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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 19/06/2010 08:07

Fé: A Negação do Racional

A fé, um autêntico Quixote, luta no mundo das trevas, pretendendo levar às pessoas uma luz que ela própria desconhece. É uma visão imaginária do que está na total escuridão: Deus, mistério, inacessível e inexplicável. Oradora insuperável na arte de seduzir e hipnotizar, transforma os que a seguem em rebanho das belas ilusões que migram às cegas para o El Dorado do sem fim. Em outras palavras, é uma pregadora que fala aos homens a respeito de um céu que desconhece e para o qual ninguém irá para lá. Ancorada nas chamadas escrituras sagradas, oferece aos que se sentem órfãos em um mundo brutal, desumano e hostil, como a mais sedutora personagem a narrar contos de fada capaz de anestesiá-los, fazê-los adormecer no sono da inocência, sonhar e acordar no maravilhoso mundo novo das Del celestiais.

Farei breve referência, quer pela incompatibilidade com o local da publicação, quer principalmente pela minha ignorância em teologia como será notada pelos doutos da área, sobre pontos que dão um nó górdio no meu pensamento. Atrevo-me, no entanto, seguindo o que disse, parece-me que Péricles, que embora somente poucos possam dar origem a uma democracia, todos somos capazes de julgá-la.

Vamos pelo começo. Segundo o gênesis, Deus criou o homem segundo sua imagem e semelhança. Explica-se pela teoria da analogia da causa e efeito, isto é, a criatura herda traços do criador. Naturalmente que respeitada à distância entre o absoluto e o relativo. Assim, quando dizemos que Deus é infinitamente bom, devemos concluir que também é infinitamente mau. Nossas virtudes e defeitos estão no relativo. As manifestações violentas da natureza, terremotos, maremotos, vulcões e furacões, entre outras, dizimando indiscriminadamente vidas humanas, são exemplos da maldade superlativa do criador. Acontece que nada está isento de conflitos. O nosso planeta, sem exceção, foi fruto de colisões e, segundo os astrônomos, mais cedo ou mais tarde não escapará do impacto de asteróides, cometas e meteoros que extinguirão a vida por completo. Por outro lado, nenhum animal sobre a face da terra, na água ou no ar, está livre de predadores. Não existe a permanente monotonia da paz.

Voltando à semelhança física do homem com Deus, acho que podemos muito bem concluir que não existe semelhança, mas igualdade. A propósito, observemos o que dizem os evangelhos sobre a ressurreição de Cristo. Lucas, por exemplo, cap.24 vers. de 24 a 43, narra sobre o seu aparecimento aos apóstolos em seu corpo físico, com os sinais das chagas da crucificação. Todos o ouviram e tocaram em seu corpo. Comeu peixe e um favo de mel. Segundo Lucas, antes de subir ao céu em definitivo, por quatro vezes comeu com os apóstolos. Bem, nós comemos, digerimos e depois excretamos. Devemos concluir que Cristo fez a sua digestão, etc. lá no céu. Como será a consistência do céu ? Sólido ou rochoso, gasoso ou numa dimensão invisível ao nossos olhos ?

Nas aulas de catecismo, quando crianças, aprendemos que Deus é espírito. Acontece que Cristo subiu ao céu em seu corpo físico e com o mesmo, retornará um dia a terra. Ora, se a trindade tem a mesma essência, são fisicamente iguais. Corroborando a esse respeito, disse Isaías: “Vi o senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo”. Não parece um ingênuo conto de fadas? A concepção de Deus dessa forma é transformá-lo num nanico demasiadamente humano. Nunca convergem, na prática, as grandiosas e eloqüentes definições a seu respeito e a fragilidade de suas ações. A bíblia parece traduzir tão-só as agruras de um povo e uma preocupação de agradar a um Deus muitas vezes irado, castigador e mal humorado, condição para se atingir uma vida oposta ao sofrimento. Ao encontro desse pensamento, ilustra muito bem o apocalipse: “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”. Os judeus, sob o jugo dos romanos, não podia o autor imaginar melhor antídoto ao sofrimento.

E pergunto: É a bíblia um livro sagrado? Em sentido positivo, pessoalmente, nunca em tempo algum, acho que poderia ser diferente do que imaginamos o seguinte; E seus autores tivessem vivido numa terra de fartura, sem grandes sofrimentos e dispusessem dos conhecimentos científicos da atualidade, qual teria sido o seu conteúdo? Teria ela existido, não se teria afirmado que Deus, para povoar a terra, criou Adão e Eva. Outros casais se faziam necessários sob pena de sermos um produto do incesto e da consangüinidade, fato que teria degenerado e extinguido o homem. Que não fez o mundo em seis dias e no sétimo descansou. Não posso conceber um Deus que cansa. Esclarece-nos a astronomia que além da nossa galáxia, com milhões de estrelas, planetas e outros corpos celestes, existem outras aos milhões, maiores ou menores. Parece-me uma empreitada que está a milhões de anos luz de distância de um Deus com características pagãs, quase nos limites do homem.

E o que dizermos da Trindade? Como explicá-la? Três pessoas diferentes com a mesma essência. Em outras palavras, segundo opinião de alguns, o Pai representa a lei viva e imutável; o Filho, a razão e a sabedoria; o Espírito Santo, a potência criadora e fecunda. Quem engendrou semelhante idéia? Os países, na sua quase totalidade, adotam os três poderes, executivo, legislativo e judiciário. Perfeitamente admissível. Podemos dizer o mesmo do triunvirato divino? Do ponto de vista monoteísta, só podemos admitir a existência de um único Deus. Duas verdades não podem coexistir, uma tem de excluir a outra. Deus, o todo poderoso, tem necessidade de dividir atribuições? Pela forma como criou a terra, dá para nos convencer.

