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Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 23/11/2009 23:19

O contraponto degradante das favelas cariocas

Certamente, o grande “Arquiteto do Universo” e a natureza foram muito caprichosos na construção e lapidação de um dos cenários mais magníficos e belos de todo o planeta, onde se descortina a cidade do Rio de Janeiro. Infelizmente, como uma mancha escura que se alastra numa magistral obra de arte, num contraponto degradante, surgiram e cresceram as favelas cariocas. Focos de bolsões de pobreza e redutos do banditismo, elas também são responsáveis por um injusto estigma de uma suposta violência urbana generalizada, que muito prejudica a imagem da “Cidade Maravilhosa”.

O termo “favela” remonta à Guerra de Canudos, cidadela construída junto a alguns morros, entre eles o “Morro da Favela”, assim chamado por causa de um arbusto chamado favela que encobria a região. Os combatentes, ao regressarem do conflito, sem receber o soldo, instalaram-se em construções provisórias no “Morro da Providência”. O local passou, então, a ser designado por “Morro da Favela”. No término do período escravagista, sem posse de terras e sem condições de trabalho, grande contingente de ex-escravos também assomou os morros cariocas. Por outro lado, durante grandes empreendimentos urbanos, a exemplo da construção das linhas de bondes, os trabalhadores acomodavam-se nos canteiros de obras. No final, quando não encontravam emprego em novas obras, tinham de construir seus barracos junto aos locais em que pudessem conseguir trabalho

A gradativa migração da população rural para o espaço urbano, aliada à histórica injustiça social brasileira, assim como da dificuldade do poder público em criar políticas habitacionais adequadas, são fatores que impulsionaram o crescimento dos domicílios nas favelas. Hoje, o Rio de Janeiro já tem mais de 1.000 favelas. As mais novas são apenas pequenos grupamentos de barracos. Segundo o Instituto Pereira Passos (IPP), de 1999 a 2008, o aumento de áreas faveladas foi de 3,4 milhões de metros quadrados, território equivalente ao do bairro de Ipanema. Mantido esse ritmo, estima-se que a área ocupada pelas favelas no Rio dobrará em 34 anos. Assim, até 2043, a cidade pode perder um quarto de sua área verde. Um gigantesco monstro voraz e avassalador, muito difícil de ser contido ou erradicado.

Mas a grande dimensão do abismo não é apenas social ou ecológica. Quase a metade das favelas cariocas está nas mãos dos bandidos que comandam o narcotráfico. A topografia montanhosa, as dificuldades de acesso e a alta densidade populacional as transformaram em trincheiras. Ao longo de uma semana, o autor deste artigo, em companhia da consorte, fizeram o primeiro arruar na cidade do Rio de Janeiro, oportunidade em que foram colhidos vários depoimentos, notadamente de taxistas. Todos foram unânimes em ressaltar que a problemática está intimamente ligada à contumaz ineficiência e inércia governamental, conivência política e corrupção policial, além de uma relativa letargia e indiferença do poder central. Ademais, se matar um traficante, vem outro. Se urbanizar uma favela, a quadrilha muda para outra.

Sob alguns ângulos, não deixa de ser interessante um comparativo do cangaço de Lampião com o narcotráfico carioca. Tal como nas favelas, o sertão nordestino era uma terra inóspita, abandonada pelo Estado e dominada pela lei do mais forte. As populações pobres eram as maiores vítimas. Sempre ficavam no meio do tiro cruzado entre as atrocidades dos cangaceiros e as represálias policiais. Além de sua astúcia, Lampião só conseguiu manter um reinado de 19 anos graças ao seu clientelismo corrupto, representado, principalmente, pela figura do coronel sertanejo. O célebre facínora sempre estava à frente da polícia em informação, armamento e munição. Para combater o rei do cangaço em seu território, as volantes da polícia eram compostas por outras “feras da caatinga”, inclusive ex-cangaceiros. Portanto, não adianta recrutar praça do Exército para subir o morro. No entanto, quando há vontade e determinação política, as soluções aparecem. Bastou o presidente Getúlio Vargas bater o martelo, Lampião logo foi acuado e morto.

