Martha Martyres

Martha Martyres

Radialista, diretora da rádio Penedo FM, âncora do jornalismo no Programa Lance Livre

Postado em 22/03/2013 16:05

Colégio Imaculada Conceição Um Centenário de Histórias

Recebi o belo convite das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras para a celebração do centenário do Colégio Imaculada Conceição e com ele algumas boas lembranças e uma doce saudade.

Como tantos alagoanos e sergipanos de nossa região e de outras plagas do nosso Brasil, também fui aluna do Colégio Imaculada Conceição em meados da década de 60, sob as orientações e cuidados das Irmãs Franciscanas, mais precisamente, de Irmã Genoveva.

Boas lembranças de um tempo de inocência diante do contexto político e social que se desenrolava no país, no estado e mesmo em nossa pacata Penedo e da proteção que àquela época nos ofereciam a família e a escola.

É dentro deste espírito de boas e saudosas lembranças que decidi abrir um espaço no meu blog para as histórias desse centenário. Sei que centenas de ex-alunos e alunos possuem uma riqueza muito grande de recordações com fatos, experiências e testemunhos do cotidiano do Colégio Imaculada Conceição.

Da rigidez dos ensinamentos às meninas que enrolavam o cós da saia para diminuir o tamanho e ao jargão popular de que “O Colégio Imaculada Conceição tem muita mulher bonita, mas não tem educação!”, passando pela disputa dos desfiles de 7 de Setembro e as paqueras com os meninos do Colégio Diocesano, muitas histórias (histórias, mesmo!), haverão de ser contadas.

Deixo, portanto, esse espaço à disposição de todos e todas que quiserem contribuir para que possamos resgatar o que de melhor guardamos na vida: as boas lembranças!

E para dar início a essas histórias, nada melhor do que contar a história de Chapeuzinho Vermelho, encenada por Cristina Sanchez e Fortunato.

Tradicionalmente no final do ano, as Irmãs sempre realizaram grandes eventos. As celebrações objetivavam comemorar os resultados de um ano inteiro de trabalho e dedicação ao ensino e à formação de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver na instituição.

Um certo final de ano, Irmã Assunção decidiu fazer uma apresentação das histórias infantis que povoaram a nossa imaginação. Tudo acertado, foram escolhidos os “atores” para representar os personagens e, claro, para representar Chapeuzinho Vermelho, ninguém melhor do que uma jovenzinha loura, linda e de olhos zuis: Cristina. Para fazer o papel de Lobo Mau, o escolhido foi Fortunado, um menino estudioso e comportado, gordinho, é verdade, e que se encaixava perfeitamente no personagem.

E lá se foram dias e dias de ensaio na Capela, até que os idealizadores da apresentação se deram por satisfeitos com a performance dos “atores”.

Cristina, além de loura, linda e de olhos zuis, ainda cantava maravilhosamente bem a musiquinha: “Pela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha!”. Perfeito.

E no dia da celebração, lá estavam todos aguardando o grande momento. Cristina estava deslumbrante. Parecia ter saído diretamente do livro de histórias para aquele momento. Sua roupa, ricamente adornada, feita com muito esmero pela dona Dida (Nadyr Athayde), sua mãe, e dona Toinha da Padaria (Antonia Santos), sua madrinha, comparava-se às produções hollywoodianas. O capuz vermelho cobria parcialmente os lindos cabelos dourados e destacava os brilhantes olhos azuis. Na cestinha pendurada no braço, rubras maçãs e potes de doces eram objeto de olhares gulosos, pois todos sabiam que em cesta preparada pela Dona Dida haviam muitas delícias.

Capela cheia, lugares ocupados pelos familiares dos alunos, o Padre faz as orações, Irmã Assunção os agradecimentos de praxe e para finalizar, o grande momento: a representação da história de Chapeuzinho Vermelho pelos devotados alunos do Colégio Imaculada Conceição.

Estouram os aplausos e entra Cristininha, linda, loura, de olhos azuis, de capuz vermelho, cestinha pendurada no braço esquerdo e uma voz aveludada cantando:

-“Pela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha. A estrada é longa, o caminho é deserto e o Lobo Mau anda aqui por perto.”

Era a deixa. Da parte de trás do altar, sai Fortunato com a máscara do Lobo Mau.

Acontece que, em todos os ensaios realizados, Fortunato nunca usara a máscara. Assustada, Cristina não hesitou. Pegou a cestinha e partiu para cima de Fortunato, digo, do Lobo Mau e tome!

Uma cestada, duas, três, mais outra e o pobre do Fortunato começou a gritar: Socorro, mamãe!!!!!

Resumo: Cristina Sanchez, Cristininha, à época, acabou com a comemoração de final de ano do Colégio Imaculada Conceição e escreveu, na década de 60, um novo final para a história de Chapeuzinho Vermelho.

Ah! Depois desse episódio, Cristina passou a levar dois lanches para o Colégio: um para a hora do recreio e outro para a hora do castigo.

Agora, quem quiser que conte outra! É só enviar para: [email protected]
 

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  • Lucia Helena gostei muito, criança e mesmo imprevisivel inocente e linda.,
  • Ednaldo Nossa Penedo, é uma fonte inesgotável de "histórias", como essa narrada pela Martha, digo sempre, que às pessoas deveriam reunir tudo isso em um livro, para que essas doces histórias não se perca no tempo. Tenho um livro de um membro da família Batinga que conta histórias da década de 40,50 e 60.
  • Eugênia Freire Moro em Recife e estudei em Penedo, Colégio imaculada Conceição. Solicito saber da programação do centenário, pois gostaria de estar em Penedo, para rever amigos. Como sugestão: colocar na internet um convite para todos os ex-alunos, espalhados por esse Brasil afora! Atenciosamente.
  • Iranleide Rsrsers, demais! Lembrei que Irmã Aurélia me deixou de castigo porque dobrei a saia, 30 voltas na quadra rezando o terço! Foi assim q mamãe me encontrou e quando soube o pq do castigo e me fez rezar o terço outra vez em casa! Muito bom, maravilha lembrar a querida Irmã Aurélia!