Não menos absurdo, na minha tacanha compreensão, é o tráfico e inútil sacrifício de Cristo. Qual foi a sua finalidade? Salvar a humanidade, resgatando-a do pecado original, cometido por Adão, o bravo Santo Adão? Tem sentido que gerações subseqüentes paguem pecados da primeira? Ninguém pode ser punido por um crime que não cometeu. Até uma criança é capaz de perceber essa regra. Muito menos alguém pode sofrer as penas no lugar do delituoso. Não bastassem essas incoerências, inconcebível que concordemos com o sacrifício do filho de Deus para consertar um pseudo erro da sua criação, o pecado. Teria sido mais fácil ao entendimento que Deus, ao por Adão e Eva no éden, quis testar a qualidade da sua obra, isto é, se Adão era um homem na mais alta expressão da palavra. Nesse sentido, Adão não o decepcionou. Não demonstrou ser um acomodado e retardado mental. Acometido pela inquietação, prisioneiro do paraíso em seu insuportável enfado, rebela-se, foge e dá o primeiro grito de liberdade em busca do conhecimento e outras formas de vida. Cristo não salvou coisa alguma.

Como é possível imaginar o homem sem pecado. Sem a desobediência de Adão, a curiosidade que estimula a imaginação, a criatividade e a realização pessoal, o homem teria continuado a pastar no paraíso. Se o homem sofre, é natural que queira escapar do sofrimento e busque o prazer, bem que mais persegue para atingir a felicidade. Mas dentro de certos limites, da moderação como receitava Epicuro, que não deve ser confundido com o epicurista vulgar. Toda ação resulta numa reação na mesma intensidade. Daí porque, se fosse possível dar ao homem a possibilidade de viver no paraíso, disse Schopenhauer, a primeira coisa que ele faria ao sair era mergulhar no inferno. Não podemos pensar no bem se não existisse o mal. Como avaliar a beleza se não houvesse o feio? O alto sem o baixo? E assim por diante, em tudo se fazendo presente a polaridade de forças e valores.

Por fim, avaliando o sacrifício de Cristo, é interessante observar o comportamento do Deus do cristianismo e Zeus do paganismo grego sobre a imolação. A lenda da licantropia, na Grécia antiga, dá algumas versões sobre a mesma. Uma delas diz que Licaon, rei da Arcádia, sacrificou um de seus filhos a Zeus. Este, horrorizado, o transformou, como castigo, em lobo. Se Zeus ficou chocado com o filho alheio, inconcebível que fosse capaz de sacrificar o seu. Eis um gol a favor do paganismo, enquanto o Deus cristão cometeu o mais radical e cruel sacrifício pagão.

Em síntese, penso, sob o aspecto puramente racional, que as religiões deveriam ser, atualmente, uma memória do passado. Suas premissas têm apenas vantagem de satisfazer a imaginação infantil dos sedentos de uma vida eterna colorida. Paraíso e inferno e vida eterna são mitos que fogem às leis naturais. Tudo que nasce, morre. Até as estrelas, na longevidade de suas vidas de milhões e bilhões de anos, se extinguirão. O nosso sol, que está na metade de sua vida, restam-lhe ainda uns cinco bilhões de anos. Quando passar a ter uma cor avermelhada e em processo de expansão, atingirá a terra, incinerando-a e extinguindo a vida. Transformado em uma estrela de grandeza inferior, a terra, fora da sua gravitação, passará a vagar a esmo na imensidão do frio e escuro universo.

Só existe, portanto, uma eternidade que é a eterna sucessão das coisas. O que importa, dizia Nietzsche, não é a vida eterna, mas a eterna vivacidade . No teleférico que conduz a vida entre os dois pólos opostos, vivencio, na medida do provável ou improvável destino, um pouco de cada um. Eis porque prefiro viver na diversidade infernal desta vida, a viver na insipidez e monotonia infernal do paraíso.

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  • rodrigo eu confesso que estou, até, interessado em discutir o assunto e mostrar para o autor da matéria suas muitas contradições, e uma que me deixou chocado, já que este é um advogado, quando cita: ---- " Ninguém pode ser punido por um crime que não cometeu. Até uma criança é capaz de perceber essa regra. Muito menos alguém pode sofrer as penas no lugar do delituoso ". Todos sabemos que se um pai se negar a pagar a pensão de seu filho, quem paga é avô paterno. Desculpe meu pobre conhecimento em DIREITO, mas vulgarmente é o sabemos.
  • ANDERSON saio em defesa do dr. João, caro Rodrigo DEIXAR DE PAGAR PENSÃO NÃO É CRIME. O Dr. João cita o principio contido na Constituição Federal, e está totalmente correto. Assim, pelo o que vejo seu conhecimento em direito é realmente POBRE!!
  • rodrigo ANDERSON Como eu disse, meu conhecimento em direito é pobre asssim como sua interpretação, a questão não é a coisa juridica do fato, o dr. João falou que uma pessoa não pode pagar pelos erros dos outros, e a pensão alimentícia foi um exemplo que usei. Admiro sua literalidade, mas não a intepretação! Suponho que você entada o assunto, pode até ser que você seja estudante de DIREITO, caso seja, aprenda a interpretar a lei e os fatos, caso contrário, mude de curso.
  • Adão Parabéns: Fé Inabalavel só é aquela que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.
  • adriano Mais um "Professor de Deus"...
  • anderson Rodrigo, Continuo achando o seguinte.. uma pessoa não pode pagar pelos erros dos outros, e que o exemplo da pensão alimenticia foi demasiadamente grotesco....
  • Heitor de troia O Doutor tem um conhecimento de Direito, para falar do que não entende estude primeiro; no caso teologia.Tanta ignorância das coisa de Deus.é inútil viver assim.... leia a Bíblia, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...João. 11.32
Valfredo Messias dos Santos

Valfredo Messias dos Santos

Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 13/06/2010 09:46

Políticos sem compostura

Todas as vezes que se aproxima o pleito eleitoral reascende em cada um de nós o desejo de que os homens e mulheres que pretendam se lançar nesse campo minado da política brasileira, hajam com dignidade e respeito no exercício desse mister, sem a constante preocupação de locupletar-se do dinheiro público ,de apadrinhar pessoas irresponsáveis para ocuparem cargos importantes nas esferas administrativas e sem a participação emconluios com o intuito de beneficiar-se das relações espúrias com empreiteirase outros barganhadores da ética e da moral.

