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Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 19/09/2018 14:55

O vôo final do bibliófilo Francisco Alberto Sales para a posteridade

Faleceu, nesta terça-feira em Brasília - DF, o renomado Bibliófilo penedense Francisco Alberto Sales. Bibliófilo, é aquela pessoa que tem compulssão para adquirir obras literárias raras, pouco importando o valor. José Ephim Mindlim(1914 - Odessa - Ucrânia - São Paulo 20/02/2010), pode ser considerado o maior Bibliófilo brasileiro de todos os tempos. Empresário da Metal Leve, ele chegou a reunir o maior acvervo literário privado do país, que hoje se acha doado à Universidade Federal de São Paulo sob a denominação Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlim.

Olavo Setubal, fundador da Brasiliana Itau, Ricardo Brennand fundador do Instituto Ricardo Brennand, são outros grandes bibliófilos brasileiros. Por outro lado, Francisco Alberto Sales representava o maior bibliófilo de Penedo. Ele detinha em seu acervo a preciosa obra HISTÓRIA DOS FEITOS RECENTEMENTE PRATICADOS NO BRASIL HOLANDÊS, de Caspar Barlaeus. O livro foi publicadfo em Amsterdam Holanda em 1637 e se acha ilustrado por vários pintores, dentre os quais Frans-Post.

Como bem enfatizou José Mindlim: "Os homens passam, mas os livros ficam". O Dr. Sales passou mas, certamente, suas obras ficarão. O Dr. Claudemiro Avelino de Souza é a personagem certa para receber o cetro.

O Dr. Franciso alberto Sales, na visão escritor Wilson Lucena, representa um dos maiores nomes da intelectualidade contemporânea penedense.
 

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Claudemiro Avelino

Claudemiro Avelino

Juiz de Direito e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas

Postado em 03/09/2018 08:58

O povo brasileiro enlutado - queimaram-lhe o seu mais antigo museu!

Quantos nacionais têm agora a exata noção desse dantesco incêndio que cobriu e aniquilou o preciosíssimo acervo do MHN - Museu Nacional, cujo monumental prédio da Quinta da Boa Vista/RJ, serviu à família real imperial, e foi palco de tantos fatos históricos como a assinatura e registro de importantes documentos sobre a vida brasileira?

Esse fato é tão estarrecedor que, até entidades internacionais estremeceram de indignação e ainda vão demorar digerir essa catástrofe cultural - nomes de relevo mundial estiveram a pesquisar no Museu Nacional. É preciso muito patriotismo para se entender a dimensão dessa tragédia.

Os historiadores, pesquisadores, estudiosos, estudantes, mecenas e amantes da cultura pátria, estão com suas almas aos soluços, mormente quem teve a sorte de ir à fonte do seu acervo para buscar conhecimento, e de lá saiu enriquecido e encantado.

Como apreender que a ausência de políticas públicas responsáveis e sérias possam passar ao largo de uma instituição que abrigava até pouco a “alma nacional” - 20 milhões de ítens produzidos e reunidos em séculos da nossa história - um belíssimo conjunto de representação dos reinos animal, vegetal, mineral, além das coleções antropológicas, daqui e de outras civilizações, tenaz e arduamente reunidas ao longo de 200 anos?

O prédio em si, por si só uma jóia arquitetônica de grande dimensão, seu acervo arquivístico, por exemplo, de uma imensurável importância - realce para a sua biblioteca de antropologia, a mais completa e rica do país, nessa especificidade. Lembra-me agora a assertiva de Franklin de Oliveira: “ Pode elaborar o povo o seu futuro ou mesmo chegar a compreender o seu presente, se perder a lembrança de suas raízes?” Pois bem, com esse tristíssimo fato, foi colocado em ‘xeque mate’ o civismo brasileiro, ora representado naqueles a quem confiamos a esperança desse gigante Brasil vir a se tornar um país sério e comprometido com os altos interesses humanísticos.

