Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Em nosso processo de aprendizagem, no que tange ao relacionamento com tudo o que existe na bela casa que o Eterno nos ofertou para vivermos, entre outros ensinamentos, aprendemos que quando se trata do relacionamento com nossos semelhantes devemos seguir, rigorosamente, não só os sábios ditames populares, mas também o que prescreve determinados Mandamentos do Decálogo e, principalmente, cumprir o que manda aquela que é considerada a “Regra de Ouro”, ensinada pelo Meigo Nazareno: “Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles”.
O Nazareno se foi, mas o humanismo e o pacifismo de sua doutrina contribuíram de forma decisiva para a substituição da “Lei de Talião”, praticada pelo inescrupuloso Império Romano.
Ocorre que com a inexorável passagem do tempo os ensinamentos a serem praticados foram esquecidos e, com isso, o respeito ao próximo arrefeceu e o espírito luciferino voltou com desmedida força criando pequenos e grandes Anticristos e Bestas pelo mundo inteiro.
Resulta daí, que não são poucas as pessoas que perderam a fé e vivem se auto-interrogando, questionando e perguntando em que, com a vinda de Jesus, o mundo melhorou.
Não há, realmente, como explicarmos o negro véu de maldade que atualmente cobre certos seres viventes racionais deste planeta, sem fornecermos outra interpretação para o julgamento de Jesus.
De acordo com Lc 23,3 e Jo 13,27, Judas traiu Jesus porque vítima de uma violenta possessão demoníaca. Foi por isso que no Pretório, ladeando “Pilatos”, estavam Jesus e “Barrabás”.
Como Jesus era o Filho de Deus, o Puro Bem é claro que “Barrabás” representava o Puro Mal, ou seja, o Demônio. Em assim sendo, “Pilatos” não podia simbolizar outro, senão o próprio Deus.
Os quatros Evangelhos são unânimes quanto ao interesse de “Pilatos” em consultar a turba, incitada por sacerdotes, anciãos e escribas, sobre quem devia ser crucificado. Quando da surpreendente resposta, ainda tentou evitar a irracional escolha, mas não pode devido à dura homogeneidade.
Por outro lado, esta escolha é totalmente incompreensível caso não se admita que não se troca a Luz pelas Trevas sem que se esteja tocado pelo Mal. Passamos, então, de uma possessão demoníaca individual para uma coletiva.
Tudo ficou registrado para nos lembrar que nossa foi a infame escolha.
As conseqüências? Bem, abra a janela e olhe ao lado.
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Valfredo Messias dos Santos
Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras
A propósito de mais um aniversário da cidade de Penedo, cantada em prosas e versos e admirada por todos que a visita, conhecida como a Ouro Preto do Nordeste e ainda como a cidade dos sobrados no dizer de Gilberto Freire, valho-me do momento para fazer uma reflexão sobre a tênue ascensão que vislumbro estar se verificando no seu desenvolvimento econômico e cultural.
Há décadas, os historiadores vêm se manifestando sobre o declínio do apogeu da cidade de Penedo que já foi um influente centro comercial, com uma economia pujante e de onde nasceram artistas, músicos, escritores, poetas e grandes personalidades que se destacaram no cenário nacional. Os clubes de serviços que reuniam pessoas preocupadas com o seu progresso e desenvolvimento, com relevantes serviços prestados à cidade , aos poucos foram se enfraquecendo, perdendo sua visibilidade com a redução do número de seus membros.
Prédios de valores históricos inestimáveis se tornaram ruinas como, por exemplo, o que abrigou a Coordenadoria Regional de Ensino, situado na área mais nobre da cidade,nas proximidades do Colégio Imaculada Conceição com um belíssimo estilo arquitetônico e, apesar de sua imponência, parece não ser visto , e aos poucos vem sucumbindo ,perdendo o seu brilho, definhando e levando uma parte da história. O chalé dos Loureiros, também situado na Avenida Getúlio Vargas, construído em estilo neoclássico que há muito espera por sua restauração.
As igrejas e o convento, prédios de relevantes valores históricos, marcos do início da evangelização, também se ressentiram da falta do cuidado devido, chegando ao ponto de algumas serem interditadas, sem condições de receberem os seus fiéis em razão do risco de desabamento do teto ou de incêndio em decorrência de instalações elétricas deficiente.Uma escola situada no bairro do Oiteiro, hoje Santo Antônio “Escola Professor Lêonidas Souza “ ,foi desativada há vários anos e abandonada pelos governos e hoje se encontra em estado deplorável sem teto, com algumas paredes ainda em pé e dominada pelo mato sendo foco de doenças e abrigo de marginais.
Até mesmo o majestoso Rio São Francisco, o Opara , cujo nome correto segundo o historiador Teodoro Sampaio é “O Pará “ que significa grande rio ou rio mar , tão admirado pelos indígenas, pelos exploradores e, posteriormente pelos pescadores ribeirinhos, que dele tiravam o seu sustento, corre fraco, sem vida, e vai se arrastando em direção à foz, vencido pelo mar que outrora o via penetrar em suas entranhas com força e determinação.
Apesar desses fatos negativos tenho uma visão nítida de que alguma coisa começa a mudar. A curva que se apresentava em declínio hoje se mostra ascendente.
O ressurgimento da Academia Penedense de Letras que há mais de 30 anos se encontrava desativada e que tem como missão principal estimular o prazer pela leitura pela escrita de poemas e contos, fazendo os alunos e escritores refletirem da importância de cada um como artífice da história, pois sem a escrita a história não se perpetua , é um dos exemplos. O surgimento de entidades como a Associação Cultural Barqueiros do Velho Chico, Associação dos Artistas Plásticos e Literários de Penedo, Agremiação Artística e Cultural do Centro Histórico de Penedo, a continuidade com presença firme e marcante do Monte Pio dos Artistas, o reinicio das atividades de uma das lojas maçônicas, a restauração da “Casa de Aposentadoria” um dos prédios mais antigos e belos de Alagoas.
No campo educacional registre-se a implantação dos cursos superiores em turismo e pesca ministrado pela Universidade Federal de Alagoas; a ampliação de cursos na Faculdade Raimundo Marinho; a criação do Campus do Instituto Federal de Alagoas para formação de técnicos em várias áreas, ampliando os saberes científicos e a capacidade cultural de um povo que a história reconheceu como berço da civilização alagoana.
Também ressalto a reforma do Mercado Público Municipal e do Mercado da Farinha, em fase de conclusão, a oxigenação do comércio local com a chegada de vários empreendedores dos ramos de móveis, eletroeletrônicos, calçados, alimentação, concessionárias de veículos dentre outros. O projeto do Governo Federal “Minha Casa Minha Vida” que tem beneficiado centenas de pessoas, transformando Penedo em um verdadeiro canteiro de obras, bem como a expansão do mercado imobiliário. No aspecto religioso ampliou-se o número de igrejas evangélicas de diversas denominações, tendo algumas delas, edificado suas sedes para a prática do culto religioso.
A história é sempre inconclusa. Devemos nela intervir , escrevendo, recriando , ampliando, discutindo, aprimorando, produzindo. A história do Penedo deve ser contada em versos, em prosas, em atitudes e pelo exemplo não apenas uma demonstração de amor volúvel, interessado, momentâneo, oportunista que se esvai como fumaça tão logo os interesses se acabem.
É urgente que sejamos contaminados por esta ideia, a ideia da posse, da guarda, da necessidade de preservar e de respeitar a nossa cidade como uma relíquia cobiçada por muitos. Devemos, nós, os penedenses , olhando o passado e vislumbrando a importância do Penedo para a História do Brasil , nos inserir , neste contexto para nos transformarmos em sujeitos e não objeto desta mesma história escrevendo ou reescrevendo uma nova página da cidade dos rochedos
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João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
Nunca devemos fazer generalizações, descuidando-nos de ressalvar as exceções, embora, relativamente ao titulo acima, seja difícil observá-las. Será que se justificam, nas três esferas do legislativo, especialmente nos das cidades de pequeno e médio porte, orçamentos tão elevados, desproporcionais as suas realizações? Nós, pessoalmente, não conhecemos farra mais irresponsável e desregrada de se gastar o dinheiro público. É um fato que alimenta a nossa descrença, quase absoluta, na seriedade dos nossos legisladores que, legislando em causa própria, ignoram o dever implícito de trabalhar em prol da sociedade. Perdem cada vez mais a credibilidade e perde a área social tão carente de recursos financeiros.
Diante dessa estúpida realidade, ficamos constantemente a matutar sobre a natureza humana. As ações do homem, na sua maioria, são orientadas pelo racional ou pelo emocional e o instinto animal? Pelo coletivo ou pelo interesse pessoal? Sentimos uma sensação de que o raciocínio lógico, pela preguiça mental de considerável parcela das pessoas, está sendo gradativamente alijada da espécie humana. Enquanto uma pequena e privilegiada elite o emprega, a manada, como tal, animaliza-se. Lembramo-nos muito bem do nosso susto, quando fazíamos o primeiro grau, ouvir o professor dizer que o homem era um animal.
Se o homem pensa, como pode ser um animal! Não entendíamos. Não nos dávamos conta que excetuada a faculdade de pensar, o homem em suas funções orgânicas, em nada mais difere dos demais animais. A triste realidade é que comemos, bebemos e sentamos o nosso trazeiro no vaso sanitário. Não fosse isso um irônico capricho da criação, o homem estaria mais para um semideus do que para um animal. Infelizmente, carregando dentro de si, simultaneamente, o sublime pensamento com o incompatível e repulsivo depósito de fezes, não passa, com uma grande dose de comicidade, de um cagão racional.
Como estamos a fazer considerações sobre a impiedosa selva legislativa, não podemos deixar de nos referir ao seu rei, o Congresso Nacional, que num rompante de inspiração merdífica e leonina achou por bem, através da Emenda Constitucional nº 58/2009, permitir o aumento do número de vereadores. Qual a finalidade dessa aberração? É válida, como defesa, a alegação de que não haverá ônus porque não será permitido o repasse de recursos financeiros para compensar as perdas? Pura balela. Dentro de poucos anos, procurarão os sofridos pelo ócio a recuperação do que perderam. A conclusão a se tirar dessa insanidade é que os nossos conscienciosos congressistas, narcisistas e egocêntricos com o alcance da visão no limite do próprio umbigo, chegaram à conclusão que têm o direito de aumentar suas bases eleitorais, ampliando o número de vereadores que na sua maioria não faz jus a um centavo pelo que nada que faz. Tem isso alguma importância?
Por outro lado, quem foi que disse que quantidade é sinônimo de qualidade? Muito pelo contrário, pois, é exatamente na quantidade que prolifera toda a ralé. As câmaras de vereadores pelo imenso Brasil, aconchegantes camas, são em grande parte um verdadeiro palco para o teatro de comédia. Entre os poucos que se sobressaem, predominam os Zé Mané que sequer conhecem seus deveres funcionais. Ignorando todos esses fatos, o Congresso Nacional, como se também estivesse preocupado com o desemprego, achou que o melhor caminho era aumentar o número de vagas para alguns ociosos que passarão a condição privilegiada de ociosos remunerados. Foi uma decisão lamentável e irresponsável. Quem não gostaria de ser vereador para ter o privilégio de mamar tranquila e suavemente nas tetas das vaquinhas do município? E se a função não fosse remunerada, como acontece nos países nórdicos, quantos se candidatariam? Haveria candidato, sim, mas não nos números atuais. Teríamos duas vantagens: eleições limpas, sem a compra de votos e a melhor qualidade dos candidatos.
Vamos agora ao terreiro penedense. Não podíamos finalizar o presente, sem deixar de informar o eleitor da nossa cidade a respeito do montante do repasse do executivo para a câmara de vereadores e a sua destinação. Não sabíamos e ficamos ingenuamente boquiabertos. Não são informações obtidas na fonte, podendo haver pequenas incorreções.
Devemos confessar, desde já, que lágrimas vieram aos nossos olhos ao sabermos do miserê dos penitentes edis, tendo em vista seus vencimentos, praticamente simbólicos, frente a um trabalho estafante e desumano. São despojados e indiferentes ao vil metal.
Você sabia que o executivo repasse para câmara de vereadores 7% da arrecadação mensal? Que esse percentual atinge uma média de duzentos mil reais? Que um vereador, por uma sessão semanal, embolsa três mil e oitocentos reais? Que cada um tem direito a dois assessores? Que cada um destes percebe mil reais por mês? Que a verba de gabinete de cada vereador é de oito mil reais? O que você acha de tudo isso? Com toda essa miséria, você gostaria de ser vereador? Quem não gostaria de usufruir tamanha indigência! O repasse do executivo é exorbitante, convenhamos. Em troca de quê? Não se justifica gastar tanto por tão pouco. Penedo, em termos de Alagoas, é uma cidade de porte médio, sem complexidade de problemas, razão porque os nobres vereadores, sem prejuízo de suas atividades habituais, realizam uma sessão semanal, nem sempre com uma pauta de votação. Como sofrem nossos Edis!