Temos o hábito de querer culpar o eleitor pela escolha de políticos desonestos e corruptos, como se essas pessoas tivessem recebido as informações necessárias, quer no convívio social, nas escolas, nas Universidades quanto ao mecanismo da política como a arte de promover o bem comum. Na verdade, neste País, a corrupção nasce a partir dos pequenos gestos como, por exemplo, o de pagar propina a um guarda de trânsito para não ser multado pela prática de irregularidade no veículo ou nos documentos obrigatórios do condutor . Podemos até mesmo afirmar, que a prática da desonestidade é pré-requisito para seconquistar espaço na organização política partidária. Até parece que, quem não for desonesto, não ganha eleições. É verdade que para toda regra existem as exceções e, na política não é diferente. Muitos militantes nessa área sofrem o desgaste moral e ético, pela prática imoral e antiética de inúmeros políticosque visam apenas o seu bem estar social e de seu grupo.

Por ocasião dos pleitos eleitorais o que mais preocupa à Justiça Eleitoral é, essencialmente, o abuso do poder econômico, principalmente no que se refere à compra de votos, cujo valor é inflacionado acada disputa. O desrespeito do candidato para com o eleitor nasce no exato momento em que ele se propõe a comprar o seu voto. A partir daí , o cidadão se transforma em uma mercadoria com prazo de validade vencido.

Esse hábito de compra e venda devotos está impregnado na mente da maioria dos políticos que se arriscam a serem presos, processados e desmoralizados, maculando o nome de suas famílias , mas não deixam para trás essa prática nociva que tem contribuído para o agravamento da insegurança por ocasião das eleições, causando até mortes, e para que a democracia não se afirme como o governo do povo pelo povo e para o povo.

Nas Câmaras, nas Assembléias e no Congresso Nacional é constante a venda de votos, por políticos inescrupulosos,em troca de assinatura de projetos de leis, de liberação de verbas, de emendase tantas outras práticas costumeiras. Políticos de expressão no Congresso afirmam que essa prática é cultural como bem afirmou o Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, presidente do PMDB: ”O patrimonialismo é uma característica da política brasileira, e esses desvios de comportamento são históricos.” Já o Senador Jarbas Vasconcelos afirmou “que o PMDB é corrupto e só pensa em ocupar cargos para fazer negócios”.

Como podemos exigir uma postura digna de eleitor, do cidadão que não sabe sequer qual o papel do Vereador, do Deputado Estadual e Federal, do Senador, do Prefeito, do Governador , e do Presidente desta República chamada Brasil ?

A mídia tem trazido para o nosso conhecimento as sucessivas práticas de roubalheiras nas Prefeituras com desvios de milhões de reais em detrimento do desenvolvimento local. A prática tem comprovado que a corrupção levada a efeito em uma Prefeitura, por exemplo, se alastra por todos os seus setores, desestimulando servidores honestos e cumpridores de sua missão de bem servir ao povo. Nesses casos a máquina administrativa trabalha em benefício do gestor e de seus seguidores, como se acoisa pública lhes pertencessem em detrimento da cidade e do povo que depositou seu voto nas urnas acreditando que o melhor seria feito.

O que nos entristece sobremaneiraé que a prática da corrupção tem ramificações nas demais esferas do poder. Recentemente,o Conselho Nacional de Justiça aplicou a pena máxima a 10 juízes do Estado deMato Grosso, dentre eles o Presidente do Tribunal de Justiça, desembargadorMariano Alonso Ribeiro Travesso, pelo envolvimento em um esquema de corrupçãode desvio de R$ 1,4 milhões.Ressalte-se que a pena máxima aquireferida,tratando-se de juízes, é aposentadoria.

Há em nosso País um verdadeiroclamor popular por mudanças. A sociedade está ficando cansada de observar, calada,as mais variadas práticas de desvirtuamento dos valores éticos e morais. Segundo Sócrates, moral, outra coisa não é que viver como reclamam a probidade e ajustiça.

A seccional da OAB de Alagoas apresentou, no dia 23 de fevereiro próximo passado, os membros da Comissão deCombate à Corrupção Eleitoral, que conforme enfatizou o seu Presidente, Álvaro Barbosa de Oliveira, dará ênfase ao interior do Estado.

Se volvermos os nossos pensamentos para o passado, observando o presente e vislumbrando o futuro político, até parece que não há mais solução. No cenário político vivenciado nas urbes, nas Capitais e no âmbito nacional não vislumbramos àqueles políticos carismáticos e éticos preocupados com o crescimento de sua cidade, Estado ou País. Em um País com mais de 127 milhões de eleitores os nomes que se cogita para a eleição presidencial, com chances de vitória, conta-se nos dedos da mão, não porque são os melhores para o País, mas porque são os melhores dentro de seus partidos. É uma pena.

Chegamos a um patamar tão desastroso que muitos dizem: “vou votar em fulano porque é o menos ruim”. Outros dizem: “vou votar em tal candidato porque é sua primeira eleição e ainda não aprendeu a roubar”. E ainda existem, aos milhares, os que afirmam: “vou votar neste candidato porque ele me deu R$ 50,00, R$ 100,00”. E o eleitor que se diz consciente, em quem deve votar?

Normalmente, a prática nos ensinaque devemos acompanhar o trajeto político do candidato em quem depositamos a nossa confiança e esperança por ocasião do pleito eleitoral. Se vereador: quais os projetos que apresentou e que foi aprovado em benefício da comunidade;quantas sessões frequentou; quais os eventos de interesse social que esteve presente;como tem se comportado como representante do povo nas questões de interesse coletivo.Até parece que é fácil, mas não é. Apesar de estarmos convivendo o tempo todo com o edil que escolhemos, o nosso dia a dia, as preocupações com a sobrevivência,o estresse vivenciado diuturnamente não nos permite executar aquela tarefa. Imaginem com relação aos Deputados Estaduais, Federais e Senadores.