E, para tornar ainda mais pungente esse episódio, em meio ao choque da notícia, e por mera coincidência, ao ver cenas do incêndio, chegava-me aos ouvidos uma música especial, como pedido de clamor da cultura pátria, a envolvente, melancólica e reflexiva melodia de ‘CONCERTO POUR UNE VOIX - Saint Preux’, confirmando a máxima de que a música é linguagem universal. O que fez puxar lágrimas de desencanto e certeza de um vexatório luto nacional traduzidos na tristeza de todos que se solidarizaram ao sentimento dessa inigualável perda. Numa metáfora poder-se-ia dizer sem exageros que, morreu uma mãe vendo queimar sua morada e sua história.

Imagine-se a angústia de Alexander Kellner, o seu Diretor, ao ver o maior museu de antropologia da América Latina praticamente desaparecer - aliás bem recente, afirmara ele que há mais de meio século que o museu não recebe a visita de um Presidente da República, parece-lhe que o último a ter visitado o MHN foi Juscelino Kubitschek - e disse mais que, para as comemorações dos 200 anos do museu, nenhum Ministro de Estado, dentre os convidados, aceitou participar das palestras, ou seja, cultura sempre relegada e preterida.

De contrapartida, porém, sabe-se da vultuosa soma de 1,5 bilhões que tem sido liberada à política além da fortuna para Eleições/2018. Todavia, o imponente Museu Nacional - um tesouro, desconhecido, há anos reclamava por reformas estruturais e de manutenção e restauro do seu rico acervo, cujos gastos pouco representam perto do dinheiro desperdiçado com interesses meramente políticos - que no mais das vezes servem apenas para manter o “status quo” de quem insiste em permanecer nos três níveis de parlamento, egoisticamente, descurando das grandes causas nacionais!

Preferiram ver em labaredas, quiçá a mais preciosa fatia de informações da antropologia brasileira. Aflora um indigesto sentimento de vergonha nacional - uma lástima vivenciar esse tenebroso fato.
 

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  • Cleusa Gonçalves Sinto vergonha de como nós, brasileiros , tratamos tratamos nossos museus e nossa cultura. Privilegiando cinema e teatro em detrimento da nossa história.
  • Anselmo Machado Parabéns Doutor , essas palavras dispensam comentários. A História e a Cultura do Brasil ficarão de luto por toda eternidade. Lamentável.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 30/08/2018 09:54

Brasil, merda de marinheiro, você é um país?

Sem faltar com a modéstia, evidente a todos nós, sou grandioso, belo e majestoso. Não sei porque, certamente assim quis o Criador, a grandeza dos meus atributos são um verdadeiro apanágio que abriga uma série de vícios que desancam minha reputação como uma maligna forma para contrapô-los. Sinto-me calejado de tudo isso e remotas são minhas esperanças de um dia tornar-me respeitável. Como era sedutor e maravilhoso o meu remoto passado! Convivia com homens e mulheres que, nas palavras de alguém que não me lembro, acabaram de sair das mãos de Deus, livres das tentações, reproduziam o paraíso celestial.

Tenho acompanhado seus percalços e não vejo nenhum exagero em suas palavras. Sinto, em minha intuição, com a devida vênia, que você é um caso perdido. Imagino que seu sagrado solo somente poderá ser purificado com a completa destruição dos parasitas que empesteiam a devorar seu corpo. Ficara quase deserto.

Você pode estar com a razão. É que tamanha hecatombe, tipicamente nazista, além de humanamente impossível, não resistiria à infernal e insuportável aflição de consciência. Na verdade, como diz o ditado popular, quem vive no inferno se acostuma com os demônios, convivência que tive no início quando fui descoberto por um povo estranho com uma tecnologia mais avançada para matar tudo que fosse vivo, recaindo o sacrifício, inicialmente, sobre os que eles chamavam de índios. A desmedida cobiça pela riqueza que se traduziu de início na busca de pedras preciosas, levou-os para o interior, aprisionando, trucidando e escravizando índios para alcançarem seus objetivos. Os pobres selvagens, afeitos apenas à caça e à pesca, sem o costume de trabalhos pesados, tiveram de ser reforçados pelos negros vindos da África para todas as modalidades de serviço. Por conveniência, não quero, entrar em pormenores da minha história, nem sempre recheada de louváveis feitos, basta informa-lo que cheguei a ser império e hoje sou uma desvairada república que não chega, de longe, a ter o mesmo respeito, ordem, paz e honestidade dos antigos cabarés, a luxúria com muita classe.

