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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Abnegação e Ternura do Amor Feminino

     

    Recordamo-nos da leitura da obra Alceste, de autoria de Eurípedes, que exalta ao extremo o amor de uma mulher pelo seu marido. Sabemos que os Gregos antigos, em grande parte, eram fatalistas, não fazendo exceção os autores das tragédias que retratam seus heróis presos ao determinismo. Num rápido resumo, o deus Apolo, como castigo, torna-se servo de um mortal no palácio de Admeto, que estava condenado a morrer dentro de poucos dias. Apolo consegue ludibriaras Parcas, deusas da morte, livrando-o da mesma com a condição que alguém queira morrer em seu lugar. Ninguém, pai, mãe e amigos, a não ser Alceste, sua mulher, aceita o sacrifício. Admeto, aproximando-se o dia fatal, reclama do destino e confessa que morrerá se Alceste o abandonar, o que não acontece graças a sua covardia. Para sua felicidade, Hércules, seu amigo, consegue penetrar no reino dos mortos e resgata Alceste. Será que essa obra de ficção se aproximaria mais da realidade se houvesse uma inversão no enredo entre os personagens? Certamente que não, Eurípedes sabia ser isso impossível.

    A observação e a convivência mostram-nos uma radical diferença entre o homem e a mulher no plano amoroso. Enquanto na mulher prevalece o lado espiritual, no homem, em sentido inverso, por exigência natural dos conflitos, sobressai o materialismo. A mulher, com a virtude da abnegação, entrega-se sem condição ao ser amado, enquanto o homem, na maioria das vezes, quando procura ser gentil e carinhoso, está visando livrar-se de uma tensão que se alivia com a satisfação do prazer sexual. Assim, pelo natural desprendimento que lhe é inerente, a mulher está mais propensa ao sacrifício do que o homem, como se vê em Alceste.

    Mesmo que se diga que o homem ama como deve amar e a mulher como mulher, parece-nos que ela, pela pureza emocional que carrega dentro do peito, está bem mais próxima de definir com precisão o amor do que o homem em seus arremedos.

    Uma outra característica de suas qualidades é a capacidade de suportar a enfadonha rotina do casamento graças ao instinto de agregação e proteção da família. Aqui está o seu verdadeiro heroísmo, não mostrado nas novelas, exatamente pela sua insipidez. Por outro lado, se tivermos de fazer contraponto entre a abnegação, bem peculiar ao altruísmo feminino e ao heroísmo romântico próprio do homem, sem mérito heroico, sempre disposto a enfrentar todo tipo de perigo e obstáculos para conquistar sua amada, há uma grande diferença qualitativa. A abnegação, passiva, pressupõe o sacrifício em benefício de alguém, do amor ao próximo, ao passo que o herói, levado pelo fogo da paixão, é muito fácil ser inspirado pela bravura e enfrentar as piores tormentas e tempestades para satisfazer o próprio interesse.

    Em resumo, o homem, no seu imediatismo, busca tão-só, em grande parte, a satisfação sexual. A mulher, resguardadas as exceções, quando nos braços do ente amado, sentindo-se como uma deusa na sua espiritualidade pautada na suavidade e delicadeza, contenta-se, cheia de ternura, com os afagos e carícias.
     

    postado em 11/01/2017 10:44

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    João Pereira
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    Não Estão Mais Entre Nós

     

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     O quadro de nossas amizades, completada a fotografia com os entes queridos, logo entra em cena a ação devastadora do tempo para, de forma fria e insensível, desfigura-lo e subverter, sem piedade, os nossos sentimentos. Igual a vida que ao surgir se expande até seus limites para depois, num crescente contínuo a partir de toda fase estudantil e profissional, começarmos a ver, num processo de refluxo, os, claros no quadro de nossos amigos.

     Afora nosso círculo, fomos testemunhas de grupos, geralmente senhores da terceira idade, que em seus momentos de lazer, quer para degustar uma boa cerveja ou para disputar partidas de gamão ou dominó, em local habitual, ver o lento desaparecimento dessas cenas que primavam por uma alegre descontração. Mesmo sem termos participado dos mesmos, não deixamos de sentir, por empatia, uma ponta de tristeza pelo desaparecimento desses grupos que nos últimos anos de suas vidas carregavam e souberam aproveitar o pequeno saldo de seus momentos de felicidade. É exatamente na velhice que percebemos de uma forma acentuada o vazio deixado pelos que se foram, conhecidos, parentes e amigos, sugados pela implacável voracidade da morte. Esse processo, inevitável pela sua natural trajetória que se alterna entre a vida e a morte, curiosamente nos leva para a estatística e ficarmos convencidos que do outro lado existem pessoas mais queridas, interessantes e divertidas do que do lado de cá.

     Constatada essa convicção que nos transporta para momentos de nostalgia, somos também levados, simultaneamente, a fazer reflexão sobre a vida presente e o que será depois da nossa partida. Será o fim ou passaremos a viver em outra dimensão? Perante essa dúvida, duas correntes se contrapõem, uma de ordem sentimental e a outra embasada numa avaliação racional. Naturalmente, diz-nos o sentimento, gostaríamos de reencontrar os nossos entes queridos. A razão, por sua vez, pergunta: como se dá esse reencontro no plano espiritual? Cheio de emotividade e grande alegria? Sendo o espírito invisível e algo tão tênue, se é que existe após a dissolução do corpo, como imaginar que possa dispor das sensações que são a razão de viver? Custa-nos acreditar que a espiritualidade, paradoxalmente, se é que existe um paradoxo, possa persistir sem o corpo material e seus órgãos específicos como o cérebro e coração, por meio dos quais ela emana. Não acreditamos, como acreditavam os pitagóricos e Platão, que o espírito antecedeu ao corpo, encontrando-se preso ao mesmo por uma transgressão até o dia que será totalmente liberado. São no nosso entendimento, simultâneos e existencialmente se complementam, não existindo um sem o outro.

     Será sempre uma matéria controversa, indispensável até para dar o irresistível condimento da vida. Os mistérios, que se por um lado nos atormentam e angustiam por não podermos desvendá-los, mais trágico ainda seria se fosse possível fazê-lo, o que nos reduz, a propósito, nas palavras do filósofo espanhol Miguel de Unamuno, a um destino trágico da vida.
     

    postado em 28/12/2016 15:12

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    João Pereira
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    Ovelha Negra Compromete Imagem do Supremo

     

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    Dissemos no artigo anterior que o Brasil com sua índole arredia á disciplina, ao respeito e apreço pelas leis, as e labura em profissão, com efeito, em grande parte puramente decorativo, acreditando possam suprir, com o dom milagroso, suas deficiências. Esse emaranhado de leis, por sua vez gera muitas vezes conflitos entre si quando tratam do mesmo assunto. Bastando ressaltar esses dois fatos, ficamos convencidos pelo que vivenciamos, que o mundo jurídico brasileiro, de uma forma geral, equipara-se, com todo realismo, a um clube de desvairados sem rumo. Isso por que, não bastassem os conflitos acima referidos, não ficam atrás confusas e divergentes interpretação naturais sem nenhuma dúvida, mas inaceitáveis quando, por intermédio do famoso jeitinho brasileiro, passar por cima de claro dispositivo legal para apaziguar, os ânimos e dirimir colisão de interesses. O mais absurdo é que essa ausência do espirito categórico das leis para serem respeitadas não, acontece apenas no âmbito das leis ordinárias, mas também, incrivelmente, no da constituição federal, quando, por exemplo, o senado, após a cassação da presidente Dilma, permitiu, indevidamente, para suavizar o castigo, que continuasse a usufruir de seus direitos políticos. Uma aberração!

    Ocorre que não bastasse o destino das nossas leis que com frequência perdem a sua finalidade prática, esse desencanto torna-se um desastre quando não atenta para a realidade do momento por quem tem o poder de aplica-las. A proposito, em sentido inverso, tivemos por parte do supremo tribunal federal, na pessoa do ministro marco aurelio, uma desastrada decisão que embora tenha contrariado entendimento da corte a respeito do tema objeto da decisão comprimeteu seriamente a sua imagem perante a opinião publica, única instituição a merecer credibilidade. É realmente inconcebível que o desatino de um ministro, demonstrando alheiamento ao momento critico que atravessamos, especialmente na politica e economia, tenha se manifestado em hora tão inoportuna sobre um assunto tão relez e sem qualquer importância para o pais. Acresce-se a essa minoria do ministro, o descaso para projetos em votação pelo congresso para tentar equilibrar as finanças e a economia, proporciando a abertura de novos empregos, grave e desumano quadro social a penalizar milhões de famílias, não se deu conta, sequer, que se aproxima o recesso, tanto do supremo, quanto do congresso nacional. Será que a bobagem, como tal, é o objeto de urgência, não podendo ser apreciado após o resso? Somente um motivo, no nosso entendimento ou intuição, levou o ministro marco aruelio, a alhear-se da realidade do pais e a racionalidade, o desejo de atrair para si os holofotes, tornando0se por uns dias manchetes nos meios de comunicação.

    Sua elegante impostação de voz, chegando a dar-nos a impressão de degustar com prazer as palavras, não foi elegante com o pais e também com seus pares que tiveram de agir como bombeiros para apagar a insensatez de seu incêndio. Ao decidir através de uma liminar, nçao acatada pela mesa do senado, apesar de grave desrespeito a uma ordem judicial. Imperdoável ate, não deixa de ter sido uma incontida revolta a uma indesperada e absurda atitude que, aparentemente alienava, digna de adjetivos nada lisonjeiros a quem faz parte da mais alta corte da justiça não apenas se aperquenou como também, travestido de ovelha negra, feriu o prestigio, a confiança e a respeitabilidade do supremo.
     

    postado em 14/12/2016 20:01

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    João Pereira
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    O Brasil e Suas Leis Ornamentais

     

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    Sempre que os meios de comunicação noticiam a ocorrência de crimes brutais ou a escancarada roubalheira do dinheiro público, logo surgem os salvadores com medidas para combater a corrupção pelos poderes milagrosos de novas leis velhas. Dá pra entender tamanha contradição? O que discutem no momento nossos congressistas? Entre outros temas, em pauta medidas contra a corrupção, caixa dois, crimes de responsabilidade e abuso de poder. Naturalmente que uma pergunta, talvez fruto da nossa ignorância, se nos apresenta: será que esses crimes já não se encontram enquadrados na Constituição Federal, Código Penal e Estatuto da Magistratura? Queremos acreditar que sim. Por que, então, querer dar ares de novo ao que não é novidade? Para nós, sem qualquer desapontamento ou surpresa, trata-se de um comportamento típico da nossa cultura política. Vivemos em um país que trilha o caminho inverso de suas pretensões no que diz respeito ao efeito das leis, isto é, o apego às leis está na ordem inversa da predisposição para respeitá-las.

    O noticiário nacional, no que tange aos assuntos acima chega a nos causar aversão, obrigando-nos a mudar de canal ou retirar o som para não ouvirmos, por exemplo, se procuradores devem ou não ser incluídos nos crimes de abuso de poder. Ora, Tanto faz, uma vez que cometam os referidos delitos responderão, sem dúvida, pelos mesmos. A oposição dos mesmos sob alegação de atrapalhar o curso dos processos Lava-Jato não tem sentido, perante o princípio de igualdade de todos perante a lei.

    Quanto tempo perdido, como se não houvesse temas importantes de interesse nacional. Inacreditável que prefiram tratar de leis que serão jogadas em terreno árido. Quando iremos entender que leis não atingem seus objetivos milagrosos numa sociedade que beira à permissividade em matéria de princípios?

    Concluindo, mostram-nos os países mais desenvolvidos, detentores de boas instituições que remontam há séculos, não há inflação de leis porque os cidadãos são guiados pelos costumes tradicionais. Como dizia Péricles, são capazes de observar as leis não escritas e cuja sanção repousa apenas no consenso universal do que é justo. Na mesma linha, outro grego da antiguidade, Licofronte, afirmava que a força das leis não residia no poder protetor do estado que se impõe, mas na presteza dos indivíduos em prestar-lhe obediência, isto é, na vontade moral do cidadão. Admitindo-se as pequenas exceções, existe em nós essa vontade como uma regra geral? Não. Daí porque, face a essa deficiência de nossa cultura arredia à obediência espontânea às leis e aos costumes, vivemos a persegui-las na vã esperança de que alcancem seu objetivo. Belas na concepção do ideal, perdem-se pela ausência, muitas vezes, de seu caráter categórico. Isso porque são equiparadas a sementes que podem ou não cair em solo fértil e gozarem ou não da simpatia e aceitação do gosto popular.

    Essa índole original que nos caracteriza, classificando as leis entre aquelas que pegam ou não, como se costuma dizer, faz com que o Brasil continue no seu dinamismo legislativo estéril que tem como finalidade, tão-só, enriquecer sua coletânea de leis puramente ornamentais.
     

    postado em 07/12/2016 15:58

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    Francisco Souza Guerra
    Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Penedo


     

    Inusitado café da manhã com o Comendador Peixoto

     

    Reprodução WhatsApp

    Busto foi danificado na madrugada do último domingo, 27

    Ao longo dos 51 anos de vida na minha Penedo, como sempre, aqui e acolá uma surpresa. Às vezes desagradável e por vezes prazerosa. Esta manhã de domingo dia 27 de novembro de 2016 vai ficar registrada em minha memória para sempre.

