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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 19/08/2020 08:55

O adiamento das reformas do governo

Divulgação
O adiamento das reformas do governo
A administrativa, que poderia diminuir bastante as despesas de pessoal do governo federal está praticamente esquecida


O resultado fiscal do governo vem desde 2014 apresentando déficit primários sucessivos, o último superávit foi de R$ 91,3 bilhões ocorrido em 2013, na realidade desde 2014 o governo vem realizando despesas acima da sua receita anual, no caso do governo tem que ser coberto com a entrada de recursos em igual valor. Para captar tais recursos o governo recorre a empréstimo junto a instituições e pessoas físicas emitindo títulos do Tesouro Nacional, com vencimentos preferencialmente de longo prazo e a juros atrativos para atrair investidores.

A dívida pública da União fechou 2019 em R$ 4,249 trilhões o que representou 75,8% do PIB nacional, com previsão de 91% para 2020. Esse aumento é em decorrência da pandemia do Covit19, que além de afetar a arrecadação prevista, impôs maiores gastos governamentais com auxílios emergenciais às pessoas que ficaram sem renda para suas subsistências e às empresas com empréstimos a juros favorecidos e vencimentos a longo prazo, providências certas e necessárias para o atual momento nacional.

A diminuição da dívida da união pode ser conseguida através de três instrumentos: 1) aumento da carga tributária; 2) crescimento da a economia e respectivo aumento da arrecadação dos impostos e 3) diminuição das despesas públicas através de uma reforma administrativa consistente.

O que estamos presenciando é que o governo que tinha a intenção de realizar três reformas estruturais para alavancar o desenvolvimento nacional, a da previdência, a tributária e a administrativa. Até o momento apenas conseguiu aprovar a da previdência graças a participação efetiva do Congresso Nacional, que reduzirá razoavelmente, no período de aproximadamente dez anos as despesas que o governo tem para arcar com as aposentadorias do setor privado e público, essa bem mais impactante que aquela.

A reforma tributária por sua vez está em ritmo lento com muita discussão e sem previsão para o governo apresentar um projeto completo. Realizando apenas mudanças pontuais que vem provocando críticas do Legislativo e de especialistas, pois o governo vem lançando balões de ensaio que pretende realizá-la em pequenas fatias.

Uma fatia é a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que de acordo com o governo apenas substituirá o Pis/Cofins, sem provocar aumento da carga tributária. Porém especialistas dizem que essa substituição impactará negativamente nas empresas prestadoras de serviços e nos profissionais autônomos, com elevação de suas cargas tributárias, como também muitas empresas que utilizam o sistema de lucro presumido, obrigando-as a migrarem para o sistema de lucro real, bem mais complexo do que aquele, pois poderão, também, ter sua carga de impostos elevada. O governo alega, como sempre, que essa permuta não vai onerar esse grupo de empresas.

O outro é o imposto digital, incidindo em 0,2% sobre as transações financeiras virtuais, seja em aplicativos ou nas contas bancárias mas, de acordo com o governo, a perspectiva de arrecadação de R$ 120bi anual será utilizada na diminuição dos encargos trabalhistas que incidem sobre as folhas de pagamento, Esse imposto já está sendo tratado como uma nova cpmf, de péssima lembrança na memória de todos os brasileiros que utilizam os serviços bancários e pela dificuldade de prever quanto arrecadará, considerando a mesma incidência sobre o mesmo fato gerador, economistas renomados acreditam que o valor arrecadado superará o que será compensado na redução dos encargos trabalhistas e assim provocar um aumento disfarçado da carga tributária, hoje em torno de 35% do PIB.

A administrativa, que poderia diminuir bastante as despesas de pessoal do governo federal está praticamente esquecida.

