Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Convencionou-se designar de romano, do ponto de vista histórico, ao cidadão nascido em Roma. Na Roma dos Césares, bem entendido. E não apenas nascido, mas pertencente à casta dos nobres – perfeitamente entrosado, portanto, à cultura, hábitos e tradições da cidade. Ser um romano autêntico, na pura essência da palavra, era algo realmente honroso. Além do status que a nominação trazia a quem a ostentava, significava um estado de espírito. Um estado de espírito diferente dos demais mortais. Roma, além do poder político, militar, econômico, era uma potência nas artes, nas ciências, no direito, na filosofia, na oratória, só rivalizando na excelência de tal patrimônio com a cultura helênica, a dos gregos, outro potentado a espalhar pelo mundo a riqueza do seu saber, seus extraordinários conhecimentos de matemática, engenharia, aritmética, geometria, filosofia, medicina, arquitetura...
Aliado a todo esse contexto, Roma ainda impunha ao mundo seu modo de guerrear, representado por uma máquina militar de causar inveja e derrotas a um número incontável de povos espalhados pelo mundo conhecido de então. Roma era disciplina, estratégia, tecnologia, logística, comandantes extremamente capacitados e soldados bem armados, treinados, alimentados e incentivados a vitórias sempre crescentes, tendo a esperá-los boa parte dos despojos de guerra. Era uma equação perfeita tanto para a casta, sempre a se beneficiar dos frutos desse domínio absoluto sobre outros povos, como para a soldadesca – também a prosperar por conta dessa política expansionista romana. Diante de quadro tão favorável, fica difícil imaginar na penetração de outra cultura que viesse quebrar, ou no mínimo, por em risco uma concepção tão arraigada de vida, de governo, de dominação sobre outros povos.
Entretanto, como a sombra do sol que não agride, porém se impõe, o cristianismo foi se internando nos territórios romanos a partir da Judéia, da Palestina e regiões subjacentes – quebrando, paulatinamente, a espinha dorsal do crer, do viver, do pensar, do guerrear romano. Um dos maiores exemplos que a História nos aponta nesse sentido é a conversão de Publius Lentulus, uma das grandes personalidades de Roma àquele tempo. Segundo antigas narrações, Publius era senador no exato momento em que Jesus Cristo divulgava seu Evangelho, uma concepção intelectual, espiritual e existencial diametralmente oposta às convicções romanas. Diante da crescente crise entre a Coroa e o Senado – este, vendo-se sem informações confiáveis nem elementos para entender o fenômeno Cristo – decidiu enviar Publius a Palestina para investigar anonimamente aquele que se dizia Filho de Deus e a Luz do Mundo.
Para um autêntico romano aquelas eram palavras ininteligíveis. Para Roma, a questão residia no poder de convencimento contido no discurso de Jesus, algo realmente preocupante para um governo que se alimentava do domínio exercido sobre outros povos. Publius assistiu ao Sermão do Monte (no qual Jesus realçou as bem-aventuranças do Reino de Deus) e nunca mais foi o mesmo. Sem saber, voltou a Roma meio romano, meio cristão. No relatório ao Senado, diz que Jesus falava de coisas muito sábias, mas não entendia, como romano, quando Jesus dizia que “todos os homens são iguais perante Deus”. Que Deus? O que Jesus pretendia com tais palavras, indagava para si mesmo e externava para seus pares. Realmente, para um romano, era difícil decifrar tal enigma. Racionalmente agia assim; porém, inconscientemente, o discurso de Jesus, diante da dominadora realidade romana, o incomodava.
Na sequência dos fatos, total mudança de vida. Publius converteu-se e passou a defender o cristianismo, além de proteger e abrigar cristãos perseguidos. Mais: teve sua rotina doméstica radicalmente alterada pela conversão da esposa, Lívia. Ela, vivendo intensamente a essência da pregação cristã, libertou todos os escravos caseiros, principalmente a dama de companhia, a quem passou a tratar como irmã. Foi um escândalo! Pela dignidade e imagem popular, Publius não foi preso e sim a ex-escrava de sua mulher. Não contavam com a atitude de Lívia. Vendo a ex-escrava ser levada, afirmou que iria com ela. O capitão da guarda não teve outro jeito senão levá-la também. Lívia foi encarcerada e, posteriormente, sacrificada no Coliseu – aos leões. De Publius nunca mais se ouviu falar. Foi encoberto pela poeira da História, porém, com certeza, carregando no íntimo a palavra que, no monte, de Jesus recebera.
postado em 10/02/2012 08:25
Moézio Vasconcelos
Advogado, professor, escritor e pesquisador
Quando se fala da ESSÊNCIA DE DEUS, há um tema implicitamente colocado nessa unidade que é a Dimensão Religiosa do Homem.
O homem não se pode liberar da religião porque ela é congênita em sua essência, os fatos religiosos se encontram em todos os povos. Essa religiosidade constante e universal está baseada na necessidade moral da Religião.
As obrigações do homem para com Deus se originam do reconhecimento que o ser humano faz do domínio e do poder divino sobre seres e coisas.
A consciência do nosso desamparo ontológico nos leva a buscar uma perfeição suprema que nos ofereça a desejada plenitude por cima das nossas possibilidades e da nossa radical impotência.
Nossas limitações, nossas deficiências, nosso desamparo ontológico, em suma, não podem ser nosso fim. A natureza humana, diz Pascal, é nascida para o infinito e a verdade religiosa não é mais do que uma prolongação magnífica da verdade filosófica. Segundo Maurício Blondel, a Filosofia é a aspiração do infinito, impulso para a mais alta vida, a amizade como a sabedoria pelo sentimento mesmo da impotência humana para realizar o ideal, o sábio.
Desta feita, o homem tem uma inclinação invencível para buscar o porquê, a última explicação das coisas e também uma consciência de si. O homem possui tendências para o absoluto de si. O ponto mais culminante de nossa vida é quando sentimos a presença de Deus. E a consciência de nossa responsabilidade, principalmente moral, leva-nos também a ligá-la ao ser perante o qual devemos ser responsáveis.
Finalmente, todos esses aspectos nos levam para Deus, nos acompanham sempre e através desta confirmação está o próprio toque imediato de Deus em nossas almas. Todos os pensadores apresentam argumentos da Existência de Deus e compreenderam que Deus é um fato inegável diante do universo e do próprio homem, razão pela qual este autor acredita no ateu cristão e no cristão ateu, mas não acredita, por hipótese alguma, no ateu-ateu, aquele que não acredita no próprio ar que respira e que duvida de tudo e de todos.
A propósito, o autor deste artigo deixa duas questões para reflexão não tão somente dos crédulos mas também dos que se dizem ateus, dos agnósticos, dos incrédulos:
a) Quando se afirma que a felicidade consiste nas realizações de suas aspirações, tais aspirações abrangem:
1. O problema de Deus na vida do homem ou a sua necessidade?
2. Tais aspirações podem se reduzir as realizações afetivas do ser existente, desprezando o espírito em si mesmo?
3. Essas aspirações se resumem aos bens materiais? Sim ou não. Por quê?
b) A vida é propriamente antecipação, esse afã de querer ser essa antecipação no futuro, essa preocupação que faz com que o futuro seja ele, o germe do presente. Explicar:
1. Que quer dizer antecipação?
2. O desejo de querer ser implica numa felicidade plena? Sim ou Não. Por quê?
3. A preocupação do futuro leva deliberadamente o homem a pensar na morte? Sim ou Não. Por quê?
postado em 06/02/2012 08:12
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Natal hoje é uma cidade cujo porte já envolve números que impressionam. Alguns até assustam. Quando, por exemplo, falamos do número de analfabetos em Natal, da ordem de cem mil, muitas pessoas nem querem acreditar. Mas é a pura realidade. Pelas mesmas estatísticas, outra questão cruel se apresenta: Natal conta atualmente com um contingente superior a dez mil surdos. São pessoas aparentemente normais, que transitam naturalmente pela cidade, passam diante de você, e nem são percebidos. Pelos dados do IBGE a população brasileira é constituída de 1,3% de pessoas portadoras dessa deficiência. Trazendo tais números para Natal (1,3% de 800 mil habitantes) teremos, então, a dolorosa conclusão de que, da população natalense, em torno de dez mil pessoas, ou mais do que isso, são surdas. A existência desse número não é tanto a questão. O problema é se constatar que nada está sendo feito em seu benefício.
Acreditamos até que esse percentual de 1,3% tenha abrangência universal, o que colocaria o Brasil, e Natal em particular, numa faixa perfeitamente normal de incidência do mal. O que queremos levantar aqui é a inexistência de uma política de inserção dessas pessoas na vida comunitária, no mercado de trabalho, tirando-as da situação de cidadãos de segunda classe para uma vida realmente digna. No plano familiar, se observarmos bem, não são encontradas as condições necessárias para o desenvolvimento social e profissional dessas pessoas. E se a comunidade e o poder público não oferecem essas condições, onde os surdos irão procurar e encontrar a saída para uma vida que lhes traga menos percalços e um patamar, pelo menos razoável, de realização pessoal? Ao governo cabe essa preocupação e a adoção de um planejamento sério, objetivo, eficaz em benefício desse segmento populacional.
Por outro lado, com a tecnologia de hoje, não é tão difícil capacitar os surdos no sentido de uma atividade profissional adaptada às suas condições específicas. A questão é que o nosso surdo, além de analfabeto em seu próprio idioma, é incapacitado – pela sua própria condição social e pela inexistência de políticas públicas – para assumir compromissos e desafios que são perfeitamente normais às demais pessoas. Imaginemos, por exemplo, o acesso ao computador. Se, ainda hoje, trata-se de uma atividade complicada para grandes parcelas da população dita normal, quanto mais para quem mal consegue decifrar os sinais de trânsito! Enquanto isso, os surdos, muitos dos quais com índices de inteligência bastante altos, ou no mínimo com índices medianos, perambulam pela vida sem enxergar nenhum horizonte. E nem antevendo, da parte do poder público, nenhuma providência que lhes tire da condição de sub-raça.
Pensamos de maneira diferente. Pensamos que é possível – e salutar para toda a sociedade – a transformação dos surdos de párias em agentes produtivos, pessoas que possam, juntamente com as demais, contribuir para o desenvolvimento e a manutenção de um estado de circulação de riqueza e de paz social. Para tanto, idealizamos a criação do “Centro de Atendimento e Convivência de Pessoas com Necessidades Especiais”, um complexo com avançada tecnologia, voltado para a alfabetização, capacitação profissional e socialização de surdos, mudos e até de pessoas com outros tipos de carências, tendo em vista não existir em Natal nenhuma estrutura destinada ao atendimento médico, psiquiátrico, didático, odontológico e social a essas pessoas. É mais uma contribuição, de nossa parte, ao enriquecimento do debate político. E a certeza de que o estado de bem estar social tão do desejo de todos, passa, obrigatoriamente, pela inclusão, ao sistema de geração de riquezas, dos segmentos carentes, desprotegidos e marginalizados. Você concorda?
postado em 26/01/2012 09:55
João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
De memória curta, absurdos, sem pé nem cabeça, assim são os sonhos na sua grande maioria. Catão, aparentemente, é aquele tipo de pessoa que habitualmente apelidamos de normal. Toca a vida sem qualquer originalidade que o distinga do comum dos mortais em suas aspirações, niveladas que são pelo imprescindível a garantir-lhe uma digna sobrevivência com um pouco de conforto. Sobressai-se pela qualidade de caráter que o coloca no rol especial das pessoas honestas.
Cultiva um hábito que o escraviza para se tornar o cidadão mais bem informado. Embora a leitura de revistas e jornais não ocorra com frequência, em compensação o noticiário televisivo, imperdível, está no topo de sua preferência.
Existiam coisas no cenário nacional que a sua ingênua honestidade não consegue fazê-lo entender. Porque, pergunta-se com frequência, os três poderes que regem o Brasil são uma fonte perene de escândalos de corrupção? Será que não se pode descobrir um meio para estancá-la a um nível aceitável? No que diz respeito à corrupção no meio político, fato banal, já não o impressiona tanto. Por outro lado, o poder judiciário, uma caixa de surpresa, deixa-o muitas vezes insone por não conseguir convencer-se com a interpretação de alguns ministros do Supremo Tribunal quando apreciam temas polêmicos de repercussão nacional.
Por que, por exemplo, o corrupto eleito não é impedido de ser empossado, independentemente do tempo do delito, exceção de prescrição? Ora, se o crime não está extinto, trata-se de um corrupto em potencial e, como tal, não está à altura de ser um representante do povo. O Congresso Nacional, já infestado de gatunos, fica obrigado, por uma míope decisão judicial, a receber mais emporcalhados que irão denegrir ainda mais a sua imagem. Como fica o interesse da sociedade?