Não imaginei que fosse ouvi-lo com tanto realismo.

Não podemos desprezar as evidências. O motivo desse desabafo, mesmo curtido pela orgia que contraria meus interesses, é a existência de fatos que não consigo acredita-los sejam verdadeiros. Como posso andar a passos largos se conto com políticos e administradores que, além de terem os piores predicados, sofrem de uma miopia que não conseguem sequer ver o presente, quanto mais terem inspiração de vislumbrar, a longo prazo, um futuro promissor. Triste sina! O que hoje eu seria se não sofresse impiedosamente os malefícios dessas pragas que corroem o élan vital indispensável ao meu crescimento? Ninguém duvidaria que seria o grande Brasil, pertencente ao clube das grandes potências. Impotente entre as potências, pacientemente fico à espera de uma ereção capaz de ejacular e fecundar novos valores capazes de me transformarem no admirável Brasil, condição a mim inerente pelas benesses da natureza a mim concedidas.

O que você acaba de falar, além de ser forçado a conviver com os demônios, sofre, sem dúvida, de um tremendo recalque por não ser o que gostaria de ser, um ser humanamente cheio de bondade para poder distribuir a seus filhos, com fartura, tudo para garantir uma vida digna. Inadmissível que você que tem um potencial de ser o maior celeiro do mundo, termos de ver gente faminta, subnutrida, muitos disputando, nos lixões, restos com os urubus, sem falar nos casebres para cachorros vira-latas.

Isso não é tudo, a nos chocar a consciência. A minha pior desgraça não é a arraia miúda, fácil de controlar, mas os indomáveis que ocupam o topo dos três poderes. Como posso ver o conserto dos meus graves problemas quando quem comanda e deve dar o bom exemplo, perde o respeito? Isso é a mais realista fotografia de uma zona, de uma bagunça generalizada. A tripartição dos poderes faz parte de todos os países. Mas como posso conceber uma câmara de deputados com quinhentos e treze parlamentares e inúmeros assessores, com os mais altos salários? O mesmo acontece com o senado federal, assembleias legislativas e câmaras de vereadores. A soma desses gastos, além de enorme, é, em grande parte, um dinheiro gasto com a mais precisa inutilidade. É uma realidade que não justifica, mesmo que estivesse a nadar em dinheiro. Do outro lado, assistimos o impensável, o Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte, talvez a menos confiável de toda a história, cometer atos que não estão à altura de suas responsabilidade quando, por exemplo, concede a si próprio um aumento salarial acima da inflação, sem deixar de ver a situação financeira que me sufoca e o efeito cascata para outras categorias. No que diz respeito ao Congresso Nacional, não poderia haver, uma significativa redução de seus membros? Será que quantidade é sinônimo de qualidade? De maneira nenhuma. Em sentido contrário, quanto maior o número de representantes, maior será o número de ratos para dizimar meus cofres. Para arrematar esse esculacho do reino político, gasto, acredite se quiser, dez bilhões e oitocentos milhões por mês.

Com esses últimos esclarecimentos, que não me eram desconhecidos, é que tomei a iniciativa de fazer-lhe à pergunta acima. Você, na verdade, é um ser híbrido, resultado do cruzamento do milagre e da generalizada desmoralização. Se não houvesse o milagre, como poderia existir?

Como não respondi sua indagação inicial, afianço-lhe que sou um país com as qualidades acima descritas, bonito, mas degenerado. Também tenho, embora predomine a aparência, o que têm os demais. Essa aparência sem a seriedade arrasa-me a esperança e o otimismo, tornando-me um pessimista que se sente, muitas vazes, sem rumo como um barco sem leme a flutuar a esmo, como me chamou, semelhante a merda de marinheiro.

Não convém sequer fazer referência às próximas eleições pela incredulidade que paira na cabeça dos que têm bom-senso. Como um ex-presidente, preso por corrupção, tenha a preferência eleitoral superior aos demais candidatos? Uma aberração! Será que alguém, por ter feito um bom governo ou seja uma pessoa virtuosa, deixe de ser criminosa, mesmo que tenha delinquido? Muita burrice e fanatismo. É estarrecedor! Mas como não reponde e o mais irônico, um reajuste inconstitucional. Que vergonha, justamente para os guardiões da Constituição, homens que nos dão a impressão de ser semideuses de conhecimentos jurídicos e paladinos da responsabilidade e moralidade. O que mais me falta para ser um país ridicularmente sui generis?
 

