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    Ronaldo Lopes
    Engenheiro Civil, Vice-Prefeito de Penedo, Ex-Secretário de Estado e Ex-Diretor Presidente do DER-AL


     

    Governo de Alagoas pede licença em Penedo para levar gás para Arapiraca

     

    Há cerca de um ano, ao tomar conhecimento, através da notícia “Gasoduto entre Penedo e Arapiraca será entregue em 2013”, de que o governo de Alagoas, por meio da Algás, havia tomado a decisão de ligar o City-Gate (ponto de entrega de gás) de Penedo à cidade de Arapiraca, escrevi um artigo, neste Portal, intitulado “Gás: Penedo sai na frente, mas pode perder a corrida para Arapiraca”, alertando as autoridades e o povo de nossa cidade para este fato.

    Mostrava neste artigo que o City-Gate implantado em Penedo havia sido fruto de uma luta muito grande das autoridades e da sociedade civil organizada e que, ao longo dos anos, o governo do estado, mesmo sabendo da existência do equipamento e da potencialidade desta região para a implantação de indústrias de cerâmica e vidro, nada fez no sentido de viabilizar a implantação de um Distrito Industrial.

    Ressalte-se que a afirmativa sobre o potencial de Penedo está respaldada em estudos geológicos realizados em nosso município pela Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais – CPRM, o que significa a garantia da matéria prima para a implantação de indústrias que vão gerar os empregos e o desenvolvimento tão esperados pelo povo penedense.

    Hoje, quando a Algás e o IMA – Instituto do Meio Ambiente, que representam o Estado, anunciam para o próximo dia 28 de maio uma audiência pública, para respaldar a licença ambiental, onde será apresentado o projeto para transportar o gás de Penedo para Arapiraca, não sobra nenhuma dúvida a respeito da falta de compromisso do governo do PSDB para com o desenvolvimento de nossa Penedo.

    Recentemente, uma das maiores empresas de cerâmicas do Brasil, a Portobello, adquiriu autorização para exploração de argila no nosso município e conseguiu total apoio do governo de Alagoas, com incentivos fiscais e doação de área para a implantação da indústria em Marechal Deodoro, mais precisamente no Pólo Industrial José Aprígio Vilela.

    Não se registrou qualquer manifestação do Governo do Estado ou da Prefeitura de Penedo, cujos administradores também pertenciam aos quadros do PSDB, sobre a possibilidade de essa indústria, que vai retirar argila do nosso solo, aqui instalar-se e aqui produzir, gerando os tão almejados empregos para nossa juventude. Nós ficaremos apenas com a degradação do meio ambiente e o município de Marechal Deodoro com os empregos e os impostos gerados pela indústria.

    Já na atual administração do prefeito Marcius Beltrão, está sendo viabilizada a instalação de uma indústria cerâmica em nosso município. A indústria com sede no estado de Santa Catarina, adquiriu jazida de argila e vai dar início ao processo de implantação de sua fábrica, atraída não só pela existência de matéria prima, mas também pela disponibilidade do gás, fortalecendo a robustez de nosso potencial.

    A prefeitura de Penedo está viabilizando uma área de 10 hectares para esta indústria, mas Penedo precisa de, no mínimo, 30 a 40 hectares e de recursos para a infraestrutura do Distrito Industrial. Área disponível, calçamento, água, energia, esgoto e gás são vitais para a atração de novas indústrias para Penedo.

    Nada temos contra Arapiraca, cujo povo e seus administradores têm lutado pelo seu visível progresso, mas é absurdo, após quatro anos da efetiva instalação do City-Gate em Penedo, que o governo do estado não tenha feito nenhuma gestão, nenhum investimento, no sentido de estruturar nosso Distrito Industrial e agora invista cerca de R$ 42 milhões para viabilizar um pólo industrial na cidade de Arapiraca, na contramão das potencialidades regionais e do desenvolvimento de Penedo.

    Comprovada a limitação da capacidade do City-Gate instalado em Penedo, qual será a disponibilidade de gás para o nosso município após a ligação deste para Arapiraca?

    E o que o governo do Estado de Alagoas tem a dizer ao povo de Penedo?

    Talvez a Audiência Pública anunciada para a próxima terça feira, dia 28 de maio de 2013, seja a hora certa para responder a essas perguntas.

    postado em 23/05/2013 00:01

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Cães de guerra e amestrados em nome de Deus

     

    Além do visível mercantilismo, as religiões, em parte, são um meio para se fazer as transações de interesse de alguns aqui na terra e, para outros, um caminho para alcançar as promessas de uma ficção celestial. Face à característica ilusória de suas pregações à acenarem para as mais belas e irracionais esperanças, servem-se dessa utopia para, com frequência, locupletarem-se às custas da ingenuidade do rebanho.

    Não podemos afirmar que a fé religiosa é um sentimento instintivo, pois, embora possa parecer por abarcar considerável parte da população, não consegue despertar como uma necessidade da humanidade como um todo.

    Arredias ao racional, falam do pecado, sua remissão e não fazem outra coisa senão cair na tentação dos mais graves pecados, vítimas das naturais contradições e fraquezas humanas. Em razão dessa dura realidade, ficando patente o divórcio entre a teoria e a prática, não podemos nos convencer da eficácia das boas ações que propaga, pois, se tivermos de fazer uma avaliação entre o bem e o mal, não sabemos para que lado penda a balança.

    Com relação a igreja católica, um de seus primeiros erros, como inútil sacrifício de vidas, foram as cruzadas, imaginando ser de grande importância retomar dos mulçumanos a terra santa, considerado solo sagrado do cristianismo, como se esse gesto servisse para torná-la mais pura e autêntica. Pura irracionalidade! Os soldados, conhecidos como templários que conseguiram formar um grande patrimônio, misturando o divino e o material, foram os primeiros cães de guerra em nome de Deus. Em seguida, na idade média, tivemos a barbárie da inquisição. Os inquisidores de batina foram os mais cruéis e desalmados cães mandatários de Deus, como acreditavam. Existe algum traço divino nesse comportamento monstruoso? Qual a conclusão que podemos tirar de tudo isso? É que as religiões, sem menor dúvida, são produtos da criação humana. Pregando virtudes e santidade, carregam inevitavelmente, escravas das naturais contradições , as transgressões e os mais abomináveis crimes. O passado que nos revela a história e o presente que nos informam os meios de comunicação, não deixam dúvida a respeito.

    Do outro lado, dentro do islamismo, assistimos, incrédulos e horrorizados, o tribalismo medieval de alguns grupos que retornando dois mil anos na história, ainda acham que deve impor pela força a fé e o cumprimento rígido dos costumes. O fanatismo, vemos pela televisão, protagoniza inimagináveis cenas de brutalidade que demonstram total desprezo e indiferença pela vida humana. Como não possuem a faculdade de pensar, não conseguem entender que um Deus sanguinário não preenche a aspiração do homem, pois, além de mostrá-lo como uma divindade selvagem, demonstra-o também impotente, necessitando de soldados terrenos pera defenderem seus pretensos interesses na terra.

    Na antiguidade, com um entendimento mais evoluído, os romanos diziam que somente os deuses devem ocupar – se das ofensas feitas aos deuses. Deus não necessita de procuradores. Não pensa assim o fanático que imagina um Deus antropomórfico, com defeitos e virtudes humanas. Se Deus admite o livro arbítrio, cada qual tem o direito de expressar – se a seu respeito como bem entender. Por outro lado, se existe no céu um julgamento das ações humanas, cabe somente a ele julgar. Não cabe aos cães de guerra tomar – lhe a prerrogativa.

    Contrariamente à matilha selvagem, temos na atualidade cães amestrados para, carinhosamente, pastorear o rebanho. Sobressaem – se nessa lida grande parte das chamadas igrejas evangélicas. Alguns de seus pastores, treinados para sugar o leite do seu rebanho, prometem o céu como recompensa. Cínicos aproveitadores da ingenuidade, transformam–se em novos capitalistas da fé, como se tivessem a aquiescência da graça divina. O povão está mais próximo do animal irracional do que do homem que pensa. A sua cega ingenuidade dá origem a mais preciosa mina, de produção inesgotável para se ganhar dinheiro sem fazer força e sem sofrer riscos contra a vida. Eis o traço sinistro das religiões, quer no passado, presente e, sem dúvida, no futuro.

    Enfim, para onde caminham as religiões, frente à ciência cada vez mais crescente em seus conhecimentos? Sempre em expansão? Achamos que sim, o que é bom para seus predadores, especialmente para seus cães amestrados. Povo não pensa, pede, sente necessidade acima de tudo. “Se casualmente pensa, faz pela metade”, como dizia Voltaire. Numa opinião mais radical, afirmava Bertrand Russel, filósofo inglês, que se fosse possível ensinar lógica ao povo para aprender a pensar, fatalmente pensaria errado.

    Assim, as religiões serão sempre um celeiro, quer de cães de guerra, especialmente entre alguns extremistas muçulmanos que morrem e matam indiscriminadamente em nome de Deus, acreditando que serão recompensados após a morte com um harém de bela mulheres, quer de cães amestrados, bem mais inteligentes e que em vez de acreditarem nas benesses do além, preferirem usufrui - las aqui na terra, fazendo acreditar ao rebanho que gozarão as delícias do eden, o maravilhoso impossível.

    postado em 19/05/2013 10:27

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    O Príncipe da Dignidade

     

    Existe, nos dias atuais, uma forte onda de relativização de valores, de princípios. Ao que parece, na maioria das vezes, por conta de um marcante desejo – quase coletivo – de modernização, de desconstrução de valores antigos e a conseqüente substituição por valores novos. O problema é que essa tentativa de substituição de coisas ditas velhas por coisas ditas novas normalmente vem embutida numa logística de implantação de interesses de grupos, de segmentos populacionais desejosos de varrer para bem longe o que não lhe interessa preservar – enquanto semeia na mente das pessoas conceitos que são do seu agrado e que lhes trazem vantagens corporativas. Dificilmente essas coisas novas que surgem aparecem gratuitamente, espontaneamente. Têm sempre algo inconfessado por trás, muitas vezes de essência escusa, frutos indigestos de árvores aparentemente frondosas, dadivosas. Mas só na aparência. Só.

    É preciso se ter cuidado com essa onda modernista, mostrada pela mídia de forma atraente, com o objetivo de fazer a reengenharia de valores, conceitos, princípios, modernizando-os, reestruturando-os ao bel prazer de grupos, de segmentos. Segundo os dicionários de hoje, princípio significa o começo, a origem, o momento em que algo teve início. É também fonte ou causa de uma ação, proposição que se põe no início de uma dedução, sendo admitida como inquestionável. Portanto, não é algo transitório, passageiro – muito menos mutável ao sabor dos desejos e anseios de quaisquer pessoas ou grupos. Em particular nos referimos aos princípios cristãos, aqueles cujo porta-voz de Deus para os homens foi Jesus Cristo, e que são normalmente bombardeados nos dias atuais por segmentos contrários ao cristianismo, na tentativa de substituí-los através de uma onda universal de relativização, de afrouxamento de valores.

    Na Bíblia, o apóstolo Paulo escreve um verdadeiro tratado de defesa da dignidade, um dos pilares do viver cristão. Na segunda carta aos Tessalonicenses, capítulo 3, versículo 6 em diante, ele diz “Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes; pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós”. Paulo nos fala claramente do viver digno e do esforço que devemos fazer para preservar esse princípio. Inclusive, nos afastando daqueles que vivem desordenadamente ou que primam pela prática da indignidade em suas vidas. O apóstolo continua: “nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós”.

    Assim, a mendicância consciente, lucrativa, é um comportamento que agride a dignidade cristã, enquanto o trabalho é um dever para que ninguém venha se tornar um fardo para os outros. Paulo continua: “não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes. Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma”. Ou por outra, se alguém não se portar dignamente nessa vida, provendo o seu sustento, também não consuma os bens, as riquezas gerados pelos que trabalham, pois estes bens se tornam, pelo princípio da dignidade, um bem inacessível aos que agem indignamente. Paulo aponta, então, para a prática da malandragem que já acontecia, naquele tempo, no meio do povo cristão: “Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia”.

    “A elas, porém, preceitua, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão”. Já o que se vê hoje é a mania generalizada de muitos quererem se aproveitar da ingenuidade dos outros, praticando coisas desordenadas de que fala o apóstolo. E, para dar lastro à sua visão de vida, tratam de tentar subverter princípios que orientam a vida dos homens desde o ministério de Jesus Cristo. Malandragem, desonestidade, ganância, argúcia exagerada, vagabundagem, tudo está sendo relativizado com o objetivo de se misturar, no mesmo balaio, princípios como dignidade, honestidade, legalidade – além do belo princípio da sadia convivência entre os homens. Com essa mistura, se procura confundir a mente das pessoas, fazendo-as parecer ultrapassadas, conservadoras, quando, na verdade, buscam tão somente viver segundo seus princípios. Aliás, coisa difícil, hoje em dia. Muito difícil.


     

    postado em 14/05/2013 10:58

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    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    Seja ponte e não muro

     

    O ser humano a cada dia se torna um animal solitário. Essa solidão pode ter como causa vários fatores: desilusão, decepção, exclusão por parte da família, do meio social, das relações de amizades, a perda da autoestima, a descrença em si mesmo e a falta de fé - aquela força invisível que nos faz conquistar sonhos e vencer as dificuldades.

    Olho nos semblantes das pessoas e não as vejo felizes, mas sim, carrancudas, sérias, testa franzida, caminhando apressadas, às vezes, sem necessidade, como a querer fugir de um diálogo de uma abordagem, da realidade da vida.

    A solidão aniquila os sonhos e passa a ser parceira dos pensamentos maléficos que ajuda a puxar para baixo a pessoa que se deixa vitimar por eles. O ser humano é um ser social, necessita dessa convivência com os outros para alimentar as suas necessidades, partilhar ideias, aprender a conquistar os espaços e, por consequência ser feliz ou pelo menos, buscar a felicidade. Mas, apesar dessa necessidade intrínseca, o ser humano insiste, inconscientemente, em edificar um muro invisível que o separa dos outros como a querer proteger-se dos seus temores, dos seus medos.

    Essa prática vem se arraigando ao ponto de, nas grandes cidades, os vizinhos não se conhecerem apesar de residirem em apartamentos ou casas vizinhas. Cruzam os degraus das escadarias e não se cumprimentam nem ao menos esboçam um sorriso ou um gesto de amizade.

    Ainda há tempo para refletirmos sobre essas atitudes que tem afastado as possibilidades de um bom relacionamento, de formação de uma boa amizade. Sejamos pontes e não muros. Muros separam, segregam, ofuscam. Pontes ligam , aproximam, unem. Através da ponte poderemos enxergar o outro lado, transpor as barreiras, ter uma visão ampliada do horizonte que se apresentava muito limitada, muito restrita.