     Acordo do pesado sono com os carinhos de minha esposa Madalena sentada à beira da cama dizendo que o Chico Pinheiro, (Francisco Pinheiro Gama) ex-vereador, pessoa conhecida desta comuna queria falar-me. Vendo meu enfadado corpo ainda sob o acalento de Morfeu, resolveu Madalena antecipar o assunto ela mesma: O Chico está dizendo que vândalos derrubaram o busto do Comendador Peixoto no chão da Praça... Quer saber o que fazer? Se pode trazer aqui para casa?... Mesmo sonolento, como um bom penedense, solidário ao infortúnio e a agonia de um amigo conterrâneo não hesitei dizendo: traga para cá. Desincumbido da liminar decisão me entreguei novamente ao sono. Uma hora depois, já acordado desço para o café e me deparo com o busto do Comendador Peixoto abancado na soleira da porta principal da nossa casa. Fui vê-lo, pois visitas não devem ser deixadas à porta sem atenção. Não é educado para um penedense de boa cepa. Observei um semblante de tristeza no Comendador. Sujo, marcado pelo excremento dos pássaros, esverdeado pelo limo que acomete o bronze quando exposto ao relento ao longo dos anos. De pronto, divaguei no imaginário do passado longínquo da imortalidade e, da história de Penedo. Comecei a imaginar o que estaria passando na cabeça do espírito do Comendador Peixoto naquela hora. Veio à mente em síntese: agonia e glória. A primeira sensação decorre da sua situação em meio a sua praça desértica, desprovida de qualquer vegetação, sem bancos. Abandonado, sujo e sem iluminação seu busto jaz esquecido igualmente seus gestos de amor desprendidos a Penedo. Ações que muito favoreceram ao seu desenvolvimento e da região do Baixo São Francisco. Como se não bastasse o esquecimento, nem mesmo justa homenagem que lhe prestaram pode ficar incólume. Após uma noite de festa na orla ribeirinha, tiros, tumulto, correria e vandalismo arrancaram-lhe sua placa e tombaram seu busto centenário ao solo. Que Penedo é essa? Que modos são esses de se tratar um dignitário e benfeitor da cidade? Se ilustres são assim tratados, dou por visto os comuns cidadãos, deve ter se perguntado com razão e indignação o Comendador.

    Mas, sua mente agora decerto se remete a glória, convicto que não há tempo bom que perdure, nem ruim que não se finde, após as trevas da noite anterior, nas primeiras horas da manhã, Penedo do bem desperta. De pronto, os verdadeiros donos da cidade, movidos pelo amor a sua comunidade vão até o local do ato criminoso e socorrem o Comendador retirando seu busto do chão da praça. Preocupados com seu destino, entram em contato com a primeira autoridade que representa os interesses do Comendador, indubitavelmente, patrimônio da municipalidade. E foi assim que o Procurador Geral do Município foi acionado na manhã de domingo. Em se tratando do nosso Comendador Peixoto uma comitiva de guardiões penedenses conduziram-no a nossa casa. Cidadãos de primeira grandeza quando se trata de zelar por nossa educação, cultura e patrimônio. E assim três respeitáveis penedenses, pessoas do povo, como tem que ser, socorreram o Comendador: José Gasparino dos Santos (Gaspar taxista) Francisco Pinheiro Gama (Chico Pinheiro) e Ezequiel Macário dos Santos (Zé de Anália). Reafirmo as qualidades dos três, todos conhecidos e amigos meus de longa data.

    Mas o que fazer com a augusta e inesperada visita do Comendador Peixoto no domingo? Deixá-lo à porta? Guardá-lo na garagem ou no depósito da casa até entregar-lhe ao Secretário de Obras na segunda para sua recolocação na Praça que leva seu nome? Mesmo já tendo recebido telefonema do Secretário Euclides Santana que perguntava sobre o paradeiro do Comendador, visto que, a notícia do fato criminoso chegara ao seu conhecimento, resolvi mitigar a agressão sofrida pelo meu agora hóspede. Primeiro o convidei para um café da manhã, afinal de contas não sei quando terei outra oportunidade de receber tão nobre visita. Como estava com parentes em casa não tive receio de oferecer o café regional dos penedenses. Curioso mesmo é que ultimamente tenho recebido muitas surpresas, dentre elas almoço com Almirante do 3° Distrito Naval, recepção ao Núncio Apostólico do Brasil e ao Presidente da Associação Nacional dos Procuradores. O Comendador deu sequência. Num Brasil em que só se assiste à degradação, à corrupção e à bandidagem, receber pessoas do bem em casa é um grande alento. Nunca imaginei ter o Comendador a minha mesa, mas, consoante dito alhures, Penedo tem suas surpresas. Recebi em minha casa o ancestral de nobre e amiga família com a qual mantenho laços fraternos desde minha infância. Coincidência para o Comendador Peixoto, neste domingo fatídico, todos os descendentes diretos dele se encontravam viajando à Brasília para as comemorações de aniversário de sua bisneta Ivone de Almeida Peixoto. Imagine, além de retirado violentamente de seu habitat, nenhum parente por perto para acolher sua imagem. Sem dúvida situação angustiante e constrangedora.

    Pois bem, agora refeito do susto, garanto aos conterrâneos que o Comendador Peixoto em breve retornará ao seu local de origem, porém, antes, será polido e tratado, terá iluminação restaurada, sua placa polida e pintada e fixação do busto com parafusos para evitar surpresas desagradáveis. Palavra do cidadão penedense subscritor do presente. Ousadia, criminosos sonharem que vamos nos quedar a barbárie. Ledo engano. Farei o B.O (boletim de ocorrência) na Delegacia de Polícia pedindo providências contra os criminosos, lembrando que eu não perdi nenhuma aula de Direito Penal na faculdade, nem vou prevaricar das minhas honradas funções de Procurador do Município. Nosso Código Penal assim dispõe:

    Dano
    Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
    Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
    Dano qualificado
    Parágrafo único - Se o crime é cometido:
    III - contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista;
    Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

    Apesar de sentir durante o café da manhã que o Comendador Peixoto me pareceu saudoso dos tempos da palmatória e do Oratório da Forca, donde criminosos tinham um castigo um tanto quanto mais severo e, pessoalmente, deveras inclinado a concordar com ele, visto que tais atos de vandalismo me remetem aos meus instintos mais primitivos, afasto truculentas ideias ao ouvir o sino do Convento chamando para a missa da manhã. Assim, reconduzido a lucidez Franciscana de minha formação, deixo aqui registrado que Penedo, seu verdadeiro povo de sentimento e fé, do bem, do amor, do Chico, do Zé de Anália, do Gaspar e outros milhares, estão vivos no seu agir, pensar e jamais vão sucumbir seus valores de respeito e urbanidade. Penedo e sua alma valorosa não se quedam nunca. Não será o tombar de um busto que vai aniquilar nossa cultura e nosso modo viver e amar Penedo. Depois da agonia, advém a glória. Podem tentar, jamais conseguirão abalar o caráter dos penedenses, enraizado no âmago das rochas de seu solo. Sempre ressurgiremos. O mal só triunfa quando o bem se omite. Onde houver o bem a fazer os penedenses o farão.
     

    postado em 30/11/2016 08:19

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    Ronaldo Lopes
    Engenheiro Civil, Vice-Prefeito de Penedo, Ex-Secretário de Estado e Ex-Diretor Presidente do DER


     

    Revitalização Já: O rio São Francisco está agonizando

     

    arquivo - aquiacontece.com.br

    O rio São Francisco a cada ano que passa, tem menos água

    O rio São Francisco, que banha os Estados de Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe, a cada ano que passa, tem menos água percorrendo os seus 2696 km da Serra da Canastra, em Minas, onde nasce, até a sua foz aqui em Piaçabuçu, Alagoas. 

    Quando fiz parte do Conselho Nacional de Recursos Hídricos(CNRH), e do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco(CBHSF), participei de discussões importantes sobre a regulamentação do uso das águas do São Francisco. Uma delas foi a definição no Plano Diretor do rio, que foi aprovado no CNRH, que a vazão média diária de 1.300 m3/s seria a vazão mínima ecológica na foz. Para baixar essa vazão só com autorização da ANA (Agência Nacional de Águas) e do IBAMA.

    Há tempos, em função da estiagem prolongada, a CHESF vem praticando a vazão de 1.100m3/s e recentemente a ANA autorizou baixar para 900m3/s, em seguida, 800m3/s e agora está testando 750m3/s para autorizar a vazão de 700m3/s.

    A pesca artesanal, a aquicultura, a agricultura irrigada e até o abastecimento humano estão bastante prejudicados e não se tem ideia do que realmente vai acontecer quando o Velho Chico estiver com a vazão de 700m3/s, já autorizada pela ANA. Com o volume reduzido constata-se a poluição e até a salinização das águas mais próximas da foz. Com Sobradinho, o maior barramento regulador do rio com 7% de sua capacidade, não haverá outra alternativa aos órgãos reguladores se não vierem chuvas em quantidade no alto São Francisco.

    Com a construção pela CHESF das barragens para produção de energia, foram enormes os impactos ambientais que sentimos no Baixo São Francisco. Hoje não falta só o peixe nativo que desapareceu com a impossibilidade da piracema, ou a falta de profundidade para a navegação por causa do assoreamento, o que falta no rio São Francisco realmente é água para atender às demandas de desenvolvimento e de sobrevivência do povo ribeirinho.

    Nascentes perenes estão se tornando temporárias. Esta situação mostra que a transposição de suas águas é um ato criminoso e a revitalização não pode esperar. Temos que proteger as nascentes, recuperar matas ciliares e impedir a poluição de suas águas.

    Salvar o Velho Chico é obrigação de todos nós!
     

    postado em 22/11/2016 08:09

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    João Pereira
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    Tentando libertar-se das tempestades da paixão

     

    A mulher que se acredita ideal. Quer seja fruto de uma avaliação mental, quer resulte de uma súbita atração impulsionada pelo olhar clínico do instinto, não isenta os enamorados em grande parte das tempestades amorosas. Isso porque sendo impossível o pleno entendimento a dois, podem acontecer inúmeros desencontros e suas naturais tormentas de uma relação amorosa.

     Fraguinha, como era chamado na intimidade, estatura relativamente alta e magro, tinha uma compleição sensível que o predispunha tanto para sofrer, quanto para aurir o prazer, as delicias das grandes emoções. Fazia o curso de psicologia, deixando-o pela metade, talvez pela convicção de não ser uma ciência, mas pseudo ciência que vive de modismos do que de resultados frente ao obscuro e insoldável espírito do homem, um eterno desconhecido.

     Aconteceu que Fraguinha, como qualquer um, não estava livre de ser fisgado pelas garras do amor e ficar submetido ao sabor de seus caprichos. Com pequenas experiências a partir dos quinze anos, aos vinte e três teve a fortuna e o infortúnio de cruzar seu destino com Marília, linda jovem com cabelos longos, olhos castanhos, um metro e sessenta e cinco de um corpo esguio e tentadoramente curvilíneo, era emoldurado por um olhar meigo e doce sorriso que davam a Fraguinha a sensação de estar diante de uma obra divinamente concebida para os prazeres do amor. Era um ser capaz de atender tanto as exigências da mulher ideal, quanto para incendiar a atração de dois corpos sadios e sedentos de um embate amoroso.

     Conheceram-se em um shopping, apresentação feita por uma amiga do Fraguinha. Após cumprimentos formais, acertaram um encontro que veio a acontecer em um elegante restaurante. Era preciso causar boa impressão à sua sedutora diva. Não é preciso dizer que desse encontro iria surgir, com o decorrer de alguns meses o mais tumultuado relacionamento amoroso. Usufruindo de inicio as delícias do fogo da paixão, não tardaria ver-se mergulhado na caldeira infernal. Isso como consequência do caráter possesivo e tempestuoso do amor que quando transtornado, está propenso aos vendavais e protagonizar as maiores tragédias. Enquanto Marília não cabia dentro de si pela sua beleza por todos admirada, Fraguinha tinha o sentimento em direção oposta. Quem tem, a feiura a seu lado, não pode temer a sua perda. Bem diferente é a situação daquele que desfila com uma beldade escultural, sempre ameaçado pelo vôo rasante de gaviões que pretendem arrebatar-lhe a prenda de seus sonhos.

     Naturalmente, era de se esperar que Fraguinha procurasse conter seu ímpeto de ciúme que certamente poria em risco, tão de repente, seu idílio com a encantadora Marília. O ciúme, incapaz de ser contido, tende gradativamente vir a explodir. Fraguinha sentia dentro de si um turbilhão de emoções que mais cedo ou mais tarde, acreditava, iria leva-lo a cometer um desatino.

     Para encurtar esta história, semelhante a tantas, basta esclarecer que após repetidas brigas com rompimento e reatamento, decidiu, após o ultimo desenlace, por um ponto final, acreditando que poderia achar uma válvula de escape num pretenso entendimento da gênese do sentimento amoroso. Racionalizá-lo era o mais eficaz de torná-lo insipido e sem graça. Talvez fosse melhor a insipidez à tortura ardilosamente engendrada pelo instinto que, inspirando a poesia e a crença do amor eterno, termina, como no seu caso, a sucumbir aos caprichos da paixão.