Sendo um pragmatista, acha que toda lei e sua interpretação quando divergente quanto à sua aplicabilidade no tempo, deve ir ao encontro do anseio do povo, relevando-se proibitivas formalidades constitucionais. Afinal de contas, está convencido, as leis existem para servir a sociedade e não o contrário. Que não se fale, com reverência, em respeito a Carta Magna porque tudo que é grande leva intrinsecamente o seu oposto, isto é, magnos erros e magnos acertos.
Ainda na esfera do poder judiciário, na atualidade um acontecimento, chama-nos deveras a atenção. Trata-se da guerra, praticamente a sós, da Corregedora do Concelho Nacional de Justiça, Ministra Eliana Calmon, contra diversas associações de magistrados. A primeira frente de sua batalha diz respeito à competência do CNJ punir juízes, precedendo iniciativas dos tribunais de justiça, nem sempre eficientes na apuração de delitos, levados pelo espirito corporativista. Será que essa divergência justifica tamanha balburdia e inconformismo?
A segunda refere-se a uma provável investigação da vida dos membros do judiciário. Vamos admitir, diz Catão, que seja verdadeira essa insinuação. E pergunta, se o juiz, desembargador ou ministro têm uma conduta ilibada, por que o medo da investigação? Somente o feijão podre irá bolar. Não estarão alguns sansões do judiciário com a consciência pesada? Lembrou-se, a proposito da guerra da ministra Eliana, do dramaturgo Ibsen que dizia que o homem mais forte que há no mundo é o que está mais só. Temos uma mulher no páreo dessa grandeza de ser forte.
Catão encontrava-se sobrecarregado com notícias que eram apropriadas para o mundo da delinquência. Quase todos os dias pipocavam notícias sobre improbidade de autoridades públicas em algum lugar do país. O Congresso Nacional, chegou a conclusão, era um lugar inconveniente e perigoso para deputados e senadores xingaram-se mutuamente de ladrões, pedirem apuração de responsabilidades contra ministros, pois, autênticos rabos de palha, amanhã aparecerão no noticiário com os mesmos pecados.
Em nome da brevidade, vou narrar com exatidão a terrível metamorfose acontecida em seu sonho.
Aconteceu na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Era um mar de gente. No centro, não era bem um teatro de arena, parecia mais um curral, estava cheio de corruptos dos três poderes. Lembravam animais. Em suas fisionomias transpareciam o medo, o assombro e a inquietação, movendo-se de um lado para outro. Separava-os um estreito corredor formado por compridas mesas. Por trás da multidão havia um palco para apresentação das bandas de samba. O espetáculo tem início com o toque do hino nacional. Vibrantes aplausos. Em seguida, vêm os ritmos carnavalescos.
O que mais lhe causou curiosidade e muito riso, é que todos os corruptos, impecavelmente bem vestidos como homens respeitáveis, tinham um corpo de porco e um rosto, da mesma forma, parecido com um focinho de porco. Os que faziam parte do judiciário, além da toga que vestiam, distinguindo-se dos demais, carregavam na cabeça o símbolo da justiça. Não bastasse o mau gosto desse enfeite que os ridicularizava, a efígie, despudoradamente, a todo momento tirava a venda, piscava, abria e fechava os olhos. Era a imagem da vadia de programa que faz tudo por dinheiro.
De repente, a claridade da praça se reduz a uma penumbra. Do céu, envoltos num halo luminoso, descem dez julgadores, os anjos exterminadores. Segundo convencionaram, cada qual faria o julgamento de cinquenta corruptos, sorteados entre componentes dos três poderes. As sentenças, sem necessidade de enfadonhos relatórios, resumiam-se a fazer a leitura da vida pregressa de cada um, indicando dia, mês e ano de cada delito. Ao término de cada, os sentenciados iam ficando um ao lado do outro. Concluídos os trabalhos, os dez juízes, em uníssono, como nos filmes americanos, desejam solenemente: “que Deus tenha piedade de suas almas”. Imediatamente, como obedecendo a um controle remoto, os corpos entram num processo de autocombustão.
A multidão, até então silenciosa, aos berros bate palma. Após alguns minutos, o ar estava empesteado pela fumaça e o cheiro de gordura, lembrando-lhe os fornos crematórios nazistas. Quando o toucinho estava crocante, no ponto pururuca, o fogo automaticamente se apagava. Os corpos eram postos sobre as mesas para serem trinchados. Diversas mulheres vestidas à baiana apareceram com bandejas contendo acompanhamento para o churrasco. O samba está a todo vapor. Muita cachaça e cerveja. O povo, canibalizado, estalava os beiços de satisfação.
Convém lembrar que logo após a condenação dos corruptos, os juízes voltam para o céu e a uns cem metros de altura abrem uma faixa em letras garrafais com a seguinte mensagem: o bom Deus não quis que vocês, brasileiros, sofressem a ira da natureza, mas como nenhum país poderá ficar isento de algum castigo, deu-lhes generosas safras de ladrões. Arrependido da sua escolha, bem mais grave do que terremotos e furações, em seu nome breve voltaremos para completar a limpeza.
Os que não foram julgados ficaram entregues aos cuidados de uma figura apavorante. Era alto, ombros largos, barba espessa num rosto quadrado e olhos vermelhos que revelavam toda a ira e maldade. Tratava-se de Caronte, o barqueiro do inferno, que os conduziu em direção a um túnel escuro que descia para as profundezas da terra. Ele sabia onde colocá-los, o degrau do inferno compatível com seus crimes.
Nauseado, Catão acorda sobressaltado e aos engulhos pelo desagradável cheiro de gordura. Acalmou-se. No quarto, não havia cheiro de gordura. Então se deu conta do sonho que acabara de ter e pensou consigo mesmo: esse pesadelo até parece uma revelação do além. Enraizada e tão grave é a corrupção no Brasil que só o julgamento divino, da maneira que sonhara, será capaz de salvá-lo com o jeito pátrio de ser: samba, cachaça e churrasco de corruptos.
Bendita graça divina!
postado em 22/01/2012 00:00
Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Ele nasceu em 23 de junho de 1930, e morreu no dia 4 de janeiro de 2012. Começou a trabalhar nas fazendas viçosenses quando tinha apenas sete anos plantando capim, cortando e limpando cana, ou seja, contribuindo para que seus donos ficassem cada vez mais ricos e ele miserável, pois nunca lhe ensinaram que o certo seria lutar pela socialização da riqueza para que todos tivessem direito a tudo.
Como a renda familiar era muito baixa, ainda cuidava da roça e confeccionava bolsas, balaios e caçuás com titara para serem vendidos na feira e ajudar seu pai a sustentar sua numerosa prole.
Em 1956, tentou se aposentar devido a um derrame, mas perderam seus documentos, fato que adiou sua aposentadoria por 13 anos, uma vez que só conseguiu seu intento, devido à idade, em 1969, depois de ter trabalhado como burro de carga durante 32 anos.
Grande e profunda foi minha tristeza ao saber que este homem, chamado JOÃO CAETANO DA SILVA, mais conhecido por todos como Sexta-Feira, havia morrido. Ele representava um tipo de pessoa que há muito desapareceu, pois apesar de ter trabalhado durante tanto tempo, de sempre ter votado nos brasões de Viçosa, de morar de favor numa pequena meia-água, de viver de sua pequena aposentadoria - com a qual comprava sua alimentação, dava um agrado a quem a fazia, ajudava o sobrinho e pagava a mensalidade de seu funeral – e de ninguém ter melhorado sua vida, ele, como fervoroso devoto de Padre Cícero e do Sagrado Coração de Jesus, não guardava rancor, pois achava que um dia as coisas iam melhorar e vivia assim porque Deus queria.
Nada melhorou, uma vez que sua juventude foi de pobreza e sua velhice de miséria. Também não lhe ensinaram, ou ele não percebeu que todo aquele que possui economia de miséria e se rebela é apoiado por Deus.
Ontem caboclo forte e trabalhador, hoje fraco e pedinte, pois andava curvado e todos os dias fazia a peregrinação dos miseráveis até a porta do rico Banco do Brasil, onde ficava, até o meio-dia, pedindo uma moeda a um e a outro, para minimizar suas necessidades.
Que triste ironia!
Quando deixava seu vergonhoso “ponto”, seguia seu rumo. Rumo que o levava para o nada que possuía.
Que País é este!
Mestre Né, o pedreiro do Casarão, quando viu o enterro passar, disse: “Foia que ta na árve quando seca já é pra caí”.
Tem razão, Mestre Né! O Sexta-Feira secou e caiu.
Caiu nos braços de Deus.
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
A cena se passa numa das novelas da tv. Na sala de uma casa o telefone toca. A empregada doméstica vai atender, enquanto a dona da casa dialoga com o filho na faixa dos dez anos. A empregada tira o fone do gancho. Do outro lado da linha uma mulher se identifica e pergunta se a dona da casa está. Ao ouvir o nome da pessoa que está ao telefone, a patroa gesticula para a empregada, orientando-a a dizer que ela não está. O menino assiste à cena meio intrigado. Se a sua mãe está, porque dizer à empregada que não está? Cenas iguais a essa se repetem diariamente em todos os lugares do mundo. Tendo por base a mentira, as pessoas tentam, de todas as maneiras, se desvencilhar das dificuldades e vicissitudes que encontram pela frente. A saída, normalmente, é se livrar do problema entranhando-o de mentira. Nunca o encarando com coragem, firmeza, determinação. Porque será?
A mulher da novela é só um exemplo da maneira desonesta, irresponsável e inconseqüente que adotamos, na maioria das vezes, para resolver problemas do dia-a-dia. O pior é que nos esquecemos das pessoas que estão ao nosso redor, nos analisando, nos observando e nos adotando como modelo a seguir. Futuramente, o que a mãe que mente diante do filho, ainda pequeno, quererá dele quando tiver que vê-lo enfrentando suas próprias dificuldades? Que ele as enfrente esgrimindo a espada da verdade? Que ele pratique comportamentos que nunca presenciou em casa adotados pelos pais? Como, se diante de si teve sempre adultos como exemplos, como referenciais, mentindo, distorcendo, trilhando o caminho da mentira? Como, se assiste, diariamente, adulto já profissionalizado, o chefe na repartição utilizar-se prioritariamente da mentira para resolver o que surge no seu escaninho?
Pela televisão também assistimos as lideranças políticas darem um verdadeiro show no emprego da mentira, da falsidade, da dissimulação, quando tentam justificar seus maus feitos na vida pública. Porque o ser humano mente tanto? O mundo dos negócios, o das atividades esportivas e comerciais, por exemplo, também não ficam atrás. Nesse terreno é dado por inteligente, competente, sagaz, o que sabe utilizar, com o máximo da maestria, os instrumentos da mentira, da matreirice, do engano. Quando se ouve dizer “Fulano é competente” é porque, na maioria das vezes, o elogio está ligado ao uso descarado, pelo elogiado, da falta da verdade. O interessante, acima de tudo, é que aprendemos desde cedo, nos bancos escolares, no catecismo católico, nas escolas dominicais das igrejas evangélicas, que devemos nos valer da verdade sempre – defendendo-a e empregando-a ao longo da vida.
A respeito da questão, a Bíblia nos ensina que, para o cristão, o sim é sempre sim e o não é sempre não. Nos esclarece, ainda, que os mentirosos jamais herdarão o reino dos céus. Jesus salienta, também sobre o assunto, que o Diabo é o pai da mentira. Logo, quem se utiliza rotineiramente do seu uso está fazendo o jogo daquele que, segundo Jesus, só veio para matar, roubar e destruir. O interessante é que, ao sairmos da inocência da infância para o jogo bruto do aprendizado profissional, somos sempre instruídos a fazer da mentira um instrumento valioso para o alcance do sucesso. Esse comportamento vai deixando seqüelas irreparáveis ao longo de nossas vidas e criando, ao nosso redor, seguidores fiéis, aprendizes capacitados a se exercitarem na prática da mentira. Ah, a mentira. Como se livrar do seu veneno? Como deixar de vê-la nos outros e de usá-la no dia-a-dia?
Eliene Sandra Mello
Penedense, poetisa, escritora e professora aposentada
Oh! Bom Jesus dos Navegantes, rogai por nós. Olhai para esta cidade linda, que infelizmente está a agonizar.
Rogai pela população, que de braços abertos, não tem pra quem apelar.
O desemprego crescente, obriga seus filhos migrar para distante.
Rogai por uma política decente, que venha ajudar a linda Penedo a não definhar.
A festa, o pão, o circosó servem para silenciar, por enquanto a voz dos aflitos. Depois de um tempo os problemas retornam.
Oh! Bom Jesus dos Navegantes, rogai por estas crianças que andam sem rumo. Rogai pelos jovens sem perspectiva de um futuro promissor,
Afastai o tráfico e aviolência que aterrorizam os lares.
