Martha Martyres

Martha Martyres

Radialista, diretora da rádio Penedo FM, âncora do jornalismo no Programa Lance Livre

Postado em 28/03/2013 09:21

Retalhos de Uma Ex-Freira - Cem Anos de História

Um dos meus mais caros sonhos era estudar no Colégio Imaculada Conceição e meu pai não mediu sacrifícios para realizá-lo.

Como fiquei feliz! Como me sentia linda, vestida naquela saia azul de pregas, a blusa branca e o broche com as iniciais de Maria...

Vivi intensamente cada dia, cada momento. E para completar a minha felicidade, integrava a Banda Marcial. Ainda ouço o ressoar da corneta dourada executada por Márcia Espinheira, iniciando o toque, para que os bombos, taróis e outros, começassem os lindos repiques. Por ser alta, as irmãs me deram um bombo. Éramos três alunas na frente, batendo naqueles bombos enormes: pô, pô,pô. Jamais esquecerei as alvoradas, às quatro da manhã. Era lindo! O céu ainda dourado, trazendo os sinais da chegada do sol.

Quantas recordações... Foi ali que floresceu a minha vocação. Foi no Colégio Imaculada Conceição que fui premiada com o livro: "Toda Palavra é uma semente", de Dom Nivaldo Monte, quando Irmã Assunção, de saudosa memória, ordenou que as alunas fizessem uma redação. As melhores seriam premiadas. Obtive o primeiro lugar. Naquele momento descobri a minha paixão pela leitura e pela escrita.

Quantas irmãs abnegadas , que passaram, jogaram a semente no meu coração, displicentemente, sem sequer medirem o grande feito que estavam construindo: Irmã Jolenta, Irmã Assunção, Irmã Aurélia, Irmã Genoveva, Irmã Alice Maria, Irmã Domitila, Irmã Celeste, Irmã Piedade, Irmã Josefa, Irmã Lúcia, Irmã Ângela, Irmã Patrocínio. Foram tantas, como as estrelas do céu!

E o que dizer do baile de formatura? Papai dançou comigo a valsa da concluinte. Mas meu coração, minha alma, enfim, todo o meu ser estava em outro lugar, longe daquela linda festa: O salão era o claustro; a orquestra era o sino; o maestro, Jesus Cristo e as luzes, eram as lamparinas que velam os sacrários.

Foi do Colégio Imaculada Conceição que eu parti com Irmã Alice Maria para a vida religiosa. Foi no Colégio Imaculada Conceição que eu me estruturei para enfrentar os altos e baixos das montanhas do mundo.

Inspirada pela mais bela experiência da minha vida, num misto de humildade e orgulho, não posso omitir que sou a autora dos dois hinos: o do Colégio e do Centenário do mesmo. Que presente melhor eu poderia dar, senão a expressão do meu amor e da minha gratidão, ao Colégio Imaculada Conceição?


                                                                                                       Autor(a): Maria Núbia de Oliveira.
 

Comentários comentar agora ❯

  • Iranleide Poxa vida, Núbia, vc me fez voltar ao passado, q coisa mais linda: Irmãs, Angela, Aurélia, Genoveva, ah, demais, não segurei as lágrimas, era criança nessa época, mas tinha o maior orgulho de estudar no Imaculada, moças lindas, Márcia Espinheira, chiq, elegante, finérrima. Onde anda todo mundo?
Postado em 25/03/2013 15:26

Cem Anos de História - A Batuta Transgressora

Estudava no Colégio Imaculada Conceição no final dos anos 70, em plena Ditadura Militar e todas as sextas-feiras participávamos do hasteamento da bandeira cantando o Hino Nacional reproduzido pela antiga vitrola que ficava na secretaria e tinha um alto-falante tipo “cornetão”, que emitia aquele som estridente e desprovido de graves e agudos.

Estavam todos os alunos perfilados e eu no final de uma das filas. Sempre gostei de música. Sempre, desde pequeno, fui (como ainda sou) fã de grandes orquestras como as de Paul Mauriat, Clebanoff, James Last. Num surto de incorporação do espírito de algum maestro, passei a reger, com uma batuta imaginária, a orquestra que executava o nosso belíssimo Hino Nacional.

Por estar no final da fila, pouco fui percebido por meus colegas. Mas eis que estava perto de mim sem que eu a notasse, a eficiente professora de matemática, América Dias.

Naqueles austeros tempos, foi quase um atentado anti-patriota o que inocentemente fiz. Ela, sem hesitar, me levou à diretora, Irmã Conceição, para as reprimendas necessárias. Por sorte minha, a diretora estava de ótimo humor e relevou o acontecimento.

Mas, confesso que um diabinho dentro de mim provocou-me a desafiar minha professora de Matemática.

América morava atrás da minha casa, na tradicional Rua do Amparo. Gravei um cassete de 60 minutos, dos dois lados, com o Hino Nacional. Coloquei duas caixas de som numa grade de um antigo galinheiro que mamãe tinha em casa, viradas bem para a casa dela e fiquei de tocaia esperando sua chegada.

Quando seu fusquinha dobrou a esquina do Tênis, acionei o tape-deck auto-reverse com o amplificador no volume mais alto. Ela entrou noite adentro escutando o Hino Nacional.

Na segunda-feira foi a vez dela. Sua aula foi usada exclusivamente para exprimir sua revolta: "Isto foi uma afronta a minha pessoa!, dizia ela encarando-me nos olhos. Fui, ao final, expulso da sala.

Sozinho, no pátio do colégio, confesso que me arrependi e temi pelas futuras notas baixas que certamente tiraria em Matemática.

Em seguida aparece Tico, que saiu da sala e veio me consolar. No recreio, mais tarde, muitos colegas vieram agradecer pela aula que não houve. O comentário no intervalo não poderia ser outro.

Graças a Deus aquela aula foi suficiente para o desabafo de América.

Já relembrei com ela o acontecido, muito depois de deixar de ser seu aluno, em alegre momento de nostalgia. Todos que conviveram com América sabem o quanto competente e preparada ela é. Aliás, a facilidade com os números é genética em sua família. Todos sabem o quão boa pessoa ela também é.

Minhas notas baixas em sua matéria, admito, foram culpa exclusivamente minha.
 

                                                                                                             Autor: Roberto José Peixoto

Comentários comentar agora ❯

Postado em 22/03/2013 16:05

Colégio Imaculada Conceição Um Centenário de Histórias

Recebi o belo convite das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras para a celebração do centenário do Colégio Imaculada Conceição e com ele algumas boas lembranças e uma doce saudade.

Como tantos alagoanos e sergipanos de nossa região e de outras plagas do nosso Brasil, também fui aluna do Colégio Imaculada Conceição em meados da década de 60, sob as orientações e cuidados das Irmãs Franciscanas, mais precisamente, de Irmã Genoveva.

Boas lembranças de um tempo de inocência diante do contexto político e social que se desenrolava no país, no estado e mesmo em nossa pacata Penedo e da proteção que àquela época nos ofereciam a família e a escola.