O mais curioso é que não obstante o desumano trabalho que desempenham, felizmente tem uma saúde de ferro, pois, do contrário já teriam contraído a ociotite, doença degenerativa adquirida pela crônica inércia. Para ajudá-los a nada fazer, cada um tem direito a dois assessores. Você pensa que isso é uma piada? Não é. Apesar de ter tudo para ser a mais engraçada e desgraçada piada, tão nociva aos interesses da sociedade penedense. Uma outra curiosidade que nos chama a atenção é como os nobres vereadores conseguem justificar os gastos com a preciosa verba de gabinete. Qual é a mágica? Obedecem a linha reta ou preferem as sinuosidades? Em resumo, caro leitor, chegamos à conclusão que um vereador custa ao combalido cofre do município a bagatela de treze mil e oitocentos reais. Como se gasta inutilmente neste Brasil! Quem gostaria de perder ou ver reduzida essa mamata?
Eis porque, há algumas semanas atrás, alguns vereadores, em vez de aplaudir e parabenizar o Jorginho Seixas por ocasião de sua posse relâmpago, ao que parece amparada na Lei Orgânica do Município, com qualidades para engrandecer a câmara, preferiram se insurgir contra a mesma. Esse deselegante incidente, que não teve outro objetivo senão defender interesse dos vociferantes opositores, não da câmara, lembrou-nos cenas do mundo animal.
Como é fascinante assistirmos aos documentários do mundo animal e vermos cada espécie a utilizar sua estratégia de sobrevivência. Uma das mais curiosas, comum a muitos, é a demarcação territorial pela urina. Não se permite que outros competidores o adentrem. O nosso legislativo, em parte, procedeu de forma animalescamente territorialista. Achamos que cada um de nós exibe comportamento semelhante a determinado animal. Perdida no mundo da paz, a pomba, isolada, assiste entre outros comportamentos, a ferocidade leonina e a voracidade dos abutres. Não sabemos se você tem o mesmo gosto que o nosso em achar a visita ao zoológico como um dos mais divertidos passatempo. Vá e visite, de graça, o nosso legiferante zoológico. Um lembrete: seja amistoso e não entre em competição no território dos mesmos.
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Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
“Entre as várias maravilhas que se contam a respeito da visita do Presidente Lula a China está a questão ligada ao turismo. Como todos sabem o potencial do mercado chinês é altamente promissor e contém números impressionantes. Basta dizer que até o ano de 2010 calcula-se em 85 milhões de pessoas o total de chineses que estarão viajando, entre deslocamentos de turismo e a negócios. Outra informação nos aponta uma realidade até desanimadora no tocante ao total de chineses que atualmente chegam ao Brasil: apenas 13 mil pessoas em 2003. Conclusão: entre os milhões que estão arrumando as malas para conhecer o mundo, nós brasileiros alcançamos uma fração ínfima – insignificante. Mas o que se vê, o que se descortina daqui por diante – trombeteiam os novos ventos após a viagem presidencial – é um fluxo praticamente inesgotável de chineses em procura de destinos turísticos que lhes garantam lazer e entretenimento.
Com a viagem do Presidente Lula, o Brasil teve confirmado pelo Presidente chinês, Hu Jintao, o status de “destino autorizado”, o que significa uma grande diferença entre a situação que vivemos atualmente e a que está por vir. Hoje, para vir ao Brasil, o chinês precisa ser convidado, o que demanda entraves burocráticos e logísticos difíceis de ser ultrapassados pela dinâmica de mercado. Com o título de “destino autorizado”, o Brasil passa a disputar esse riquíssimo mercado, juntamente com outros 40 países, aí incluídos 15 da União Européia e Cuba. Para se ter uma idéia da importância do patamar atingido pelo Brasil basta dizer que somos o único país com destino autorizado pelos chineses na América do Sul e o segundo na América Latina, sendo Cuba o outro concorrente. O importante a se ressaltar é que “essa brincadeira” envolvendo os chineses significa o surgimento da bagatela de bilhões e bilhões de dólares no turismo mundial.
Natal é um destino turístico cantado atualmente em verso e prosa em quase todos os recantos da terra – à exceção do mercado chinês, ainda. Mas, a partir de agora, já se abre todo um enorme leque de opções, de novas alternativas de negócios tendo em vista a perspectiva da presença chinesa no cenário turístico brasileiro. Como quarto maior mercado destino brasileiro, Natal tem todas as condições de se posicionar de forma pioneira, arrojada, profissionalmente correta no sentido de tirar o maior proveito possível desse filão que está prestes a acontecer. Está na hora das nossas autoridades ligadas ao setor procurarem a embaixada chinesa e se inteirar a respeito dessa enorme potencialidade. Vamos pesquisar os hábitos, a cultura, a expectativa, os desejos – enfim, o que o turista chinês quer e espera de uma viagem ao Brasil e colocar Natal como uma das melhores “grifes turísticas” do mercado nacional.
Do contrário, os baianos, os cearenses, os cariocas e outros conterrâneos mais afoitos chegarão primeiro, nos deixando literalmente naquela desconfortável posição de ficar “a ver navios”. São números impressionantes os que envolvem o mercado chinês. O país cresce a taxas anuais em torno de 9%. Entretanto, os entendidos em comércio internacional calculam essas taxas em 12% anuais, segundo eles pelas precárias condições estatísticas que ainda vigoram na estrutura governamental chinesa. O que se sabe, com toda clareza, é que a China é responsável, hoje em dia, por 14% do comércio mundial e que tem negócios com o Brasil que saíram da casa dos US$ 2,3 bilhões, em 2000, para US$ 6,7 bilhões em 2003. Com a conta turismo esses valores tenderão a crescer substancialmente. Como se vê, o que se prenuncia exige iniciativas urgentes, concretas e eficazes, para que possamos disputar esse mercado e cantar vitória.”
postado em 24/04/2012 15:22Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
A repercussão sobre a morte de Jesus Cristo atravessa os séculos até os dias de hoje. Durante esse tempo, inúmeros aspectos do episódio do Gólgota foram analisados e obras em profusão abordaram o tema. Agora, com o filme de Mel Gibson, e com as facilidades de comunicação do mundo de hoje, coloca-se o sacrifício de Jesus na ordem do dia. Discute-se muito sobre o assunto. Quem foi realmente o responsável pela sua morte; se a sua roupa era de uma cor ou de outra; se o madeiro que carregou às costas era já em forma de cruz ou se era só o travessão horizontal; se a Maria que estava a seus pés era a Madalena ou não; se isso, se aquilo, se aquilo outro. No filme de Gibson o epicentro da discussão gira em torno do nível de tortura a que Jesus foi submetido, com realce todo especial para as cenas de violência. De tanto ver o sangue de Jesus na tela, as pessoas saem do filme chocadas – e mais distantes ainda do real significado do seu gesto.
A obra de Gibson peca não pelo que mostra, mas pelo que não mostra. O grande artista que Mel Gibson é, sem sombra de dúvidas, está fora de cogitação. O filme é realmente um grande feito. Inclusive do ponto de vista promocional e financeiro. O problema, no que diz respeito ao propósito da evangelização, é que o espetáculo leva as pessoas a apenas se emocionarem diante de Jesus, pelos excessos de violência praticados contra Ele. E Jesus não precisa da nossa peninha para se afirmar como o Filho de Deus e Salvador da humanidade. O lamentável, diante de toda a celeuma criada em torno do filme, é que ninguém está discutindo a essência do discurso que Jesus proferiu na cruz. Por acaso, alguém está perdendo tempo em analisar o que Ele falou? Vivendo dores lancinantes na cruz, Cristo falou coisas extraordinárias que a névoa do emocionalismo, da religiosidade, da espetaculosidade nos impede de enxergar.
Um dos primeiros temas tratados por Jesus na cruz foi o perdão. No madeiro, traspassado por dores físicas, morais e espirituais, Ele clamou em alta voz: “Pai perdoa; eles não sabem o que fazem”. Que momento impróprio, diante da gravidade do seu sofrimento físico, para interceder a Deus pela nossa falta de visão, pela nossa inconseqüência! Com esse gesto, Jesus deixou bem clara a função primordial do perdão no conceito de Deus. Segundo Jesus não importa o tamanho da injustiça, a dimensão da dor, a gravidade da desfeita que contra nós cometeram. Se nós temos realmente o coração e a mente em Cristo a resposta será dada, contra qualquer tipo de agressão, em forma de perdão. E este é um dos maiores problemas que o homem enfrenta desde os tempos mais remotos até os dias atuais. A falta de perdão tem originado conseqüências tremendamente desastrosas na vida de pessoas, de comunidades inteiras e até de nações.
Outro grande momento do testemunho de Jesus na cruz foi o da manutenção da comunhão com Deus. Já vivendo seus últimos instantes, ainda encontrou tempo e forças para afirmar: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Entrega total, fidelidade suprema, aliança levada às últimas conseqüências, apesar das dores, da injustiça, das traições. De início, seu gesto já nos remete a uma grande reflexão: como anda a nossa comunhão com Deus? Que prioridade temos dado à vontade de Deus em nossas vidas? Que espaço temos reservado para a sua Palavra no nosso dia a dia? Além do mais, o que temos praticado dos ensinamentos que Ele nos enviou no âmbito pessoal, na área de influência da família, da vida profissional e no viver em comunidade? Como se vê, a grande questão a se constatar é se da mensagem da cruz estamos tirando algum proveito ou se o sacrifício de Jesus nos foi inútil.
Finalmente, um último olhar sobre a cruz nos coloca diante da salvação. Ao lado de Jesus um homem também fora crucificado. Da forma mais absurda, ele se volta para Jesus e diz “Mestre, quando chegares ao teu reino te lembra de mim”. Interessante! Jesus não lhe fizera nenhum discurso. Entretanto, ele visualiza em Jesus um proprietário de um reino celestial! E esquecendo-se de suas dores, deixando para trás uma vida de inutilidades, se volta para Jesus na busca de um destino melhor, de uma perspectiva de vida diferente. Jesus, com muito amor, olha para aquele bandido e consuma a sua grande obra: a salvação de um proscrito, de um homem totalmente rejeitado pela sociedade. “Filho, ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Percebeu? Quando nos voltamos para Jesus, a salvação nos é garantida, qualquer que seja a circunstância. Perdão, comunhão, salvação – eis a verdadeira mensagem da cruz. Vamos à prática?
postado em 11/04/2012 15:42
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Maria Núbia de Oliveira
Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras
A emoção invade todo o meu ser, quando meu pensamento paira neste Estabelecimento de Ensino, no qual passei os melhores anos da minha juventude, bebendo da fonte carismaticamente franciscana.
Foi do Colégio Imaculada Conceição, que eu parti plena de sonhos, em busca da realização de um ardente ideal: ingressar nas fileiras da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição. Jamais esquecerei aquele dia, em que meu pai, apesar da a saudade da filha querida, me entregou nas mãos da Irmã Alice Maria, na época, coorenadora do colégio.
Parti para Salvador- Bahia. Percorri vários Estados, já que as tranferências são uma constante na Vida Religiosa. Em cada lugar um ninho ia sendo construido, ms após um determinado tempo, tudo ficava para trás. Era o exercício do desapego. Muitas vezes o coração dilacerava de saudades de um povo que ia ficando, enquanto outro já aguardava a minha chegada. Assim é a vida religiosa! Passei sete anos inesquecíveis! Outra missão me aguardava no século. E eu retornei... Abri a gaiola do claustro e voei, qual águia em busca de novos rumos.
Hoje o Colégio Imaculada Conceição se perapara para a abertura oficial do seu cenetenário!
Como eu poderia ficar indiferente, se além de ter sido aluna, pertenci à Congregação das Irmãs Franciscana Hospitaleiras da Imaculada Conceição?
A inspiração há muito tempo adormecida, despertou e surgiu com ela a aletra do HiNO DO COLÉGIO IMACULADA CONCEIÇÃO! Coincidentemente a música é de autoria do Professor José Raimundo Galvão, que tem parentesco com a atual Madre Geral, Irmã Coneição Galvão, a qual foi minha mestra na ocasião no noviciado, em Salvador. Os caminhos do Senhor são insondáveis...
Segue a letra do Hino:
1. Já cem anos se passaram lentamente
Quanta lida, quanta glória e emoção
Mas o tempo não baniu de nossa mente
O Colégio Imaculada Conceição!
REFRÃO: Salve! Salve! Jubiloso centenário
Celebremos comamor e gratidão
Percorrendo o luminoso itinerário
Do Colégio Imaculada Conceição!
2.Desde sempre "Iluminando e Suavizando",
Centenário da ciência e do saber.
A lucerna pelas mãos vai circulando
Aquecendo e confortando cada ser.
3. Quanta dor e quanta pedra no caminho
Do ideal de hospitaleira doação
Sob o olhar da Virgem Mãe, no seu carinho
Desde os idos pioneiros da missão.
4. Grande parte destes frutos que colhemos
As franciscanas semearam com amor
Também nós, no mesmo solo, semeemos
Que a seara recompensa quem plantou.