    As pontes podem ser construídas pelo diálogo, pela disposição de servir, pelo oferecimento do ombro amigo nas horas tristes ou pela disposição de apenas ouvir. Ela também se constrói quando ajudamos aos mais necessitados, quando participamos de projetos sociais , quando nos vemos como irmãos, independentemente da condição social ou econômica, da cor da pele, do cargo que ocupe, da fé que professe e da religião que comungue.

    Mas, não poderemos ser pontes, se dentro de nós mesmos existirem muros que nos impeçam de vê o exterior, edificado com os tijolos da inveja, da intriga, das más lembranças, do ódio, da angústia, da desconfiança, do desamor. Para muitos esse muro se torna intransponível pela falta de sonhos e de esperança e até mesmo da curiosidade de saber o que se passa além dele, preferindo ver apenas um raio de luz através de uma fresta, sem se interessar em ver o brilho do sol, ou, temendo ser ofuscado por ele.

    O pior prisioneiro é aquele que se vê aprisionado por sua própria vontade sem se esforçar para se livrar dos grilhões que o acorrenta a um passado mal vivido, a um amor não correspondido, à frustração sofrida por um sonho não realizado. Essas pessoas precisam saber que na vida os problemas acontecem quer queiramos ou não e são esses desafios que fazem a diferença entre uma pessoa e outra. Umas os enfrenta e busca uma saída, outros, se mostram fracos, incompetentes, se intimidam e sucumbem.

    Todo ser humano é destinado a ser um vencedor não perdedor. Cada pessoa tem capacidade para conquistar, para buscar, para realizar, cada um dentro das suas condições. O fracasso é típico dos preguiçosos, dos que não acreditam em si próprios, dos que se acomodam. Às vezes a fraqueza humana tem uma causa embutida e, nessas condições, o não lutar não está atrelado à preguiça à falta de vontade, mas às questões psicológicas ou às doenças físicas que necessitam serem curadas. Nesses casos há necessidade da pessoa se revestir de uma força extrema para sair dessa condição. É aí que o homem ou a mulher espiritual deve superar o homem ou a mulher humana. Essas duas forças – material e espiritual - existem no interior de cada ser humano como o bem e o mal, tristeza e alegria...

    O apóstolo Paulo viveu em certa ocasião um momento de tristeza muito intenso e muito sofrido onde ele diz que lhe foi dado um espinho na carne. Diz ele que por três vezes rogou ao Senhor para que o apartasse dele e, como resposta o Senhor lhe disse: “Basta-te minha graça porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força”.

    Após ouvir ao Senhor, o homem espiritual se manifestou e aí, o apóstolo afirmou: “Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo”. Todas as vezes que nos encontrarmos em uma situação de fraqueza, de desânimo, de esfriamento da fé, é hora de invocarmos o homem ou mulher espiritual e repetirmos como o grande apóstolo de Jesus: “quando me sinto fraco, então é que sou forte.”.

    As fraquezas têm a virtude, se assim quisermos, de nos propiciar uma reflexão sobre as suas causas e, nos revestindo da couraça do homem ou mulher espiritual, vencer os obstáculos postos à nossa frente, muitas vezes por nós mesmos.

    Sejamos portanto, pontes e não muros !.


     

    postado em 06/05/2013 13:00

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    Alexa Farias
    Estudante de análise de sistemas; atenta nos assuntos relacionados à segurança da informação


     

    Tipificação de crimes na internet vira lei

     

    Dezoito anos depois de a internet ser apresentada aos brasileiros, o país finalmente reconheceu que alguns crimes podem ser cometidos no ambiente proporcionado pela rede.

    A lei 12.797/2012, sancionada no final do ano de 2012 e que ficou nacionalmente conhecida como Lei Carolina Dieckmann (A lei não tem relação direta com o caso da artista, ela é resultado de anos de discussões políticas.), acaba de entrar em vigor no dia 2 de abril de 2013. A nova lei é a primeira a tratar especificamente de cibercrimes (é a palavra dada a uma prática que consiste em fraudar a segurança de computadores ou redes empresariais.). Ela altera o Código Penal para tipificar como infrações uma série de condutas no ambiente digital, principalmente em relação à invasão de computadores, além de estabelecer punições específicas, algo inédito até então.

    O texto da lei estabelece que pessoas que violem senhas ou obtenham dados privados e comerciais sem consentimento do proprietário sejam punidas com penas que variam de três meses a dois anos de prisão, além do pagamento de multa (se houver divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro dos dados obtidos). A pena prevista para a conduta trazida no caput (é o termo geralmente usado nos textos legislativos, em referência ao enunciado do artigo. Caput vem do latim e significa ‘cabeça’.) é de três meses a um ano de detenção e multa.

    Aumenta-se a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra:

    – Presidente da República, governadores e prefeitos;
    – Presidente do Supremo Tribunal Federal;
    – Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal;
    – “Dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal.”

    Uma das curiosidades da lei, é que ela só cobre os dispositivos protegidos por mecanismos de segurança. Acessos feitos a partir de redes sem fio abertas, assim como a aparelhos sem senhas de proteção, não serão identificados como violações dos artigos. Se a rede já está aberta, o acesso não tem a característica de invasão, ou seja, se você deixar seu carro aberto estacionado numa rua qualquer e alguém entra e sai andando, isso não é crime.
    Problemas

    Por serem crimes que dependem de perícia, os descritos na lei precisam da máquina policial, o que não é boa ideia, na opinião do jurista e cientista criminal Luiz Flávio Gomes. ‘A polícia só descobre 8% dos homicídios no Brasil, então ela tem de ser mantida longe dos crimes de informática. Ela não tem estrutura para isso’, declarou.

    Como o texto descreve que está encrencado quem invadir dispositivo "mediante violação indevida de mecanismo de segurança", se seu computador não tiver antivírus ou senha, você pode ser desqualificado pela lei. Não ficou claro o que aconteceria no caso de um aparelho cujo bloqueio é automático e ocorre após um tempo específico: se alguém pegar seu celular e, antes do travamento, fizer cópias das fotos contidas no aparelho, será que essa pessoa pode ser considerada criminosa?

    Como as vítimas desses crimes devem agir se perceber a invasão?
    Desliga o computador imediatamente, procure a autoridade policial competente (Polícia Federal), porque só a partir do momento da comunicação, é que a autoridade policial vai ter conhecimento da questão e poder investigar.

    ‘Envaidece existir a lei, mas não me envaidece ter o meu nome. Ter a lei é o principal’
    Carolina Dieckmann


     

    postado em 28/04/2013 11:11

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    A Igreja pode ser modernizada?

     

     

    Com a renúncia do Papa Bento XVI, e a conseqüente eleição de um novo mandatário na Igreja Católica Romana, voltaram a pipocar as velhas e lamentosas vozes que tentam, a todo custo, pressionar a Igreja no sentido da modernidade. Para estes parece até que os problemas da humanidade não serão resolvidos “se a Igreja não se modernizar”. Estranho tudo isso. Onde já se viu Igreja se modernizar? Se as tentativas de modernidade se direcionam para alterar os princípios pelos quais a Igreja se move, estão perdendo tempo. Em primeiro lugar, é preciso que tais “experts” sejam sabedores que a Igreja é implantada, fincada, fundamentada, enraizada, alicerçada nos princípios estabelecidos por Jesus Cristo. Seu funcionamento, portanto, independe dessa discussão. São questões espirituais, imateriais, inacessíveis a propostas que busquem enlaçar a Igreja em um “contexto reformista mundano”.

    Quem trata desses assuntos, sem a devida autoridade e conhecimento, precisa saber que a Igreja não atua segundo o pensar humano, muito menos segundo a visão e objetivos de movimentos que surgem ao bel prazer de grupos, partidos políticos, ONGs e associações de qualquer natureza. Afinal, a Igreja não é deste mundo, embora por aqui esteja. Ora, se a Igreja é de Jesus – e ele afirmou categoricamente “eu não sou deste mundo, como eles (a Igreja) também não o são” – como querer misturar no mesmo entendimento a Igreja Dele com desejos seculares? Além de paradoxal, isso é inadmissível! Se não vejamos: será possível modernizar o amor, o perdão, a salvação, a santidade, a fé, a compreensão, a humildade, a tolerância...? Como fazer para tornar modernos princípios eternizados pelos ensinamentos de Jesus – e em vigor desde que o homem habita a face da Terra?

    De estarrecer nisso tudo é vermos teólogos se juntando a coros de personalidades famosas, ateus, místicos, líderes políticos... (gente, enfim, sem o menor conhecimento sobre o assunto), arrotando sapiência (distorcida) e entendimento (enviesado) sobre tema de natureza imutável – e do qual não entendem bulhufas. Bradam, arreganham os dentes pelas mudanças ditas modernas (porém de todo impensáveis) no discurso e no posicionamento da Igreja. Ora, essa modernização vem ocorrendo normalmente através do tempo – onde é possível ocorrer. O apóstolo Paulo evangelizava a pé, a cavalo; hoje os missionários se utilizam de carro, de ônibus, de navio, de trem... Portanto, fazendo uso de modernos meios de locomoção. Por outro lado, é intenso e visível, em todas as partes do mundo, o trabalho de evangelização pelo rádio, pela tv, pela mídia impressa, pela internet. Isso é modernismo ou não?

    Hoje, os templos já atendem os ditames da modernidade com ar condicionado, som de qualidade, data show, instrumentos musicais sofisticados, além de mudanças no governo e na arquitetura. Modernidade, cara pálida, modernidade... Querer que a Igreja vá além disso é tentar enquadrá-la numa categoria à qual ela não pertence, pois a Igreja não é deste mundo. É parte inamovível do Reino de Cristo. E quem Nele passa a crer o faz sabedor dessa realidade. Afinal, “quem ama as coisas desse mundo não é de Deus”. Muitos que tentam jogar a Igreja na vala comum do mundanismo o fazem por ignorância, por desconhecimento da Palavra. Outros, porém, agem conscientemente na defesa de interesses cujo propósito é o de desvirtuar, secularizar a obra de Jesus – e tal intento jamais será alcançado. Aliás, sobre a Igreja, Ele próprio sentenciou “... e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela”.


     

    postado em 15/04/2013 08:12

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Quando teremos o calçadão?

     

    Lembro-me quando ainda criança vinha para Penedo, da existência de algumas árvores na Avenida Floriano Peixoto. Eram chamadas, salvo engano, de fícus que não ficaram, erradicadas que foram sob a alegação de que estavam infestadas de lacerdinhas, minúsculo inseto que causa horrível irritação quando cai nos olhos. Não se pensou numa pulverização. Ignorada essa providência, seria aceitável a erradicação se outras espécies não sujeitas ao lacerdinha fossem plantadas. Foi uma falha imperdoável. Desarborizar ruas é um atentado à beleza e ao conforto da sombra que ameniza a temperatura.

    Tratando-se de uma artéria central, agredida na forma acima e sem nenhuma compensação, acho que é hora de lhe dar um toque de elegância. Será uma imperdoável acomodação não pretender renova-la. Não pode continuar como um estacionamento de carros, mesmo que venha contrariar interesses de seus proprietários. Não é mais que oportuno dar-lhe um novo visual de impacto, transformando-a num calçadão? Mesmo que se julgue inviável em toda a sua extensão de uma só vez, que a primeira etapa contemple da esquina da lotérica até a igreja de São Gonçalo Garcia.

    A sugestão é lançada em face da condição histórica da nossa cidade, merecendo uma consulta popular, especialmente a opinião do IPHAN, presumidamente conhecedor do que poderá ser uma agressão a sua virgindade histórica. Pessoalmente, como leigo na área, acho que não haverá nenhum obstáculo. Imaginar que uma cidade, pela razão de ser histórica é intocável, impedida de conviver com o novo, seria uma confissão de falta de imaginação e burrice que obrigaria seus habitantes a eternamente ficarem dentro de um velho arcabouço sem qualquer atrativo.

    Para atingir com sucesso essa finalidade será a apresentação de um projeto arquitetônico à altura, podendo ser apresentados diversos, escolhido aquele que tiver melhor aceitação. Como se encontram lá o Teatro 7 de Setembro e um bar ao seu lado, terá de preencher exigência de natureza cultural como a realização de serestas e, possivelmente, a representação de peças teatrais ao ar livre.

    Do pescoço para baixo, de uma forma comum a outras cidades, Penedo cresce fisicamente sem oferecer qualquer curiosidade que chame a atenção. É no seu velho rosto, a principal porta de entrada, que novo retoque, depois do da orla fluvial, deve ser feito para que o turista ao adentrá-la, sinta a agradável sensação de uma bela visão. Tem que ser charmosa e atraente, não podendo, para atingir esse objetivo, continuar abobalhada, parada no tempo.

    O calçadão será uma obra que merecerá para sempre os aplausos gerais como inspiração marcante de uma administração que se preocupou com a boa aparência da nossa cidade, fazendo renascer em cada um de nós a alegria de ser Penedense.

    postado em 07/04/2013 12:02

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    Maria Núbia de Oliveira
    Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras


     

    Um Papa Diferente

     

    O mundo inteiro, católico ou não, cravou os olhos naquela janela do Vaticano. Era a eleição do Papa.

    Antes mesmo do inicio do conclave. países viveram momentos de "santa torcida" por seus conterrâneos. O Brasil, competitivo por natureza, não deixou a desejar, se enveredando por esse caminho, torcendo, é claro por um dos nossos cardeais. Dom Odilo foi o alvo. Parecia que já estava eleito! Mas a ação do Espírito Santo falou mais alto. Enquanto as negras fumaças saíam pela chaminé e os olhos da multidão continuavam fixos naquela famosa janela, lá dentro, os cardeais suavam as têmporas para alcançarem o enxugamento dos votos e ainda peneirá-los para identificação dos mais votados.

    Finalmente surge a fumaça branca! E aquela multidão ( crianças, jovens, adultos, anciãos, religiosas, cadeirantes, enfim, todos, oriundos de vários países, mas movidos por um só sentimento, vibraram, aplaudiram, sorriram e choraram, diante de uma mensageira fumaça que antecedia a célebre frase: " Habemus Papam." Corações acelerados, ansiedade à flor da pele. Surgiu a inquieta expectativa de saber quem fora eleito. Que país teve a honra de oferecer o Governante Geral da Igreja Católica? Foi mais ou menos cinquenta minutos de espera. Ninguém saía do lugar. O frio era intenso e chovia, pela quantidade de guarda - chuva.

    Finalmente as cortinas da janela se abriram e o cardeal ou camerlengo anunciou o nome do eleito .

    Um nome que sequer foi mencionado durante a " campanha" do lado de fora do Vaticano. E é nesse ponto que vemos a grandiosidade da ação divina! Deus vai escolhendo aquele que o mundo ignora. Os mais citados, plenos de cargos, história recheada de títulos, experientes em funções de alto nível, podem estar na mídia, mas não no Plano de Deus, para aquele momento, cuja missão abrange um imenso rebanho carente de um Pastor carismático que o direcione para o verdadeiro aprisco!