Rogai pelos homens sem emprego, pelas mulheres sem guia, pelos enfermos sofredores, vagando nos corredores dos hospitais, dia a dia.
Bom Jesus dos Navegantes! Rogai pelo São Francisco, fonte de alimentação. Empregai seus pescadores, para um digno ganha pão.
Rogai pelas mentes dos nosso representantes, para que lutem por uma política verdadeira.
Bom Jesus dos Navegantes, navegai no coração de cada penedense, renovando o amor. Saúde, harmonia sejam a estrela guia da minha gente sofrida, há muito tempo esquecida.
Penedo, terra querida, que tenho no coração!
Maria Núbia de Oliveira
Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras
A multidão foi ao encontro de Jesus. No meio dela, um grupo de obcecados pela lei, queria testar o Filho de Deus, jogando aos seus pés uma mulher adúltera. Todos se aglomeravam em torno da pecadora. Os mais instruídos citavam a Lei de Moisés, questionando Jesus.
A mulher jogada no chão, rosto encoberto pelos longos cabelos, soluçava, esperando a condenação. Tinha cometido um dos maiores pecados daquela época. Hoje virou rotina. O seu pecado escandalizava o mundo, feria a lei de Moisés.
Aqueles senhores, porém, tinham uma preocupação maior: colocar Jesus no canto da parede. Usariam aquele episódio para denegrir a imagem do Filho de Deus no que diz respeito ao cumprimento da lei, caso Ele não a seguisse ao pé da letra. Esperavam a resposta fatal de Jesus Cristo.
Pairou um longo silêncio. Longo, porque todo silêncio, por menor que seja, parece uma eternidade, face à expectativa de uma atitude ou de uma resposta coerente ou não.
Jesus não tinha pressa. O momento não era de preocupação com a lei. Estava em jogo um ser humano, uma alma aflita, uma frágil mulher à mercê de uma turba enfurecida.
O Homem do perdão inclinou-se, reflexivo, olhos fixos na areia, no pó que somos todos nós, após a morte. Escreveu alguma coisa que a Bíblia não narra. O que será que Ele escreveu? Gostaria de saber.
A turba impaciente, insistia. Queria uma resposta, uma atitude d'Aquele que veio para redimir e não para condenar!
Pleno de sabedoria, altivo, jogou nos tímpanos dos executores das leis, a célebre frase: " ATIRE A PRIMEIRA PEDRA QUEM NÃO TIVER PECADO!"
Um oceano gelado apagou toda a euforia. Invadiu cada consciência. Um por um foi saindo sem resposta, sem argumento e as pedras jogadas no chão...
O episódio não termina aqui. Jesus volta-se para a mulher e mesmo sabendo da resposta, pergunta: " Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?" " Ninguém, Senhor."
" Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar."
A Bíblia não conta o que houve depois daquele momento. Mas alguns Romances do tempo do Cristianismo, narra com maior extensão a alegria daquela mulher ao se ver livre das correntes do pecado. Tornou-se seguidora de Jesus Cristo! O perdão renova! Quantos prisioneiros do pecado sem chance de um mergulho nas águas da redenção para depois um decolar em busca de Jesus Cristo!
João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
Que delicadeza de afirmação. Aceito sua brincadeira, meu grande amigo. Sei muito bem que você conhece a psicologia feminina no que toca à preocupação com sua beleza pessoal. Modéstia à parte, sei que não sou feia, mesmo ao natural, sem maquiagem. Se você tivesse dito que no momento me encontro feia, concordo com a sua afirmação mesmo que peque pela falta de elegância e cavalheirismo.
-Queria desculpar-me pela minha insensibilidade. Compreendo a vaidade feminina, o desejo que a mulher tem de ser reconhecida e elogiada como bela, mesmo que seja falso o elogio. Como não sou dado a galanteios, a donjuanismo, prefiro a verdade que pode causar dor, mas que servirá de estímulo de uma mudança para melhor. Acontece que no momento, ao contemplá-la, a minha imaginação leva-me a compará-la a uma velha obesa, despenteada, mal vestida, suja e, para agravar essa insuportável aparência, exibe um semblante alheio, conformista e desconsolado, merecendo urgentemente, depois do banho, o chamado banho de loja. Onde está o seu amor próprio? Qual a causa de tanto desleixo?
- Ora, meu amigo, não me pergunte sobre a evidência das coisas. Posso muito bem, num toque de imaginação, tornar-me bela e faceira. Infelizmente, para que apareça essa mágica, é preciso que os que gerenciam meus interesses façam por mim e os responsáveis não têm a menor preocupação com isso.
-Por que não bradar aos quatro ventos? Já que você não faz, faço eu. Prefeito e vereadores de Penedo, acordem e não fechem os olhos ao visível que vergonhosamente nos entristece e, unidos, vamos transformá-la numa cidade limpa. É preocupação primordial de uma cidade histórica voltada para o turismo, atrair e não repelir o turista que deve levar boas recordações e não a decepção de uma cidade suja.
Há muito estamos a necessitar de um código de postura para disciplinar, entre outras coisas, o uso dos terrenos urbanos não murados. Não sei se ele já existe. Acredito que não, pois, em caso afirmativo é como se ele não existisse. Nada fora dos padrões brasileiros onde as leis são sinônimos de sementes, as boas e as chochas, isto é, as que germinam e são postas em práticas, e as outras que são relegadas ao esquecimento.
A nenhum de nós, ao passar pela frente desses terrenos, dificilmente não torce o nariz diante de uma cena que hostiliza o mais elementar princípio de civilidade. É uma autentica reprodução das ruas das cidades medievais, que recebiam lixo e até dejetos, desconhecendo os graves malefícios para a saúde. Mas se viviam com a sujeira, a lama, ratos e porcos que tranquilamente chafurdavam nas ruas, é inconcebível e inaceitável o retorno de um comportamento primitivo.
Hoje, 25/11/2011, numa inspiração de revolta, resolvi escrever o presente, face a imundice e o mau cheiro que exalava do lixão vizinho à minha residência. Convivo com essa desgraça há mais de vinte anos, em pleno centro da cidade. Fica exatamente na frente da Igreja de São Benedito, local onde foi dado inicio à construção de uma praça, por sinal inacabada e sem fim. A cena é revoltante e mais revoltante ainda quando sabemos que os autores dessa barbárie são pessoas da vizinhança que presumíamos fossem civilizadas.
Se a nenhum prefeito podemos diretamente atribuir responsabilidade por absurda atitude, vez que seria necessário por um guarda de plantão nas vinte e quatro horas do dia nos citados terrenos, não significa que a municipalidade deve continuar inerte, estranha ao problema e sem buscar um meio para erradicar paisagem tão primitiva. Deve ficar claro que a principal causa da selvageria não está na ausência do mencionado código, embora necessária sua existência, mas na falta de educação de muitas pessoas que, insensíveis, são incapazes de entender as conseqüências do seu barbarismo.
Embora não se possa educar por decreto, achamos como providencia inicial para minimizar o dano à nossa cidade, que sejam localizados os donos dos terrenos em apreço e em seguida convencê-los a cercá-los sob pena de, findo o prazo convencionado sem uma resposta positiva, passarem a receber uma penalidade crescente no valor do IPTU, do mesmo modo como faz o INCRA com as propriedades improdutivas.
Acontece que a imagem suja da cidade não se prende apenas aos terrenos baldios, mas às ruas quase como um todo. Como contornar esse problema? Uma das mais recomendáveis é a distribuição pelas ruas de coletores de lixo. Essa providencia deve ser complementada com um trabalho de catequese junto à população, através de todos os meios de comunicação. Que se busquem pessoas competentes para tal fim.
Sabemos que o fantasma dos empreendimentos públicos sempre foi e é a falta ou escassez de recursos financeiros. Por outro lado, também sabemos, o sucesso depende das boas idéias, quase sempre revestidas de simplicidade. Tornar Penedo uma cidade limpa não requer um malabarismo para encontrar boas idéias e muito menos alto dispêndio, mas um pouco que resultará num enorme dividendo que a todos nos orgulhará. O que falta, verdade seja dita, é a vontade de fazer.
Passem a gostar de Penedo, diga adeus á inércia e percebam como se pode fazer tanto por tão pouco. No dia que aparecer um prefeito que resolva enfrentar o monstrengo da má educação, filha da ignorância que reside e perambula pelas ruas, será consagrado como o grande matador, distinguindo como o maior prefeito de Penedo.
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Um dos momentos mais comentados da vida de Jesus Cristo é o que está descrito no Evangelho de João, capítulo 2, que trata das bodas de Cana da Galiléia. É a célebre transformação da água em vinho. Muito se tem falado a respeito do assunto. O ponto de maior discussão é o que tenta definir se o vinho originado da água tinha álcool ou não. Os que bebem encontram no episódio um argumento a mais para continuar entornando seus copos seja qual for o motivo. Os que não bebem batem firme na tecla de que Jesus jamais produziria uma bebida que alterasse – para pior – o estado de espírito das pessoas. Essa polêmica vara os séculos até os dias atuais. E tudo indica que não se chegará nunca a um consenso, a uma conclusão fechada em torno do assunto. Deixando de lado esse aspecto do caso – embora acreditando que o vinho de Jesus não continha álcool – queremos aqui abordar outro lado da questão.
O versículo 10, do mesmo capítulo 2, nos traz a reação do mestre-sala – também conhecido como mordomo, organizador de festas, e que nos dias atuais seria tratado como promotor de eventos – sobre a qualidade do vinho que Jesus produzira a partir da água. Suas palavras, ditas ao noivo, foram as seguintes: “Todos costumam por primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora”. A admiração do tal promotor de eventos residia no fato de que houve regularidade na qualidade do vinho servido do início ao fim da festa. É esse ponto que eu quero ressaltar na análise dos acontecimentos que se passaram há mais de dois mil anos atrás. O que vem de Jesus não tem variação, não tem descontinuidade, não tem perda da qualidade – enfim, não tem alteração. Jesus nos contempla com o que de melhor Ele tem para nos dar – do início ao fim da nossa vida.
Com Jesus não tem essa história de gestos de segunda ou de terceira categoria; de ações que se iniciam, mas não se completam. Com Jesus o bom vinho é servido do início ao fim, dando um sabor todo especial ao espetáculo da vida – para os que crêem, é claro. Lamentavelmente muitos se perdem na discussão estéril se o vinho produzido por Jesus continha álcool ou não. Muitos continuam perdendo um tempo precioso por não descortinarem a sabedoria extraordinária de Jesus, gastando tempo em polêmicas improdutivas, deixando de alcançar a posição que Ele almeja para todos nós: o de bons bebedores do seu vinho, de apreciadores do vinho do seu amor. O vinho de Jesus não tem o álcool que o mundo conhece, que embriaga, empobrece, embrutece a alma humana. O vinho de Jesus se manifesta através de sua presença constante em nossas vidas, impregnando nossas almas do aromático buquê da sua alegria.
Ainda segundo o relato bíblico, o noivo estaria em vias de passar por momentos de extrema dificuldade. Em plena festa o vinho acabou. E agora? O que fazer? Supermercados naquele tempo não existiam. Distribuidores de bebidas também não. Muito menos lojas de conveniência. Além do mais, aonde encontrar, àquela altura, vinho em quantidade e qualidade suficiente para servir a tanta gente? A situação era realmente vexaminosa. Tanto naquele tempo, como nos dias atuais, é vergonhosa a situação de alguém que faz uma festa e deixa a bebida se acabar no meio da comemoração. No caso do noivo a situação era bem pior. Afinal, se tratava de um casamento, evento carregado de todo o simbolismo e ritualística da religião judaica. Com certeza o noivo seria encarado pela família da noiva – e pelos convidados – como um relapso, um desastrado, no mínimo um imprevidente.
Certamente haveria conseqüências, escândalo. Para sorte do moço Jesus se fazia presente em sua vida. E seu toque, sua misericórdia, seu inesgotável amor recolocou tudo no lugar. Ao transformar a água – que em nada resolveria a questão naquele momento – em vinho de qualidade, Jesus alterou radicalmente o curso daquelas vidas. Do noivo, da noiva, dos familiares de ambos – e até dos convidados. Transformando maldição em bênção, tristeza em alegria, decepção em realização. Até o mestre-sala ficou satisfeitíssimo. Afinal, sua clientela não teria do que reclamar – muito pelo contrário. Com Jesus é assim. A turbulência pode até vir. E com certeza virá. Mas, através do vinho do seu amor, situações difíceis podem ser modificadas. O que está esperando? Vamos experimentar o vinho de Jesus? Tim, Tim.
postado em 02/01/2012 11:53
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
A narração bíblica nos traz até os dias atuais o relato do nascimento de Jesus – o homem. Segundo o livro de Lucas, capítulo 2, versículos de 1 a 7, a saga do menino teve início em Belém. Um decreto do Imperador César Augusto “convocando a população do império para recensear-se”, foi a exigência que levou José a tomar o rumo de Belém, “cidade de Davi”, por ser ele da casa e da família de Davi. Segundo o versículo 7, “ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”. Segundo relatos históricos, José perambulou por todos os lugares e recantos de Belém à procura de um espaço onde a criança pudesse nascer com um mínimo de conforto e segurança – e não encontrou. É nesse sentido que queremos focar a essência do dramático episódio. Ou seja: não havia, rigorosamente falando, nenhum lugar para Jesus em Belém.