5. Recordando a Conceição Imaculada
Os cem anos são troféu de "Paz e Bem",
Nossa vida alegremente consagrada
É sinal da grande fé que nos mantém.
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Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
No próximo 6 de abril, quem pertence a civilização cristã relembra, com indescritível tristeza, uma das mais cruéis atrocidades praticadas contra um ser humano investido de divindade: a humilhante e dolorosa Paixão de Jesus Cristo.
Sabe-se que Jesus foi vítima do mais abominável castigo aplicado pelo Império Romano porque, pertencendo ao grupo dos apocalípticos, pregava a rivalizante doutrina da presença do Reino de Deus, criticava abertamente o status quo, ou seja, os “palacianos” políticos e religiosos, em determinados casos desrespeitava a Torá, praticava a “comensalidade aberta” com bons e maus, condenava a miséria e os que aceitavam o jugo romano, realizava feitos miraculosos inimitáveis, dizia que viera a este mundo para nos redimir do pecado e, finalmente, afirmava ser o Filho de Deus e rei, só que seu reino não era deste mundo.
Tais atos e afirmações, somadas ao absurdo “ataque ao Templo” na época da Páscoa, em que bastava uma microscópica fagulha para que o sentimento de libertação dos judeus explodisse, pois lembravam o milagroso êxodo do Egito, o tornou persona non grata tanto aos olhos dos chefes religiosos israelitas, quanto aos das autoridades políticas e militares romanas.
A partir daí, não mais interessava se Ele era um Rabi, Amen, Messias ou Mar. Tinham de escolher entre Ele e a paz, pois se a multidão se rebelasse seria esmagada sem piedade pelas temíveis Legiões romanas, as relações entre a cúpula judaica e o Império ficariam para sempre estruturalmente abalada e talvez, até mesmo boa parte de Jerusalém fosse destruída. Portanto, deviam encontrar uma maneira de eliminá-lo, uma vez que representava uma séria ameaça.
Enquanto orava no Monte das Oliveiras com tanta angústia que chegou a suar sangue, pedindo, em vão, ao Pai, que O livrasse do que estava por sofrer e seus apóstolos dormiam bêbados devido à quantidade de vinho consumida durante a Última Ceia, foi “traído” por alguém que não só pertencia ao seu círculo íntimo, como também possuía um cargo importante no grupo dos doze.
Ao receber ordem de prisão, foi completamente abandonado pelos seus “fiéis discípulos” no Monte das Oliveiras. Quando conduzido para ser interrogado, o sectário em quem mais confiava negou, por várias vezes que O conhecia.
Conduzido a presença de Pôncio Pilatos, após breve “conversa”, ficou sem saber como responder a uma das perguntas – “O que é a verdade?” - do tirano Governador.
Julgado, foi considerado culpado, e por isso, flagelado e condenado à pior das penas: a crucificação.
Como se encontrava em estado de total exaustão física determinaram que alguém que não fazia parte de seu grupo, carregasse não a cruz, mas o patibulum, até o local de sua crucificação: o Gólgota.
Crucificado ladeado apenas por dois marginais e os centuriões, pois seus “amigos” estavam escondidos por medo de terem o mesmo destino, um pouco antes de morrer, teve a certeza de que não tinha sido abandonado apenas pelos homens, mas também por Deus, ao gritar desesperadamente: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”
Deus o abandonou porque Jesus havia esquecido o que Ele próprio dissera em João 13,16: “O servo não é maior do que seu senhor...”.
Na época, o servo era Ele, JESUS, e o senhor o Império Romano.
postado em 05/04/2012 11:47Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
Há uns três anos atrás, com alguns amigos, estivemos na cidade de Piranhas. Não a conhecíamos e ficamos sem conhecê-la no todo por falta de tempo. Tínhamos saído de Paulo Afonso com a finalidade de dar um passeio pelo lago de Xingó. Lá chegando, depois do passeio acima, fomos em direção à beira do rio. Instalamo-nos em um bar para beber. Ficamos incrédulos com o calor que sentíamos, não obstante fôssemos todos nordestinos, conhecedores das altas temperaturas. O de Piranhas é abrasante. Quase ninguém teve necessidade de ir ao banheiro. Todo o líquido ingerido era eliminado abundantemente pelos poros. Lembramo-nos da nossa Penedo, também quente, mas nem tanto.
Com essa característica aparentemente inóspita, seria concebível que fosse habitável tão-só por homens de fogo e seus habitantes perfeitamente adaptados. Não podíamos, assim, acreditar, mesmo com toda imaginação, que alguma iniciativa fosse capaz de fazê-la mexer-se sob os raios do sol escaldante. Ledo engano, o milagre está acontecendo.
Semanas atrás, quando conversávamos sobre turismo, veio à tona a cidade de Piranhas por intermédio de um penedense que há pouco a tinha visitado. Ficou deslumbrado. Relatou-nos da sua surpresa em ter visto algo que foge a quase regra geral das cidades por este Brasil afora onde seus administradores, sem o senso da estética, indiferentes, displicentes e incivilizados, pouca ou nenhuma importância dão à beleza das mesmas. Viu uma cidade com aparência de uma noiva no dia de seu casamento. As casas são pintadas com todo esmero. As ruas são impecavelmente limpas. Seus olhos, disse-nos, começaram a lacrimejar. Foi uma emoção simultaneamente conflitante entre o encantamento de ver uma pequena cidade bonita e bem arrumada e o desencanto com Penedo. Uma Penedo escondida sob o manto de uma lamentável realidade, suja e, o que é pior, órfã de um projeto que possa resgatar-lhe a imponência do passado, de um dedo que aponte, com toda ênfase, na direção da sua natural vocação.
Afinal de contas, o que há de comum entre elas? Em que diferem? Com uma topografia diametralmente oposta, diríamos que o que há de mais comum entre as duas é o fato de serem banhadas pelo Rio São Francisco. Façamos outras interrogações. Qual delas tem o maior potencial turístico? Presumimos que seja Penedo. Quem, atualmente, tem o maior fluxo turístico? Piranhas. Como conseguiu essa façanha? Através da publicidade. O que tem Piranhas para oferecer ao turista? A administração local enumera o centro histórico, cânions do São Francisco, hidroelétrica de Xingó, artesanato, mirante, museu do sertão e música ao vivo. Penedo, infelizmente, não consegue ofertar tantas opções. Por quê? Puro comodismo, aliado a uma deficiência de visão. Há muito ela se encontra sentada na cadeira de um oftalmologista para tentar curar uma cegueira que teima em persistir no tempo. Esperamos que a cura aconteça o mais rápido possível e possa enxergar muito além do que habitualmente oferece ao turista.
Constatados esses inconcebíveis disparates, é difícil sermos condescendentes com Penedo, vítima de sucessivas administrações de olhos vendados, sem convicção do rumo a seguir, tateando no escuro para tentar adivinhar o caminho da claridade. O atual prefeito, Israel Saldanha, como exceção, empreende alguma iniciativa na área de lazer e cultura, destacando-se a inauguração das novas reformas da Casa de Aposentadoria onde estão a funcionar a Academia Penedense de Artes e Letras, restaurante, área de artesanato e, aos sábados à tarde, na praça de eventos, música ao vivo.
Embora representem um pequeno passo, esperamos que sirvam de inspiração para que outros maiores possam ser dados.
Por outro lado, com uma paisagem um tanto hostil, a pobre Piranhas procura redimir-se de suas carências. Com a chama vital a inspirar-lhe a criatividade, está a ignorar a inclemência da natureza que a envolve e parte, com sucesso, em busca da redentora mina de ouro do turismo, um dos mais importantes segmentos da economia mundial, em crescente ascensão. Era preciso acreditar e ousar. Foi exatamente o que fez.
O que não pode acontecer é que se dê por satisfeita e acomode-se com os louros de uma batalha provisória. A criatividade é uma atividade permanente. Nada é definitivo e somente as guerras convencionais têm fim, não a do dia-a-dia que é uma luta constante a renovar a vida.
Sentada no trono de um paraíso sem vida, Penedo lembra uma debiloide apoiada nas muletas do passado e, recusando-se a assumir o que deveria e deve ser, prefere abrir a janela do tempo para, com uma índole preguiçosa e inerte, vê-lo passar na sua fria e insípida aridez.
Em síntese, é como se estivéssemos diante de Golias e Davi. São duas cidades com potencial turístico. De um lado, Penedo, o Golias que deveria estar se destacando pela sua condição de histórica, nacionalmente conhecida e muito além, era de se esperar que estivesse oferecendo ao turista um roteiro mais diversificado, além de suas igrejas e casario colonial. Do outro, Piranhas que, transfigurada em Davi, menor, mas bem mais inteligente, corajoso e criativo, está sabendo tirar melhor proveito em relação ao míope Golias, ocupando atualmente, a nível estadual, a terceira posição.
Essa inacreditável realidade apoia-se numa abismal diferença entre as duas: enquanto Piranhas está sendo agraciada com a competência da atual administração municipal, que soube envolver a população na arrancada para o sucesso do turismo, Penedo, com tudo para consumar sua vocação, está perdida no tempo, e não sabemos quando, cheia de convicção, tomará a iniciativa para alçar vôos de imaginação para amenizar o tempo perdido.
postado em 02/04/2012 06:49
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Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Tornei-me um político ao longo do ano de 2002 quando coordenei, aqui no estado, a campanha do candidato a presidente Anthony Garotinho. Antes, tinha com a atividade política uma ligação meramente profissional. Como profissional de marketing, tomara parte em várias campanhas eleitorais, elaborando trabalhos para candidatos a prefeito, deputado estadual, federal, senador, governador... Enfim, todos os níveis da disputa eleitoral. Como coordenador da campanha presidencial de Garotinho restringi meu trabalho à área urbana de Natal em virtude da falta de recursos para me deslocar pelo interior. Já em 2004, tendo em vista os excelentes resultados que o trabalho de coordenação em 2002 apresentara, vários companheiros acharam por bem lançar minha candidatura a prefeito de Natal, lamentavelmente destruída por uma aliança que, cheios de esperança, imaginávamos seria benéfica.
Para alavancar a candidatura fizemos contato direto com o eleitor. Foram centenas de reuniões, encontros de bairros, participação até em atividades festivas, tudo com o objetivo de estabelecer um relacionamento estreito com o eleitor, além de ouvir seus desejos, sonhos, frustrações. Foi um período muito rico. Experiências novas, modificação de conceitos, conhecimento de novas realidades e o estabelecimento de um elo de esperança entre nós e as pessoas que nos recebiam. Porque? Pela valorização do debate de idéias. Nesses encontros, as lideranças de bairros, as donas-de-casa, até mesmo os jovens (injustamente acusados de alienados e desinteressados do processo político) apresentavam idéias, articulavam proposições, se abriam, enfim, para um debate sério, profícuo, inovador. Por esse processo, os problemas locais eram passados a limpo, deixando de existir espaço para o besteirol, para a conversa fiada.
Durante o tempo em que esses encontros foram realizados, sempre priorizei o debate de idéias. A conseqüência, extremamente positiva, foi a formatação de um belíssimo programa de governo, por sinal bastante elogiado, e as condições de apresentá-lo, discuti-lo, debatê-lo. Tornei-me, assim, um político desejoso de manter acesa a chama da exposição construtiva de idéias, com o objetivo de enriquecer a discussão, de ocupar espaços nas mentes e nos corações das lideranças com propostas que apontassem soluções para as dores coletivas do povo. Entretanto, as dificuldades são inumeráveis para o político que quer se manter nesse diapasão, pois a quase totalidade das lideranças não está disposta a trilhar esse caminho. E o que se vê, com raras exceções, é tão somente a partidarização da atividade política, com o noticiário e as agendas entupidas com especulações as mais variadas possíveis.
Tudo gira em torno do novo partido de fulano, da nova filiação de beltrano, da candidatura de fulano a isso ou àquilo, quem vai trair quem, quem vai largar quem no meio do caminho, quem vai ser passado para trás. O político celebrado passa a ser, então, o que sabe enrolar mais, dissimular mais, trair mais. Sabido, matreiro, experiente não é aquele que levanta e defende uma bandeira, uma causa. Sabido e matreiro é aquele que sabe indicar o maior número de afilhados para cargos comissionados, é aquele que vence o adversário com estocadas próximas da marginalidade, que pratica a maior taxa de fisiologismo, que tem um discurso cujo conteúdo ninguém sabe qual é. Que, enfim, não se compromete com nada, muito antes pelo contrário. Ideologia não existe mais, virou palavra fora de moda. Eu, contudo, não penso assim. E por pensar assim, continuarei a luta pela exposição das minhas idéias.
postado em 28/03/2012 18:49Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Antônio Nélson de Azevedo
É advogado e Presidiu a OAB - subsecção Penedo
Na linguagem judicial os termos mandado e mandato mesmo aparentando ser a mesma coisa, não é. No processo judicial o mandado é uma ordem judicial onde o Juiz presidente de uma determinada vara ou comarca determina através de um mandado Judicial a intimação ou a citação de uma das partes para integrar uma relação processual ou determinar o necessário procedimento para a efetiva continuação da tramitação de uma ação.
