Martha Martyres

Radialista, diretora da rádio Penedo FM, âncora do jornalismo no Programa Lance Livre


 
  • 20 anos de memórias

     

    Corria o ano de 2004 e todos os meios de comunicação do país abraçaram a Campanha do Desarmamento que nasceu a partir do Estatuto do Desarmamento, aprovado no ano anterior e que dava um prazo para que a população entregasse, de boa-fé, armas de fogo à Polícia Federal em troca de uma espécie de indenização.

    Na Rádio Penedo FM, o programa Lance Livre deu início a uma série de reportagens e entrevistas com o objetivo de esclarecer e conscientizar a população de Penedo e da região do Baixo São Francisco da necessidade de participar ativamente da campanha, em nome da tão sonhada paz!

    Em um determinado dia, a pauta do programa incluía uma entrevista com o presidente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Penedo, Dr. Antonio Nelson Oliveira de Azevedo. Nos estúdios da emissora, como âncora do programa, atendi ao chamamento da Unidade Móvel de Reportagem para o qual sempre dispensamos prioridade.

    E da Praça Jácome Calheiros, no Centro Histórico da cidade Patrimônio Nacional, o repórter Luis Carlos de Oliveira, o Luisão, em pleno exercício da profissão:

    _ “Bom dia Martha, bom dia ouvintes da Rádio Penedo FM, estamos aqui com o Dr. Antonio Nelson, presidente da OAB em Penedo e com ele conversamos sobre a Campanha do Desarmamento. Bom dia Dr. Nelson!”

    E o Dr. Nelson:

    -“Bom dia Luisão, bom dia Martha, estou à disposição.”

    E o Luisão:

    -“Dr. Nelson, muito se fala na Campanha do Desarmamento, no entanto, o que a gente observa é que na hora de entregar as armas, as pessoas só entregam aquelas armas velhas, que não servem mais para nada. O que a gente vê é entregarem aquelas garruchas, umas pistolas dois tiros e uma carreira e umas espingardas soca-pentelho. O senhor também tem visto isso?”

    Eu não vi se o Nelson viu ou ouviu. Depois de dois engasgos, o entrevistado seguiu em frente e falou sobre a importância da adesão à campanha, etc e tal.

    Nos estúdios, Ednaldo Dantas ainda hoje procura a chave para desligar o microfone do Luisão e eu ainda estou procurando o modelo da espingarda.

    Meu velho pai, José Vécio, ensinou-me alguma coisa sobre armas. Ele foi militar e gostava de caçar, no entanto, essa espingarda do Luisão eu, realmente, nunca vi.

    Pelo visto, se analisarmos a quantidade de armas destruídas à época e os índices atuais de violência, a campanha não teve tanto êxito assim.

    Por outro lado, parece que também não se conseguiu introduzir na população a cultura pela utilização de uma arma tão menos nociva quanto a famosa “espingarda do Luisão”.
     

    postado em 31/03/2010 16:39

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  • Curtas, Médias e Moduladas

     

    E o que diria São Pedro?


    A pergunta foi feita pela revista Carta Capital em matéria sobre os escândalos de padres homossexuais, pedófilos ou heterossexuais praticantes.


    Como estamos em plena Quaresma e com a proximidade da Semana Santa onde os cristãos refletem sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, basta nos reportarmos aos Evangelhos e constatar que até mesmo ao seu Mestre, Jesus, Pedro negou 3 vezes.


    “(Mt 26:74-75) Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou. Então Pedro se lembrou das palavras que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás.”


    Certamente, ao ser perguntado pelos “soldados brasileiros” Magno Malta e Romeu Tuma, da CPI da Pedofilia que anuncia visita a Arapiraca, muitos “Pedros” espalhados na sociedade e mesmo dentro da própria igreja haverão de negar muitas vezes mais.


    Vendo a hipocrisia reinante na sua igreja, onde prevalece a máxima do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” e permanece a equivocada imposição do celibato, Pedro teria que responder a uma outra pergunta: Por que desvirtuaram tanto a espiritualidade do homem?


    Como bem disse Reinaldo Azevedo: “A Igreja deve ser um lugar onde se vive uma convicção, não onde se esconde uma condição.”

    Renan e a Improbidade

    O Ministério Público Federal entrou com Ação de Improbidade conta o senador alagoano Renan Calheiros, em Brasília.


    Motivo: Renan teria editado, pela gráfica do Senado, entre 1999 e 2008, os livros Sem Justiça não há Cidadania, Retratos Brasileiros e Discussões de Cidadania, contendo discursos proferidos na tribuna do Senado, fotos, entrevistas e artigos.