    Papa Francisco, logo no início de sua chegada ao sagrado campo de batalha tem demonstrado a sua peculiaridade: simplicidade, despojamento e aproximação dos fiéis.
    É claro que existem certas formalidades litúrgicas que fazem parte do contexto da Igreja. Mas, cada Papa tem o seu carisma e a sua maneira de conduzir a barca. Não é o ouro e o requinte que obscurecem o afeto do pastor. Porém a identificação com o pobre, cativa e gera confiança.

    O Papa Francisco, jesuíta, simpatizante de São Francisco de Assis, chama a atenção pelo jeito diferente e simples de se comunicar.

    Creio que o Papa Francisco veio para suavizar as estruturas tradicionais as quais dificultam a caminhada da Igreja , amortecer o luxo, se misturar com os pequenos, ser confundido nas multidões, descer à campo, calçar as sandálias franciscanas, jogando para bem longe os sapatos vermelhos...

    postado em 01/04/2013 08:06

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Há um lugar onde a curva não é bem vinda

     

    O mundo inteiro chorou a morte do arquiteto Oscar Niemeyer. Aliás, pela fama, pelo conceito, Niemeyer não era mais visto pelo mundo somente como arquiteto. Ultrapassara essa barreira e já pertencia ao terreno das celebridades, pelo qual era tratado simplesmente por Niemeyer. O fato é que seu desaparecimento alcançou dimensões planetárias, com a imprensa repercutindo sua morte em alta escala. Comentários pipocaram em toda parte – de chefes de estado, artistas, políticos de todos os matizes, personalidades das artes, da música, do esporte – enaltecendo sua criatividade, sua originalidade, sua obra profissional. TVs promoveram programação especial; jornais foram às ruas com edições exclusivas; sites, blogs e redes sociais exaltaram seu nome. Em todos os manifestos o realce de um ponto: o panteão a que Niemeyer elevou a curva em seu trabalho. Monumental trabalho.

    Ao que se fala, antes dele, o mundo da arquitetura privilegiava o reto, o traço retilíneo, o simples preenchimento dos espaços com paredes em linha reta. (Nesse sentido, lembro-me do movimento arquitetônico da década de cinqüenta que criou o estilo funcional. Era tudo muito reto. Colunas elegantes, porém de traços retos, em forma de “v”, segurando pesadas lajes de concreto – também retas. O estilo funcional reproduziu-se Brasil a fora, sem nada de novo, de criativo e original a acrescentar à arquitetura brasileira). Foi nesse período que Juscelino decidiu construir Brasília e entregá-la à criação de Niemeyer. Aí ficou notório ao mundo o novo, o inigualável, o arrebatador traço de Oscar Niemeyer. E mais: a própria obra simbolizando o surgimento de uma nova escola: a curva em lugar de destaque. Prédios oficiais de lindíssimo traçado; repartições públicas em concepção antes numa imaginada.

    Não à toa, com sua morte, Niemeyer foi nomeado o pai da curva – a gênese de um trajeto que resplandeceu pelo mundo e teve seu ponto alto na construção de Brasília. A partir dela, a curva coube em tudo: templos religiosos, palácios reais, museus, memoriais... Com Niemeyer, a curva se revestiu de forte elemento poético no frio contexto do concreto. Daí se dizer que Deus criou Niemeyer – e Niemeyer criou a curva. Mas, há um lugar em que a curva não se encaixa bem. Há um lugar onde a curva não resulta em visão poética; onde não é o melhor elemento a ser empregado. Nesse lugar a leveza da curva representa perigo, corrução, morte. Nesse lugar, a melhor alternativa é o reto; nele, a concepção arquitetônica se aperfeiçoa ao utilizar o reto. Esse lugar também é campo de batalha entre o reto e a curva. O reto firme. Como o aço da lança, da espada. Reto. A curva dengosa, escorregadia, traiçoeira. Curva.

    Esse lugar chama-se caráter – cidadela que abriga as características da índole do indivíduo. Nela, o emprego da curva resulta em arquitetura distorcida, de onde se origina a corrução, a violência, desonestidade, cabreirice, esperteza, morte. As pessoas que utilizam a curva em seu caráter são dadas à mentira, à invencionice, ao roubo, à falta de escrúpulo. Veja-se o político, de curva no caráter, perorando ao ser flagrado em roubalheira; veja-se um assassino, se utilizando da curva em seus motivos, tentando justificar o crime; veja-se um servidor público, desviando o leite das crianças, para se concluir: nele, o caráter tem curva; veja-se um magistrado de caráter sinuoso: ele vende sentenças. Isso sem falar em assaltantes, traficantes, mensaleiros – gente que, com a curva no caráter, não vê limite aos seus intentos. Enfim, na arquitetura do caráter o reto é fundamental. Já a curva... Continue a brilhar na obra de Niemeyer.

    postado em 25/03/2013 09:29

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    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    Mulher - Avanços e Desafios

     

    Foi iniciada em 08 de março a semana dedicada às mulheres onde vários eventos são realizados com o intuito de demonstrar para a sociedade os avanços conquistados ao longo dos anos bem como para tecer críticas à forma como são conduzidas as políticas públicas e o descaso pela efetivação dos direitos assegurados na constituição e nas leis.

    Se voltarmos o nosso olhar para o passado não muito remoto vamos chegar à conclusão que as mulheres não ocupavam um lugar digno na composição da sociedade sendo vista apenas como útil aos serviços domésticos, e apta à procriação. Já houve época que as mulheres eram apenas um objeto. Quando oferecidas em casamento, o intuito dos pais era como se estivesse realizando um bom negócio. O escritor Jacques Mazel em seu livro “As Metamorfoses de Eros- O amor na Grécia Antiga” transcreve frases do ritual de um casamento, conforme abaixo:

    “Eu te dou esta filha para que ela ponha no mundo filhos legítimos. O noivo responde: eu a recebo – junto a um dote de três talentos – recebo isso também com prazer. O negócio está concluído, isto é, os negócios estão em boa ordem e o casamento pode desenvolver-se sem prejuízo patrimonial maior”.

    A mulher era entregue a um pretendente escolhido por seu pai, como uma mercadoria e, ainda pagava para ele um dote que podia ser em dinheiro, em terreno ou outro bem. A mulher não tinha vez nem voz, era submissa a seu esposo e eram cobradas para que lhe fosse dado um filho “homem”. Em Roma era permitido abandonar, em qualquer lugar, a criança de sexo feminino. Muitas mulheres eram desprezadas se não fossem capaz de gerar uma criança do sexo masculino. A situação das mulheres era semelhante à dos escravos diferenciando apenas pelo fato de ter o status de ser esposa e conviver sob o mesmo teto do esposo. Eram tidas como “coisa nenhuma”.

    O mundo evoluiu, a sociedade aos poucos foi tomando uma nova forma, os conceitos relacionados aos Direitos Humanos, foram se ampliando e inseridos nas diversas constituições democráticas e, assim, aos poucos, as mulheres passaram a serem vistas como um ser humano, dotado de inteligência e dignidade.

    O instrumento mais importante na conquista dos direitos humanos foi a Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. Nos artigos que a compõe emergiram Direitos que deveriam ser respeitados por todos os povos e nações. Lá estão inseridos os direitos fundamentais dos seres humanos como a liberdade, a dignidade, a igualdade, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição. No Brasil, esses direitos estão assegurados na Constituição Federal, no seu artigo 5º e disseminados por diversas leis infraconstitucionais. No meu entender, uma das primeiras manifestações sobre os direitos humanos foi de autoria do Apóstolo Paulo em uma época onde pouco se falava de direitos, principalmente os de liberdades. Dirigindo-se aos gálatas habitantes da província romana chamada galácia, assim se pronunciou: “Destarte não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Um desafio lançado nos anos 55-60 depois de Cristo, hoje uma realidade para aqueles que vivem sob a égide de constituições democráticas.

    Estando amparadas pela constituição, as mulheres começaram a deixar ecoar o grito de liberdade retido por muitos séculos em seus pulmões e afloraram como um desabrochar de uma rosa para fazer parte de uma sociedade igualitária, aonde, aos poucos, vem se tornando destaque, enfrentando homens machistas que ainda a vê com os olhos atravessados e não aceitam que ocupem os elevados cargos que conquistaram.

    Em 1932 foi-lhe garantido o direito de votar, de escolher livremente os seus representantes. Poucas, ainda, se lançam na conquista desse espaço tão valioso – o espaço político- onde, com sua força, poderiam contribuir para a efetivação de políticas públicas voltadas para a melhoria daquelas que ainda estão à margem da sociedade, mesmo sendo maioria do corpo eleitoral. Mas, as poucas mulheres que fazem parte do parlamento brasileiro tem se esforçado nessa luta, ainda desigual. Ter uma mulher no comando político brasileiro, como Presidente da República Federativa do Brasil, não era nem sonho, mas hoje é uma realidade.

    Em 1977, conquistaram o direito de se divorciar, libertando-se das amarras de casamentos inúteis, de aparência, mantidos apenas como uma obrigação social onde prevalecia a prepotência, os espancamentos, os maus tratos, sujeitando-se a toda brutalidade do marido sem nem mesmo poder contar com sua família, pois já sabia a resposta: “Quando se casa é para viver a vida toda, até a morte, tenha paciência, pense nos seus filhos”. Essa situação tinha e ainda tem como consequências o isolamento social, a ausência de amigos, a distância dos familiares, a impossibilidade de emprego e as doenças psicossociais.

    Foram necessários muitos espancamentos, muitas mortes, muitas mutilações para que, por meio de uma delas, sobre uma cadeira de rodas, vitima da violência de seu esposo, fosse propagada aos quatro cantos desta nação a situação da violência dentro dos lares, e assim foi sancionada a Lei Maria da Penha. Uma luta que tem que continuar com muito afinco porque, nos dias atuais, milhares de mulheres continuam sendo espancadas e mortas por seus esposos companheiros e namorados. Homens covardes, amantes da maldade e da prepotência, sem dignidade, de índole violenta e criminosa, portadores do animus necandi, que trazem dentro de si a nódoa dos preconceitos, das discriminações, das violências vivenciados em seu passado e descarregam, sem piedade, toda a sua revolta contra sua esposa, a mãe de seus filhos como se ela fosse a culpada das suas frustrações.

    Em Alagoas, a violência contra a mulher tem aumentado de forma assustadora. Segundo dados da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Alagoas, nos últimos dois meses deste ano já foram assassinadas 20 mulheres. Nos últimos três anos consta o registro de 464 mortes. É um índice altíssimo, inconcebível para o nosso Estado.

    Apesar dos avanços, existem vários desafios a serem enfrentados. O principal é a conscientização por parte das mulheres que ainda são escravizadas, maltratadas, espancadas dentro de seus lares. Elas necessitam de apoio, não somente das autoridades constituídas, mas também dos diversos segmentos da sociedade e dos movimentos organizados. Já está provado que os algozes estão em todas as camadas sociais e não depende de serem portadores de diplomas de cursos superiores, de ocuparem altos cargos, até mesmo no âmbito da justiça. A índole má é um atributo desses homens mesquinhos.

    Outro desafio, talvez o mais difícil de ser enfrentado seja aquele que é uma espécie de paradoxo: as mulheres conquistaram o direito à dignidade, ao respeito, à igualdade mas, milhões delas espalhadas por este país, por vontade própria, tem rompido com essa garantia que além de ser legal é moral, e assim vivem exibindo seus corpos, pondo-os à venda, até mesmo a sua virgindade. Usam seus corpos como um objeto, uma mercadoria que pode ser adquirida por um preço vil. Muitas fazem parte de pacotes turísticos sendo mais um item dos contratos firmados com os interessados. O sexo está banalizado. Há um desgaste moral em parcela considerável das mulheres. A revista Veja, edição de 13 de fevereiro, próximo passado, traz estampada em sua capa: “Quer transar comigo?” destacando ser o maior sucesso recente da Facebook, a mais nova ousadia da revolução sexual e comportamental promovida pela internet. “O aplicativo, o grande sucesso do momento da Facebook, vai direto ao ponto: são marcados na lista de amigos aqueles com quem a pessoa iria para a cama e ela fica esperando que tenha sido escolhida para o mesmo fim por um dos seus eleitos”, diz a reportagem.

    Ser mulher hoje não é “padecer num paraíso”, nem tampouco ser a “rainha do lar”, pois isso não é verdade em muitos lares brasileiros. Ser mulher é ser guerreira, luz, ser paciente sem ser submissa, não ser vulgar, mas exemplo; sábia e sustentáculo da família.

    Ser mulher é, simplesmente, ser mulher!
     

    postado em 19/03/2013 09:58

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    Públio José
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    Governar é...

     

    É atribuída ao Presidente Washington Luiz a frase “governar é construir estradas”. À época, tomou-se a expressão ao pé da letra, fato que não constitui nenhum demérito. Afinal, no Brasil daquele tempo, com uma malha viária praticamente inexistente e com uma deficiência enorme nas condições de tráfego nas estradas então existentes, a melhor solução estava realmente na disposição presidencial de estender, às mais remotas regiões brasileiras, a construção de boas rodovias, para, com isso, prover os inúmeros segmentos econômicos nacionais de condições ideais de produção, comercialização e exportação de mercadorias e serviços. Se não teve as circunstâncias perfeitas para materializar seus desejos na ocasião, Washington Luiz teve, pelo menos, o condão de cunhar uma máxima que reverberou pelo tempo e se concretizou no governo empreendedor e realizador de Juscelino Kubitschek.

    Entretanto, nestes tempos bicudos que atravessamos, coincidentemente recheados de caras novas de novos governantes, é chegada a hora de se fazer uma reflexão mais profunda, uma releitura da famosa frase de Washington Luiz. Que, aliás, continua atualíssima – porém, até os dias atuais, contemplada, atingida por uma leitura superficial, linear, rasa, pobre em seus nobres significados. Governar é, sem sombra de dúvidas, construir estradas. Mas hoje, com a complexidade que sobreveio ao Brasil, manter a expressão em seu contexto original seria uma atitude no mínimo simplista. Mesmo assim, como base, como lastro para outras projeções, outros vislumbres, “governar é construir estradas” permanece perfeitamente atual, se ampliarmos, se enlarguecermos a essência do seu significado. Pois construir é um termo muito mais abrangente do que simplesmente juntar pedra, areia e cimento.

