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Públio José

Públio José

Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida

Postado em 08/05/2010 11:36

Todos somos fornecedores

Na linguagem empresarial, comercial, o termo fornecedor tem um peso muito importante. Representa, na estrutura do negócio, o parceiro que produz mercadorias e serviços para outros parceiros que, por sua vez, detêm meios de acesso ao mercado consumidor. O assunto é vasto, pois envolve não somente os que produzem (muitas vezes desprovidos de estrutura de distribuição), mas também os chamados atravessadores, especuladores, agentes responsáveis pela compra das mercadorias aos produtores e pela venda e entrega delas à rede de lojistas. No entanto, devido à complexidade que rege atualmente o mundo dos negócios – principalmente pelo peso da maquina governamental – o termo ganhou significado mais profundo, agigantou-se e passou a representar um item super importante na engrenagem e escaninho das grandes corporações e das grandes organizações estatais.

Por conta do poderio e da complexidade do mercado fornecedor, as empresas e instituições se obrigaram a montar grandes estruturas para aquisição de produtos e serviços, e suas subseqüentes atividades, como controle de qualidade, de pagamento, de estoque, fiscalização, auditoria... E um mundão de outros elementos de suporte, entre os quais – e principalmente – aqueles voltados ao combate da corrução, este um item responsável pela maioria dos escândalos envolvendo parlamentares, políticos e administradores públicos. Como terceira ponta deste negócio, nem sempre o consumidor sabe que vive à mercê das decisões desse povo – mas vive. De maneira que, atualmente, ninguém se livra de estar direta ou indiretamente envolvido nessa gigantesca – e nem sempre clara e transparente – rede de relacionamentos interpessoais, além de gestora de uma incalculável montanha de dinheiro.

Entretanto, para os fins a que se destina o conteúdo deste artigo, convém ampliar o conceito, o significado do termo fornecedor. Pois, se fizermos aqui uma análise menos negocial, menos tradicional, e mais sociológica, mais humanista... Enfim, se olharmos para dentro das estruturas familiares, das estruturas sociais, políticas, profissionais, veremos que todos nós fornecemos algo a alguém. Os pais, por exemplo, fornecem aos filhos roupas, alimentos, educação, saúde. Só isso? E onde fica o carinho, a atenção, o zelo, os cuidados, a orientação para a vida, o amor, enfim? Já os empregados fornecem aos patrões o esforço, a dedicação, a seriedade, a honestidade, a competência no desempenho do trabalho que se obrigam a fazer quando são contratados. Já os patrões se obrigam a fornecer salário (de preferência em dia), boas condições de trabalho, planos de saúde, vale transporte...Um homem houve que nos forneceu belíssimos e utilíssimos ensinamentos – e muito amor. Seu nome? Jesus Cristo. Já Hitler forneceu à nação alemã, e por conseqüência a toda humanidade, conceitos carregados de preconceito, ódio, descriminação, sangue, destruição. Fidel Castro ficou famoso pelo fornecimento aos cubanos de perseguição, censura, miséria, paredon e morte. Hugo Chávez está aí fornecendo aos venezuelanos intranqüilidade, regime ditatorial, incerteza econômica. Há, portanto, homens e homens. E fornecimentos e fornecimentos. Madre Teresa de Calcutá era uma exímia fornecedora de caridade, doação, carinho, amor. Ghandy fez da sua vida um tesouro de fornecimento de amor e louvor ao próximo. Martin Luther King (sem decretos, sem ministérios e sem disparar um tiro) transformou-se em ícone da humanidade no que diz respeito aos direitos humanos e igualdade racial.

E Jesus? Jesus é um caso à parte. Um fornecedor extraordinário. Que extrapola o entendimento humano, que vai muito além da concepção que o homem faz do fornecimento que deve direcionar ao próximo em família, no trabalho, na vida em sociedade. Jesus nos fornece perdão em plena cruz (“Pai, perdoa; eles não sabem o que fazem”); Jesus nos fornece alívio nos momentos de dor (“Vinde a mim todos que estais cansados e sobrecarregados; e eu vos aliviarei”); Jesus nos fornece orientação espiritual direcionada à salvação (“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; e ninguém vai ao Pai senão por mim”). E você? Você é um fornecedor. De que tipo? O que está fornecendo aos filhos, amigos, vizinhos, colegas de trabalho? Como eleitor, por exemplo, a quem fornece seu voto? Político corruto em troca de dinheiro? Veja lá! Há homens e homens. Fornecimento e fornecimento. Qual a sua mercadoria?
 