    A Procuradoria da República pede a devolução de cerca de 13 mil reais e a perda dos direitos políticos do senador alagoano.


    No estado, a notícia foi recebida por muitos “alagoanos” com regozijo. São aqueles que não conseguem defender Alagoas, apenas seus interesses.


    Como em minhas prateleiras (pobre não tem biblioteca), constam livros de outros senadores, publicados pela Gráfica do Senado, como o Palavra de Mulher, de Heloisa Helena e Falando por Alagoas, do então senador Teotônio Vilela Filho, entre outros, pergunto:


    - Só ele, e os outros?

    Mais Ambulâncias para Alagoas


    O senador Renan Calheiro confirmou que o presidente Lula estará em São Paulo, na próxima quinta-feira, 25, para fazer a entrega das chaves e documentos de ambulâncias a 500 prefeituras brasileiras, sendo 43 delas de Alagoas.


    O Ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, telefonou ao senador no último sábado, a pedido do presidente Lula, que se encontrava no exterior, marcando a data da entrega das unidades de saúde e dizendo que gostaria que o presidente da AMA e prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, estivesse presentes à solenidade com outros prefeitos alagoanos.


    Dos veículos que virão para Alagoas, 15 são verdadeiras UTIs móveis, denominadas de Unidades de Suporte Avançado (USA). As demais são de suporte básico.


    Em um estado em que o Sistema de Saúde agoniza, com os sinais vitais emitidos à custa de aparelhos, ambulâncias circulando nas estradas darão ao cidadão a impressão de que há velocidade em favor da vida.
     

    postado em 22/03/2010 12:39

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  • Na prática, a teoria é outra!

     

    Durante a última campanha eleitoral, o então candidato e atual prefeito de Penedo, elencou, como prioridades de sua plataforma de governo, a saúde e a educação.


    Dois fatos embasaram os discursos que foram repetidamente citados nas reuniões políticas organizadas pelo comitê de campanha e nos palanques: a não instalação da UTI de Penedo e a nucleação de algumas escolas.


    Na campanha, foi dito, exaustivamente, que a UTI não havia sido instalada por descaso do então prefeito do município, para não dizer das insinuações implícitas em cada palavra dita sobre o assunto, inclusive na tentativa infeliz de impedir que a imprensa falasse sobre fizesse qualquer referência de pauta durante o período eleitoral.


    No caso da nucleação das escolas, pais inconformados e à época, esperançosos, foram seduzidos pela promessa de que as escolas nucleadas seriam reativadas e que seus filhos voltariam a estudar naquelas unidades.


    Um ano e dois meses depois, os pais, agora apenas inconformados, de acordo com os pronunciamentos feitos através do rádio, aguardam que as promessas sejam cumpridas, mas sem a esperança de que sejam concretizadas, pois o segundo ano letivo da gestão atual já foi iniciado e, ao invés de rever a nucleação, conforme prometido, novas escolas estão sendo submetidas ao processo pela atual administração.


    Já em relação à saúde, a lista dos 10 Efes publicada neste blog, cresceu. Precisa ser acrescida pela falta de anestésico nos postos para atendimento odontológico, a falta do Expresso da Saúde nas comunidades mais desassistidas, a falta da cadeira odontológica do posto da Vila Matias (a coitada posou só para a foto de inauguração!), a falta de técnico para consertar a cadeira odontológica do Raimundinho, quebrada há oito meses e a falta da instalação da UTI, que, cantada em verso, prosa e spots, desafinou.


    Uma pergunta: os equipamentos da UTI, aqueles “emprestados” para consultórios particulares ainda na segunda gestão do governo anterior do atual governo, conforme consta em relatório de técnicos da Secretaria de Estado da Saúde, já foram reavidos?


    Outras perguntas: como está o inquérito sobre a peça roubada do mamógrafo do Centro de Diagnóstico de Penedo?


    Quem roubou?


    Quem pagou a conta?


    O fato foi denunciado pelo então Secretário de Saúde, Dr. Raimundo Souza, mas a polícia ainda não respondeu ou nós é que não sabemos?


    E mais outra: na próxima campanha eleitoral, saúde e educação vão continuar no palanque?
    Ou será que elas, a saúde e a educação, vão ficar passeando de ambulância?


    Motorista é que não vai faltar.
     

    postado em 25/02/2010 14:02

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  • Oh! Quarta-Feira Ingrata!