    E estrada tem um conteúdo muito mais amplo e profundo do que simplesmente aplainar terrenos e abrir caminhos para a passagem de veículos. Assim, numa linha de raciocínio, digamos, mais madura e condizente com a complexidade e demandas atuais, construir significa, além do mais, consolidar sonhos, anseios e aspirações do povo, sejam eles emoldurados em função de itens físicos e materiais ou de ordem política, ideológica e social. Já estrada sinaliza para o contato com novos horizontes, novas realidades, novos contextos. Enfim, um forte instrumento de acesso do povo aos produtos e serviços prestados pelos poderes públicos. Entretanto, quando se observa atualmente a péssima qualidade dos serviços essenciais prestados pelo governo em seus vários níveis, conclui-se que os tais mandatários não vislumbraram, em toda a sua extensão, a nobreza do que seja “construir estradas”.

    Pois construí-las nos encaminha para um patamar muito mais amplo e arrojado na análise das carências coletivas. Ou por outra: “construir estradas” nos leva a criar, para os necessitados, acessos mais substanciais e eficazes aos serviços de saúde; a estabelecer caminhos que liguem os analfabetos ao mundo do conhecimento; a projetar rumos que interliguem os jovens ao mercado de trabalho; a direcionar o povo para dias de menos violência; a aplainar realidades e obstáculos para, assim, priorizar as questões ambientais; a asfaltar espaços que melhorem a qualidade do sistema de ensino; a terraplanar... Como se vê, a essência da fala de Washington Luiz pode ser redimensionada, ampliada, aprofundada. Só basta querer. Por enquanto, já seria um bom início apensar-lhe uma nova moldura conceitual: “governar é construir o bem estar do povo”. Você concorda? Já soa bem mais completo, não é verdade?

    postado em 10/03/2013 09:49

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    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    Qual é a Igreja de Jesus?

     

    Não tenho o hábito de discorrer sobre assuntos religiosos por serem polêmicos, cuja discussão, sempre acirrada, nenhum efeito prático produz, além de contribuir para a discórdia. Cada um daqueles que professam uma fé (religião) estão certos de que ali prevalece a verdade e a interpretação correta das palavras do Grande Mestre e, assim sendo, se arvoram de verdadeiros integrantes da igreja de Jesus e donos da verdade absoluta. Uns dizem que seus líderes são representantes do apóstolo Pedro ao qual Jesus incumbiu para edificar a sua igreja pronunciando estas palavras: “E eu te declaro: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela; Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Para esses, os verdadeiros representantes de Jesus neste plano material, são os pertencentes à sua religião e que as palavras de Jesus foram dirigidas aos seus líderes apesar de terem sido pronunciadas há mais de dois mil anos quando ainda essa religião nem existia.

    Há aqueles que apregoam que sua igreja é verdadeira porque cumpre ipsis litteris, os Dez Mandamentos ou o Decálogo, principalmente o quarto mandamento que assim está redigido: “Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias, e fará toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo que neles há, e repousou no sétimo dia; e, por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.” Para esses crentes, o sábado é um sinal perpetuo do eterno concerto de Deus com Seu povo. Considera prazerosa a observância desse tempo sagrado duma tarde a outra tarde, do por do sol ao por do sol.

    Ressalte-se, também, àqueles, adeptos a uma religião que se apega a diversos valores que afirmam estarem baseados na Bíblia e que pregam a neutralidade política, a moralidade sexual, a honestidade e não aceitam transfusão de sangue. Muitos pacientes pertencentes a essa religião não tem permitido a transfusão de sangue, mesmo em casos de risco de vida, o que tem levado alguns à morte. Eles acreditam ser fiéis a Jeová, também chamado de Javé que é o nome de Deus na Bíblia hebraica e, segundo os seguidores dessa religião, Deus não permite essa prática.

    Há outro segmento que admite ser uma fé e não religião, que tem como verdade absoluta a imortalidade do espírito e que este se aperfeiçoa através dos ensinamentos apreendidos na sua passagem terrena bem como continuam a recebê-los nas diversas dimensões e que é através do bem, do amor dispensado ao próximo que se atinge a perfeição. Asseveram que a salvação é individual, mas ninguém se salva sozinho, necessário o exercício continuo do amor, da humildade, da perseverança. Admitem a comunicação com os espíritos.

    Existem igrejas, e elas se encontram espalhadas pelo Brasil inteiro e pelo exterior, onde os milagres acontecem diariamente a cada culto. Pessoas são curadas de câncer, de aleijões, de paralisias e até restituem a visão aos cegos de nascença.

    A pergunta: Qual a igreja de Jesus? É pertinente. A palavra “igreja” se confunde com “religião” no linguajar popular apesar de terem conceitos diferentes. Daí existir: Igreja Cristã Maranata, Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Católica, Igreja Batista, Igreja Quadrangular, Igreja Universal...

    O que me inspirou a escrever este texto foi a renúncia do Papa Bento XVI ao Ministério Petrino, cujas causas têm instigado o pensamento dos especialistas e dos jornalistas do mundo todo. No entendimento dos líderes religiosos que professam essa religião é Cristo o pastor da Igreja. É Ele Quem a guia e que a renúncia foi um ato orientado pelo Senhor. Para a CNBB, a renúncia foi um ato de humildade e grandeza.

    Já àqueles que são especialistas nos assuntos atinentes ao Vaticano - os vaticanistas- vêm de forma diferente as razões que levaram o Papa a renunciar, destacando dentre elas o fato do mesmo ter se sentido “abandonado por cardeais , bispos e padres em sua disposição de dar um basta aos recorrentes casos de pedofilia que conspurcam a Igreja. O corporativismo foi mais forte do que o papa. Isso ficou claro em 2010, na Irlanda. Descobriu-se que milhares de crianças haviam sido abusadas por sacerdotes, entre 1996 e 2009, com o silencio cúmplice de bispos”, além de escândalos financeiros e vazamento(roubo) de documentos comprometedores da Santa Sé ,conforme se lê na reportagem especial da revista Veja do dia 20 de fevereiro de 2013. Acrescente-se os escândalos atinentes à homossexualidade.

    Para os católicos o Papa é infalível, mas ao renunciar perde a infalibilidade, porque “Aquele que renuncia não mais tem a assistência do Espírito Santo para guiar a Igreja” segundo diz o porta voz da Santa Sé, Federico Lombardi. Ora se a escolha do Papa é orientada pelo Espírito Santo e se sua renúncia também o foi, porque ele, o Papa, perderia a infalibilidade?
    No documento que leu, comunicando a sua renúncia, o Papa escreveu algumas frases que necessitam de serem bem compreendidas, pois, no meu entender, foram pronunciadas num momento de grande angústia como um desabafo, uma manifesta decepção com os integrantes do alto clero.

    a) “É preciso refletir sobre como a face da Igreja é por vezes deturpada por golpes contra a sua unidade e divisões do corpo eclesiástico.”

    Se a Igreja é considerada a esposa de Cristo, porque a convivência entre os membros do corpo eclesiástico é tão destoante das palavras do Mestre Jesus?
    b) “A verdadeira tentação é a de instrumentalizar Deus, usá-lo para os próprios interesses, a própria gloria e o sucesso”.

    Insisto na pergunta: Qual a Igreja de Jesus?
    Nesse emaranhado de interesses e de poder, onde cada igreja ou religião se diz verdadeira, como identificar àquela que realmente está afinada com as ideias, com os ensinamentos do Mestre Jesus que pregou o amor, a humildade, o desapego ao poder, aos valores materiais, o acolhimento, e que vê no outro, no irmão, a única possibilidade de se chegar à perfeição? Sim, é no amor ao próximo que se manifesta a verdadeira atitude cristã.

    “Indagado sobre qual seria o maior mandamento, disse Jesus:” Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento. “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo.”
    Acredito que a verdadeira Igreja de Jesus seja aquela formada por pessoas que vejam no próximo, no irmão, o caminho de sua salvação, vendo nele refletido o rosto de Jesus. Essas pessoas estão ligadas por uma força mental e espiritual e podem estar nas diversas igrejas, nas diversas religiões e até fora delas, mas tendo em comum a magia do sentimento do amor verdadeiro.

    Essas pessoas pertencem a uma comunidade religiosa onde a fé é uníssona, ou seja, todos a professam da mesma forma, unidos, na espera da vinda de Jesus. Fé é a espera contínua na confiança inabalável das promessas de Jesus e ela se manifesta pelo amor ao próximo e pelas obras. “A fé sem obra é morta” já dizia o apóstolo Paulo. Sem essa unidade e sem a humildade que tanto pregou e ensinou o Grande Mestre Jesus, não existe uma igreja verdadeira.

    “Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaias: Este povo somente me honra com os lábios, seu coração, porém, está longe de mim. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vem dos homens”. Jesus dirigiu essas palavras aos religiosos de sua época que eram tidos como detentores da verdade absoluta.
    E você, a que igreja (religião) pertence? A de Jesus ou a dos homens?


     

    postado em 03/03/2013 08:55

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Lamentações da amiga Penedo

     

     

    Saio a caminhar e logo que lanço o olhar para rua sinto a atmosfera de uma cidade judiada, ressacada, enferma e financeiramente falida. A passos lentos, matutei como alguém, sem o instinto de abutre carniceiro, pode se interessar por um corpo reduzido a carcaça. Comecei a imaginar razões e encontrei duas alternativas: ter o sentimento com a força do milagre para revitalizá-lo ou ter a esperteza de quem acha que mesmo restando ossos e pelancas, ainda se pode retirar algum naco de carne do reabastecimento mensal a que tem direito. Não deixa de ser uma tentação de carcaça.

    Coincidentemente, indo na minha direção, a uns vinte metros, percebo uma figura feminina um tanto encurvada, bastão em punho pra ajudá-la no seu lento caminhar que se dirigia a um banco para sentar-se. Surpreso, vejo que se tratava da velha amiga Penedo. Como há muito tempo não a via, resolvi interromper minha caminhada para conversarmos um pouco para atualizar-me sobre as novidades políticas. O talhe elegante do seu vestido de tecido fino, contrastava com a sujeira e a triste fisionomia. Não era uma simples tristeza, mas a imagem da mais completa desolação. Logo cheguei à conclusão que não iria ouvir, para minha decepção, agradáveis fofocas. Sufocada e impelida pelo sofrimento, seu ímpeto era abrir as comportas para dar vazão e aliviar suas contrariedades. Apesar de ter captado seu sombrio estado de espírito, não podia, para dar início à nossa conversa, deixar de fazer-lhe a convencional pergunta de como estava passando.

    Apunhalada por todos os lados. Como é bom vê-lo, meu amigo, só assim poderei desafogar o meu peito cheio de aflições. São grandes e há tanto tempo fazem de mim sua morada que temo ficar curtida e insensível o meu espírito para suportá-la com naturalidade, sem a preocupação de mudar para melhor. Todo o último quadriênio fui transformada em depositária de frustrações e decepções. Encontro-me de tal forma tão confusa e transtornada que tenho sido levada à fuga da realidade, buscando no inexplicável as causas do meu triste fado. Será que existem o destino, a sorte e o azar? Como entender a minha desgraça que só tem gerado o desânimo, impedindo-me de ter uma visão otimista do futuro? Tenho sido, nos últimos quarenta anos, com raríssima exceções, uma cobaia nas mãos da imperícia. Nunca imaginei fosse capaz de assistir as mais desbaratadas experiências que primaram pela incompetência e a improbidade. Como quem vive no inferno não pode ter outro desejo se- não dele safar-se, quero acreditar que o atual gestor dos meus negócios encontre a carta de alforria para a redenção dos meus desenganos e sofrimentos.

    Na verdade, não lhe resta outra alternativa senão esperar. Mas no que se refere ao quadriênio passado, timbrado pela urucubaca, não existe outra explicação se não o engano do eleitor que escolheu o seu prefeito que tem a paternidade do chamado quadriênio alexandrino, sinônimo de catástrofe e administrativa.

    Você está certo. Essa catástrofe, não bastasse a sua condição de emperrada e que não foi a lugar nenhum, atingiu seu ponto culminante com o meu caos financeiro, aparentemente incontornável. Como irei sobreviver diante desse abismo fatal? Como cheguei a tal ponto?
    Sinto-me impotente para confortá-la. Para quem sofre, as palavras são inúteis. De qualquer maneira, mesmo que não sirva de alento, devo dizer-lhe que todos nós temos uma tendência em pensar que a nossa desgraça é maior que a dos outros. Como nos informou o noticiário, existem muitas Penedo no estaleiro á espera de reparos, especialmente no setor financeiro. Acontece que nessa área, curiosamente, as dívidas são resultantes de um somatório de diversas administrações, abrangendo a passada do atual prefeito. Face a essa realidade, não deveríamos estar ouvindo lamentos, mas atos de penitência pelos erros cometidos. Não continue desesperada. Tudo se resolverá, basta que se amacie no tempo a paciência.
    Acontece que tão pesado é o meu fado que me sinto incapaz de afugentar todo o pessimismo e acreditar que um dia terei a graça de ver sobre a minha cabeça um céu de estrelas cintilantes e os meus ouvidos o prazer de ouvirem o repicar de sinos em sinal de louvor pela minha salvação.

    Espero que supere seu pessimismo, e as noites de pesadelo em um sono de criança. Como católica fervorosa que é reze para quer seus eleitores não se enganem na escolha dos seus prefeitos. Otimismo é força positiva. Afinal de contas amiga, tudo é transitório e a essência da vida se explica pela transação entre os opostos. A tempestade das suas aflições, esteja certa, logo se abrandará numa suave brisa.

    Levantamo-nos para as despedidas. Guardei uma certa distância, o suficiente para esperar-lhe a mão. Penedo fedia um pouco. O descuido da sua aparência passava a revelar uma pessoa arredia ao banho e um rosto macilento inspirou-me náusea, recusando-me a beijar-lhe o rosto como de costume. Fiquei tocado pela comiseração. Recordo-me do seu invejável passado e num átimo passa pela minha mente a imagem da estátua da liberdade em Nova York e desejei, do fundo do coração, que se livrasse das suas agruras e surgisse de uma fonte luminosa, como num passe de mágica, com todo esplendor e imponência erguendo a tocha da sua libertação.
     

    postado em 25/02/2013 08:13

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Crer ou não crer, eis a questão!

     

       Um dos personagens de Shakespeare, contagiado pelo conteúdo filosófico que entremeia a obra do respeitável autor, sentenciou: “ser ou não ser, eis a questão”. Você conhece a frase, não é verdade? A partir dessa bela e sonora construção verbal, o mundo não foi mais o mesmo. Centenas e centenas de estudos, teses, trabalhos acadêmicos de toda ordem, encenações teatrais e cinematográficas foram centradas na tal afirmação. Sábios e filósofos gastaram horas e horas de seu tempo – e muita massa encefálica – para refletir, deduzir, aduzir e tentar concluir sobre tão profundo pensamento. Da África a Oceania, do Oriente ao Ocidente, do Oiapoque ao Chuí, nos mais diferentes rincões do planeta a afirmação shakespeariana ricocheteou na alma humana feito relâmpago riscando os céus, adentrando e queimando o intelecto dos homens, incomodando-os e transformando-se em um grande enigma.