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Isabel Cristina Medeiros de Barros

Isabel Cristina Medeiros de Barros

Clínica Geral com Pós-Graduação em Medicina do Trabalho

Postado em 01/05/2010 09:48

Os Pacientes perderam a paciência!!!

Depois de tantos anos atendendo pacientes em postos de saúde, aprendi que jamais serei capaz de resolver satisfatoriamente todos os problemas de saúde daqueles que me procuram, porque além de minhas limitações “humanas”, existem as limitações dos serviços públicos com suas deficiências, resultantes de más gestões e dos problemas sócio econômicos deste país.

As necessidades dos pacientes vão muito além da consulta médica, pois se os complementos como remédios, materiais e equipamentos para procedimentos, marcação de exames e de consultas especializadas não estão disponíveis, a consulta torna-se ineficaz. Soma-se a esta situação, a falta de saneamento básico, coleta de lixo e alimentação adequada, importantes no processo de adoecimento, assim como uma educação de qualidade, importante para a paciente ter acesso às informações sobre sua saúde. Distribuir panfletos e pregar cartazes informativos em serviços de saúde, onde os usuários nem assinam seus nomes, é perda de tempo e dinheiro. Têm mais resultados as palestras e reuniões com a comunidade, apesar de ser impossível realizá-las enquanto quarenta pacientes aguardam consulta na sala de espera e o gestor da saúde local exige “quantidade” de atendimento.

Promover saúde sem educação é muito difícil, orientar coisas simples como os horários de medicamentos, demanda paciência e tempo, não adianta dizer apenas: “tome este remédio de oito em oito horas”, pois ele só vai tomar às oito da manhã e às oito da noite. Orientar, por exemplo, um idoso que faz uso de três tipos de anti- hipertensivo mais dois de medicamentos para diabetes, além de um para o coração não é uma tarefa simples, os agentes comunitários ajudam muito na orientação, mas quando não estão disponíveis os pacientes ficam a mercê de algum parente ou vizinho, nem sempre com entendimento suficiente para a tarefa.

Certa vez, orientando uma paciente sobre a dieta adequada para seus problemas de obesidade, achei de dizer que a mesma precisava de “educação alimentar”, então meio constrangida, ela respondeu: “É mesmo doutora eu sou mal educada pra comer, vou comer mais devagar e diminuir o prato”!

Há alguns meses atendi num posto de saúde uma menor de 16 anos que antes de me dizer as queixas, me entregou uma carta de duas paginas, e disse: “escrevi tudo, para não me esquecer de nada”. Transcrevo abaixo alguns trechos:

“Escritura de tudo que sinto

Quais são?”...Descreve então várias queixas, de todos os tipos, em 16 linhas, finalizando assim:

“ Eu estou aqui hoje porque eu quero que todos esses problemas que sinto sejam curados, porque eu vim aqui ser atendida de verdade, porque meu caso é muito grave, só eu e deus sabe como estou mim sentindo. Por isso eu quero que meus problemas dessa vez sejam resolvidos, porque se conte as vezes que venho mim consultar e nada é resolvido e eu sempre do mesmo jeito. Será que nenhum médico daqui sabe resolver nada, espero que essa seja a ultima vez que eu venha tentar resolver meus problemas, porque eu já não agüento mais. Espero que dessa vez eu saia daqui feliz com tudo que preciso. Você hoje é minha única esperança. Deus queira.”

Apesar de tantas queixas, a menor à avaliação clinica apresentava um bom estado geral, mas devido a sua evidente ansiedade, falei: “como é sua primeira consulta comigo, vou tentar resolver alguma coisa, mais resolver tudo hoje é impossível, porque serão necessários exames”. Estou aguardando estes resultados de exames há mais ou menos cinco meses e a paciente ainda não retornou com os mesmos.