     Daí porque, dando inicio a seus questionamentos, perguntava-se: como entender que enquanto Marília, em sua vaidade feminina, era puro êxtase por sentir-se bela e admirada, ele se enchia de ódio destrutivo contra ela e seus admiradores? Como entender essa reação se por unanimidade afirma-se ser ódio incompatível com o amor? Por que, então, acontece? Ocorre que o amor, por mais que se pinte uma tela enaltecendo o esplendor de seus encantos, no fundo é carnal e possessivo e tudo que contrarie essa natureza animal, pode resultar violentas consequências. Marília, inconsciente ao desfilar perante os olhares libidinosos, assemelhava-se a uma fêmea no cio, convidando os machos para perto de si e após a luta escolher o vencedor para reproduzir a espécie . Fraguinha sentia-se um provável derrotado, fato que aos poucos ia aumentando seu ódio de vingança. Valeria a pena consumar uma tragédia e sofrer estupidamente suas consequências? Animalescamente elas acontecem, fruto de uma súbita emoção, carente de uma avaliação fria e racional, como estava a fazer.

     Afinal de contas, nós, homens, sob o aspecto amoroso, não passamos de reprodutores para disseminar a espécie. Mantida a relação sexual com uma mulher, a próxima passa a ser mais atraente. Macho fiel faz parte das exceções. A natureza presta-se a fazer com maestria seu papel de dissimulada poetisa, que faz despertar a atração pelo belo nas relações sexuais e, como complemento, incutir na cabeça dos ingênuos que o amor de verdade existe, pode ser eterno, indiferente ao desgaste do dia a dia.

     Sem essa ingênua fantasia, dizia Fraguinha com aparente convicção, passarei a preferir a insipidez do racional, sem emoção, a continuar ser um capacho dos caprichos da natureza.

     Será que conseguiu?

     

    postado em 16/11/2016 17:27

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    João Pereira
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    Resignada Partida Para O Desconhecido

     

    Ilustração

    Se a vida e a morte sucedem uma a outra como lei universal a tudo que existe, por que não aceitamos a morte como espontânea naturalidade, em vez de senti-la e encara-la como um eterno fantasma a nos apavorar? Certamente por se tratar de uma estratégia do Criador em prol da sobrevivência. Se assim não fosse, se não a temêssemos, se não a víssemos como uma visitante inesperada e traiçoeira a destruir as nossas melhores expectativas, o que seria da vida? Perderia, sem dúvida, todo o afã de ser vivida. Embora coexistam por determinação de uma lei natural, da mesma forma elas se atritam e se repelem, assim como acontece na divisão do átomo entre os polos positivos e negativos, impedindo que a vida, sem conflitos, tenha um curso linear e monótono, negando-a.

    Eram algumas das considerações existenciais que costumava fazer Jota Farias sob o efeito de agradáveis aperitivos que se somavam à bela paisagem, inspiravam sua veia filosófica. Contava com um pouco mais de sessenta anos de idade. Sua saúde, aparentemente boa para todos, corria muito bem, assim como seus projetos de vida. Ocorre que ninguém está livre das desagradáveis surpresas do destino. Seu apego pela vida obrigava-o a fazer exames de rotina, às vezes outros de maior abrangência. Foi exatamente em um deles que ficou constatado, ser portador de um câncer, a mais insidiosa das doenças. Não é preciso dizer do indescritível pandemônio que ocorreu em seu interior, sentindo o mundo a desmoronar-se. Segundo a biopsia, era do tipo mais arredio ao tratamento, fato que encenava com o sepultamento de suas esperanças.

    Foi durante esse período que mantivemos os últimos contatos. Foi também quando tivemos a curiosidade de observa-lo no antes e depois da enfermidade. O antes era o Jota Farias risonho, otimista e fraternal amigo. Tinha um gosto especial por bailes, sendo capaz de dançar com um cabo de vassoura. Em resumo, encarava a vida desassombrado e determinação em seus afazeres.

     Nas primeiras visitas já notávamos uma certa mudança em seu comportamento. De conversador, semblante sempre alegre e risonho, deu lugar a uma sóbria loquacidade. Seu olhar dava-nos a nítida impressão de estar perdido na escuridão de suas divagações.

     De vez em quando, parecendo querer ser fiel à sua personalidade, mostrava-se ou encenava um comportamento expansivo, afirmando sempre, nesses raros momentos, que iria vencer o malfadado câncer.

     Com o passar de um ano e meses, sem sinais de que estava cedendo ao tratamento, transparecia em seu rosto o alheamento e a apatia a tudo. O que conversavam os que o visitavam não lhe despertava o mínimo interesse. Sequer uma boa piada, exímio contador que era, conseguia espantar o frio indiferentismo. As visitas, face a sua iminente derrota, eram dispensáveis. Preferia sofrer a sós a tortura de seus últimos dias. Os gestos de comiseração eram-lhe insuportáveis. Era a única bravura que lhe restava. Suportava dores lancinantes. Chegou um momento que não mais sentia os braços e pernas, sobrando-lhe apenas as faculdades mentais, que nesse momento crucial era preferível não tê-las. Diante desse quadro irreversível, profetizou a sua mulher que iria partir naquele dia. Em menos de uma hora faleceu.

     Agnóstico, sem convicções definitivos sobre assuntos transcendentais, especialmente sobre o outro lado da vida, Jota Farias, derrotado com bravura ante um inimigo invencível, partiu, resignado, para o desconhecido.
     

    postado em 04/11/2016 15:23

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    O Deus Lula em Queda do Olimpo

     

    O poder é um monstro desestabilizador da retidão de caráter, submetendo-o às mais variadas formas de perversão. Daí porque quando alguém gradativamente dele se sente investido, começa a ceder aos acenos que o seduzem para as tentações, e assim, desprezando a censura íntima, aos poucos deixa-se cegar pela cobiça e ambição que inevitavelmente leva-o para a corrupção que cresce sem limites, na proporção do tamanho incessante do poder. Para que isso aconteça, sentem os que a exercem a necessidade de uma permanente estabilidade. Outro não foi o caminho que vinha percorrendo o PT, que para alcançar esse fim, todos os meios era válidos, mesmo os mais visceralmente opostos ás suas pretensas promessas moralizadoras.

     O que fizeram para mascarar, enquanto não vieram à tona, os seus desatinos e fanfarronice? Bem, como os petistas dando-nos sempre a impressão de serem os eleitos para a purificação ética da política brasileira, imaginamo-os como semideuses que tomaram o monte Olimpo, morada dos deuses pagãos, e nele fizeram o palácio das ilusões perdidas sob o reinado do infalível e intocável deus Lula. Seus planos estratégicos desmoronaram e agora se encontram enredados nas malhas da justiça. Insistindo sempre na inocência, muitos se encontram apavorados, como o impoluto e imaculado Lula, pelos raios e trovões produzidos pela vara mágica do juiz Sérgio Moro. Alguns já se encontram presos e acorrentados ao rochedo do Olimpo para reparação de seus crimes, outros estão prestes a serem capturados. Por último ou um dos últimos será do semideus líder inconteste dos demais, Lula, o irrepreensível ator da representação da própria inocência. Tentativa aparentemente inútil. O diabo, por mais que esconda o rabo, deixa sempre uma pontinha de fora, como dizia o presidente Lincoln.

     A falsa convicção do Lula arrostando bravata de que duvida que alguém apresente uma prova sequer de ter recebido propina, imóveis ou ter se apropriado do dinheiro público não tem firmeza pelo convencimento dos fatos. Por isso, é uma ingenuidade acreditar que a prova de seus crimes só tem sustentabilidade se fundamentadas em documentos probatórios. Os dois imóveis, por exemplo, o tríplex do Guarujá e o sítio em Atibaia, principais objetos da investigação, não estão escriturados em seu nome. E daí? Essa circunstância, por si só elide os claros indícios de que de fato eles lhe pertencem? Além de outras provas exibidas pelo noticiário televisivo, perguntamos: qual o interesse da OAS em fazer benfeitorias nos referidos imóveis? Teriam os supostos proprietários do sítio de Atibaia prestígio para receber os favores prestados pela OAS? Por que eram frequentes seus fins de semana no sítio em apreço? Fruto de uma abusiva benevolência de seus donos? Por que deixou de frequentá-lo? Por que lá se encontram guardados bens recebidos, em razão do cargo, durante o período presidencial? Ele tudo explica, mas não convence.

     Em síntese, o que houve em todo esse imbróglio petista foi o mais improvável casamento entre a sua elite e o setor empresarial, visando a obtenção de mútuos favores. Não era notório o relacionamento de Lula com os maiores representantes do setor produtivo? Quem come ou lida com o mel, dificilmente não se lambuza. E o que poderia resultar dessa união espúria entre o papa Lula, seus cardeais e a nata capitalista? Num casamento de piratas da mais pura cepa brasileira, agora em fase de dissolução. É o castigo que vem sofrendo, após sua captura, por conta de uma lua de mel sacramentada pelo desregramento sem limites.

     Felizmente, o barco pirata foi apreendido e com o julgamento de toda a sua tripulação passaremos a vislumbrar um Brasil em céu de brigadeiro. Passaremos, também, atingido o seu clímax com a prisão de Lula, em queda do olimpo, a vê-lo desnudado de sua desmedida empáfia e o bem provável acaso de sua vida política.

     É o que nos basta para vermos que estamos ensaiando a sair da corrupção, permitindo que façamos jus, exaltados de agradecimento, ao surgimento de um novo Brasil.
     

    postado em 19/10/2016 15:00

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Repúdio às Representações

     

    Ilustração

    Enfeitar para enfeitiçar e seduzir o eleitor foi a sigla demagógica escolhida pela coligação “Mudar Com Mais Amor”, tendo como candidata a Sra. Ivana Toledo. Como o homem quando apela para as ações nobres ficam elas prisioneiras do refrão faça o que digo e não faça o que eu faço, outro não foi o resultado senão ter sido vítima do próprio veneno da enganação. O termo amor, que não deixa de ter um efeito mágico aos ouvidos dos inocentes, temos de convir que não deixa de ser uma palavra prostituída pelo seu uso indiscriminado, quer para exprimir a nobreza de um sentimento, quer para explicar ações que lhes são alheias. Noutro sentido, equipara-se a uma cobaia ou animal de sacrifício para falsear a verdade.

    Será que o amor, suas qualidades mágicas e seus efeitos polivalentes não se estenderiam à transigência, à tolerância à crítica que normalmente é dirigida a quem exerce ou pretende exercer a função pública? Não na concepção da amorosa coligação acima, melindrosa a qualquer exame crítico. Prova desse comportamento nada democrático foi revelado com as representações em juízo contra o conteúdo de dois artigos publicados no portal aquiacontece, de nossa autoria, diga-se de passagem, não contém adjetivos que se enquadrem nas alegações de seus advogados. No primeiro, intitulado de as vantagens de uma eleição franciscana, fizemos uma rápida referência aos quatro candidatos a prefeito, afirmando que Ivana Toledo na qualidade de mulher de Alexandre Toledo, não passava de um disfarce ou camuflagem do mesmo. Foi uma observação que qualquer comentarista político faria por ser de caráter político, procedente ou não, sem corar ou sentir peso de consciência de estar ferindo a reputação. A outra parte diz respeito à informação esdruxula da candidata que se dizendo empresária, não apresentou a relação de seus bens, como fizeram seus adversários. Pode-se imaginar tamanho absurdo? Continuando a arremeter com fúria contra moinhos de vento como Dom Quixote, foi contra um artigo de ficção denominado de “Niquinha queria ser prefeita”. Ora, semelhanças, coincidentemente, existem. Curiosamente, provado ficou que Ivana Toledo viu-se retratada nas qualificações nada admiráveis da Niquinha que no passado e não no presente, queria ser prefeita, não obtido êxito, quem sabe, por conta de um comportamento antipolítico. Face a essa identificação, que revelaria uma verdade se diretamente dirigida a ofendida, nenhuma razão para sentir-se melindrada.

     Em resumo, o bom e verdadeiro coração transmite compreensão, tolerância e amabilidade, exatamente o que não percebemos por conta da mencionada coligação. Pelo que ora expomos, estamos convencidos do total descabimento das representações acima referidas, germinadas em um espírito pouco afeito à tolerância. Felizmente, tivemos uma compensação. Para amenizar nosso despontamento, sentimos o alívio de estarmos livres de uma prefeita-rainha contraria a índole de um Penedo avesso aos caprichos de uma majestade.
     

    postado em 10/10/2016 09:47

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    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    Nós Votamos Em Nós Mesmos

     

    Ilustração

    Vivemos em um País onde a democracia ainda está se ajustando com muita dificuldade porque o seu conceito ainda não foi absorvido pela maioria dos brasileiros e, principalmente, pela classe política, de quem depende o seu aperfeiçoamento. A cada pleito renascem novas esperanças no sentido de que os gestores públicos entendam que são apenas administradores da coisa pública e não donos do erário; que nas democracias o poder é do povo que o exerce por meio de representantes eleitos pelo voto. Por ocasião do pleito eleitoral, promessas repetitivas fazem parte do script já desgastado cujo efeito, com o passar dos tempos, vem perdendo o seu valor porque são destituídos de verdades. A classe política brasileira necessita de uma reciclagem a fim de que sejam expurgados àqueles que comprometem o sistema com suas ações e práticas nocivas. No entanto, com a baixa escolaridade e o desinteresse pelas questões ligadas à politica - como a “arte ou ciência de governar os povos” -, por parte do eleitor, fica bastante difícil essa mudança que deveria acontecer, já, porque o desgaste é comprometedor.

