30 Outubro 2009 - 08:27

Escritora Ruth Quintella recebe Troféu de Literatura Infantil

Tércio Cappello
Célebre contadora de histórias é uma das estrelas da Bienal do livro alagoano

Para muitos, envelhecer combina com descanso e isolamento. Mas existem pessoas que dão um sentido diferente a essa fase da vida, a exemplo da alagoana Ruth Quintella. Num cotidiano bem movimentado, ela é escritora, artista plástica e contadora de histórias. Apesar dos cabelos brancos e do corpo franzino, ela vive numa inquietude permanente, utilizando a experiência adquirida ao longo do tempo como professora para disseminar o prazer pela leitura.

Além de escrever e ilustrar livros infantis, Ruth recebe, semanalmente, 36 crianças da comunidade da Pitanguinha, cadastradas no projeto Leva e Traz. Os visitantes de nove e dez anos estudam nas escolas Sebastião da Hora e Circo Peralta, e todas às quintas-feiras chegam à casa de Dona Ruth para escolher um livro de sua preferência e ouvir as histórias contadas de forma envolvente pela escritora.

O ritual, que já dura dois anos, funciona como numa biblioteca. Cada criança possui uma ficha de empréstimo que é preenchida por uma “bibliotecária” contratada especialmente para essa tarefa. Depois de uma semana, o livro deve ser devolvido em perfeito estado — essa é uma das regras de participação. O projeto vem conquistando a admiração de vários educadores, mas, para ser ampliado, exige o envolvimento de voluntários da comunidade.

Essa vontade de compartilhar o saber e motivar a leitura vem de longe. Formada em letras anglo-germânicas pela Ufal, Dona Ruth se dedicou à prática em sala de aula, ensinando em escolas públicas e privadas. Chegou até a fundar a Escola Chapeuzinho Vermelho, no bairro do Farol, onde contribuiu para a alfabetização de alguns artistas, intelectuais e políticos conhecidos hoje. Para ela, a educação é o remédio mais eficaz contra a desigualdade e a pobreza. E nessa direção, sempre fez da leitura o instrumento mais forte.

Seus livros caíram no gosto de uma geração de leitores, sobretudo pela atuação marcante de personagens como: Amarelinha, a pequena borboleta que deseja voar mais alto; o sapo clonado Babau; os caranguejos Gueguê e Jojó no manguezal, este último transformado num fantoche do programa infantil Caralâmpia, da TV Educativa.

Nas entrelinhas das histórias, estão presentes as preocupações da autora com temas da cultura e do meio ambiente, mas sem perder de vista o teor ficcional e imaginativo do texto.

Embora não seja pioneira, entre os autores alagoanos, na escrita de textos para os pequenos, caminho este já trilhado por nomes como Rosália Sandoval (Curso Elementar de Português, Gramática Infantil), Graciliano Ramos (A Terra dos Meninos Pelados), Hildebrando de Lima (Lições do Tio Emílio) e Judas Isgorogota (Um Pirralho na Floresta, etc), dona Ruth pode ser considerada um divisor de águas.

O conjunto de sua obra inaugura e melhor representa a fase contemporânea de nossa literatura infantil. E suas “reinações”, a exemplo do projeto Leva e Traz e das visitas que costuma fazer às escolas, educam o olhar e o gosto de crianças e pré-adolescente, conquistando mais e mais passageiros a embarcar no mundo fabuloso da leitura.

Reconhecimento com o Troféu de Literatura Infantil

Pela riqueza de sua obra e pela realização do projeto Leva e Traz, a escritora Ruth Quintella receberá da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), por meio da Biblioteca Pública do Estado, o Troféu de Literatura Infantil, que será entregue na abertura do Proler, nesta terça (3), às 19h, durante a IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas, no Centro de Convenções.

O artista Freddy Correia, criador da arte do troféu símbolo da homenagem, tem planos de produzir, em tamanho natural, uma escultura da escritora para ficar exposta numa praça da cidade.

Livros de Ruth Quintella

Gogó da Ema (1994)
A Tartaruguinha que Demorou a sair do Ovo (1996)
Vento Forte, Vento Nordeste (1996)
Amarelinha, uma Pequena Borboleta (1998)
Quem saiu, saiu (2000)
Gueguê e Jojó no Manguezal (2002)
Babau, o Sapo Clonado (2003)
Na Onda do Consumo (2003)
Na Onda da Educação Ambiental (2006)
Quem Furtou o Macaquinho? (Bagaço, 2009)
 

por Agência Alagoas

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  • Nani Rodrigues Parabéns pela matéria! Nunca é demais exaltar e mostrar a importância, o valor do povo alogano! Parabésn á Ruthe, pelos ideais e contribuições em prol da cidadania.