Com certeza os conterrâneos ilustres, as personalidades de ali e de alhures tinham seus lugares garantidos em Belém. É absolutamente certo que o prefeito, os presidentes dos diversos órgãos da cidade, suas autoridades, seus parlamentares, seus sacerdotes, todos, enfim, estivessem muito bem instalados. Nos bairros periféricos, mesmo as pessoas mais humildes, embora disputando espaços exíguos, também tinham a certeza de um sono tranqüilo quando chegasse o advento da noite. Enfim, todos tinham lugar em Belém – menos Jesus. A Bíblia não registra, mas José deve ter entrado em desespero. Qual o chefe de família que quer ver seu primeiro filho nascer num curral, ao relento? José, na verdade, se deparou em Belém com a insensibilidade dos homens, com a dureza de seus corações. Os tais, quando bem instalados, pouco se importam com as adversidades alheias.
Não havia lugar para Jesus em Belém. Atualmente, essa realidade não está muito distante dos fatos ocorridos naquele tempo. Muitas pessoas, embora enfeitando suas casas e suas vidas com penduricalhos comercializados no período natalino, continuam com o mesmo sentimento de avareza, de insensibilidade e de aridez espiritual que se apossou do povo naquele tempo. Outras abarrotam os seus espaços domésticos com tantos símbolos, tantos enfeites e tanto consumismo, que não resta em suas vidas nenhuma condição para a manifestação dos ensinamentos e dos princípios que Jesus, tão sabiamente, propagou ao longo de sua existência. Onde está Jesus em sua vida? Qual a prioridade dedicada a Ele – mesmo nessa época do ano? Tem gente que valoriza muito mais a beleza da árvore de Natal do que o conhecimento das palavras e das promessas contidas nos Evangelhos que Ele nos deixou.
Nenhuma intenção de criticar aqui esforços mercadológicos para ampliar o raio de ação da indústria e do comércio. A questão é que a humanidade está enclausurada numa perigosa operação de religiosidade estéril, sem vínculos com Jesus. E assistindo inerte à troca de um fato verdadeiro, marcante, fascinante, cheio de significado – como o nascimento de Jesus, por uma tradição entranhada de sofismas e sem nenhum lastro espiritual – o Papai Noel. Onde está Jesus em sua vida? Ou por outra, qual a sua reação se José hoje batesse à porta? José bateu à porta em Belém e não lhe deram ouvidos. Você daria? Compartilharia seus espaços com José para Jesus nascer em sua vida? O consumismo não pode ser a razão principal do viver natalino. O importante é Jesus – sempre. Atenção, atenção! Tem gente batendo à porta. Está ouvindo? É José pedindo um espaço para Jesus nascer. Você vai abrir a porta?
postado em 26/12/2011 14:40
Jean Lenzi
Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural
É do conhecimento da grande maioria dos estudiosos que as margens do Rio São Francisco propiciaram a criação do gado que se beneficiava com as suas águas e com a salinidade de suas barrancas. Daí a designação de Rio dos Currais.
Hoje, passados muitos anos e, passadas também as farturas daqueles tempos; assistimos as faltanças não somente das abundâncias materiais como também das espirituais, em que pese a insistência em se bem dizer do fervor do povo barranqueiro. Mas se temos fé e esta gera esperança, isso já se esvai na névoa do tempo como os currais de gado e, ficamos a assistir "bestializados" a edificação de novos currais. Só que dessa feita, currais de gente.
A administração pública de nossa cidade de maneira equivocada e cruel intervém nos sítios históricos de preservação rigorosíssima e, de maneira a transformar os nossos logradouros em verdadeiros currais de gente.
O que se verifica na Avenida Beira Rio, ou Comendador Peixoto é um escárnio à nossa inteligência e um grave desrespeito à nossa cidade, já protegida por Lei Federal como Patrimônio do Brasil. Há pouco tempo a administração municipal foi obrigada a demolir parte das besteiras que havia construído com dinheiro público: quiosques a guisa de mercados de artesanato. Digo parte porque também foram edificadas outras construções para sediar restaurantes que, por sinal, de tão precários, não resistiriam a mais superficial inspeção sanitária se acaso saúde pública houvesse.
Assim como os quiosques do artesanato, esses “restaurantes” foram também denunciados e condenados e devem ser retirados brevemente. O mesmo ocorrendo com os postos de gasolina que ainda teimam em permanecer alheios a todo clamor público, alimentando o tráfego pesado na região e os bolsos de maus penedenses.
Nota-se que a parafernália de “arranjos urbanísticos” tem sempre como objetivo manter intocável os privilégios de uma minoria que insiste em retirar do caos o máximo proveito, e, mesmo quando isso vem em prejuízo da cidade que os viu nascer. É um ciclo vicioso: os postos se escudam na presença dos "restaurantes" e outras besteiras para justificar sua presença. Estes precisam dos motoristas, principalmente dos caminhoneiros que pernoitam na região e com isso, a favelização da orla se acentua, propiciando a prostituição, uso de drogas e toda uma série de desconforto social.
Um visual humano e ambiental dantesco domina a entrada principal da cidade que afasta dessa área seus habitantes, além de, é claro, os turistas que chegam mesmo a terem medo de passar por ali em determinadas horas.
Ainda em sua insana “gerência”, a administração pública substituiu as antigas pedras de calçamento por bloquetes modernos e de precária manutenção, e que nada tem a ver com Penedo, a não ser as conveniências possíveis nos editais licitatórios. E como se não bastassem essas crueldades, enchem esse espaço com estacas a guisa de currais para “orientar” o transeunte e evitar que os habitantes, ainda desatentos, utilizem mal esses espaços. E, alheia a tudo isso por incompetência e aulicismo, a Secretaria Municipal de Turismo e Cultura anuncia nos foros Gestores do Turismo um plano para receber os turistas nacionais e internacionais. Algo incrível de se acreditar.
Já que de nada servem os órgãos fiscalizadores para coibirem esses desmandos; roguemos aos céus que se alevante em defesa da Cidade do Penedo, Patrimônio do Brasil, a indignação dos verdadeiros penedenses e dos demais brasileiros contra esses atos vandálicos de verdadeira depredação da nossa cidade.
Que os homens de bem do nosso país acorram ao nosso clamor de modo a não permitir que a nossa cidade seja destruída por incautos, que, disfarçados de administrares públicos, de maneira irresponsável brincam com nosso patrimônio cinco vezes centenário.
Que se dê um BASTA a essa irresponsabilidade em nome do Patrimônio Brasileiro.
Que o Ministério da Cultura cuja titular Dra. Ana Buarque de Holanda, filha do grande historiador brasileiro, Sergio Buarque de Holanda, lance seu olhar sobre Penedo e exija que os órgãos a ela submetidos, atuem tempestivamente em socorro dessa Cidade cuja população vem ao longo dos anos sofrendo a amargura por todos os desmandos de suas administrações, e que vem assistindo no dizer de Aristides Lobo, “bestializada” a degradação de seu sitio histórico. Evocamos ainda as tradições dos Buarque de Holanda, recordando o querido Chico, para que possamos também “ter as nossas praças e os nossos jardins”. E que neles cantem os nossos pregões, mercadejes, os nossos ambulantes e, a cidade volte a ser um local agradável para se viver.
Maria Núbia de Oliveira
Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras
O salão está pronto. Os convidados começam a chegar e os protagonistas da festa estão nos camarins, vestindo suas fantasias para se apresentarem ao público. Aquele que melhor dançar, será eleito e ganhará o troféu mais cobiçado do mundo: o poder!
Cada um vai planejando arrebentar com o outro para ser o melhor aos olhos da turba, que perdida, já não sabe quem escolher, pois não tem opção.
A dança começa. Os músicos tocam seus instrumentos para o seu escolhido. Aliás cada protagonista tem a sua orquestra, cuja missão é impressionar. Uns vêm com a valsa, retrocedendo no tempo, apelando para os sentimentos saudosos de uma geração, que atônita, já não sabe se a orquestra está ou não afinada. Outros vêm com a Música Popular Brasileira, no intuito de arrancar aplausos e admiração. Há os que chegam com tudo na música eletrônica, derrubando quem está na frente, jogando raios de luzes coloridas sobre os olhos de todos, os quais sob o efeito do laser, não enxergam nada, só ouvem o barulho.
A festa continua. Os que terminam suas apresentações retornam ao camarim, cruzando os dedos, desejando a queda do rival. O que eles não se lembram é que existem sapatos anti derrapantes. Quem planeja dificilmente cai . Final da festa. Hora da decisão. Quem será o escolhido? Quem, dentre os dançarinos, melhor se apresentou? Quem dentre todos não derrapou na pista nem ofuscou os olhos do povo enquanto se apresentava?
Enquanto deslizava pelo salão, pensou no conforto da platéia, na segurança, na brisa leve suavizando o calor? Quem? Quem dentre os dançarinos respeitou os limites da multidão e teve o cuidado de não atropelá-la? Pensou em aplacar a sede, saciar a fome, dignificar as pessoas? Que tipo de dança foi apresentada? Se foi uma dança distante, num palco muito acima da platéia, forçando-a a volver o rosto para alcançar o dançarino, com certeza, esse não será premiado. Se foi uma dança, sem ritmo, monótona, sob o olhar de uma platéia inerte, desestimulada, também não terá prêmio. Também uma dança com o muito barulho e sem metas, nada de vitoria.
E o que dizer daquele que é empurrado para o salão, sem ensaio, sem amor à arte, entrando de "gaiato", pra ver se dar certo? Sei não. Pode até dar certo. O problema é que quando aprende a dançar, perde a inocência da ignorância e se torna pior do que os profissionais. Não daria troféu para ele.
Não é possível que dentre tantos não exista um que absorva os requisitos necessários para executar a mais linda das danças. Aquela que está em sintonia com todas as orquestras, seja qual for o conjunto dos instrumentos. O bom dançarino deve permanecer no centro para melhor visualizar a multidão. Deve interagir com todos, direcionar o olhar para cada rosto que o olha e espera um aceno, uma resposta, um toque musical em forma de esperança! E quando a música parar que ele tenha expressado todo o seu sentimento de ter encantado e realizado a promessa feita antes da subida ao pódio. Se não o fez, que sai cabisbaixo, sem aplausos e sem retorno.
Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Estou em Viçosa sozinho, vendo salas sem voz e cadeiras e sofás vazios do Casarão de meus saudosos pais. Mais uma vez, acompanhado das minhas sagradas e inesquecíveis lembranças e da cruel solidão.
Hoje, 17 de novembro, o dia amanheceu nublado e apenas uma levíssima garoa molhava suavemente os telhados, as calçadas e as ruas tirando um pouco a poeira. Apesar de lá fora chover brandamente, as nuvens estavam baixas e carregadas. Lá para as matas do saudoso Dr. Humberto, chegavam a topar na copa das árvores: sintoma de que vem por aí um pé d’água forte e duradouro.
Não sei por que me lembrei de uma das histórias que minha santa mãe, Irene Vilela de Vasconcelos e, também, minha Tia, Irmã Francisca Brandão Vilela, no tempo que bebida não me embriagava, sentavam perto de mim para contar.
Contavam que quando meu bisavô, o Coronel José Aprígio dos Passos Vilela e sua esposa moravam na Boa Sorte, todos os seus filhos e filhas com suas respectivas famílias foram educados para aos domingos chegarem cedo em sua casa, permanecerem fazendo-lhe companhia e ficarem para almoçar.
Nestas reuniões semanais além de outros assuntos, sempre noticiavam os problemas ocorridos na fazenda e no engenho durante a semana. Quando algum dos filhos reclamava do trabalho, minha bisavó, Maria Brandão Vilela, que até então se mantivera calada fazendo tricô parava e, enérgica e educadamente dizia ao reclamante que ele se contivesse, pois aperreio teve seu velho pai – e nunca o viu reclamar - para conseguir, através de muito sacrifício, trabalho duro e honesto o que ele, reclamante, havia recebido de mãos dadas.