    Alguns afirmam que falta consciência politica à população. Complemento dizendo que também falta consciência politica à maioria dos políticos brasileiros. Para se ter consciência politica necessário conhecer o que seja cidadania, conhecer os direitos e como busca-los ; entender cada cargo ocupado por nossos representantes e quais as suas responsabilidades. Tudo isso só é possível se houver educação de qualidade, com professores compromissados e cônscios de sua missão principal: formar o cidadão consciente de seu papel na sociedade.

    Recentemente um juiz da justiça federal de Minas Gerais ao expedir um alvará de soltura em favor de um camelô, escreveu que : "os bandidos deste País, que deveriam estar presos, estão soltos dando golpe na Democracia". É um despacho judicial com crítica a esse estado desvairado de conduta política, trilhado pela maioria de nossos representantes.

    Acredito que alguns gestores, desejam contribuir para o desenvolvimento das cidades que administram , honrando o mandato concedido pelo povo para promover o bem estar público, de todos. Aqueles que assim procedem merecem o reconhecimento, não gratidão, porque essa é sua missão: executar projetos viáveis e legais, cumprir as promessas feitas e agir com honestidade. Ao ascender ao honroso cargo de gestor público, o político, deve ter a consciência de que governará para todos, tanto para os que nele votaram como para os que não sufragaram seus votos a seu favor. Além do mais, estamos em uma democracia, mesmo ainda sem firmeza, mas que amadurece aos poucos, onde o poder é do povo, pelo povo e para o povo, na definição de Abraham Lincoln.

    Há gestores que se acham donos desse poder e agem como empregadores, vendo os servidores públicos como empregados e o povo como súdito. Uma visão distorcida que compromete a democracia e se aproxima da ditadura. Outros, de forma desonesta, lançam mão dos recursos destinados ao povo e dele faz uso para seu próprio bem estar e de seus familiares, deixando, no caso da Merenda Escolar, milhares de alunos carentes sem aquele alimento que o atrai para a escola aliviando a fome que se instala em seus lares. O professor e pesquisador José Márcio Camargo, da PUC, diz que “investir no Bolsa Família é investir em educação porque a neurociência evidenciou o período crítico para a aquisição das habilidades de linguagem e aprendizado de uma pessoa que vai até os 12 anos de idade “.

    O gestor ideal deve estar comprometido com a condição humana das pessoas, principalmente dos mais fracos, dos mais necessitados, dos mais vulneráveis, porque, no plano politico, o direito do pobre é o mesmo do rico, do abastado. A visão humana é uma visão cristã, onde a compaixão deve ser exercida. Compaixão é colocar-se no lugar do outro e questionar-se: se estivesse naquela situação o que gostaria que fosse feito comigo? E, não se trata apenas de fornecer alimentos, mas de zelar pelo local onde está a sua moradia, eliminar as poças d’água em frente de suas casas, evitando que venham a contrair doenças, dar-lhe uma melhor condição de mobilidade, em fim, vê o outro, o eleitor, como senhor, dono e não como servo.

    Muitos afirmam que o Brasil vive nessa situação politica caótica, porque os eleitores não sabem votar. Não comungo com essa assertiva, apesar de respeitar a opinião dos que assim pensam. A situação politica decadente não é culpa do eleitor, apenas, mas também, de políticos descompromissados com a democracia, com o estado democrático de direito e com as promessas feitas. O povo vota naquele que acredita; naquele que lhe comprou o voto; naquele que lhe deu uma caçamba de areia, barro ou piçarra; naquele que prometeu um emprego para seu filho; naquele que, se ganhar, seu emprego está garantido; vota por amizade, por favor recebido, e até por paixão.

    Em artigo publicado na Revista Veja, intitulado: “Bolsa Família: voto racional, e não de cabresto”. Maílson da Nóbrega, citando o pesquisador acima mencionado diz: “O eleitor mira seus interesses quando vota. Estudos indicam que o pobre não se influencia necessariamente pelos poderosos. Ele é “o “ignorante racional”, termo criado pelo economista americano Anthony Downs”. “Por meio do voto, esse eleitor tenta antes de mais nada maximizar seu bem – estar. Seu voto é coerente e racional “.

    Por esses dias ouvi de uma senhora o seguinte relato: Na eleição anterior, um candidato a vereador, indo à sua residência, fazendo campanha, ouviu dela que necessitava de alguns materiais para melhorar a situação de sua casa que era crítica e apresentou-lhe uma relação do que necessitaria. O candidato asseverou que se ganhasse a ajudaria. Tendo o candidato sido eleito ela compareceu em sua residência para cumprimentá-lo e, naquela ocasião foi até abraçada. Passados os anos nunca mais foi recebida pelo agora, vereador. Neste ano, volta o vereador a pedir o voto daquela senhora com um sorriso aberto. Ela o recebe e pede para que ele espere um pouco. Quando voltou trouxe consigo a relação que havia apresentado há quase quatro anos e o santinho. O vereador meio sem jeito olhou para ela e disse: calma, muita calma esfrie a cabeça e se foi. Aquela senhora disse-me logo: Não voto mais nele e recomendo às pessoas a fazer o mesmo porque ele não cumpriu sua palavra.

    Ora, assim como o eleitor vota no seu próprio interesse, o político age da mesma forma. O processo de impeachment, que foi encerrado recentemente, foi uma prova viva, escancarada, de que ali não existiam juízes, com capacidade de julgar um fato, politico e jurídico. Cada um votou no seu próprio interesse, no interesse do partido e não preocupado com o senso de justiça e com a imparcialidade. O mesmo exemplo se aplica à cassação do deputado Eduardo Cunha que demorou meses, exatamente por causa dos interesses políticos.

    Em fim, hoje, pela desconfiança, o povo vota no seu próprio interesse, ou seja: de alguma forma, nós votamos em nós mesmos.
     

    postado em 26/09/2016 15:11

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    “Incrível rapidinha de fancico na véia” (Coisas da Minha Terra)

     

    Existem pessoas de uma ingenuidade tal que chegam a beirar a demência e a debilidade mental. O casal acima, com idade acima de sessenta anos quando aconteceu a divertida história, enquadra-se perfeitamente nesse perfil. A mulher, em especial, além de analfabeta, pronunciava as palavras como uma criança, como da mesma forma reagia a tudo. Por exemplo, para informar sobre o desaparecimento de um rádio portátil, dizia que tiraio, levaio, carregaio, com a maior naturalidade.

    Aconteceu, é claro, no povoado Serrão de tantos “causos” na década de sessenta. A principal atividade era o plantio de arroz. Fancico e Véia, como mutuamente se tratavam, cultivavam uma pequena área à altura de suas forças, sem ajuda de terceiros. Tratava-se de uma atividade que tinha inicio no inverno e a colheita no verão.

     Era comum os trabalhadores construírem ranchos no meio da lavoura para se protegerem das intempéries da natureza. Serviam também para fazer o almoço e depois, estômago cheio que estimula o relaxamento, uma merecida soneca. Não havia o menor conforto para esse indispensável repouso. Sequer uma cama de varas e um colchão recheado de capim, comum na época. Resumia-se a uma esteira.

     Francisco, apesar da idade, não estava sexualmente aposentado. Nas condições acima descritas, a mais pura rusticidade em matéria de conforto, não era nada fácil uma relação sexual por mais que se usasse a imaginação e a criatividade para torna-la prazerosa. Ora, o requinte do sexo está na imaginação, pra fazer uma combinação de carícias, fetiches e formas geométrica dos corpos para todos os gostos. Sem isso, sexo se animaliza, não passando da cobertura da fêmea no cio pelo macho. Sem as estimulantes fantasias sexuais, Francisco era apenas um animal.

     Vamos ao fato. Antes, uma pergunta que deixa qualquer um embasbacado: como o Francico conseguiu transar com Véia que dormia profundamente numa esteira? Como costumava acontecer, o casal, após o almoço, resolveu puxar um cochilo. Ocorreu que Fancico despertou primeiro enquanto Véia continuou a dormir o sono dos anjos. Não se sabe porque, o Fancico sentiu desejo de fornicar Véia. Mas como iria conseguir se a Véia dormia? O que teria despertado a libido de Fancico? Será que Véia estava mostrando uma parte íntima do corpo que deu fogo ao instinto para dar uma rapidinha na esperteza? Será que estava sem calcinha e exibia o pecado? Se não estava, como conseguiu tirar sem despertá-la? Sem mais perguntas sem resposta, a verdade é que Fancico conseguiu, certamente, pela magia, satisfazer seu intento. Algum tempo depois Véia acordou. Sentiu algo estranho e pegajoso entre as coxas. Então, com a mais pura inocência, pergunta: Fancico, andaste por aqui? Não foi, Véia! Ah, porque ta um meeio.

     Acredite se quiser, mas que aconteceu, não há dúvida.
     

    postado em 25/08/2016 09:34

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    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    Reiki : A Energia da Esperança

     

    Ao longo da história da humanidade, o ser humano tem buscado, de alguma forma e de acordo com a sua cultura, uma melhora interior que o capacite percorrer o seu trajeto terráqueo em direção a um estágio de aperfeiçoamento mental e espiritual em busca da felicidade.

    As religiões espalhadas pelo mundo também têm servido de abrigo para aqueles que necessitam de apoio e que estão sentindo-se sós, com um vazio interior muito grande que os sufocam, transformando-os em pessoas infelizes e sem rumo. Milhares tem encontrado alento nessas instituições; outros dizem receber milagres para curas de doenças físicas através da oração levada a efeito pelos lideres religiosos.

    Cada líder religioso tem suas particularidades e formas diferentes de olhar o mundo e cada uma dessas instituições tem suas normas que devem ser obedecidas para que seus seguidores possam alcançar algo. A crença, a certeza de que conseguirão o que buscam não está, muitas vezes, dentro deles, mas na vontade dos seus mestres. Outros admitem que quando acreditam na força do universo e mentalizam o que necessitam, recebem, isso é chamado de Lei da Atração. Uma sabedoria milenar ainda desconhecida para muitos.
    No livro “O Segredo” a autora Rhonda Byrne transcreve dezenas de depoimentos das maiores autoridades no assunto: religiosos, filósofos, médico, mestre de Feng Shui, empresário de sucesso e diversos escritores. Abaixo transcrevemos alguns desses depoimentos:

    “Tudo o que entra em sua vida é você quem atrai, por meio das imagens que mantem em sua mente. É o que você está pensando. Você atrai para si o que estiver se passando em sua mente” (Prentice Mulford).

    “Hoje, enfrentamos muitos problemas. Alguns criados por nós em consequência de diferenças ideológicas, religiosas, raciais, econômicas. Entretanto, chegou o momento de pensarmos em um nível mais profundo, em nível humano, e a partir daí apreciar e respeitar essa mesma condição nos outros seres humanos. Devemos construir relacionamentos mais próximos, de confiança mútua, compreensão e ajuda. Todos queremos a felicidade e evitar o sofrimento. Todos temos o mesmo direito de ser felizes, e aí reside a nossa igualdade fundamental. Não é necessário seguir filosofias complicadas. Nosso próprio cérebro, nosso próprio coração é o nosso templo. A filosofia é a bondade “. (Dalai Lama, monge Tibetano).

    “A lei da atração não se importa se você acha algo como bom ou ruim, ou se você o deseja ou não. Ela apenas reage aos seus pensamentos. Portanto, se você pensa em uma montanha de dívidas, sentindo-se péssimo em relação a isso, esse é o sinal que você está propagando no Universo”. “Eu me sinto realmente mal por causa de todas as dívidas que contraí.” Você está simplesmente afirmando isso para si mesmo. Você sente isso em cada nível de seu ser. E é disso que você vai ter mais. “Bob Doyle”.

    O Mestre Jesus ensinava: “não andeis preocupados com a vossa vida, pelo que haveis de comer, nem com o vosso corpo, pelo que haveis de vestir”. “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.”

    O cérebro e a mente estão sempre em evidencia como se fossem a fonte da felicidade. Felicidade tão sonhada cujo caminho em sua direção nos parece confuso, com vários atalhos. Para uns, ser feliz é ter dinheiro, ter patrimônio, ter poder, ter fama; Para outros, é ter saúde, paz interior, e ainda existem àqueles que se sentem felizes apenas por existirem. Acredito que através da mente imune de impurezas físicas, mentais e psicológicas pode-se chegar à perfeição.

    Algum tempo atrás, absorto nas minhas reflexões, cheguei a afirmar que o cérebro era uma espécie de chip que Deus havia posto nos humanos, estando ali as respostas a todas as indagações possíveis. Hoje, divirjo de minhas próprias ilações porque assim seriamos semelhantes a robôs destituídos do livre arbítrio, atributo que nos dá condições de escolha entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Assim sendo, parece razoável, investirmos na pacificação de nossa mente, deixando-a livre das mazelas psicológicas e emocionais para que possamos ter uma vida saudável.