Não obstante toda a extrema gravidade do problema e da proximidade das favelas com bairros nobres e vias de comunicação, torna-se imperativo que haja distinção entre “violência urbana” e “guerrilha nos morros”. Não se pode generalizar a coisa. Na estada deste autor no Rio, nada foi percebido de anormal ou excepcional no cotidiano carioca. Ao contrário, em alguns quesitos, a notável metrópole é até mais segura do que certas capitais nordestinas. Os traficantes cariocas não são terroristas religiosos fanáticos, nem tampouco guerrilheiros separatistas. O episódio do helicóptero abatido não deixa de ser um fato isolado e fortuito, possivelmente condenado pelos próprios chefões do narcotráfico.

O Rio de Janeiro reúne plena capacidade para promover uma Olimpíada inédita e histórica. Obviamente, que as autoridades e os poderes constituídos têm de empreender uma cruzada conjunta contra o crime organizado. Não está em jogo apenas a reputação e o futuro da “Cidade Maravilhosa”, mas o próprio orgulho nacional e a autoafirmação do povo brasileiro.

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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 20/11/2009 16:49

Até Tu, Alexandre!!

Embora se trate de um assunto sério pela gravidade de seus resultados perniciosos aos interesses da comunidade, a desonestidade na administração pública grassa de forma tão corriqueira em manchetes diárias nos meios de comunicação, que a indignação perante a mesma não tardará a dar lugar ao embotamento da sensibibilade ao indiferentismo e à resignação pela ineficácia punitiva aos meliantes envolvidos.

Surpresa para uns, não tanto para outros, encontrando-nos no primeiro grupo, a propósito da nota estampada no topo da primeira página do Jornal Extra de 30 de outubro do ano em curso, a informação de que o prefeito de Penedo é recordista em Processo de Improbidade.

É bem verdade que entre nós, por razões óbvias, basta alguém tornar-se político para automaticamente ser considerado um ladrão. É um erro, naturalmente, pelas raras exceções que existem. Relativamente ao nosso prefeito, fato que nos causou surpresa, foram apontadas, com documentos, situações que caracterizam improbidade e outras irregularidades que trazem a tona um misto de descaso, ingenuidade, hilaridade e ignorância a respeito do emprego do dinheiro público. As cabeludas justificativas para doação de recursos a falsos necessitados, tem origem na Secretaria de Ação Social que teve e tem na atual gestão como titular a poderosa mulher do prefeito. Onde já se viu doar dinheiro para uma endividada pagar débito a agiota! Agiotagem é crime. Em vez de doar, porque não a encaminhou a assistência judicial. Não seria o ganancioso agiota amigo da secretária ou do prefeito? Quem sabe! Como ter a coragem de dizer que a filha de um ex-prefeito é pobre na forma da lei? É muita frieza e cinismo!

Tivemos curiosidade de somar as irregularidades apontadas no artigo do citado Jornal, excluído o caso do FUNDEF. Totalizaram um pouco mais de vinte e quatro mil reais, quantia própria a satisfazer um reles batedor de carteira. Temos de convir, no entanto, que os casos narrados são apenas uma pequena amostragem das peças do baú da infelicidade para nós e deliciosa fruição por parte dele. As notas frias e o superfaturamento, o filé mignon da farra, essas fantasias de luxo autorizam a mudar de patente, deixando de ser um mero soldado raso, equivalente a um batedor de carteira, para o de generalíssimo milionário da esperteza sofisticada, vestido com esmerada elegância do colarinho branco e a indispensável cartola para fazer a mágica de desaparecer o dinheiro da platéia penedense. Infelizmente, não podemos reprimir nossa imaginação e apontá-la para outra direção. Pouco importa o valor para caracterizar o crime, quando claro ficou o dolo para a apropriação dos recursos do município. Aquele que é fiel no pouco, é também no muito e vice-versa.

Nada corrompe mais do que o poder. Até o mais comum dos homens, passando a exercê-lo, transforma-se num verdadeiro rei absolutista, acima da lei e de tudo. Os honesto muitas vezes sentem-se atraídos a cair nas malhas da tentação, como se estivessem arrastados, indefesos, por uma lei natural segundo a qual, no fundo, provavelmente somos todos corruptos. O poder, demônio da tentação, sem dúvida é o mais difícil teste de resistência às delícias do crime. Alguns, com base numa rígida formação moral, passam com louvor. Mas como o melhor caminho para livrar-se de uma tentação é ceder a ela, o Alexandre, fraco de espírito, cedeu.

