Arthur Paredes | cinema

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Publicitário, Diretor da Plus! Agência Digital e cinéfilo de carteirinha

Postado em 27/03/2016 16:31

Batman vs Superman - A Origem da Justiça

Batman vs Superman - A Origem da Justiça
Essa sim foi a luta mais aguardada do século

Tenho acompanhado diversas críticas sobre Batman vs Superman, todas bem dicotômicas, algumas elogiosas, outras desastrosas. E confesso que mesmo sendo um grande fã de Batman desde criança, fui ao cinema sem nenhuma expectativa positiva sobre o filme. Lembrava o tempo todo do último filme de Zack Snyder, o Homem de Aço, que não conseguiu retomar bem o reboot de Superman.

Mas antes do filme começar, também lembrei que Snyder foi o responsável pela obra prima Watchmen que considero, até hoje, o melhor filme de super-heróis já feito. Com isso em mente, fica impossível ignorar que BvS ganhou belas pitadas, ainda que em doses homeopáticas, da artificialidade poética de Watchmen e alguns exageros também herdados de seu outro filme, 300.

Eis que, pela primeira vez, discordei em grande parte da maioria das críticas que li, principalmente as relacionadas à direção de Snyder. Acredito que o ponto principal das críticas negativas foram algum tipo de comparação inconsciente com seu concorrente da Marvel, Os Vingadores. Digo isso porque BvS é muito mais na linha de Watchmen do que Cavaleiro das Trevas ou qualquer outro filme da concorrente Marvel.

Um filme que preza por diálogos inteligentes, não gasta tempo com humor e prefere um ritmo mais disciplinado de roteiro antes de partir para o “quebra pau” que o público quer ver. A expectativa de ver os dois maiores heróis da cultura partindo pra briga também afeta e muito a percepção do filme, pois realmente demora muito a acontecer.

Sim, BvS é um filme bem longo para os padrões do estilo, e isso é seu grande diferencial. Não consegui ficar cansado em momento algum nos primeiros atos do filme que contém pouca ação e muita história. E seu ápice final, com muita ação e reviravoltas teve de ser bem preparado antes por um roteiro inteligente que teve a grande dificuldade de juntar duas histórias dos quadrinhos, O Cavaleiro das Trevas e A Morte do Superman, e mais a do excepcional game Injustice.

Some a tudo isso a pressão para injetar três personagens que aparecem rapidamente no filme, e ainda preparar terreno para o próximo grande filme da Liga da Justiça. E Snyder conseguiu entregar um resultado muito bom, não perfeito, longe do excepcional, mais ainda assim admirável e empolgante. Sem falar da responsabilidade de se basear na obra prima dos quadrinhos que revolucionou seu mercado.

Com uma fotografia incrível e a trilha sonora impecável de Hans Zimmer – que consegue envolver o espectador na hora certa, no ritmo certo -, Snyder consegue driblar um roteiro complexo, cheio de exigências de fãs, produtores e executivos, e entregar um filme maduro e violento, bem oposto ao estilo de sua concorrente Marvel.

E o que falar de Gal Gadot que, mesmo aparecendo muito pouco no filme, já mostra o que vem por aí de seu filme solo, com uma atuação – e beleza – que faz qualquer heroína ficar abaixo de seu novo padrão. Já Amy Adams, a Lois Lane, poderia ser substituída por uma estagiária da novela Malhação e ninguém perceberia. Ben Affleck também surpreende com um Bruce Wayne cansado, ligado em uma espécie de “modo automático” que precisa do mordomo Alfred pra manter o juízo.

Quanto a Henry Cavill, não houve nenhuma evolução de seu último papel em O Homem de Aço. Além de apanhar feio do Batman, acaba se tornando um ator coadjuvante com expressões forçadas de arrogância e muito longe do carisma do eterno Christopher Reeve. Mas o grande desastre mesmo fica por conta de Jesse Eisenberg destruindo um papel importante tal qual Johnny Depp fez com Willy Wonka no remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Inclusive com uma atuação bem parecida, cheia de tiques e trejeitos malconduzidos.

O filme está muito longe de ser um dos melhores da história, mas sem dúvida define um novo estilo contrapondo sua concorrente, absorvendo um público mais maduro e paciente. BvS apenas peca em limitar-se. Muitas questões políticas e filosóficas que poderiam ser aprofundadas e torná-lo épico como TDK, evaporam com a pressão de entregar lutas e muita destruição, seguindo um padrão Hollywoodiano que infelizmente ainda é exigido pelo grande público de massa.

Salvo seus problemas com alguns atores e alguns furos de roteiro, BvS já marca a história do cinema como um novo marco nos filmes de super-heroís, define seu próprio estilo e mostra um pouco das coisas boas que vem por aí!

P.S.: A versão 3D é totalmente descartável, produzida apenas por questões comerciais e não há cenas pós-créditos.