Há uma necessidade urgente de entendermos que os políticos são os nossos mandatários. A eles conferimos odireito de nos representar, de lutar pelo interesse coletivo, de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos destinados às políticas públicas necessárias à promoção do bem comum. Conferimos ao Prefeito, ao Governador ao Presidente da República,o direito de administrar os bens públicos, a utilizar, da melhor forma possível, o dinheiro público oriundo dos pesados impostos pagos por todos nós,para que os Municípios, os Estados e o País, sejam transformados em lugares seguros,de relacionamento pacífico, onde todos se respeitem e onde prevaleça a força da lei para todos, sem exceção. Onde as políticas públicas sejam elaboradas e executadas de forma a favorecer, de forma igualitária, os anseios dos integrantes das diversas camadas sociais,dando cumprimento aos mandamentos constitucionais da promoção dos direitos sociais com o um todo.Os vereadores e Deputados,Federal ou Estadual, deveriam ser os verdadeiros fiscais do povo , com a sagrada missão de zelar pela correta aplicação dos recursos destinados à construção de moradias dignas,estradasseguras,segurança pública confiável,à saúde, e outros investimentos necessários ao desenvolvimento. Entretanto o que se tem notícia é dos desvios de valoresinestimáveis,das propinas milionárias e da subserviência do Poder Legislativo ao Executivo.

Os mandatos conferidos pelos eleitores aos titulares de mandatos eletivos deveriam ser visto, por eles, como uma honraria, uma deferência especial, pois nesse mandato está embutido os votos de confiança e a certeza de que seremos bem representados. Entretanto,temos sido vítimas, a cada pleito, de um verdadeiro calote eleitoral pois o respeito , a admiração e a esperança depositada na maioria dos vendilhões de ilusões, em nada afeta a sua índole má, vez que estão sempre vestidos com pele de cordeiro mas, no seu íntimo , são lobos vorazes, parafraseando Jesus Cristo.

Certa vez, Jesus Cristo, crítico da política e dos religiosos de seu tempo, foi interpelado por seus discípulos querendo saber como seria possível conhecer os profetas confiáveis que viriamapós a sua ida deste mundo terreno. E Ele respondeu: pelos frutos. Esta regra, com certeza, poderá ser aplicada na política. Deveremos nos informar, mesmo que não tenhamos feito um acompanhamento diuturno, mas até mesmo nas últimas semanas que antecedem as eleições, quais foram os frutos produzidos pelo candidato que pretendemos depositar nossa confiança. Entendam-se como “frutos”, os projetos que resultaram em recursos para o Município ou para o Estado; os projetos que se tornaram leis eque trouxeram benefício à sociedade; a participação em debates de temas importantes nas Câmaras,nas Assembléias ou no Congresso Nacional ou se apenas ocuparam seus lugares e acenaram suas cabeças, como catengas, se posicionando apenas com gestos e não com palavras e atitudes.

O mais recente escândalo de corrupção – não sei se já não estou mal informado - tem como chefe da gangue o Governador de Brasília e,segundo os promotores que atuam na operação Caixa de Pandora, o valor desviado dos cofres públicos já chega a 500 milhões de reais.Reflitam que essa fortuna diz respeito apenas a esse escândalo no Governo do Distrito Federal que se dissemina entre alguns deputados da base aliada na Câmara Legislativa.

Ora, como distinguir o joio do trigo? Apenas na colheita é que se pode separar um do outro, porque o trigo produz frutos e o joio não, apenas cresce como uma praga , usufruindo do terreno fértil e se beneficiando dos cuidadosque são dispensados,ao trigo, pelos agricultores.

Na política,infelizmente, só é possível identificar os corruptos quando afloram osescândalos, que não são poucos, em todasas regiões deste País cujo solo é propício ,também ,às ervas daninhas da política que nada fazem ,apenas sugam aseiva que é o sangue de um povotrabalhador e sofrido, que não dispõe deuma política de saúde digna , de segurança e moradia,nem de uma educação compatível com o seu povo ,em razão dadilapidação de seu patrimônio moral e dos desvios de milhões pelos corruptos que elegemos,acreditando serem homens honestos e capazes de nos representar como cidadãos , no tão enlameado terreno dapolítica brasileira.

Neste ano,novas esperanças, novas decepções nos esperam. Sejamos prudentes, vigilantes,sábios, se possível for, para, eliminando o joio já identificado, não sejamos levados pelas promessas costumeiras, mas sim pelo bom senso.

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  • Coração de Leão Caro dr valfredo, oportuno seu comentário em um ano plitico. Entretanto, não existe solução a curto prazo para nossa política no momento. Primeiro que não temos um eleitor participativo, segundo, ele na maioria das vezes vende seu voto para o mais corrupto dos candidatos, terceiro, temos um sistema que nos leva a toda essa corrupção, quarto, não vamos mudar se a educação não começar pela base. Ou seja, precisamos primeiro educar nossos desenbargadores, depois nossos juizes, para então chegar ao eleitor. Ai sim, seremos capazes de separar o joio do trigo.
  • Nani Rodrigues Dr. Valfredo, Parabéns pela matéria! Fui aluna do Colégio Diocesano em sua gestão, e conheço seu caratér e dignidade! Quisera que em nossa sociedade houvessem políticos com uma índole tão nobre igual á sua.
Públio José

Públio José

Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida

Postado em 06/06/2010 09:56

Tem alegria no silêncio?

O silêncio é associado normalmente à manifestação de um estado de tristeza. Dificilmente se vê alguém, em condições normais de saúde física e mental, mergulhado em dificuldades, angústias, apreensões, que não seja calado, introspectivo, semblante fechado. Mas será que o silêncio é sempre sinal de tristeza? Ou será que nele também cabe espaço para a alegria, para o cultivo de prazerosos instantes interiores? Com certeza, no silêncio estão embutidas altas doses de prudência, necessárias durante situações de perigo, e também nos momentos de ansiosa expectativa em função do alcance de algum objetivo. Se partirmos para uma análise mais profunda, teremos no silêncio motivo para outras práticas, inclinações para outros comportamentos. No tocante ao mundo exterior, por exemplo, podemos afirmar que o silêncio é a ausência de ruído, fato que nos desobriga a ter que ligá-lo a um estado específico da alma.