Esta situação serve para ilustrar a carência do paciente em ser ouvido, mas nos coloca no dever de suprir todas as suas necessidades, enquanto o poder publico não faz a sua parte. Os problemas na saúde são muitos e nós médicos também somos culpados, quando aceitamos trabalhar em péssimas condições.

Na persistência de tantas “farturas” (falta tudo), os médicos perderam o estimulo e os pacientes a paciência com as consultas muitas vezes infrutíferas, mas ainda com a esperança de que o médico, sozinho, “resolva tudo”, possível apenas quando DEUS QUISER!

 

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  • Roberto Parabéns doutora Isabel Pela matéria, infelizmente fomos enganados por essa administração que aí está, tanto nos prometeu e apenas sucateou ainda mais o nosso já tão combalido sistema de saúde, ainda bem que novas eleições virão, nem tudo 'para sempre!
  • Emanuelle hum... como se o rpoblema da saúde fosse questão da gestão atual. a saúde de penedo nunca foi boa e os medicos não estudam e passam o resto da vida agchando q o diplominha que eles conseguiram é tudo, no entanto quem escolhe a medicina por oficio deve saber muito bem que isso implica atualização e muito estudo, coisa que a maioria dos medicos de penedo não tem. Mamae precisou de medico, niguem soube dizer o que ela tinha... titia, diseram que nunca ficaria gravida, kkkkkkkkk, Se vc quer um medico que lhe de um diagnostico decente é melhor procura em arapiraca ou maceió, pq penedo não tem quem honre com o oficio na medicina!
  • Por Penedo Emanuelle espero que vc nunca precise dos médicos de Penedo, pois Penedo e servido de excelentes profissionais , realmente a saúde de Penedo nunca foi boa, mais este prefeita que ai esta subiu em palanque e enganou mentiu para o povo de Penedo prometendo o que não poderia cumprir por exemplo prometeu a UTI cadê , prometeu que a saúde de penedo seria mil maravilhas e o que estamos vendo e que a saúde de Penedo esta um caus. não tem nenhuma pessoa que queira assumir a secretaria Será que e porque este governo trabalha muito maisss.
  • Carlos eloy Generalizar que Penedo não têm bons médicos, é um grande erro. O que falta é vergonha por parte dos gorvernantes para dá condições de trabalho aos profissionais da área. Parabéns pelo texto, pessoas como vc têm que expressar sempre a falta de respeito que os mais necessitados vem sofrendo ao longo dos anos. Agora, educação é tudo como vc disse, porém também vai de mau a pior.
  • Marcos Dra Isabel parabéns pelo texto, e a realidade que o município vive hoje.
  • Ana Quero parabenizar a Drª Izabel pelo execelente texto que infelizmente é a atual realidade da nossa cidade. Aproveito o ensejo para reclamar sobre o centro de Diagnóstico que está uma bagunça depois da saída de Wagner, demissão esta que por sinal foi muito injusta e a população mais uma vez a sofrer.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 24/04/2010 12:28

Sangue Novo no Executivo Municipal Penedense

Alguma cigana teria sido capaz de prever que fossemos premiados com a oportuna renúncia do Alexandre que, pretendendo galgar horizonte mais alto poderá se transformar num autêntico Ícaro a despencar das alturas em queda fatal às suas pretensões políticas? A vaidade costuma derreter as asas de muitos aventureiros, especialmente daqueles querem alçar vôo além da sua capacidade. Acontece que a sua ascensão ou queda, que em queda livre já se encontrava, fica no campo das especulações. O que importa é que Penedo, torturada pelo desamor e profundo estado de anemia, pode começar a acalentar a esperança de receber uma saudável e estimulante transfusão de sangue.

Sempre defendemos o surgimento contínuo de novas lideranças políticas, dinâmica necessária para arejar e servir de assepsia ao corpo viciado, decrescente vitalidade, necrosado e corrompido pelo tempo que tudo acomoda. Esse fluxo nada mais é do que estar em sintonia com a lei natural do movimento. Renovar, portanto, é uma característica da vida embora nem sempre, temos de convir, toda mudança aconteça para melhor. Ocorre que quando o presente não nos convence e muito menos nos satisfaz, vale a pena avivar a chama da esperança às nossas melhores expectativas.

