Martha Martyres

Radialista, diretora da rádio Penedo FM, âncora do jornalismo no Programa Lance Livre


 
  • Bom Jesus dos Navegantes

     

    " No segundo domingo de janeiro, vamos acordar ao som dos acordes das Bandas de Pífano. É a festa do Bom Jesus dos Navegantes!

    É dia de rever os parentes distantes, os amigos separados pelo cotidiano de cada vida.
    É dia de reunir a família, de mesa farta, de cheiro de bolo quentinho, do sabor inigualável dos barquinhos de amendoim, dos rolete de cana, da paçoca, da roda gigante…


    Dia de Festa do Bom Jesus dos Navegantes é dia de usar roupa nova e sapatos que, se fizerem calos, serão pendurados nos dedos, sem pudor e constrangimento porque o que vale é acompanhar a procissão terrestre e fluvial e pedir benção ao santo.


    Quando as águas mornas do Rio São Francisco ainda dormem e a névoa da madrugada espalha seu esbranquiçado na moldura da paisagem, homens, mulheres e crianças se aboletam nas canoas enfeitadas com suas roupas de festa e o coração saltitando na garganta.

    É hora de ir a Penedo e disputar, palmo a palmo, na multidão, todos os encantos que a cidade oferece.

    Os ambulantes coloridos colocam á disposição dos fiéis os mais diversos produtos. Quer o óculos para se proteger do sol? Tem. Quer um terço para rezar e pedir proteção? Também tem! Quer um brinco, uma pulseira, uma canga de praia? O ambulante oferece. E se você não trouxe a comida, não se “avexe”. Tem macaxeira com carne do sol. Tem muqueca de peixe, camarão, jacaré, rabada e mocotó!

    Os grupos folclóricos espalham-se, as rodas de Capoeira, ao som do berimbau, trazem gestos de um primitivo instinto de defesa, uma mistura de dança e luta para lembrar nossas origens e nossa força. No ar, há um odor azedo de suor, de cachaça e uma mistura das frutas da época.

    Só quem nasceu por aqui é capaz de ver e sentir, de forma plena, o entusiasmo, a fé e a capacidade criadora do povo beradeiro nesse momento soberbo. É uma fé cheia de vitalidade e pureza!

    Passam-se os anos, modificam-se as tradições, mas o povo do Baixo São Francisco, em sua plenitude, exalta a cada semana de janeiro o seu Bom Jesus dos Navegantes que em tudo manda e rege como também rege e manda nas águas do Velho Chico. A festa do Bom Jesus dos Navegantes o tempo não alterou e o progresso não arrefeceu.

    Não pode haver espetáculo mais belo que esse desfile de dezenas de barcos acompanhando o cortejo. Das muradas da cidade, do cais, da beira do rio, das ilhas, de toda parte a população vai ver a procissão do santo protetor dos navegantes.

    Durante todo o ano ele fica na Igreja de Santa Cruz, a pequena capela que foi edificada na comunidade no ano de 1818.

    O escultor da imagem do Bom Jesus dos Navegantes, Cesário Procópio dos Mártyres, contava que no local da capela havia um terreiro onde se realizavam danças diabólicas. Certo dia, um garoto que assistia ao evento viu um homem que dançava com pés de cabra. Houve pânico na população e o terreiro foi destruído. Em seu lugar, foi edificada a atual capela que data do ano de 1907. É lá, no altar principal, que fica o Bom Jesus dos Navegantes.
    Na segunda semana de janeiro a comunidade de Santa Cruz se transforma. É quando acontece o tríduo religioso, a quermesse, a festa.

    No domingo à tarde, debaixo de um estrondoso espetáculo de fogos de artifício, o santo sai da igreja em seu andor ricamente decorado para “pegar a lancha”, como diz o homem da beira do rio. No percurso da igreja ao porto, o povo pára. Ergue os olhos para o Bom Jesus, pede sua benção, faz o sinal da cruz.

    Os mais variados sons silenciam em respeito à passagem do santo. Os homens tiram os chapéus e se curvam em reverência, as mulheres põem a mão sobre o coração e pedem proteção para suas famílias.