É dentro deste espírito de boas e saudosas lembranças que decidi abrir um espaço no meu blog para as histórias desse centenário. Sei que centenas de ex-alunos e alunos possuem uma riqueza muito grande de recordações com fatos, experiências e testemunhos do cotidiano do Colégio Imaculada Conceição.

Da rigidez dos ensinamentos às meninas que enrolavam o cós da saia para diminuir o tamanho e ao jargão popular de que “O Colégio Imaculada Conceição tem muita mulher bonita, mas não tem educação!”, passando pela disputa dos desfiles de 7 de Setembro e as paqueras com os meninos do Colégio Diocesano, muitas histórias (histórias, mesmo!), haverão de ser contadas.

Deixo, portanto, esse espaço à disposição de todos e todas que quiserem contribuir para que possamos resgatar o que de melhor guardamos na vida: as boas lembranças!

E para dar início a essas histórias, nada melhor do que contar a história de Chapeuzinho Vermelho, encenada por Cristina Sanchez e Fortunato.

Tradicionalmente no final do ano, as Irmãs sempre realizaram grandes eventos. As celebrações objetivavam comemorar os resultados de um ano inteiro de trabalho e dedicação ao ensino e à formação de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver na instituição.

Um certo final de ano, Irmã Assunção decidiu fazer uma apresentação das histórias infantis que povoaram a nossa imaginação. Tudo acertado, foram escolhidos os “atores” para representar os personagens e, claro, para representar Chapeuzinho Vermelho, ninguém melhor do que uma jovenzinha loura, linda e de olhos zuis: Cristina. Para fazer o papel de Lobo Mau, o escolhido foi Fortunado, um menino estudioso e comportado, gordinho, é verdade, e que se encaixava perfeitamente no personagem.

E lá se foram dias e dias de ensaio na Capela, até que os idealizadores da apresentação se deram por satisfeitos com a performance dos “atores”.

Cristina, além de loura, linda e de olhos zuis, ainda cantava maravilhosamente bem a musiquinha: “Pela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha!”. Perfeito.

E no dia da celebração, lá estavam todos aguardando o grande momento. Cristina estava deslumbrante. Parecia ter saído diretamente do livro de histórias para aquele momento. Sua roupa, ricamente adornada, feita com muito esmero pela dona Dida (Nadyr Athayde), sua mãe, e dona Toinha da Padaria (Antonia Santos), sua madrinha, comparava-se às produções hollywoodianas. O capuz vermelho cobria parcialmente os lindos cabelos dourados e destacava os brilhantes olhos azuis. Na cestinha pendurada no braço, rubras maçãs e potes de doces eram objeto de olhares gulosos, pois todos sabiam que em cesta preparada pela Dona Dida haviam muitas delícias.

Capela cheia, lugares ocupados pelos familiares dos alunos, o Padre faz as orações, Irmã Assunção os agradecimentos de praxe e para finalizar, o grande momento: a representação da história de Chapeuzinho Vermelho pelos devotados alunos do Colégio Imaculada Conceição.

Estouram os aplausos e entra Cristininha, linda, loura, de olhos azuis, de capuz vermelho, cestinha pendurada no braço esquerdo e uma voz aveludada cantando:

-“Pela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha. A estrada é longa, o caminho é deserto e o Lobo Mau anda aqui por perto.”

Era a deixa. Da parte de trás do altar, sai Fortunato com a máscara do Lobo Mau.

Acontece que, em todos os ensaios realizados, Fortunato nunca usara a máscara. Assustada, Cristina não hesitou. Pegou a cestinha e partiu para cima de Fortunato, digo, do Lobo Mau e tome!

Uma cestada, duas, três, mais outra e o pobre do Fortunato começou a gritar: Socorro, mamãe!!!!!

Resumo: Cristina Sanchez, Cristininha, à época, acabou com a comemoração de final de ano do Colégio Imaculada Conceição e escreveu, na década de 60, um novo final para a história de Chapeuzinho Vermelho.

Ah! Depois desse episódio, Cristina passou a levar dois lanches para o Colégio: um para a hora do recreio e outro para a hora do castigo.

Agora, quem quiser que conte outra! É só enviar para: [email protected]
 

Comentários comentar agora ❯

  • Lucia Helena gostei muito, criança e mesmo imprevisivel inocente e linda.,
  • Ednaldo Nossa Penedo, é uma fonte inesgotável de "histórias", como essa narrada pela Martha, digo sempre, que às pessoas deveriam reunir tudo isso em um livro, para que essas doces histórias não se perca no tempo. Tenho um livro de um membro da família Batinga que conta histórias da década de 40,50 e 60.
  • Eugênia Freire Moro em Recife e estudei em Penedo, Colégio imaculada Conceição. Solicito saber da programação do centenário, pois gostaria de estar em Penedo, para rever amigos. Como sugestão: colocar na internet um convite para todos os ex-alunos, espalhados por esse Brasil afora! Atenciosamente.
  • Iranleide Rsrsers, demais! Lembrei que Irmã Aurélia me deixou de castigo porque dobrei a saia, 30 voltas na quadra rezando o terço! Foi assim q mamãe me encontrou e quando soube o pq do castigo e me fez rezar o terço outra vez em casa! Muito bom, maravilha lembrar a querida Irmã Aurélia!
Postado em 20/02/2013 16:43

A imprensa que cria mitos e monstros

Internet
A imprensa que cria mitos e monstros

Vamos colocar os pingos nos is: a culpa, muitas vezes, é da imprensa, sim!

E isso porque é a imprensa, feita por gente de carne e osso, com ódios e paixões, predileções ou antagonismos, movidas por todos esses e aqueles sentimentos que são inerentes aos seres humanos e que fazem o mundo girar, a responsável pelo conceito que define uma pessoa e a sua existência nas relações sociais e políticas.

A imprensa cria mitos porque sobre determinada pessoa, por incontáveis motivos, faz relatos extraordinários de sua natureza e de suas obras. Na maioria das vezes, reconheço, sem comprovação prática ou uma análise mais minuciosa, mas com uma fé inabalável na esperança de que um sonho possa tornar-se realidade.

É claro que a imprensa, formada por pessoas, por gente, também é movida por outros interesses, sejam eles de poder político ou econômico, até mesmo de dominação ou vaidade, mas não conheço nada que se compare à mola propulsora da fé e da esperança.

Por isso a imprensa amplifica, através do imaginário das pessoas, as qualidades em que aposta para a execução das ideias e dos sonhos. E assim são criados os mitos.

Criamos mitos de bondade, de honradez, de competência, de honestidade e de tantas qualidades quantas forem necessárias para determinar as propriedades ou características da realidade que desejamos concretizar. Lembrem-se de que, para isso, contamos com os institutos de pesquisa.

O bom, é que às vezes dá certo. Não é assim muito comum, mas ainda é gratificante constatar que a maioria dos valores que aprendemos entre um puxão de orelhas e outro, quando crianças, ainda prevalece.