Mas será que, de algum modo, podemos associá-lo à alegria? É certo termos condições de aliá-lo à meditação. Autores, artistas, políticos, músicos, místicos e religiosos, principalmente, usam-no para dele fazerem tema, condições e argumentos para longos e introspectivos períodos de meditação. Cientistas e estudiosos da natureza humana também receitam a utilização do silêncio como terapia, lenitivo para nos contrapormos a longos espaços de tempo dedicados a atividades desgastantes. Afinal, ninguém pode ficar com a máquina mental ligada ininterruptamente. É necessário desligá-la durante alguns momentos e o silêncio é aliado imprescindível nessas horas. Ao contrário daqueles que o associam a dificuldades, angústia, apreensões, outros já o têm em alta conta para a obtenção de um estado de sossego, de calma, de satisfação. Satisfação? Pronto! Conseguimos! Eis o elo que faltava ligar silêncio à alegria!

Pois, o que é satisfação senão um formato, uma exteriorização de um sentimento de prazer, de alegria que algumas vezes se aconchega no fundo da alma totalmente em silêncio? Porquanto, se pode haver satisfação no silêncio, podemos concluir, com toda certeza, haver nele alegria! E quais os frutos dessa constatação? Afinal, pra que serve termos alegria em ou no silêncio? As pessoas sábias, bem lastreadas interiormente, fazem uso do silêncio como elemento de fortalecimento e de capacitação física e mental necessária aos desafios da vida. Levadas pelo silêncio ao fértil terreno da meditação, da reflexão, retiram da experiência lições proveitosas de como se mover, de como se estabelecer na vida para a longa batalha da existência. Entre essas pessoas, uma houve que fez do silêncio uma esplêndida ferramenta de interação entre ele e o tormentoso mundo dos homens. Seu nome? Jesus Cristo.

Por várias ocasiões, Jesus se utilizou do silêncio para criar dentro de si condições ideais de enfrentamento aos grandes desafios da vida. É natural, então, que, desse exercício, brotasse uma agradável sensação de prazer, uma crescente alegria pelas soluções obtidas e pelos novos caminhos passíveis de serem trilhados. Seria o caso de vir a ocorrer em nossas vidas, fruto da meditação, desfecho semelhante? Ou devemos argumentar que o que ocorria com Jesus é vedado aos homens em razão de sua natureza divina? A resposta é do próprio Jesus: “Tudo é possível ao que crer”. Na verdade, a prática reflexiva de Jesus – que redundava na transformação de tristeza em alegria – era a fórmula perfeita do aprofundamento de sua comunhão com Deus, condicionante maior a dar lastro à mudança de seu estado de espírito. Eis aí, portanto, a fórmula, o caminho. Trilhá-lo e praticá-lo é escolha nossa. Vai aprender?

 

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Jean Lenzi

Jean Lenzi

Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural

Postado em 29/05/2010 21:53

Metodologias para Bobagens

A nossa centenária Cidade do Penedo “jóia da escultura barroca”, “cidade dos sobrados”, “berço da cultura alagoana” que chegou aos seus 475 anos de existência física, em que pese sejam estranhas as datas, é preferível ficar também com essa. “35 anos após a descoberta já existia aqui um núcleo populacional, núcleo este - limítrofe, baliza, atalaia”

As mudanças ocorridas através dos séculos que nos conceberam cidadãos penedenses, e as sofridas transformações que nos testam a inteligência, o senso critico e moral também nos remete às idéias núcleos divisória, separatista e independente. E, Cuidado! É altamente desaconselhável o contato direto com mentes seguidoras dessas idéias. Com base nas metodologias criadas para afirmar bobagens desnecessárias, a proposta é validada pela máxima de um poder efêmero racionalmente explicitado pelo indicativo: ESTOU!

Ora pois, como não?

No Penedo, moçoilas e “moçoilos” aparentemente inteligentes são corrompidos pela simples ação que lhes faculta o uso de um estúpido crachá pendurado no pescoço, e cuja validade, pré-datada, é estampada na testa, como um rótulo a atestar suas capacidades. Ignorantes das ações desenvolvidas pelos poetas mortos das calçadas e pelos poetas vivos das esquinas, nesse Penedo são desconhecidos, obviamente, a razão e o significado das traças tisanuras (traças de livros), pois aqui não mais se arrua pelo forte, mas certamente se praticam fortes arruaças.

No Penedo, jovens “alienígenas” são facilmente ludibriados por uma sede insaciável de oportunidades múltiplas. Seguidores restritos dos poetas dos bares e destruidores de suas próprias poéticas. Jovens ociosos, desprovidos de todos os sensos, incapazes de perceber as alienações, cujas faltas destas os tornam fatalmente seres obumbrados.

No Penedo, frustrantes gestores fogem feito diabo a fugir da cruz. Incautos senhores que tanto esbravejam o amor pela terra penediana, e que na confiança de seus rebanhos finitos, agindo de surdina, metem os pés pelos bolsos, as mãos pelos pés e a cabeça e a moral já não mais erguidas, descem aos infernos incitados pelos desejos daqueles que lhe confiaram o acesso ao velho poder, ainda efêmero. Não podemos ser omissos, ainda, às paradas quadrianuais as quais a juventude do Penedo e até aqueles cujo registro geral não mais afirma este termo. - Nas paradas a cada ponto, as bandeiras apontam aos céus – “tu vistes senhor, e concetistes”, ao menos a recompensa pífia vem a cada final de sexta, as moedas são expostas ao sol, este, o mesmo que peca se nos lembrarmos do poeta Pessoa. E mais que isto, para aquele cuja capacidade de soerguer a bandeira além do limite estabelecido, e também o grito afoito e desgarrado alcançar extremos decibéis; somente a estes, serão ofertados os crachás pré-datados. Essa é uma das lamentáveis máximas do Penedo do século 21.