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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 02/08/2018 07:34

Tempo na TV: Um Injusto Critério de Distribuição

Que não condiz um mínimo com o sentimento primário de justiça e igualdade de oportunidade. Quando as palavras pomposas como democracia e liberdade, que entre nós costumam carregar tão só o germe da demagogia, não tem outro efeito senão prostituí-las, não passando de um mero exercício de exibição. Por que o Brasil tem um número tão grande de partidos, nanicos na sua maioria, dispondo de estatutos que não passam de um mero formalismo? Quais são os fins de uma sociedade, por mais divergente entre si, que não comportem em dois três estatutos? Conclusão: vantagens pecuniárias graciosas e negociatas no período das convenções eleitorais.

Por que existem tantos partidos políticos no Brasil? Justifica-se? Foi consequência de um congresso nacional, com acentuadas crises de acefalia ou falta de seriedade, que permitiu que as duas vadias, liberdade e democracia os proliferassem? Ora, se permitiu que eles surgissem como plantas daninhas da mesma espécie, isto é, partidos políticos de um mesmo progenitor, têm, consequentemente, os mesmo direitos dos irmãos ricos. Veja-se o tempo disponível e divido-a em partes iguais para que cada qual tenha o direito de falar suas besteiras e mentiras. Não vemos por que os nobres parlamentares, desleixados, que deixaram a porteira aberta, vulgarizando a todo momento as duas respeitáveis senhoras, nomeando-as nas mais variadas discussões, nunca tiveram um mínimo de inspiração, em nome das mesmas, para atinar para a lógica e perceberem que igualdade e equidade de direitos são partes intrínsecas da democracia.

O que acontece, com tudo que é grande, os maiores partidos têm dificuldade de enxergar os nanicos. É uma miopia tradicional. Somente no período eleitoral, despertados pelo interesse, fazem algum esforço para chama-los a participar de suas coligações com um único objetivo: aumentar o tempo na televisão. Todos sabemos o poder da televisão para enganar e esclarecer o eleitor. Concluído o conchavo, tem início o famoso mercado persa no qual são feitos os negócios que vão do dinheiro, distribuição de cargos e outros bichos.

Há de fato, um número excessivo de partidos, trinta e cinco e outros em andamento. Inimaginável! De sindicato, nem é bom falar. Somos recordistas, 92 % dos sindicatos do mundo, ficando a anos luz do segundo colocado. Não sabemos se existe o de lavador de pinico. Se houver, não deve ser visto como absurdo. O interessante é que ambos têm algo em comum: sugar sem esforço o dinheiro público que deveria ter uma destinação social. Somos, quase todos, o país que buscar a vantagem em tudo.

A propósito do tema em tela, acompanhando o andamento das atuais convenções, há um caso que nos chama atenção, certamente pela sua natureza inusitada. O deputado Jair Bolsonaro, sem fazer coligação, dispõe apenas de oito segundos na tv, tempo suficiente para cumprimentar seus eleitores. O que desperta curiosidade é que ele é líder nas pesquisas de intenção de voto. Uma aberração! Por que falam tanto em igualdade de direitos, com tantas desigualdades nas fuças. São professores insuperáveis nas frases de efeito. Tão calejados na demagogia de forma tal que se transformam em desertos da lógica, a mestra que ensina a raciocinar para evitar as vergonhosas incoerências.

Enfim, as coligações para efeito de tempo na tv não germinou de uma brilhante criatividade, mas na aberração de uma inspiração alheia aos critérios do direito de igualdade.
 

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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 19/07/2018 08:31

Lula Presidente: Como ficaria a imagem do Brasil?