    Nessa trajetória, objetivando a auto melhora, física e espiritual, cheguei a conhecer o REIKI, uma terapia japonesa que consiste em canalizar a energia cósmica para nós mesmos e para o outro, colocando as mãos sobre o corpo da pessoa que recebe com o intuito de promover bem estar físico e emocional. A diretora da revista Reiki&Yoga, Elisabeth Barnard diz que “ À medida que a ciência avança em relação ao conhecimento do nosso corpo físico , nota-se a necessidade até a obrigação de estudar o Homem como um Todo e de tratar do corpo de uma maneira holística, mente, corpo e espírito, aceitando e utilizando essa terapia energética do “mundo invisível” .

    O homem, esse ser complexo, formado de corpo e espírito e ainda de um períspirito como afirma a doutrina kardecista, procura, incessantemente, saber de onde veio a que veio e para onde vai. O corpo físico e o espiritual vivem em constante conflito e esse conflito se passa na mente confusa bombardeada por infinitos pensamentos que, se perpetuados, conduz as doenças psicossomáticas e, por consequência, à infelicidade. A mente dispersa precisa ser estabilizada e ter um foco, mas, para isso, se faz necessário treinamento, dedicação e persistência. A paz interior só será alcançada quando o homem espiritual se sobrepuser ao homem material.

    A caminhada na direção da espiritualidade não pode ser solitária, mas em comunhão com outros que, de forma sincera, honesta, também a busque, com o único propósito de ser melhor a cada dia, principalmente amando-se para transmitir ao próximo esse amor, um amor parceiro, conciliador, divino. Amar ao próximo como a ti mesmo é o grande desafio proposto pelo Mestre Jesus.

    Daniel Goleman , em “A Arte da Meditação” diz que “ Pessoas cronicamente ansiosas ou com problemas psicossomáticos possuem um padrão específico de reação ao estresse : o corpo se mobiliza para enfrentar o desafio e não consegue parar quando cessa o problema ”, e sugere a meditação como um aprendizado para tranquilizar a mente, relaxar o corpo e desenvolver o poder de concentração.

    Eu, minha esposa e meu neto, fomos iniciados no Reiki por intermédio da mestra Célia Maria de Assis O. Barbosa, que há mais de dois anos reside aqui em Penedo e trouxe essa terapia, hoje aceita em muitos hospitais no Brasil e em Portugal como coadjuvante do tratamento médico. Já tivemos a oportunidade de canalizar a energia cósmica para nós mesmos e familiares com resultados positivos. São os mistérios da vida que precisamos desbravar.

    Vejo no Reiki uma possibilidade de ser um instrumento a mais na propagação da paz, não apenas a interior, mas de um grupo, da humanidade. Ter a permissão para receber e transmitir a energia cósmica com o objetivo de levar ao outro um benefício, uma melhora, ajudando-o a se livrar de incômodos emocionais, mentais e físicos, é, sem duvida alguma, uma graça concedida por Deus àqueles que se dispõem a esse serviço: receber e dar. Nenhum privilégio, apenas graça, porque a todos é destinada essa energia, que nos faz viver, porque está no ar que respiramos, na água, no fogo, no cosmo enfim.
     

    postado em 17/08/2016 14:49

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    João Pereira
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    O Anêmico Rio São Francisco

     

    Divulgação

    O Rio São Francisco agoniza! O Rio São Francisco está morto! São brados corriqueiros de alerta que revelam sem exageros o deplorável estado de sua morbidez, a preocupação e o temor pela incerteza de seu destino.

    Apesar da enorme apreensão frente a essa apavorante realidade, que implicará em inevitável tragédia socioeconômica, essa preocupação, que deveria ser permanente, vive de surto e logo se embota na memória anestesiada pela monótona sucessão dos dias e pela tirania do tempo que tudo apaga e faz esquecer.

    Não faz muito tempo, num passeio de lancha pelo mesmo, ficamos abismados e despertamos assustados do sono do esquecimento e voltamos como espectadores diretos, à realidade do pesadelo. A maré estava baixa, ocasião propícia para exibir, com dolorido realismo, toda a miséria de seu corpo coberto de chagas. A lancha. em alguns trechos, navegava em zig-zag à procura de local profundo. Seria real o que víamos ou éramos vítimas de uma miragem? Nada daquilo era fruto do imaginário. Conhecedores do seu passado, robusto e bravio com águas profundas a permitir a navegação de navios de médio porte. Com o sentimento da incredulidade, a observação imediata a contrastar com o seu passado foi a visão de um corpo esquálido. Somando-se à triste visão local, tínhamos na lembrança o conjunto de um corpo ferido da cabeça aos pés. Eram feridas em forma de incontáveis baixios resultantes do assoreamento, como há poucos dias tivemos a oportunidade de assistir em documentário pela televisão.

    Como pode ter havido tamanho descaso com um rio que mesmo sem condições vai saciar, com a transposição de suas águas, a sede de nossos irmãos sertanejos? Como imaginar que outrora robusto São Francisco, importante marco histórico no período colonial que impulsionou o povoamento do interior e que com a riqueza de suas cheias oferecia gratuitamente o húmus fertilizante para abundantes safras de arroz e uma generosa oferta de peixe e camarão, possa acenar com o terrível pesadelo de desaparecer e transformar-se num deserto? O homem, irracionalmente, predador de interesse imediato, sem uma visão das danosas consequências futuras, é sem dúvidas o mais letal inimigo da natureza. Felizmente, como tudo na vida coexistem o bem e o mal, pode-se reverter, total ou parcialmente, esse quadro desolador através de medidas apropriadas a esse fim.

    O São Francisco, no seu atual estágio de degradação, assemelha-se a uma mãe cadavérica e faminta, de seios flácidos e secos, sem condições de nutrir por mais puro e maternal seja o seu sentimento a todos os seus filhos nordestinos. Alguns de seus trechos, que exibem a crueza de uma paisagem em franco definhamento fazem-no perder a condição de rio para riacho. Brevemente poderá não passar de um filete d'água e, se não houver urna rápida recuperação de sua anterior vitalidade, será apenas uma tumba onde repousarão seus restos mortais, o vestígio e a lembrança de um grande e majestoso rio da integração nacional.

    Apesar de há muito, tempo estejam em curso de obras da transposição de suas águas para socorrer outros estados do nordeste contra a seca, persistem as divergências dessa iniciativa vez que não obstante de relevante importância humanitária, poderá resultar num suicídio comum das partes em conflito. Trata-se, em resumo, de descobrir um santo para cobrir outro, caminho despido de sensatez. Se o lençol é curto, que permaneça com quem ele cobre. Te, sentido pedir que o anêmico faça doação do seu sangue?

    A natureza, ultimamente, muda a passos largos, quer pela ação, quer peça lei natural onde tudo está em movimento e tudo se transforma. As grandes cheias do São Francisco aconteciam, em média, a intervalos de dez anos. Não vem ocorrendo. Será isso uma tendência?

    Enfim, o que se espera é que o homem em seu paradoxal e contraditório comportamento, saiba encontrar o antídoto às suas mazelas para revitaliza-lo. Não existe outra alternativa. E de duas uma: ou veremos o êxito dessa iniciativa recuperadora, acompanhada do festivo e alegre repicar de sinos pelo seu renascimento, ou então iremos ouvir no futuro, com desesperada e incontida tristeza, o desmoronamente apocalíptico do nordeste, acompanhado do dobre levemente cadenciado e melancólico em sinal de elegia fúnebre pela sua completa extinção.
     

    postado em 10/08/2016 10:49

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    A Desprazerosa e Insuportável Velhice

     

    Ilustração

     Diariamente, frente ao espelho, não percebemos, em doses milimétricas, as transformações em nosso rosto, a perda de massa muscular e o declínio da agilidade, da força física e do desempenho sexual. A força da vivacidade do passado dá lugar à gradativa carência dos impulsos da juventude. Somente no atacado, depois dos sessenta anos, começamos a perceber os primeiros estragos do tempo, agora numa crescente velocidade. Rápida também é a passagem dos dias a tal ponto que chegamos a não nos dar conta que somos velhos.

     Por outro lado, a velhice, figura tenebrosa e indesejável entre tantos outros adjetivos depreciativos, tentamos, num imaginário passe de mágica, mascará-la, como se fosse possível deter a marcha do tempo e impedir, como artista da deformidade, a sua inexorável ação destruidora. Um pouco dessa ilusão acontece, para a alegria do nosso ego, quando alguém, informado da nossa idade, admira-se, achando-nos dez anos mais jovem. Inflados de contentamento, imaginamos ter feito um pacto amigável com o tempo. Como gostaríamos de fugir da tenebrosa realidade, subvertendo a ordem natural das coisas!

     Infelizmente, o que não se pode remediar, como diz o ditado, remediado está. No rastro dessa verdade, preferíamos trilhar o caminho do riso, fazer chiste da velhice a querer enaltecê-la com a descabida e mentirosa definição de a melhor idade. Melhor em quê? Experiência e sabedoria? Ora, cada coisa há seu tempo. Se um jovem já dispusesse dessas duas virtudes, não seria um jovem, mas um velho prematuro, não teria vivido a vida com a vitalidade das emoções, permeadas de desenganos, pela imprevidência e toda sorte de aventuras, venturosas ou não.

     Não resta dúvida que a vivacidade, as atribulações, a vontade de empreender, conhecer e viver os prazeres da vida superam de longe a virtude da sabedoria senil, exaltada por velhos saudosistas e invejosos. O Fausto de Goethe, possuidor de insaciável desejo pelo saber, com a chegada da velhice vê diluir-se, que se perde na apatia, passando a sonhar com a volta da juventude, prometendo não mais cometer os mesmos erros do passado. Sem as peripécias e tudo que é inerente ao espírito do jovem, Fausto aspira um desejo inútil. Por lhe faltar, como diria Tolstoi, a embriaguez de viver, própria da juventude.

     Sem contar os males do corpo, a velhice evolui gradativamente para o alheamento, para o entorpecimento dos sentidos e do desejo, tudo que uma verdadeira vida rejeita. Resume-se, na verdade, num corpo sofrido e que lentamente se locomove. O escritor francês André Gide, de uma maneira exageradamente depreciativa, afirmava que o velho é um sepulcro ambulante diante do qual algumas pessoas se afastam e outras se aproximam para ler o epitáfio. Em sentido contrário, de conteúdo poético, alguém afirmou que a velhice é um outono rico de frutos maduros. Tem de um lado a serenidade das belas noites e do outro lado a tristeza sombria dos crepúsculos.

     Enfim, nascer, viver e envelhecer é um processo natural a tudo que é vivo. O que não nos convence é que, se verdadeira a crença que fomos criados por Deus segundo a sua imagem e por ele amado, nos tenha negado a morte digna permitindo que tenha um desfecho horrivelmente trágico em um corpo fantasmagórico e em ruínas, sofrida numa torrente de insuportáveis lamentos.
     

    postado em 28/07/2016 08:38

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    João Pereira
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    Um Capão Muito Especial - (Coisas da Minha Terra)

     

    Existem pessoas que são totalmente desligadas das promessas assumidas. Trata-se, provavelmente, de um temperamento indiferente ou de orfandade de caráter, que os tornam relaxados, fazendo parte dos adeptos do dito pelo não dito. Tintô fazia farte desse clube dos livres das amarras dos compromissos.

     Embora há muitos anos residisse na capital, em Aracaju, nasceu no interior, no meu povoado Serrão. Preso às lembranças da infância e juventude, visitava-o um ou duas vezes ao ano para rever parentes e amigos. Era a década de sessenta. Dentre seus amigos destacava-se o Caquica, um pobre trabalhador braçal.

     Não apenas as brincadeiras faziam parte de suas inesquecíveis recordações. As comidas caseiras, preparadas por sua mãe, mesmo sem nenhuma sofisticação, eram delícias presas à sua memória. Uma delas era galinha ao molho pardo. Se fosse um capão, ah, seria o suprassumo! Era o seu acepipe por excelência. O saudosismo dessa delícia inspirou-o a propor ao amigo Caquica um criatório de galinha no sistema de meação, no quintal de sua casa. A proposta foi aceita na condição de Tintô ser o responsável pela compra do milho. Providenciou a compra de um plantel de vinte cabeças entre frangas, galinhas, dois galos e um capão.

     Realizada a sociedade, Tintô fez um apelo para que dispensasse um zelo especial pelo capão. Em hipótese alguma deixasse que lhe faltasse o milho. Como todo começo costuma ser florido, Tintô mandava religiosamente o dinheiro da ração. Pouco depois o esquecimento fez-se uma constante presença. O que fazer para não deixar morrer de fome as galinhas? Pobre sem ter onde cair morto, como iria arranjar dinheiro? Sem qualquer luz milagrosa para socorre-lo, não viu outra alternativa senão sacrificar o plantel. Começou a vender, semanalmente, uma ou duas cabeças. Depois de um bom intervalo, Tintô lembrava-se de mandar o dinheiro. Voltava a esquecer. A criação estava se transformando numa descriação. Que culpa tinha?