    Confesso que nunca parei para refletir com profundidade a respeito do seu conteúdo. Mas, de certo tempo para cá, diante da fragilidade dos conceitos produzidos pelo homem, diante da nossa pequenez em relação à grandeza que nos cerca, diante do grande número de perguntas, a grande maioria delas sem respostas, comecei a matutar sobre a questão. O que quis dizer o personagem, além do contexto do diálogo teatral em si? Será que a frase transcende ao seu tempo? Ou será que o conteúdo da frase está circunscrito ao período vivido pelos personagens? Aparentemente a frase é enigmática, misteriosa, profunda. Mas, afinal, para que serve o “ser ou não ser, eis a questão?” Ser o quê? Ou não ser o quê? Másculo, sabido, inteligente, dominador, ditatorial, sedutor, encantador, viril, político, competente, ter escrúpulo – ou não ter? Ser rico, pobre, articulador, bem sucedido, bonito, feio, conquistador?

    Ou será que o personagem debatia-se, já naquele tempo, diante do conflito de conviver com a dura realidade do ter ou não ter, eis a questão? Como se sabe, o ser humano é cíclico. Cíclico no ódio que nutre por alguém, cíclico nos ciclos econômicos, políticos, sociais. O odiado de ontem é o idolatrado de hoje – e vice versa. As grandes verdades de outrora não são hoje tão verdadeiras assim. As grandes sentenças, inclusive do ponto de vista jurídico, sofrem contínuas modificações, atualizações e revisões. A Terra já foi tida como quadrada e o louco do Galileu quase que dança na fogueira da (santa?) Inquisição quando apresentou uma verdade diferente. Até a Medicina também cria e curte seus ciclos, apesar de trabalhar com a vida humana, matéria prima tão cara a todos nós. Os celebrados regimes e dietas de vinte anos atrás hoje são menosprezados e até evitados, enquanto novas fórmulas mágicas se sucedem apregoando uma nova verdade. Sacou como somos cíclicos, sazonais, inconstantes, periódicos?

    Ultimamente tenho lido e ouvido os grandes arautos afirmarem que o homem é o que crê. Nos cursos de auto-ajuda, em seminários de motivação, nas empresas principalmente, a pregação agora gira em torno da necessidade de levantar sua auto-estima. “Você é grande” berra o novo atalaia; “você pode” esgrima o grande profissional desse emergente mercado. Agora, com esse novo ciclo, temos três realidades distintas a analisar: a turma que defende o ter ou não ter, eis a questão; os que, sonhadoramente, continuam a se inclinar sobre a máxima shakespeariana do ser ou não ser, eis a questão; e os que travam uma batalha contemporânea bastante intensa para fixarem na mente popular que a vantagem está no crer ou não crer, eis a questão. E agora, qual a sua opção? Você é pelo que tem, você é pelo que é ou você é pelo que crê?

    Tudo isso, aparentemente, pode até ser visto como uma questão banal, mas na verdade a escolha representa uma grande diferença na sua qualidade de vida. O ter é a celebração do materialismo, do consumismo, do egoísmo, de uma concepção de vida baseada na concorrência exacerbada, no ganhar – sempre. O ser é o caminho que lhe leva a concentrar todas as suas ações no seu próprio eu. “Eu sou bom”, “eu sou caridoso”, “eu sou isso”, “eu sou aquilo”... Já o crer é a construção de uma vida lastreada na existência de um Ser superior, um Deus que, pela fé, se revela amoroso, redentor, maior do que você, maior do que os seus problemas e com quem você convive, se quiser, em perfeita harmonia – para vantagem sua. Porque quando o homem não entende um processo, um fenômeno vem o conflito interior, a angústia, a grande indagação. Nessas horas o ter pouco adianta, o ser pouco esclarece, enquanto o crer acalenta, tranqüiliza, revigora, fortalece – e explica. Eu já decidi: no crer reside a grande diferença. Vai embarcar nessa também?

        

    postado em 17/02/2013 11:24

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Mercado Municipal: Torrando a paciência

     

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    Qual a utilidade de um prédio fechado, especialmente quando tem uma destinação comercial? Nenhuma. Somente prejuízos é o que se tem a contabilizar, registrando-se, no caso em tela, furtos, a depredação e o comprometimento da conservação. Sua teimosia em assim permanecer após tantos meses do término de sua reforma só pode ter um significado: está se tornando um monumento sagrado e consagrado a torrar a paciência dos que lá irão praticar o comércio. Perde também toda a cidade. Significa claramente um alheamento a atividade econômica, tão essencial, e uma terrível cegueira política. Como entender que num ano de campanha eleitoral, não soube o prefeito tirar dividendo com a inauguração? Existe justificativa para tamanho descuido de estratégia política?

    Afinal de contas, por que não foi inaugurado o torrador de paciência? Pela falta de complementação de pequenos detalhes? Mas quem foi que disse ou é capaz de afirmar, à luz da sensatez, que o supérfluo é tão importante ao ponto de impedir que a essência se torne realidade? Picuinhas e pequenos detalhes, próprios da vaidade feminina, não podem interferir na seriedade das decisões.

    Quase diariamente passamos pela sua frente e não cansamos de esticar o olhar em busca de novidade, torcendo para vê-lo com suas portas abertas. Nada muda, permanecendo estupidamente fechado.

    Há poucos dias atrás, casualmente nos encontramos com o Gustavo Lisboa, um dos interessados diretos, vencedor na concorrência para voltar a explorar o restaurante ao lado do Teatro 7 de Setembro. Procuramos saber se tinha conhecimento das causas impeditivas da inauguração. Informou-nos que é pela falta de construção das calçadas laterais. Inacreditável! Quanta infantilidade e falta de seriedade, reagimos intimamente, diante de uma situação tão importante! Infantilidade que se irmana perfeitamente com a falta de humanismo e sensibilidade sócio - econômica.

    Acreditamos que o acerto de uma escolha deve pautar – se no pragmatismo, avaliando entre os diversos caminhos aquele que melhor atende os anseios da sociedade. Assim, entre inaugurar sem calçadas e não fazer sem as mesmas, onde está a melhor vantagem? É evidente, mesmo a uma inteligência abaixo da média, que a primeira opção não é apenas a mais importante, mas a única. Eis porque não concordamos com tanta falta de discernimento, , merecedor do repúdio geral.

    Prefeito, vamos inaugurar o infelicitado mercado, refém do obscurantismo que teima impedir o seu reencontro com a sua finalidade. De molho encontra – se a expectativa dos interessados diretos e também de toda a cidade. Impronunciável é o verbo esperar. Sabemos da extrema dificuldade financeira do município, herdeiro, como afirma, de uma dívida impagável. É exatamente essa calamidade que aconselha a sua inauguração. Não haverá necessidade de gastos. Basta que se faça a comunicação pelo rádio. Esqueça a festa e os inoportunos discursos. A falta de calçamento das ruas adjacentes e calçadas laterais serão posteriormente feitos. Não constitui nenhum obstáculo ao comércio. Você poderá praticar um ato que será marcante pela simplicidade e originalidade. Basta que volte por um instante a ser criança e tome uma atitude singular, pronunciando as palavras mágicas: Abram – se as portas do mercado!

    Nada mais do que isso. Embora não seja uma mágica, mágico será o momento quando o peito oprimido pela ansiedade dará lugar ao sorriso largo e escancarado pela alegria. Nuvens escuras que empanam o brilho do nosso céu devem ser dissipadas. É hora, ilustre prefeito, de semear a felicidade.

    postado em 05/02/2013 10:42

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    E para onde vão os não selecionados?

     

    O ser humano é, por natureza, seletivo. Seleciona amizades, relacionamentos, profissão, local de morada, de trabalho, bebidas, comidas, livros, filmes e uma série infindável dos mais variados itens que compõem o universo humano. E, da mesma forma que age seletivamente no campo racional, o homem é levado biologicamente a permanecer na esfera seletiva quando suas ações envolvem escolhas de natureza sensitiva, metafísica, espiritual. O olfato é seletivo, o tato também – como também o são todos os demais sentidos. Em vista disso, seria mais do que lógico gestar-se, no âmbito dos elementos que circunscrevem o homem, uma cultura correspondente. E isso realmente acontece, com a seletividade invadindo os terrenos mais díspares e celebrando os objetivos igualmente os mais variados. E aí (afinal, ninguém é de ferro) os limites extrapolam e os absurdos se fazem presentes, atingindo o inimaginável.

    Hitler, por exemplo, praticou a seletividade na população alemã a grau extremo, querendo, com isso, atingir a expressão maior da pureza ariana, um sonho louco que outros loucos infelizmente apoiaram. Franco, na Espanha, à mesma época, exercitou a seletividade político/ideológica torrando, no campo do conflito armado, quem não se enquadrava nos seus devaneios ditatoriais. Stalin, um pouco depois, também se aprofundou na seara da seletividade, matando, a torto e a direito, aqueles que não se encaixavam no perfil que escolhera. Chegou, inclusive, a fazer seleção além mar, ao fincar, através de um fanático militante, uma machadinha na cabeça do camarada Trotsky. Como se vê, a prática da seletividade entregue ao livre arbítrio do homem consegue tisnar de negro a história em todos os quadrantes. (Embora, no que toca à Ciência, o selecionar tenha contabilizado enormes benefícios).

    Mas não fiquemos somente ao lado de tais figuras. Aliás, bizarras figuras. Busquemos facetas mais amenas do ato de selecionar. Encontraremos? Dia desses, vendo um comercial de TV, tive a curiosidade despertada por um chavão que impregna a atividade publicitária e que quer nos fazer de idiotas. Em meio a imagens belíssimas de uma área gramada, (era um comercial de vinho), em idílico cenário, o locutor informa que o produto era resultado de um rigoroso processo de seleção de uvas. Fiquei a imaginar, então, a enorme quantidade de uvas lançadas fora após a seleção. Montanhas e montanhas delas certamente. Mais adiante, em anúncio de carne de frango, outro locutor comunica que a fábrica coloca no mercado frangos “rigorosamente selecionados”. E os não selecionados onde vão parar? O mesmo acontece com perfumes, leite, cervejas, roupas, produtos de beleza...

    Faço um exercício mental e não consigo enxergar onde se encontra o resultado dessa gigantesca operação seletiva. Jogaram no mar? Distribuíram entre os pobres? O negócio começa a ficar complicado quando o processe envolve gente. Porque, entre frangos, uvas, roupas e que tais, sou “trabalhado” por outra empresa, cujo apresentador afirma, professoralmente, que o seu quadro funcional é resultado de uma “rigorosa política de seleção de recursos humanos”. Daí ser o seu produto o melhor, o maior, etc, etc, etc. E agora? Se em um processo seletivo apenas uma pequenina parte de um todo é escolhida, o que será feito da parcela sobrante? Em se tratando de mercadorias ainda dá pra amontoar o que restou da seleção em algum lugar. Ou, no mínimo, esperar que compradores menos exigentes adquiram o restolho. Mas com pessoas, com seres humanos, como se faz? É bronca! Alguma sugestão?




          

    postado em 28/01/2013 07:01

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Não em prol da cidade, mas pelo interesse próprio

     

    Roberto Miranda

    Ex-prefeito Israel Saldanha deixou folhas salariais atrasadas e débitos com fornecedores

    Um prefeito que intencionalmente, levado pelos mais torpes e vis sentimentos deixa o município em situação caótica, fica evidenciado mais uma vez que o eleitor cometeu um engano, elegendo um espécime do esgoto humano, sem compostura e estatura para o exercício do cargo.

    Vamos imaginar que você quer transformar o município numa salada indigesta para ser oferecida, num gesto de gratidão, ao povo e ao seu sucessor. Os ingredientes para fazê-la são encontrados entre muitos prefeitos derrotados, como você, portadores dos piores adjetivos. Quais as delícias que iremos degustar? A irresponsabilidade, molecagem, assalto, sabotagem e o vandalismo entre tantos outros sabores infernais. Foi exatamente com esse prato que alguns prefeitos frustrados em sua reeleição acharam por bem recepcionar seus munícipes.

    Muitos se candidatam a prefeito, partem para a luta, mas somente poucos estão preparados para enfrentar a derrota. Vitoriosos, como diria Ulisses Guimarães, passam a usufruir o orgasmo do poder. Em sentido contrário, o malogro das urnas, fantasma dos desesperados, transforma-se num carrasco que obriga descer goela abaixo um cálice de fel.

    O comportamento desses dois extremos ficou patente com o desfecho do último pleito. Alguns, inconformados com a reeleição perdida, tornaram-se, no mínimo, alheios à administração do município. Em casos mais graves, se não foram os mentores direto pelos desmandos, tornaram-se responsáveis pela omissão permitindo a depredação do patrimônio público. Foi um gesto que demonstrou claramente uma personalidade imatura, egoísta e irresponsável que enxerga apenas a si próprio e seus interesses acima de tudo. 

    Suas obrigações com a administração que deveriam persistir até o fim do mandato, entraram em colapso, fruto de uma carência de formação doméstica que não aprendeu o que seja compromisso e responsabilidade. Essa é a única causa responsável, sem qualquer dúvida, pela deteriorização ou mesmo inexistência de boas e sólidas instituições em nosso país.
    Os telejornais mostram o absurdo e o inacreditável. Exibiram cidades no meio do caos tomadas pelo lixo, veículos sucateados, bens dilapidados, surrupiados, documentos importantes extraviados, computadores furtados ou danificados e prédios em péssimo estado de conservação. Um cenário tão estarrecedor, vendo cidades reduzidas a destroços de guerra, que não dá para acreditar que estivessem sob os cuidados de uma administração.

    É inevitável que ao assistirmos todo esse descalabro não nos lembremos da campanha eleitoral quando esses inabilitados e empulhadores berravam no palanque, dizendo-se portadores das melhores intenções e projetos redentores para todos os males sociais. É o local e a oportunidade onde a mentira aparece em toda sua pureza, transformando-se na mais tradicional das nossas instituições. Muitas vitórias são a ela atribuídas, mas como têm defeito de nascença, são carentes de longevidade. Assim, ser eleito pela primeira vez, pode ter sido resultado desse artificialismo, a conhecida demagogia. A reeleição, pelo contrário, prova que o prefeito fez o dever de casa e atendeu as expectativas do eleitorado.

    É bem verdade que uma eleição ou reeleição nem sempre se explica de uma forma simplista entre o bem e o mal. Outros fatores podem pesar nos resultados. No caso da reeleição, seja qual for a causa do insucesso, o que não se pode conceber é que desabafe a dor da derrota, penalizando a população e criando obstáculos ao seu sucessor, obrigando-o a decretar estado de emergência. Se fosse modesto e tivesse o hábito de fazer autocrítica, iria perceber, possivelmente, que em si próprio encontram-se as causas da derrota.

