19 Março 2019 - 19:35

Irregularidade na construção de escolas prejudica alunos no Paraná

O suposto desvio de cerca de R$ 22 milhões em recursos públicos que deveriam ser destinados à construção e reforma de escolas estaduais do Paraná entre os anos de 2012 e 2015 prejudicou, diretamente, a cerca de 20 mil estudantes da rede pública. O cálculo é da auditoria do Ministério Público do Paraná (MP-PR) e foi anunciada pelo coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o procurador de Justiça Leonir Batisti, durante entrevista sobre a prisão do ex-governador do Paraná, Beto Richa.

Richa foi preso em caráter preventivo na manhã de hoje (19). Ele, o ex-secretário de Cerimonial e Relações Internacionais Ezequias Moreira e o empresário Jorge Atherino, também detidos esta manhã, são alvos da Operação Quadro Negro, que apura a suspeita de desvios de dinheiro público destinado à secretaria estadual de Educação.

Ex-governador Beto Richa é preso pela terceira vez Marcelo Camargo/Agência Brasil
“Até o momento, os R$ 22 milhões desviados não foram recuperados pelo Estado”, afirmou Batisti, acrescentando que o MP-PR tenta recuperar parte dos valores desviados e obter punição criminal aos responsáveis. “Segundo cálculos feitos pela auditoria do Ministério Público, a não-execução das escolas prejudicou a, aproximadamente, 20 mil alunos que tiveram que se deslocar quilômetros [para frequentarem outros estabelecimentos de ensino]”, comentou o procurador.

Segundo o MP estadual, “uma organização criminosa, que contava com a participação de agentes públicos e privados, atuou na Secretaria da Educação estadual, praticando crimes de corrupção e de fraudes às licitações cujo objeto era a construção e reforma de escolas públicas estaduais”. Além disso, para acobertar as supostas práticas delituosas, o grupo teria cometido outros ilícitos, como obstrução de investigações e lavagem de dinheiro. A suspeita é que parte dos recursos públicos desviados tenham irrigado campanhas eleitorais de Richa e aliados.

Esta é a terceira prisão de Richa desde setembro de 2018. Em janeiro deste ano, ele chegou a ficar detido no Complexo Médico Penal do Paraná, localizado em Pinhais, região metropolitana de Curitiba – o mesmo para onde voltará a ser levado por determinação do juiz da 9ª Vara Criminal de Curitiba, Fernando Bardelli Silva Fischer. Atendendo a pedido do Ministério Público estadual, o magistrado autorizou as prisões preventivas de Richa, de Moreira e de Atherino, além da realização de buscas e apreensão de documentos e objetos que possam auxiliar nas investigações das denúncias. Os mandados foram cumpridos em cinco endereços ligados aos três investigados, nas cidades de Curitiba, Matinhos (PR) e em Porto Belo (SC).

por Agência Brasil

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