    Quando o andor com o santo vem se aproximando do porto, a multidão avança, corre para as balsas, os barcos, as lanchas. Entra na água e disputa entre gritos e empurrões, um espaço, o privilégio de entrar na embarcação que levará a imagem do Bom Jesus dos Navegantes.
    Nada os detém. Nem a comissão, nem o prefeito, nem os sacerdotes, nem a polícia. Nada consegue manter a ordem desejada. É o delírio e a força da fé. Quem não consegue embarcar, chora, acena, desmaia, mas não arreda pé da rampa.

    As embarcações apitam e começa a procissão. Velas brancas, azuis, vermelhas, multicoloridas se levantam para os céus e aos poucos o cortejo toma forma singrando serenamente as águas do rio.

    Em seu barco, mão esquerda erguida abençoando os navegantes, o Bom Jesus comanda a festa.

    Levantam-se os cânticos, toca a Banda de Música da Sociedade Musical Penedense. Nos barcos que acompanham a procissão, vez ou outra se aumenta o volume do axé, do samba, do brega. Ouvem-se pandeiros, cavaquinhos, violas, palmas. A fé e o desejo de saudar o Bom Jesus independe de gêneros musicais. Não há desrespeito. Há a certeza de que participando da procissão, Bom Jesus há de proteger!

    Ele, que abriga os navegadores das tempestades, os pescadores dos perigos do Nego D´água e que, nos dias sinistros conduz a todos que foram pegos desprevenidos ao porto da salvação, compreende que o Pai deu a alegria ao homem para ele expressar seu agradecimento pela satisfação de estar vivo. E o povo faz chegar seu agradecimento a Deus pela música, pelas suas cantigas e pela sua alegria.

    Ao longo do trajeto, nos fortes espalhados pelas margens do Velho Chico, Bom Jesus é saudado com foguetório e os barcos acionam suas sirenes. Enquanto isso, na rampa do porto de Penedo, na balaustrada, na Rocheira, o povo aguarda a chegada da procissão, do santo protetor.

    O cortejo fluvial se aproxima, o sol vai-se escondendo através das montanhas sergipanas, as luzes se acendem, explodem os rojões e o povo começa a rezar.

    “Livra-nos, Senhor dos Navegantes, das práticas políticas eleitoreiras, livra-nos do descaso, da falta de compromisso e dos falsos profetas. Livra-nos da fome, da sede e da seca que assola o homem barranqueiro do São Francisco pela falta de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do Vale do Rio da Integração Nacional. Livra-nos de um projeto de imposição de transferência de nossa água que ao invés de servir para matar a sede dos nossos irmãos e dos animais, como faria São Francisco, o Santo, vai servir de mote para discursos de campanha eleitoral objetivando a perpetuação no poder.”


    É festa do Bom Jesus dos Navegantes. Vale à pena ver, ouvir, sentir, acompanhar a procissão ouvindo seus cânticos, rio afora, e ser abençoado pelo Bom Jesus que comanda seu povo, protege e resguarda."

    postado em 10/01/2014 12:09

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  • Homenagem a Dr. Hélio Lopes

     

    Hoje quero homenagear o Dr. Hélio Lopes, em seus 91 anos. Um homem cuja história de vida se confunde com a história da cidade de Penedo pela relevância de seus feitos como político e pela prática da medicina em uma época em que o toque, a atenção e a sensibilidade do homem substituíam a precisão da máquina.

    É motivador e impressionável a forma como as pessoas, tanto na cidade quanto no interior, da minha e de outras gerações, falam com carinho do Dr. Hélio. É comum ouvirmos frases como: “Dr. Hélio salvou a vida de meu filho”, “Dr. Hélio me tratou de doença tal”, “Dr. Hélio me ajudou e ajudou minha família”, acrescidas de histórias de vida e de sobrevivência.

    A responsabilidade social que podemos decifrar nestas revelações, nos faz refletir sobre os conceitos e conflitos atuais da medicina e nos reportam, sobretudo, à importância do ser e do dever antes do ter e do trocar.