    Em resumo, para disputar um cargo eletivo, o candidato não precisa apenas aparecer, tem que ser e saber inspirar confiança e, acima de tudo, ter compostura e estatura para o cargo. Nenhuma cidade deseja receber o esgoto humano e muito menos tem qualquer pretensão de satisfazer vaidades pessoais pelo cargo no interesse próprio.
     

    postado em 20/01/2013 10:30

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    O que será de nossas crianças?

     

    Uma das maiores preocupações dos pais atualmente é manter distância entre seus filhos e o alcoolismo. Distância que, lamentavelmente, fica mais curta a cada dia que passa. Embora seja um fenômeno ao qual as autoridades têm dado pouca atenção atualmente, o vício do consumo do álcool no âmbito infantil se constitui uma ameaça futura de alto poder de destruição. Afinal, a criança, o adolescente, o jovem de hoje será o profissional de amanhã, o futuro dirigente de empresas, o político a comandar os destinos de cidades, estados e do próprio país.

    E assumir tamanhas responsabilidades sendo íntimo do consumo do álcool é algo realmente preocupante. O interessante é que todo mundo sabe disso, mas as providências para que este público seja mais protegido, mais fortalecido, mais resguardado do consumo prematuro do álcool passam muito longe de uma base mais efetiva, mais objetiva.

    Por outro lado, as estatísticas no tocante ao problema se apresentam, a cada dia, mais carregadas de negras projeções. A cada ano mais diminuem os espaços que separam as crianças do acesso ao álcool. Recentemente, uma reportagem de uma emissora de televisão constatou que o consumo costumeiro, rotineiro, diário de bebida alcoólica já chega, naturalmente, à faixa dos nove anos de idade. Você entendeu bem? Vou repetir: o alcoolismo já atinge crianças de nove anos de idade! E o que é pior: esse fenômeno só se alastra a cada ano, descendo cada vez mais na faixa de idade.

    Há até pouco tempo atrás, o vício do consumo do álcool era comum em jovens de 16 anos para cima; depois o vício passou a atingir os de 14 anos; depois os de 12. Agora, a conclusão dos estudos é que crianças com nove anos já se “deliciam” com os prazeres advindos do consumo rotineiro de bebidas alcoólicas.

    Este fenômeno, extremamente negativo, passa por dois agentes como principais responsáveis pela sua propagação. O primeiro, indiscutivelmente, é a mídia. Com competência largamente demonstrada na glamorização dos mais variados assuntos, os veículos de comunicação têm contribuído, em muito, para a difusão do hábito de beber na população infantil. Durante a cobertura de campeonatos mundo a fora, as tv’s só têm exibido pessoas, nos mais diferentes países, comemorando as vitórias dos seus times com vistosos copos de cerveja na mão. As crianças estão vendo isso? Claro que sim.

    E a conclusão a que chegam? Também nos intervalos comerciais as tv’s mostram produções publicitárias sofisticadíssimas nas quais o charme, o enleio, a alegria, o prazer só são alcançados com um copo de bebida alcoólica bem à vista. Como as transmissões ocorrem em horário aberto aos olhos infantis...

    Outro agente impulsionador do desejo infantil de atingir o mais cedo possível o tal “mundo de prazer” dos adultos – e de preferência com um copo na mão – é a família. Recentemente, uma adolescente alcoólatra declarou que se iniciou no álcool passando o dedinho nos copos de cerveja dos pais. Como fazíamos, quando crianças, (lembram?) ao passar o dedo na panela do bolo. A diferença é que era bolo o que comíamos. Já nos dias atuais... Outro, vejam só, começou sua vida de alcoólatra tomando cachaça na tampinha da garrafa do papai.

    Muitos pais não sabem da enorme influência que têm sobre os filhos como guias, amigos – educadores, enfim. E que sai muito caro praticar uma postura de desconhecimento, de omissão em relação ao exemplo que devem dar. Assim, pelo que se vê, só falta agora o bebê já nascer pedindo uma. “Por favor, um 12 anos on the rocks”. E a tv mostrando. Já pensou? 


     

    postado em 15/01/2013 10:36

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Penedo Histórica e Turística: Um Cartão Postal ou Bostal?

     

    Penedo está um paraíso para os porcos. Seu atual estágio de desconstrução civilizatória, de decadência e regressão, que antagoniza com o espírito de gloria do passado, até parece um propósito consciente para transforma-la numa original pocilga mista de porcos e sua população. Não somos contra o porco, de carne saborosa por sinal, mas contra a porcaria, a imundície que a transforma num chiqueiro a céu a aberto. As criticas e reclamações com essa insuportável convivência são generalizadas, urgindo que os que cuidarão do seu destino deixem a sua aparência. Para tanto, Penedo não precisa, necessariamente, de um prefeito arquiteto, mas que tenha um bom gosto pelo belo e apreço pela limpeza. Que se sirva de bons arquitetos para construir e fazer reformas, assim como saber impor ordem em tantos desarranjos que a tem transformando numa cidade espantalho. Também não é indispensável que seja um paisagista, mas que tenha ouvidos para escutar os apelos e reclamações da população. Que tenha olhos para ver a sua triste aparência de uma velha desprezada, quando sua idade, respeitados os vestígios do passado, é um dos fatores da sua atual e permanente redenção. Que tenha sensibilidade, sinta o desejo e a necessidade de remoçá-la para que possamos respirar a pureza do seu ar e continuarmos a admirar e cultuar a inspiração estética de seus criadores. Será que isso é uma preocupação de somenos importância? Acreditamos que não. A boa aparência e a limpeza de uma cidade refletem o seu grau de civilidade, servindo de cartão postal para os que nos visitam. Não bastasse esse aspecto sedutor, que enfeitiça o nosso espírito, a higiene, tem a eficácia do saneamento preventivo contra inúmeras doenças e evita a convivência com animais pestilentos. Será que essas razões não são suficientes para que a nova e seguintes administrações ataquem de frente a repulsiva fealdade de Penedo que tanto nos nauseia, envergonha e horroriza o turista?

      Por que Penedo, na proporção do seu crescimento físico, vem na mesma medida se mostrando avessa ao bom gosto e a higiene? A resposta, infelizmente, simples e evidente, é que sua população, na grande maioria ignorante, não tem noção de sua importância e os malefícios de um comportamento rústico e primitivo.

    O turista que nos visita, chegando pela travessia de balsa, do outro lado assesta o seu binóculo e tem uma agradável visão dos casarões coloniais, certo que suas expectativas não serão frustradas em conhecer mais uma cidade histórica. Ao desembarcar, no entanto, não deixa de sentir um certo desapontamento logo ao desembarcar, exatamente com a nossa sala de visitas. Sala que no passado era uma cozinha desarrumada. Surgiu então uma vivificante reforma que lhe deu um bonito visual. Surgiram na praça bares padronizados e outras obras à beira do rio. Foi como a chuva que caindo em terra fértil, fez surgiu a vida, especialmente à noite, antes inexistente. Recentemente passou por uma nova reforma e que não obstante, decorrido um longo tempo, não sabemos se já concluída, dada a precariedade e o mau gosto do que foi feito. Qual foi sua finalidade? Se teve um sentido prático e estético, pessoalmente, enxergamos o contrário, classificando-a como uma deformidade desses objetivos.

    Qual a realidade nua e crua, atualmente, da nossa sala de visitas? Há muito estamos assistimos boquiabertos e incrédulos a um retorno gradual à sua condição de cozinha suja e desleixada. Seus bares, com exceção do Oratório, parcialmente descaracterizados na aparência, ganham ares dos botecos do Pavilhão. Desarrumados, sem um cardápio original, só o turista com gosto pelo exótico é capaz de se dirigir aos mesmos. É consequência de uma escolha aleatória dos que estão a explorá-los, sem antes submetê-los, como condição indispensável, às orientações do SEBRAE a respeito da atividade comercial, seus requisitos para um bom atendimento e o bom aspecto de seus estabelecimentos.

    Sequenciando a degradação visual da sala em tela, não podia ter surgido cenário mais inconsequente com as pretensões de uma cidade que se diz turística do que a tolerância com as horríveis barracas instaladas em frente ao supermercado Ki-barato. Uma turista, incrédula com o que via, perguntou a um nativo se as barracas pertenciam aos sem-terra, para a venda de seus produtos agrícolas. Além de ser uma aberração o comércio lá existente, por sinal sujo, feio e insignificante, serve para atestar o alheamento e o desprezo pela cidade por parte da administração municipal. Não menos vergonhoso é o lixão da Rua João Pessoa, em terreno baldio de frente para a igreja São Benedito. De vez em quando uma máquina faz a limpeza. Sem meios para impedir a ação da ignorância por parte de carroceiros, o cenário se repete com o descarregamento de entulho. O que mais podemos esperar para borrar a fotografia da nossa cidade? Já tivemos a oportunidade de ver despachos de macumba, talvez com a intenção de pedir aos orixás que levem uma mensagem a sua divindade superior para que clareie a visão dos futuros prefeitos, a fim de acabar, definitivamente, com a sujeira que toma conta da cidade. Que venha a salvadora graça divina para mudar, pois, o que mais nos causa pessimismo e decepção não é tanto o que acabamos de descrever, mais a burra persistência para não mudar para melhor.

    Penedo clama por uma mudança de mentalidade de seus administradores para fazê-la reencontrar-se, perdida que se encontra de sua vocação histórica. O novo prefeito recebe uma cidade transviada do seu rumo, desprezada, transmitindo a mais completa imagem da desolação de uma velha caduca a arrastar os pés, desarrumada, suja e desfigurada, obrigada a carregar em suas mãos trêmulas uma taça emblemática de cidade turística cartão bostal. É uma cena deprimente, mas é a dura e melancólica realidade que a cerca. Esperamos que a gestão que se inicia eleja a limpeza como uma de suas prioridades, escolha que por si só a distinguirá como de pleno êxito. Faça com que Penedo sinta aos poucos a agradável sensação de estar removendo do seu corpo a sujeira que a sufoca e passe a vesti-la com o requinte da elegância própria de uma senhora de classe disposta e preparada para contrair núpcias eterna com a higiene que a reconduzirá ao convívio com a civilidade, trocando o depreciativo cartão bostal pelo autêntico postal a revelar toda a sua beleza, naturalmente bela por natureza.
     

    postado em 08/01/2013 11:46

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    Marta Martyres
    Radialista, diretora da rádio Penedo FM, âncora do jornalismo no Programa Lance Livre


     

    Triste e Melancólico Final

     

    Nos primeiros dias de janeiro de 2009, pouco menos de noventa dias depois de um tumultuado processo eleitoral que trouxe uma desconfortável nódoa de desconfiança para a história política de Penedo e deixou a população emocionalmente abalada e perplexa, testemunhamos um intenso bombardeio de denúncias. 

    Parecia estarmos diante de uma grande tela, assistindo uma versão cinematográfica cujo roteiro se desenrolava na eterna batalha entre o “bem” e o “mal”. No caso, era apregoado que o “bem” vencera o “mal” durante a disputa eleitoral e que os “mocinhos”, guerreiros vencedores da “santa batalha”, agora assumiam os destinos de um reino que seria reconstruído com honestidade, trabalho, benevolência, respeito, liberdade e muito, muito amor, e onde o povo seria feliz para sempre.

    E como não podia deixar de ser, a primeira ação dos “mocinhos” da estória foi a limpeza, ou seja, a retirada dos entulhos da destruição deixada pelo “mal”, os escombros da batalha. Para isso, os “mocinhos” contrataram uma empresa intergaláctica, a LIMPEL, pela bagatela de R$ 284.250,88 (duzentos e oitenta e quatro mil, duzentos e cinquenta reais e oitenta e oito centavos)/mês.

    Diante de ruidosos arautos e enfileirados militarmente, os veículos destinados à faxina desfilaram pelas ruas da cidade anunciando a nova era.

    Não vingou. Não limpou. Não eliminou os refugos, não retirou os supostos escombros e, pelo contrário, lançou sobre a desconfiança da assunção, novas impurezas de uma fuligem que parece impregnar o patrimônio público.

    Depois, mudou a estação e mudaram os métodos. Atordoados pelos gastos astronômicos, o excessivo número de pessoas contratadas e apoquentados pela incompetência na condução do processo, inclusive daquele que culminou com a perda dos royaltieis que rendiam um recurso significativo para o município, os “mocinhos” decidiram adotar o mecanismo próprios das ditaduras para “consertar” as coisas que, eivadas dos vícios da decantada social democracia, cambaleavam juntamente com a Casa de Madraçaria sobre o combalido rochedo: o decreto!

    O decreto de urgência administrativa veio primeiro, mas também não conseguiu impor qualquer tipo de ordenação e a orquestra seguiu desafinada.

    A saúde ficou doente, a escola literalmente desmoronou, a limpeza emporcalhou e sem conseguir alcançar o aplauso da plateia, um ano e três meses depois, o Alcaide planejou uma escalada ariscada para salvar a própria pele e tratou de repassar para o “mocinho número 2” a missão de dar continuidade ao espetáculo, mas, sem levar consigo os instrumentos desafinados e ainda mantendo as cordas tensionadas e sob controle.

    Após a excitação inicial e aberto o artístico embrulho, o “mocinho número 2” deparou-se com o verdadeiro presente: uma prefeitura quebrada, com débitos de cerca de R$ 8 milhões e uma folha que passou de R$ 25.828.083,29(vinte e cinco milhões, oitocentos e vinte e oito mil, oitenta e três reais e vinte e nove centavos) em 2008, para R$ 35.582.656,44 (trinta e cinco milhões, quinhentos e oitenta e dois mil, seiscentos e cinquenta e seis reais e quarenta e quatro centavos) em 2009, ou seja, um aumento de quase 10 milhões de reais em apenas um ano e três meses de mandato.

    Seguiram-se então 45 dias de agonia, depois dos quais o “mocinho número 2” resolveu lançar mão da ferramenta da moda: o segundo decreto.

    Na saúde, musa das campanhas eleitorais, onde no ano de 2009 foram gastos R$ 25.812.752,13 (vinte e cinco milhões, oitocentos e doze mil, setecentos e cinquenta e dois reais e treze centavos), sob a alegação de greve de médicos, enfermeiros e dentistas, paralisação dos programas de saúde da família, falta de medicamento e surto de dengue com mortes confirmadas, entre outras mazelas, foi decretado ESTADO DE PERIGO IMINENTE, CALAMIDADE PÚBLICA E URGÊNCIA, decreto este questionado pelo Ministério Público e nunca justificado, segundo nota publicada pelo próprio MP.

    A esses fatos, somaram-se outros, mais outros e ainda mais alguns que a três dias do final triste e melancólico deste mandato, merecem um registro.

