11 Fevereiro 2014 - 17:13

Quebrando o silêncio

Em uma cidade de exaltado espírito de lutas, de agressões, de barulhos e clamores, não é raro ver convertida a imprensa em arena de apaixonadas controvérsias e agitadas disputas.
Nenhum segmento tem logrado subtrair-se a essa predisposição tendenciosa dos ânimos que desejam resolver suas diferenças por meio de gritos agudos, de palavras estridentes, de insultos até, em vez da argumentação sólida, da doutrina estreita e inabalável da ética e das soluções criativas.

Não é lícito dar alimento ao que signifique divisão, desarmonia e discórdia, tampouco recorrer à busca de audiência e/ou acessos a qualquer preço, para censurar e reprimir ou recriminar o que, sem fundamento bastante sólido, parece-lhe errôneo ou criminoso.

Isso não quer dizer que a imprensa não deva exercer o direito à crítica a respeito de certas opiniões e posicionamentos, quando pareça oportuno ou necessário; porém, nesses casos, que se faça com moderação e responsabilidade. A opinião do profissional de imprensa deve ser o selo distintivo característico do bom senso, com o escrúpulo e o cuidado de quem sabe que, direta ou indiretamente, pode causar a exacerbação de um mal.

Pouco importaria e de nada serviria que tivéssemos muitos e poderosos contratos publicitários para a defesa de nossos ideais, se, em lugar de serem armas contra o sectarismo e a ignorância, os convertêssemos em instrumentos de combate uns contra os outros, desfazendo e deitando por terra, em breves instantes, o que com grande esforço e constância se edificou em anos e anos de persistente trabalho.

Os tempos atuais e as circunstâncias presentes não permitem que percamos nossas forças e energias em apaixonadas polêmicas, em lutas intestinais e acusações mútuas. Rodeados por todas as partes de ativos e vigilantes inimigos, daríamos provas de uma inconsciência inexprimível e de uma estupidez desconcertante.

Se não procurarmos unir os recursos e todos os nossos esforços, atividades e meios de combate contra o maior adversário que de perto nos acerca e nenhum esforço omite para o triunfo de sua causa, ou seja, o atraso, de que adiantará a nossa luta?

Estamos aquém no tempo e nas circunstâncias. Quando olhamos em volta nos deparamos com um significativo atraso civilizatório. Temos um desenvolvimento mal conduzido, sem planejamento e sem respeito aos recursos disponíveis, numa demonstração de expansão sem crescimento e sem perspectivas.

Ainda continuamos lamentando e melancolicamente relembrando o que Penedo já foi. Pois bem. Penedo já foi muita coisa, mas isso é passado. Cabe-nos, agora, construir o futuro e para isso precisamos agir agora, já, enquanto é tempo, porque o futuro é o presente em preparação.

Então precisamos crer e trabalhar para que a Distrito Industrial seja uma realidade e indústrias sejam implantadas, a ponte Penedo-Neópolis seja construída, o Pólo da universidade transforme-se rapidamente em Campus, o turismo torne-se viável com a requalificação do Centro Histórico e a recuperação e valorização do acervo histórico, arquitetônico, religioso e ecológico de que dispomos e todas as outras iniciativas, obras e, por que não?, sonhos, concretizem-se.

Alguns especialistas afirmam que essa construção somente é possível com os investimentos externos e que eles, os investimentos externos, perpetuam a situação de subdesenvolvimento porque vão para onde a mão de obra é mais barata e numerosa, onde os governos doam terrenos e oferecem renúncia de impostos e falam até mesmo em “legislação flexível”. E daí? Será que o nosso povo pobre e desempregado não é capaz de superar os seus próprios limites, qualificando-se? Será que é tão nocivo assim doar terrenos para que empresários gerem empregos? Ou pior seria deixar esses terrenos transformarem-se em invasões e redutos de atividades marginais?

A união faz a força. Mas não é do número e nem ainda da qualidade individual dos combatentes que depende o êxito final das batalhas, mas sim da coesão, da disciplina, da estreita missão dos que juntos, debaixo da mesma bandeira, pelejam em prol de um mesmo objetivo, ainda que tenham entendimentos diversos de suas convicções.

Temos argumentos, forças e prestígio consideráveis. A imprensa é animada, protegida, respeitada, considerada, mesmo pelos adversários fatigantes e sua voz na opinião pública, e seus escritos, podem influenciar na marcha dos destinos.

Triste coisa seria se essa influência se inutilizasse por sua própria culpa e, ao invés de manter-se à altura das circunstâncias, entrasse na contra mão das disputas improdutivas.
Suavizar asperezas, aplainar caminhos, facilitar soluções para essa tão desejada e necessária união em prol do crescimento da cidade de Penedo e da melhoria da qualidade de vida de seu povo é a missão que cabe àqueles que ultrapassaram a barreira do exibicionismo e da mediocridade comuns ao complexo de celebridade tão em voga e quão inútil.

Nenhum outro resultado pode ser mais grato, nem poderá proporcionar satisfação mais doce e estímulos mais nobres.
 

por Martha Martyres

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  • denis tem certeza que voçe pensa assim?
  • Leitora Realmente vc pença assim Martha? Porque só agora está quebrando o silêncio?
  • Marta Rocha Marta querida, sempre te admirei e te admiro.Acredito sim que temos o poder de falar o que quisermos mais com muita coerência !É por isso que existe profissionais como vc que nos faz pensar que a nossa querida Penedo pode e será uma cidade melhor. Parabéns pelos 24 anos da Penedo FM.Um abraço.
  • gilza silva sousa MARTA PARABENIZO_LHE PELO BRILHANTE COMENTARIO QUEBRANDO SINGILO SAO DESSES COMENTARIOS QUE PRECISAMOS LE E PORQUE NAO OUVIR? NOTA DEZ NAO ME EXPRESSO MAIS POR TER CERTEZA QUE VOCE SABE O PORQUE ESTOU LHE PARABENIZANDO MEU ABRAÇO GILZA..
  • Vall Nunnes Olá Martha, não sou escritora, mas brinco de escrever num blog e nas notas do Facebook. Escrevi um texto semelhante ao seu, sou mulher, mãe e uma penedense inconformada com a realidade desta cidade. https://www.facebook.com/notes/vall-nunnes/fedentina-em-penedo/281637475329097 Abraços!
  • Regis Jackson de Albuquerque Cavalcante Prezada amiga Martha, Concordo com todas suas palavras. Nós que fazemos a Escola Técnica Residência Saúde estamos a disposição para contribuir com o desenvolvimento sustentável desse belo e rico município. Atenciosamente, Adm. Regis Jackson Reg. CRA-AL nº 1-0334 Gestor do Polo Penedo/AL