No mundo jurídico o mandado faz parte dos atos legalmente previstos na condução processual e é uma prerrogativa daqueles que têm a competência constitucional para tal.
Assim sendo o mandado de intimação, o mandado de citação, mandado de penhora, mandado de despejo, mandado de reintegração ou de emissão de posse além de outros, se materializam por determinação de magistrados e por ações diretas de seus auxiliares.
Para cumprimento de um mandado o encarregado do cumprimento da referida ordem deve proceder de forma discreta e pacífica sempre objetivando tornar o seu ato o menos traumático possível, para não expor nenhuma das partes a exposição pública, lhe causado qualquer constrangimento. Porém, é bom ficar bem claro que a ordem deve ser cumprida, mesmo que para tal cumprimento e em último caso seja usado o poder da força do cargo, que pode chegar a requisição da ajuda da policia, estadual ou federal, conforme o caso.
Quanto ao mandato temos a comentar que se trata de uma das formas de representação e que no mundo jurídico tal representação se concretiza com uma autorização escrita que uma pessoa jurídica ou física passa para um advogado, para em nome do outorgante defender os seus interesses. Estamos falando de um instrumento jurídico chamado PROCURAÇÃO.
Um mandato ou simplesmente procuração permite o procurador praticar em nome do outorgante todos os atos explícitos no referido documento, inclusive casar por procuração, nestes casos, somente e tão somente o procurador limita-se a participar da cerimônia conjugal. O mandato ainda pode ser público (aqueles que são lavrados em cartórios) e particulares aqueles que são lavrados em escritórios jurídicos ou não.
Entre as muitas formas de representação também podemos lembrar e não poderíamos esquecer a forma contemplada na relação jurídica/política adotada pela nossa Carta Fundamental, quando tratamos do regime democrático utilizado para a escolha dos nossos representantes, nos mais diversos níveis, podendo citar vereadores, prefeitos, governadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores e presidentes.
Quando escolhemos os nossos representantes através do voto estamos passando uma procuração para que aquela pessoa ou aquelas pessoas que julgamos e acreditamos que possam melhor defender os nossos interesses e melhor representar as nossas vontades, pelo menos é esse o propósito. Assim, outorgantes/eleitores alertar nunca é demais que antes de passar a procuração coletiva (já que se trata da vontade da maioria) procure conhecer a história dos pretendentes aos cargos públicos que se apresentam para cada momento, se responde a algum processo judicial por improbidade administrativa ( Lei da ficha limpa – em voga para as eleições de outubro deste ano ), se está ou se já foi preso e se você seria capaz de entregar a chave da casa para um desses postulantes, o que seria o mínimo já que coisas mais importantes você já teria entregue (se escolher mau), nesse caso comprometendo o seu futuro, o futuro dos seus filho, da sua cidade, do seu país.
Agora sabendo que existe uma grande diferença entre mandado e mandato é bom ter mandatários competentes, compromissados, honestos, responsáveis (que não perdem prazos nem oportunidades de fazer o melhor para seu povo – seus outorgantes e assim fazer valer a sua real qualidade de legítimos representantes), para mais tarde não amargurar o dissabor de ter escolhido um despreparado, um descompromissado, um incompetente, um desonesto e no final de tudo chegar a conclusão de ter escolhido um ditador (aquele não respeita nada nem ninguém) e suas ordens são sempre espelhadas no seu despreparo. Olho fixo em outubro de 2012.
postado em 26/03/2012 08:08Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Ronaldo Lopes
Engenheiro Civil, Ex-Secretário de Estado e Ex-Diretor Presidente do DER-AL
Reprodução
Primeira página do documento protocolizado no IBAMA, que pode ser visto completo ao fim do texto
A notícia veiculada no último final de semana nos meios de comunicação do estado sobre a construção de um gasoduto entre Penedo e Arapiraca, a partir da utilização do CITY-GATE instalado no município ribeirinho no ano de 2009, leva-nos a uma reflexão sobre os caminhos do tão sonhado desenvolvimento de Penedo.
A manchete: “Gasoduto entre Penedo e Arapiraca será entregue em 2013”, nos remete às ações que foram desenvolvidas a partir do ano de 2004, no sentido de propiciar condições privilegiadas para a atração de empreendimentos que, traídos pela inércia dos governantes, viram as costas para a nossa cidade.
Para iniciar a construção do gasoduto Carmópolis-Pilar, a Petrobras, dona do empreendimento precisava conseguir junto ao IBAMA, sua licença ambiental. Na análise da licença pelo IBAMA estavam previstas audiências públicas em municípios de Alagoas e Sergipe por onde passaria o gasoduto, dentre eles Penedo.
À época, ano de 2004, assumia o mandato de deputado estadual na Casa Tavares Bastos, e tão logo tomei conhecimento dessas audiências, procurei o presidente da ALGÁS, Gerson Fonseca, companheiros que fomos na mesma turma de Engenharia Civil, para que ele informasse os reais perigos para os moradores do povoado Itaporanga, o mais próximo do gasoduto, bem como qual a possibilidade de Penedo usufruir daquele desenvolvimento tão anunciado na propaganda do gasoduto. Ali ouvi pela primeira vez a palavra CITY GATE (ou ponto de entrega) e me foi explicado que eram equipamentos que modificavam a pressão do gás transportado no gasoduto por grandes distancias, para a pressão de distribuição aos consumidores. Ele representava também a mudança de custódia, quer dizer, após sair do CITY GATE, a distribuição já seria da ALGÁS, concessionária para Alagoas e não mais da Petrobras.
Empolgado com a possibilidade de Penedo criar um diferencial para atração de indústrias, estando entre as poucas cidades que poderiam oferecer o gás como matriz energética, procurei as autoridades locais, bem como as lideranças da sociedade civil organizada, obtendo apoio total à reivindicação do CITY GATE. Ficou definido ainda por estas lideranças que eu seria o porta-voz da solicitação à Petrobras, na audiência pública do IBAMA.
Apesar do nosso apelo e dos penedenses que compareceram ao histórico Teatro Sete de Setembro, os representantes da Petrobras alegaram que o município não tinha demanda para o gás e a audiência não foi conclusiva.
Dentro do prazo estabelecido por lei (cinco dias úteis após a audiência pública) protocolizamos no IBAMA um documento com a solicitação do CITY GATE, assinado por todas as autoridades e representantes de entidades que estiveram no Teatro, numa demonstração de que o povo de Penedo estava unido em torno daquela solicitação.
Apesar de Penedo não possuir demanda imediata para o aproveitamento do gás, a reivindicação se embasava no potencial da região, principalmente na possibilidade de implantação de um polo cerâmico baseado em estudos realizados pela CPRM-Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais, quando tinha como presidente o penedense Humberto Ferreira Costa.
Algum tempo depois, o IBAMA marcou outra audiência pública, onde anunciou que a Petrobras havia acatado a reivindicação dos penedenses e a instalação do CITY GATE seria uma condicionante da licença ambiental.
Após a conclusão do CITY GATE, em 2009, o gás foi ligado pela ALGAS ao posto Grande Rio para abastecimento com gás veicular.
Nesse período, nenhuma outra ação foi feita pela Prefeitura ou pelo Governo do Estado no sentido de gerar desenvolvimento com a utilização do gás.
Não foi criado um distrito industrial, não foram feitos os estudos complementares da argila, solicitados por empresários do setor de cerâmica interessados em vir para Penedo, nem mesmo no portfólio apresentado pelo Estado a investidores nosso município aparece como opção com a utilização do gás.
Agora, todo esse esforço e conquista do povo penedense podem ter sido em vão, em função da notícia divulgada pelo governo de Alagoas, onde coloca inclusive, que o gasoduto vai levar desenvolvimento às regiões do Baixo São Francisco e do Agreste.
Como levar desenvolvimento ao Baixo São Francisco se o gás está aqui e até hoje nada foi feito para utilizá-lo no crescimento desta região?
Nenhum investimento foi feito para viabilizar a utilização do gás em Penedo, e agora o Governo do Estado, através da ALGÁS vai investir R$ 24.000.000,00 para levar o gás para Arapiraca, “onde há potencial para atração de investimentos”, como destaca o secretário Luis Otávio na matéria, ou seja, para oferecer em Arapiraca o que já existe em Penedo.
A decisão política do governo Teotonio Vilela de ligar o ponto de entrega (CITY GATE) do gás de Penedo a Arapiraca, antes de executar qualquer ação para seu aproveitamento em nossa cidade, demonstra a total falta de compromisso deste governo e de “penedenses” que integram seu alto escalão, com o povo desta região.
Nada contra Arapiraca, afinal, aquele município é administrado por gestores preocupados com o seu desenvolvimento e estão empenhados no cumprimento de seu dever para com os arapiraquenses, ou seja, honrar os compromissos que um mandato impõe, mas este gás é nosso, é de Penedo, é dos penedenses e não podemos cruzar os braços, depois de tanta luta, batendo em retirada, conformados e cabisbaixos diante de tanto descaso.
Clique aqui para ler o documento protocolizado no IBAMA
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Valfredo Messias dos Santos
Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras
Os pais têm vivido, atualmente, um verdadeiro dilema quanto a melhor forma de educar os seus filhos em razão do avanço da tecnologia que a cada dia fica mais próxima, acessível e atraente. Os vídeos games, os celulares e as lan houses que se encontram em cada esquina têm atraído milhares de crianças e adolescentes para jogos violentos onde a destruição do outro é o objetivo maior. Sempre vence o mais violento, o que possui armas mais sofisticadas.
Como nessas casas de diversão não existe censura, o acesso a tais programas é livre dependendo apenas da escolha do usuário. Alguns adolescentes são tão viciados ao ponto de permanecerem várias horas à frente de uma tela se expondo aos seus efeitos nocivos esquecendo-se de suas obrigações escolares e familiares além do risco de se tornarem presas fáceis dos traficantes que tem marcado suas presenças, também, nesses locais.
Desde os primeiros anos de vida já é possível perceber o desejo de liberdade desta geração. Criança de tenra idade se impõe na conquista de seus interesses e, para isso, se querem um brinquedo, por exemplo, se jogam no chão e expõem seus pais ao ridículo nos supermercados, nos shoppings e na frente de estranhos. Quando atingem a adolescência o relacionamento se agrava ainda mais e, alguns, tão logo se tornam independentes, decidem morar sozinhos como que não fizessem parte de uma família.
Por conta desse comportamento os laços familiares tão necessários ao desenvolvimento mental, intelectual, social e humano estão ficando mais tênues contribuindo para que a família, aos poucos, venha perdendo a sua importância e se transformando em entidades familiares com as mais diversas formações.
O pátrio poder, atualmente denominado poder familiar, vem se enfraquecendo cada vez mais. Muitos pais alegam que não têm condições de por limites a seus filhos, mesmo àqueles de pouca idade, numa demonstração de que perderam a autoridade paterna e materna.
Aos pais incumbe o dever de sustentar, guardar e educar os filhos preparando-os para a vida de acordo com suas possibilidades. O exercício do poder familiar compete a ambos os cônjuges e, nessa competência a lei lhes confere o direito de exigir dos filhos obediência, respeito e que preste os serviços próprios de sua idade e condição.
O civilista Washington de Barros Monteiro, ao tratar do pátrio poder (atual poder familiar) afirmara: “É inegável que aos pais assiste o direito de lançar mão de meios coercitivos adequados, desde que moderados, para a realização de seu apostolado. Outrora, o pátrio poder representava uma tirania, a tirania do pai sobre o filho; hoje, é uma servidão do pai para tutelar o filho”.
É de responsabilidade do pai e da mãe a imposição de limites a seus filhos como forma de evitar que, sem regramento, se tornem violadores das leis e sujeitos nocivos à sociedade.
A falta de limites concorre para que, com o excesso de liberdade, a criança e o adolescente fiquem sem rumo, sem uma identidade e não encontrem, sozinhos, os caminhos do sucesso profissional, meta almejada por todos.
Os noticiários têm mostrado atitudes extremas de pais que perderam os limites para com seus filhos. Uns denunciam seu próprio filho por crime que cometeu temendo que, por vingança, seja assassinado, preferindo vê-lo no cárcere do que morto. Outros os acorrentam para que não voltem ao convívio de usuários de drogas onde os traficantes impõem suas próprias leis.
Ponham limites em seus filhos enquanto é cedo para que eles não se tornem violadores das leis por não ter aprendido, no lar, as regras básicas de convivência, respeito e autoridade. Busque ajuda, quando necessitar para que , no futuro, não os culpe e não venham se arrepender pela sua própria omissão.
“Ensina a teu filho, os caminhos em que deve andar e mesmo estando velho não se desviará dele. Prov. 22.6.” E não deixe que nenhuma outra autoridade usurpe para si, o direito de puni-los, por teres fracassado em sua missão de pai e de mãe.