     Para encurtar a história, transcorrido quase um ano, em meados de dezembro, aproximando-se o natal, Tintô apareceu. Era todo satisfação, indiferente à sua relaxidão. No dia seguinte foi até a casa do compadre. Estava ansioso para ver o criatório. Deveria, no mínimo, ter duplicado. O capão nem era bom falar. Estava sem dúvida, uma beleza pura. E de fato estava. Adentra à casa e vai direto para o quintal. Avista logo sua majestade, o belo capão. Percebe também uma velha galinha. Não percebe mais nada. Que diabo teria acontecido? Descrente com o que via, perguntou: cadê o resto das galinhas? O compadre Caquica, um tanto espirituoso, na sua maneira rude de se expressar, aponta para o capão e responde: está tudo no cú dele.

     Tintô logo entendeu a razão. Cabeça fria, esse desastre, no entanto, não impediu de usufruir as delícias do capão ao molho pardo.
     

    postado em 07/07/2016 10:10

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Original e Prostituído

     

    O Brasil é um barco avariado de tal forma que somente um milagre será capaz de fazê-lo aportar na pátria da decência e da respeitabilidade. Assim como todos nós temos a nossa individualidade, cada país realça sua personalidade pautada por suas instituições. Nos dias que antecederam e os que sucedem após afastamento provisório da presidente da República o que temos assistido é uma série de trapalhadas que vão do cômico à incredulidade. Dentro dessa comédia do absurdo vive a Câmara dos Deputados a representa-la através de seu Presidente interino que tem uma vaidade na proporção da sua estultícia. Paspalhão objeto de chacota, desqualificado para presidi-la, insiste em não soltar o osso, preferindo suportar a vileza de não poder presidir as sessões, principal função que daria visibilidade á sua enorme pavonice. Inimaginável situação tão esdruxula! Será que entre todas as nações alguma seria capaz de oferecer tamanho espetáculo do impossível?

    Seguindo um curso tortuoso, não podemos deixar de nos referir ao PT, imaculada identidade de pretenso representante da moralidade, reduzido à condição de um anjo decaído. Obrigado a desnudar-se, exposta sua hipocrisia, não tem outra alternativa senão se identificar e cair na gandaia partidária. Um enfermo que abriga em seus quadros raríssimos anjos e um exército de demônios, razão porque pode reclamar de peito aberto, à luz da Constituição Federal, que todos são iguais em seus direitos de participar das patifarias que patrioticamente subtraem o dinheiro público. Reflexo dessa dura realidade nos revela diariamente o noticiário, dando conta, num crescendo sem fim, de novos adeptos da esperteza. Sequenciando essa trilha, tivemos dois ministros do atual governo interino que bem não tiveram tempo de esquentar a cadeira, foram obrigados a pedir exoneração do cargo. É tão escassa a moralidade dos nossos congressistas e políticos em geral que nos faz lembrar a parábola da prostituta, fazendo-se a pergunta em sentido inverso: aquele que tiver alguma honestidade, levante o braço. Haveria uma debandada geral.

    Essa irrefutável realidade nos dá uma nítida sensação de que empresários e políticos do mais alto escalão, providos de um instinto de ganância sem limites estavam transformando o Brasil num espólio de exclusivo usufruto. Continuando nossa caminhada pelo pântano, vamos imaginar a hipótese fosse possível prender todos os deputados e senadores comprometidos segundo menção nas delações premiada, acordos de leniência e escutas telefônicas. Quantos ficariam soltos? Sem dúvida, uns gatos pingados, obrigando o congresso nacional a fechar as portas por falta de quórum.

    E agora, o que devemos fazer? Só nos resta partir para uma providência estrambolicamente original. Já que não podemos produzir homens talhados para trabalhos específicos como imagina Aldous Huxley em seu Admirável Mundo Novo, nosso ministro das relações exteriores encarregará as embaixadas nos países do primeiro mundo a nos suprirem de homens e mulheres honestos, profissionalmente qualificados, com salários de alto executivo. Talvez até tenhamos necessidade de convidar para participarem das eleições e disputar cargos de vereador a presidente da república.

    Somente assim podemos vislumbrar um admirável Brasil sem partir para o mundo da ficção. Em vez da produção acima, teríamos, com a referida importação, uma espécie de enxertia que aos poucos iria melhorando o nosso caráter, ficando no distante passado sua índole prostituída.

    postado em 22/06/2016 15:11

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    A Cegueira da Paixão Partidária

     


    É bem provável que estejam certos os que acreditam que nada de grande se realizou no mundo sem a paixão. Mas devemos entender a paixão e a ambição como um impulso racional para atingir o objetivo visado, isto é, uma motivação dominadora e não uma paixão dominada pelo irracional fanatismo que observamos, em especial, nos que ainda acreditam, retardatariamente, em tupiniquins e mofadas convicções políticas.

    O atual processo de cassação da Presidente da República, por parte dos que defendem o seu mandato, é uma clara demonstração de insensatez provocada pela cegueira da paixão política que coloca o interesse particular do PT em detrimento do Brasil. Infelizmente, temos de suportá-los, pois, embora civilizadamente seja um imperativo categórico que devemos ter o espírito de tolerância e o respeito às divergências de pensamento, custa-nos suportá-las quando a realidade dos fatos, de escancarada evidência, deixa de ser vista pela parcialidade partidária. A impressão que nos dão é que estão a sofrer de uma paralisia dos sentidos ou completa incapacidade de raciocinar. O que responderão se lhes perguntássemos como vêem a situação política e socioeconômica do país? Será que responderiam, apesar do caos, como o Dr. Pangloss, personagem de Voltaire, como a melhor dos mundos possíveis? Por outro lado, o que aconteceria com o Brasil caso ela permanecesse no poder? Teria condições políticas para reverter para melhor? As votações da Câmara dos Deputados e do Senado provam que seria impossível sairmos do atoleiro. Por que, apesar de toda essa clara demonstração de uma Presidente que agonizava, teria de sucumbir com o Brasil? Terríveis petistas que parecem autômatos, animais amestrados ou submetidos à experiência do reflexo condicionado, resumindo-se a esqueletos em forma humana que desconhecem, pela insuficiência de atividade cerebral, as primícias da grandeza do homem. Em tempo, ressalvamos as exceções.

    Como uma criança que esperneia por ter perdido o doce, continua a bravejar disposição de luta para voltar ao Palácio do Planai». Mais uma cega, a cega mor, guiada pela paixão como instinto, não passando, portanto, de um desejo inútil. Só um acontecimento poderia acenar a seu favor, se beneficiada pelo quanto pior melhor viesse a acontecer com o Presidente em exercício, fato que julgamos com remota possibilidade.

    O Brasil, de uma personalidade ímpar causou perplexidade ao mundo com o confuso impeachment, tendo chegado ao ápice com o atual Presidente da Câmara dos Deputados e sua estúpida iniciativa, própria de um néscio do baixo clero que, não bastasse a sua insignificante atuação parlamentar, não tem o senso do ridículo que o obrigaria a embrenhar-se para não ouvir sequer falar em política. Não pense a Presidente que o referido impedimento vai terminar num inusitado carnaval de passos e samba-enredo desafinados para coroar sem torno.

    Embora o impossível possa acontecer, o seu empenho pela recuperação do poder, por mais forte que seja, não acontecerá, pois, quem deixou à deriva o transatlântico Brasil foi porque não teve e não terá o imprescindível tirocínio para conduzi-lo a um porto seguro.
     

    postado em 08/06/2016 16:27

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    O Homem Sábio; O Homem Esperto

     

      Não é de hoje que o homem – na busca por vantagens materiais, políticas, profissionais, sociais, familiares – decidiu adotar costumes, hábitos, procedimentos e atitudes para alcançar seus objetivos nem sempre empregando métodos aconselháveis. A História mesmo nos dá conta de um bom número de personagens que atropelaram os chamados “bons costumes” para atingir seus propósitos. É sabido também que existem inúmeras maneiras de tais propósitos serem alcançados. Inicialmente, o que difere o homem esperto do homem sábio é a paciência. A paciência é da essência da sabedoria, enquanto a esperteza tem na pressa, na agitação, na precipitação, na imoderação o “modus operandi” mais apropriado. O termo sábio vem do grego “sofós”, daí gerando “sofia” que significa sabedoria. Tem como características principais a habilidade para agir de maneira acertada.

    O vocábulo tem a ver com a inteligência de certas pessoas no sentido de exercitar, mais do que outras, o dom de se proverem de conhecimento de forma mais rápida, mais eficiente, mais racional. O sábio é aquele que tem paciência para aprender a respeito das coisas e inteligência para executá-las corretamente, sempre respeitando a moral, a ética, os costumes. Outra característica do termo é sempre se inclinar para o bem, além de dotar de humildade, respeito para com o pensamento dos outros, gentileza no trato com o próximo e espírito público as pessoas dispostas a se lastrearem nessa concepção. Ao sábio também está reservada a capacidade de enxergar longe, fugindo das implicações do dia-a-dia, não permitindo que dificuldades ocasionais lhe turvem a visão ampla do futuro – isso sem lhe tirar a qualidade de reconhecer seus próprios erros e buscar as soluções com rigor e desassombro.

    Já o esperto... Bom, o esperto sempre cai na graça da torcida. Principalmente no Brasil onde os princípios são atropelados e se mesclam de tal forma que ninguém consegue mais enxergá-lo na inteireza de suas (negativas) qualidades. Por aqui até os sábios já concluíram que não tem muita vantagem em ser sábio. O negócio é ser esperto, agir com competência para lograr êxito, mesmo que através de práticas que abusem de atos desonestos, imorais. É bem verdade que em certas ocasiões os sábios podem até ficar (não são) espertos, se valendo da esperteza para, digamos assim, encurtar caminho na busca do que procuram. Porém, dificilmente o contrário acontece. Dificilmente, podemos afirmar que alguns espertos se utilizam da sabedoria para alcançar seus objetivos. Por quê? Pela própria essência, pelas próprias características, pelos propósitos que movem o esperto em todas as direções.

    Embora agindo com competência no contexto da esperteza, o esperto sempre se utiliza do logro, da sutileza, da perspicácia, da astúcia, da manha para iludir, para enganar – e, assim, alcançar seus intentos. Por sinal, essa prática tem levado muita gente a convencionar que o esperto é inteligente. Ledo engano. Erra o alvo quem confunde esperteza com inteligência, embora vários estudiosos tratem os dois termos como sinônimos. Porém, na prática, analisando-se os frutos das ações do esperto e das ações do inteligente, vê-se que é grande a distância que os separa. A inteligência – tida como a capacidade mental de raciocinar, de planejar e resolver problemas, de abstrair idéias – tem em seu âmago muito mais afinidade com a sabedoria. Sábios, espertos, Brasil... Sarney, Maluf, Renan e tantos mais... Teremos sábios no Brasil? Ou o Brasil é um país de espertos? Deus meu, acuda o Brasil!!!   

    postado em 01/06/2016 09:47

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    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    A Videira e os Ramos

     

    Algo tenebroso está a nos rondar como um inimigo invisível que apenas vemos o resultado de suas ações, sem, no entanto, enxergá-lo. Esse inimigo espalha sua força maligna no ar que se propaga como as ondas do mar e atinge toda a humanidade. Temos sentido que a cada dia ficamos mais frágeis, inseguros, sem rumo. Sentimo-nos sem estabilidade física e emocional como se a gravidade também tenha perdido a sua força de atração para nos manter firmes, com os pés na terra. O que se passa com o ser humano? Por que vem perdendo, a cada dia, o seu valor dentro da escala da criação? Não apenas o valor humano, mas, o mais valioso: o valor moral? Por que alguns optam mais pelo mal do que para o bem? Por que torturam, mutilam e matam seus semelhantes?

    É visível que a família tradicional que sempre foi dependente das regras sociais e religiosas, tem cedido, na trajetória do tempo, lugar aos diversos arranjos familiares, onde os poderes maternos e paternos são sempre afrontados em nome de uma liberdade, hoje imposta pela lei, cujo exercício equivocado, tornou-se libertinagem. A mulher, outrora vista como um ponto de equilíbrio dentro do lar, que tinha como incumbência cuidar dos filhos, da casa, da procriação e do marido, mesmo sendo a este submissa, ao conquistar, perante a lei, sua liberdade, buscou afirmar-se como pessoa livre, no mercado de trabalho, conquistando valores assegurados pela lei humana. Essa liberdade tão sonhada e conquistada trouxe também, para grande parte das mulheres, a infelicidade, devido terem optado por caminhos espinhosos que as levaram ao crime e à morte.

    O Ministério da Justiça divulgou, recentemente, através do Departamento Penitenciário Nacional, que houve uma evolução muito significativa da população carcerária feminina em todo o país. Em Alagoas, o aumento de 2007 a 2014 foi de 444% ou seja, de 62 reeducandas, em 2007, para 284, em 2014. 70% desse total, por tráfico de drogas. Outras perderam suas vidas como revela a Central de Atendimento à Mulher, da Secretaria de Política para Mulheres da Presidência da República: Entre 2009 e 2011, foram registrados 16 mil e novecentos feminicídios ( morte de mulheres). Que liberdade foi essa?

