28 Abril 2010 - 22:52

Adolescente mentiu sobre acusação de estupro

Arquivo - aquiacontece.com.br
Adolescente mentiu sobre acusação de estupro

“Eu menti”. Com esta afirmação, uma adolescente de 15 anos promoveu uma reviravolta na acusação de estupro, crime do qual se apresentou como vítima para a própria família e à imprensa. Na condição de autor do crime que nunca existiu, um compadre do pai da estudante, funcionário da Educação em Sergipe e marido de uma tia da menina que negou na delegacia tudo que havia dito ao microfone da Penedo FM.

A denúncia foi levada ao ar em 19 de abril, durante entrevista concedida ao repórter Luiz Carlos por Maria José dos Santos e a suposta vítima do abuso sexual. A primeira se apresentou como avó da adolescente, relatou o caso com detalhes de informações confirmadas pela menina. De fato, Maria José toma conta da casa e cuida de quatro netas, apesar de não ser a mãe biológica do chefe da família, viúvo e funcionário de uma indústria de açúcar e de álcool.

De acordo com as entrevistadas, o acusado violentou a adolescente por três vezes. O primeiro ato teria ocorrido em dezembro de 2009, quando a estudante quebrou o pé e foi levada para a Unidade de Emergência pelo suposto autor. Antes de chegar ao pronto-socorro, ele havia seguido para um motel em Penedo e cometido o estupro. Ameaçada de morte, como justificou-se, ela não denunciou a violência que voltaria a acontecer na casa do homem apontado como acusado.

Máquina digital e bilhete

A descoberta de uma máquina fotográfica digital e um bilhete na bolsa da estudante abre o capítulo da acusação criminosa. Quando a filha diz ao pai que um amigo dele é autor de abusos sexuais, cobra silêncio sob ameaça de morte e ainda articula registros pornográficos da adolescente, a reação é de vingança. O trabalhador pensa em matar o acusado, vontade que não omitiu quando procurou a Polícia Militar e a delegacia de Penedo para formalizar a queixar.

Nestes casos, o exame de conjunção carnal é solicitado, procedimento feito no IML de Arapiraca. Transtornado, o pai leva a filha, mas esquece a certidão de nascimento dela. Sem o documento, volta para Penedo. Na segunda-feira, 19, ele retorna ao IML com a certidão, mas deixa a filha em casa. Alertado pela queixa de estupro informada no relatório do 11º Batalhão de Polícia Militar, o repórter Luiz Carlos vai até o endereço da suposta vítima.

A entrevista é feita, ao vivo, com repercussão na imprensa local. No dia seguinte, pai e filha viajam até Arapiraca. O exame é feito e, atendendo pedido da Polícia Civil, o legista informa o resultado de imediato, sem a apresentação do laudo que demora a ser divulgado por questões burocráticas. Da boca do médico, o pai ouve a notícia que a adolescente teve o hímen rompido há mais tempo do que o período decorrente da data do alegado primeiro estupro.

Mentira motivada por inveja

Ainda na tarde de 20 de abril, os dois deixam Arapiraca e voltam para Penedo. Na delegacia, a chefe de expediente Ginah Wanderlei é informada pelo pai que o caso está encerrado. No dever do ofício, a policial precisa saber o motivo e escuta da adolescente a revelação da mentira que inventou motivada por inveja.

Inconformada com sua condição social, a adolescente tentou prejudicar dois pais de família – o seu e o marido de sua tia – porque acha que precisa ter o que a prima tem: celular, máquina fotográfica digital, roupas novas, escola particular. A adolescente exige o que a renda de seu pai não permite, apesar de conviver com o trabalhador responsável por manter quatro filhas e a mãe adotiva com apenas dois salários mínimos.

Além do motivo exposto diante do pai e da policial abismados, a adolescente negou a ocorrência dos estupros e informou ainda que sua primeira relação sexual aconteceu com um namorado quando ela tinha 12 anos, ou seja, há três anos. As revelações causam mais espanto porque percebe-se uma certa consciência sobre os atos da adolescente, juízo que lhe faltou quando lançou uma discórdia que podia ter resultado em morte.
 

por Fernando Vinícius

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