     

    Nesse carnaval lembrei com saudade de muitos que já se foram. Quando se chega à maturidade, lembrar é um exercício freqüente e necessário.


    Entre minhas lembranças carnavalescas, fiz um passeio pela cidade. Andei pela Avenida Floriano Peixoto e revi os adereços carnavalescos feitos com esmero pelo meu pai, José Vécio. Baianas a Carmem Miranda, arlequins, notas musicais, sombrinhas de frevo, máscaras, passistas. Eram grandes e muito coloridas, demarcando o Quartel General do Frevo.


    Ouvi a orquestra iniciar os primeiros acordes do frevo Vassourinhas e os foliões iniciarem suas acrobacias carnavalescas e subi à varanda da Imperial Sociedade Filarmônica 7 de Setembro que funcionava no Teatro.


    Vi o “Zé Mulé” exibir suas maravilhosas fantasias no palanque montado em frente às Lojas Paulistas e sambei entre as alas das escolas de samba do Carrapicho e ao som das Batucadas Milionários do Samba e Unidos do Bairro.


    De repente, me vi diante do brilho de um folião especial. De casaca e cartola, ele subia a Quitanda e descia a Avenida reverenciando os penedenses que assistiam extasiados ao desfile da Escola de Samba Bloco da Alegria.


    Era Hildo Machado, o nosso querido e odiado HM, grande observador de gente e jornalista de palavra afiada oriundo do Sovaco da Ovelha, lá do Barro Vermelho. A Escola de Samba Bloco da Alegria era uma de suas paixões.


    Apesar da alegria carnavalesca e da ironia que usava em seus textos nascidos no famoso Observatório, Hildo Machado tinha uma certa tristeza, uma sombra que pairava sobre o mais espetacular dos seus sorrisos.


    Nesse carnaval, revirei meus papéis e encontrei ao menos uma resposta. Um poema, datilografado na sua velha Olivetti, ainda com correção de seu próprio punho, e que me foi entregue na redação do jornal Tribuna Penedenses depois de uma daquelas conversas em que eu, ele e Evaldo Araújo falávamos sobre a tristeza pelas coisas que a gente não podia mudar.


    A você HM, minha lembrança com gratidão pelos ensinamentos, minha saudade   e minha homenagem pós carnaval.

    Poema longo de um longo declive

    Hildo Machado (HM_

    Manhã chuvosa. Melancólica. Silenciosa. Fria.
    Ninguém andando na rua lá embaixo.
    Nem carroça, nem caminhão, nem bicicleta, nem Del Rey.
    Nem mesmo aquela mulher
    Transeunte habitual,
    Magra,
    Suja
    Saia e blusa rasgadas.
    Peitos pendurados e moles no colo ferido,
    Restos de uma beleza obscurecida
    Pelas mãos insondáveis da vida insolente...

    E aquela mulher é, ainda, gente...

    Mendiga na claridade branca de todas as manhãs,
    Na lua escura de todas as noites,
    Na alegria alheia de todas as tardes.
    Gente que, pela manha é à noite,
    Freqüenta a rua lá embaixo,
    Como pedinte,
    Trazendo a lata de Nescau vazia.
    Na outra mão, segura um saco de papel grosso,
    Cheio de restos de comida dos outros,
    Para o seu almoço do dia.
    Em qualquer porta, pede um pouco de água.
    Senta no degrau da porta do Convento
    E come, almoça,
    Depois bebe a água da lata de Nescau.

    Mas, aquela mulher tem nome bonito,
    Nobre,
    Social,
    Sonoro como a música de Mozart e Gonzaguinha,
    Embora identifique uma mulher em decadência inexorável,
    Na miséria,
    Se defrontando com a Morte, para voltar ao Nada,
    Estuprada pela sociedade onde o poeta transita...

    Aquela mulher é Elisete!
    Elisete!...Elisete!...

    Elisete pisou na mocidade nascente,
    Pisou no chão do beco da vida começando,
    Do poeta que ora exalta e chora sua desgraça,
    Sua decadência,
    Sua tristeza,
    Sua miséria...

    Elisete foi prostituta no Camartelo,
    Freqüentou a casa da Quixaba,
    Da negra e saudosa Quixaba...
    Tinha nos olhos uma luz de alvorada.
    E tinha nas mãos o adeus à infância mutilada.

    Morou na casa do sexo e do amor dos homens safados...

    Foi na casa de Quixaba que aquele rapazinho,
    Filho de Dona Domenícia, conheceu Elisete.
    Conheceu e amou Elisete...
    Depois foi para longe,
    Para a cidade grande,
    Lembrando e lembrando Elisete.

