Eleições 2018

Eleições 2018

Acompanhe aqui tudo que rola nos bastidores da política alagoana

Postado em 25/09/2018 11:06

Oposição usa tempo de candidato a governo para atacar Renan Calheiros

Reprodução
Oposição usa tempo de candidato a governo para atacar Renan Calheiros
PSDB escala Rui Palmeira para ocupar espaço que seria de Pinto de Luna

Utilizando o tempo do candidato ao governo nas inserções de rádio e TV destinadas à apresentação das propostas de José Pinto de Luna (PROS) ao governo, o prefeito Rui Palmeira foi ao ar atacar o senador e candidato à reeleição Renan Calheiros (MDB), líder nas pesquisas de intenção de voto para o Senado em Alagoas.

De forma gratuita, Rui Palmeira aponta as denúncias feitas por delação premiada nas investigações da Operação Lava Jato para tentar convencer o eleitorado a não votar no candidato do MDB. O prefeito sequer faz menção a qualquer proposta ou qualquer motivo pelo qual o eleitor alagoano deveria votar em outro candidato.

Também esquece que o candidato para o qual pede votos em outras inserções da propaganda eleitoral, Benedito de Lira, também foi denunciado em vários processos resultantes da Operação Lava Jato. No caso de Lira, os autores das denúncias não foram os empresários que tentavam reduzir suas punições apontando um alvo antigo das perseguições da Polícia Federal, mas os vastos indícios de que Benedito de Lira e seu filho, o deputado federal Arthur Lira (PP), comandavam uma série de falcatruas visando o desvio de recursos públicos.

Depois de uma desastrosa articulação para viabilizar as candidaturas ao Senado de Benedito de Lira e Rodrigo Cunha (PSDB), quando Rui Palmeira precisou se aliar a Fernando Collor de Mello (PTC) - outro campeão de processos do Supremo Tribunal Federal (STF) - e lançar uma infrutífera candidatura ao governo para abrir palanque para seus candidatos, o prefeito agora invade o tempo de Pinto de Luna, coadjuvante que substituiu Collor após sua desistência, para tentar evitar que Benedito de Lira perca seu mandato e seja, consequentemente, preso pela Polícia Federal.

Usando o tempo do candidato ao governo e consciente da ilegalidade das inserções com críticas ao senador do MDB, chapa de oposição busca evitar que o tempo atingido pelo direito de resposta iminente seja o dos candidatos ao Senado. Ou seja, previamente derrotado, Luna teve seu tempo no rádio e TV sacrificado para que sua coligação tente salvar da cadeia um candidato ao Senado.

Corrupção

A estratégia desesperada na reta final da campanha eleitoral deste ano se deve ao desempenho medíocre do senador do PP nas pesquisas eleitorais. Com apenas 23% da intenção de voto, Benedito de Lira aparece em terceiro lugar e vê se aproximar o fim de imunidade parlamentar, bem como as grades da prisão.

Em agosto de 2015, Benedito e Arthur Lira foram denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR) por envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. De acordo com a declarações feitas à Justiça pelo ex-presidente da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, Benedito teria recebido propinas de até R$ 1 milhão decorrentes de sobrepreços em contratos da estatal. A denúncia também rendeu um pedido de afastamento feito ao STF pela Polícia Federal.

Em dezembro de 2016, a Justiça Federal no Paraná determinou o bloqueio de R$ 10,4 milhões em bens do senador, a pedido da Advocacia Geral da União (AGU), em decorrência de uma ação por improbidade administrativa movida pela AGU contra Benedito a partir da Operação Lava Jato. Ele é acusado de ter usado recursos oriundos do esquema de propinas investigado pela Polícia Federal, relacionados aos desvios na Petrobras, para pagar despesas da desastrada campanha ao governo em 2014.

Na ação, a AGU solicitou ainda a perda de mandato e a suspensão dos direitos políticos do senador pelo período de dez anos. A ação ainda tramita e pode resultar na cassação de Benedito. Em abril deste ano, a Justiça Federal no Paraná negou recursos apresentados pelo senador.

Atualmente, Biu responde a pelo menos três processos no Supremo Tribunal Federal (STF), sob os números 0000048-45.2015.1.00.0000, 0000063-14.2015.1.00.0000 e 0000068-36.2015.1.00.0000, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Caso fique sem mandato a partir de 2019, os processos referentes à Operação Lava Jato deverão ser enviados para a Justiça Federal em segunda instância, a mesma que já determinou as prisões de dezenas de políticos e empresários envolvidos, como o senador, nos crimes contra a Petrobras. 

Comentários comentar agora ❯

  • Guerreiros de Alagoas A gestão Rui Palmeira até agora foi a unica que não deu o devido valor ao funcionário público sempre usando a crise para se desculpar pelo fraco desempenho e sem conseguir fazer o de frente pra lagoa, promessa que não irá cumprir nem em Dubai, sem as promessas mirabolantes não teria vencido Cícero.