No entanto, quando dá errado, criam-se os monstros.

A definição de monstro é de um ser disforme, contrário à natureza, ameaçador, desumano e cruel, que pode adquirir diversas formas, ou seja, um ser frio e hipócrita, capaz dos atos mais atrozes sem nenhuma indulgência ou remorso.

Mas, o monstro tem uma característica singular: ele é capaz de tornar-se irreconhecível, de fantasiar-se, de mascarar-se e tomar as formas mais virtuosas.

Assim sobrevivem os monstros políticos. Fantasiando-se, mascarando-se e cometendo os mais cruéis atos contra o povo que os prestigiou e privilegiou.

Os monstros são traiçoeiros. Fantasiados de mitos, espertos, usam a imprensa como escudo e iniciam uma batalha para tomar o poder. Escondem suas verdadeiras intenções em falsos laços de amizade; manipulam os colaboradores para que se comportem de acordo com a direção de seus objetivos; adulteram resultados, apropriam-se dos bens públicos, subtraem direitos, usurpam ideias, menosprezam as conquistas dos outros e desdenham as virtudes alheias.

Os monstros da política enganam o povo e só deles se aproximam para que sirvam de escravos na construção de sua pirâmide de poder. Tem nojo, medo do abraço e do aperto de mão e disfarçam o asco que o povo lhes causa com a pálida, às vezes rósea desculpa da timidez.

Os monstros da política fazem de conta que administram, fazem de conta que entendem das necessidades e carências da população e a tudo respondem com desprezo e ironia, como se estivessem prestando um grande obséquio, uma indulgência até.

Os monstros, nascidos muitas vezes mitos por culpa da imprensa, perpetuam o analfabetismo e a fome. Promovem a prostituição e o crime fomentando a miséria humana.

E a miséria humana está nas escolas desmontadas, nos professores mal remunerados, na falta do atendimento médico e na falta do remédio que cura a doença, nos hospitais destroçados, enfim, nas cidades devastadas, abandonadas pela incompetência, pela insensibilidade, pela irresponsabilidade, pela improbidade e por uma desonrosa indignidade.

A culpa, muitas vezes, é da imprensa, sim!
 

Comentários comentar agora ❯

  • Alexandre Malta Martha, seu texto é muito bom! Sua última frase 'culpando a imprensa' é de muita coragem. Como a qualidade do serviços públicos Municipal, Estadual e Federal são de péssima qualidade e a arrecadação de tributos é altíssima, acredito que a imprensa está errando muito na escolha desses MITOS. Abraços.
  • Lucas Martha Martyres ótimo texto a sua pessoa faz a deferência na sociedade penedense.
  • Santos O último parágrafo que conclui seu texto, esclarece, e além disso, alerta à população que a impressa é a " laranja" do meio social, onde muitas vezes, desmentem os fatos para combrir os verdadeiros culpados.
  • Marcos Vinícius Parabéns pelo seu texo. É uma pena que você escreva para um público que nem sempre tem a capacidade de entender a profundidade dos seus pensamentos e reflexões, o que é possível constatar em comentários que não ligam nada a coisa nenhuma.
  • pr Elvis Cardoso é bem verdade que as pessoas preferem estar de mascaras pois assim não precisam resolver seus medos,e DEus nos dá a oportunidade de sermos verdadeiros pois a mentira vem do maligno.
Postado em 13/03/2012 17:14

A alma do Mercado x o fantasma da ilicitação

Cresci em tono do Mercado Público de Penedo e do Pavilhão da Farinha. Aos oito anos, quando saímos do Sítio Araçá e passamos a morar em Penedo, na Travessa Professor Henrique Thomaz, número dois, minhas tardes de quarta a sábado eram vividas no entorno do Mercado, na feira livre, onde limpava e arrumava verduras nas bancas de “Seu” Otacílio, o Oxis, de dona Maria, “Seu” Virgílio e dona Virgínia.  Pela manhã eu frequentava as aulas no Grupo Escolar Gabino Besouro e a partir das quartas-feiras, quando começavam a chegar os caminhões com as cargas de Itabaiana, em Sergipe, eu começava meu trabalho de lavar cenouras, batatas, chuchus, tomates, limpar cebolas, tudo para deixar as bancas arrumadas e atrativas para os consumidores. Era assim que ganhava um dinheirinho de muita serventia para ajudar minha mãe e também verduras e frutas.

Do dinheiro que ganhava, uma parte era entregue à minha mãe para ajudar nas despesas da casa e outra parte era para alugar bicicleta na oficina do Edivaldo e comer creme no “Seu” Oscar.

Junto com meus amigos de infância, que também moravam nas redondezas, percorríamos aquele entorno na seriedade de fazer os mandados que nossas mães determinavam, mas também nos divertíamos nas inúmeras brincadeiras que tinham o Mercado e o Pavilhão como cenários.

Ainda sinto o sabor da manteiga do sertão vendida na bodega do “Seu” Cândido se desmanchando no bolachão da Padaria Primor. Ainda ouço o toc-toc dos tamancos de madeira comprados no barracão do Mané Rosendo e aspiro o cheiro das brilhantinas coloridas expostas no Pavilhão.

Se soubesse desenhar, seria capaz de colocar no papel aquela expressão ranzinza de “Seu” Aprício ou a magreza quixotesca de “Seu” Mangabeira. O bom humor de dona Mirthes, a elegância de “Seu” Juvêncio Lisboa. “Seu” Barreto, sempre antenado com a política, ficava horas conversando com Luis Fausto.

São tantos nomes e rostos que ficaram na lembrança. Alguns que já se foram e outros que aqui continuam em sua lida diária para sobreviver e que ainda hoje resistem no comércio de Penedo.

Comecei a trabalhar “de carteira assinada”, aos treze anos (naquela época era permitido), na Casa Almeida, com dona Cândida. Foi ali, no Mercado Público, onde iniciei oficialmente minha vida profissional como balconista. Entre linhas, grinaldas e entremeios,  aprendi muitas coisas que carrego pela vida afora.

Por isso a minha ligação com a feira, com as pessoas do Pavilhão da Farinha e do Mercado Público de Penedo. Eu vivi ali, eu cresci entre aquelas paredes e conheci todas aquelas e essas pessoas.

Gente, pequenos comerciantes, balconistas como eu fui, que hoje vivem dramas pessoais, familiares e financeiros causados não pelas leis existentes, reconheço, mas pela administração e execução dessas leis.

Hoje, quando constato que a política e a lei que deveriam promover o que entendemos por justiça e bem estar, muitas vezes podem se transformar em agentes causadores de grandes injustiças e atrocidades, minhas  lembranças e meu coração falam mais alto do que minha missão de noticiar os fatos.

O uso de bens públicos tem regras expressas em leis que são administradas e executadas por políticos, avaliadas e aplicadas por operadores do Direito. Se essas regras fossem observadas com responsabilidade, coerência, senso de justiça, imparcialidade, retidão e lisura, certamente não provocariam tanta angústia e desalento.