O que interessa, de fato, é se governo, no pós epidemia, deverá apresentar à sociedade brasileira algum mecanismo para reduzir a dívida pública através de superávits primários robustos, diminuindo assim o percentual em relação ao PIB, pois quanto mais levado for esse percentual menor é a confiança dos empresários brasileiros e internacionais em investir seus recursos no país.

Antes da crise não existia clima para aumento da carga tributária, pois a carga brasileira já ultrapassava o limite razoável que a sociedade aceita, principalmente porque o Estado entrega a essa mesma sociedade seus serviços básicos - educação, saúde e segurança – com a qualidade bem abaixo do ela paga através dos impostos incidentes sobre o consumo e a renda.

Infelizmente crises não se resolvem sem sacrifícios por tempo determinado das partes envolvidas, no nosso caso governo e sociedade e em situações difíceis soluções amargas. Temos vários exemplos no passado, mas vamos citar apenas as situações que passaram os países envolvidos após as duas grandes guerras mundial, só que dessa vez todos os países estão enfrentando o mesmo problema e ao final desse período não terá nenhum para socorrer os outros, diferentemente do ocorrido nos pós guerra.

Acredito, no meu otimismo teimoso, que estamos no momento ideal dos poderes institucionais deixarem de lado suas mazelas e procurarem conjuntamente realizar um pacto realista e sério, diferentemente do que vimos na época inflacionária, que envolva o governo e a sociedade no esforço de recuperação da economia nacional que beneficiará a todos.

Para que isso aconteça uma ideia é melhorar a proposta do governo na instituição da contribuição digital como uma contribuição provisória de dois anos com uma alíquota menor, com limites de isenção para não atingir pessoas e empresas que tenham pequenas movimentações bancárias e em contrapartida que o governo diminua seus gastos no mesmo valor arrecadado anualmente. Caso confirme a arrecadação inicial prevista pelo governo federal teremos uma diminuição do endividamento do governo em torno de R$ 480 bilhões ao final da vigência dessa contribuição compulsória.

Além dessa antipática, mas necessária medida, deveria o governo mecanismo de redução da sonegação fiscal hoje estimada em R$ 500 bilhões anuais, assunto que os governos geralmente evitam.

Após esse período retorna-se às reformas não realizadas.


 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 06/08/2020 15:46

O dirigente e sua filosofia de gestão

Um leitor comentou que meu artigo “O maestro das organizações”, publicado nesse espaço em 22.07.2020, poderia ser de uma maneira mais objetiva para não se tornar cansativa “base filosófica”.

Toda ciência tem a filosofia como seu sustentáculo, pois ela é o campo de conhecimento que estuda a existência humana e o saber por meio de análise racional. A administração como toda ciência também tem a sua filosofia, sendo ela restrita ao campo do pensamento e da pesquisa da teoria e prática administrativa.

A filosofia, que é a forma de ser e agir, em nível empresarial é definida quando a organização anuncia a todos as pessoas do seu relacionamento a sua missão, pois é através dela que declara qual sua principal razão de ser, que quase sempre está exposta em destaque como uma obra de arte na sua entrada principal e que deve ser o norte principal do comportamento de seus colaboradores, cabendo a nós destinatários desses compromissos verificar, se de fato, as pessoas dessas organizações estão agindo de acordo com essa filosofia manifestada publicamente.

Esse marco intencional da organização, torna mais simples o posicionamento de seus dirigentes e qual a filosofia geral de gestão os seus líderes deverão replicar no relacionamento com seus subordinados.

No contexto da era industrial, a filosofia das organizações estava direcionada a eficiência de suas produções, seguindo as teorias da administração da época, nomeadas como clássica, na qual a preocupação fundamental estava focada nos equipamentos e manuais, ficando os trabalhadores limitados à utilização de suas capacidades físicas e habilidades manuais.

O desenvolvimento produtivo acelerou a necessidade das organizações a promoverem a organização nos seus diversos procedimentos, conciliando as diversas funções em uma estrutura de departamentos interdependentes, onde a soma do todo produzisse resultados melhores que a soma das partes isoladamente. Essa filosofia estava adequada á teoria estruturalista que despontou após a clássica, unindo atividades fim com atividades meio ou logística.