    Dr. Hélio Lopes, como médico, foi também um grande benfeitor da saúde pública como diretor médico e provedor da Santa Casa de Misericórdia de Penedo por vários anos; Secretário de Estado da Saúde, quando pela primeira vez foi interiorizada a medicina com a colocação de médicos em todos os municípios e Presidente do Laboratório Industrial Farmacêutico de Alagoas - Lifal, na época em que este realmente produzia medicamentos para a população mais carente do estado.

    Como político, prefeito de Penedo, promoveu o desenvolvimento com a instalação da companhia Telefônica, a eletrificação da cidade com energia vinda diretamente da hidrelétrica de Paulo Afonso, aterrou e urbanizou o Largo de Fátima e a Orla Fluvial, abriu a estrada Penedo-Pindorama, criou o SAAE – Serviço autônomo de Água e Esgoto, transferiu a Escola Normal Rural para o atual Comendador José da Silva Peixoto e instalou a Emissora Rio São Francisco, como algumas das destacadas obras de sua administração.

    Como deputado estadual, representando Penedo e região, posso destacar a atuação de Dr. Hélio em todos os assuntos de interesse de nossa cidade. Em uma de suas mais significativas atuações como parlamentar, nos idos de 1983 e início de 1984, Hélio Lopes foi o grande mentor da luta travada por Alagoas para que a recém criada Diretoria da Codevasf em Alagoas, ficasse sediada em Penedo. Até então, a Codevasf era subordinada à Diretoria de Sergipe. Atuando em parceria com o então prefeito Raimundo Marinho, foram incontáveis as gestões em prol de nossa população.

    Como parlamentar por três mandatos na Assembléia Legislativa de Alagoas, Hélio Nogueira Lopes é considerado, ainda hoje, uma “reserva moral da política do estado”.

    Como penedense e colaboradora das empresas do Grupo Hélio Lopes, posso dar meu testemunho de como esse homem de uma simplicidade singular, íntegro, honrado e sobretudo amante dessa cidade, preocupa-se, principalmente, com as pessoas.

    Dr. Hélio gosta de gente, gosta de conhecer o ser humano como indivíduo, com suas características e singularidades. E ele ama Penedo.

    É esse amor que o faz, aos 91 anos, querer percorrer as suas ruas, encontrar novos caminhos, observar as crianças e a juventude conduzindo vida pelas suas artérias. Quer conhecer cada nova construção, relembrar cada pequeno acontecimento e perguntar diariamente: Como está Penedo?

    Em seus 91 anos, deixo registrados aqui a imensurável admiração e o respeito que tenho por este homem que tem, em sua vida, a virtude de seguir, sem desvios, a direção indicada pelo senso de justiça e que fez da integridade, um dever cumprido.

    Parabéns Dr. Hélio Lopes!

    postado em 10/11/2013 00:00

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  • José Vécio dos Mártyres – 100 anos

     

     

    02 de julho de 1913. Em uma casa situada à Rua Joaquim Nabuco, nossa tradicional e conhecida Rua da Santa Cruz, nascia meu pai, José Vécio dos Mártyres.

    02 de julho de 2013, cem anos depois, percorri, na manhã molhada pela neblina que cobre a cidade, a ruazinha palco de tantas lembranças da minha infância e da minha juventude.

    Parei em frente à casa que hoje não guarda mais as características da época. Foi reformada. Assim como foram reformados tantos conceitos e valores que adquiri ao longo da vida.

    Meu pai, José Vécio, Vécio, como ele fazia questão de ser chamado e “Dedéu” pelos familiares, foi um homem, no mínimo, controverso. Sua inteligência e sagacidade, seu talento artístico e sua vocação e sensibilidade para com a beleza, contrastavam com a aspereza da intolerância.
    Meu pai era um homem capaz de se emocionar com o desabrochar uma rosa e de vibrar com uma gota de sangue. De cultivar uma semente até vê-la brotar e transformar-se em árvore, a abater uma ave em pleno voo pelo prazer da caça. Meu pai foi o soldado que contestou a ordem para matar um desertor em plena batalha na Revolução Constitucionalista de 32, na Serra da Mantiqueira, e foi o homem que me ensinou a abominar a covardia.