    Os anos passaram. Muitos anos.
    Voltou.
    Só,
    Sofrido,
    E ateu.
    Reencontrou Elisete,
    Hoje pedaço de gente,
    Resto de mulher que foi de muitos homens...

    Elisete!...Elisete!...

    Ela olhou para cima.
    Desci e fui falar com ela,
    Perto, já, do Convento.

    Elisete não lembra mais de nada,
    Não sabe mais de nada,
    Perdeu a memória,
    Não tem mais passado,
    História...

    Beijei o rosto de Elisete,
    Fedorento,
    Sujo, terrivelmente emagrecido.
    _ o que é isso, seu peste, me respeite!...
    E foi andando,
    Deitou-se no degrau da porta do Convento.
    Deitou-se e dormiu...
    Horas depois, os frades chamaram a ambulância.
    Elisete tinha se acabado.
    Estava morta!

    Levaram Elisete embrulhada em panos de sacos,
    Para debaixo da terra,
    Sem documentos e sem orações,
    Sem pêsames e sem lágrimas.
    Vai ser devorada por outros animais, outros bichos...
    Elisete!... Elisete!..., meu amor!
     

    postado em 17/02/2010 13:17

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  • Curtas, Médias e Moduladas

     

    Penedo tem novo prefeito, mas os velhos problemas continuam


    O vice-prefeito de Penedo, Israel Saldanha, assumiu interinamente a Prefeitura em face à viagem do titular ao exterior. Novo prefeito, velhos problemas, também no carnaval.

    Na passagem do vice pela interinidade, o povo listou uma série de problemas que ele, o povo, acredita, o vice vai resolver. Então, vejamos a lista (generosa) dos 10 Efes:

    1. Falta de atendimento a portadores de doença mental;
    2. Falta de medicamentos nos postos de saúde;
    3. Falta de cadeira de dentista, receituário e outros apetrechos indispensáveis ao atendimento odontológico;
    4. Falta de médicos para atendimento à população;
    5. Falta de medicamentos, insumos e condições outras para o atendimento na Unidade de Emergência;
    6. Falta de coleta de lixo em vários pontos da cidade: Castro Alves, Santa Luzia, Santo Antonio, Senhor do Bomfim, Vila Matias, Conjunto José Moraes Lopes, Santa Izabel, entre outros;
    7. Falta de água no Conjunto São José, Loteamento Santa Luzia, Vila Matias, Loteamento Santo Antonio, Povoado Tabuleiro dos Negros...
    8. Falta de capinação do mato nas ruas da cidade;
    9. Falta de transparência na inscrição para as casas do Programa Minha Casa Minha Vida;
    10. Falta de presença do prefeito na cidade.

     

    Conselho ao Vice


    Durante sua curta gestão frente à Prefeitura de Penedo, não projete praça e não baixe ato.
    Pelo histórico tucano político penedense, na PMP é como  no marketing da Insinuante:
    Se a concorrência baixar, o titular derruba!

     

    Carnaval, Política e Folia

     

    Penedo é uma cidade onde as características européias tiveram seu lugar de destaque a partir da abertura do Porto de Penedo à navegação internacional no ano de 1866.


    Com a ligação de Penedo à Europa, muitas tradições foram incorporadas ao nosso cotidiano e a cidade foi porta de entrada para o futebol (primeira partida de futebol em Alagoas foi realizada em Penedo no dia 27 de dezembro de 1908. No dia 3 de janeiro de 1909 foi fundado o Sport Club Penedense), para o Tênis ( Penedo Tênis Club), como também a celebração do carnaval nos moldes tradicionais europeus e da capital federal à época, o Rio de janeiro.


    O Corso era uma brincadeira da elite penedense. Homens e mulheres de famílias tradicionais que, fantasiados, desfilavam em carros enfeitados pelas ruas da cidade. O oposto, o Zé Pereira, saía do Camartelo e reunia os plebeus. Dificilmente se cruzavam. Mais tarde, os jovens contestadores penedenses criaram os Blocos Alternativos que animavam o carnaval durante o dia, em cima de caminhões, visitando famílias que recebiam os foliões com grandes recepções.

    Um dos maiores anfitriões que o carnaval de Penedo já teve foi o “Seu” Adauto, na Santa Cruz.
    Nas festas de clubes, entre eles o PTC, a Filarmônica, Musical, Pedra da Arara e o Penedense, esse durante o dia, davam o tom e mostravam que cada folião tinha o seu “bloco”.