Até então as pessoas eram consideradas como simples “recursos-reserva”, termo utilizado por Frederick Herzberg em seu artigo Como você Motiva os Funcionários, podendo ser substituídas a qualquer hora e por qualquer motivo, como uma peça mecânica defeituosa.

Para preencher a ausência da importância das pessoas nos diversos processos produtivos das organizações, os cientistas comportamentais revolucionaram os modelos de gestão considerando-as como componentes imprescindíveis dos resultados pretendidos pelos dirigentes organizacionais, desde que fossem observadas e promovidas atitudes saudáveis aos funcionários como suas necessidades higiênicas e motivadoras, as atitudes, as competências, as expectativas, as aspirações profissionais em níveis individuais, No padrão coletivo a imparcialidade de tratamento, seriedade na avaliações de desempenhos, transparência nos processos decisórios são considerados fundamentais. A realização, ou não, desse universo de propósitos é que influenciará o clima organizacional favorável ou desfavorável aos valores humanos. Foi desses estudos, teses e pesquisas que surgiu a Teoria Comportamental da Administração.

O Wikipédia define filosofia como o estudo de questões gerais e fundamentais sobre a existência, conhecimento valores, razão, mente e linguagem, tornando mais simples entender que a filosofia de gestão nos leva a reflexão de como são conduzidos os processos dentro das organizações e as formas que como tais influenciam o modo de gerir pessoas.

Considerando as teorias da administração aqui tratadas, os dirigentes empresariais podem optar qual das três filosofias gerais da administração terá influência maior na sua gestão; a primeira baseada na engenharia da produção, a segunda na teoria organizacional e a terceira na ciência do comportamento.

Caberá ao dirigente a “escolha de Sofia” qual das três filosofias gerais predominará, porém diferentemente de “Sofia”, ele poderá trocar essa filosofia de gestão quando comprovar que a sua escolha não proporcionou os resultados que esperava. Não é demasiado repetir que quem proporciona resultados aos recursos imobilizados das organizações são seus recursos intangíveis, e o principal deles continua sendo as pessoas.

Como a filosofia tem como pilares a sabedoria plena e perfeita, mas conforme Pitágoras de Samos afirmou que esses atributos são apenas dos deuses, as pessoas devem, nas suas limitações humanas, procurarem incessantemente aprimorar essas qualidades.

Voltando à abertura desse artigo, as responsabilidades atribuídas aos subordinados serão coerentes com a filosofia de gestão dos dirigentes, que poderão ser restritas e controladas ou amplas e compartilhadas.

Os líderes que decidam.
 

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  • Eduardo Regueira Silva O que trasmito para minhas equipes e o trinômio;Teoria organizaciona,comportamental e por último, resultado,tenho tido bons resultados.
Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 22/07/2020 09:33

A nossa responsabilidade na escolha quadrienal

Esse ano teremos as eleições municipais, que por motivo da pandemia do Covit19 não será realizada no dia 4 de outubro próximo e sim no dia 15 de novembro. Nesta data será escolhido, pela maioria dos eleitores, quem será o CEO (o diretor executivo em português) municipal para um período de quatro anos, podendo ser reconduzido ao cargo por mais um período, caso os eleitores considerem que realizou uma administração à altura do esperado.

Acredito que os candidatos ao cargo estejam aproveitando esse período pré-eleitoral para, conjuntamente como os seus assessores mais próximos, pensar qual o panorama geral “empresa” de grande porte que poderá estar sob sua responsabilidade a partir de 01.01.2021 e as possíveis ações para se obter resultados visíveis de melhoria, caso seja o escolhido para o cargo disponível.