Para quem enxerga é muito mais do que uma simples história, senão vejamos: o “serem educados” significa aderir ao Cristianismo; as “reuniões” lembram as do Mestre com seus apóstolos; o “almoço”, a Última Ceia; o “domingo”, o dia da Ressurreição do Senhor; o “filho reclamante”, os que achavam difícil seguir o Galileu; o “silêncio de meu bisavô”, o sofrimento mudo de Jesus durante sua Paixão e, finalmente, a “intervenção de minha bisavó”, o siga o exemplo dele, ou seja, “toma tua cruz e carrega-a calado”.
Em primeiro lugar está a solidariedade à consangüinidade; em segundo, o cumprimento dos ensinamentos recebidos e em terceiro, o respeito a mais cristalina ancestralidade.
Portanto, não mais me amedronta ou incomoda a solidão do presente. Preocupa-me a certeza das lágrimas derramadas devido à desmedida tristeza e amargura de meus antepassados que há muito se foram.
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Os tempos antigos nos encantam com a história de um homem que deu uma demonstração impressionante de lucidez num momento tempestuoso da vida de um povo. Os tempos eram de escuridão. Principalmente na mente dos homens, das elites, dos cabeças pensantes. Escuridão de idéias, escuridão nos costumes, nas práticas políticas, econômicas, sociais e familiares. A bagunça imperava nesse período. Apesar disso, as elites não relaxavam no que elas sabem fazer muito bem: levar vantagem. Os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, enquanto honestidade e outros nobres atributos eram mercadoria rara. O chique nessa época era ser sabido, perspicaz. (Por acaso, alguma semelhança em tal cenário com os dias de hoje?) Homem de princípios, e sabedor de que não se pode oprimir os menos favorecidos eternamente, ele pensava. Onde estava a solução? Como contribuir para mudar as coisas?
O terremoto social se aproximava das elites, porém elas não estavam nem aí. Como alertar aquelas lideranças desmioladas de que não se brinca com a dor coletiva de um povo? A quem recorrer? Com quem interagir na busca de um projeto que contemplasse a todos com o fruto das riquezas do trabalho coletivo? Recolhido ao seu espaço doméstico, indagava, preocupado, até onde aquela situação subsistiria. Em qual momento sobreviria o caos, o choque ensandecido das massas sofredoras com as elites alheias aos problemas que estavam criando. De quem estamos falando? Diógenes era seu nome. Rabugento, circunspecto, grego de Atenas, discípulo de Antístenes - o fundador da Escola dos Cínicos – viveu em 437 a 375 a.C. Era amante da natureza e um desprendido em termos materiais. Desprezava as riquezas e as convenções sociais. Sua visão de vida era libertar-se dos desejos e reduzir as necessidades ao mínimo.
Tudo leva a crer, pelo seu pensar, pela engenharia interior que formava seu caráter, pela sua constituição intelectual, que era um homem profundamente preocupado com os anseios dos menos favorecidos. Um escultor, enfim, da virtude, da decência, da moralidade. Certo dia, diante de um turbilhão de sentimentos, e num ápice de intensa reflexão, saiu pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, com uma lanterna na mão. Acesa! Ação fulminante. As raposas, as dondocas, os dândis, os sanguessugas ficaram estupefatos. Um homem sábio, íntegro, com uma lanterna acesa na mão – em plena luz do dia! Estaria louco? A resposta, de uma lógica chocante, veio depois de muita indagação, depois de ter espicaçado a curiosidade, principalmente, dos poderosos: “Estou à procura de um homem honesto”. Recado transmitido, missão cumprida, recolheu-se satisfeito. Estou me utilizando da história de Diógenes para me reportar ao que se passa em nosso país.
Os costumes, os hábitos, as práticas de nossas lideranças precisam de um choque de moralidade. Precisamos urgentemente de uma nova lanterna, de um novo Diógenes que invada as mentes dos homens levando a luz da racionalidade, das decisões em benefício do povo. A lanterna de Diógenes precisa iluminar os espaços legislativos, governamentais, jurídicos, para clamar em favor dos pobres. A estrutura interior das nossas lideranças precisa passar por uma reciclagem, por uma nova onda de lucidez. Porque, atualmente, o que vemos? Falta de pudor público, exame superficial das questões sociais, desvios de verbas públicas, cinismo coletivo, crimes de toda ordem. Meu Deus, onde vamos parar? Estamos todos perplexos com o cenário atual, no qual a grande maioria dos agentes públicos está crucificando as instituições – simplesmente para levar vantagem. Onde estará Diógenes? Onde guardou sua lanterna? Dióóóógeeeneeesss!
postado em 07/12/2011 15:33
Valfredo Messias dos Santos
Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras
Em razão da proximidade do natal gostaria de discorrer sobre um tema de natureza transcendental que possa servir para uma reflexão mais real a respeito da salvação espiritual, aspiração de todos que acreditam que, ao morrer ou desencarnar, serão julgados pelos seus atos. Esse julgamento tem sido uma preocupação constante por parte de todos os que seguem uma religião ligada ao cristianismo, ou, mesmo sem ter uma religião definida, veja em Jesus o único caminho, o exemplo a ser seguido para que se chegue diante desse Tribunal Supremo, apto a merecer um bom veredito.
Quando digo que a salvação é individual é porque são as ações, os atos, as atitudes, o comportamento social ou político de cada um, que vai lhe garantir ocupar um espaço mais ou menos privilegiado no plano espiritual. Por mais perfeito que alguém possa se julgar, por mais santo que seja considerado, esses requisitos só servirão a ele próprio, não favorecendo a seus próximos como pai, mãe, esposa, esposo, filhos nem aos demais que enxerguem tais virtudes.
Cada pessoa, cada cristão deve se esforçar para, inicialmente, se auto-melhorar, extirpando de dentro de si o orgulho, a insensatez, a arrogância, o ódio, o ressentimento e especializar-se a amar, pois é na demonstração do amor ao próximo que demonstramos o nosso amor por Jesus e a Deus. Eis aí o grande desafio. Esse amor é muito pouco exercitado até mesmo por àqueles que dizem ter uma vida religiosa por vocação ou por tradição. O apóstolo João é enfático ao dizer: “Quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.”. O próprio Jesus afirmara que todos os mandamentos se restringiam a apenas dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. (grifo nosso).
Faz-se necessário que cada um que almeje essa salvação tão cobiçada, primeiro se volte para dentro de si mesmo, eliminando os entraves humanos, as traves nos olhos a que Jesus tanto se reportava, se eximindo de julgar os outros porque com a mesma medida que se julgar também será julgado. A regra aparentemente é simples: cuide de sua própria vida e deixa a vida dos outros. Melhore-se para você mesmo para que o outro que vê a sua mudança possa seguir o seu exemplo. É o mesmo Jesus que diz que devemos ser luz. Essa mudança só é real se for percebida pelos outros. Muitas pessoas dizem que mudaram que estão diferentes, que seguem uma nova vida, mas, os que estão ao seu redor não experimentam tais mudanças. Algo está errado. Essa mudança vista por nós mesmo em nossas vidas é falsa, fingida sem nenhum reflexo no espelho da vida. A mudança verdadeira experimentada por cada um é aquela capaz de promover mudança nos outros, é aquela que sirva de exemplo a ser seguido.
Apesar de se estar revestido dessa mudança, de tê-la como uma couraça contra a ingerência dos atos maléficos, denominados de pecado, se a pessoa não amar o seu próximo, todo “esforço” estará perdido. É o amor o dom supremo que está, inclusive, acima da própria fé até daquela capaz de remover montanha. O próximo, a que se refere Jesus é o instrumento para se atingir a perfeição. É nele que se deve exercer o amor a Jesus e a Deus. Não é apenas frequentar igrejas, fazer longas orações, vigílias, participar de eventos religiosos. Tudo isso sim é importante desde que o foco seja a manifestação de amor ao próximo e não às instituições de que se faça parte.
É comum, até mesmo corriqueiro, se ouvir, presenciar ou assistir discussões acaloradas sobre doutrinas religiosas, cada um defendendo suas convicções, demonstrando conhecimento teológico e filosófico, sem perceberem que, ao invés de produzir frutos benéficos, produzem os frutos da discórdia, do desentendimento, da ignorância e da falta de sabedoria. Em vez de se discutir doutrinas seria mais lucrativo se estar atento aos ensinamentos de Jesus, estes sim, devem ser difundidos no lar, no local de trabalho, na convivência social, pois é útil, concorre para aproximar as pessoas e para formar uma convicção de que é a paz e o amor, o objetivo maior do cristianismo. É, exatamente, sobre tais discussões que o apóstolo Paulo se reporta na sua epístola a Tito: “Evita discussões insensatas, genealogias, e contendas, e debates sobre a lei; porque não tem utilidade e são fúteis”.
As palavras de Jesus não são apenas para serem ouvidas, mas, principalmente, para serem refletidas e vividas como ensinamentos éticos e morais necessários e insubstituíveis para que se possa levar uma vida correta, honesta e participativa. Cada um deve ser um apóstolo de Jesus, um divulgador dessas palavras que tem transformado homens e mulheres pela sua força e poder.
Amar ao próximo no exato sentido das palavras de Jesus não é fácil, mas não é impossível. Muitos já conseguiram. O que Ele espera de cada um de nós não é, por enquanto, a perfeição, que exige uma condição espiritual superior à humana, mas que comecemos, imediatamente, a lutar conosco mesmo, sem tréguas, de forma contínua, diária para matar os dragões que nos devora por dentro e nos impede de sermos felizes. Essas mudanças só acontecerão se assumirmos, de forma verdadeira o compromisso de fidelidade aos ensinamentos de Jesus. Não devemos esperar, de forma insensata, que a mudança em nossas vidas se dê apenas nas promessas, nos desejos manifestados por ocasião da virada do ano novo e para o ano vindouro porque, de súbito, poderemos deixar este plano de existência sem experimentarmos as mudanças a nós mesmos prometidas.
Que todos entendamos que é necessário seguirmos a verdade de Jesus e reflitamos nas palavras de Paulo aos Efésios 4,22-24, assim expressadas: “no sentido de que quanto ao trato passado vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscência do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.
Despojar-se do homem (e da mulher) velhos é deixar para traz a vida de sofrimentos, de martírios internos, provocados por nós mesmos, e voltando-se para um novo horizonte, vislumbrar a Grande Luz: Jesus, e continuar o percurso da estrada da vida mais confiante, mais amigo, mais humilde, vendo no próximo o único meio visível para que se manifeste o nosso amor por Jesus, e aí sim, seja operada a grande transformação do velho para o novo, sem a qual o sonho da salvação jamais será alcançado.
postado em 04/12/2011 17:57
Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Não é de hoje que leigos e especialistas falam sobre os males causados pela doce, mas econômica e socialmente amarga cana-de-açúcar.
Amarga porque é muito difícil olhar para um canavial sem visualizar o engenho, a brutal figura de seu senhor, a infame senzala, o dantesco tratamento oferecido aos escravos, a constatação da absoluta predominância da matéria-prima de onde se extrai o ouro-branco, o controle da economia do nosso Estado por mais ou menos vinte e três famílias e a criação da realeza do açúcar.
Muito tempo nos separa dos idos coloniais. De lá para cá os canaviais se tornaram mais numerosos e os engenhos sumiram porque substituídos pelas usinas.
Ontem era o Senhor de Engenho em seu cavalo, o feitor e o negro na palha da cana. Hoje é o usineiro em seu jatinho olhando seus canaviais, os administradores e, na palha da cana, não há distinção de cor. Ontem, os Senhores de Engenho marcavam seus escravos com atrozes castigos. Hoje, os usineiros deixam cicatrizes nos trabalhadores pagando por sua estafante atividade um ridículo salário.
O que, então, ganharam os moradores das regiões onde as usinas se instalaram?
Enquanto a realeza do açúcar bebe whisky selo viking e degusta vinho safra “Rei Sol” em hotéis mil e uma estrelas, eles ganharam um trabalho parecido com o da escravidão, o direito de viver numa pobreza que beira a miséria e de não ter um palmo sequer de terra para sepultar seus anônimos, mas sagrados ossos.
Além do mais, quem passar pelas regiões canavieiras verá um oceano de seres humanos destituídos de toda e qualquer esperança, com uma foice na mão, não para lutar contra aqueles que os mantêm em tão lastimável situação (que seria o certo), mas para, cansados e esfomeados, enfrentar a palha da cana ou como animal que espera a hora de ser levado para o matadouro na beira do asfalto, aguardar o transporte que o levará para seu casebre situado no mutirão (melhor seria chamá-lo de senzala) onde, em vez de descanso, encontrará mais dor, sofrimento e desespero por saber que não passa de um lúgrebe fantasma que vaga sem rumo na escuridão da noite, pois para ele não há luz no fim do túnel.
Foi Octávio Brandão em sua poesia “Ao Trabalhador de Enxada”, publicada em 1919, quem denunciou o abandono e pregou a liberdade (revolta armada?) para os que possuem tão triste sina, lamentável fadário e doloroso estigma.