    Meu pai foi o homem que construiu tantas obras importantes como a Casa de Detenção e a Ala dos Imigrantes do Museu do Ipiranga, em São Paulo; casas, praças, escolas, a urbanização da Rocheira e o Raimundinho, logradouros como a Gruta de Fátima e o Cristo do Oiteiro e não soube alicerçar de forma segura e resistente as famílias que construiu ao longo da vida. Amou muitas mulheres e tenho certeza, também foi muito amado, mas amou ainda mais a liberdade. E a liberdade....bem, a gente nem sempre sabe o que fazer com ela!

    100 anos depois do seu nascimento, ainda não sei como traduzi-lo ou traduzir os sentimentos que ele me inspirou: admiração, orgulho e vontade de abraça-lo sempre se misturaram à raiva e um desejo incontido de contestá-lo, sempre!

    Meu pai me ajudou a nascer e morreu em meus braços trinta anos depois. Vivo, hoje ele teria exatos cem anos. Morreu frágil, querendo me dizer alguma coisa. Algo que talvez eu não tenha conseguido ouvir nem entender naquele momento, mas que se agora pudesse traduzir talvez fosse: honre quem você é, de onde vem e para onde vai.

    Em nome dos meus irmãos, legado e herança que ele me deixou, José Décio (in memoriam), Walter, Oswaldo, Neide (in memoriam), Elizabeth, Péricles, Peridriano, Lúcia (in memoriam), Iara, Thêmis e Maria José Vécio, transcrevo esse texto escrito pelo nosso querido amigo Benedito Fonseca, da Academia Penedense de Letras, Artes e Ciências.

    "José Vécio dos Mártyres (Zé Vécio)


    Só sabe o brilho da Praça de Esportes do Raimundinho, quem adentra por uma de suas vertentes para ver o brilhantismo ensolarado daquele logradouro.
    Escolas e escolas foram projetadas e construídas.

    Frei Damião, Deraldo Campos, Anfrisio Ribeiro e tantos outros aplaudiriam, se vivos estivessem, seus nomes apostos naquelas unidades do saber. Praças e praças como: Henrique Equelman, escolas e a fábrica de gelo bem como a construção do parque que não mais existe (Praças dos Bichos) Adail Freire Pereira. E a praça, hoje, transformada em Frei Camilo de Lellis, que ele afizera com as belas figuras do Império Romano.

    Além de faixadas, construiu as mais belas residências como a casa de Carlos Hora, a casa de Leonardo Lima Mota e a de Geraldo Cavalcante.

    Sua obra prima está na urbanização do Forte da Rocheira . Aproveitando a encosta transformou a Rocheira no que é. Tudo isso graças aos auspícios administrativos de Raimundo Marinho.
    No seu tempo, pensou Penedo com a alma arquitetônica militar deste Penedense que nascera na Rua Joaquim Nabuco, á 02 de Julho de 1913 e morrera em 28 de Janeiro de 1988, nos braços de sua filha, esta impávida e colossal mulher Martha Mártyres. Filho de Cesário Procópio dos Mártyres e Josefa Maria dos Mártyres que veio a se chamar José Vécio dos Mártyres.

    Ainda jovem, partira para o Sul na companhia de seu pai. Luneta de Ouro era o seu paradeiro.

    Três anos depois (1931) regressa a Penedo. Nesse período rebenta a revolução constitucionalista de 32. O então militar, que era do 20 BC, é transferido e luta veemente e na Serra da Mantiqueira é ferido. Recuperado, torna-se arquiteto pelo Ministério da Guerra. No Rio de Janeiro constrói o prédio da II Região Militar. Em São Paulo a casa de Detenção (Carandiru) e a Ala dos Bandeirantes do Museu Paulista. ( anexado ao Museu do Ipiranga em 1963). Em 1938 deixa o Exército. Em 1948 retorna a Penedo para não mais voltar.