Mas infelizmente não é assim. Principalmente porque é ano eleitoral. Logo teremos os resultados mais convenientes e o barulho dos fogos de artifício das inaugurações vão sufocar os soluços dos injustamente derrotados.
 

Comentários comentar agora ❯

  • carmen cristina de almeida mota parabéns mulher guerreira,pelo seu trabalho na nossa cidade querida embora não esteja morando mais ai ,mais sou filha desta terra e vejo todos os dias,aqui acontece sou tua fã.bj
  • Marcos Vc lembrou bem dessas pessoas que quando não estou mais aqui, deixaram seus familiares. é uma vergonha que isso esteja acontecendo. tem muita gente desesperado porque sua vida está destruida. quero ver na hora de fazer festa. antes da eleição vai ter muita inauguração e vão festejar o que?
  • Ramilton Ti admiro muito Marta,quero que Deus sempre ti ilumine e ti der muita saúde sempre.
  • José Cristóvão Santos Só agora vi esta linda matéria, PARABÉNS, Martha, também vivi essa história em nossa Penedo, sempre leio suas matérias no blog e gosto do seu jeito de expressar, são lembranças que guardamos para sempre, desejamos muito sucesso e não se curve diante de comentários com intúito inibidores. Fique com
  • Ysis Você escreve muito bem, suas reflexões são bem coerentes. Gosto bastante de lê-las. Abraço
  • Iran Martha, só você pra me fazer essa viagem no tempo, que m a r a v i l h a! Amei, chorei, sorri, gargalhei, mas, as lembranças foram profundas, nossa, recordar as vezes que fui no creme do Seu Oscar,simplesmente divino, o bolachão da Padaria Primor, hummm, perfeito, Seu Mangabeira, valeu.beijo grande.
  • Antonia Maria Bezerra Gonçalves Parabéns colega, seu texto me fez voltar ao passado e relembrar de toda riqueza da nossa terra, desse povo tão hospitaleiro.Devo dizer que sinto orgulho de ter conhecido e compartilhado com pessoas inteligentes e cultas como você.Mesmo distante sinto muita saudade e não esqueço da minha gente.
  • Vanilson Antunes Silva Bom dia, Martha. Lendo esta tua matéria linda e q me traz varias lembranças da época em q meu pai me levava cedinho para tomar um café no pavilhão. Estive em Penedo na Festa de B. Jesus este ano e sentir nojo do que vir. O abandono é visível, é triste. Lembro muito do seu pai e do sitio ARARAS.
  • Vanilson Antunes Silva aonde ia pra La pegar manga, jaca e outras frutas que tinha n? aquele belo Sitio. Seu pai era muito amigo de meu avô. Só lembranças maravilhosas. Sou seu fã nº 1 e seu pai gostava muito de mim... O Srº josé Vécio como nós o chamavamos. Lembro d' ele com seus cabelos branquinhos ou entalhando.
  • anderson quero saber quando vai sair o retroativo do professor municipal!
  • Jorilton Santos Lima Não é comentário, é um pedido SOS. Desempregado há mais de um ano, fui até a Prefeitura saber se tinha impressora a laser para imprimir apostila para estudar para o concurso BNDES. Fui informado que nem papel tinha, quanto mais a impressora. Não tenho recurso pra pagar essa impressão. Ajude-me!
  • Ednaldo Gostei das lembranças, faltou falar naquelas pessoas que vendiam na porta do pavilhão, o famoso pé de moleque, macazada, sarôlho, beijú etc..., nas comidas de D. Tininha, no arroz doce e mungunzá de uma senhora que vendia no pavilhão e esquecí seu nome, "seu" Candido, era meu bisavô, e Edson meu tio
Postado em 03/02/2012 19:03

É fevereiro e tem Carnaval!

O carnaval de Penedo começa nesta sexta-feira, 3 de fevereiro,  com o desfile de aniversário da Raquel. A Boneca do Vá vai para as  ruas acompanhada por foliões, ao ritmo do frevo e do Zé Pereira, contando a história de uma senhora que, com pouco mais de meio século de vida, aos 52 anos, transformou-se em um marco feminino na história do carnaval penedense.

A loura Raquel traz em sua postura de rainha, o brilho do “Império do Momo” e as lembranças dos velhos carnavais.

Volto à minha infância e reencontro rostos conhecidos no colorido da Floriano Peixoto. Revejo os amigos que comigo formavam o Bloco dos Caretas (Solange, Neno, “Sinha” Valda, Margarida, Betânia, Elvira, Walter).

Quando crianças, surrupiávamos as bordadas mochilas de pão de nossas mães, furávamos buracos para fazer olhos, nariz e boca, transformávamos os cabos de vassoura em uma espécie de cajado e usávamos as latas de goiabada e banha (naquele tempo eram de metal mesmo!) para fazer os nossos tambores.

As camisas velhas de Zé Vécio, Luiz Fausto e Dominguinhos, bem como os vestidos de dona Lourdes, “dinha” Lúcia Espinheira e “tia” Valda, serviam de disfarce para os corpos raquíticos e tão conhecidos dos moradores da região que conheciam as nossas traquinagens. Assim era o Bloco dos Caretas e nos quatro dias de carnaval, invariavelmente, saíamos pelas ruas nos divertindo com as “Lanças” de água, confetes e serpentinas.

O Bloco dos Caretas acabou porque o Valdi Fernando, que era muito comportado, só lia a revista Tio Patinhas e tinha medo de mim (hehehe), jogou-me um penico de mijo no “oitão” da Catedral, para se vingar de nossas provocações.

A verdade é que nós perturbávamos muito, mas também é verdade que eu gastei muita água do rio São Francisco para tirar o cheiro impregnado do xixi e no ano seguinte preferi outra brincadeira.

À tarde tinha as matinês no palanque montado na Floriano Peixoto, em frente à Lojas Paulista e na Filarmônica, a nossa Filó. Era o momento de vestir nossas fantasias. Nos domingo e na terça-feira, esperávamos com ansiedade pelo desfile das escolas de samba de Neópolis e do Carrapicho.

Quando a tarde começava a dar os primeiros sinais de cansaço e as luzes se acendiam, era encantador ver o brilho dos enfeites carnavalescos pendurados nos postes. Eram arlequins, colombinas, baianas, máscaras, pierrôs e muitas, muitas luzes.

No palanque montado no QG do Frevo, os músicos caprichavam nos acordes e quando a noite chegava com todo o seu mistério e fantasia, Zé Mulé aparecia, soberbo, em um canto do palco.
Era um espetáculo resplandecente, multicolorido, envolto na suavidade das plumas que se moviam ao sabor da brisa.

Ali, encostados na porta da loja de dona Mirthes, nas escadarias da Teatro 7 de Setembro, nos degraus do Bar do Agobal ou entre as bancas dos roletes de cana, observávamos, fascinados, a magia dessa festa que é sinônimo de alegria, até que o encanto era quebrado pelo tradicional “já pra casa, menina!”.