Octávio Brandão! Ó, Filho Exilado! Ó, Ancestral de meus Ancestrais! Ó, Ermitão da Saudade! Se “neste País existe uma Pátria”, onde está a Pátria?
postado em 30/11/2011 12:35
João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
Desprezando-se as raras exceções de candidatos com excepcionais qualidades de liderança e credibilidade, dificilmente uma campanha eleitoral de véspera resultará positiva. A regra geral, aplicada especialmente às cidades de pequeno e médio porte, é que o candidato, não podendo atuar em tempo integral como político de fato, que seria o ideal, que dê partida, no mínimo, com dois anos de antecedência. Nessas cidades, Penedo incluída, a visibilidade e o contato direto com o eleitor é imprescindível. Essa iniciativa, portanto, não pode se dar num tempo curto para não despertar no eleitor, calejado na cisma das boas intenções dos candidatos, um sinal de evidente oportunismo. Nada peca mortalmente contra o político do que a sua posição oculta.
Quase todos os políticos sabem da importância dessa estratégia, mas não a põem em prática sob a alegação do desgaste físico, psicológico e financeiro. Infelizmente, são os ossos do ofício. No que tange aos gastos financeiros, oriundos em grande parte da exploração do eleitor viciado, hão de convir que a culpa desse mal é exclusiva dos maus políticos que criaram o círculo vicioso entre a compra e a venda do voto. Se fossem e soubessem ser autênticos políticos através do poder do convencimento das boas intenções e expondo projetos de governo, estariam livres de ingerir o próprio veneno. E enquanto perdurar a prática eleitoral do político corrupto e do eleitor venal, nosso quadro político, feio e sem moldura, carcomido pelo vício, continuará senda da pior qualidade. Como a prática de um ato tende a sedimentá-lo, impedindo, no caso em apreço, a germinação das boas instituições, quando teremos eleições limpas e respeitáveis? Nunca.
Numa pesquisa eleitoral, feitas há muitas semanas atrás, na qual foi exibida uma relação de prováveis candidatos a prefeito de Penedo, foram realizadas algumas simulações entre os mesmos, mostrando, na atualidade, as preferências do eleitor. Na sua composição foram enumerados os senhores Márcio Beltrão, Israel Saldanha, Raimundo, Ronaldo, Tico e Ivana.
O que chama a atenção, faltando pouco menos de um ano da eleição, somente aparece como candidato declarado o Március Beltrão e um talvez do atual prefeito. Os demais continuam silenciosos, em cima do muro. Ora, se o melhor colocado nas simulações, o Március, há muito tempo está em campanha, o que falta aos demais candidatos, na hipótese de saírem candidatos, para botarem o bloco nas ruas? Não estou a referir-me, é evidente, a uma campanha ostensiva, mas pelo menos de contato e conversa de pé de ouvido. Estão zerados e nós nos perguntamos se mais uma vez teremos uma eleição de cara ou coroa, pobre de opções.
Em outra hipótese, será que devemos presumir que dentre os prováveis candidatos existe pelo menos um autêntico orador de massa, capaz de levá-la à loucura, manobrá-la a seu bel prazer através de uma espécie de hipnose coletiva, como fez Hitler na Alemanha? Tudo é possível.
Entretanto, afastada essa fantasia, temos de admitir que Penedo, semelhante à história dos grandes impérios, teve o seu crescimento, atingiu o apogeu e em seguida ao declínio, vivendo acomodada na memória do passado ou, como diria Camões, dos feitos assinalados. Nessa queda se faz notar claramente o eclipse de novas lideranças políticas. Afinal de contas, o que está acontecendo, há mais de trinta anos, com as gestações da nossa velha e querida Penedo? Devemos acreditar na sua definitiva extinção? Seria um tremendo castigo!
Para o nosso alento, resta-nos tão-só a lembrança dos últimos moicanos, os doutores Hélio Lopes, Alcides Andrade, Raimundo Marinho e o Senhor Dema Pereira. Será que está a sofrer uma provação? É o que nos parece. Até quando suportará essa condenação que a obriga a continuar gerar filhos politicamente estéreis?
postado em 27/11/2011 19:55
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Ao que parece, a Ética bateu asas do Brasil e deixou no seu lugar um vácuo que vem nos causando enormes prejuízos. Alguns mais pessimistas chegam até a afirmar que por aqui ela nunca fincou raízes. O certo é que, tanto da população em geral como das lideranças em particular, em qualquer nível que se observe, aqui, o desconhecimento do conceito de Ética chega às raias do absurdo. Um deputado carrega namorada, sogra, cachorro e papagaio pelo mundo todo, com passagens pagas pela Câmara dos Deputados, e fica por isso mesmo; outro esconde da Receita Federal um patrimônio avaliado em cerca de R$ 25 milhões e nada acontece; outro contrata empregados domésticos para sua casa e os lota em seu gabinete de deputado e a vida segue no mesmo diapasão; outros vendem suas passagens a membros do Judiciário e embolsam o dinheiro a título de complementação de salário e...
Todos sem exceção, ao apresentarem defesa ou emitirem nota à opinião pública, se dizem inocentes, uma vez que nos seus gestos nada haveria de ilegal. São atos que podem até não ser ilegais, mas, no mínimo, não têm lastro ético. Aí está, então, a grande questão, a grande fronteira a ser desvendada, descoberta, analisada: a da Ética. Pode um representante do povo, pode um funcionário público, pode um empresário de porte pisar na Ética e ficar tudo por isso mesmo? Ora, se todos fazem assim, então o buraco é mais embaixo! Há um ditado popular que diz que “ninguém dá o que não tem”. Donde se conclui que a tais pessoas não se pode exigir atitudes éticas se elas não sabem que bicho é esse. Isso as inocenta? De modo algum! A constatação serve para que se olhe para todos os patamares da escala social e se conclua com todas as letras: o brasileiro não foi – nem está sendo – ensinado a respeito de Ética!
Afinal, com raríssimas exceções, qual o curso, qual a escola, qual a rede de ensino – em qualquer nível que seja – qual, enfim, o ente público ou privado que tem entre suas preocupações o ensino da Ética? Daí como se exigir que o brasileiro responda com Ética a assuntos de natureza Ética se essa matéria não tem espaço na sua mente? Então, por isso cessa a responsabilidade de todos? De jeito nenhum! O que se constata é que o assunto é gravíssimo e merece uma forte reflexão das autoridades e lideranças que se envolvem diretamente com a questão. O que se vê, também, é que o Brasil – e outras nações de regime democrático – vêm sendo bombardeadas já há algum tempo por uma gigantesca onda de relativização de valores. “Valores? Para que tê-los? Não me enchem a pança.” É o que comumente se ouve por aí, num tipo de afirmação que beira a incivilidade e ao mais extremado cinismo.
Por sua vez, na inexistência de uma cultura que privilegie os valores, o vácuo é criado – e nele viceja a “lei da vantagem”, do querer ganhar. Sempre. Pois, afinal, o que impede um homem de roubar, de matar, de fazer apodrecer normas, regras e princípios? A Ética, em primeiro lugar. A consciência de que limites existem e precisam ser preservados para a construção do bem comum. Na Bíblia, um livro de ensino da Ética por excelência, está escrito: “Tudo me é lícito; mas nem tudo me convém”, numa permanente evocação à prática da Ética em função da existência do direito dos demais. E mais: a Ética precede à Lei – daí a enorme importância do seu ensino. É como diz aquele velho ditado: “É melhor prevenir do que remediar”. Este é o valor que o “homo sapiens” aprendeu para se tornar um ser civilizado. O mais é barbárie, pilhagem, estupro das normas da boa e saudável convivência humana.
Dimas Patriota
Professor formado em Letras, Pós-graduado em Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa
Trocadilhos à parte, de todas as benesses que obtive com a prática dessa fantástica arte marcial, seu lema foi, entre todas, a que mais me beneficiou. E olha que o karetê me proporcionou inúmeras riquezas, tanto físicas, tais como: melhor saúde, flexibilidade, alongamento, destreza, velocidade, defesa pessoal, etc., quanto de ordem mental, como: capacidade de decisão, discernimento, concentração, etc. Contudo, foi no seu lema que encontrei uma síntese da filosofia de vida que todo ser humano que se preza, precisa seguir para ter a certeza de que terá uma vida longa e saudável.
De minha parte, afirmo que esse lema deveria ser inserido com urgência na escola básica (níveis fundamental e médio) brasileira. Tenho certeza que sua simples prática seria suficiente para salvar a vida de inúmeras gerações de jovens que perdem a vida a troco de nada, simplesmente pela falta de uma política educacional pautada na disciplina, respeito e patriotismo. O lema do Karatê foi criado e desenvolvido no Japão. Podemos assim entender o motivo pelo qual, em menos de 50 anos, o mundo presenciou esse país se transformar na segunda nação mais poderosa do planeta, em tecnologia, mesmo tendo sido arrasado pela guerra.
O lema do Karatê está subdividido em cinco tópicos, vejamos:
1º – Esforçar-se para a formação do caráter;
Numa época em que as virtudes estão sendo substituídas pela banalização da vida, imaginemos uma geração que vivesse sob a tez desse que é um verdadeiro mandamento comportamental. Uma sociedade formada por cidadãos e cidadãs de caráter e de boa índole, por isso mesmo, confiáveis. Nada atesta mais a favor de uma pessoa de que seu caráter, mesmo numa época tão conturbada no que diz respeito à bagunça moral que nos acomete.
Estamos vivenciando a era das mentiras midiáticas onde, à frente das câmeras, diante dos microfones ou ante aos atuais blogs, todos se dizem pessoas de caráter, porém, seus atos os desmentem e os denunciam. Esforçar-se para a formação do caráter é a condição primeira para o comportamento daqueles que são, verdadeiramente, cidadãos/cidadãs.
2º – Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão;
Essa parte do lema seria suficiente para livrar da morte milhares de pessoas que, simplesmente, agem pela força da emoção, movidos pela raiva ou pelo medo. Agir de forma racional, é pensar nas consequências que seus atos produzirão; é se perguntar se aquilo vai valer à pena ou não; é pensar duas vezes antes de agir. Esse simples comportamento pode salvar-lhe a vida ou evitar que você tire a vida de alguém. Ser fiel ao verdadeiro caminho da razão é conter-se diante da violência; é pensar antes para agir depois; é agir depois de um prévio estudo das consequências. Quase cem por cento das ações que nos levam a problemas sérios, jamais seriam repetidas depois de um curto momento de reflexão. Será que valeu a pena? Eu o faria novamente? Depois da impensada atitude, se nenhuma vida foi subtraída, certamente, inimizades foram plantadas para o resto da existência, simplesmente por não agir pela razão e sim pelo orgulho/raiva/medo, etc.
3º – Criar o intuito de esforço;
É aqui que conhecemos as pessoas de “ação”. Pessoas que tomam a iniciativa diante das necessidades da vida, na família, na comunidade, no trabalho, etc. São seres humanos que não medem esforços para ajudar. Muitas vezes está chovendo ou está quente demais, mas, eles se levantam da cadeira e, simplesmente, agem. A despeito da situação, tomam à frente e fazem a diferença. E, por incrível que pareça, as pessoas não nascem assim. Criar o intuito de esforço é algo que se desenvolve com o tempo. É por isso que sua prática precisa ser ensinada e estimulada.
4º – Respeitar acima de tudo;
Um ser humano que pratica essa parte do lema já traz em si, a própria personificação do respeito. Já inicia respeitando a si mesmo. Quem tem respeito próprio, respeita sua família, seu vizinho, respeita as leis e, obviamente, vive adequadamente, como uma sociedade, verdadeiramente, merece:
Uma pessoa que age dessa forma, usando o respeito acima de tudo, é o/a filho(a) que toda família gostaria de ter; é o/a funcionário(a) que toda empresa gostaria de contratar; é o/a político(a) que toda sociedade gostaria de eleger. Ainda é possível promover o desenvolvimento de cidadãos de verdade, ensinando e estimulando a prática do respeito acima de tudo e da manutenção das virtudes nas escolas.
5º – Conter o espírito de agressão.
A agressão social reina em pleno século XXI. Um século novo com hábitos antigos. É uma das poucas “coisas” do comportamento irracional que ainda está bem presente na vida também, dos seres racionais, que tanto se orgulham de serem inteligentes, pensantes, filhos(as) de Deus. No entanto, não largam mão de atitudes que deixam claro que não vão se livrar tão cedo do “animalzinho” que mora dentro de cada um.
Conter o espírito de agressão é domar esse animalzinho (em alguns, verdadeiras feras) que está latente em seu interior. O silencioso ímpeto é astucioso e o impele a agir agressivamente de várias formas que vão desde a agressão verbal até a agressão física propriamente dita.