    Dentre tantas mazelas deixadas pelo “bem” que tão mau administrou a cidade de Penedo nos últimos quatro anos, podemos citar a situação de abandono com o lixo espalhado pelas ruas, as praças destruídas, o prejuízo dos empresários que passaram mais de uma semana impedidos de emitir nota fiscal em suas empresas porque o município não honrou compromissos financeiros com o provedor da Nota Fiscal Eletrônica, os débitos com fornecedores que não serão quitados e dos quais ainda não se tem o montante, salários atrasados de servidores, não pagamento de décimo terceiro salário, dívida milionária com a Previdência Social e tantas outras, sem falar nos prejuízos pela falta de planejamento e de projetos, pelas obras inacabadas, pela desorganização generalizada da cidade que merecia mais respeito pela sua história e pelo seu valor nacional.

    Dentre os males que essa administração de final triste e melancólico deixou como herança para o povo de Penedo, está a perda dos recursos para a reforma e ampliação do Aeroporto Freitas Melro, a falta de planejamento na concessão de espaço para a construção do novo Fórum, INSS e outras instituições na Lagoa do Oiteiro, causando um colapso na tricentenária feira de Penedo; a obra da Orla, com seus alagamentos e transtornos no período das chuvas, a desordenação dos ambulantes, a obra inconclusa do Mercado Público e a insatisfatória obra do Pavilhão da Farinha que não é e nunca foi um “antro de prostituição” como disse o “mocinho número 2” durante a campanha eleitoral, entre muitos outros..

    Uma vez, em um programa de rádio, o “mocinho número 1” disse a seguinte frase: “Em nenhum lugar do mundo eu vi o bem ganhar do mal.”.

    Pode até ser verdade. Mas certamente isso deve acontecer em outros mundos, outros reinos. Em Penedo, cidade que nunca teve Imperador e nunca terá, como em qualquer estória ou história contada, em qualquer batalha travada entre o bem e o mal, haverá sempre a possibilidade de A VERDADE prevalecer.

    E a VERDADE agora prevalece!

    E por falar em verdade, o “mocinho número 2” é a décima vítima daqueles que sonharam com uma Penedo melhor, o que comprova a teoria de que cotia ficou sem rabo de tanto fazer favor!

    Mas, afinal, quem é mesmo que está mentindo?

    IT IS THE END

     

    postado em 30/12/2012 11:07

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    Wilton Lisboa Lucena
    Professor da Faculdade Raimundo Marinho e integrante da APL


     

    A Plenitude dos Tempos

     

     

    Desde a descoberta da escrita, quando o homem passou a registrar a sua história, legando o conhecimento às sucessivas gerações, não existe para o mundo cristão um acontecimento tão singular e grandioso como o advento do primeiro Natal; e uma das coisas mais sublimes que pode ser considerada neste extraordinário evento é o modo como o Pai Eterno enviou o seu Filho a este mundo. “A plenitude dos tempos” é a expressão usada pelo Apóstolo São Paulo, em referência ao final de um longo período de espera e preparação, no qual Deus, na sua soberania utilizou a contribuição de três importantes povos antigos: os romanos, os gregos e os judeus. Os primeiros, que haviam consolidado o seu império, após muitas guerras e tinham estabelecido um tempo de paz, a pax romana, abriram as rotas marítimas para o comércio e construíram um sistema de estradas ligando todos os seus domínios, o que daria oportunidade para a propagação da mensagem cristã.

    Os gregos com o seu idioma, que havia se tornado uma língua universal, semelhante ao inglês em nossos dias, viabilizaria a disseminação da mensagem do Evangelho. Finalmente os judeus, com a sua fé monoteísta, aguardando o cumprimento da promessa Divina da vinda do Messias, contida nas Escrituras Sagradas, que indicavam até o local de nascimento, conforme a citação do profeta Miquéias, registrada em seu livro (Miquéias 5.2), onde o mesmo afirma: “E tu, Belém, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel. Todavia, ao chegar o dia tão esperado, o advento de Jesus passa despercebido. É apenas revelado a alguns simples pastores que guardavam os seus rebanhos nas campinas da cidade de Belém. Os poderosos, entre estes, os líderes religiosos, não tomaram conhecimento. Segundo o relato dos Evangelhos, nem lugar havia nas pousadas, todas lotadas, em virtude do recenseamento decretado pelo Imperador Romano César Augusto, obrigando o casal José e Maria a se instalarem em uma humilde estrebaria. O paradoxo é que, para as elites judaicas, o Rei ansiosamente aguardado deveria nascer em berço de ouro, entretanto, o menino Jesus é colocado numa manjedoura.

    Ao tornar-se adulto, mais uma vez contrariam-se as expectativas, o Rei tão esperado deveria entrar triunfante em Jerusalém com vestes finas e montado num garboso cavalo branco, no entanto, Jesus entra vestido com uma simples túnica e montado num pequeno jumento. No exercício de seu ministério, certa vez exclamou: As raposas tem suas tocas, as aves dos céus os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem um lugar para reclinar a cabeça.

    Então, surge uma indagação para todos nós: por que Deus agiu desse modo? As prováveis respostas que me satisfazem, são dadas pelo maior interprete do Cristianismo, o Apóstolo São Paulo. Este afirma que Deus usa as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes, as coisas loucas para confundir as sábias, as coisas vis e desprezíveis e as que não são para aniquilar as que são, para que ninguém possa se gloriar diante Dele. (I Coríntios 1.27-29). Também, encontramos na singular revelação de São João, em seu Evangelho: E o verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (João 1.14) que o Deus Eterno se humanizou, para que houvesse uma comunicação direta entre o Criador e a sua criatura, que o “Filho de Deus” se fez “Filho do Homem”, para que os “Filhos dos Homens” se tornem realmente “Filhos de Deus”.

    Ao chegarmos à comemoração de mais um Natal, vale a reflexão que neste mundo consumista onde o “ter” continua sendo mais valorizado do que o “ser” é oportuno, lembrar os verdadeiros valores do Natal, que devem estar acima das tradições das luzes, das ornamentações, das ceias, das trocas de presentes, tão convenientemente estimuladas pela mídia, e das renovações dos votos de paz, amor e esperança. Tudo é muito lindo, causa admiração e até emoção, todavia, não terá nenhuma valia, caso não haja nos corações o devido lugar do Cristo como Senhor e Salvador. Que possamos reconhecer o imensurável amor de Deus doando o seu filho Unigênito como a maior dádiva para a humanidade, e retribuí-lo, não apenas nas belas liturgias, mas, sobretudo, no nosso agir em favor dos excluídos de nossa indiferente sociedade. Este é realmente o “Natal de Cristo com Cristo”.
     

    postado em 24/12/2012 08:53

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  • artigos

    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    Sabedoria em conflito

     

    Sempre ouvimos falar, principalmente dos estudiosos, que a humanidade de tempos em tempos sofre mudanças em razão de determinados fatos que podem estar ligados às questões climáticas, sociais, políticas, religiosas, tecnológicas e humanas. Hoje, podemos afirmar que o planeta Terra está em verdadeira ebulição em razão das agressões à natureza, dos desrespeitos, da ignorância, da insensibilidade, da ganância desenfreada de todos nós, seus hóspedes, que ao invés de lhe dedicar amor, proteção, cuidado, em troca das benesses que recebemos , fazemos, infelizmente, o contrário. Nas questões atinentes à preservação, em nada avançamos , somos verdadeiros ignorantes se comparados ao homem da pré-história que, do nada, descobriu o fogo, entendia a importância do dia e da noite; do sol e da lua; dos rios e das florestas. Esse homem era sábio e se comportava como criatura e não como Criador.

    Enquanto o saber humano de alguns, se amplia pelo avanço da tecnologia e da ciência a um nível muito elevado e inalcançável pela maioria, aumenta, na mesma proporção, com uma velocidade feroz, a insatisfação pela vida, pelo bom relacionamento, pela prática do amor, até mesmo entre membros de uma mesma família, entre empregados de uma empresa, no ambiente escolar, gerando por consequência um descontrole emocional que tem concorrido para que muitas vidas sejam ceifadas, ainda em idade pueril, e outras, debilitadas pelo uso incontrolável das drogas, das doenças psicossomáticas, do abandono e dos maus tratos.

    O homem deixou de olhar para o alto e também para o seu interior onde se armazenam as respostas para suas indagações e conflitos. Alguns privilegiados se preocupam apenas em conquistar poder, fama, fortuna, escravizar outros homens, mas vive infeliz consigo mesmo, apesar de seu patrimônio, da sua conta bancária recheada, das aplicações em paraíso fiscal e do poder que ostenta seja ele, politico, social, econômico, ou religioso. O poder, a fama, a fortuna sempre foram ingredientes de uma massa fétida que afasta, ignora, repele, escraviza, discrimina o outro que não se ajusta dentro de seus padrões doentes, cancerígenos, volátil. 
    Esse homem não aceita ser criatura, ele se acha criador.

    Ele não sabe o que é um nascer ou por do sol, o nascimento ou amor de um filho, a importância de uma família, de uma esposa como companheira, amiga, parceira, necessária para procriar sua prole, sua continuidade humana. Ele é um vazio. Um corpo oco, sem vísceras, órgãos, artérias, veias, sangue, sentimento. É como se dentro dele não existisse vida humana. Vida humana não é apenas existir como um animal, um verme, uma planta. Vida é partilha, é amor, é sensibilidade, afeição, respeito, disponibilidade. Viver é entender que somos criaturas e não criadores. Que não somos capazes de criar nada a não ser através de algo que já existe. Somos seres espirituais vivenciando experiências humanas.
    O homem, apesar de toda sua “sabedoria”, gasta bilhões de dólares para investigar se há água em marte, em mercúrio ou em outro planeta, mas a viseira que ele mesmo coloca em seus olhos, não o capacita para enxergar que em nosso planeta Terra, muitos morrem por falta de água. Os cientistas comemoram a descoberta de que no Planeta Mercúrio tem água gelada, apesar da temperatura escaldante e que o gelo e os compostos orgânicos são semelhantes ao piche ou carvão. Outra notícia diz que “Cientistas da NASA sabem que Marte tem bastante gelo, mas é a primeira vez que assistimos a hipótese de haver água líquida”.

    No Brasil, um país que possui a maior reserva de água doce do Planeta, os sertanejos vivem a enfrentar grandes dificuldades com a seca no Nordeste que tem afetado substancialmente a produção de cana, de feijão, milho, leite, a criação e gado e a vida de homens fortes, obstinados, de fé, que não perdem a esperança de um dia usufruir de programas governamentais que amenizem esse sofrimento. Muitos desses Municípios já tem aparência de deserto. E se for comprovado que em Marte ou Mercúrio tem água líquida? Essa água servirá para nós? Se servir, como transportá-la?. Concluída essa descoberta que beneficio terá a humanidade? Apesar de todos esses investimentos bilionários, a NASA está planejando nova sonda para Marte em 2020.

    Respeito à opinião dos intelectuais que admitem que essas investidas pelo cosmo sejam necessárias. Para mim, simples mortal e ignorante a respeito desses tão importantes vislumbres, essa montanha de dinheiro desperdiçada pela procura de agulha em um palheiro planetário deveria ser destinada para amenizar a fome, encurtar o grande abismo entre ricos e pobres e para preservar o nosso planeta que, já se sente fraco pela escassez de água, a seiva necessária para a continuidade da vida.

    Os cientistas são homens detentores de uma inteligência incomum, mas falta-lhes, a meu ver, o maior atributo: a sabedoria. O apóstolo Paulo, um dos intelectuais de seu tempo, tendo sido um dos principais sacerdotes do Templo de Salomão, que depois que se converteu tornou-se o personagem mais importante do cristianismo, depois de Jesus, é claro, viveu em uma época em que o saber humano já começava a despontar. E, em um discurso na cidade de Coríntios, ele falou: “Onde está o sábio”? Onde o escriba? Onde o inquiridor deste século. Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? “. Hoje, passados todos esses anos, até parece que a sabedoria humana, continua sendo uma loucura. 

    Estamos vivendo em um Planeta conflituoso: os homens não se respeitam entre si; as nações vivem constantemente em guerra por questões que poderiam ser resolvidas sem o sacrifício de tantas vidas; o ser humano vive a falar de paz, mas não a tem dentro de si mesmo; os governos gastam milhões de dólares para combater o tráfico e uso de entorpecentes, mas não sabem extirpar o câncer da corrupção; querem ser amados, mas alimenta o ódio, a inveja, a intriga; querem ser saudáveis, mas insistem em ingerir álcool, envenenar o próprio pulmão com a nicotina dos cigarros e o cérebro com a maconha, cocaína, crack. Querem ser felizes, mas não conseguem fazer amigos; falam em preservação da natureza, mas são os primeiros a contribuir com a poluição. Finalmente, o que queremos? Em que somos sábios?

     

    postado em 16/12/2012 09:16

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  • artigos

    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    21/12/2012: Será o fim do mundo?

     

    Sinistras por excelência, vestidas de luto, agourentas e catastróficas, surgindo da mais profunda e tenebrosa escuridão, eis a gênese doentia das profecias em suas macabras funções de monstros para aterrorizar o mundo. Nos dias atuais, desenterradas de um túmulo milenar, encontram-se na passarela dos horrores as profecias do povo Maia que preveem acontecimentos que causarão graves mudanças climáticas e que afetarão a sobrevivência da humanidade. Assim são elas em sua maioria, de índole apavorante sem deixarem, no entanto, de instigar a imaginação. Por que elas existem? Achamos que têm raízes na fome insaciável pelo saber e, se possível, a apreensão de todo o conhecimento, fato que faz do homem um Dom Quixote que se vale de tudo para o alcance desse objetivo. Não bastam os conhecimentos convencionais e científicos, lentos para conter sua impaciência e procura alguns atalhos para avançar no tempo, fazendo uso dos profetas e pitonisas. Vivemos o presente, mas isso não nos basta, queremos saber o que acontecerá no futuro. Será a precognição digna da fé? Tem ela uma base científica ou seus prováveis acertos são frutos de uma mera coincidência?

    A física, com amparo na Teoria da Relatividade segundo nenhum objeto pode ultrapassar a velocidade da luz, em torno de trezentos mil quilômetros por segundo, teria possibilidade, se fosse possível viajar a essa velocidade, de recuar ou avançar no tempo. O que não entendemos, na nossa ignorância, é como a mesma velocidade pode atingir ao mesmo tempo dois pontos situados em polos opostos, passado e futuro, imaginando-se uma viagem em linha reta. Certamente, em face da velocidade, passado e futuro encontram-se na mesma rota, podendo um ou outro ser aleatoriamente alcançado. Dentro desse entendimento, admitindo-se que o pensamento pode ultrapassar a velocidade da luz, seria isso a explicação das profecias avançarem no tempo?