Por que fracassou ilustre prefeito? Quem disse que o elegemos para malversar e fazer malabarismo com o dinheiro do município? Sucedendo a dois prefeitos-catástrofes no primeiro mandato, nós o elegemos como alguém capaz de resgatar o tempo perdido e repor Penedo nos trilhos do desenvolvimento, com uma administração ilibada, acima de qualquer suspeita. Acreditávamos que fosse capaz de alçar vôos e com a clara visão das alturas, ser inspirado pela ética, perceber a diferença entre o bem e o mal, sobressair-se entre a ralé dos corruptos, fazer parte dos poucos eleitos pela nobreza de caráter e firmar-se na história de Penedo, a altura de seus feitos assinalados. Quê decepção!!! Nada melhor traduz atualmente o nosso estado de espírito, abatido pela incredulidade e, como se estivéssemos totalmente sem rumo, e de fato estamos, fazer um tanto trágico a pergunta: E agora, Penedo, para onde?

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  • Jose Miranda Rezende Parece que estamos cedendo a vonta de nossa visão, pois, PENEDO esta acordando...mal uso do dinheiro PUBLICO, PERSEQUIÇÕES, INFRETAMENTOS. GRAÇAS A DEUS. PENEDO ESTA ACORDANDO.
  • VALQUIRIA NOBRE ESTOU SEM PALAVRAS, DIANTE DO Q JOÃO PEREIRA ESCREVEU, ÓTIMAS PALAVRAS, PENEDO PRECISAVA SABER O Q ALEXANDRE FEZ E FAZ COM NOSSO DINHEIRO, E EXISTE MUITO MAIS COISAS Q Ñ FOI COLOCADAS NO JORNAL, O JORNAL EXTRA APENAS FEZ UM RESUMO, MAIS O Q ME DEIXA REVOLTADA ASSIM COMO O POVO INTELIGENTE DE PENEDO, É SABER Q UMA CRIATURA Q FAZ O Q FAZ COM O DINHEIRO PUBLICO, Ñ É DIGNO DE ANDAR NAS RUAS DE NOSSA QUERIDA PENEDO, E AINDA COMPRA UM MANDATO DE PREFEITO.
  • AC Em Penedo é sempre o sujo falando do mal lavado! Se colocar na balança ela não pende pra nenhum dos lados! FATO!
  • Cida Parabéns João Pereira pela brilhante matéria, e isto não é só o senhor prefeito como a senhora "poderosa" esposa do mesmo que responde por diversas irregularidades administrativas desde 2004, é verdade e notório o que foi publicado no jornal extra. E mais a primeira dama em 2004 foi depor ate na PF por dar dinheiro a amigos de funcionários fieis a ela e seu esposo, mas não existe leis para faze-los pagar, pelo contrario colocam uma venda na cara e o povo que por ser muitas vezes tão humildes são usados para esconder mais desvios de recursos onde se dizem ser para os mais carentes. É uma pena mas justiça, punição só existe para os que nada tem ou tem muito pouco. E o povo ainda elegem um prefeito que nada fez no peiodo de 08 anos e o que fara agora? Mais farras com o dinheiro e a dignidade do povo penedense. É lamentável.
  • Roberto Penedo se envergonha destes fatos, infelizmente nosso futuro não é promissor com um administrador desta natureza a frente de nosso município, parabéns João pela sua coragem.
  • Juliana Penedo tá entregue aos guabirus... É uma pena... Alguém tinha que fazer esse comentário maravilhoso... Falar pelo povo em público... Obrigada Dr. João por ser essa pessoa... enquanto outros se omitem, vc foi lá e disse... Parabéns
  • Mari das Dores É lamentável e nojenta toda essa situação, enquanto o povo carente de Penedo mtas das vezes vivem morando nas ruas, crianças fora da escola e usando drogas, vem pessoas como essas q encontram-se na administração da nossa querida cidade, e faz coisas q nem dá p imaginar q alguém seja capaz de fazer. E o q é mto pior, ainda existe pessoas como esse tal de AC, q só pode ser msm um anticristo, achando tdo normal, lindo, uma coisa corriqueira. Q pena, é tão triste, pois q história política podemos contar futuramente aos nossos filhos e netos a respeito da nossa cidade? É quando eu pergunto, o q dizer da frase "Contra fatos ñ existe argumento" se por aqui ñ funciona dessa forma. Na verdade o q podemos dizer de fato é q, pode mais, quem tem mais ou ainda pode mais quem paga mais. Podemos dizer q PENEDO é uma cidade sem lei, sem pespectiva de futuro. Infelizmente tenho q dizer, q bom meu pai q tanto amava essa cidade ñ tá vivo p vê-la indo pelo ralo nas mãos de pessoas sem compromisso com esse povo realmente carente e sofrido. Mas nunca é mto lembrar, q o único q subiu e ñ desceu foi JESUS CRISTO e ele ver tudo, sabe tudo, pode tudo e com certeza proverá!!!
  • JP Como Advogado que o senhor é, eu acho, não se pode condenar quem ainda esta sendo julgado, é falta de ética e profissionalismo Dr. João, portanto, creio que o senhor esta esquecendo que o Sr. Marcius Beltrão também responde por Improbidade administrativa. Use as palavras certas que assim lhe for conviniente, é só um toque.
  • MG PARABÉNS DR. JOÃO PELA MATERIA!! INFELIZMENTE A JUSTIÇA É CEGA!! ISSO É BRASIL!!
  • rosi Parabéns Mari das Dores, vc falou tudo que eu gostaria de dizer,e ao senhor de coragem Dr João Pereira parabéns pela matéria. PENEDO está de luto.
  • AC "penedo se envergonha destes fatos, infelizmente nosso futuro não é promissor com um administrador desta natureza a frente de nosso município, parabéns joão pela sua coragem. postado por: Roberto em 23/11/2009" Me diga QUANDO Penedo não esteve com um administrador desta natureza à frente...
Isabel Cristina Medeiros de Barros