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Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
O silêncio é uma atitude estranha. Na maioria das vezes, apresenta-se como demonstração de humildade, de submissão, de renúncia. Em outras, deixa transparecer o verniz da covardia, da omissão. Mas não deixa de ser um comportamento contraditório, polêmico até. Jesus, por exemplo, deu conotações edificantes ao silêncio. Utilizando-se dele, deixou Pilatos maravilhado e seus acusadores totalmente desnorteados, sem terem o que dizer. Calado, ele eternizou um momento em que o esperado, de sua parte, era que falasse, argumentasse, se defendesse das acusações injustas que lhe imputavam. Do episódio saiu engrandecido. O seu silêncio rasga os séculos até os dias de hoje como elemento de sabedoria, de renúncia, de negação de si mesmo. Já outros personagens... Estes, pelo silêncio, fugiram do desconforto de falar e deram péssimo testemunho com essa atitude.
Um livro de um escritor cristão trata do assunto de forma interessante. Com o título “O Silêncio de Adão”, ele trata da paralisia cerebral e da inércia comportamental que acomete a grande maioria dos homens nos cruciais momentos de decisão. E constata que duas atitudes se destacam no universo masculino. A primeira delas é o silêncio simplesmente. Covarde, omisso, pegajoso – e, o que é pior, contagiante. Acontece na ocasião em que se faz necessária a prática do falar em defesa de uma causa, em defesa de alguém e – para não se prejudicar – o homem foge, se cala, se omite. A segunda atitude se traduz na incorporação, pelo homem, da figura do machão, que, não tendo o que falar, não tendo destreza mental para argumentar, opta pelo clássico gesto de usar da violência, de esmurrar a mesa. Em ambas as situações ele dá adeus ao diálogo e fecha a porta ao desabrochar de uma nova realidade.
Com este enfoque, “O Silêncio de Adão” trata, enfim, da inclinação histórica que o homem vem apresentando através dos tempos para fugir de suas responsabilidades. O primeiro grande exemplo que o livro apresenta é o de Adão. Sim, o Adão da Bíblia, o primeiro homem. Pela narrativa bíblica, Deus fez de Adão o detentor de todo o plano divino para a humanidade. Só exigiu que Adão e Eva, ela criada posteriormente, não comessem da árvore do bem e do mal. A exigência foi feita especificamente a Adão. Certamente já sabendo disso, a serpente procura Eva para tentá-la na desobediência a Deus, convencendo-a a comer do fruto da árvore. O interessante é que Adão estava presente ao episódio e em nenhum momento se pronunciou contrário ao assédio da serpente a Eva. Fez pior. Além de se omitir, de se calar, concordou com a mulher e comeu do fruto da árvore proibida.
Porque Adão de calou? Porque não esbravejou contra a invasão da serpente ao território mental de Eva, terreno que, pelas instruções claras de Deus, teria que preservar? Ao que tudo indica, Adão se curvou ao auditório constituído tão somente de duas pessoas, ao invés de argumentar com as instruções das quais era possuidor. Também através de outro exemplo bíblico, o livro mostra um homem que se utilizou da truculência para resolver uma situação que tinha tudo para ser equacionada pelo diálogo. Trata-se de Caim, o assassino de Abel. Na narrativa bíblica consta apenas um convite de Caim a Abel para irem, juntos, ao campo. Lá, o ele matou o irmão sem dar nenhuma chance ao diálogo. Foi a típica atitude de quem, não tendo disposição para se utilizar da fala, preferiu dar “um murro na mesa” para deixar bem claro que o mais forte fisicamente tinha o controle da situação. Será?
Esse comportamento também pode ser facilmente observado nos dias de hoje. No casamento, então, nem se fala. Quantos lares desfeitos, destruídos pela fuga, pela covardia, pela indisposição de falar, de dialogar, de enfrentar, da parte do homem, situações de conflito. Pelo exemplo de Adão, nessas ocasiões, só resta, ao universo masculino, duas soluções: ou se cala, se omite e vai embora, consumando a separação, ou dá um murro na mesa e vence a situação pela truculência, pela violência, pela lei do mais forte. E vence? Será vitorioso um homem que só sabe resolver suas questões pela violência, pela força? Essa, lamentavelmente, é a herança que o primeiro homem nos deixou. Como antídoto, temos a herança que o segundo homem nos legou, Jesus. Este sim, o Adão perfeito. Que tal conhecê-lo, para passar a praticar o silêncio que edifica e a fala que constrói?
postado em 11/03/2012 06:42Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Depois de uma curta e conturbada viagem por parte dos sertões de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Bahia - interrompida devido aos demônios que causam minhas mazelas e maleitas – em busca do que um dia acharam e que eu não consegui encontrar, onde por um lado, vi oceanos de água doce e Everests de riqueza e, por outro, um mundaréu de terra seca e improdutiva, miséria, muita cruz de beira de estrada e bodes nas rodovias, regressei a Maceió e, com a devida urgência, fui para Viçosa na esperança de ser curado através das rezas fortes de minha sábia curandeira.
Ao sair de sua casa fui para meu refúgio onde me quedei acamado. Sem conseguir dormir, resolvi misturar uma tuia de comprimidos com as antigas orações do livro de São Cipriano, Clavículas de Salomão e Cruz de Caravaca. O coquetel me fez melhorar um pouco, mas a quizanga que me botaram é tão forte que ainda continuo muito bardeado.
Mesmo febril e impaciente, não me saía da cabeça como outro seria o Brasil se transformassem, através de irrigação e orientação técnica adequada, aquelas tórridas regiões num paraíso que contivesse milhares de propriedades agrícolas produtivas. Se assim o fizessem, o que é um dantesco espetáculo seria um gigantesco Jardim do Éden.
Só com vontade política, trabalho sério e honesto é possível responder os desafios e construir uma sociedade mais igualitária, fraterna e solidária, capaz de criar oportunidades para todos e de dar conforto a quem mais necessita. Como isto poderá ocorrer se a imprensa nacional e internacional divulga, mas me recuso a acreditar, que este País, somente com o desvio de dinheiro público a nível municipal, estadual e federal, perde todos os anos bilhões e bilhões de dólares devido às inescrupulosas práticas das mais diversas maracutaias?
Ora, sabemos que esta grana é, na “Terra Média”, dividida entre os luciferinos “Saurons”, os tele-guiados “Nazgûl” e os horripilantes “Orcs”, fato que nos leva, sem muito esforço, a descobrir que muito falta para o reino de “Mordor” ter um fim.
Fico a matutar o que um “Gandalf” não poderia fazer em prol dos mais necessitados com toda esta dinheirama!
É lamentável, mas sem a ajuda dos “Anões”, “Elfos”, “Ents” e “hobbits” a escuridão na “Terra Média” se tornará tão densa que será possível apalpá-la, pois esqueceram que “A vida e a dignidade humana estão acima de qualquer outro valor”.
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Maria Núbia de Oliveira
Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras
Assisti " O Planeta dos Macacos". Impressionante como eles subestimam os humanos.Dizem coisas horríveis a nosso respeito. O pior é que tem um fundo de verdade.
Em uma cena, um senador macaco, já ancião, no leito de morte, chama a esposa, os filhos e o resto da macacada para dar os últimos conselhos. Lembra suas origens, as quais deverão permanecer indestrutíveis. Durante a conversa, o velho aristocrata macaco, diz que o humano é o ser mais violento, mais cruel e egoísta de todo o planeta. Pediu que tivessem cuidado, que não se aproximassem , pois são perigosos! São mágicos do mal. Basta um olhar e arrasta a presa!. Os humanos hipnotizam, dizia o macaco. Nós chamamos isso de paixão, não é?
As macaquinhas, em volta da luxuosa cama do velho macaco, escutavam com atenção. Uma delas, expressou a sua admiração pelos humanos, dizendo que os acham bonitos e que gostaria de pertencer a essa raça. Não terminou de pronunciar a frase. A pobre macaquinha foi surrada pela macaca mãe, ficou de castigo. Sabe qual foi o castigo? Proibida de subir nos galhos da árvores e fazer cambalhotas, além de ficar sem o seu lanche predileto: comer bananas!
Fiquei pensando: Por que será que o velho macaco nos acha maus, cruéis e egoístas? Pobres macacos... Sonharam superar o homem e esqueceram de um detalhe importantíssimo: SOMOS IMAGENS E SEMELHANÇAS DE DEUS! Infelizmente, não honramos essa herança.
O homem seduz, faz armadilhas para destruir. O macaco protege sua comunidade. É fiel aos seus ancestrais. O homem dança com a companheira, piscando o olho para a outra que está à sua frente. O macaco dança de olhos fechados! Mas cá pra nós, aquela macaca deu um beijinho no artista. Não resistiu aos encantos do homem!. Não tem jeito, o homem é um eterno sedutor. Nem a macaca resistiu!
Observando o filme, comparei os dois planetas e vi a diferença: a terra destruída, poluída, cheia de fumaça. E o planeta dos macacos? Senti vontade de ir pra lá. Quantas árvores, frutos e respeito à natureza. E como aquela macaquinha, encantada pela beleza do ser humano, senti vontade de morar naquele paraíso verde e bem tratado. Por que será que nunca estamos satisfeitos com o que temos? Vivemos numa eterna busca. Mas sabemos que o planeta dos homens é o mesmo dos macacos e de todos os seres vivos.
No filme os macacos dominaram o homem, pesquisaram suas vidas, estudaram suas atitudes, humilharam suas origens. Mas esqueceram de outra coisa: o homem sabe nadar, flutuar por sobre as águas e eles têm pavor ao simples contato com a água. Enquanto o homem se libertava daquele fictício planeta, mergulhando nas águas profundas daquele mar, do outro lado, à margem, os macacos olhavam, admirados, impotentes, rendidos pela inteligência do homem. Esse homem que recebeu e Deus o maior presente: O planeta terra, recheado de frutos, flores, mares , rios e lagos!
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João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
Curiosa observação e agradável passatempo, recheado de certa hilaridade, é assistir, a partir de um ponto privilegiado, ao desfile, na praia, da diversidade física de seus freqüentadores. É impressionante as diferenças e ficamos admirados como a natureza, na sua arte escultural repleta de imaginação, tentando identificar cada mulher e cada homem, segundo seus atributos físicos, os criam no grau máximo da sua fealdade e beleza. E assim age não por capricho ou deliberado propósito de parcialidade, mas por intrínseca necessidade das naturais contradições, vez que uma não existe sem a outra, se faltar-lhes o fator comparação.
Há poucos dias atrás, estávamos no local habitual a preencher o ócio com esse divertido bisbilhotar quando, inesperadamente, com um terço na mão, um pequeno chapéu na cabeça, de bermuda, surge a presença da triste figura que passaremos a chamá-la de Fifi. Não seria impróprio rezar numa caminhada? Tanta reza assim, presumimos, talvez não fosse uma combinação de pedidos, dentre eles o de poder suportar o fardo da sua feiúra? É uma senhora na casa dos setenta anos de idade. Clara, estatura média, cabelos lisos e ligeiramente esbranquiçados, seu rosto de formato quadrado e rugas bem pronunciadas e olhos pequenos lembra uma chinesa.
Se essa rápida descrição de um rosto fora dos padrões de beleza já não fosse suficiente para se lamentar uma natureza cruel, injusta e madrasta, a ele alia-se um corpo disforme para completar um ser portador de uma beleza capenga. Como descrevê-la? Vamos tentar. É magra. Os ombros, em razão da sua atividade braçal, são largos. A barriga, vilã da beleza feminina e também masculina, é bem comportada. Infelizmente, essa andorinha, que é única, não faz verão. Os quadris são estreitos. Desçamos mais. As coxas e pernas, de tão finas, dão-nos a impressão que são ossos cobertos de pele. O que dizer das nádegas, partes tão eróticas ao gosto dos homens? É preciso? Fiquemos por aqui.
Sabemos que tudo na vida tem suas compensações. Para muitos, em seu lugar, a fuga do convívio social, levada pelo complexo de inferioridade, seria o normal meio de fuga. A nossa Fifi não parece compartilhar dessa reação. De passadas largas e ágeis ao caminhar, seu temperamento é extrovertido e bem alegre, o suficiente até para fazer troça de seus desencantos. É tão alegre e espontânea que não consegue ouvir uma música movimentada sem acompanhar o seu ritmo. Viúva, tendo perdido o marido que sucumbiu pelo vício do álcool, nunca dispensa uma cerveja ou qualquer bebida que lhe ofereçam numa ocasião festiva.
No carnaval, é uma explosão de alegria a saracotear ao som do trio elétrico. É incrível! Seria a imitação de Zorba, o grego, que dançava para esquecer a perda de um ente querido? Será que Fifi se esbaldava, dançava adoidadamente para esconder o inconformismo de sua imagem ao espelho? Para não acreditar, no seu sentimento narcisista, na visão de seus olhos ao apreciar a nudez de seu corpo? Quem sabe!