O Penedo que afirma a competência do vizinho, que não confia em seus mestres, renegando os valores, quando nada, invertendo-os nas melhores hipóteses. É o Penedo da inveja, da mesquinhez e da ignorância política, da mentalidade oligofrênica. Da ingerência.

No Penedo de hoje, as rochas lodorentas que ainda sustentam casarões e casebres, servem também para abrigar toxicômanos dos mais variados, “Hips e hapers” e porque não dizer também dos pretensos socialites ripongas que longe da luz e da sirene policial acendem as chamas da ilusão, mas, nem estas mesmas são capazes de remediar suas tormentas. Para tanto, a cada palito gasto, “o mar expulsa covardes”. E pela expulsão primária, os meninos do rio dançam e quebram vidraças em homenagens explicitas ao deus, já entorpecido e renegado, e brincam e cantam sob o testemunho único do Rio que ainda não se atreveu a expulsar os covardes.

São essas as metodologias para bobagens produzidas para explicitar uma sociedade carregada de erros seculares, herdados provavelmente, dos nossos fatídicos descobridores de 500 anos. Porem nossa Penedo já está passando da hora de cair na real.

Vale lembrar ainda que todos os penedos citados são intimamente ligados aos seus penedianos, talentosos da arte de afagar sopas frias. Admiradores das vespas, detentores de artrose dedal, ocasionada pela ação constante de uma pscopatia social, e por que não dizer também cultural.

De todos os penedos, não esqueça de um (não citado anteriormente), o penedo dos sonhadores de fé, dos anarquistas, dos fleumáticos e dos camaleões. Esses também formam o Penedo do Século 21, assim como provavelmente formarão os do século 30, isso, partindo do pressuposto de que há momentos em que calar é um crime. E por esse crime eu não serei condenado.

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  • Jardiel Costa Caro Jean, é Intrisseco o seu desabor,para o senhor que tem pouco mais de 20 anos, goza do conforto de uma boa educação, de uma familia e de uma profissão nesta cidade de desepregados, assim é bom falar. Como dissestes "há momentos em que calar é um crime", imagine o senhor que nem sempre nós escapamos das condenações que nos são próprias. Mas estar de parabéns, sua visão critica nos serve ainda para amparar as nossas vergonhas e os nossos medos. parabéns.
  • Carlos Góis Jean a anarquia é uma coisa muit justa aos que conhecem, aos que fazemn e aos que criticam, você como artista do teatro se encaixa neste seleto grupo. mas suas palavras ainda são muito duras. sei de sua sensibilidade e inteligencia e de seu bom senso (critico) e por isso acho que deveria repensar alguns pontos.
  • Neide Muito pertinentes as suas palavras, comentar com tanta liberdade sobre o cotidiano de nossa querida Penedo, isto no século xxi, vejo você não como um critico, mas sim como um homem, jovem e critico o que é mais proprio. Se nós não começarmos a falar e a nos mover contra as ações de nosso povo aqui chamados por você de "obrumbrados" eu diria mais, é inerte, não haveremos de sair deste buraco em que nos enfiamos. e perceber que existem jovens que não estão na inercia, é mais valioso ainda. Meu querido siga seu rumo e não olhe para tras, não nada do que você possa temer. abraços.
  • Absurdo jEAN Absurdo, se tudo o que voc^diz aqui for verdade, e se você é tão indignado com tudo isto, porquen não vai embora daqui? O que você com sua inteligencia e sua critica~faz aqui? ACHO ISTO SIM UM ABSURDO.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 15/05/2010 17:02

Por que não a Castração em vez do Celibato?

Pelo fato de tratar de coisas supostamente divinas e estar voltada sobretudo para o mundo espiritual, não significa que a igreja católica não esteja cheia de contradições e absurdos. Afinal de contas, temos de convir, é uma instituição com um falso cartão postal do céu, criada e conduzida por homens e, como tal, repleta de falhas humanas. O que nos chama a atenção é a teimosia que a torna impermeável às mudanças essenciais à sua própria sobrevivência. É um grande equívoco acreditar-se que tudo que vem do passado deve ser reverenciado e respeitado como uma verdade imutável. Pelo contrário, o apego às tradições comportamentais, a conceitos e idéias ultrapassadas são o que há de mais retrógado no homem, impedindo o seu desenvolvimento e escravizando-o a um abuso que é a própria tradição. Como dizia Voltaire, haverá coisa mais respeitável que um antigo abuso? A igreja católica está cheia de antigos abusos.

Nas últimas semanas, Penedo, outras cidades do Brasil e alguns países têm sido palco de notícias sobre pedofilia, envolvendo diversos membros do baixo e alto clero. Tais notícias, que não são uma novidade, causa-nos sempre maior surpresa e incredulidade pelo fato de envolverem pessoas das quais a sociedade deposita total confiança e espera uma conduta ilibada. Maior ainda torna-se a nossa estupefação por fazerem parte do palco dos horrores menores que, portadores da inocência, deveriam gozar de uma admiração, respeito e especial deferência por parte dos pervertidos, verdadeiros monstros de batina. A impressão que nos dão é que são incrédulos, riem dos fieis e não acreditam em nada do que pregam e o que dizem, pelo deplorável exemplo, são apenas palavras ao vento. Fazem da religião um meio de vida e uma saída para dar vazão às suas deficiências e bestialidades sexuais. Contumazes no crime por anos seguidos, esses pastores do mal sacrificam a vida de jovens ingênuos, obrigando-os a carregar pelo resto da vida, o fardo de insuportável trauma psicológico.

A igreja católica no curso de sua história, tem enfrentado tempestades acompanhadas de chuvas torrenciais de escândalos de toda espécie. E se ainda existe, face à decrescente credibilidade, devemos atribuir sua longevidade à teimosia de seus fiéis que gradativamente migram para outras seitas, supostamente sérias. Pobres fiéis! A fé, sem dúvida, é a mais acabada expressão da fragilidade humana perante o insondável mistério da vida.