Quando alguém acredita que está credenciado, pelos seus conhecimentos e competências a conduzir os destinos de um município por um período de tempo determinado pela legislação, ele já deve possuir, mesmo que informalmente em seu cérebro, um pré-projeto do seu plano de atuação, ainda que tenha mais suposições do que conhecimentos concretos da realidade municipal quanto ao cumprimento das suas obrigações constitucionais. Não é de bom alvitre pretender uma posição dessa elevadíssima responsabilidade sem um norte que possa apresentar melhores resultados que os dos seus antecessores e caso algum candidato esteja convicto de que o interstício entre as datas de eleição e da posse é suficiente para iniciar as tratativas do assunto, já inspira que não está devidamente preparado para o cargo, pois essa presunção, por si só, é de uma administração nada diferente das que não deixaram saudades aos cidadãos municipais.

Limitando-nos aos desempenhos das administrações municipais, no geral os resultados apresentados aos finais de mandatos em relação ao prometido e esperado, infelizmente, nos induz a um pessimismo crônico de que essa malfada curva está difícil de ser revertida, pois no geral os serviços públicos não apresentam melhorias evidentes, bastando para isso observar os indicadores que nos são disponibilizados.

Como não temos bola de cristal para prevermos qual o candidato ao cargo terá melhor desempenho, caso escolhido, temos que nos apoiar no que conhecemos das trajetórias profissionais dos pretendentes, os cargos de direção que exerceram em instituições públicas e privadas e respectivos resultados das suas administrações.

Uma sinalização, também importante, é o conhecimento que demonstram dos problemas públicos locais, através das declarações nos seus discursos de campanha, pois são nesses eventos que temos a oportunidade de avaliar qual tem os melhores conhecimentos desses problemas, como também os seus planos e suas prioridades que nos deem a esperança que o nosso pessimismo crônico foi preconceituoso.

Atualmente a pesquisa estatística nos fornece, com unidades de medidas aceitáveis, os resultados de diversos serviços públicos, como a educação, a saúde e a segurança, como também a evolução econômica municipal e outros serviços públicos. Como o que não é medido não pode ser controlado nem melhorado, o conhecimento desses índices é a base que firmará um plano de governo eficaz e eficiente. Devemos observar qual dos candidatos que, nas suas declarações, sinalizou melhor conhecimento dessas situações, convencendo aos eleitores, por exemplo, ter noção da realidade da educação local através do resultado do último censo nacional realizado, se ela está acima ou abaixo da média regional, estadual e nacional e a partir daí apresente, de uma maneira geral, quais são os planos para que ao final do mandato, essa média apresente melhoria significante. A mesma atenção deve ser dada às declarações sobre a saúde, e segurança e como ele entende a maneira de melhorar os serviços públicos para que venham a contribuir, de modo efetivo, no auxílio às melhorias desejadas do desempenho desses segmentos.

Conseguir distinguir o pensamento dos candidatos da importância da infraestrutura do município como alicerce da sustentabilidade a um programa desenvolvimentista é importantíssimo, pois dependerá desse programa a diminuição da desigualdade social, que vem sendo muito comentada, mas sem propostas concentras de solução.

Quanto a economia local, precisamos de informações mais precisas para entendermos se o candidato tem conhecimento de como ela está evoluindo e se há índices confiáveis de acompanhamento desses dados. Como na maioria dos municípios com até cem mil habitantes ainda não determinou qual sua prioridade econômica, qual candidato tem a melhor noção desse tema, como também sua convicção qual segmento poderá, no menor prazo, proporcionar ao município um desenvolvimento sustentável e assim melhorar o padrão e a qualidade de vida das pessoas residentes na localidade, para priorizar suas ações do desenvolvimento desse segmento escolhido, seja na agricultura, indústria, comércio regional ou serviços, priorizar, mas não esquecer da relativa importância conjuntural de todos na contribuição sinergética desenvolvimentista.