Pelo que sentimos, vemos e ouvimos, Penedo, no tocante às suas finanças, encontra-se na UTI. Comenta-se a respeito de uma dívida expressiva em alguns milhões de reais. Não sabemos a causa ou causas, sendo o déficit orçamentário, sem dúvida, uma delas. Uma prova dessa grave adversidade está no desagradável corte das gratificações e horas extras. Sem falar no comércio local, seguramente com créditos dependurados, existe a visão incômoda das ruas esburacadas pela chuva ou para reparos no sistema de água e esgoto, eternizados no tempo para serem reparadas.
Esse caos financeiro não teria pesado de forma definitiva na sua decisão de abandonar o barco, temendo o seu afundamento ? Assim, se comportam, dizem, os ratos de navio. Suas justificativas, que parecem emoldurar um belo quadro de disciplina partidária, não convencem.

Ninguém, em sã consciência, no início de um mandato, renuncia-o após enfrentar encarniçada luta para conquistá-lo. Como nos convencer que o que era tão atraente perca, num curtíssimo prazo, o seu atrativo? Ninguém abandona uma viúva endinheirada, a não ser que tenha mergulhado em insolvência. Acho que foi exatamente o que aconteceu. O que foi feito das juras de amor por Penedo, do amor puro e desinteressado? Persistentes no otimismo, aguardamos a vinda do verdadeiro romântico que venha acolhe-la, por fim aos seus lamentos e, com afagos e carinho, venha compensá-la de seus suplícios. Teria sido difícil ao Alexandre, convidado pelo governador, convencê-lo de que seu compromisso com Penedo era inarredável? Não teria sido, creio. Por outro lado, o PSDB é um partido tão carente de puro sangue, aponto de recomendar a renúncia de um prefeito no início do mandato? E o respeito ao eleitor, como fica ? Dúvidas e desconfiança pairam no ar. Sua renuncia, em ultima análise, foi uma decisão há muito planejada,num momento estrategicamente correto. O futuro, certamente nos esclarecerá.

Não existem problemas sem solução. Administrar com suficiência de recursos, até os medíocres podem se sair muito bem. Somente na adversidade, se tiver a sorte de ser inspirado pela criatividade, poderá sobressair-se e adquirir, com louvor, o galardão de exímio administrador. Mexer com o interesse do próximo é a mais difícil, delicada e dolorosa decisão. No entanto, se a mesma deve ser tomada como objetivo saneador ,faça o mais rápido possível e deixe que o tempo cicatrize as feridas.

Os engenheiros são considerados bons gestores. O mundo, por sua vez, apóia-se nos ombros da engenharia através da aplicação de inúmeras tecnologias, nos diversos campos de sua atuação.
Avante, engenheiro Israel Saldanha, faça parte da regra dos bons administradores. O desafio está lançado. Se assim despontar, como esperamos, estará começando a pavimentar a sua carreira política. Sedimente-a com independência, sem duplicidade de mando para que não fiquemos em dúvida de quem ordena e dirige os destinos de Penedo. Trocar idéias e pedir conselhos é uma virtude imprescindível. Inconcebível é que venha a se transformar numa marionete, que seria a visão antecipada do desastre e perda total da expectativa acalentada por todos nós penedenses.

Apele aos céus, religioso que o é, para que o ilumine e possa tirar Penedo do atoleiro e aponte-lhe o caminho para o reencontro com o desenvolvimento que todos desejamos

Boa Sorte!!
 

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  • Antonio Lins Professor, mais uma vez um excelente texto, exprime e imprime como esta nossa Penedo no ambito govrnamental!! Parabéns
  • rosa Parabéns pela exelente matéria...é a nossa realidade nua e crua.
  • henrique beltrao parabens joao, excelente texto q o senhor escreveu!!
  • Melissa Borges Simplesmente, completo!
  • Roberto Diria que Perfeito, exprime toda a sabedoria e inteligência de um escriba que nos dá imagem aos pensamentos no ato da leitura, parabéns!
  • geraldo cavalcante Para uma melho apresentação, com um disfance mais acentuado do artigo e comentarios, eu aconselharia a leitura de um livro cujo título é\\\"O PUCHASAQUISMO DE NESTOR DE HOLANDA\\\'
Francisco Sales