Não bastassem os escândalos passados e presentes, no passado medieval a igreja, no momento dirigida por um asno e, como tal, na mais elevada inspiração à sua altura, decreta a obrigatoriedade do celibato ao clero. Ora, tal iniciativa, estupidamente repressiva, contraria o princípio do crescei e multiplicai, contido na bíblia. Atinge o âmago da natureza no seu mais importante papel que é a perenidade da vida através da reprodução. Não só a reprodução, mas também o prazer sexual, o mais intenso e agradável prazer físico, necessário ao bem-estar e a estabilidade psicológica. Afinal de contas, qual o papel do pregador? Excetuados os meios para se conseguir o passaporte celestial, as virtudes morais que nos tornam cidadãos respeitáveis, dignos da felicidade. Pode o infeliz pregar a felicidade? O nosso verdadeiro estado é o da condição humana e só podemos nos sentir bem quando gozamos a plenitude do nosso ser. Como pode o pregador falar de sexo e matrimônio, se não os conhece?? Se Deus é amor, como poderá comprazer-se com a flagelação do homem?

Voltando ao problema do celibato, percebemos como São Paulo, grande vulto do Cristianismo, foi sensato ao dizer em Corintios, 7°, 8°: “Digo aos não casados e às viúvas que lhes é bom permanecerem assim, como também eu. Mas, se não se contêm, casem-se. Porque é melhor casar-se do que abrasar-se”. Por que a igreja não optou por esse conselho tão sensato de São Paulo? Como o pensamento, curiosamente, avança e retroage no tempo! Os que fazem parte do clero, ao submeterem-se livremente ao celibato, não estão obrigados a continuar a obedecer uma orientação irracional e suicida. Essa imbecil e covarde inação para contestar, força vital às transformações, acabará por extinguir a enferma igreja católica.

Para finalizarmos, não queremos afirmar que o celibato, que deveria ser uma opção de cada um, é responsável pela execrável conduta de alguns membros do clero. Achamos apenas que ele serve de esconderijo para tantos que são reprimidos e covardes para mostrarem sua anormal preferência sexual. A homossexualidade, escancarada nos dias de hoje, não deve ser empecilho para se pregar a mensagem da igreja. Se o homossexualismo existe, é porque assim quis a natureza. O seu rebanho é grande dentro da igreja, encurralado pelo voto – jurado e não cumprido por muitos – de castidade. O que a sociedade não aceita é que padrecos e outros mais altos na hierarquia, abusem, desumana e criminosamente, de crianças para extravasar seus instintos pervertidos.

Se esse embaixador de cristo, pai da idéia do celibato, tivesse sido mais inspirado, assim como Aldous Huxley quando imaginou para a humanidade um futuro no qual os nascimentos seriam programados para determinadas profissões, teria sido mais radical e em vez de estimular o celibato, exigiria a castração para a classe sacerdotal. De que adianta exigir a castidade, deixando solto o demônio da tentação carnal? E qual é a finalidade do celibato? Fazer com que os padres tenham uma dedicação plena aos afazeres da igreja e à contemplação divina? Pura sandice de um carola efeminado que pretendendo elevar-se às delícias do céu, foi vítima de uma visão unilateral, incapaz de calcular a decida na lama dos muitos que não podem sustentar-se na leveza etérea de pura espiritualidade. O racional e o espiritual, dom sublime do Criador concedido ao homem, está ligado, inconcebivelmente, às funções animais e a alguns instintos repulsivos. Assim, como ater-se com serenidade à contemplação e obediência a um estúpido voto de castidade, se essa promessa não tem outro objetivo senão fazer com que o padre conviva com uma guerra íntima a querer jogá-lo no abismo das tentações? Se o sacrifício, como pensam alguns, é uma prova de amor a Deus, este não passaria de um sádico sem amor. Pintam Deus com as mais belas virtudes e agem radicalmente em desacordo com a pintura.

A castração seria um ato desumano e anticristão, mas seguiria a linha das contradições, da vantagem e da desvantagem. A vantagem é que com um clero de eunucos, nem ativo, nem sexualmente passivo, mas neutro, teríamos uma igreja bem mais comportada, mostrando-se com toda fidedignidade em oposição aos hipócritas que do púlpito exaltam os princípios de moralidade e por trás, no amplo sentido para alguns, agem de forma diametralmente oposta. Com seu exército clerical efeminado na voz, seria um trovão de respeitabilidade, isentando-a de provações de credibilidade que vem minando sua sobrevivência, decorrente dos escândalos sexuais.

