07 Maio 2021 - 20:12

Presidente do CBHSF diz que as vazões atuais são importantes para a saúde do ecossistema

Fernando Piancastelli/Comunicação CBHSF
Na videoconferência, foram abordados o modelo hidrológico e a previsão de chuvas na Bacia do rio São Francisco

Em videoconferência mensal realizada da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio São Francisco (via teleconferência) organizada pela ANA, o ONS – Operador Nacional do Sistema apresentou sua modelagem para as operações das UHEs Sobradinho e Xingó. Foram abordados também o modelo hidrológico e a previsão de chuvas na Bacia do rio São Francisco.

O técnico do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Marcelo Seluchi, alertou que a estação chuvosa foi encerrada na maior parte da bacia. “Temos a situação das chuvas dos últimos 30 dias e consideramos que já nos encontramos de fato na estação seca que começou de forma antecipada. Por exemplo, no trecho de cabeceira de Três Marias (MG) choveu abaixo da média nos últimos 30 dias e não houve chuva de transição importante”, explicou.

Seluchi acrescentou que não há previsão de chuva para os próximos dias no trecho de Três Marias (MG). O modelo hidrológico traz um ligeiro declínio da vazão com previsão média de vazão de 198 m³/s para os próximos dez dias. “Há uma projeção do que poderá acontecer de maio a setembro deste ano a depender dos cenários de chuvas. A vazão afluente será de apenas 48%, menos da metade da água entrando no reservatório caso chova normal, podendo chegar a 41%. Os gráficos atuais apresentam uma situação bem complicada em relação ao rio São Francisco em termos de chuva e vazão”.

O superintendente da ANA, Joaquim Gondim, pontuou que “é importante ressaltar que dos sistemas hídricos brasileiros, um dos que estão em melhor condição é o do São Francisco pelas regras e condições de operação que foram colocadas na bacia e que começaram a vigorar em maio de 2019. A elas nós devemos as condições atuais de armazenamento do sistema em níveis considerados, para essa época do ano, normais”.

O técnico do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) trouxe a avaliação das condições hidrológicas e de armazenamento na bacia do rio São Francisco, como também apresentou as condições hidroenergéticas observadas. O reservatório da UHE Três Marias está, atualmente, com armazenamento verificado acima dos 60% de volume útil, posicionando-se, portanto, na Faixa de Operação Normal. Nessa faixa de operação, não há restrições de defluências máximas médias mensais. Sobradinho segue o mesmo caminho de Três Marias, e nessa faixa de operação, não há restrições de defluências máximas médias mensais. A defluência mínima diária de Xingó é 1100 m³/s. As defluências médias consideram os usos consuntivos somados à evaporação da água no trecho Sobradinho-Xingó, visando o armazenamento de Itaparica em valor maior ou igual a 30%. No horizonte das simulações, além de atender à política da UHE Xingó, considerou-se defluências médias da UHE Sobradinho de 1.300 m³/s de 03 de maio a 30 de junho deste ano.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Anivaldo Miranda, pontuou o seguinte: “Visto que o cenário basicamente se mantém eu só queria comentar e aduzir ao que foi dito pelo ONS que as vazões mencionadas são importantes do ponto de vista da saúde do ecossistema. Nós tivemos sete anos muito cruéis nesse ponto de vista, é uma situação que atinge não somente a vida aquática, mas também tem uma série de outros desdobramentos em termos de impacto quando nós praticamos durante muito tempo vazões baixíssimas. Isso agrava a situação do rio, traz o assoreamento, a erosão das suas margens, a qualidade da água, intrusão salina, problemas de abastecimento, aparecimento de microalgas ou então macrófitas”.

Miranda acrescentou que embora a situação não tenha sido a mais favorável, foi importante a reservação feita graças aos dispositivos da resolução de 2.081. “Não esquecer que em dezembro de 2020 tivemos que flexibilizar, entretanto os reservatórios se mantiveram em um volume de segurança de 60%.Mas o que quero dizer é que isto tem sido importante, após sete anos de estiagem, para a recuperação do ecossistema. Não é o ideal e ainda não temos um modelo finalizado de compatibilização da vazão regularizada com a questão da sazonalidade, mas de alguma forma isso ajudará bastante a minorar todos os parâmetros negativos mostrados na última reunião pelos pesquisadores da UFAL e dos seus associados”.

O presidente do CBHSF encerrou sua fala demonstrando um pouco mais de alívio. “Esses momentos de alívio ajudam e é bom colocar isso como ponto positivo no contexto da nossa política de vazões, visto que o espírito da Lei nº 9.433 é de ter como foco a questão dos usos múltiplos com prioridade para abastecimento humano e dessedentação animal. Estamos acompanhando todas as reuniões no contexto geral e da situação hidrológica principalmente nesse período seco que merece uma atenção ainda maior”.

A próxima reunião mensal promovida pela ANA será no dia 1º de junho, às 10h. A videoconferência que avalia as condições hidrológicas da bacia do Velho Chico ocorre na sede da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, em Brasília (DF), e é transmitida para os estados da bacia.

por Deisy Nascimento/Comunicação CBHSF

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