Francisco Sales

Médico psiquiatra e Diretor Fundação Casa do Penedo

Postado em 19/04/2010 17:16

De Bernini a Cabrini

Há cerca de 500 anos quando nós começávamos a ser descobertos pelos europeus que aqui fincaram a Cruz de Cristo, já um membro da sociedade secreta Illuminati, imortalizava no mármore o horror que acontecia no claustro de um convento de mulheres na Espanha. O orgasmo de Tereza d’Avila, celebrizado por Bernini escandalizava a Igreja Católica e chamava a atenção de toda humanidade, para o crime que se perpetrava conta a mulher, forçadamente confinada à uma vida dedicada a ser “Esposa do Senhor”.

Hoje sem a genialidade do escultor barroco nos deparamos com o jornalista Cabrini a mostrar ao mundo a carne flácida e desnuda de um padre ancião que no recesso de uma Casa Paroquial nos sertões do Brasil, entrega-se a volúpia de um ato sexual.

“Isso não é pecado”.assegura o pastor octogenário para vencer as resistências do garoto que seria imolado no altar dos prazeres. “Veja que nos evangelhos, nada existe condenado.” Insiste o prelado em sua ação catequética.

Realmente a condenação do ato sexual é mais uma artifício da Igreja para manter seu poder de domínio, inclusive para seus próprios membros. Mas como este ato é necessário ao homem e indispensável à vida, ela a Igreja,diante dessa contradição finge não ver sua prática que na maioria das vezes passa a ser deformada,doentia, eivada de culpas.

Já a própria escolha da “vocação para o sacerdócio” deveria estar a indicar possíveis saídas para jovens que vêem na vida de padre uma fuga para sua possível sexualidade onde poderia ser possível a sublimação da já angustiante manifestação sexual .

“Quem está aí fora? Quem está aí fora? Continua a perguntar o execrado pastor no vídeo exibido com sensacionalismo. E não obteve resposta em que pese haver reiterado a pergunta.

Todos nós estamos aqui fora assistindo há anos a esses fatos e uns tantos outros que emolduram a ação da Igreja na sua insana luta por poder. Vendendo indulgências, bênçãos,a vida eterna em negação da presente, isso sem falar nas benesses materiais e porque não dizer também eleitorais.

Qual beata, professor, autoridade ou habitante de uma pequena cidade como Arapiraca ou Penedo não saiba da vida de seus padres?

Ainda o jornalista,agora pluralizado,- jornalistas do mundo inteiro-, afirma como da mesma maneira faz o promotor de justiça que o Bispo sabia e nada fez.

O Bispo, como nós, formamos também a igreja e sabíamos e tolerávamos esses horrores e tantos outros.Porque? O que fizemos durante tantos anos, enquanto milhares de jovens em sacristias, claustros, casas paroquiais, seminários, colégios, internatos e uma série de “instituições pais”tiveram suas vidas deformadas por esses falsos e mórbidos ensinamentos?

É hora de refletir que estamos diante de um problema muito mais sério do que a anômala prática sexual mostrada pela imprensa, e sim de um problema cultural A Cultura da Igreja, da submissão aos dogmas, da hipocrisia, da negação do presente em função de uma vida eterna que esse falso cristianismo nos tem imposto há séculos.

Foi para isso que Bernini imortalizou o êxtase de Tereza D’Avila e deverá ser esse o chamamento da denuncia do Cabrini. Dar um basta nessa falsa dominação da igreja.

Tanto os milhares de crianças, como de padres e todos nós somos vítimas dessa “sagrada tirania”.

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  • José Nicácio Um texto carregado de emoção, verdade e revelação do verdadeiro sentimento que hoje retrai a comunidade católica de todo o mundo. Negar e querer justificar o que está escancarado, desnudo e disseminado é no mínimo querer substimar a inteligência de milhões de pessoas que hoje já não sentem mais o respeito ao cabelos brancos do monsenhor, por conta do derespeito a que foram submetidas. Triste dias de vergonha, mentiras e omissões!
  • Augusto N Sampaio Angelim Sales, meu caro, vc está coberto de razão.
Valfredo Messias dos Santos

Valfredo Messias dos Santos

Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 13/04/2010 20:33

Filhos: Por que a relação é sempre conflituosa?