    Penedo deve a este homem o seu amor pela terra. Quem adentra Penedo poucos sabem que, no “H”, está Fátima que ele construíra e esculpira belíssima imagem. Da rua São José avista-se uma Penedo diferente e do lagar do Bonfim ele o projetara com alma de quem olha a sua cidade com vistas ao medievo. Este é o retrato de um homem que amou suas cinco mulheres, cachaça da boa e a cidade que lhe viu nascer, José Vécio dos Mártyres."
     

    postado em 02/07/2013 12:16

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  • Reminicências do Colégio Imaculada Conceição Cem Anos de Histórias

     

    Somos sete irmãos, sendo cinco mulheres. Em ordem cronológica decrescente: Tânia, Fátima (eu), Márcia, Telma e Betânia Brasil. Todas nós tivemos o privilégio de estudar no Colégio Imaculada Conceição, graças à garra dos nossos pais (Zenaide e Expedito) que trabalhavam com denodo para garantir à família uma vida digna, permitindo que as necessidades básicas fossem atendidas, especialmente a educação dos seus filhos.

    Às vésperas das comemorações do centenário do Imaculada Conceição, estou vivendo momentos de grande expectativa, preparando-me para participar do grande evento, que me proporcionará momentos de fortes emoções.

    O centenário colégio preparou para a vida, milhares e milhares de estudantes, através de um ensino de primeira qualidade e de uma formação geral integrada à grade curricular do estabelecimento. Sem dúvida, as jovens que estudaram no Imaculada puderam por em prática, no decorrer de suas vidas, os ensinamentos e os sábios conselhos das irmãs e demais professores.

    Durante esses dias que antecedem minha viagem à Penedo, querida e inesquecível terra natal, minha mente se transformou numa tela de cinema, onde as cenas me fazem rememorar momentos felizes e alegres que passei no colégio, ao lado de queridas amigas e companheiras, que continuam presentes em meu coração.

    Recordar o tempo em que estudava no Imaculada Conceição é enxergar o colégio e sentir a textura de suas paredes, suas salas de aula, seus corredores, pátios e demais dependências. Tudo isso povoado pelas colegas, professores e funcionários.

    Voltando no tempo, lembro-me com muita clareza dos preparativos para os festejos do cinquentenário do Imaculada, dos quais participei ativamente e com muito entusiasmo. Agora, cinquenta anos depois, os preparativos são para as comemorações dos cem anos de existência do colégio, que continua sendo exemplo de qualidade e eficiência no cenário educacional de Alagoas, do Nordeste e do Brasil.

    Para finalizar minhas reminiscências, presto uma homenagem, com muito amor e carinho, às queridas e inesquecíveis irmãs, que, ao longo desses cem anos, sempre abraçaram a causa da Educação com fervor, devotamento e altruísmo, e que agora as recordo com saudade, respeito e admiração.

    Atualmente, resido em Salvador, Bahia. Sou casada com Júlio Arruda, tenho dois filhos (Marcos André e Rodrigo - minhas noras são Janaína e Leila, respectivamente) e dois netos (Guilherme e Vinicius).

    Autora: FÁTIMA BRASIL – Aluna no período de 1957 a 1966.
    Contato: assessoria.arruda@uol.com.br
     

    postado em 08/04/2013 11:33

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  • Retalhos de Uma Ex-Freira - Cem Anos de História

     

    Um dos meus mais caros sonhos era estudar no Colégio Imaculada Conceição e meu pai não mediu sacrifícios para realizá-lo.

    Como fiquei feliz! Como me sentia linda, vestida naquela saia azul de pregas, a blusa branca e o broche com as iniciais de Maria...

    Vivi intensamente cada dia, cada momento. E para completar a minha felicidade, integrava a Banda Marcial. Ainda ouço o ressoar da corneta dourada executada por Márcia Espinheira, iniciando o toque, para que os bombos, taróis e outros, começassem os lindos repiques. Por ser alta, as irmãs me deram um bombo. Éramos três alunas na frente, batendo naqueles bombos enormes: pô, pô,pô. Jamais esquecerei as alvoradas, às quatro da manhã. Era lindo! O céu ainda dourado, trazendo os sinais da chegada do sol.