Vamos ao arremate. Foi exatamente em um carnaval na cidade vizinha de Neópolis que fato inédito, cômico e inacreditável aconteceu. Acontece que a nossa Fifi, apesar de se encontrar na casa dos setenta anos de idade, julga-se perfeitamente apta a usufruir os prazeres da carne. O problema é saber se existia alguém, numa combinação de bêbado e tarado, capaz de enfrentar um saco de ossos. Será que da sua viuvez, há uns dez anos atrás, ela encontrou algum ser em forma de homem que a fez despertar da hibernação sexual? Não é fácil, embora tudo possa acontecer.
Pois bem, na companhia de uma amiga a respeito da qual desconhecemos seus atributos físicos, entrosaram conversa com dois marmanjos. Em circunstancia tal, o bar é o caminho natural para se descontrair e, levando-se em conta que carnaval vem de carne, é também o momento ideal para acertar suas exigências. Depois de beberem algumas garrafas de cerveja, era chegada a hora da verdade.
O álcool predispõe para os prazeres mundanos em geral. Não apenas incita como é pouco seletivo nas suas preferências. Quanto à escolha de uma parceira, torna-se uma espécie de urubu do sexo. Deixaram o bar e saíram a procura de quartos para encontros amorosos. Cada casal para seu lado. O parceiro da Fifi, adentrando em seu quarto, rapidamente despiu-se e espojou-se na cama num gesto animalesco de quem quer o imediatismo do prazer, sem pensar nos afagos e requinte das carícias que precedem o verdadeiro amor civilizado. Ansioso, olhos esbugalhados para Fifi que também começava a despir-se, pensou estar chegando a hora do clímax. Não foi preciso que completasse a nudez. Abismado com o que via e de repente convertido na mais desgraçada imagem da frustração, ordena-lhe com toda irritação: Vista-se! Vista-se! Vista-se!
Em momento de grande emoção o efeito do álcool parece dissipar-se. Semelhante fenômeno aconteceu com o companheiro da Fifi que, como se estivesse acordado de um pesadelo, rapidamente veste-se. Ignorando o cavalheirismo, não se despede e deixa o quarto. Fifi, em seu conformismo, limitou-se a um frio sorriso. Talvez até tenha concordado com a reação do fugitivo. Seu corpo era realmente uma calamidade, capaz de ser desfrutado tão-só por um super tarado após meses de jejum.
Amargo destino da Fifi que cônscia da sua feiúra e tendo de com a mesma conviver, é obrigada a suportar de sabores e decepções. Azarado o felizardo fugitivo que o álcool não foi capaz de excitá-lo ao ponto de encarar o corpo fantasmagórico da Fifi, a nossa simpática figura num triste desfecho de carnaval.
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Valfredo Messias dos Santos
Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras
A passos largos se aproxima o tempo para as eleições municipais e, desde já, os pretendentes aos cargos de Prefeito e Vereador montam suas estratégias ou artimanhas para conquistar o voto do eleitorado que, em sua esmagadora maioria, desconhece o seu inestimável valor para que a democracia se afirme de forma verdadeira e eficiente. Para muitos pretendentes o eleitor é visto apenas como dono de uma mercadoria barata e acessível que tem o poder de garantir-lhe o poder político por muitos anos.
Alguém já disse que a eleição é a festa da democracia. Realmente a eleição deveria ser um processo natural de escolha dos representantes do povo, onde cada integrante da sociedade com capacidade para votar pudesse analisar o perfil de cada candidato e sufragar, livremente, o seu voto, em favor daquele que pudesse melhor representa-lo.
Os eleitores deveriam saber que compete ao Prefeito a gerência, a administração dos recursos públicos e a sua correta aplicação, sempre visando o bem estar da comunidade que lhe confiou os destinos da administração municipal e que aos vereadores, na condição de representantes do povo, compete à fiscalização sistemática da aplicação desses recursos e ainda a apresentação de projetos de lei objetivando melhoria no âmbito do Município. É o vereador o verdadeiro representante do povo no âmbito municipal.
Os vereadores devem ter a consciência do seu relevante papel no processo democrático. A eles o povo confiou a fiscalização da correta aplicação do dinheiro público arrecadado dos pesados impostos que são pagos por todos nós. Infelizmente como vem denunciando a mídia, muitos não vêm realizando esse mister de forma aceitável.
O que vem se constatando ao longo desses anos de afirmação da democracia em nosso País é que muitos gestores públicos se utilizam do dinheiro público para uso próprio, enriquecendo às custas de um povo sofrido e desassistido sob os olhares de edis omissos e subservientes.
Essa prática desumana e antidemocrática; essa corrupção; esse esquema criminoso está presente nos governos municipais, estaduais e federal como um câncer a devorar as aspirações do povo brasileiro.
A Revista Veja, Edição de 26 de outubro de 2011 traz reportagem afirmando que, somente no último ano, foram surrupiados pelos corruptos, 85 bilhões de reais, de recursos federais valor este que segundo a própria revista, daria, por exemplo , para erradicar a miséria, construir 1,5 milhão de casas, custear 34 milhões de diárias de UTI nos melhores hospitais deste país.
Se os nossos representantes fossem independentes e estivessem à serviço do povo brasileiro essa sangria do dinheiro público seria em menor escala. Entretanto a prática dessa imoralidade, dessa improbidade administrativa é partilhada por muitos desses representantes que, se revelando traidores do povo, como lobos vestidos de pele de cordeiro, além de não exercer o seu papel fiscalizador, se aliam aos gestores desonestos em troca de favores e de propinas.
No governo da Presidente Dilma Russeff já caíram 8 ministros envolvidos com corrupção ou tráfico de influência. Outros nomes de ministros já começam a ocupar as manchetes dos jornais e noticiários.
É por essa razão que o povo começa a indignar-se com grande parte dos políticos brasileiros, pois a mídia tem escancarado os bilhões que são desviados dos cofres públicos em benefício particulares enquanto, Municípios e Estados convivem com dívidas cujos pagamentos impossibilitam o avanço dos investimentos em infraestruturas e comprometem a efetividade de políticas públicas essenciais.
É crescente o movimento popular que exige transparência no trato da coisa pública a fim de que o povo, que é o dono do verdadeiro poder, tome conhecimento dos valores arrecadados e de como estão sendo aplicados.
O Ministro Carlos Ayres Britto, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, na eleição anterior, lançou a proposta de divulgação dos nomes dos candidatos que tem “fichas sujas” para que o eleitorado possa tomar conhecimento e escolha com mais consciência, o candidato que melhor possa atender aos seus anseios.
Como se percebe há uma indignação de grande parcela do povo brasileiro e até mesmo das autoridades das mais altas cortes de justiça, com relação a certas atitudes de políticos que tem se locupletado do dinheiro público para angariar postos políticos em verdadeira afronta aos princípios morais tão escassos no meio político.
Os candidatos à Prefeito e a Vereador, nessas eleições municipais, deveriam sonhar os sonhos do povo que sempre se preocupa em vê sua cidade crescer, ser valorizada e respeitada, onde a educação e a cultura tenham um destaque especial, pois são elas que elevam o valor de um povo no contexto de um mundo tão complexo e tão exigente, sem se descuidar da infraestrutura necessária para que o progresso aconteça.
Finalmente a expectativa do povo brasileiro chegou ao fim.
O Supremo Tribunal Federal julgou constitucional a Lei Complementar nº, 135/2010- Lei da Ficha Limpa que impede à candidatura de postulante a cargo político que tenha sido condenado por um colegiado por crimes diversos ou que tenha renunciado para fugir de punição, definindo também, que a mesma já vale para as eleições deste ano.
Assim sendo serão alijados do processo eleitoral àqueles que não se enquadrem nos requisitos da lei e cuja prática política em períodos anteriores não os recomendem para ocuparem gestões públicas em razão de atos de improbidade administrativa lesiva aos cofres públicos e de atitudes violadoras do decoro parlamentar.
Ressalte-se também que ter “ficha suja” não é somente aquele parlamentar que foi condenado por um colegiado ou que renunciou para fugir de punições como a perda do mandato. Ter ficha suja é também concluir um mandato sem nada ter feito por seu Estado, seu Município, por sua comunidade e por sua cidade.
Tem “ficha suja” o vereador que assumiu o compromisso com o povo para fiscalizar a aplicação dos recursos públicos e pactuam com gestores desonestos e com o desvio desses recursos para finalidades espúrias. É submeter-se o vereador à vontade do gestor, numa condição de submissão e não de representante do povo. É aquele edil que não apresenta nenhum projeto em benefício da comunidade e que se comporta como uma catenga, abanando apenas a cabeça por ocasião das votações de propostas importantes.
Ter “ficha suja” é exercer um cargo de Prefeito ou Vereador sem entender quais são suas atribuições e permanecer durante todo o mandato dependente da vontade dos outros.
Tem “ficha suja” o político que não tem convicção política, fazendo do cargo um emprego sem nenhum compromisso com o povo que o elegeu.
Tem também “ficha suja” o eleitor que vende o seu voto sem saber que está vendendo a possibilidade de ser realmente dono do poder político maculando a sua consciência e a sua dignidade, sem se aperceber que o mísero valor recebido pelo seu voto é uma ofensa diante da grandeza do seu poder.
Há uma esperança em cada homem e em cada mulher deste país no sentido de que um dia haja transparência nas ações dos gestores públicos, dos governos estaduais, do governo federal, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores, sem que seja necessária a interferência da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário.
Nos dias atuais, como bem disse o ministro Carlos Ayres Brito, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, “muitos tratam a eleição como um velório”. Isso se deve às sucessivas decepções do povo brasileiro com seus candidatos.
Necessitamos voltar às raízes do processo eleitoral onde as pessoas, torciam por seus candidatos abertamente, sem medo de perseguição ou retaliação; onde aconteciam os comentários nas esquinas, nos bares, nas festas, à respeito dos candidatos que eram analisados de uma forma criteriosa e sem ofensas .
Há urgência em entendermos, todos nós, candidatos e eleitores, que a eleição deve ser como uma festa da democracia, onde cada um, movido por suas análises pessoais aciona os botões das urnas eletrônicas, para que sua vontade seja concretizada.
Sejamos, portanto parceiro fieis deste processo democrático para que , todos nós , homens e mulheres, sejamos livres, na mais límpida expressão da lei.
postado em 27/02/2012 06:40
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Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Convencionou-se designar de romano, do ponto de vista histórico, ao cidadão nascido em Roma. Na Roma dos Césares, bem entendido. E não apenas nascido, mas pertencente à casta dos nobres – perfeitamente entrosado, portanto, à cultura, hábitos e tradições da cidade. Ser um romano autêntico, na pura essência da palavra, era algo realmente honroso. Além do status que a nominação trazia a quem a ostentava, significava um estado de espírito. Um estado de espírito diferente dos demais mortais. Roma, além do poder político, militar, econômico, era uma potência nas artes, nas ciências, no direito, na filosofia, na oratória, só rivalizando na excelência de tal patrimônio com a cultura helênica, a dos gregos, outro potentado a espalhar pelo mundo a riqueza do seu saber, seus extraordinários conhecimentos de matemática, engenharia, aritmética, geometria, filosofia, medicina, arquitetura...
Aliado a todo esse contexto, Roma ainda impunha ao mundo seu modo de guerrear, representado por uma máquina militar de causar inveja e derrotas a um número incontável de povos espalhados pelo mundo conhecido de então. Roma era disciplina, estratégia, tecnologia, logística, comandantes extremamente capacitados e soldados bem armados, treinados, alimentados e incentivados a vitórias sempre crescentes, tendo a esperá-los boa parte dos despojos de guerra. Era uma equação perfeita tanto para a casta, sempre a se beneficiar dos frutos desse domínio absoluto sobre outros povos, como para a soldadesca – também a prosperar por conta dessa política expansionista romana. Diante de quadro tão favorável, fica difícil imaginar na penetração de outra cultura que viesse quebrar, ou no mínimo, por em risco uma concepção tão arraigada de vida, de governo, de dominação sobre outros povos.
Entretanto, como a sombra do sol que não agride, porém se impõe, o cristianismo foi se internando nos territórios romanos a partir da Judéia, da Palestina e regiões subjacentes – quebrando, paulatinamente, a espinha dorsal do crer, do viver, do pensar, do guerrear romano. Um dos maiores exemplos que a História nos aponta nesse sentido é a conversão de Publius Lentulus, uma das grandes personalidades de Roma àquele tempo. Segundo antigas narrações, Publius era senador no exato momento em que Jesus Cristo divulgava seu Evangelho, uma concepção intelectual, espiritual e existencial diametralmente oposta às convicções romanas. Diante da crescente crise entre a Coroa e o Senado – este, vendo-se sem informações confiáveis nem elementos para entender o fenômeno Cristo – decidiu enviar Publius a Palestina para investigar anonimamente aquele que se dizia Filho de Deus e a Luz do Mundo.