E o que nos restava, então, era ouvir os acordes do frevo e do samba dos bailes da Filarmônica, enquanto não éramos vencidos pelo sono próprio das crianças.

O carnaval está chegando. Penedo é um cenário vivo e vibrante para o grande espetáculo da alegria do povo que explode em danças, fantasias, brincadeiras e muitas...muitas lembranças!

Feliz carnaval para todos!
 

Comentários comentar agora ❯

  • WALTER GÓES Parabéns pela "SESSÃO NOSTALGIA" Super legal. Ah!!!!!!! "LAMPIÃO" tá área. Sucesso. Walter Góes
  • valdi fernando pois é amiga, brilhante recordações desse tempo da nossa inocência, de HHH..mais gostoso.. e vc nunca esquece essa pinicada kkkk.. mais se lembre que vossa também era danada e não deixava de graça..valeu...bom carnaval para todos nós....tempos que não voltam mais e éramos felizes e não sabiamos...
  • O surto Como pode? Um professor escrever com tantos erros ortográficos?
  • valdi vc é danada nunca esquece desse detalhe e olha amiga só agora é que vi esse lance, me desculpe, porque no carnaval eu brinquei um bocado no melhor freve de sergipe em neopólis e aqui na lavagem do beco foi sensacional. e te vi de peruca eu tdb não passei em branco..mais que tempo bom esse que vcfala
Postado em 06/01/2012 09:50

Bom Jesus dos Navegantes

Bom Jesus dos Navegantes
Bom Jesus dos Navegantes. Imagem de Cesário Procópio dos Mártyres

No segundo domingo de janeiro, vamos acordar ao som dos acordes das Bandas de Pífano. É a festa do Bom Jesus dos Navegantes!

É dia de rever os parentes distantes, os amigos separados pelo cotidiano de cada vida.
É dia de reunir a família, de mesa farta, de cheiro de bolo quentinho, do sabor inigualável dos barquinhos de amendoim, dos rolete de cana, da paçoca, da roda gigante…

Dia de Festa do Bom Jesus dos Navegantes é dia de usar roupa nova e sapatos que, se fizerem calos, serão pendurados nos dedos, sem pudor e constrangimento porque o que vale é acompanhar a procissão terrestre e fluvial e pedir benção ao santo.

Quando as águas mornas do Rio São Francisco ainda dormem e a névoa da madrugada espalha seu esbranquiçado na moldura da paisagem, homens, mulheres e crianças se aboletam nas canoas enfeitadas com suas roupas de festa e o coração saltitando na garganta.

É hora de ir a Penedo e disputar, palmo a palmo, na multidão, todos os encantos que a cidade oferece.

Os ambulantes coloridos colocam á disposição dos fiéis os mais diversos produtos. Quer o óculos para se proteger do sol? Tem. Quer um terço para rezar e pedir proteção? Também tem! Quer um brinco, uma pulseira, uma canga de praia? O ambulante oferece. E se você não trouxe a comida, não se “avexe”. Tem macaxeira com carne do sol. Tem muqueca de peixe, camarão, jacaré, rabada e mocotó!

Os grupos folclóricos espalham-se, as rodas de Capoeira, ao som do berimbau, trazem gestos de um primitivo instinto de defesa, uma mistura de dança e luta para lembrar nossas origens e nossa força. No ar, há um odor azedo de suor, de cachaça e uma mistura das frutas da época.

Só quem nasceu por aqui é capaz de ver e sentir, de forma plena, o entusiasmo, a fé e a capacidade criadora do povo beradeiro nesse momento soberbo. É uma fé cheia de vitalidade e pureza!

Passam-se os anos, modificam-se as tradições, mas o povo do Baixo São Francisco, em sua plenitude, exalta a cada semana de janeiro o seu Bom Jesus dos Navegantes que em tudo manda e rege como também rege e manda nas águas do Velho Chico. A festa do Bom Jesus dos Navegantes o tempo não alterou e o progresso não arrefeceu.

Não pode haver espetáculo mais belo que esse desfile de dezenas de barcos acompanhando o cortejo. Das muradas da cidade, do cais, da beira do rio, das ilhas, de toda parte a população vai ver a procissão do santo protetor dos navegantes.
Durante todo o ano ele fica na Igreja de Santa Cruz, a pequena capela que foi edificada na comunidade no ano de 1818.

O escultor da imagem do Bom Jesus dos Navegantes, Cesário Procópio dos Mártyres, contava que no local da capela havia um terreiro onde se realizavam danças diabólicas. Certo dia, um garoto que assistia ao evento viu um homem que dançava com pés de cabra. Houve pânico na população e o terreiro foi destruído. Em seu lugar, foi edificada a atual capela que data do ano de 1907. É lá, no altar principal, que fica o Bom Jesus dos Navegantes.

Na segunda semana de janeiro a comunidade de Santa Cruz se transforma. É quando acontece o tríduo religioso, a quermesse, a festa.

No domingo à tarde, debaixo de um estrondoso espetáculo de fogos de artifício, o santo sai da igreja em seu andor ricamente decorado para “pegar a lancha”, como diz o homem da beira do rio. No percurso da igreja ao porto, o povo pára. Ergue os olhos para o Bom Jesus, pede sua benção, faz o sinal da cruz.

Os mais variados sons silenciam em respeito à passagem do santo. Os homens tiram os chapéus e se curvam em reverência, as mulheres põem a mão sobre o coração e pedem proteção para suas famílias.

Quando o andor com o santo vem se aproximando do porto, a multidão avança, corre para as balsas, os barcos, as lanchas. Entra na água e disputa entre gritos e empurrões, um espaço, o privilégio de entrar na embarcação que levará a imagem do Bom Jesus dos Navegantes.

Nada os detém. Nem a comissão, nem o prefeito, nem os sacerdotes, nem a polícia. Nada consegue manter a ordem desejada. É o delírio e a força da fé. Quem não consegue embarcar, chora, acena, desmaia, mas não arreda pé da rampa.

As embarcações apitam e começa a procissão. Velas brancas, azuis, vermelhas, multicoloridas se levantam para os céus e aos poucos o cortejo toma forma singrando serenamente as águas do rio.

Em seu barco, mão esquerda erguida abençoando os navegantes, o Bom Jesus comanda a festa.

Levantam-se os cânticos, toca a Banda de Música da Sociedade Musical Penedense. Nos barcos que acompanham a procissão, vez ou outra se aumenta o volume do axé, do samba, do brega. Ouvem-se pandeiros, cavaquinhos, violas, palmas. A fé e o desejo de saudar o Bom Jesus independe de gêneros musicais. Não há desrespeito. Há a certeza de que participando da procissão, Bom Jesus há de proteger!