    É impressionante como a física atual, parecendo ter um pé na mágica e no ilusionismo, elabora tão impressionantes teorias, especialmente no que se refere às viagens na relação tempo-espaço, capazes de derreterem o cérebro do homem comum. Geniais no campo da inspiração, essa colossal criatividade permanecerá na incredulidade até que possam ser provadas na prática. O conhecimento vulgar e mesmo sob o ponto de vista filosófico, não consegue admitir a possibilidade de se avançar ou recuar no tempo. Vamos, então, imaginar um viajante que recuou no tempo e presenciou um importante fato histórico. Teria ele condições de modificá-lo? Vejamos o conhecido paradoxo do avô. Se ele o matasse ainda jovem, como iria explicar a sua existência? Afirmam os físicos que ele não teria o poder de alterar nada. Achamos que disso podemos concluir que o viajante não presenciou o real fato histórico, mas apenas uma abstração ou imagem virtual do acontecimento.

    E isso é possível porque o som e imagem propagam-se no espaço sem se perderem, podendo serem captados a qualquer tempo. E no que tange ao avanço no tempo, como podemos conceber que se veja o que ainda não aconteceu? Achamos que nesse caso só a teoria filosófica do eterno retorno, imaginada pelos Pitagóricos e posteriormente por Nietzsche abordada, explicaria, isto é, o futuro visualizado pelo viajante já existiu num passado, possivelmente numa outra remota civilização. Segundo essa teoria, tudo se repete nos mínimos detalhes. Nós mesmos somos uma repetição de infinitas vezes no passado e da mesma forma seremos no futuro.

    As profecias nunca abandonaram o homem em todo o curso da sua história. Feiticeiros e videntes continuam em suas práticas para vaticinar acontecimentos de ordem individual ou coletivo. As de abrangência de toda humanidade padecem de pessimismo, talvez para angariar mais credibilidade em suas previsões catastróficas. Assim entendemos porque numa observação da história percebemos que calamidades sociais de toda ordem e as graves consequências do mau humor da natureza, exemplo mais recente a tempestade Sandy nos Estados Unidos, sempre fizeram e farão parte dos tropeços da caminhada da humanidade.

    Atualmente, seguindo a tradição das grandes profecias, as preocupações e expectativas para os próximos dias estão voltadas para as que procedem do povo Maia. Fizemos uma rápida leitura de um texto extraído via internet. Vimos uma mistura de Astrologia e Astronomia. Sob este aspecto, diz que em 2012 nosso sistema solar vai se encontrar no cruzamento entre duas galáxias e alinhar-se no centro da Via Láctea. Trata-se de um ciclo que acontece a cada 5.125 anos, sendo o último o dilúvio narrado no antigo testamento. Nessa mesma linha de pensamento, Platão acreditava que em intervalos sucessivos a civilização foi aniquilada por diversos cataclismos. A propósito, foi a sua primeira referência sobre a provável existência da Atlântida e seu misterioso desaparecimento. A terra, então, passará a receber um sol mais quente, o clima será afetado, provocando um caos social pela fome. Terá início a uma época de conflitos, guerras, loucuras, destruição e sofrimento, resultando uma evolução seletiva. No campo da astrologia, afirma que a luz emitida desde o centro da nossa galáxia sincronizará todos os seres vivos. Desaparecerão as leis e controles externos pela força. A partir do sábado, 22/12/2012, num processo que se iniciou em 1992, todas as relações serão baseadas na tolerância e na flexibilidade.

    O que nos causa admiração é que muitos pessoas estão acreditando nas profecias em referência, já tendo providenciado a construção de abrigos subterrâneos em locais secretos da Europa e Estados Unidos, abastecidos com provisões para dois ou três anos de sobrevivência. Por outro lado causa-nos assombro que um povo que praticava sacrifícios humanos tivesse tão grande conhecimento de astronomia. Não menos curioso, é o fato de que tendo vivido numa área territorial relativamente pequena, com baixa densidade demográfica e sem uma sociedade complexa nos moldes do mundo contemporâneo, tenha imaginado uma utopia do homem livre, sem as amarras dos governantes, num puro anarquismo de uma sociedade evoluída. Será que o último ciclo produziu a mesma aura no homem, tornando-o altamente espiritualizado? A conclusão natural seria o sim. E o que aconteceu com esse homem superior?

    As profecias maias não serão as últimas e outros Nostradamus surgirão para intranquilizar o homem. A própria bíblia sempre trilhou por esse caminho e seus atuais seguidores, cristãos por intermédio de seus representantes estão sempre alertando seus rebanhos da proximidade dos últimos dias, como se encontra em Mateus, 24:8. Não acreditamos, na forma imaginada, no cumprimento das profecias maias. Existe atualmente o referido alinhamento do nosso sistema solar entre as duas galáxias? O sol, certamente, não irá emitir raios mais quentes para a terra. Em constante erupção, algumas bem fortes, tendo causado danos localizados em redes elétricas, poderá acontecer uma extremamente forte que não poderá ser neutralizada pelo campo magnético da terra, desligar toda a rede elétrica do mundo e gerar uma enorme hecatombe.

    Que o mundo venha a sofrer um cataclismo de grandes proporções, e inúmeras são as possibilidades vindas do espaço sideral, não há, cientificamente, nenhuma dúvida. O que não podemos saber é quando, se hoje ou daqui a milhões de anos. Eis porque, em razão desse inexorável destino, as profecias continuarão a existir e o homem, refém do inventável, permanecerá na expectativa da tragédia, sempre apreensivo e amedrontado, acompanhando os ponteiros do relógio do apocalipse final.
     

    postado em 10/12/2012 09:59

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  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Egoísmo, o ismo do EU

     

    Todos nós já estamos acostumados com os ismos da vida. Nacionalismo, esquerdismo, anarquismo, direitismo, numa sucessão sem fim, entronizada para rotular tendências religiosas, políticas, econômicas, esportivas, culturais de quem quer que seja. Por mais esforços que se faça, ninguém escapa de ser encaixado em um ismo qualquer. É latente, intestina a necessidade no ser humano de rotular, de entalar o outro num ismo. “Fulano é de um esquerdismo revoltante”. Com certeza você já ouviu esse tipo de comentário de alguém a respeito de outra pessoa. Ou por outra: “Sicrano não passa de um reles defensor do capitalismo selvagem”. Os artistas, os intelectuais, os políticos, sofrem muito com esse, digamos, rotulismo. Independente de serem ou não o que os outros pensam a respeito deles, são logo encalacrados, mal surgem, como sementes do modernismo, conservadorismo, populismo, expressionismo...

    O ismo é um sufixo que encerra em si mesmo um projeto de doutrinação, um conjunto de ações voltadas à implementação de uma tendência, de uma escola, de um movimento ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso. Tem sempre atrás de si mil interesses. Nunca surge de graça, como também ninguém inventa um deles por acaso. Ao longo da história da humanidade os ismos se sucederam como panacéia para inúmeros males, ditando moda, hábitos, costumes, além de pautarem a rotina das atividades artísticas, políticas, econômicas, culturais e sociais. Alguns ismos se caracterizam pelo seu conteúdo exterior. É o caso do militarismo, do expansionismo, do ativismo voltado a fazer uma comunidade tentar um crescimento para fora de suas fronteiras. Outros são mais intrínsecos aos sentimentos e posicionamentos interiores, como idealismo, comodismo, egoísmo, altruísmo, individualismo – e por aí vai.

    Há os de conotação política, como comunismo, nacionalismo, esquerdismo, direitismo, como também os mais sintonizados com a administração pública: monetarismo, liberalismo, capitalismo, socialismo, trabalhismo, todos, logicamente, direcionando a visão, as políticas, ações e projetos nos governos onde se enraizaram. A prática de um ismo qualquer diz bem a pessoa ou o conjunto de pessoas adeptas de sua essência. O ateísmo, por exemplo, enquadra em torno de si os que são contrários à existência de Deus. O altruísmo, por seu lado, já inclui o sentimento de quem põe o interesse dos outros à frente dos seus. E o egoísmo... Ah, esse é bronca! Bronca pura! Significa a eleição do próprio ego, do próprio eu, como início, meio e fim de todas as coisas. Ou seja, uma vida calcada na celebração de tudo que diz respeito a si. Só e somente só. Em suma, a doutrina da valorização excessiva do eu.

    Se o sufixo ismo caracteriza a junção de atividades em torno de uma tendência, de um movimento, o egoísmo, por sua vez, encarna todo um posicionamento interior no sentido de erguer um trono à própria personalidade, um culto fanatizado à defesa dos próprios interesses. Entretanto, se o egoísmo ficasse por aí tudo bem. O problema com seus detentores é que, na medida em que supervalorizam os próprios interesses, agem no sentido contrário na escala de importância em que catalogam as pessoas. Para o egoísta o próximo vale muito pouco – quando não coisa nenhuma. E, muitas vezes, percebendo ou não, o egoísta vai deixando pelo caminho um rastro de destruição e ódio, oriundo de ações carregadas de um profundo menosprezo pelo outro. E agora? Agora? É constatar-se, vida a fora, o altruísmo de uns poucos em contraponto ao egoísmo de muitos. De muitos. Ah, o egoísmo... Que bronca!

    postado em 28/11/2012 10:26

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  • artigos

    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Sou o Planeta Terra

     

    E estou a flutuar e a girar, há bilhões de anos, na solidão do espaço sem fim. Sou refém da lei da gravidade e como tal uma escrava do sol que me impede de conhecer novos mundos, de circular periodicamente novas estrelas. A monotonia do meu itinerário é semelhante ao castigo do mitológico Sísifo, condenado a rolar uma enorme pedra até o cume de uma alta montanha e, lá chegando, vê-la desabar montanha abaixo, tendo de repetir eternamente o mesmo trabalho. Minha punição é contornar anualmente o sol, tendo como único consolo o privilégio de ouvir a música do espaço sideral, inaudível ao homem.

    Confesso que apesar dos pesares, sinto-me honrada de hospedar sobre minhas costas o bicho homem, a síntese do bem e do mal. Saído das minhas entranhas, tenho de suportá-lo em seus desatinos e travessuras. Como tudo se mede pela escala da teoria da relatividade, não passo de uma anã perto de outros corpos celestes de colossal tamanho. Para compensar-me da ausência de tamanha vastidão, tenho a graça e a desgraça de receber a inteligência, o mais extraordinário dom da criação sem a qual toda a obra divina seria inexistente pela ausência de uma consciência capaz de apreendê-la e dar-lhe vida.

    Não posso saber o momento do meu nascimento, mas segundo a avaliação do bicho homem, tenho em torno de cinco bilhões de anos e outros tantos para viver. Quando o sol estiver em sua fase agonizante, expandindo-se até se transformar numa imensa esfera vermelha, serei devorada ou na melhor das hipóteses, incinerada. Muito antes dessa data fatídica, a vida em mim há muito tempo já se extinguiu. Como qualquer vida, a minha também é certa e insegura. Oriundo do espaço, existem umas dez causas que podem destruir-me por completo.

    As duas mais prováveis, podendo acontecer hoje ou daqui a milhões de anos, é sofrer o gigantesco impacto de um cometa ou asteroide. Não sei se entre as dez possibilidades enumeradas pelos físicos e astrônomos, está e de ser sugada por um buraco negro. Dificilmente acontecerá, entretanto, se viesse ocorrer, seria um fim tragicamente cômico. Submetida a uma estupenda força da gravidade, o meu peso não obstante permanecesse o mesmo, meu tamanho ficaria reduzido ao de uma bola de tênis. Não dá para acreditar. O senso comum de ver as coisas, diante de fenômeno tão extraordinário, induz o convencimento de que o mundo é magnífico e não menos produto do ilusionismo. Mas não bastassem as causas acima, o homem com o poderio atômico que tem armazenado poderá, sob o império da insensatez e da loucura, destruir toda a vida. Eis a visão da minha desgraça, fruto da inteligência.

    Independentemente desses holocaustos que acontecerão mais cedo ou mais tarde, sinto desde já a sensação de uma morte lenta, tendo como causa lesões ao meu corpo e artérias em nome de um crescimento econômico selvagem e irracional. Esse suicídio lento se traduz especialmente na poluição do solo, dos rios e mares, da atmosfera, da destruição das florestas, a emissão de gases como o dióxido de carbono que gera o efeito estufa que causa o meu aquecimento. Acontece que não existe uma unanimidade de que esteja aquecendo ou que o homem, através das ações acima referidas, possa ser o responsável por mudanças climáticas que venham ocorrer. A verdade é que nada está parado e a natureza está sempre se transformando. Já não sofri glaciações no passado? Eu posso dizer que sinto as dores das lesões em referência, mas ignoro se serão a mim letais, assim como não acredito que a divergência a esse respeito será um dia dirimido. Outrossim, embora o homem possa praticar os mais variados malefícios, sabe também contorná-los.

    Quero agora deixar a horizontal das preocupações do solo e voar na verticalidade da imaginação nas alturas, para fazer a mais inquietante das perguntas: existe fora de mim vida inteligente? A astronomia vem descobrindo planetas em outras estrelas, alguns de enorme tamanho, de constituição gasosa. Mas o grande objetivo, a grande surpresa será encontrar o primeiro que tenha as minhas características, isto é, que contenha água, a principal condição para a existência da vida, que seja rochoso e que orbite a sua estrela a uma distância semelhante a minha em relação ao sol, ou seja, não tão perto que cause evaporação de toda água ou tão longe que a congele.

    Mas será que diante da diversidade das condições existentes no universo, a vida só pode surgir dentro dos meus requisitos? Por outro lado, se a composição química que forma os corpos celestes são idênticos ou iguais, por que a que existe em mim não pode acontecer alhures? A lógica, coadjuvada com a probabilidade matemática em face de um universo quase infinito, facilmente me convence de que milhares de vidas inteligentes existem. Seria pretensão demais admitir que somente em mim ela exista, quando sabemos que o cosmo é composto por milhões de galáxias, cada qual com milhões e bilhões de estrelas e planetas. Por outro lado, dentro dessa constatação e à luz da concepção do homem que acha haver em tudo uma finalidade, como explicar que o criador, admitindo-se a sua existência, tenha escolhido apenas eu, um grão de areia, seja depositária da vida inteligente?

    Enfim, não fosse suficiente todo esse mistério, há o mais absoluto dos mistérios: o universo é fruto de uma inteligência divina que tudo ordena segundo a sua vontade ou a criação e a ordem universal são imanentes a si mesmas? Embora a complexidade da formação da vida e seu funcionamento apontem para uma mão divina, por outro lado, a inalterabilidade, o mecanismo, das leis naturais parece afastar a interferência de uma vontade consciente, isto é, volúvel, podendo a qualquer momento mudar o mecanismo das leis que regem o cosmo. E agora, como a verdade é única, qual das duas hipóteses é a verdadeira? Quem saberá? Isso não impede, no entanto, sei muito bem, que o bicho homem continue a mergulhar nos mistérios da criação, o mais instigante exercício mental, e mesmo que quase nada se possa visualizar em suas águas turvas, a inquietação demoníaca da curiosidade não o deixará desistir de aprofundar-se na turbulência e escuridão de suas águas.

    postado em 22/11/2012 12:16

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