Esses são questionamentos básicos, mas não conclusivos, que devemos nos fazer para melhor analisar e concluir qual tem, no nosso entendimento, melhores condições para impulsionar o desenvolvimento municipal.

Uma pergunta indefinitivamente continuada é por quê o desenvolvimento dos municípios brasileiros apresentam diferenças tão acentuadas nos seus desenvolvimentos. Marcos Lisboa em seu recente artigo “vamos conversar sobre o estado brasileiro”, de 11 do corrente mês, esclarece um pouco essa diferença, pois nossos gastos, em relação ao PIB, em políticas públicas são superiores aos emergentes, mas os resultados produzidos é uma vergonha comparados com os daqueles países, o que nos leva a concluir que é apenas uma questão estrutural de produtividade dos nossos serviços públicos. E um ponto importantíssimo para essa melhoria de produtividade é a valorização do servidor público, um recursos muito criticado e esquecido.

A certeza se o nosso escolhido, caso eleito irá promover essa produtividade e que os diversos índices terão melhoria percebida só saberemos após quatro anos da posse. Caso isso não ocorra, mais uma vez seremos corresponsáveis por mais um período de atraso.
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 08/07/2020 09:36

O maestro das organizações

Em uma orquestra o maestro é um músico sabe tocar um, dois ou três instrumentos, mas quando na regência não toca nenhum, apenas conduz, competentemente, todos os seus componentes e seus diversos instrumentos a produzirem as harmonias perfeitas, caso entendamos a música como ciência matemática, até o epílogo do concerto.

Vicente Falconi, consultor que atende a empresas nacionais e internacionais, BRF, Ambev entre outras, afirma que em gestão existem três componentes muito importantes: liderança, conhecimento técnico e o conhecimento gerencial, sendo esse o que considera mais importante. Encontramos esses componentes no exemplo do maestro.

Seguindo a linha de pensamento de Falconi, podemos entender que ele fracionou em três partes os componentes que entende relevantes e que devem estar nas ações diárias dos principais executivos organizacionais para que tenham sucesso em suas gestões. Porém o todo organizacional vai além desses três componentes.

Sempre é notícia corrente nos órgãos de impressa a mudança de ocupantes nos altos cargos das organizações de destaque no país e no mundo. O curioso é que executivos de sucesso nem sempre são contratados para melhores cargos em empresas do mesmo segmento produtivo em que atuavam e muitas pessoas devem questionar, e com razão, como um executivo que alavancou os negócios de uma empresa de comunicação repetirá o sucesso em uma do segmento de alimentação ou numa mega rede hospitalar.

Os princípios do conhecimento gerencial são aplicados a todas as organizações independentemente das suas características, para que proporcionem a rentabilidade econômica/financeira necessária para atender os seus objetivos estatutários.

A literatura de administração conhece há muito tempo esses princípios, que de tanto serem tratados passou a conviver com o dia-a-dia de todos os dirigentes organizacionais, mesmo quando reproduzidos através de jargões nem tanto elogiáveis, mas realistas como o que não é planejado não é alcançado, o que não dirigido e organizado se perde no meio do caminho e o que não é controlado apresenta resultado não desejado.

Como dificilmente uma pessoa é designada para o cargo mais elevado assim que ingressa em uma organização de porte significativo, conhecemos exceções, mas somente as exceções dessas exceções, trocadilho à parte, tiveram algum sucesso, Habitualmente os gestores são promovidos progressivamente em suas carreiras e quando alcançaram o cargo máximo, foi porque entenderam desde cedo, em decorrência dos seus conhecimentos e práticas, que no âmago dos princípios gerenciais há uma um elemento predominante comum e imprescindível para o excelente desempenho das responsabilidades dos cargos de gestão, independentemente do nível que for, baixa, média, alta ou suprema gerência, que é a significância das atribuições do cargo que estão exercendo.

Em termos mais diretos, a significância dos cargos diretivos de qualquer nível organizacional está nas responsabilidades diretas e indelegáveis de suas responsabilidades.