Isabel Cristina Medeiros de Barros

Clínica Geral com Pós-Graduação em Medicina do Trabalho

Postado em 12/11/2009 20:54

Assédio moral no ambiente de trabalho

Tema bastante discutido na atualidade é tão antigo quanto o próprio trabalho, mas a sua manifestação jamais se deu de forma tão acentuada como agora, pois a concorrência por vagas ou cargos melhores, originou uma competição desleal, que torna o ambiente de trabalho insalubre “para quem manda” e principalmente para “quem obedece”. Se nas empresas privadas isso é frequente, imagine no serviço publico, onde manda mais, quem tem força “política” ou “familiar”, assim nem mesmo a garantia da estabilidade funcional do servidor é barreira para o assédio moral de superiores ou colegas, normalmente cargo comissionado ou função gratificada, ligados ao “poder”.

A história da violência moral no trabalho foi estudada inicialmente na Suécia e depois na Alemanha pelo pesquisador em psicologia do trabalho HEINZ LEYMANN em 1984, quando identificou o fenômeno pela primeira vez. No Brasil somente a partir do ano 2000, com a publicação da dissertação de mestrado da Dra. Margarida Barreto, médica do trabalho, denominada “Uma jornada de humilhações”, foi que a importância sobre o tema despertou nos pesquisadores brasileiros o interesse pelo seu estudo.

O conceito de assédio moral é amplo, mas consiste basicamente na exposição do trabalhador a situações constrangedoras, geralmente repetitivas e prolongadas durante o horário de trabalho e no exercício de suas funções, situações essas que ofendem a sua dignidade ou integridade física. O Objetivo do assediador é motivar a demissão ou transferência do mesmo para outro local de trabalho, obrigá-lo a não participar de sindicatos ou movimentos reinvidicatórios, ou ainda impor determinada posição política ao trabalhador. O importante, para configuração do assédio moral, é a presença de conduta que visa a humilhar, ridicularizar, menosprezar, inferiorizar, ofender o trabalhador, causando-lhe sofrimento psíquico e físico.