Para um autêntico romano aquelas eram palavras ininteligíveis. Para Roma, a questão residia no poder de convencimento contido no discurso de Jesus, algo realmente preocupante para um governo que se alimentava do domínio exercido sobre outros povos. Publius assistiu ao Sermão do Monte (no qual Jesus realçou as bem-aventuranças do Reino de Deus) e nunca mais foi o mesmo. Sem saber, voltou a Roma meio romano, meio cristão. No relatório ao Senado, diz que Jesus falava de coisas muito sábias, mas não entendia, como romano, quando Jesus dizia que “todos os homens são iguais perante Deus”. Que Deus? O que Jesus pretendia com tais palavras, indagava para si mesmo e externava para seus pares. Realmente, para um romano, era difícil decifrar tal enigma. Racionalmente agia assim; porém, inconscientemente, o discurso de Jesus, diante da dominadora realidade romana, o incomodava.
Na sequência dos fatos, total mudança de vida. Publius converteu-se e passou a defender o cristianismo, além de proteger e abrigar cristãos perseguidos. Mais: teve sua rotina doméstica radicalmente alterada pela conversão da esposa, Lívia. Ela, vivendo intensamente a essência da pregação cristã, libertou todos os escravos caseiros, principalmente a dama de companhia, a quem passou a tratar como irmã. Foi um escândalo! Pela dignidade e imagem popular, Publius não foi preso e sim a ex-escrava de sua mulher. Não contavam com a atitude de Lívia. Vendo a ex-escrava ser levada, afirmou que iria com ela. O capitão da guarda não teve outro jeito senão levá-la também. Lívia foi encarcerada e, posteriormente, sacrificada no Coliseu – aos leões. De Publius nunca mais se ouviu falar. Foi encoberto pela poeira da História, porém, com certeza, carregando no íntimo a palavra que, no monte, de Jesus recebera.
postado em 10/02/2012 08:25Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Moézio Vasconcelos
Advogado, professor, escritor e pesquisador
Quando se fala da ESSÊNCIA DE DEUS, há um tema implicitamente colocado nessa unidade que é a Dimensão Religiosa do Homem.
O homem não se pode liberar da religião porque ela é congênita em sua essência, os fatos religiosos se encontram em todos os povos. Essa religiosidade constante e universal está baseada na necessidade moral da Religião.
As obrigações do homem para com Deus se originam do reconhecimento que o ser humano faz do domínio e do poder divino sobre seres e coisas.
A consciência do nosso desamparo ontológico nos leva a buscar uma perfeição suprema que nos ofereça a desejada plenitude por cima das nossas possibilidades e da nossa radical impotência.
Nossas limitações, nossas deficiências, nosso desamparo ontológico, em suma, não podem ser nosso fim. A natureza humana, diz Pascal, é nascida para o infinito e a verdade religiosa não é mais do que uma prolongação magnífica da verdade filosófica. Segundo Maurício Blondel, a Filosofia é a aspiração do infinito, impulso para a mais alta vida, a amizade como a sabedoria pelo sentimento mesmo da impotência humana para realizar o ideal, o sábio.
Desta feita, o homem tem uma inclinação invencível para buscar o porquê, a última explicação das coisas e também uma consciência de si. O homem possui tendências para o absoluto de si. O ponto mais culminante de nossa vida é quando sentimos a presença de Deus. E a consciência de nossa responsabilidade, principalmente moral, leva-nos também a ligá-la ao ser perante o qual devemos ser responsáveis.
Finalmente, todos esses aspectos nos levam para Deus, nos acompanham sempre e através desta confirmação está o próprio toque imediato de Deus em nossas almas. Todos os pensadores apresentam argumentos da Existência de Deus e compreenderam que Deus é um fato inegável diante do universo e do próprio homem, razão pela qual este autor acredita no ateu cristão e no cristão ateu, mas não acredita, por hipótese alguma, no ateu-ateu, aquele que não acredita no próprio ar que respira e que duvida de tudo e de todos.
A propósito, o autor deste artigo deixa duas questões para reflexão não tão somente dos crédulos mas também dos que se dizem ateus, dos agnósticos, dos incrédulos:
a) Quando se afirma que a felicidade consiste nas realizações de suas aspirações, tais aspirações abrangem:
1. O problema de Deus na vida do homem ou a sua necessidade?
2. Tais aspirações podem se reduzir as realizações afetivas do ser existente, desprezando o espírito em si mesmo?
3. Essas aspirações se resumem aos bens materiais? Sim ou não. Por quê?
b) A vida é propriamente antecipação, esse afã de querer ser essa antecipação no futuro, essa preocupação que faz com que o futuro seja ele, o germe do presente. Explicar:
1. Que quer dizer antecipação?
2. O desejo de querer ser implica numa felicidade plena? Sim ou Não. Por quê?
3. A preocupação do futuro leva deliberadamente o homem a pensar na morte? Sim ou Não. Por quê?
postado em 06/02/2012 08:12Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Natal hoje é uma cidade cujo porte já envolve números que impressionam. Alguns até assustam. Quando, por exemplo, falamos do número de analfabetos em Natal, da ordem de cem mil, muitas pessoas nem querem acreditar. Mas é a pura realidade. Pelas mesmas estatísticas, outra questão cruel se apresenta: Natal conta atualmente com um contingente superior a dez mil surdos. São pessoas aparentemente normais, que transitam naturalmente pela cidade, passam diante de você, e nem são percebidos. Pelos dados do IBGE a população brasileira é constituída de 1,3% de pessoas portadoras dessa deficiência. Trazendo tais números para Natal (1,3% de 800 mil habitantes) teremos, então, a dolorosa conclusão de que, da população natalense, em torno de dez mil pessoas, ou mais do que isso, são surdas. A existência desse número não é tanto a questão. O problema é se constatar que nada está sendo feito em seu benefício.
Acreditamos até que esse percentual de 1,3% tenha abrangência universal, o que colocaria o Brasil, e Natal em particular, numa faixa perfeitamente normal de incidência do mal. O que queremos levantar aqui é a inexistência de uma política de inserção dessas pessoas na vida comunitária, no mercado de trabalho, tirando-as da situação de cidadãos de segunda classe para uma vida realmente digna. No plano familiar, se observarmos bem, não são encontradas as condições necessárias para o desenvolvimento social e profissional dessas pessoas. E se a comunidade e o poder público não oferecem essas condições, onde os surdos irão procurar e encontrar a saída para uma vida que lhes traga menos percalços e um patamar, pelo menos razoável, de realização pessoal? Ao governo cabe essa preocupação e a adoção de um planejamento sério, objetivo, eficaz em benefício desse segmento populacional.
Por outro lado, com a tecnologia de hoje, não é tão difícil capacitar os surdos no sentido de uma atividade profissional adaptada às suas condições específicas. A questão é que o nosso surdo, além de analfabeto em seu próprio idioma, é incapacitado – pela sua própria condição social e pela inexistência de políticas públicas – para assumir compromissos e desafios que são perfeitamente normais às demais pessoas. Imaginemos, por exemplo, o acesso ao computador. Se, ainda hoje, trata-se de uma atividade complicada para grandes parcelas da população dita normal, quanto mais para quem mal consegue decifrar os sinais de trânsito! Enquanto isso, os surdos, muitos dos quais com índices de inteligência bastante altos, ou no mínimo com índices medianos, perambulam pela vida sem enxergar nenhum horizonte. E nem antevendo, da parte do poder público, nenhuma providência que lhes tire da condição de sub-raça.
Pensamos de maneira diferente. Pensamos que é possível – e salutar para toda a sociedade – a transformação dos surdos de párias em agentes produtivos, pessoas que possam, juntamente com as demais, contribuir para o desenvolvimento e a manutenção de um estado de circulação de riqueza e de paz social. Para tanto, idealizamos a criação do “Centro de Atendimento e Convivência de Pessoas com Necessidades Especiais”, um complexo com avançada tecnologia, voltado para a alfabetização, capacitação profissional e socialização de surdos, mudos e até de pessoas com outros tipos de carências, tendo em vista não existir em Natal nenhuma estrutura destinada ao atendimento médico, psiquiátrico, didático, odontológico e social a essas pessoas. É mais uma contribuição, de nossa parte, ao enriquecimento do debate político. E a certeza de que o estado de bem estar social tão do desejo de todos, passa, obrigatoriamente, pela inclusão, ao sistema de geração de riquezas, dos segmentos carentes, desprotegidos e marginalizados. Você concorda?
postado em 26/01/2012 09:55Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
De memória curta, absurdos, sem pé nem cabeça, assim são os sonhos na sua grande maioria. Catão, aparentemente, é aquele tipo de pessoa que habitualmente apelidamos de normal. Toca a vida sem qualquer originalidade que o distinga do comum dos mortais em suas aspirações, niveladas que são pelo imprescindível a garantir-lhe uma digna sobrevivência com um pouco de conforto. Sobressai-se pela qualidade de caráter que o coloca no rol especial das pessoas honestas.
Cultiva um hábito que o escraviza para se tornar o cidadão mais bem informado. Embora a leitura de revistas e jornais não ocorra com frequência, em compensação o noticiário televisivo, imperdível, está no topo de sua preferência.
Existiam coisas no cenário nacional que a sua ingênua honestidade não consegue fazê-lo entender. Porque, pergunta-se com frequência, os três poderes que regem o Brasil são uma fonte perene de escândalos de corrupção? Será que não se pode descobrir um meio para estancá-la a um nível aceitável? No que diz respeito à corrupção no meio político, fato banal, já não o impressiona tanto. Por outro lado, o poder judiciário, uma caixa de surpresa, deixa-o muitas vezes insone por não conseguir convencer-se com a interpretação de alguns ministros do Supremo Tribunal quando apreciam temas polêmicos de repercussão nacional.
Por que, por exemplo, o corrupto eleito não é impedido de ser empossado, independentemente do tempo do delito, exceção de prescrição? Ora, se o crime não está extinto, trata-se de um corrupto em potencial e, como tal, não está à altura de ser um representante do povo. O Congresso Nacional, já infestado de gatunos, fica obrigado, por uma míope decisão judicial, a receber mais emporcalhados que irão denegrir ainda mais a sua imagem. Como fica o interesse da sociedade?
Sendo um pragmatista, acha que toda lei e sua interpretação quando divergente quanto à sua aplicabilidade no tempo, deve ir ao encontro do anseio do povo, relevando-se proibitivas formalidades constitucionais. Afinal de contas, está convencido, as leis existem para servir a sociedade e não o contrário. Que não se fale, com reverência, em respeito a Carta Magna porque tudo que é grande leva intrinsecamente o seu oposto, isto é, magnos erros e magnos acertos.
Ainda na esfera do poder judiciário, na atualidade um acontecimento, chama-nos deveras a atenção. Trata-se da guerra, praticamente a sós, da Corregedora do Concelho Nacional de Justiça, Ministra Eliana Calmon, contra diversas associações de magistrados. A primeira frente de sua batalha diz respeito à competência do CNJ punir juízes, precedendo iniciativas dos tribunais de justiça, nem sempre eficientes na apuração de delitos, levados pelo espirito corporativista. Será que essa divergência justifica tamanha balburdia e inconformismo?
A segunda refere-se a uma provável investigação da vida dos membros do judiciário. Vamos admitir, diz Catão, que seja verdadeira essa insinuação. E pergunta, se o juiz, desembargador ou ministro têm uma conduta ilibada, por que o medo da investigação? Somente o feijão podre irá bolar. Não estarão alguns sansões do judiciário com a consciência pesada? Lembrou-se, a proposito da guerra da ministra Eliana, do dramaturgo Ibsen que dizia que o homem mais forte que há no mundo é o que está mais só. Temos uma mulher no páreo dessa grandeza de ser forte.
Catão encontrava-se sobrecarregado com notícias que eram apropriadas para o mundo da delinquência. Quase todos os dias pipocavam notícias sobre improbidade de autoridades públicas em algum lugar do país. O Congresso Nacional, chegou a conclusão, era um lugar inconveniente e perigoso para deputados e senadores xingaram-se mutuamente de ladrões, pedirem apuração de responsabilidades contra ministros, pois, autênticos rabos de palha, amanhã aparecerão no noticiário com os mesmos pecados.
Em nome da brevidade, vou narrar com exatidão a terrível metamorfose acontecida em seu sonho.
Aconteceu na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Era um mar de gente. No centro, não era bem um teatro de arena, parecia mais um curral, estava cheio de corruptos dos três poderes. Lembravam animais. Em suas fisionomias transpareciam o medo, o assombro e a inquietação, movendo-se de um lado para outro. Separava-os um estreito corredor formado por compridas mesas. Por trás da multidão havia um palco para apresentação das bandas de samba. O espetáculo tem início com o toque do hino nacional. Vibrantes aplausos. Em seguida, vêm os ritmos carnavalescos.