Não gostaríamos de viver em outro país senão no Brasil. Não deixa de ser um país que apresenta algumas virtudes, mas como um cometa, deixa no espaço vazio um rastro da mais conhecida podridão, acrescida da perplexidade pelo desordenamento funcional das mais importantes instituições. Não bastasse, vivemos o dia-a-dia de uma violência tal que nos equipara a um permanente estado de guerra civil, superior a muitas em andamento no que diz respeito ao número de mortos. Outrossim, há momentos que ficamos decepcionados, desapontados e incrédulos com uma considerável parcela de pessoas, por burrice, fanatismo e pouco apreço pelo Brasil, pretendem destoar uma realidade incontroversa. O ponto dessa cegueira que deixa de enxergar o óbvio parte de um dos maiores atores do Brasil, Lula, o mestre da arte representativa, capaz de convencer de que dois mais dois são três. Distorcer a verdade dos fatos é a coisa mais simples, feita com naturalidade, dando um colorido na ênfase de suas argumentações. Com isso consegue formar uma massa de fanáticos ignorantes e políticos que sonham numa hipotética candidatura de Lula, reconhecidamente puxadora de votos. Como um anjo injustiçado poderá ficar fora desse pleito? Assim pensam, por exemplo, os senadores Requião, lobão e Renan Calheiros em recente visita ao venerável Lula, afirmando os mesmos, em uníssono, que esta preso injustamente, sem provas, contrariando a constituição federal. Quem é Renan para falar em respeito à constituição quando, na condição de presidente do senado, juntamente com Lewandovsky, presidente do STF, no processo de cassação da presidente Dilma, atropelaram a coitada constituição! São autênticos canalhas da demagogia.

Para conseguir esse objetivo, maliciosamente aguardaram que o desembargador Fraveto, velho militante petista e nomeado pelo PT, assumisse o plantão. Como plantonista, recebeu a petição de habeas corpus e, sem pestanejar, determinou que se lavrasse de imediato o alvará de soltura para ser cumprido dentro de uma hora. Já estava tudo programado. Só não esperavam uma pronta e contrária reação do juiz Sérgio Moro, opinando, do presidente da turma julgadora e por fim do próprio presidente do Tribunal da Oitava Região, Rio Grande do Sul. Nesse dia, um domingo, entre idas e vindas de decisões contraditórias, a justiça vestiu os trajes de palhaço. Após toda essa pantomina o passarinho continua engaiolado.

Um horrível dia, quando ficou desmoralizado um faz de conta de desembargador achincalhador da justiça brasileira que cada vez mais perde credibilidade, sentindo-se o cidadão sem uma tábua de salvação, navegando na imensidão do oceano num barco sem leme. Admitimos como coisa normalíssima as diferenças de opinião, mas não podemos conceber que pessoas que atuam nos mais altos escalões do judiciário desconheçam normas processuais elementares, despidas de conflitos de interpretação. Como entender, por exemplo, que um desembargador se insurja contra uma decisão colegiada? Vergonhosamente, o referido desembargador, um transviado de suas funções, ignorou a lei, tomou um rumo partidário e julgou politicamente a favor do seu simpático PT. Nunca se assistiu tamanha ingenuidade!

Mas, voltando ao título acima, imaginemos Lula de volta à Presidência da República. Como se sentiria o brasileiro de vergonha? Qual seria a imagem do Brasil no conceito internacional? É normal que a plebe ignara não tenha a menor noção desse aspecto. Deixa-nos incrédulos os esclarecidos que demonstram pouco apreço pelo seu país, que passaria a ser objeto de chacota. O fanatismo cega-os, achando que PT, sinônimo de Lula, seu proprietário e estrela solitária é quem de fato tem condições de salvar o Brasil. É que o fundamentalismo petista causa cegueira e suga a inteligência de muitos de seus integrantes. Os jornais de todo o mundo estampariam em suas manchetes: o Brasil libera o mais perigoso pirata que se especializou na arte de urdir na surdina grandes tramoias e assume mais uma vez a Presidência da República. Inusitadas manchetes!

Como passaria a ser visto o brasileiro? Passaríamos, honestos e bandoleiros, postos no mesmo saco. Ficaríamos sem condições de receber visto de entrada em qualquer país, vez que passaríamos a ser considerados uma corja de párias, vagabundos e ladrões.

Não é isso o que queremos para o Brasil!
 

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  • JANAINA NUNES "O Estado nada mais é do que reflexo da sociedade"