Ele, que abriga os navegadores das tempestades, os pescadores dos perigos do Nego D´água e que, nos dias sinistros conduz a todos que foram pegos desprevenidos ao porto da salvação, compreende que o Pai deu a alegria ao homem para ele expressar seu agradecimento pela satisfação de estar vivo. E o povo faz chegar seu agradecimento a Deus pela música, pelas suas cantigas e pela sua alegria.

Ao longo do trajeto, nos fortes espalhados pelas margens do Velho Chico, Bom Jesus é saudado com foguetório e os barcos acionam suas sirenes. Enquanto isso, na rampa do porto de Penedo, na balaustrada, na Rocheira, o povo aguarda a chegada da procissão, do santo protetor.

O cortejo fluvial se aproxima, o sol vai-se escondendo através das montanhas sergipanas, as luzes se acendem, explodem os rojões e o povo começa a rezar.

“Livra-nos, Senhor dos Navegantes, das práticas políticas eleitoreiras, livra-nos do descaso, da falta de compromisso e dos falsos profetas. Livra-nos da fome, da sede e da seca que assola o homem barranqueiro do São Francisco pela falta de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do Vale do Rio da Integração Nacional. Livra-nos de um projeto de imposição de transferência de nossa água que ao invés de servir para matar a sede dos nossos irmãos e dos animais, como faria São Francisco, o Santo, vai servir de mote para discursos de campanha eleitoral objetivando a perpetuação no poder.”

É festa do Bom Jesus dos Navegantes. Vale à pena ver, ouvir, sentir, acompanhar a procissão ouvindo seus cânticos, rio afora, e ser abençoado pelo Bom Jesus que comanda seu povo, protege e resguarda.
 

Comentários comentar agora ❯

  • Bruno Dantas Belo texto, é isso que o penedense nato precisa conseguir enxergar, a trtadição secular da mais linda festa dessa cidade ribeirinha... Orgulho de ser penedense, Orgulho de fazer parte da história dessa festividade floclórica.
  • Marcello uma coisa q deixa a desejar na procissão é o fato de ter pouquissimos fogos!! para a grandeza do evento merece um espetaculo a exemplo do q é feito em propriá-sergipe
  • sergio uma redação e uma historia tão bonita sobre a fsta do Bom Jesu e fico triteem saber que o nosso prefito que não entende d patachoca nehuma da nossa historia tenta acabr cm nossa festa
  • maria Belíssimo texto que traduz perfeitamente a plenitude da Festa de Bom Jesus dos Navegantes e o sentimento inexplicável de inúmeemoções acontecidas durante a festa, só um penedense nato entende as entrelinhas descritas, de arrepiar! Parabéns! Saudades do meu Penedo! Nada abalará esta comemoração mor.
  • rosy Texto perfeito! Lindo! Não contive as lágrimas! Recordei a minha infância onde aguardávamos ansiosos esse dia onde a vovó reunia todos na sua casa na Santa Cruz, quanta gente! Passávamos todo o dia andando de lancha e à noite brincávamos no parque do Sr. Zeca Pessoa! Saudades! Tempo Maravilhosos!
  • Luciano Parabéns pelo texto! emociona qualquer penedense, pois não sou.. mas me emocionei.. Peço ao Bom Jesus que ilumine o ano de 2012, e no proximo ano daremos os verdadeiras valores que ele tamto merece!
  • Edmilson Feitosa Seguremos nas mãos protetoras do bom Jesus dos Navegantes para que Ele nos puxe para o seu barco e nos conduza sempre para águas e terras mais calmas, brandas e justas, especialmente nesse ano turbulento e repleto de FALSOS POLÍTICOS.
  • Lula Seu melhor texto. E um dos mais bonitos deste segmento que eu já pode ler.
  • Emanuelle Nossa tradição é tão linda, quantos penedenses conhecem essa historia? Viveram para saber como era e ainda é doce dançar ao som das bandinhas de pifano? De saborear o fruto da nossa terra, do labor do povo ribeirinho? Deve se contar nos dedos. O povo de hoje acha que tradição é "banda do momento"
  • john santos silva belissimo texto e isso ai mesmo quando se trata de festa de bom jesus e a festa dele fica provavel que amutidao nao atras de grades bandas essim do glorioso bom jesus dos navegantes fica ai um lerta vamos envistir mais em seus politicos.
  • Roberto Cidade de Penedo Sul do Estado de Alagoas onde só passa na mídia Nacional, com suas fraquezas de um povo forte, generoso, e inquieto onde a Festa de Bom Jesus dos Navegantes merece mais, na qualidade e na divulgação mirabolante,onde ja começa a se conta os dias para que se aproxime a outra.
  • Roberto Penedo Cidade alagoana conservadora, antiga que quase não se anda, com formulas que não faz mais a receita funcionar, porque ? tenho culpa de esta escrevendo isso: não ! Temos uma Piscina Natural no quintal de casa que no fundo vejo a Cidade de Neópolis, e as canoas indo e vindo quem não queria uma
  • glebson bispo franco olha a festa de bom jesus, pode não vim ninguem, mais ela por se só é magestosa, o que nos precisamos é um olhar mais forte para nossas tradição esta festa é como se fosse o marco de penedo. era bonito a missa do galo e de ano que era campal na festa, não sei quem tirou, mais foi uma pesima ideia.
Postado em 02/01/2012 11:06

Curtas, Médias e Moduladas Arquitetura da Destruição

Casa do Penedo

No final do ano passado, o Governo Federal publicou o Edital nº 17/2011, com o resultado final da seleção do Concurso de Modernização de Museus/2011, do Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM. Pelo Ibram, autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, a Fundação Casa do Penedo vai receber R$ 239.920,00 (duzentos e trinta  e nove mil, novecentos e vinte reais), mediante assinatura de convênio. A contrapartida da Casa do Penedo deve ser de R$ 59.980,00 (cinquenta e nove mil, novecentos e oitenta reais), para um projeto denominado “O `Patrimônio Cultural a Serviço da Comunidade”, totalizando um investimento na cultura local de R$ 299.900,00 (duzentos e noventa e nove mil e novecentos reais).

Pela publicação podemos observar que a Fundação Casa do Penedo foi a única entidade de Alagoas beneficiada pelo certame. Espera-se, portanto, para breve, grandes realizações.

Em tempo: é importante que a Casa do Penedo esclareça, tim-tim por tim-tim, a quantas anda o projeto do Museu do Homem do São Francisco, cuja obra foi iniciada pelo Chalé dos Loureiro, é alvo de denúncias de irregularidades e é um dos camelos que não passam no fundo da agulha em que Penedo se transformou.