As condutas mais comuns que caracterizam o assédio moral são: dar instruções confusas e imprecisas, bloquear o andamento do trabalho alheio, atribuir erros imaginários, ignorar a presença do funcionário na frente dos outros, pedir trabalhos urgentes sem necessidade, fazer criticas em publico, sobrecarregar o funcionário de trabalho, impor horários injustificados, insinuar que o funcionário tem problemas mentais ou familiares, não lhe atribuir tarefas e isolá-lo em outro setor, retirar seus instrumentos de trabalho (fone, fax, computador, etc..), agredir o funcionário quando o mesmo está á sós- “sem testemunhas” e proibir os colegas de falar ou almoçar com o mesmo.

As vítimas preferenciais do assédiador são pessoas que reagem ao autoritarismo e se recusam a deixar-se subjugar. Torna-se alvo, pela sua capacidade de resistir às pressões do agressor. O ato de assédio constante e repetitivo de desvalorização da vítima, que é aceita por alguns colegas, acaba levando a mesma a acreditar-se merecedora das agressões. Uma das estratégias adotadas pelo agressor é passar uma imagem irreal da vítima, atribuindo-lhe um perfil neurótico, de mau caráter, de difícil convivência e profissional incompetente. Na verdade as principais vítimas são: trabalhadores com mais de 35 anos, saudáveis, escrupulosos e honestos, que tem senso de culpa muito desenvolvido, dedicadas ao trabalho, perfeccionistas, não faltam ao trabalho mesmo doente, não se curvam ao autoritarismo, são mais competentes que o agressor, portadoras de alguma deficiência, mulheres em grupos de homens ou homens em grupos de mulheres, os que têm crenças religiosas ou orientação sexual diferente da do agressor e as que vivem sós.

No SERVIÇO PUBLICO a forma de gestão e relações humanas propiciam a pratica de assédio moral, pois as repartições tendem a serem locais marcados por situações agressivas, muitas vezes por falta de preparo dos chefes imediatos ou perseguição política, assim além das condutas mais comuns de assédio moral, no serviço publico, ainda ocorrem à negação de promoções, por conta da avaliação dos superiores e a retirada de cargos comissionados e de gratificações, prejudicando financeiramente o servidor.

Na maioria das vezes o agressor é um superior da vítima, mas há também os casos em que um colega agride outro colega e o mais difícil de ocorrer, quando o superior é a vítima da agressão. As principais características do agressor são: ter um senso grandioso da própria importância, ter necessidade de ser admirado e aprovado, criticar as falhas dos demais, mas não aceitar contestação, explorar o outro nas relações interpessoais, não ter a menor empatia e invejar os outros. Com esse comportamento busca encobrir as próprias deficiências, evidenciando ou atribuindo falhas as suas as vitimas.

A degradação crônica e deliberada das condições de trabalho é um risco invisível, mas com efeitos nocivos á saúde do trabalhador que vão desde a insônia até o suicídio. Os danos a saúde mental do trabalhador predominam com depressão, angustias, síndrome do pânico- medo de trabalhar -, além de outras psicopatias, aumento dos casos de alcoolismo, fumo, anorexia e bulimia, causando sérios danos a sua qualidade de vida. A exteriorização dos sentimentos varia, enquanto as mulheres respondem com choro, tristeza, ressentimento e mágoa, rejeitando o ambiente de trabalho, os homens manifestam indignação, raiva e desejo de vingança. Um estudo da Dra. Margarida Barreto mostra que mulheres e homens são acometidos de estado depressivo em 60% e 70% respectivamente e a idéia de suicídio está presente em 100% dos homens enquanto que nas mulheres só em 12,2%. As conseqüências somáticas mais frequentes dessas agressões são o aparecimento de úlcera péptica, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, hipertensão arterial sistêmica e impotência sexual. Os acidentes de trabalho podem aumentar, pois o assediador pode levar ao trabalhador ansiedade e insegurança, assim provocar acidentes ocupacionais que devem ser comunicados.

Por se tratar de uma pratica dissimulada, a conscientização da vitima sobre o assédio moral é muito importante para combater esta pratica e criar estratégias de prevenção, como anotar e datar fatos, protocolar ofícios com requerimentos e denuncias, além de gravar conversas, evitar estar a sós com o agressor e buscar aliados, principalmente de colegas que possam testemunhar, no futuro, caso seja necessário a abertura de um processo judicial. A vítima deve ainda buscar apoio de familiares e profissionais para cuidar dos danos mentais e físicos em decorrência dos danos morais sofridos, mas nunca pedir demissão.

