12 Maio 2018 - 11:22

Arquivo Nacional encerra neste sábado evento dos 130 anos da abolição

O Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, encerrou  com show do grupo Afoxé Filhos de Ghandi, do Grupo de Capoeira Angola Ypiranga de Pastinha e da Banda Bumoko, do Congo-Angola, evento alusivo aos 130 anos da abolição da escravatura no Brasil. A apresentação será a partir das 12h, com entrada franca.

Durante a semana de eventos, foi realizado Seminário sobre Pós-Abolição: 130 anos depois da Lei Áurea, que debateu os problemas atuais enfrentados pela população negra.

Responsável pela curadoria do seminário, a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-doutora em história comparada, Helena Theodoro, destaca que 130 anos depois, os negros ainda vivem um “apartheid” dentro do país, sendo a maioria da população pobre, carcerária e os principais alvos da violência.

Para a professora, o Brasil só vai se desenvolver se levar em consideração que seu povo é mestiço. “Tem que ter um processo de reeducação, porque esse problema não é um problema de negros, mas do país”.

O babalawo Ivanir dos Santos, funcionário do Arquivo Nacional e idealizador do seminário, destacou que os negros conquistaram espaços nas universidades e no mercado trabalho, porém é preciso avançar nas representações políticas. “A identidade negra tem crescido na sociedade de certa forma. Isso é um avanço considerável, mas muito temos que fazer ainda, levando em conta que o genocídio da juventude negra é bem alto na sociedade brasileira”.

Sobre a representatividade nas esferas políticas, o primeiro doutor negro em teologia no Brasil, Geraldo Rocha, da Universidade do Grande Rio (Unigranrio),citou que há apenas um senador negro. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, dos 94 deputados, apenas quatro são negros. A Câmara dos Deputados tem 43 parlamentares negros para um total de 513 deputados. 

por Agência Brasil

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