    Uns dizem que quando a mulher deixou o lar para se firmar, como pessoa, no mercado de trabalho, a família se desestruturou, abrindo assim, um vácuo por onde entraram a desobediência e a falta de limites, ferindo de morte as autoridades paterna e materna, acirrando por consequência, a disputa pelo poder entre o homem e a mulher no âmbito familiar, concorrendo para que um número sempre crescente de crianças, jovens e adolescentes, fossem cooptados pelo mundo das drogas de onde poucos retornam, tornando-se delinquentes em potencial agravando a violência a que todos estamos reféns.

    Outros afirmam que as religiões perderam suas forças de conquista tendo muita dificuldade para levar as pessoas a um caminho correto, longe das garras do mal e se esforçam, até mesmo com a contratação de marqueteiros, para evitar a saída dos que ainda permanecem firmes. Por que pessoas “religiosas” abusam sexualmente de crianças, quando deveriam protegê-las, levando até mesmo, o líder religioso de uma das maiores religiões do mundo cristão, constrangido, a pedir perdão pelas crianças vítimas desses abusos, cujas vidas, ficarão marcadas para sempre? Por que certos empresários, autoridades, pais, parentes, vizinhos e amigos também enveredam por esse caminho promovendo sofrimento e dor arrancando de dentro desses inocentes a dignidade ainda em formação?

    Para todos esses males e outros, como a discriminação pela cor, posição social, etnia, se busca uma explicação mais plausível, entretanto elas surgem sem nenhum conteúdo científico, apenas frutos de manifestações individuais de pessoas leigas ou especialistas nesses assuntos. Na verdade a índole de grande parte da humanidade tem se revelado má. Os direitos humanos são frequentemente violados, ora por abuso de autoridade, outras vezes por demonstração de poder e ainda pela discriminação contra índio, negro, moradores de rua... Não fosse, mesmo de forma ineficiente, a aplicação das normas constitucionais e infraconstitucionais, estaríamos vivendo um tempo de verdadeira barbárie.

    Em um país democrático prevalece a vontade da lei, dai dizer-se “estado democrático de direito”, onde todos estão sob a égide da lei. Quando dizemos todos, estão incluídos os integrantes dos poderes e as autoridades das diversas esferas: federal, estadual e municipal. Perante a lei, somos todos iguais sem distinção de qualquer natureza. Afrontas e desrespeito a esse “estado de direito” tornou-se comum, o que é um perigo para a democracia. Também nos vem à pergunta: Por que isso acontece? Será que é pela gritante crise moral? Perguntas e mais perguntas sem as devidas respostas convincentes.

    Estamos sem rumo, sem saber realmente o caminho a seguir. Não temos referências para nos espelharmos. Estamos sem líderes. Muitos daqueles que escolhemos para nos representar, para gerir a riqueza pública, se voltaram contra nós, e, em vez de preservar o patrimônio que a eles confiamos, o dilapidam e se enriquecem formando entre si, um bloco fechado, amparado por prerrogativas que criaram. Não temos força para romper esse bloco feito de imoralidade e poder. Um poder do mal, que o bem não tem sabido como combatê-lo. Vez por outra, surge, no meio de tantos, alguém que nos faz acreditar que é possível mudar e assim continuamos a viver alimentados pela esperança.

    Diante desse cenário sombrio alguns concluem que, além de tantas outras, a falta de Deus pode ser uma das causas que justificam este estado de coisas. Fui buscar uma possível explicação para essa última assertiva, vez que também comungo, em parte, com ela. Como se trata de algo transcendental, em nenhum outro livro ou pesquisa encontraria as respostas a não ser no Livro Sagrado: A Bíblia. Vários relatos ali expostos nos levam à compreensão que Jesus viveu em um ambiente semelhante: de tramas, mentiras, favores e bastante hostil, onde o poder romano imperava com força e o imperador era reconhecido como deus, senhor da vida e da morte. A miséria, a insegurança, a falta de liberdade e os altos impostos, massacravam os mais pobres. Nesse cenário Jesus se apresenta com a pregação de uma boa nova, uma nova visão de vida, onde a prática do amor ao próximo seria o início de um novo tempo. Multidões O seguiam, não querendo aprender os seus ensinamentos, mas interessados em seus próprios interesses, dentre eles os milagres. Outros O acompanhavam como olheiros, a fim de levar às autoridades, as informações que pudessem comprometê-Lo. Hoje essa prática é chamada de dossiê.

    Como um verdadeiro líder Jesus na sua trajetória terrena, se preocupava com o povo sofrido, principalmente com aqueles que estavam mais próximos: seus discípulos, pois sabia que em breve os deixaria, vez que se aproximava o dia fatídico de Sua morte. Jesus buscava a melhor forma de preveni-los para os futuros acontecimentos. Eram pessoas simples sem nenhum prestígio diante das autoridades, políticas e religiosas e, por certo, por serem seus seguidores, seriam afrontados, perseguidos e até mortos. Então em uma conversa franca disse-lhes que em breve teria que partir e que eles, os discípulos, saberiam o caminho para reencontrá-lo. Ficaram surpresos. Tomé, indagou: como saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: “Eu sou o caminho a verdade e a vida ninguém vem ao Pai senão por mim”. E começou a preparar-lhes os espíritos contando-lhes a seguinte parábola:

    “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto, limpa para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado: permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, sem permanecer na videira, assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.”

    Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanecer em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer... “

    A orientação dada foi que os discípulos, e hoje, todos nós, permanecessem unidos à videira para que pudessem produzir bons frutos (amor, fraternidade, respeito, compaixão...), mesmo àqueles que se acham limpos, sem pecado. A regra é clara: Sem Jesus não é possível ser feliz.

    Será que esses desmandos, essa falta de amor, de fraternidade, de bom senso, de respeito, de moral, de vergonha, acontecem por estarmos desligados da videira verdadeira? Por estarmos a cada dia, nos distanciando da seiva divina, de que tanto necessitamos? De estarmos nos desviando do olhar de Deus, dando-Lhe às costas e seguindo caminhos traçados por nós mesmos? Ele enfatiza que nós, os ramos, não podemos produzir frutos se não estivermos ligados à videira: Jesus, nem mesmo os que se consideram limpos, puros. Para produzirmos os frutos verdadeiros temos que permanecermos ligados ao tronco principal.

    Nessa nossa busca de respostas, devemos refletir sobre as palavras de Jesus e nos colocarmos como galhos. Se os frutos produzidos forem bons, estamos ligados a Ele e, por consequência, viveremos felizes. Se os frutos são ruins: roubos, estupros, assédios, moral e sexual, riqueza indevida, desobediência, ganância, bajulação, desvio de recursos destinados aos mais carentes... Então somos apenas galhos secos, que não servem para nada a não ser para serem lançados ao fogo.
     

    postado em 18/05/2016 10:14

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    O prego, o martelo e a dor

     

    De repente, surge a necessidade de algum objeto ser fixado na parede. Começa, então, a busca pelo prego e, em conseqüência, pelo martelo. Encontrados todos os elementos para suprir a necessidade da fixação, inicia-se a grande operação: bater na cabeça do prego para que o tal objeto seja fixado. Aí tem início um grande problema. Estará o pregador do prego devidamente capacitado a executar este trabalho? Não seria melhor convocar alguém do ramo ou, no mínimo, instruir-se melhor para bater no prego, com o martelo, para atingir o objetivo desejado? Dilema, grande dilema! Em razão do tempo, da necessidade urgente da fixação do objeto, da inexistência de alguém mais capacitado para executar o ofício, decide-se, então, pela grande empreitada. O prego é instalado no lugar correto, o martelo é devidamente levantado para desfecho do golpe – que se pretende certeiro. E, e, e, e...

    É chegado o momento do encontro fatal entre a falta de capacitação para execução do trabalho e o corajoso gesto de se fazer o que não se sabe fazer. O golpe tão milimetricamente planejado erra o alvo e acerta com toda força o dedo do episódico e infeliz pregador de prego. A dor é lancinante. Na seqüência, a carne, machucada pela falta de destreza, abre-se pela força do golpe. O sangue, com seu odor e cor característicos, aparece triunfante, reclamando sua parte no negócio. Liberto dos limites que lhe são impostos pela pele e pelos tecidos goteja abundantemente para atestar que chegou ao cenário como conseqüência de um gesto mal executado. Sangue é vida. E, no episódio, um pouco da vida do nosso personagem se esvai sem apelação. Mas, interessante, daí não passa. Uma martelada no dedo não causa morte, embora machuque e até ocasione lágrimas, incômodos – e muita dor.

    Essa experiência, guardadas as devidas particularidades, é semelhante ao atual momento vivido pelo Brasil. O Brasil pretende fixar na sua parede social, econômica, jurídica, política, eleitoral, a democracia, a ética, a moralidade, o respeito entre os poderes constituídos, o combate à corrução, uma melhor distribuição de renda, mas errou o alvo e acertou o dedo. A pancada não deu para matar, mas originou uma dor de profundas conseqüências e a perda de algum sangue – parte do patrimônio físico e moral que deveria preservar. Entre tantas marteladas brasileiras que erraram o alvo, e acertaram o dedo, destaque todo especial para a entronização, entre outros, de Renan Calheiros como liderança política. A dor, a vergonha, a impotência - lágrimas morais derramadas de difícil cicratização, mesmo que não tenham o condão de levar o país para a UTI dos propensos à morte.

    Os sucessivos escândalos ocorridos no Congresso, a debilidade da matriz energética, o analfabetismo, a crônica situação de penúria que aflige a educação, a saúde e a segurança, são marteladas que machucam, que agridem a alma nacional, e impingem aos mais carentes e necessitados a condição da carne dilacerada pela conseqüência das políticas públicas mal conduzidas e mal executadas. Já está na hora do martelo brasileiro passar a ser manejado com competência e seriedade. Para que os pregos nacionais sejam fixados nos lugares corretos, trazendo, com isso, a solução de nossos problemas e não a eternização de carnes dilaceradas e sangue jorrado impunemente. Enquanto isso, a continuidade de Renan na presidência do Senado é como se à carne machucada fosse adicionado a cada dia um elemento nocivo para impedir-lhe a cicratização. Quem vai bater o martelo? Certeiramente, é claro...
             

    postado em 11/05/2016 12:00

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Constituição, Liberdade, Democracia e blá, blá, blá.

     

    Vamos configura-las como se fossem três cabeças no corpo de uma mãe abnegada, terna e exasperada da qual estão a se servir filhos legítimos e bastardos de consciência como defesa do indefensável e hipócrita exibição de políticos liberais. Como virtuosas vestais e dado ao vulto de suas belezas e importância, chegando a causar agradável eufonia ao pronunciá-las, estão na linha de frente do combate entre acusadores e defensores do impeachment da Presidente da República. Não obstante o enorme coração materno, sente-se agastada e deverás condoída pelo massacre que vêm sofrendo suas cabeças. Somos todos testemunhas da procedência de seus lamentos. Quem está acompanhando o referido processo de impedimento deve estar sofrendo a mesma monótona chatice dessa mãe que estende indiscriminadamente para todos os seus braços. A correta aplicação das mesmas, segundo convicção de uma parte, contestada pelo lado oposto, são repetidas a exaustão, chegando a causar desagradável náusea e terrível incômodo aos ouvidos. Muito bem a propósito, quem ouviu o último pronunciamento da Presidente, um dia após aprovação do relatório que autorizou o prosseguimento do processo de impedimento, sentiu-se irritado com tantos e enfadonhos repetecos de injustiçada e ferrenha defensora da democracia.

     No mesmo estribilho seguem seus acólitos, esquerdistas na sua minoria, e que têm o péssimo defeito de enxergar em linha reta e se julgarem legítimos representantes da probidade. Não procedemos assim. Reconhecemos que nos primeiros anos do mandato da presidente houve uma preocupação com o equilíbrio no setor financeiro, dentro das metas traçadas. O que não lhe faltou e não lhe falta, estamos certos, é ou era o desejo, a satisfação e enorme orgulho de deixar gravada na memória da história, o exemplo de uma brilhante administração. Não existe também, até o Presente, ilícito penal que justificaria, pelo Supremo Tribunal Federal, o seu julgamento. Mas existe, por outro lado, o crime de responsabilidade para, constitucionalmente, embasar o processo de impeachment? As pedaladas fiscais podem ser causa suficiente para a procedência da sua cassação? Se presidentes anteriores fizeram o mesmo, por que somente agora passam a ser consideradas crime de responsabilidade? Queremos acreditar que há três diferenças entre o passado e o presente. As anteriores não causaram danos de qualquer natureza. As da Presidente, pelo volume dos recursos envolvidos, suas consequências e o dolo intencional para mascarar o desequilíbrio financeiro, constituem, sim, razão suficiente para processa-la. Escravizada pelo poder e a ideia fixa de preserva-lo a qualquer custo, abrindo generosamente a torneiras dos gastos públicos, esse gesto de interesse pessoal veio a desestabilizar o país, estancando a economia e gerando inflação, desemprego e inúmeras carências sociais.

     É bem verdade que por mais completa possa parecer uma lei ou um código em seu extenso articulado, dificilmente poderão abranger toda a essência da sua finalidade. Haverá sempre um fato ou circunstância de origem imprevisível, estranha e até mesmo exótica, que fogem às previsões do legislador. A nossa Constituição Federal , por exemplo, que incorpora em seu texto assuntos que poderiam ser regulamentados em leis ordinárias, foi extremamente concisa no que diz respeito à cassação do mandato presidencial. O que não nos falta é a estúpida mania pelo excesso das formalidades processuais.