O trabalhador que se sentir agredido moralmente, antes de pensar em demissão deve saber que existem meios jurídicos para combater o assédio e o primeiro passo é fazer a denuncia nos órgãos competentes para tal, como os sindicatos, a delegacia regional do trabalho, ao ministério publico, aos conselhos profissionais, entidades de direitos humanos, o legislativo, além da OAB e outros.

A principal arma do trabalhador para combater este mal é a informação, assim como a do gestor é a valorização do servidor, pois o bem-estar do mesmo só eleva a qualidade dos serviços públicos, beneficiando a todos e não apenas uma minoria privilegiada.

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  • Alexadre Tancredo Pereira Ribeiro Este é um assunto de suma importância; que deve ser levantado sempre através dos meios de comunicação com o intuito principal de informar à população sobre os mecanismos disponíveis que a vítima pode utilizar, para não deixar a sua vida à mercê destes paranóicos de ambos os sexos que estão por toda parte. Não só informar os que porventura existam, mas os legisladores devem ser sensibilizados por este tipo cada vez mais freqüente de ocorrência, criando para a defesa da sociedade, dispositivos que façam as devidas cobranças a estes agressores e, principalmente assegurar de que não exista impunidade.
Jean Lenzi

Jean Lenzi

Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural

Postado em 08/11/2009 18:35

Tropícaos

Tal como orgulho para o Brasil é a cidade do Penedo, sua poesia, suas ruas de paisagens bucólicas que chegam a confundir o ouro preto e o barro vermelho, (há quem insista em afirmar que somos a Ouro Preto do nordeste; eu fico no contrário, já que Penedo está na contramão do progresso; poderia sim acreditar ser Ouro Preto a Penedo do sudeste; mais tudo isto é só teoria, a realidade distinta das duas comunidades é mais importante), as histórias mal-contadas e mal-escritas, que mesmo assim permanecem histórias, o sossego do povo, a ociosidade dos jovens, a pouca inteligência dos políticos, as intrigas dos grupos sociais sejam quais forem, também formam juntamente às bocas malditas a Cidade do Penedo. E tudo isto por que Penedo não é da política tucana, ou da libertária, não é da educação falida ou da expoente, não é de uma classe artística desunida, não da Igreja católica ou da protestante, menos ainda do Candomblé, não é da juventude oligofrênica, dos bandidos fugitivos ou dos que circulam normalmente. A cidade do Penedo só tem razão para existir porque é formada por tudo isto junto.

Contemplados por uma educação falha, herança de um Estado analfabeto, o povo do Penedo desconhece (acredito) até as razões para que escrevamos “do Penedo” ao invés de “de Penedo”, o que pode parecer bobagem, ou um detalhe para cegos, mais é somente o principio de nosso caos. Pois bem, vamos à explicação que obtive também há pouco: “A cidade do Penedo desenvolveu-se sobre um acidente geográfico, grandes penedos, rochas enormes que formaram paredões às margens do rio São Francisco, a exemplo da cidade do Recife em Pernambuco, cujo nome também advém dos arrecifes no qual explica o escritor Gilberto Freyre”. Também poderá lembrar uma cultura de almanaque, mesmo até uma cultura vasta inútil, mas longe de tudo isto, deveríamos atentar a estes detalhes que dão a Penedo a diferença, a importância e a certeza de não sermos nós, cidadãos ignorantes de nossa própria história.

Em razão da II JORNADA CULTURAL DO PENEDO promovida há algumas semanas pela ONG penedense Sociedade Cultural Barqueiros do Velho Chico, constituída por penedenses atuantes nas mais variadas áreas, o evento bianual tem como principal objetivo o somar de forças entre instituições, artistas e educadores a favor da cultura, do entretenimento e da educação neste município. As grandes intervenções promovidas pela II Jornada mostraram o quanto Penedo é carente de eventos dignos e verdadeiramente culturais, na oportunidade da Jornada Cultural, o espetáculo musical Uma cidade a Cantar e o baile O Grande Encontro foram incorporados à mostra para abrilhantar toda a semana de 13 a 17 de outubro, na qual se realizou o evento, que foi acompanhado por uma minoria de jovens, por uma maioria de intelectuais, por outra maioria de artistas e educadores. Isto é importante ser comentado para talvez tocar a razão da juventude que é a classe mais preocupante de nossa sociedade.

