da esperança que nos prometia erradicar a endêmica corrupção que desde o nascedouro corrói as engrenagens do Brasil.

Quanta decepção! Decepção, na verdade, aos ingênuos, nunca aos capazes de uma relativa observação da nossa realidade que repele de imediato os milagres que seriam capazes de converter arraigados costumes e conseguir regenerar uma sociedade seriamente enferma. Muito longe estamos desse mundo ilusório. Lula, Pobre terráqueo! Retirante nordestino, órfão da sorte, parceiro das privações infernais, era natural que sonhasse com as benesses do céu. Sem nunca ter usufruído o conforto de um verdadeiro lar e muito menos ter recebido uma solida formação domestica capaz de vaciná-lo e imuniza-lo contra as pecaminosas seduções, por que seria difícil esquecer o ideal quando faz parte e convive com o velhaco rebanho, e ceder ao real com suas deliciosas tentações, como de fato o fez?

Consequência dessa queda no abismo da sedução do fácil enriquecimento, processado e julgado em primeira instancia por corrupção passiva, não encontramos o mínimo respaldo para que possa pleitear um novo mandato presidencial a não ser a sua falsa crendice de que é inocente, como também acham seus fanáticos admiradores, em virtude de não existir nos autos qualquer prova material que o incrimine, ignorando outras provas contundentes da sua ilicitude.

Felizmente, mesmo que seja absolvido em outras instancias, muito difícil, o Brasil tão cedo ou nunca mais será vítima da desgraçada enganação petista que, não obstante tenha realizado avanços no âmbito socioeconômico com o Lula, sem uma sequência à altura por parte da desastrada Dilma, teve sua biografia enxovalhada a tal ponto que jamais poderá reerguer-se como um político honrado e confiável.

Lamentavelmente, portador de um alto índice de aprovação ao deixar a presidência e atualmente conservando um pequeno saldo remanescente nas camadas mais baixas, essa constatação o faz sentir-se, dominado pela vaidade e enorme narcisismo, como podemos depreender de suas manifestações em pública, como um semideus imbatível que carrega sobre os ombros o manto sagrado da invencibilidade nas urnas. Pura babaquice! Essa imbecil megalomania não o permite atinar, no presente, para o seu elevado percentual de rejeição pela quebra da credibilidade que, uma vez perdida, perdida para sempre.

Eis porque, nada mais que uma inútil pretensão seu desejo em querer voltar à presidência. Isso porque, privado do bom-senso, não consegue avaliar a justa medida de sua insuficiente dimensão politico-eleitoral, consequência, sem dúvida, de um desatino que, sem juízo e sem razão, o estimula a uma irresistível e contumaz embriaguez pelo poder.
 

Comentários comentar agora ❯

  • Radí Rocha Excelentes palavras...parabéns João...Com destreza escreves o atual momento de quem já viveu dias melhores, politicamente falando.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 16/08/2017 08:06

Viva!! Deputados Honestos saindo pelo ladrão

Semelhante manchete em um jornal seria atribuída ao mundo irreal de um sonho brincalhão. Acontece que na vida real o irreal coexiste com certa frequência. Foi o que vimos na sessão da Câmara dos Deputados no último dia 02/08/2017. Mesmo que nenhum jornal a tenha estampado, ela traduziria todo o estado de incredulidade quando constatamos que duzentos e vinte e sete deputados voltaram a favor da procedência da denúncia do Procurador Geral contra o presidente Temer. Justificaram, assim, a necessidade de apurar e combater a corrupção. Muitos com uma ênfase tal que nos chegaram a causar uma rara admiração. Não esperávamos ouvir a mais encantadora e agradável melodia aos nossos ouvidos.

Será que esse coral de vozes afinadas e indignadas nos convencem de uma interpretação apurada, emanada do âmago de suas convicções? Eis a questão que gostaríamos que conseguisse nos surpreender e desapontar, acabando com a nossa descabida crença de que o Congresso Nacional dispõe apenas de uns gatos pingados de parlamentares honestos. E agora, quem está com a verdade, nós ou o probo coral de deputados? Continuamos, infelizmente, a acreditar que estamos certos, baseados nos fatos veiculados quase diariamente pelos mais diversos meios de comunicação.

Felizmente que a votação da denúncia referida não foi vítima de uma tragédia. Explica-se por uma única razão. É que o rabo de palha dos nossos deputados dispõe de proteção conta a autocombustão que seria deflagrada toda vez que o corrupto acusasse outro corrupto. Livres de atentarem conta a própria vida, tinham de usar a esperteza e, inescrupulosamente, fazer uma capenga pantomina com intuito eleitoreiro. Que impressionante fascínio exercem as câmeras de televisão. Os vaidosos sentem prazer enorme de aparecer e o velhaco, sem pudor, tem a oportunidade de falsear a verdade por trás de sua máscara.

Espetáculo à parte de toda representação circense e do caldo da sopa que se tornou intragável com a descarada manifestação de petistas e seus comparsas comunistas que cinicamente fizeram críticas ao presidente pelos mesmos crimes que cometeram, o resultado, do nosso ponto de vista, foi o mais sensato. As opiniões contrarias a esse desfecho tem sede na demagogia e nos xiitas sem visão que ignoram o saneamento geral em curso no país, incapazes de enxergar a realidade perdidos, como débeis mentais, numa ilusão perdida e de um socialismo historicamente superado. Ignoraram o curto mandato do presidente e as nefastas consequências socioeconômicas com o seu afastamento. Não se pode falar em impunidade, como alegram os muitos improváveis honestos, vez que após o mandato o presidente Temer irá responder e se defender dos crimes imputados na denúncia ou denúncias de Procurador Geral da República.

A coisa mais natural, por ser essencial ao desenvolvimento do conhecimento, são as contradições e divergências, mas quando destoam tão radicalmente de uma evidente realidade, não temos, outra reação senão atribuir-lhe uma cegueira congênita ou uma lamentável penúria na capacidade de racionar.

É impossível acabar por completo com a corrupção porque ela tem uma irmã de comportamento oposto, a desonestidade, obedecendo a lei dos contrários. A existência apenas de uma delas, atestaria a inexistência da outra. Mas, à parte a lógica e a lei natural das coisas, como seria bom, se verdade fosse, que tivéssemos centenas de parlamentares honestos para formarem um coral e, com suas maviosas vozes, pudessem entoar ao céu cânticos de louvor pela erradicação quase sumaria da corrupção no Brasil.

Lamentavelmente, não chegou o momento para podermos usufruir, com certa constância, uma das mais belas manifestações da música. Temos de nos recolher à insignificância de nossas expectativas e nos contentarmos com autentico e afinado quarteto ou, na melhor das hipóteses, um sexteto, distinguido com o raro prestigio de cantar, de forma solene e respeitável, o sagrado hino em homenagem a probidade.
 

Comentários comentar agora ❯