    Em resumo, somos vítimas a sofrer as consequências de uma inversão de valores onde a vaidade do poder, em detrimento do interesse do país, terminou por nocauteá-lo, paralisando seu crescimento e causando, como inevitável, a frustração e a indignação geral de uma nação. Frente a essa realidade como pode a Presidente, com tamanha carga de responsabilidade sobre os seus ombros, tenha coragem de alegar inocência e ausência de crime de responsabilidade?

    De tudo isso, o que por antecipação podemos depreender de todo o quiproquó do processo de impeachment, das repetidas confissões da Presidente de defensora da liberdade, da democracia e respeitadora das normas constitucionais, assim como suas lamentações de vítima injustiçada pela inobservância das três virtuosas vestais acima, elas não poderão impedir a perda do seu mandato.
     

    postado em 27/04/2016 08:42

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Intelectuais de esquerda: como entendê-los?

     

    Ilustração

    No plano da compreensão do homem deparo-me com dois mistérios , a fé em Deus dentro das limitações religiosas e a existência , nos dias de hoje, dos chamados esquerdistas, adversários da burguesia e do capitalismo, adeptos do mumificado socialismo e do volatilizado comunismo. Não consigo, de fato, compreender esses saudosistas de uma filosofia comprovadamente inviável, pelo menos nos moldes da ideologia revolucionária marxista. Embora não seja o criador do socialismo, Marx pretendeu explica-lo cientificamente em estágios que culminariam com as generosas dádivas e benesses celestiais do comunismo.

     Dificilmente, na juventude, quando se torna conhecimento da filosofia socialista, não se torna se admirador. Não fui exceção. O curioso é que minha crença não foi além dos quatro meses. Isso ocorreu na década de sessenta, período militar que pôs fim ao besteirol socialista totalitário. Apesar dessa realidade, falavam mentirosamente em nome da liberdade e democracia. Onde já se viu marxista liberal, quando se pregava a ditadura do proletariado? A ditadura, na verdade, era das lideranças do partido. O povo não manda, nunca mandou e nem tampouco mandará coisa alguma. Após a leitura de algumas obras a respeito, não me acomodei, aceitando como irrefutáveis as pretensões socialistas. Meu ponto de partida foi a observação do comportamento humano, suas aspirações e estímulos indispensáveis para atingi-las que nada mais é do que a livre competição na iniciativa privada. O socialismo é um obstáculo a mais alta realização do homem. Passei a vê-lo como uma fantasia apropriada aos que gostam de acreditar em utopias.

     Sonhador por excelência, acenava com uma sociedade mais igualitária e acreditava que os meios de produção, num continuo crescendo, dando a cada um segundo sua necessidade, culminaria com a autossuficiência, quando cada qual faria jus segundo à sua necessidade. Como chegaria a esse milagre? Pela desapropriação dos meios de produção? Esse é o mais grave erro do socialismo, somado a ausência do estimulo à competição. A propósito, mais avançado do que os fundadores do pretenso socialismo cientifico, foi Aristóteles , há mais de dois mil anos atrás, quando disse que há duas coisas que inspiram no homem, o interesse e o amor: a propriedade e a afabilidade.

     Naturalmente que o capitalismo, selvagem no nascedouro, especialmente na Inglaterra, primeiro pais a industrializar-se, ajudou a deflagrar o movimento socialista. Acontece que o capitalismo, dinâmico em suas transformações, veio gradativamente a humanizar-se. Essa pressão socialista sobre o capitalismo é, no meu ver, a sua única contribuição social.

     O sofrimento humano foi sempre o motivo de inspiração das utopias como válvula de escape. Marx e seus seguidores, materialistas e ateus, paradoxalmente pretendiam, igualmente com os espiritualistas, criar o paraíso. A diferença era que os primeiros o teriam quando atingissem, aqui na terra, o comunismo e os segundos o encontrariam no céu. Como os dois pecam pelo unilateralismo, sem se darem conta da inconstância, da inquietação, do tédio e outros antagonismos do espírito humano, geralmente a se locomoverem entre os extremos depois de longa permanência em um deles, só o capitalismo pode comportar os dois antípodas, isto é, o céu e o inferno, moradas errantes do nosso mundo interior.

     Na linha dessas fantasias para a fuga do insuportável, acho mais sensato ter fé em Deus, mesmo que invisível e impalpável, mas com aceitável possibilidade racional de sua existência do que teimar, irracionalmente, em acreditar numa experiência socialista sabidamente inexequível. Os nossos intelectuais de esquerda, por incompreensível mistério, persistem na cegueira, sem se dar conta de um mundo que depois de nove décadas de experiência, caiu como pedras de dominó, um país após o outro, começando com a Rússia e países da Europa Oriental.

     Estão a prestar solidariedade à presidente Dilma, esquerdista e ex-guerrilheira que tenta se agarrar, como craca no casco de navio, a um poder que há muito tempo paralisa o país. É uma solidariedade que se presta, pela aparência, em detrimento do interesse de um Brasil em crise e a necessitar, urgentemente, de uma profilaxia, eliminando a ferida que gangrena o corpo e impede o seu desenvolvimento para resgatar os graves problemas sociais. Tentar o contrário sob argumentação insustentável de desrespeito à liberdade, à democracia, e ao voto popular e que o impeachment é golpe, não passa de pura demagogia. Por que esses esquerdistas de taberna, com o pensamento petrificado pelo tempo no mundo da fantasia , não procuram criar um outro maravilhoso mundo novo para se libertarem da autolavagem cerebral?

     O que mais acrescentar? Se não estamos a navegar em um mar de rosas, mas sob efeito de quase fatal tormenta, é oportuno que pergunte: o que pretendem esses festivos esquerdistas, emergir ou submergir de vez o país, sob desatinado e desastrado comando da atual timoneira?

    Dá para entende-los?
     

    postado em 13/04/2016 17:12

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    O cargo eletivo é um contrato

     

    Não há contrato sem cláusulas que garantam o cumprimento do convencionado entre as partes. Numa eleição, no âmbito político, a escolha da maioria do eleitorado é uma das principais cláusulas, a inicial, porque dá ao eleito a legitimidade do exercício do cargo. A sua permanência até o fim do mandato é consequência de uma administração que, mesmo que não tenha preenchido os melhores requisitos, foi possível suporta-la.

     Dentro desse entendimento, vamos ater-nos ao momento presente no que diz respeito ao governo federal para indagarmos: numa visão ampla do atual quadro nacional, justifica-se a cassação do mandato da presidente Dilma? Acreditamos que sim. Comecemos com os prováveis ilícitos eleitorais investigados no Superior Tribunal Eleitoral e as pedaladas fiscais, crimes de responsabilidade apontados pelo Tribunal de Contas da União. Não bastasse a suficiência desse delito, previsto na constituição Federal para destitui-la do poder, vivemos o pessimismo que não permite que vislumbremos um porto seguro para festejar o renascimento da esperança, sufocada e quase morta pela retração, inflação e desemprego, como os mais premente entre outras carências sociais. Isso tudo, em grande parte, como consequência de um pleito contagiado pelo doentio desejo de ter, a qualquer preço, a reeleição. As torneiras dos gastos públicos foram generosamente abertas, refletindo-se agora na crise financeira e no crescente endividamento.

     Devemos perguntar, depois de uma violenta erupção a jorrar lama por todos os lados, se a presidente Dilma, juntamente com Lula, o todo poderoso cavaleiro da salvação nacional e boa parte dos partidários do PT, epicentro da explosão, não está também salpicada pela lama da corrupção? Não acreditamos que a sua inocência esteja a planar sobre os escombros da imoralidade.

     Em síntese, frente a tamanho caos que tem a presidente como responsável, é mais do que oportuno o momento para rescindir o contrato do seu mandato. Podemos aceitar um administrador incompetente ou, não o sendo, não foi possível, por adversa conjuntura interna ou externa, ter um bom desempenho. Inadmissível quando o personalismo, a vaidade e o doentio apego pelo poder, sobrepondo-se ao interesse coletivo, envereda, irresponsável e conscientemente, por caminhos que sabidamente resultarão em desastre. A presidente, comentava-se publicamente, afirmava que seria vitoriosa a qualquer custo, não importavam as consequências.

     É um traço que parece congênito em muitos esquerdistas ou socialistas que, pregando com frequência a liberdade e a democracia, não passam de meras palavras de efeitos, sem nenhuma sinceridade. No fundo, são totalitários e desejam o poder sem limite no tempo. Basta que se veja a história passada e presente. Não bastasse o totalitarismo, carregam dentro de si a pose e o desejo, descarregando seus recalques de pobreza, de usufruir as delícias da monarquia, o que fazem com todo o descaramento. Assim, monarquistas absolutos, julgam-se intocáveis e inamovíveis, mesmo quando encurralados por fatos que comprovam suas maracutaias. O processo de impeachment, por exemplo, é classificado como um golpe porque desrespeita o resultado das urnas que elegeram a presidente. Será que ela tem, hoje, o apoio da totalidade dos mesmos eleitores? Qual é, no momento, o percentual de aprovação do seu governo? Baixíssimo. Seu governo era um fruto sadio que se deixou infestar por pragas que naturalmente lhe causará a queda para extinguir-se na podridão.

    Face a atmosfera tensa, poluída e negra que encobre o nosso país, emperrando-o em todas as direções, não existe outra alternativa, ausente clausula pétrea no contrato para rescindi-lo e sob pena de pecar por omissão o Congresso Nacional, senão denuncia-lo, pondo-o nas ruínas da história pela vida legal do impedimento.
     

    postado em 30/03/2016 10:15

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Lula: Do Deslumbramento Para O Inferno

     

    Ilustração

     O poder sem a necessária prudência para contê-lo dentro de limites para não ser dominado pela vaidade e a cobiça termina, necessariamente, por corromper-se e engendrar dentro de si mesmo o germe da autodestruição. É preciso que seja forte e resistir ao canto da sereia e aos acenos de tentadoras vantagens. Infelizmente, não é apenas sob o aspecto da vida frente à morte que o homem, como dizia o filósofo Pascal, é um caniço pensante. É generalizada a sua fragilidade, quer na faculdade de enxergar à distância à luz de uma análise racional, quer no que tange à sua fraqueza para incidir no ilícito. Embora saibamos que não existe o crime perfeito, muitos, inebriados pelo poder que lhes dá a sensação e a certeza da intocabilidade, acreditam poder pratica-lo sem deixar sequer uma pontinha do rabo de fora, como imagina o diabo.

     Tendo desfrutado grande popularidade que o embriagou de vaidade e poder, achou que planava nas nuvens como um anjo sem pecado, acima do homem comum, estava blindado contra prováveis suspeitas que pusessem em duvida sua reputação. Estava tão seguro dessa convicção que publicamente confessa tê-la e duvida que alguém tenha o topete de desafia-lo.

     Idolatrando sua pseudo-honorabilidade, julga-se, no fundo, acima da lei e sente desmoronar o seu orgulho só em pensar que possa ser processado como um simples mortal. Esse sentimento foi exteriorizado quando a polícia federal foi busca-lo em seu apartamento para depor. Quis resistir, não fazendo pela intervenção de seu advogado que o aconselhou a ir pacificamente prestar o depoimento. Achando ter sido humilhado, valeu-se de uma bravata para mostrar quem era, dizendo-se candidato a presidente da república. Será que, depois das manifestações do último domingo, terá coragem de sustentar sua ilusória candidatura? Quanto mais alto o voo, maior a queda. Será que não se dá conta de se achar impossibilitado de receber a remissão de seus trambiques? Que já se encontra a caminho do esquecimento, desastre mortal para o ofuscamento e total liquidação de suas pretensões políticas?

     Voltando ao passado, vemos a figura quixotesca de um Lula sindicalista socialista radical como mensageiro das boas novas para resgatar o Brasil da corrupção. E o que vemos agora? Um Deus ou Semideus decaído frente às tentações do capitalismo. Não era isso que dele e do PT esperava uma considerável parcela dos brasileiros. Nós, pessoalmente, nunca acreditamos. A razão, bem evidente, é que são brasileiríssimos, e não extraterrestre, que trazem latente em seu DNA os vícios da nossa política. Era só uma questão de oportunidade. Bem camuflados, quando surgiu a presa caíram como feras esfaimadas sobre a mesma.

     Os fatos diariamente abordados pela imprensa, uma verdadeira sopa de petiscos extraídos de um mar toldado pela improbidade, desnecessário cita-los por serem sobejamente conhecidos, não deixam dúvida da sujeira capitaneada pelo PT, pretenso apanágio da honestidade, e participação de outras siglas partidárias. Não bastasse a evidência de tudo isso, há quem o julgue de conduta ilibada. São os xiitas, cegos pela escuridão do fanatismo.

     Sem outras considerações, vamos encerrar com uma pergunta. Como se sentiu o são Lula, antes aplaudido e hoje apedrejado, vestido de presidiário e apupado de ladrão? Certamente como uma blasfêmia. Mas como não se trata de blasfêmia e sim de justa indignação, nada resta ao brasileiro senão conduzi-lo do céu onde usufruía seus pecados, para a sua purificação no inferno.

     

    postado em 16/03/2016 17:21

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