Foi apresentado na noite de abertura o show de um grupo para-folclórico em praça pública, na oportunidade em que foram entregues à personalidades da cultura do Penedo a Comenda do Mérito Cultural Barqueiros do Velho Chico, justificando o respeito e agradecimento dos que fazem a Barqueiros do Velho Chico a penedenses como Francisco Alberto Sales da Fundação Casa do Penedo, à Lísia Ramalho Marinho da Fundação Raimundo Marinho, ao imortal Ernani Otacílio Mero, entre tantos outros lembrados pela Comenda.

São iniciativas iguais a esta que partem de cabeças ilustres como a da educadora Lúcia Regueira que deveriam ser copiadas pelos agentes de entretenimento de plantão em Penedo, recordo-me do vandevour instalado em razão dos bailes posteriores à Jornada, que ao contrário desta, nos dois eventos foram cobradas taxas e obtiveram números estrondosos de participação jovem. Jovens que não quiseram espiar o concerto de uma cantora lírica gratuito no Convento Nossa Senhora dos Anjos, trocando a elegância eucarística do convento pelo infecto lamaçal do trevo. Foram estes os jovens que se recusaram a assistir a palestra sobre preservação patrimonial promovido pela Universidade Federal de Alagoas, parceira do evento, também renegaram a cerâmica do Mestre Capilé e os Santos do Higino e tudo isto a favor de não gastarem suas energias a espera do grande momento; se jogar e cair na poeira dos bailes da baixadinha à espera também da perguntar crucial: “Quem gostou dá um gritão aêeeeee!”.

Tudo isto é muito próprio de um país tropicaos, mais ainda de uma cidade que tropeça a cada dia em seu espírito passional e altamente corrosivo. Comento isto por sentir a falta da platéia jovem quando dançavam os guerreiros do Transart, pela falta própria dos guerreiros do Penedo, ou quando ecoava potentes e melódicas vozes pelo cenário natural do centro histórico, isto na calada da madrugada e nem mesmo lá estava a juventude do Penedo para gritar à liberdade e às boas práticas. Salvaram-se as presenças de pré-adolescentes, adolescentes, crianças e velhos participantes da II Jornada Cultural, consagrada mais uma vez por sua persistência e inovação.

Nossa razão é falha quando dizemos que Penedo é uma cidade parada, morna; é bobagem ignorar coisas feitas com tanto empenho a troco de um simples “eu não vou” ou “eu não gosto”, o não gostar é o que menos interessa, importante mesmo é a presença, é a soma, é o respeito por um trabalho que foi pensado do começo ao fim para a juventude, para o resgate, para a preservação, para o desenvolvimento e a promoção da educação.

Vale aqui um puxão de orelha a toda a juventude do Penedo: antes de dizer que não gosta, primeiro conheça, vá lá e veja você mesmo o que de incomum está acontecendo de baixo de suas ventas, reúna suas patotas e discutam sobre o que realmente é importante para vocês e depois é só cair na poeira, porque bem sabemos nós que neste país tropicaos, “o sol que peca, só quando, em vez de criar, seca” também nasceu para todos.

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  • Nani Rodrigues Oi Jean! Muito Interessante você chamar á responsalidade a juventude para esse foco... Torço para que os jovens "acordem", o quanto antes, e percebam o quanto importante é, a cultura - Em especial, a nossa cultura nordestina!
  • Madileide Oi Jean, devemos isso a administrações públicas que ao invés de implementar a cultura local principalmente nas escolas e em eventos importantes da cidade, preferiu o apelo de massas, cultura de outro lugar que são os trios elétricos... Ainda há tempo para o resgate, apesar do desgaste!
Públio José

Públio José

Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida

Postado em 05/11/2009 22:22

O Leão e a Gazela

Entre os vários instrumentos formidáveis que o leão possui um se destaca em especial: o urro. Nada na natureza, em termos de manifestação sonora, se compara ao urro do leão. É algo realmente assustador. Depois de liberado pela garganta e pela bocarra, o urro leonino se propaga, através de intermináveis ondas sonoras, alcançando distâncias impensáveis. Estudiosos garantem que o som do urro do leão se espalha a uma distância de até dez quilômetros do local onde ele se encontra. Como se vê, é um espetáculo realmente incomum, sem outra ocorrência pelo menos semelhante. Assim, o urro do leão reina sozinho na imensidão da selva. Entretanto, poucos sabem que o urro do leão é também uma arma poderosíssima. Solitário na maioria do tempo, ele se serve do seu urro para assustar a presa distante. E também para avisar aos concorrentes que está indo à caça. Que ninguém se meta no seu caminho.