Tenho me feito, em muitas ocasiões, uma pergunta que ando em busca de respostas mais convincentes: Por que a relação entre pais e filhos é tão conflituosa? Alguém pode até dizer: Na minha família isso não acontece!. Claro,quando assim indago é com relação à grande maioria,respeitando às exceções, que ressalvo,são muito poucas.Por muito que os pais façam pelos seus filhos ,eles querem cada vez mais .Não há o sentimento de troca,de gratidão,de agradecimento, mas,tão somente de cobranças.

Quantos pais têm amargado nesta vida, uma relação conflituosa, quase odiosa entre seus filhos e filhas? E isso não acontece apenas nos lares de famílias pobres,sem recursos,sem educação. Até parece que nas famílias de classe média e alta, os escândalos envolvendo os membros familiares são mais constantes, talvez pela exposição que os fatos são dados pela mídia. A busca efusiva da liberdade tem sido um dos ingredientes dessa disputa dentro do lar. A tendência dos filhos em se relacionar melhor com seus amigos e amigas, de participar de grupos às vezes organizados para a prática do mal, como assaltos, uso de drogas, orgias, e a de querer morar sozinhos, longe dos olhos vigilantes de seus pais, são apenas alguns desses fatores que contribuem para esse eterno problema de convivência.

Os pais por já terem percorrido um longo caminho na estrada da vida e por terem enfrentado os dissabores dessa caminhada, se preocupam com o futuro de sua prole, e se aventuram a dar conselhos para que não venham ser surpreendidos nas armadilhas dessa mesma estrada. Entretanto, a cada conselho que os pais se aventuram a dar ,novas contradições e insatisfações afloram,dando margem a novos conflitos e às respostas: “a vida é minha e vivo como quero”;”suas idéias são ultrapassadas”;”os tempos são outros”; “ você só quer falar e não quer ouvir “.

Enquanto isso, muitos, que não fazem parte do convívio familiar, procuram ouvir e seguir conselhos, sugestões que lhes são dados e dizem ter encontrado a saída para seus conflitos pela palavra amiga ,pelo simples ouvir. Por que isso acontece? Por que a maioria dos pais não consegue partilhar com seus filhos suas preocupações, seus anseios e um pouco de sua história como uma forma de colocar diante deles um quadro mental de um passado que pode se repetir no presente ou no futuro? Tenho andado em busca dessas respostas, mas, sinceramente, ainda não as tenho como definitivas. Apenas suposições.

O famoso escritor árabe Gibran Kahlil Gibran, em seu livro “ O Profeta” conta que uma mulher que carregava o filho nos braços disse:” Fala-nos dos filhos”. E ele assim falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,

Porque eles têm seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã,

Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,

Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força

Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como ele ama a flecha que voa,

Ama também o arco que permanece estável.
 

Que bela poesia! Por certo nos servirá de consolo. Propõe-nos uma reflexão mais profunda,mais real,mais natural.Mas ainda continuo a indagar : Por que tem que ser assim?


 

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  • emerson rocha Parabéns, esta é a realidade
  • Martha Mártyres Caro Dr. Valfredo, seja bem vindo! Parabéns pelo texto. Tive 4 filhos e ouvi 4 vezes a mesma frase: deixe que eu viva minhas próprias experiências. Então aprendi a responder: Certo, mas lembre-se de que, como eu, um dia você vai se arrepender de muitas coisas que fez, das que deixou de fazer, e, principalmente, de não ter lembrado a tempo que o presente não tem bilhete de volta ao passado e muito menos passagem garantida para o futuro. Já à minha neta, costumo lembrar que Jesus quis dizer que nos amássemos e não que amássemos uns aos outros, pois entendo que amor, mesmo de pai e mãe, não pode ser incondicional, sob pena de não ser amor, mas um sentimento doentio e hipócrita de que não respeita a si mesmo. Estamos orgulhosos de tê-lo conosco!