18 Fevereiro 2018 - 12:17

Em dia de comemoração, campeãs do Rio comentam desempenho e já falam sobre 2019

Enquanto no Sambódromo a movimentação de celebridades atrai a atenção do público, nas concentrações das escolas de samba que estão prestes a entrar na avenida, o assunto é outro. Enquanto o desfile não começa, componentes e dirigentes das agremiações fazem um balanço da folia de 2018 e já falam sobre as expectativas para o ano seguinte.

Na campeã Beija-Flor, o diretor de carnaval Laíla, que na quarta-feira após o resultado da apuração indicou que poderia deixar a escola, desconversou e disse que o assunto vai ser discutido somente na semana que vem. Ele está na agremiação desde 1989, apenas com um breve intervalo entre 1992 a 1994, quando trabalhou na Grande Rio.

Na concentração da Beija-Flor, a ex-passista Maria da Penha Ferreira Ayoub, a Pinah, que em 1978 dançou com o príncipe Charles durante uma visita dele ao Brasil e se destacou na escola entre os anos 70 e 90, agradeceu por ter participado de todos os desfiles campeões.

“Graças a Deus são 14 estrelinhas [títulos] e eu participei das 14 estrelinhas da Beija-Flor. Tenho muito orgulho cada vez que a minha escola ganha um título, cada vez que a minha comunidade fica feliz. O meu pavilhão sorri a toa, então, estou muito feliz pelo dia de hoje”, comemorou.

Para quem não figurou entre as primeiras, o desfile das campeãs vale também como avaliação. O presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel, Wandyr Trindade, o Macumba, se conformou com o sexto lugar da escola. “O que aconteceu conosco é que perdemos o carnaval para nós mesmos. Não tinha jeito. Gostei dos resultados de todas elas [as seis primeiras]. Foi muito bom. Para o ano que vem vamos procurar corrigir os erros”, afirmou.

Repercussão

Rio de Janeiro - A escola de samba Paraíso do Tuiutí se apresenta no Desfile das Campeãs do Carnaval do Rio, na Sapucaí (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
 A escola de samba Paraíso do Tuiutí se apresenta no Desfile das Campeãs Tânia Rêgo/Agência Brasil

Na Paraíso do Tuiuti, o compositor e cantor Moacyr Luz, um dos autores do samba enredo, disse que eles tinham consciência do desafio, mas não sabiam da repercussão que seria alcançada e do vice-campeonato. O enredo deste ano foi Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?, que trouxe várias críticas sociais e políticas para a avenida.

“Surpreendeu e emocionou a todos. A gente vinha de uma preocupação para que a escola não caísse e de repente a gente vê uma coisa inédita acontecer que é a escola terminar como vice-campeã, com um décimo de diferença [do 1º lugar]. Fiquei muito feliz porque o nosso samba teve quatro [notas] dez, foi o diferencial da escola”, contou.

Também antes de começar o desfile, o carnavalesco da Tuiuti, Jack Vasconcelos, contou que nos últimos dias precisou correr para reorganizar a escola para retornar à Sapucaí neste sábado. “No duro, a gente não contava que fosse voltar nas campeãs, que o nosso julgamento fosse justo, porque não é um histórico que a gente vem vendo nos últimos anos em relação às escolas consideradas com bandeira mais fraca em comparação com outras. A gente sabia que tinha um projeto bom para caramba, mas tinha medo de como seria julgado. A gente fez o que achava que tinha a fazer. Isso aqui é muito verdadeiro”, afirmou.

Jack Vasconcelos comentou ainda a repercussão das críticas políticas realizadas pela escola em várias alas, entre elas o carro alegórico que trouxe um integrante vestido de vampiro usando uma faixa presidencial. Neste sábado, a fantasia não incluía o adereço.“A gente precisava que as pessoas entendessem o que a gente estava falando. Era uma grande charge. A gente tem a consciência tranquila de que é o papel de uma escola de samba e do carnaval. O carnaval tem isso na sua essência, essa crítica, essa piada, essa coisa bem-humorada até em cima de assuntos um pouco sérios”, disse.

Segundo o carnavalesco, o título era um sonho da comunidade. “Isso aqui é a realização de um sonho de gerações, de pessoas que ajudaram a fundar esta escola, quer dizer, é um sentimento que envolve famílias e histórias”. Ele disse que pretende descansar por alguns dias para depois conversar com a diretoria da escola sobre a sua manutenção como carnavalesco.

por Agência Brasil

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