Na gestão organizacional encontramos os níveis institucional, o intermediário e o operacional, e as habilidades para esses cargos são as técnicas (manuseio de coisas físicas), as humanas (relacionamento interpessoal) e as conceituais (ideias e conceitos abstratos), que embora sejam comuns a todas não têm distribuição idênticas entre eles.

Seguindo os autores de obras de administração, podemos simplificar esse entendimento atribuindo um valor equivalente a nove unidades a esse conjunto de habilidades. O gestor operacional para ter sucesso no cargo deverá utilizar cinco dessas unidades nas habilidades técnicas, três nas habilidades dos relacionamentos interpessoais e uma na conceitual, pois o seu objetivo principal é que sua equipe de trabalho realize as tarefas diárias necessárias para alcançar as metas mensais.

No nível intermediário, os gestores devem utilizar essas habilidades de um modo equilibrado, com três unidades em cada uma delas, afastando-se gradativamente do manuseio das coisas físicas, mantendo o mesmo nível nos relacionamentos interpessoais e acrescentando mais habilidades conceituais no seu dia-a-dia, pois a sua responsabilidade são as ações direcionadas para o alcance dos metas intermediárias, de médio prazo que equivale a períodos anuais do planejamento estratégico.

No nível mais alto das organizações, o institucional também conhecido como alta direção, inverte-se as práticas ds distribuição das habilidades do nível mais baixo, ficando em uma unidade as técnicas, em cinco as conceituais, mantendo-se em três as de relacionamentos interpessoais, que é uniforme aos três níveis.

Essa diferenciação de nível de habilidades fica clara quando conhecemos o conjunto de obrigações que os proprietários ou sócios de organizações esperam de seus presidentes: pois seus ocupantes são responsáveis diretos pelas relações institucionais com a sociedade e com o governo; de alianças estratégias visando a da expansão e das vendas do exterior; o acompanhamento os objetivos previstos no planejamento estratégico, que tem um horizonte de três a cinco anos, segmentados través dos planos tácitos/operacionais específicos dos setores da organização; dirigir, orientar e avaliar o trabalho de seus subordinados diretos.

Como administração não é uma ciência exata, os limites desses níveis são flexíveis. dependendo da dimensão e do momento da organização.

Retornando aos três componentes de Falconi, notamos que ele simplesmente retornou às origens do pensamento da ciência da administração, que em muitas oportunidades são esquecidas com a enxurrada de modismo contemporâneo que apenas dá uma cobertura nova em uma estrutura bem fundamentada desde as obras clássicas da ciência da administração.

Os executivos organizacionais são como maestro de orquestras, orientam e dirigem os seus subordinados sem intervir diretamente nas suas atribuições, mas como foi dito anteriormente, a não ser em situações excepcionais, crises institucionais ou acidentes de grandes proporções, assumindo temporariamente algumas responsabilidades diretas de seus subordinados até a normalidade da situação organizacional, quando as devolve aos respectivos responsáveis as funções requeridas.

A equiparação entre o maestro de uma orquestra e o gestor de uma organização é um dos motivos por que até hoje os estudiosos não conseguiram determinar se a administração é uma ciência ou uma arte.
 

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  • Eduardo Regueira Muito boa a matéria mas com muita base filosófica. Tudo que foi escrito poderia ser de uma maneira mais objetiva para não se tornar cansativa "base folosofica"
  • Ires Ferreira Rodrigues Excelente professor! A diferenciação é sempre a liderança inspiradora. Esses são os colaboradores que mudam rápido de cargo. Enfatizando as habilidades que são sempre essenciais no cumprimento das responsabilidades do cargo. Enviado pros alunos!
Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 26/06/2020 08:24

A flexibilidade necessária à formação técnica-profissional


O estilo de Jack Welch é conhecido e reconhecido como modelo de gestão por pessoas dos diversos segmentos administrativo, econômico e financeiro mundial, razão do título de gestor do século XX que lhe foi agraciado pela revista The Fortune, dos Estados Unidos da América.

