09 Junho 2021 - 03:00

Servidora da Ufal publica livro sobre webcasting sonoro como ferramenta de EaD

Divulgação
Noemia Bito é pedagoga na Faculdade de Arquitetura e obra é resultado de sua dissertação de mestrado

A Educação a Distância já não é novidade, mas a cada dia surgem ferramentas que prometem inovar e melhorar ainda mais essa modalidade de ensino. A servidora da Universidade Federal de Alagoas, Noemia Bito, em sua dissertação no mestrado em Educação, também na Ufal, listou mais uma forma de se trabalhar em EaD: utilizando webcastings sonoros. O estudo resultou na publicação do livro Webcasting Sonoro na Educação a Distância: um caso na Pedagogia Licenciatura a Distância na Universidade Federal de Alagoas.

A obra trata do processo de transmissão de mídia sonora na educação a distância on-line da Ufal, integrante da Universidade Aberta do Brasil (UAB), nos períodos letivos de 2010.2 e 2011.1, no curso de licenciatura em Pedagogia na modalidade a distância. Segundo a sinopse, o estudo de caso foi escolhido como método de abordagem com o objetivo de investigar a utilização dos formatos web rádio e podcasts do webcasting sonoro na educação a distância, no ambiente virtual de aprendizagem Moodle Ufal.

Como estudo de recepção, os alunos que formaram a audiência das transmissões ao vivo e das gravações dessas transmissões puderam se comunicar de forma síncrona e assíncrona com o professor, por meio principalmente de fóruns e, posteriormente, avaliaram a mídia sonora por meio de questionário on-line.

“Nesse tempo em que a educação a distância e o ensino on-line estão crescendo, acessar as experiências já desenvolvidas na Instituição é uma forma de desenvolver ainda mais as ferramentas que hoje já estão disponíveis no Moodle e inclusive pensando a Rádio Ufal como parceira em novas experiências que auxiliem no desempenho acadêmico dos estudantes”, explicou Noemia, que é graduada em Pedagogia pela Universidade Federal Fluminense e em Jornalismo pela Ufal.

E ela lembra aos professores sobre novas formas de atuar em sala de aula: “No meu dia a dia como servidora da Ufal vejo tantos pedidos de trabalhos escritos aos estudantes, porque não pedir que gravem áudios para que os disponibilizemos em portais de áudios de cada Unidade Acadêmica? Claro, muitos docentes já desenvolvem estes trabalhos, mas para outros isso é uma ideia nova”, revelou.

O livro está disponível no Repositório Ufal, mas quem desejar adquiri-lo de forma impressa ou digital pode clicar neste link.

A pesquisa

Sob orientação do professor Elton Casado Fireman, do Centro de Educação da Ufal, Noemia conta que ampliou o olhar sobre o tema. “Minha ideia inicial no projeto apresentado na seleção do mestrado era sobre como criar podcasts para a EaD, partindo da minha experiência como tutora no curso de licenciatura em Pedagogia a distância da Ufal e do que eu aprendia sendo aluna do curso de Comunicação Social - habilitação Jornalismo, especialmente nas aulas de Jornalismo de Rádio”, disse.

Como já conhecia sobre o tema do uso do rádio na educação pela formação em Pedagogia (UFF), ela pensou em uma forma de atualizá-lo pensando na EaD e no uso da internet como tecnologia principal, incluindo o uso do ambiente virtual Moodle. “O termo webcasting sonoro surgiu a partir do levantamento de literatura. A palavra webcasting em si pode ser compreendida como a transmissão de áudio e vídeo utilizando a tecnologia streaming”, explicou.

“Hoje, durante a formação acadêmica é imprescindível, sabemos, adquirir habilidades e competências no uso das mídias e ambientes on-line, para efetivar a inclusão digital de muitos. No tempo em que fui tutora, muitas estudantes se aproximaram pela primeira vez de um computador e ainda tinham que lidar com os preconceitos em relação à EaD e contra o machismo de maridos que não as queriam estudando na graduação”, exemplifcou.

Assim, utilizar várias ferramentas de mídia sonora é também dar voz ao professor e voz aos estudantes. “No caso das licenciaturas, especificamente, um estudante num curso a distância, como num presencial, precisa saber usar sua voz, melhorar sua dicção, falar para um determinado público, organizar ideias para melhor emitir sua comunicação oral e para ouvir também. A capacidade de diálogo é essencial para qualquer licenciando nos fóruns do ambiente virtual e na vida. Saber escrever é uma coisa, saber falar é outra”, explicou.

A publicação

Noemia conta que trabalhar com o tema é um incentivo para que outros pesquisadores pensem em portais de áudio on-line, produzidos e disponibilizados para o público via aplicativos que ofereçam o streaming de áudio como o Google Podcasts, Spotify, Sound Cloud, levando conhecimento acadêmico para a sociedade, de forma que alguém que está em casa possa ouvir enquanto lava a louça, acessando via celular.

“Não se trata de fazer jornalismo científico, mas de partilhar ciência em formato de mídia sonora. Para o usuário que quiser ouvir enquanto está no ônibus ou enquanto faz uma caminhada”, justificou. “O livro trata de uma experiência desenvolvida na formação de professores da Educação Básica, na modalidade a distância, numa Instituição Pública de Ensino Superior, no Nordeste, na capital e em pólos do interior do Estado, em 2010 e 2011. Compartilhar essa experiência é permitir que outros a leiam, a critiquem, a explorem, e produzam outras experiências, novos produtos e conhecimentos”, ressaltou a pesquisadora.

E afirma: “Precisamos divulgar o conhecimento que circula em nosso ambiente educativo utilizando a Rádio Ufal, por exemplo. Produzindo mídia sonora que possa ser baixada pelas rádios comunitárias e utilizadas em sua programação diária. E essa produção pode ser resultado de um trabalho de extensão, de um trabalho acadêmico numa disciplina, de um Trabalho de Conclusão de Curso. Um portal de áudio que mantivesse uma entrevista com os autores de dissertações na Ufal já seria uma portal riquíssimo, com nosso sotaque (tão charmoso!) e com tantos outros sotaques”.

Sobre as expectativas em relação à publicação de sua pesquisa, Noemia responde com uma frase da saudosa professora Anamelea Campos Pinto, que junto com o professor Antônio Freitas, do Curso de Comunicação Social, compôs a banca da defesa da dissertação. “Ela dizia algo assim: o que estudamos e produzimos a partir do projeto de pesquisa é uma gota retirada do oceano do saber. Logo, esse livro é uma gotícula de Ciência. Aquela que, com a ajuda de muitos, consegui produzir e a qual desejo oferecer nesse momento de pandemia aos profissionais da educação, especialmente aos da educação a distância, aos do ensino on-line. Não são os trabalhadores essenciais, os da linha de frente contra a covid-19, mas são formadores de diversos profissionais”, lembrou.

por Jacqueline Freire/Ufal

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