    Hoje, o carnaval chega às ruas em blocos populares. São inúmeros, os Xurupitas, o Pirá, o Coco-Bongo, as Piniqueiras, o Ovo da Madrugada, etc..., mas, desde o carnaval passado, as atenções se voltam mesmo é para o Eu Acho é Tome! e o Bloco dos Comerciários que este ano agrega também os servidores públicos municipais e que precisaram ir à justiça para desfilar nesta sexta-feira.


    É que as cores e os números da política partidária penedense continuam muito em voga na cidade, podendo até transformarem-se em marchinhas carnavalescas.


    Algumas marchinhas bem que poderiam ser relembradas, do tipo: A Canoa Virou, As Águas Vão Rolar, Bananeira Não Dá Laranja, Boi da Cara Preta, Amor de Palhaço, Acende a Vela, Máscara Negra, O Cordão dos Puxa Saco, Mulata Bossa Nova, Mamãe Eu Quero, Turma do Funil e tantas outras.


    Afinal, é Carnaval e no carnaval vale até Touradas em Madri!
     

    postado em 11/02/2010 14:39

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  • Está chegando a hora...

     

    Às vésperas de mais uma eleição, os prováveis (desejosos) candidatos já começam a se ouriçar.


    É tempo de participar. De tudo. Da festa de emancipação política, supostamente a mais importante para os que desejam impressionar o eleitor com demonstrações inequívocas seu amor por suas cidades, ao aniversário da boneca de pano da filha da cunhada do amigo do vizinho.


    É hora de embrenhar-se na casa de taipa da periferia e dizer: “- Meu Deus, isso é um absurdo!!!”, como se ninguém soubesse que existem milhões de seres humanos sobrevivendo de forma desumana sobre pedaços de “plástico preto” e marquises de lojas.


    É hora de sentar na beira da calçada para uma prosa com os garis, cumprimentar os velhinhos na fila da aposentadoria e pagar a pinga no boteco da esquina. Vale tudo.


    É o momento de colocar criancinhas no colo e até beijar aquelas que encontramos descalças, nuazinhas, nariz escorrendo, cabelos empinados e fedidos pela falta de um bom banho com água e sabão.


    Resumindo: é a vez da hipocrisia tomar conta das ruas, dos parlamentos, dos palanques, dos encontros, das reuniões e, por um processo de fusão, ser absorvida pelos políticos carreiristas e pelas chamadas “lideranças políticas”.


    E neles, nos palanques, tome discurso!


    Nossos prováveis candidatos têm solução para tudo, para todos os problemas, sejam eles de ordem social ou até mesmo moral (por que não? Oxente!).


    E o discurso é um só: - Vamos construir a maior e melhor escola desta cidade! Vamos construir um hospital! Vamos construir essa estrada! Vamos construir uma creche! Vamos trazer indústrias! Vamos gerar empregos! Vamos construir casas! Vamos, vamos, vamos...


    Promessas!


    Pena que a realidade esteja tão distante das demonstrações e intenções das pré-campanhas e campanhas eleitorais!


    A grande verdade é a grande maioria dos nossos homens (e mulheres) públicos têm um profundo desconhecimento da realidade. Eles não conhecem praticamente nada do mundo em que querem colher o voto. Às vezes, não conhecem sequer a geografia.Não conhecem o clima, não conhecem a fauna, a flora e muito menos os seres humanos transformados em potenciais eleitores.


    Essa grande maioria, com doutorado na ciência da adaptação, não pensa no homem, na mulher, na criança, nos jovens, nos seus sonhos e anseios. E são essas as pessoas que, em seus delírios, buscam um Salvador, um Messias, alguém que seja capaz de, num passe de mágica, lhes tirar da miséria em que sobrevivem e que lhes seduza com comida, saúde, segurança e escola, nessa ordem.


    É por isso que de vez em quando aparece um ídolo, um redentor que com uma boa conversa, um bom marqueteiro, um discurso emocionado, algumas lágrimas e alguns poucos afagos nas crianças de nariz corizando conseguem chegar ao poder.


    Será que há alguma chance? Algum remédio que possa ser ministrado? Alguma esperança que possa ser traduzida para os que, como eu, enxergam essa verdade com a sensação de carregá-la como o peso do mundo sobre os ombros de Atlas?


    No entanto, como ser humano, eu também sonho, e nos meus delírios, eu creio em milagres!
     

    postado em 28/01/2010 12:12

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