Wech foi admitido na GE em 1960 para o cargo técnico de engenheiro químico, sendo alçado a cargos de maiores relevâncias administrativas até alcançar o cargo de presidente da empresa em 1981, transformando-a em uma das empresas mais lucrativas do mundo empresarial, Aposentou-se em 2001, após concluir o processo de escolha do seu sucessor na empresa.

Conhecemos pessoas de diversas formações técnicas que nada têm em comum com administração empresarial, mas que se transformaram em referências de modelos de gestão, seja local, regional, nacional ou internacional.

Através de cursos específicos, leituras, palestras, conversas ou qualquer outra interação, podemos observar que uma das características dessas transformações é que essas pessoas não relegaram os conhecimentos técnicos das suas formações originais, mas que reconheceram da necessidade de novos saberes, ou seja a interdisciplinaridade dos conhecimentos das ciências exatas, humanas e sociais aplicáveis na gestão organizacional.

Atualmente não é mais possível imaginar dirigentes, seja qual for a sua formação, que queiram se destacar no segmento em que atuem, sem tratar com distinção a eficiência, a gestão e as pessoas nas suas organizações.

A eficiência é inerente a qualquer função que se exerça nas organizações ou início de atividades profissionais autônomas, pois dela depende a lucratividade do negócio. Ainda que se possa mostrar às pessoas qual o melhor modo de realizar suas funções, o aprendizado da eficiência inicia-se desde a infância, quando elas começam a querer conseguir os melhores resultados do que pretendem, no menor tempo possível utilizando-se dos recursos que têm. A prática e a orientação constante dessa premissa no dia-a-dia das pessoas aprimoram essa habilidade que proporcionará melhores resultados independentemente do setor em que estão exercendo suas funções.

Pela importância que as pessoas, hoje tratadas como capital intelectual, representam para as organizações a maioria dos gestores, com ou sem formação principal em gestão organizacional, entendeu através da experiência ao exercer cargos de gerência, que quanto mais elevada for a educação melhor será a performa dessas pessoas na organização.

Partindo dessa direção esses gestores elevam, quando a organização tem condições financeiras de remunerar melhor seus colaboradores, a exigência de formação superior, como condição mínima às contratações também para as funções que não sejam próprias de formação específica, mas que demandam de discernimento para serem realizadas. Essa decisão é motivada porque os cursos superiores exigem, com mais intensidade, que seus alunos pensem de forma racional, independente do seu campo específico, o que facilita aos graduados a refletirem e tomarem as decisões com maiores níveis de acerto, pois esse desenvolvimento cognitivo as credenciam a prática do conhecimento sistêmico. Que em conjunto com a criatividade constituem as habilidades que impulsionam as pessoas para alcançarem os cargos de maiores responsabilidades empresariais.

Gostaria de destacar que a permanência desses colaboradores nas organizações dependerá de suas regras organizacionais de gestão de pessoas, que já tratamos anteriormente nesse espaço.

Resta lembrar que na falta de uma metodologia própria de gestão, que é a prática de conhecimentos adquiridos com as adaptações necessárias à funcionalidade própria que toda organização tem em si, seu capital tangível será desvalorizado e o intangível desestimulado, causando reflexos negativos na sua performa. Podemos sintetizar que a boa gestão é a que pratica a inovação constante, pois a repetição sistematicamente dos métodos de gestão utilizados no passado ou nas empresas administradas anteriormente têm prazo de validade curto. É por isso que não encontramos na gestão de Welch o “cola-copia”.

Escutar opiniões, ponderar e decidir com convicção de acerto infelizmente não surgem sem estudo e aprendizagem contínuas..

Alexandre Cedrim, administrador de empresas e consultor organizacional.
 

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