18 Maio 2010 - 07:56

Esmal Cultural apresenta o espetáculo teatral "Negrinha"

Ascom
Peça é uma adaptação do conto de Monteiro Lobato com relatos de Gilberto Freyre

Escrito e interpretado pela atriz carioca Sara Antunes, o monólogo Negrinha, sucesso de crítica e de público no Rio de Janeiro e em São Paulo, é a atração do Esmal Cultural neste mês de maio. O espetáculo, que será exibido nos próximos dias 25 e 26, às 20h, no Café Literário Marili Ramos da Esmal, conta a história de uma menina negra vivendo em um engenho de açúcar no fim do século XIX.

Baseado no conto homônimo de Monteiro Lobato e relatos de Gilberto Freyre, Negrinha mistura as memórias e fantasias de uma criança escrava, as contradições de um tempo e de uma história.

O monólogo também polemiza ao colocar em cena uma atriz branca vivendo uma personagem negra. “Já se atribuiu 136 cores diferentes para denominar o povo brasileiro”, lembra uma dos textos de encarte de Negrinha.

Entre velas, luzes e sombras

Convidando o espectador a experimentar uma viagem pelo tempo, a cenografia do espetáculo trabalha a iluminação de velas, onde sombras e luzes atuam ao lado da atriz. No palco, a menina, uma boneca e grãos de café. Um fantasma que ainda atormenta a Casa-Grande, a “casa de açúcar” como Negrinha gosta de chamar.

Essa é uma história iluminada pelas minúsculas luzes de velas cansadas, longínquas, manipuladas pelas mãos de Negrinha, nem tão doces e claras como o açúcar, que não sabemos ser verdadeiras ou assombrações de nossas mentes.

Resultado de um trabalho artesanal, voltado ao preciosismo das palavras, objetos e figurinos interagem, provocando o público a um verdadeiro mergulho pelo universo sensorial das senzalas e casarões dos senhores de engenho.

É uma peça que retrata o fim da escravidão, mas também revela uma sociedade sob a perspectiva de uma criança escrava, que emerge da dimensão poética e lúdica e dos relatos ao mesmo tempo apavorantes e cruéis, de uma história real.

Sobre Negrinha

Criada em 2007, com o incentivo do Programa de Ação Cultural (PAC), a peça surgiu da necessidade de fazer ecoar, pela voz baixa e frágil de uma menina, um momento crucial da história brasileira: o fim da escravidão.

O monólogo evidencia um Brasil que a história oficial não relata, já que trata-se da perspectiva de uma criança sem nome e sem futuro, aprisionada como um fantasma na casa grande.

Dirigido por Luiz Fernando Marques, com direção de arte de Renato Bolelli Rebouças e coordenação de Paulo Mattos, esse é um espetáculo que já percorreu diversos estados brasileiros, levando a história fragmentada de uma memória infantil. É a história de Negrinha, que tem afeição pelas cores, em especial pelas cores das pessoas.

 

Serviço:

O que: Negrinha

Onde: Café Literário Marili Ramos – Esmal

Quando: Dias 25 e 26 de maio, às 20h


 

por Ascom/TJ-AL

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