São essas as cinco regras comportamentais que formam o lema do karatê. Algo que foi criado do outro lado do planeta e que está mudando, para melhor, também nesse lado do globo, a vida de milhares de atletas brasileiros. Quem dera que essa iniciativa fosse estendida a todos os jovens deste país!
postado em 20/11/2011 00:29
João Pereira Junior
Advogado, Professor de Direito e Membro da Academia Penedense de Letras
Ultimamente a Igreja Católica (IC) tem ocupado os holofotes da grande mídia de um modo bastante curioso, pois ou é noticiada levando-se em conta a figura do Papa em suas visitas internacionais (e aí se dá uma conotação positiva à imagem do catolicismo), ou é noticiado algum escândalo envolvendo clérigos (dando-se aí uma conotação negativa, obviamente). Não obstante essa constatação, nenhum desses fatos me chama mais a atenção do que a obsessão de vários seguimentos da sociedade exigindo que a IC se “atualize”, como se tal instituição fosse um equipamento eletrônico ou um clube recreativo suscetível de modismos ou modificações. Como veremos, isso não passa de mera ignorância cujas conseqüências são os mais variados disparates, tais como as idéias pré-concebidas (preconceito) em torno do cristianismo e os aconselhamentos vazios e desfocados de qualquer idéia cristocêntrica.
Não é meu objetivo abordar questões da tradição católica que, a meu ver, podem ser questionadas, ou da omissão do Vaticano no que se refere aos escândalos protagonizados por clérigos em várias partes do mundo, mas, esclarecer que o padrão moral verotestamentário e neotestamentário não pode ser objeto de discussão não só para o catolicismo, mas para qualquer denominação cristã, de modo que questões envolvendo aborto, casamento homossexual e a banalização do divórcio, por exemplo, jamais serão admitidos, a não ser que se rasgue a Bíblia, sendo esta a mesma postura das demais denominações cristãs.
A partir de agora, peço permissão ao leitor para tecer minhas argumentações levando-se em consideração premissas da fé cristã numa visão interdenominacional. Não importa se você é ateu ou panteísta, enfim, peço, apenas, que continue a leitura e observe se, no campo das argumentações – inseridas numa lógica teísta/cristã -, esta crônica faz algum sentido.
Sou evangélico e não é o meu objetivo fazer uma apologia do catolicismo (doutrina com a qual tenho pontos de divergências e de convergências, obviamente), mas, sim, fazer uma defesa da intransigência do Vaticano em relação à preservação da pregação do padrão moral que deflue do Novo Testamento, o qual, biblicamente falando, é o compêndio doutrinário do cristão.
De um modo geral a sociedade civil, mormente jornalistas, políticos e lideranças, emitem suas opiniões no sentido de que Roma precisa mudar e acompanhar a “evolução” dos tempos, vez que a Igreja Católica (IC) estaria “congelada” e desinteressante para o rebanho, pregando os mesmos valores desde os últimos 2000 anos, motivo que justificaria a perda de tantos adeptos mundo afora, cerca de 120.000 pessoas anualmente (conforme várias fontes disponíveis na web). Ou seja, a sociedade ao que parece alienada no que concerne aos ditames bíblicos, quer lidar com a IC como quem lida com uma empresa ou um clube social, cujos sócios, descontentes com a administração atual, exigem mudanças na política administrativa, achando que os princípios bíblicos se comportam como as regras jurídicas que se adaptam aos novos valores da sociedade sob pena de não pacificar os ânimos que se inflamam quando da contraposição de interesses individuais.
Se a IC está perdendo adeptos isso, definitivamente, não tem vazão na advertência acerca do pecado que sempre foi pregada. Caso o afrouxamento do padrão moral cristão fosse motivo de sucesso para se ter igrejas lotadas, as igrejas cristãs reformadas estariam quase que extintas, haja vista a ortodoxia das chamadas denominações históricas em relação à preservação do cristianismo apostólico.
Ora, acredita a IC que seus dogmas e tradições têm inspiração divina e que os ensinamentos contidos na Bíblia também foram inspirados por Deus, de sorte que, se assim crê, é evidente que a sua doutrina não pode estar em negociação. Não é a IC quem é intransigente, é a Bíblia quem não transige e nem poderia, sob pena de ser uma mensagem relativa e não propagar uma verdade absoluta, tanto assim que está escrito no livro de Mateus 24: 25, que “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”, deixando claro que a Palavra de Deus não vai se adequar aos caprichos ou modismos do homem. A Bíblia afirma, em 1 Cor. 6. 9-10: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?
Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” Tal afirmativa não se constitui em algo relativo no tempo e no espaço. É algo que vale para sempre! Definitivamente, não há o que se negociar ou atualizar.
A visão religiosa não pretende ser uma fantasia, mas uma convicção acerca da realidade. A cosmovisão de determinada doutrina é uma visão acerca da existência, de como as coisas funcionam e de quem as rege. A religião não está na seara do “gosto” onde qualquer opção é válida enquanto afirmação. O gosto é relativo, mas a realidade (quanto a sua origem e às leis que a governa) não. Isso porque não pode haver duas realidades conflitantes sob pena de se infringir um princípio da lógica chamado princípio da não contradição (PNC). Se alguém diz que existe reencarnação e que não há inferno e outra diz que não há reencarnação e que há inferno, as duas sentenças não podem ser igualmente verdadeiras, de modo que uma delas, apenas, estará correta. Se alguém diz que Deus existe e outro diz que não existe, apenas um estará com a razão, é óbvio, já que Deus não pode existir e ao mesmo tempo não existir. Nesse sentido, Cristo, Kardec, Buda, Joseph Smith e Nietzche, por exemplo, não podem está todos corretos, pois uma pretensão diferente disso feriria o princípio lógico acima nominado.
A Bíblia, portanto, é a fonte de informação acerca da realidade para a IC e para todo o cristianismo, de sorte que se a sua doutrina mudasse ao sabor da metamorfose imposta pela tão propalada modernidade, a sua visão de realidade não seria confiável, pois que inconclusiva. Aliás, a assertiva de que toda verdade é relativa encerra em si uma grande contradição já que pretende expressar uma verdade absoluta ao asseverar, categoricamente, a relatividade de toda verdade, e isso também fere o princípio da não contradição.
Verdade seja dita, o relativismo gerou a seguinte situação: a maioria das pessoas que têm alguma crença quer uma doutrina que sirva aos seus próprios interesses, em outras palavras, a moda é criar uma religião pessoal. Ou seja, debruça-se sobre um self-service doutrinário servindo-se de tudo que lhe agrada, ainda que sejam itens contraditórios, chegando mesmo a um sincretismo religioso ao unir ingredientes de vários credos. Nesse sentido, aquilo que entra em rota de colisão com seus vícios carnais vai sendo excluído do prato ou nem sequer para o prato vai. O que Cristo disse somente tem validade até onde a pessoa concorda; e quando não concorda, as reações são verbalizadas, geralmente, por meio das seguintes advertências: - me desculpe mas Jesus não disse isso - ou: - isso é fanatismo, - ou ainda: - a Bíblia está errada, afinal, foi escrita por homens! Pra mim ela é só um livro de histórias!
Pois é, prezado leitor: um mundo caótico - repositório de tantos vícios, maldades de toda espécie, mentiras, vinganças, em que a maioria da população vive olhando para o seu próprio umbigo sem qualquer compromisso com o Evangelho e de evangelizar aqueles que ainda não conhecem a Deus - arvora-se na condição de julgar o padrão moral do Criador, cujas palavras só trazem mudanças positivas a todos aqueles que, verdadeiramente, as seguem.
Realmente, era só o que faltava.
É por isso que a voz do povo não pode ser a voz de Deus, afinal, não é demais lembrar que o mesmo povo que saudou Jesus como Rei, volitado ramos de oliveira com as mãos, também gritou: - Solte Barrabás e crucifiquem a Jesus! Aliás, em se tratando de povo, já dizia o poeta Augusto dos Anjos: “ (...) a mão que afaga é a mesma que apedreja (...)”.
Alexandra Pacheco
Fisioterapeuta com especialização em Fisiologia do Exercício
Tem sido cada vez mais frequente encontrarmos reportagens na mídia a respeito dos benefícios do exercício físico para a saúde. A popularização desse tema deve-se ao expressivo crescimento do número de pesquisas nessa área nos últimos anos.
À medida que as pesquisas avançam, mais benefícios são descobertos, melhores formas de aplicação são discutidas e tudo isso contribui para o enriquecimento da literatura científica e para a qualidade de vida das pessoas.
Hoje já se sabe que o exercício é um forte aliado no tratamento de várias patologias crônicas que afetam grande parte da população, como a artrose, a hipertensão, o diabetes...
Mas afinal o que o exercício tem de tão bom para nos oferecer?
Pois bem, primeiro é importante entendermos a diferença entre os termos “Atividade física” e “Exercício Físico”. A atividade física é qualquer movimento que realizamos com o nosso corpo em nossa rotina, que resulta em gasto energético, como lavar os pratos, varrer a casa, subir ou descer escadas. O exercício físico é um tipo de atividade física planejada, organizada, onde se tem um objetivo a alcançar e é orientada por profissionais capacitados que seguem critérios cientificamente respaldados, como os exercícios que estamos habituados a ver nas academias.
Quando nos exercitamos da maneira correta, todo o nosso organismo recebe as influências positivas desse ato, seja em curto ou em longo prazo. O corpo vai se modificando através de adaptações cardiovasculares, como o controle da pressão arterial; do fortalecimento do sistema de defesa; da potencialização da ventilação pulmonar; do aumento na utilização da gordura como “combustível”, contribuindo para a perda de peso de forma saudável; da regulação hormonal; do controle da glicemia; do incremento de força e potência musculares; da inibição de desordens de caráter psicológico como a depressão e a ansiedade, dentre outros tantos efeitos. Logo, nos proporcionamos mais momentos de bem-estar, nossa saúde vai melhorando, ganhamos vitalidade, serenidade, e isso é possível para todas as idades.
Há algum tempo, a recomendação geral a respeito da frequência da prática de exercícios era de até três vezes por semana, atualmente recomenda-se até cinco dias, intercalando treinos de flexibilidade, aeróbico e de força muscular.
Por isso, aproveite a dica, movimente-se e viva de bem com sua saúde!
postado em 13/11/2011 12:05
Antônio Nélson de Azevedo
É advogado e Presidiu a OAB - subsecção Penedo
Fazendo um pouco de história, vamos voltar no tempo e chegar aos idos dos anos de mil novecentos e vinte, mais precisamente ao dia 11 de agosto do ano de 1927, data da criação dos Cursos Jurídicos no Brasil. O ato de criação se deu por decisão do Imperador D. Pedro Primeiro, sendo uma em São Paulo e outra em Recife. Assim, esta data passou a ser festejada como o dia comemorativo da criação dos cursos jurídicos no Brasil.
Ainda fazendo história vale lembrar que através do Decreto Legislativo 4.753-A, datado de 07 de agosto de 1843, foi criado o Instituto dos Advogados do Brasil, com a efetiva participação do renomado jurista, político (deputado por Alagoas), diplomata (com várias e importantes participações na defesa dos interesses do Brasil – foi contra a cobiça internacional da Amazônia), o Alagoano e Penedense, Francisco Inácio de Carvalho Moreira - O BARÃO DE PENEDO, juntamente com outros também renomados juristas do quilate de Teixeira de Freitas, Caetano, Luís Fortunato, Sousa Pinto e Francisco Acayaba de Montezuma ( primeiro Presidente do Instituto) e o nosso festejado conterrâneo foi o segundo Presidente. Cabe ainda lembrar que o Instituto tinha como finalidade precípua a criação da Ordem dos Advogados do Brasil.
Posteriormente e somente quase cem anos depois foi criada a Ordem dos Advogados do Brasil, através do decreto número 19.408 de 18 de novembro do ano 1930, por ato do então Presidente Getúlio Vargas e quatro anos depois (1934), foi criado o primeiro Código de Ética da profissão.
Também se faz obrigatório lembrar que antes da criação dos cursos jurídicos no Brasil, os nossos operadores do direito concluíam suas formações na Europa, mais particularmente em Portugal e na França, o que se tornava um fato impeditivo para que muitos Brasileiros buscassem a tão honrosa formação jurídica.
Para exercer o efetivo e gratificante mister da Advocacia o bacharel em direito deve ser aprovado no tão combatido exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Assim, devidamente habilitado ingressa no mundo jurídico e entre suas prerrogativas, passa a representar judicialmente ou extra-judicialmente os interesses dos seus constituintes que formalmente se materializa através de um instrumento procuratório, sempre com poderes específicos. Pode ainda afirmando urgência atuar sem procuração, ficando obrigado a apresentá-la posteriormente.