Penedo: os objetos da  Arquitetura da Destruição em 10 atos

1. Obra da Orla Fluvial;
2. Reforma das Praças 12 de Abril, 31 de Março, Nadir Athayde, São Judas Tadeu, Largo de Fátima e Gabriel;
3. Construção do novo Fórum na Lagoa do Oiteiro:
4. Vias de Trânsito e Sinalização;
5. Comercialização de Pescado e de Carne:
6. Relocação de Ambulantes;
7. Ignorar a importância do City-Gate para a cidade;
8. Quadras de Esportes Henrique Equelmam (Oiteiro) e da Rocheira (Barro Vermelho);
9. Reforma do Aeroporto Freitas Melro:
10. Mercado Público e Pavilhão da Farinha
 

Penedo: a Arquitetura da Eleição

Nas ruas e nas rodas o assunto gira em torno das eleições deste ano. Prefeito, vice-prefeito e 13 vereadores serão eleitos em outubro. As conjecturas políticas contam os votos da eleição passada e a perspectiva matemática de votos no momento atual. Todo mundo tem voto, cabos eleitorais e candidatos,  e está eleito até que o resultado final seja anunciado pela Justiça eleitoral.

Os tolos, Ah!, os tolos!, cientistas políticos às avessas, acham que conhecem todos os bastidores e os atores, sabem todas as respostas e podem indicar todos os caminhos. Grande ilusão!

A política continua sendo uma enigmática Esfinge: Decifra-me, ou te devoro!

No popular: muita gente deveria fazer um “Arakiri Baiano”, enquanto é tempo.
 

Comentários comentar agora ❯

  • Carlos Gomes Nota-se claramente que esta matéria (para não dizer outra coisa) trata- se de uma mera análise perfunctória, eivada de vícios. Em que se pese que o título deveria fazer referencia a ineficiência do poder publico, pois a Cidade esta em processo de destruição.
  • Carlos Gomes A matéria deveria ter explorado mais a questão política as obras não concluídas os desvios, a corrupção, entre outros assuntos de interesse da comunidade.
  • Carlos Gomes A autora da matéria gasta 50% do seu artigo para falar sobre uma Fundação que tem efetiva e determinante participação nos momentos culturais das Alagoas, sempre buscando levar as reinvidicações da região do São Francisco.
  • Carlos Gomes Realmente a política continua sendo enigmática e seduzindo pessoas em todos os seguimentos.
  • Carlos Martha Aqui Acontece enganos !!!!!!! aliais mais um engano .....a gestão do engano doloso.
  • Antonio Carlos Gomes, Carlos, você quis dizer o que mesmo? Meu Deus!!!!!!!!!!!!!!!!A Casa do Penedo tem muito a explicar sim, inclusive a troca de cheques da Fundação, leia-se Luciano fiscal, recursos do BNDES, etc... O MP já abriu investigação. Vamos ver no que vai dar.
  • Carlos Sr. Antonio, nota-se o seu desconhecimento, acesse o sitio da transparencia do governo Federal para saber a verdade.
  • Carlos Gomes O foco da comunidade deveria esta em saber, o que a prefeitura realizou com quase 26 milhões de reais em 2011, sendo R$ 13.693.767,00 com Cultura e com R$ 12.680.848,00 com INFRA-ESTRUTURA E OBRAS, que Obras? Quais são os Projetos Culturais?
  • Marcos Vinícius Ei, porque o amigo está tão incomodado pela moça ter divulgado o dinheiro recebido pela Casa do Penedo? E porque a obra do museu está parada? Marcio entregou um projeto de mais de 6 milhões para Casa do Penedo e o Dr. Francisco deve explicações à comunidade sim. Esse carlos deve ser da Fundação.
  • Carlos Gomes Sr. Marcos o senhor é político? Caso positivo, explique com o que a prefeitura gastou com quase 26 MILHÕES DE REAIS em 2011 e a Cidade esta em processo de destruição. Eu nem moro no Estado de Alagoas, contudo a incomodação existe, pois a matéria poderia ser utilizada para algo útil.
  • Carlos Gomes Na política existe uma técnica muito conhecida que é chamar a atenção para algo para desviar a atenção de se (qualquer semelhança com fatos reais não é mera coincidência).
  • Carlos Gomes O título da matéria é Curtas, Médias e Moduladas ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO, o responsável pela ARQUITETURA é a esta tal de Casa do Penedo ou é a prefeitura? Pois a SEC. MUN. DE INFRA-ESTRUTURA E OBRAS gastou em 2011 quase 13 MILHÕES DE REAIS. E o engraçado é que esta informação não esta na matéria.
  • Carlos Gomes Se o responsável pela ARQUITETURA E OBRAS da cidade não é a prefeitura. Pelo amar de Deus Quem é então?
  • Carlos Gomes Para falar dessa tal Casa do Penedo já encontrei vários, contudo, mas gostaria de saber QUEM VAI FALAR (BEM) DA PREFEITURA?
  • glebson bispo franco e se a prefeito gastou esta quantia em infra-estrutura, foi muito calçamento e remendo dos calçamentos que agora é uma firma que faz para o saae, que pertence gente de dendo, sem contar com as bandas contratadas peso de ouro, ate o nilson do acordeon recebeu muito, mais so pra prefeitura.
Postado em 24/12/2011 10:16

Desejos de Natal. Boas Festas!

“Quero ver o espírito do Natal entre pais que descobrem tempo para os filhos, em amigos que se reencontram e podem parar para conversar, no respeito do celular desligado no teatro, na gentileza de quem oferece o banco para o mais idoso ou a mulher grávida que está preparando uma vida, na paciência com os doentes, na mão que apóia o deficiente visual na travessia das ruas, no ombro amigo que se oferece para quem anda meio triste, perdido.


Quero ver o espírito de Natal invadindo as ruas, fazendo feliz uma criança, respeitando os animais, a natureza que implora por cuidados tão simples, como não jogar o papel no chão, nem o lixo nos rios. Não quero ver o Natal apenas nas vitrines enfeitadas, no convite ao consumo, mas no enfeite que a bondade faz no rosto das pessoas generosas.


Por fim, saber que o espírito do Natal entrou definitivamente nas nossas vida, através do abraço fraterno, da oração sentida, do prazer de andar sem drogas, do riso franco, do desejo sincero de ser feliz e, de tão feliz, não resistir ao desejo de fazer outras pessoas também felizes.


Deixe o Natal invadir a sua alma, entre os perfumes da cozinha que vai se encher de comidas deliciosas, no cheiro da roupa nova que todos vão exibir, abrace-se à sua família e façam alguns minutos de silêncio, que será como uma oração do coração, que vai subir aos céus, e retornar com um presente eterno, duradouro: o suave perfume de Jesus, perfume de paz, amor, harmonia e a eterna esperança de que um dia todos os dias serão como os dias de Natal. Feliz Natal !"
 

Comentários comentar agora ❯

  • eleitora Martha Acho que até os banditos mais perversos fica tocado com espirito do natal. Como seria maravilhoso se tivermos pelo menos 3 natais por ano porque assim as pessoas poderiam praticar o espito de natal mais vezes é assim irim agregar isso na sua rotina diaria. Feliz natal para coçê martha.Abra
Postado em 13/12/2011 18:18

Curtas, Médias e Moduladas

Portal da Transparência

E o Portal da Transparência continua causando o maior furor, principalmente para quem mantém negócios escusos com certos representantes do Poder Público.