O que mais lhe causou curiosidade e muito riso, é que todos os corruptos, impecavelmente bem vestidos como homens respeitáveis, tinham um corpo de porco e um rosto, da mesma forma, parecido com um focinho de porco. Os que faziam parte do judiciário, além da toga que vestiam, distinguindo-se dos demais, carregavam na cabeça o símbolo da justiça. Não bastasse o mau gosto desse enfeite que os ridicularizava, a efígie, despudoradamente, a todo momento tirava a venda, piscava, abria e fechava os olhos. Era a imagem da vadia de programa que faz tudo por dinheiro.
De repente, a claridade da praça se reduz a uma penumbra. Do céu, envoltos num halo luminoso, descem dez julgadores, os anjos exterminadores. Segundo convencionaram, cada qual faria o julgamento de cinquenta corruptos, sorteados entre componentes dos três poderes. As sentenças, sem necessidade de enfadonhos relatórios, resumiam-se a fazer a leitura da vida pregressa de cada um, indicando dia, mês e ano de cada delito. Ao término de cada, os sentenciados iam ficando um ao lado do outro. Concluídos os trabalhos, os dez juízes, em uníssono, como nos filmes americanos, desejam solenemente: “que Deus tenha piedade de suas almas”. Imediatamente, como obedecendo a um controle remoto, os corpos entram num processo de autocombustão.
A multidão, até então silenciosa, aos berros bate palma. Após alguns minutos, o ar estava empesteado pela fumaça e o cheiro de gordura, lembrando-lhe os fornos crematórios nazistas. Quando o toucinho estava crocante, no ponto pururuca, o fogo automaticamente se apagava. Os corpos eram postos sobre as mesas para serem trinchados. Diversas mulheres vestidas à baiana apareceram com bandejas contendo acompanhamento para o churrasco. O samba está a todo vapor. Muita cachaça e cerveja. O povo, canibalizado, estalava os beiços de satisfação.
Convém lembrar que logo após a condenação dos corruptos, os juízes voltam para o céu e a uns cem metros de altura abrem uma faixa em letras garrafais com a seguinte mensagem: o bom Deus não quis que vocês, brasileiros, sofressem a ira da natureza, mas como nenhum país poderá ficar isento de algum castigo, deu-lhes generosas safras de ladrões. Arrependido da sua escolha, bem mais grave do que terremotos e furações, em seu nome breve voltaremos para completar a limpeza.
Os que não foram julgados ficaram entregues aos cuidados de uma figura apavorante. Era alto, ombros largos, barba espessa num rosto quadrado e olhos vermelhos que revelavam toda a ira e maldade. Tratava-se de Caronte, o barqueiro do inferno, que os conduziu em direção a um túnel escuro que descia para as profundezas da terra. Ele sabia onde colocá-los, o degrau do inferno compatível com seus crimes.
Nauseado, Catão acorda sobressaltado e aos engulhos pelo desagradável cheiro de gordura. Acalmou-se. No quarto, não havia cheiro de gordura. Então se deu conta do sonho que acabara de ter e pensou consigo mesmo: esse pesadelo até parece uma revelação do além. Enraizada e tão grave é a corrupção no Brasil que só o julgamento divino, da maneira que sonhara, será capaz de salvá-lo com o jeito pátrio de ser: samba, cachaça e churrasco de corruptos.
Bendita graça divina!
postado em 22/01/2012 00:00Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Ele nasceu em 23 de junho de 1930, e morreu no dia 4 de janeiro de 2012. Começou a trabalhar nas fazendas viçosenses quando tinha apenas sete anos plantando capim, cortando e limpando cana, ou seja, contribuindo para que seus donos ficassem cada vez mais ricos e ele miserável, pois nunca lhe ensinaram que o certo seria lutar pela socialização da riqueza para que todos tivessem direito a tudo.
Como a renda familiar era muito baixa, ainda cuidava da roça e confeccionava bolsas, balaios e caçuás com titara para serem vendidos na feira e ajudar seu pai a sustentar sua numerosa prole.
Em 1956, tentou se aposentar devido a um derrame, mas perderam seus documentos, fato que adiou sua aposentadoria por 13 anos, uma vez que só conseguiu seu intento, devido à idade, em 1969, depois de ter trabalhado como burro de carga durante 32 anos.
Grande e profunda foi minha tristeza ao saber que este homem, chamado JOÃO CAETANO DA SILVA, mais conhecido por todos como Sexta-Feira, havia morrido. Ele representava um tipo de pessoa que há muito desapareceu, pois apesar de ter trabalhado durante tanto tempo, de sempre ter votado nos brasões de Viçosa, de morar de favor numa pequena meia-água, de viver de sua pequena aposentadoria - com a qual comprava sua alimentação, dava um agrado a quem a fazia, ajudava o sobrinho e pagava a mensalidade de seu funeral – e de ninguém ter melhorado sua vida, ele, como fervoroso devoto de Padre Cícero e do Sagrado Coração de Jesus, não guardava rancor, pois achava que um dia as coisas iam melhorar e vivia assim porque Deus queria.
Nada melhorou, uma vez que sua juventude foi de pobreza e sua velhice de miséria. Também não lhe ensinaram, ou ele não percebeu que todo aquele que possui economia de miséria e se rebela é apoiado por Deus.
Ontem caboclo forte e trabalhador, hoje fraco e pedinte, pois andava curvado e todos os dias fazia a peregrinação dos miseráveis até a porta do rico Banco do Brasil, onde ficava, até o meio-dia, pedindo uma moeda a um e a outro, para minimizar suas necessidades.
Que triste ironia!
Quando deixava seu vergonhoso “ponto”, seguia seu rumo. Rumo que o levava para o nada que possuía.
Que País é este!
Mestre Né, o pedreiro do Casarão, quando viu o enterro passar, disse: “Foia que ta na árve quando seca já é pra caí”.
Tem razão, Mestre Né! O Sexta-Feira secou e caiu.
Caiu nos braços de Deus.
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Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
A cena se passa numa das novelas da tv. Na sala de uma casa o telefone toca. A empregada doméstica vai atender, enquanto a dona da casa dialoga com o filho na faixa dos dez anos. A empregada tira o fone do gancho. Do outro lado da linha uma mulher se identifica e pergunta se a dona da casa está. Ao ouvir o nome da pessoa que está ao telefone, a patroa gesticula para a empregada, orientando-a a dizer que ela não está. O menino assiste à cena meio intrigado. Se a sua mãe está, porque dizer à empregada que não está? Cenas iguais a essa se repetem diariamente em todos os lugares do mundo. Tendo por base a mentira, as pessoas tentam, de todas as maneiras, se desvencilhar das dificuldades e vicissitudes que encontram pela frente. A saída, normalmente, é se livrar do problema entranhando-o de mentira. Nunca o encarando com coragem, firmeza, determinação. Porque será?
A mulher da novela é só um exemplo da maneira desonesta, irresponsável e inconseqüente que adotamos, na maioria das vezes, para resolver problemas do dia-a-dia. O pior é que nos esquecemos das pessoas que estão ao nosso redor, nos analisando, nos observando e nos adotando como modelo a seguir. Futuramente, o que a mãe que mente diante do filho, ainda pequeno, quererá dele quando tiver que vê-lo enfrentando suas próprias dificuldades? Que ele as enfrente esgrimindo a espada da verdade? Que ele pratique comportamentos que nunca presenciou em casa adotados pelos pais? Como, se diante de si teve sempre adultos como exemplos, como referenciais, mentindo, distorcendo, trilhando o caminho da mentira? Como, se assiste, diariamente, adulto já profissionalizado, o chefe na repartição utilizar-se prioritariamente da mentira para resolver o que surge no seu escaninho?
Pela televisão também assistimos as lideranças políticas darem um verdadeiro show no emprego da mentira, da falsidade, da dissimulação, quando tentam justificar seus maus feitos na vida pública. Porque o ser humano mente tanto? O mundo dos negócios, o das atividades esportivas e comerciais, por exemplo, também não ficam atrás. Nesse terreno é dado por inteligente, competente, sagaz, o que sabe utilizar, com o máximo da maestria, os instrumentos da mentira, da matreirice, do engano. Quando se ouve dizer “Fulano é competente” é porque, na maioria das vezes, o elogio está ligado ao uso descarado, pelo elogiado, da falta da verdade. O interessante, acima de tudo, é que aprendemos desde cedo, nos bancos escolares, no catecismo católico, nas escolas dominicais das igrejas evangélicas, que devemos nos valer da verdade sempre – defendendo-a e empregando-a ao longo da vida.
A respeito da questão, a Bíblia nos ensina que, para o cristão, o sim é sempre sim e o não é sempre não. Nos esclarece, ainda, que os mentirosos jamais herdarão o reino dos céus. Jesus salienta, também sobre o assunto, que o Diabo é o pai da mentira. Logo, quem se utiliza rotineiramente do seu uso está fazendo o jogo daquele que, segundo Jesus, só veio para matar, roubar e destruir. O interessante é que, ao sairmos da inocência da infância para o jogo bruto do aprendizado profissional, somos sempre instruídos a fazer da mentira um instrumento valioso para o alcance do sucesso. Esse comportamento vai deixando seqüelas irreparáveis ao longo de nossas vidas e criando, ao nosso redor, seguidores fiéis, aprendizes capacitados a se exercitarem na prática da mentira. Ah, a mentira. Como se livrar do seu veneno? Como deixar de vê-la nos outros e de usá-la no dia-a-dia?
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Eliene Sandra Mello
Penedense, poetisa, escritora e professora aposentada
Oh! Bom Jesus dos Navegantes, rogai por nós. Olhai para esta cidade linda, que infelizmente está a agonizar.
Rogai pela população, que de braços abertos, não tem pra quem apelar.
O desemprego crescente, obriga seus filhos migrar para distante.
Rogai por uma política decente, que venha ajudar a linda Penedo a não definhar.
A festa, o pão, o circosó servem para silenciar, por enquanto a voz dos aflitos. Depois de um tempo os problemas retornam.
Oh! Bom Jesus dos Navegantes, rogai por estas crianças que andam sem rumo. Rogai pelos jovens sem perspectiva de um futuro promissor,
Afastai o tráfico e aviolência que aterrorizam os lares.
Rogai pelos homens sem emprego, pelas mulheres sem guia, pelos enfermos sofredores, vagando nos corredores dos hospitais, dia a dia.
Bom Jesus dos Navegantes! Rogai pelo São Francisco, fonte de alimentação. Empregai seus pescadores, para um digno ganha pão.
Rogai pelas mentes dos nosso representantes, para que lutem por uma política verdadeira.
Bom Jesus dos Navegantes, navegai no coração de cada penedense, renovando o amor. Saúde, harmonia sejam a estrela guia da minha gente sofrida, há muito tempo esquecida.
Penedo, terra querida, que tenho no coração!
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Maria Núbia de Oliveira
Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras
A multidão foi ao encontro de Jesus. No meio dela, um grupo de obcecados pela lei, queria testar o Filho de Deus, jogando aos seus pés uma mulher adúltera. Todos se aglomeravam em torno da pecadora. Os mais instruídos citavam a Lei de Moisés, questionando Jesus.
A mulher jogada no chão, rosto encoberto pelos longos cabelos, soluçava, esperando a condenação. Tinha cometido um dos maiores pecados daquela época. Hoje virou rotina. O seu pecado escandalizava o mundo, feria a lei de Moisés.
Aqueles senhores, porém, tinham uma preocupação maior: colocar Jesus no canto da parede. Usariam aquele episódio para denegrir a imagem do Filho de Deus no que diz respeito ao cumprimento da lei, caso Ele não a seguisse ao pé da letra. Esperavam a resposta fatal de Jesus Cristo.
Pairou um longo silêncio. Longo, porque todo silêncio, por menor que seja, parece uma eternidade, face à expectativa de uma atitude ou de uma resposta coerente ou não.
Jesus não tinha pressa. O momento não era de preocupação com a lei. Estava em jogo um ser humano, uma alma aflita, uma frágil mulher à mercê de uma turba enfurecida.
O Homem do perdão inclinou-se, reflexivo, olhos fixos na areia, no pó que somos todos nós, após a morte. Escreveu alguma coisa que a Bíblia não narra. O que será que Ele escreveu? Gostaria de saber.
A turba impaciente, insistia. Queria uma resposta, uma atitude d'Aquele que veio para redimir e não para condenar!
Pleno de sabedoria, altivo, jogou nos tímpanos dos executores das leis, a célebre frase: " ATIRE A PRIMEIRA PEDRA QUEM NÃO TIVER PECADO!"
Um oceano gelado apagou toda a euforia. Invadiu cada consciência. Um por um foi saindo sem resposta, sem argumento e as pedras jogadas no chão...
O episódio não termina aqui. Jesus volta-se para a mulher e mesmo sabendo da resposta, pergunta: " Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?" " Ninguém, Senhor."
" Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar."
A Bíblia não conta o que houve depois daquele momento. Mas alguns Romances do tempo do Cristianismo, narra com maior extensão a alegria daquela mulher ao se ver livre das correntes do pecado. Tornou-se seguidora de Jesus Cristo! O perdão renova! Quantos prisioneiros do pecado sem chance de um mergulho nas águas da redenção para depois um decolar em busca de Jesus Cristo!
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