O Estatuto dos Advogados (Lei 8.906/94 ) é a base legal para regulamentar em todos os níveis as relações entre advogados e o mundo jurídico de maneira geral. Em sendo assim, entendemos oportuno tecer alguns comentários a respeito dos pontos que consideramos importantes no referido diploma.
Iniciamos tratando da indispensabilidade do advogado à administração da Justiça, ou seja, sem a participação do advogado não se complementam os atos processuais, mesmo que estejam presentes as partes, o juiz, o promotor e demais envolvidos no ato. Também é oportuno dizer que não existe qualquer subordinação entre advogados, juízes e promotores de justiça, devendo o tratamento respeitoso ser o balizamento para que cada um desempenhe o seu verdadeiro papel.
Também cabe comentar que o advogado exerce serviços de natureza pública e também social. Traduzindo melhor o comentado, significa dizer que nas comarcas onde não houver defensor público o advogado é obrigado a prestar os seus serviços atendendo a convite do juiz local sem poder recusar e com a consciência de que está prestando um serviço público e de natureza social. O porquê desta conduta está devidamente contemplada e disciplinada em três diplomas legais, a Constituição Federal do Brasil, o Estatuto dos Advogados e o Código de Ética e Disciplina da OAB.
Entendemos ainda necessário comentar que advogado não é parte no processo, ele representa a parte, não podendo jamais ser confundido com o seu constituinte, principalmente nos casos cuja repercussão social é muito grande (principalmente os que militam na área penal). Também o advogado não deve se envolver emocionalmente com a ação por ele patrocinada para não prejudicar o seu trabalho profissional.
Outro fato que se destaca na profissão é que ele pode atuar em causa própria, ou seja, pode postular judicialmente os seus interesses, fazer sua própria defesa quando necessário. Para exemplificar melhor tal colocação, basta dizer que quando um juiz, um promotor, um delegado, ou um desembargador pretende postular suas vontades ou promover sua defesa, nos dois casos na esfera judicial, só o faz por intermédio de um advogado.
Cabe no final comentar e esclarecer que as decisões que são prolatadas pelo Poder Judiciário de uma maneira geral, inclusive nos Tribunais Regionais e na mais alta Corte Judiciária do nosso País, que se transformam em Jurisprudências ou Súmulas, são provenientes de teses defendidas por advogados ou por representantes do Ministério Público.
Finalizando, advocacia é uma profissão que semelhante a muitas outras dignificam os seus operadores, e com sua grandeza, e no bom sentido modifica pessoas, muda conceitos, pugna pela justiça social e também material, e, engrandece a alma e os espíritos daqueles que nela acreditam.
É uma ciência, pois congrega os conhecimentos de várias outras ciências, tais como a medicina, a história, matemática, política, sociologia, psicologia a lingüística entre tantas outras. Em tudo se relaciona principalmente em face as relações humanas.
É sacerdócio porque os operadores do direito e sua representação maior (Ordem dos Advogados do Brasil) fazem da sua profissão/representação uma missão de vida, se unindo aos carentes de justiça e de oportunidades, defendendo-os na busca incansável de assegurar os seus verdadeiros direitos, e nessa busca se doam e se entregam como verdadeiros padres (pais). É a minha contribuição.
postado em 09/11/2011 12:22
Jean Lenzi
Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural
Remontado tradicionalmente ao século XVIII, o culto aos mortos é celebrado no dia 02 de novembro orientado pelo calendário católico, e o cerne dessa ação é fator preponderante e por vezes questionável às variadas crenças religiosas e suas manifestações.
Os antigos romanos cunharam uma frase que de tão eloqüente transcendeu os séculos a nos augurar “mortuis morituri” (Mortuis, vocativo- aos. Morituri, genitivo - dos) – aos mortos dos que vão morrer -, frase possivelmente imortalizada pelo imperador romano Julio Cesar ao inaugurar fora dos limites de Roma as necrópoles e /ou sepulcrários; é o que hoje chamamos de cemitério. Curioso saber que essa frase é vista na maioria em cemitérios cujos mortos ali sepultados foram orientados segundo a religião católica. No Penedo, há uma lacuna diante desta questão em que pese a cidade ter uma predominância de católicos, essa indicação por vezes paradoxal não se apresenta no nosso cemitério “cristão-católico” São Gonçalo de Amarante.
Informações das mais precisosas podem ser obtidas através do minucioso estudo do professor Francisco Alberto Sales por meio da Casa do Penedo. Citando um dos seus livros, “Arruando Para o Forte”, o professor Sales nos faz saber detalhes singulares da nossa história que contempla a diversidade, o questionamento e também a razão. Leia-se: “a população negra do Penedo contava com muitos escravos islamizados do Sudão, escravos que conservavam pelos tempos a fora, suas crenças, seus hábitos e costumes, até mesmo observando o ritual malê no enterramento dos seus mortos, e cujas tradições místico-religiosas chegaram à “Festa dos Mortos” que era celebrada duas vezes por ano pelos mulçumanos do Penedo. Mello Morais Filho nos descreve esses rituais que também chamou atenção de estudiosos alagoanos, Abelardo Duarte e Arthur Ramos de modo especial.
Ainda sobre o cemitério São Gonçalo de Amarante cuja fundação data da chegada do Cholera Morbus, epidemia que resultou na morte de centenas de penedenses pelos idos de 1855, época em que “forçosamente” se deixava a prática de sepultar nas igrejas católicas; interessante saber que os túmulos mais antigos não estejam nesse cemitério, mas possivelmente na Igreja da Corrente e no Convento Franciscano. No “Arruando” do professor Sales encontramos fatos insólitos ligados ao nosso cemitério, como o de uma judia que faleceu no Penedo aos vinte anos em primeiro de março de 1873. Antonia N. C. Brandor era governanta dos filhos de Luiz Campos, abastado comerciante local, naqueles tempos não havia (e até hoje não há) campo santo para os de sua fé religiosa, e o vigário local não permitiu que seu corpo fosse sepultado no cemitério “católico”, o cadáver da moça foi então sepultado fora dos muros do cemitério público, no terreno da frente onde hoje funciona o Serviço Especial de Saúde Pública – SESP, e por lá permaneceu durante anos, até que em 1929 por ordens do prefeito Julio da Silva Costa, os restos mortais da jovem judia foram transladados para dentro dos muros do cemitério, ao lado do portão principal, numa carneira, túmulo simples. Isso, a lembrar do período Brasil - Holandês no qual Penedo abrigou a 2ª Sinagoga da América Latina, fundada pouco depois da primeira na cidade do Recife, e aquele fato envolvendo uma judia, ainda que isolado, foi mais que insolente, foi intransigente.
Contudo, no nosso cemitério: “andar por suas estreitas alamedas, espremendo-se entre túmulos imemoriais pode parecer mórbido, mas é também um passeio pela história ou até pelo bucolismo, já que é possível ouvir o canto alegre de um pássaro mesmo que este tenha sido engaiolado pelo coveiro”; ou ainda ouvir o assobio das almas no caso das mentes mais sensíveis e crentes. “Este é um cemitério do tempo em que os rigores dos homens eram mais rígidos e sólidos”. “E também o humor que não perdoa sequer os mortos. Quem procurar pelos corredores de túmulos achará uma lápide onde se homenageia com uma quadra um músico ilustre. Pródigo em sociedades musicais, o Penedo teve uma com duração de apenas um dia, pois seu fundador morreu no dia seguinte à sua criação. O fato está lá registrado pelos amigos no mármore: “O CLUB QUE TU CRIASTE À LEI FATAL JÁ CEDEU; ENQUANTO TU VIVESTE VIVEU, COM TUA MORTE MORREU”.
Apresentando uma vasta combinação de arquitetura fúnebre, com túmulos gigantescos pertencentes aos mais abastados da cidade, uns inclusive com obeliscos, cristos crucificados e cruzes banhadas a ouro, o São Gonçalo de Amarante apresenta também uma prática comum de aproveitamento de espaço com a verticalização dos túmulos, onde uns são dispostos sobre os outros e em andares para inclusive facilitar as visitações. Artes tumulares compõem a cenografia e junto delas, os significados, os desejos e as virtudes do homem vivo em respeito aos seus mortos.
Parte dessa razão remonta também à literatura, essa muito mais válida e intimista da forma como nos presenteia a poesia do paraibano Augusto dos Anjos com seu “caixão fantástico” - ”pois era tarde e fazia muito frio e na rua apenas o caixão sombrio ia continuando o seu passeio”. Penedo, cemitério dos vivos? É um questionamento que cabe inclusive neste calendário. Ao observar talvez no cotidiano do Penedo os males que se alimentam das 18 badaladas dos sinos da Igreja Matriz; sabe-se que são ás 18 horas que se finda o comércio, que se findam as aulas, as artes e as ousadias, e por que não dizer também que se finda a memória e daí correm entusiasmadas todas as almas vivas para seus “caixões”. A cidade se entrega à triste e bucólica escuridão da noite, e novamente Augusto dos Anjos - “em tudo o mesmo abismo de beleza”. Á essas “boas e vivas” almas válido desejar também “que a terra lhes seja leve”.
João Pereira Junior
Advogado, Professor de Direito e Membro da Academia Penedense de Letras
Quem nasce e cresce a correr pelas tortas e enrugadas ruas desta cidade do Penedo, inexoravelmente cria, com este lugar, uma dependência afetiva extremamente salutar. Eu - que nasci em plena Av. Getúlio Vargas, em nossa histórica Maternidade da Santa Casa - tenho certeza que, no exato instante em que o cordão umbilical me foi ceifado da placenta, um outro cordão de matéria incognoscível surgiu no lugar, com o diferencial de não mais me jungir a uma placenta já descartável e perecível, mas, a uma outra: imortal forjada na rocha deste torrão e na prata líquida que insiste em viajar milhares de quilômetros, desde as Minas Gerais, tão somente para acariciar a fronte da Velha Penedo, antes do mergulho inevitável nas águas do Atlântico Sul.
João Cabral de Melo Neto disse que (...) “a cidade é passada pelo rio como uma rua”, mas, aqui, a cidade é passada pelo rio como uma avenida sem fim, e que, apesar da correnteza ser um vetor apontado para o oeste, o leito do rio é de mão dupla, acalentando o sonho tanto de quem acompanha o sentido de sua corrente, como de quem escala suas águas na procura diuturna do pescado.
Assim sendo, levando-se em conta que ultimamente ando ufanista demais, talvez pelo clima da V Bienal do Livro realizada em Maceió, onde a nossa Academia se fez presente não só com lançamentos de livros, mas com palestra ministrada pelo poeta Francisco Araújo (cadeira 12), resolvi publicar uma crônica diferente: uma crônica poética sobre nosso Penedo. Intitulei-a “Os Olhos do Poeta”, extraída do livro Capítulo do Tempo que, em breve, será publicado. Espero que gostem. Ei-la:
Penedo estava envolta por uma bruma densa. Não era noite e nem era dia, mas, um interlúdio entre a treva e o alvorecer. Os vestígios da noite já estavam de partida e uma mescla púrpura se apresentava no oriente. As luminárias, atalaias sonolentas das ruas, afônicas e nostálgicas eram os olhos de uma urbe que já não dormia e nem acordava. As ruas, tortas e entrecortadas por pedras rústicas, num ermo absoluto, pareciam fumegantes na garganta de um vulcão, sinuosas e enrugadas como um ofídio preguiçoso.
Aquela bruma, na verdade, era a fumaça que antecede o sortilégio da magia, pois, quando o sol, com seu condão resplandecente, mas ainda tênue, debruçou-se sobre a cidade, eis que surgiu uma anciã, com os olhos brilhantes e o espírito de criança, cuja estrutura robusta e imortal se espraiava no penedio, com sua gênese forjada na contundência das rochas e na fluídica prata da Canastra que pulsava ao sabor da correnteza. As águas roçavam carinhosamente o limo do cais num compasso harmonizado com o sino da Matriz.
Nessas águas, minha infância, feliz, vive imersa, e este sonho foi um mergulho a esta tenra idade, onde o rio ainda era um turbilhão de mistérios e de quimeras, de paisagens que surgem e se evanescem, de canoas que, através da ingenuidade dos olhos, transformam-se em borboletas, bailando sobre a lâmina líquida do rio, e embalando (com suas velas ou suas asas), a ânsia diuturna do pescador que acalenta.
Neste sonho pueril em que a realidade me foi arrefecida, as enchentes do São Francisco que tantas casas afogaram, nada mais eram do que o amor incontido do Velho Chico que, ao transbordar, enlaçava a Velha Cidade num abraço carinhoso de dois eternos namorados.
Talvez, os olhos do poeta, mesmo que envelhecidos e despidos das fantasias de outrora, sejam – quase - como os olhos duma criança, pois que lidam não com uma realidade mitigada, mas, criam um mundo por metáforas arrefecido.
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