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  • Adão Parabéns: A verdade não pode existir em coisas que divergem. (São Jerônimo)
  • valfredo Messias dos Santos Prezado amigo João Pereira Como sempre suas colocações sobre os assuntos de natureza filosóica e religiosa são muito inteligentes. Parabens pelo artigo e pelas ideias tão bem colocadas.Também acredito e tenho dito que a maioria dos que se encontram no mundo religioso afirmando serem representantes de Cristo, não creem Nele e O tem apenas como uma forma de captar dinheiro e gastá-lo em suas orgias . Um abraço Valfredo
  • Maria José Rocha Por que tanta ojeriza à igreja católica? Por que generalizar quando sabe muito bem que há exeções e muitas? Não seria mais sensato pesquisar a vida de padres santos que deram suas vidas por amor a sua igreja, a Deus? Pois esse Deus que eu também amo, não julgaria o mais miserável dos humanos da forma como o faz. Pedro era rude, analfabeto,fraco, mas foi escolhido para representá-lo após sua partida. E a pecadora? Ele não a condenou. Quem é bom não julga, não condena. A castração seria bom também para tarados, adúlteros etc?
  • PHD é possivel ver tantas heresias serem afirmadas aqui, e depois, um texto um tanto intolerante, quase ignorante. Mas há quem concorde também, afinal todo mundo aqui é phd, e quem tem dedo escreve o que quer, mesmo que muitas das vezes sem conhecimento e razão.
  • Fabiana Prezado(a) PHD, o que acontece aqui é tão somente a liberdade de expressão assim como temos também liberdade de escolha, tanto para a política como para a religião, como é o caso. Pelo seu comentário o fato do senhor João Pereira emitir sua opinião a respeito do celibato o qualifica como ignorante? Você já teve a oportunidade de ler todos os seus artigos? Só não o conhecendo para qualificá-lo de tal maneira.
  • Melissa Borges Não precisamos ser PHD em teologia para endenter perfeitamente os escritos do Senhor João Pereira, que há certo tempo nos brinda com seus escritos aqui no site. Heresia é pregar em nome de Deus e satanizar seu espírito em orgias. Intolerância é esperar por um Bispo que é cumplice de atos satânicos. Ignorância é não sentir a dor de um pai de família que teve o filho abusado. Coragem é tratar assuntos dessa natureza com muito equilíbrio e prudência. Parabéns Dr João Pereira!
  • Francisco Sales Prezado Dr. João Pereira A propósito do seu oportuno artigo aqui transcrito onde aborda o problema do celibato,gostaria de fazer uma consideração. Exatamente há 20 anos, no dia 17 de maio, a Organização Mundial da Saúde deixou de considerar "doença" a homossexualidade. Razão pela qual o terminação ismo foi abolida. Com apreço, Francisco Sales
  • Sabrine Calumby Prezado Francisco Alberto Sales Quando o Sr. João Pereira, se expressou dizendo: "Fazem da religião um meio de vida e uma saída para dar vazão ás suas deficiências e bestialidades sexuais."Ele se referiu a pedofilia,que é sim uma doença.Mais em baixo ele diz;"Se o homossexualismo existe, é porque assim quis a natureza."Ou seja, assim como a preferência pelo sexo oposto,a homossexualidade é natural.
  • Cleber Lisboa Pereira JÁ QUE A IGREJA CATÓLICA ENSISTE NO CELIBATO PARA SEUS SACERDOTES TORNA-SE NECESSÁRIO QUE OS MESMOS SEJAM CASTRADOS FISICA E QUIMICAMENTE SÓ AI ACREDITO EU NO CELIBATO FORA ISSO AINDA VAI ACONTECER MUITA COISA DESAGRADÁVEL
  • MARCELO MARQUES O brigado Dr. João Pereira. Por nos agraciar com os seus artigos inteligentes, doutos, às vezes polêmicos e repletos de argumentos que muitos gostariam de expressar. Estamos fartos de assuntos sérios serem tratados de forma superficial; não sei se por falta de conhecimento, por medo da exposição, ou das críticas advindas de uma sociedade tradicionalística, omissa e, implacavelmente, hipócrita! A propósito, para uma medida medievalesca da igreja católica, outra medida radical. Não seria mais fácil para o sacerdote que faz voto de castidade extirpar o instrumento que mais lhe é motivo de desgraça e perdição, do que mesmo travar uma batalha quase sempre perdida entre o carnal e o espiritual? Sem contar que seria um ato incontestável de fé, vocação e de pura entrega as coisas transcendentais.
  • João Pereira Júnior quando a igreja crstã, invés de se guiar pelas sagradas escruras, adotando práticas inventadas por homens, tais como o celibato obrigatório, a confissão auricular, a invocação dos mortos em rezas repetitivas (os chamados santos católicos), prugatório, batismo infantil, enfim, quando deixam de se orientarem por deus para se orientarem por um líder humano e falho (o qual não erra quando se pronuncia a respeito da fé, segundo o dogma a infalibilidade papal, utra heresia) acontecem tais situações que escandalizamo evangelho. a igreja católica que sustentou o cristianismo durante a idade média, combatendo o paganismo, pagou um preço caro por tal proeza que foi, justamente, a contaminação com práticas pagãs que, se algum dos apóstolos pudesse presenciar, hoje, cairia de costas. todavia, ainda há tempo para o catolicismo. a exortação que foi feita na reforma continua viva, infeizmente, a igreja católica continua a recusá-la, pois tem medo de ficar membros, ou seja,prefere agradar aos homens, ainda que, para isso, desagrade a deus. oremos por ela.
  • João Pereira Júnior qualquer pessoa curiosa em história geral sabe que o catolicismo nasceu no fim do segundo século, ou seja, essa questão de papado é estranha ao cristianismo. nesse sentido, pedro jamais foi papa. essa figura do papa é fruto do prestígio que o bispo de roma passou a ter por conta de esta cidade ser a capital do império, superando, portanto, o bispo de jerusalém, antioquia, alexandria, constantinopla, enfim (lá para o quinto século). assim sendo, cristo não fundou o catolicismo e nem qualquer outra denominação cristã. ele fundou a sua igreja que é composta por aqueles que o adoram em verdade e em espírito e que procuram ter uma vida de santidade segundo os padrões neotestamentários. lembremos do ladrão crucificado: ele não participava de qualquer denominação; apenas creu. ele não guardava o sábado, ele não teve extrema unção, ele não comungava, ele não teve qualquer sacramento (outra invenção humana); ele foi justficado por aceitar a jesus como seu senhor e salvador, só isso. oremos pelas denominações cristãs, pois todas têm problemas, contudo, a situação do catolicismo é mais grave, porquanto seu problema não é só de pessoas, mas de doutrina também e isso, com certeza, tem uma influência direta nos escândalos frequentes, contudo, não esqueçamos dos padres sérios e vocacionados que não podem ser colocados na vala comum junto aos que deveriam ter abraçado outra carreira.
  • Barros Tudo bem que devemos cortar o mal pela raiz, mais não vamos levar ao pé da letra!!!! rsrsrsrsrsrsrsrs Parabens pela matéria.
  • graça concordo plenamente, emfim alguém que pensa como eu o senhor esta de parabéns.Se martinho lutero no século 16 foi o autor da reforma, justamente por conta das injustiças do clero axo que estamos precisando de mais uma reforma.