Realmente, para quem tem algo a esconder, a “transparência” pode ser fatal, o que não é o caso da Penedo FM e do site aquiacontece.com.br.

De fato, ainda falta muito para que o verdadeiro patrão, o povo, tenha conhecimento do que significa para ele mesmo a publicidade oficial, prestação de serviço que deve ser feita de forma séria e competente, até porque é sempre visível e audível, e do significado subjetivo do objeto de determinados empenhos registrados na contabilidade pública por trás dos quais estão escondidos interesses inconfessáveis.

Arrastapé de Penedo/2010

Segundo registros do Ministério do Turismo, a Prefeitura de Penedo, gastou R$ 330.000,00 (trezentos e trinta mil reais), na contratação de bandas para a festa junina denominada ARRASTAPÉ DE PENEDO, realizada em junho de 2010, mais precisamente no dia e véspera de Santo Antonio.

Para ser mais precisa, R$ 313.472,00 (trezentos e treze mil, quatrocentos e setenta e dois reais), descontado o imposto municipal no valor de R$ 16.503,00 (dezesseis mil, quinhentos e três reais), conforme Documento de Arrecadação Municipal.

A PH Entreterimentos recebeu o valor referente a serviços prestados com atrações artísticas para o Arrastapé de Penedo e pagou, segundo a Nota Fiscal nº 009090, de 02/12/2010, CNPJ nº 10.911.734/0001-86, Empenho PMP nº 06/04-019 de 04/06/2010, os seguintes valores:

Banda Namoro Novo - R$ 80.000,00 (oitenta mil reais)
Banda Celebridades do Forró – 80.000,00 (oitenta mil reais)
Banda Cheia de Charme – R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)
Banda Badalada – R$ 40.000,00 (quarenta mil reais)
Banda Patchanca – R$ 80.000,00 (oitenta mil reais)

Pelo preço pago pelas atrações, o povo de Penedo deve ter mesmo gasto todos os chinelos do mercado neste Arrasta Pé. Aliás, com tantas carências na saúde, na educação, etc..., não é compreensível que essa e outras administrações façam gastos dessa natureza, a esse preço, e não satisfaçam sequer o direito de lazer do povo.

Bom Jesus dos Navegantes

A festa do Bom Jesus dos Navegantes acontecerá no dia 8 de janeiro, segundo domingo do novo ano e o aquiacontece.com.br já divulgou a programação religiosa, organizada pela diocese, e a programação festiva, executada pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, ambas também divulgadas pela Rádio Penedo FM.

A festa do Bom Jesus, realizada em Penedo desde 1884, é um evento que nos reporta a boas e inesquecíveis lembranças e ficamos na expectativa de ver a procissão fluvial com a participação dos navegantes do Velho Chico em suas canoas e lanchas, o colorido das bandeirolas, o som das bandas de Pífano, as apresentações folclóricas, as brincadeiras de rua...

Desejamos que Papai Noel traga muitos presentes no Natal que se aproxima e que o barquinho do Bom Jesus dos Navegantes, em 2012 navegue em águas menos turbulentas nessa Penedo histórica.

 

Comentários comentar agora ❯

  • rafael Martha deve ter cido um engano !!!!!!! aliais mais um engano .....a gestão do engano
  • José Silva Como é a história??? R$80.000,00 para a banda namoro novo?? R$80.000,00 para celebridades do forró?? R$50.000,00 para cheia de charme?? que bandas são essas e que valores são esses?? Ministério Público, a palavra está com vocês.
  • Palhaço Senhora Secretária de cultura Eliana Cavalcante, aguardo suas explicações. Por favor, também esclarecer onde foi parar o dinheiro da venda dos camarotes da festa de bom jesus de 2010. Ass: Palhaço.
  • Antonio lins Sinceramente, essa pratica é da dupla Alexandre e Israel, agora o Ministerio Publico e os juizes de Penedo se não atuarem, estão no bolo também , isso é uma vergonha!!!!!!
  • berthovanny fon gastando mal muito mais............... Façamos as contas depois de bom jesus, 4 mais 4 vai dar 8, e assim por diante
  • Adelmo dos Saontos (Vila Matias) Penedo república das diárias e agora dos mal gastos. Alguem, lembra da viagem do prefeito, da mulher dele e da secretária de saúde?
  • Indignado Que pouca vergonha esta! Isto é um absurdo! Bandas que ninguém sabe de onde é ou o que toca (me digam o sucesso dessa tal "cheia de charme" ou a tal de "namoro" se é que existem!) socorro MP estamos sendo assaltados, vcs não podem ficar omissos, isso é uma vergonha para nós penedenses!
  • Penedense de longe Realmente não se justifica tanto dinheiro numa festa que nós sabemos que não foi boa... será que só essa administração que pratica esses gastos? Será?
  • geraldo cavalcante não compreendo o porque de tanta indignação, já deviamos está acostumado, e digo mais, os nossos governantes não tem culpa, o povão não se respeita ,continua fazendo de conta, nunca nenhum deles até hoje, prestou contas do que gastou e nem do que arrecador das bancas que são armadas, NENHUM, NENHUM.
  • glebson bipso franco esta ai o mais claro roubo, pois esta banda celebridade eu mesmo irei levar para girau e custo que foi nos ofertado por 15.000,00, este é o minimo imagine o que ninguem viu, tenho pena do povo de penedo sabe e ainda vota nestas pessoas. penedense engane também, receba mais não vote neles, certo!
  • Leilane Isso se chama super faturamento galopante...
  • FELIPE É FÁCIL DE MAIS SER PREFEITO EM PENEDO,SE GASTARAM ESSA DINHEIRAMA TODA NO SÃO JOÃO,IMAGINEM QUANTO FOI GASTO NA FESTA DE BOM JESUS DE 2012,QUE ALIÁS FOI UMA NEGAÇÃO.QUANTOS MILHÕES,QUANTOS ZEROS TERÁ ESTA FESTA?????
  • Jailton Ferreira Martha... seu trabalho é de suma importância para todos aqueles que acompanham seus programas, ademiro muito seu estilo profissional, saiba que em você DEUS depositou um grande taleto de comunicação para a nossa sociedade. Você é ademiravel! Parabénssssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!
  • Marluza Silveira Entrei neste site na esperança de encontrar a programação da comemoração do dia 15 em Marechal Deodoro, pois pretendia ir levando meus netos para que se inteirassem da data com esta visita . Mas aqui pela net não vi nada em cultura para a comemoração. LAMENTAVEL!!!
  • roberto oi,queria saber dos responsaveis,deste quando aquela zona ,ao lado da caixa faz parte da cultura de penedo.Espero que em 2013,os novos dirigentes coloquem ordem na cidade .E ,nao se preocupe so com o cargo.pos fomo nos que colocamos tais para adiministra essa cidade.
  • alecssandro ginazio de espotes moradia de drogados