Por sua vez, a gazela – um dos pratos preferidos do leão – tem no seu mover diário o hábito de se alimentar na mata fechada. Ali, onde cipós, arbustos e árvores de baixa estatura lhe criam uma proteção natural, a gazela se posta tranqüila a pastar. O leão sabe que na mata fechada fica difícil perseguir e liquidar com a gazela. Na mata fechada, as condições de luta normalmente favorecem a ela, no caso o contendor mais frágil nessa disputa. Ligeira, ágil, leve, com estrutura óssea adaptada para saltos que não necessitem grandes espaços para impulsão, o pequeno quadrúpede dispõe, na mata fechada, de grandes possibilidades de escapar, de fugir ao ataque mortal. O grande animal sabe disso e usa, então, uma das suas armas para desestabilizar e fragilizar o pequeno adversário. Assim, o leão solta o urro pelos ares. Assustada, a gazela sai para campo aberto. E, zás, se torna presa fácil.

Fazemos uso dessa fábula para uma reflexão sobre os dias atuais. Olhando o cenário da vida, dá para se perceber como tem leão por essas bandas (aí entendidos, como tal, os inúmeros problemas que normalmente assustam e fragilizam as pessoas: a luta pela vida, a concorrência profissional, a incerteza sobre o dia de amanhã, as frustrações, as decepções, o desânimo, os projetos inacabados, os sonhos desfeitos, os relacionamentos despedaçados, a violência urbana, o índice sempre crescente de criminalidade.....) E a reação dessas pessoas aos urros que as dificuldades lhes impõem. O leão nem chega à frente delas. Basta o som dos problemas para tirá-las da sua paz, da sua tranqüilidade. Conclusão a que se chega: como nossas selvas urbanas estão cheias de gazelas! De pessoas fragilizadas, totalmente despreparadas para o enfrentamento diário aos leões da vida.

E sucumbem porque saem do terreno protetor dos princípios cristãos, da fé em Jesus, da prática do perseverar, do insistir em seus sonhos, anseios e convicções. Na Câmara Federal temos um bom exemplo desse contexto. Ali, parlamentares não suportaram as pressões do governo – e, zás, sucumbiram ao leão do mensalão. As prisões, por outro lado, estão lotadas por aqueles que não resistiram ao leão do roubo, do estupro, do seqüestro, da maldade, enfim. Já outros, nas altas rodas, se rendem ao leão da prostituição, do tráfico de drogas, do alcoolismo. Todos, rigorosamente todos, serão devorados mais adiante por terem deixado a mata fechada dos bons princípios para atuar no descampado que leva à morte. O leão estará sempre pronto para agir. E o urro será sempre a primeira arma utilizada. Permanecer firme na mata fechada é o melhor caminho. Ou você quer se transformar numa tola e indefesa gazela?

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  • Nani Rodrigues Ótimo artigo! Parabéns Públio!
  • Edmundo Parabéns, gostei muito do artigo!
  • Jean Lenzi Caro Prof. Públio, Interessante é também tirar do artigo não somente reflexões acerca dos leões truculentos da nossa sociedade, 'tampoco' para reafirmar alguma pretenção de superioridade de raças, vejo então uma empatia sublime entre vosso artigo e um poema de Gilberto Brandão Marcon com o mesmo título, O LEÃO E A GAZELA, neste, as selvagerias se completam, um passa a existir em razão do outro, pertencentes à mesma raça, d'onde nasce uma atração não mais de sobrevivência alimentar e sim de uma selvagem compreensão e protenção do outro, numa poética um tanto distante, ou totalmente distante, é falado que o LEÃO não mais devoraria, mais sim, PROTEGERIA AS GAZELAS, daí uma boa reflexão proporcionada aos leões e às gazelas bípedes. Parabéns!, Jean