    Quantas recordações... Foi ali que floresceu a minha vocação. Foi no Colégio Imaculada Conceição que fui premiada com o livro: "Toda Palavra é uma semente", de Dom Nivaldo Monte, quando Irmã Assunção, de saudosa memória, ordenou que as alunas fizessem uma redação. As melhores seriam premiadas. Obtive o primeiro lugar. Naquele momento descobri a minha paixão pela leitura e pela escrita.

    Quantas irmãs abnegadas , que passaram, jogaram a semente no meu coração, displicentemente, sem sequer medirem o grande feito que estavam construindo: Irmã Jolenta, Irmã Assunção, Irmã Aurélia, Irmã Genoveva, Irmã Alice Maria, Irmã Domitila, Irmã Celeste, Irmã Piedade, Irmã Josefa, Irmã Lúcia, Irmã Ângela, Irmã Patrocínio. Foram tantas, como as estrelas do céu!

    E o que dizer do baile de formatura? Papai dançou comigo a valsa da concluinte. Mas meu coração, minha alma, enfim, todo o meu ser estava em outro lugar, longe daquela linda festa: O salão era o claustro; a orquestra era o sino; o maestro, Jesus Cristo e as luzes, eram as lamparinas que velam os sacrários.

    Foi do Colégio Imaculada Conceição que eu parti com Irmã Alice Maria para a vida religiosa. Foi no Colégio Imaculada Conceição que eu me estruturei para enfrentar os altos e baixos das montanhas do mundo.

    Inspirada pela mais bela experiência da minha vida, num misto de humildade e orgulho, não posso omitir que sou a autora dos dois hinos: o do Colégio e do Centenário do mesmo. Que presente melhor eu poderia dar, senão a expressão do meu amor e da minha gratidão, ao Colégio Imaculada Conceição?


                                                                                                           Autor(a): Maria Núbia de Oliveira.
     

    postado em 28/03/2013 09:21

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  • Cem Anos de História - A Batuta Transgressora

     

    Estudava no Colégio Imaculada Conceição no final dos anos 70, em plena Ditadura Militar e todas as sextas-feiras participávamos do hasteamento da bandeira cantando o Hino Nacional reproduzido pela antiga vitrola que ficava na secretaria e tinha um alto-falante tipo “cornetão”, que emitia aquele som estridente e desprovido de graves e agudos.

    Estavam todos os alunos perfilados e eu no final de uma das filas. Sempre gostei de música. Sempre, desde pequeno, fui (como ainda sou) fã de grandes orquestras como as de Paul Mauriat, Clebanoff, James Last. Num surto de incorporação do espírito de algum maestro, passei a reger, com uma batuta imaginária, a orquestra que executava o nosso belíssimo Hino Nacional.

    Por estar no final da fila, pouco fui percebido por meus colegas. Mas eis que estava perto de mim sem que eu a notasse, a eficiente professora de matemática, América Dias.

    Naqueles austeros tempos, foi quase um atentado anti-patriota o que inocentemente fiz. Ela, sem hesitar, me levou à diretora, Irmã Conceição, para as reprimendas necessárias. Por sorte minha, a diretora estava de ótimo humor e relevou o acontecimento.

    Mas, confesso que um diabinho dentro de mim provocou-me a desafiar minha professora de Matemática.

    América morava atrás da minha casa, na tradicional Rua do Amparo. Gravei um cassete de 60 minutos, dos dois lados, com o Hino Nacional. Coloquei duas caixas de som numa grade de um antigo galinheiro que mamãe tinha em casa, viradas bem para a casa dela e fiquei de tocaia esperando sua chegada.

    Quando seu fusquinha dobrou a esquina do Tênis, acionei o tape-deck auto-reverse com o amplificador no volume mais alto. Ela entrou noite adentro escutando o Hino Nacional.

    Na segunda-feira foi a vez dela. Sua aula foi usada exclusivamente para exprimir sua revolta: "Isto foi uma afronta a minha pessoa!, dizia ela encarando-me nos olhos. Fui, ao final, expulso da sala.

    Sozinho, no pátio do colégio, confesso que me arrependi e temi pelas futuras notas baixas que certamente tiraria em Matemática.

    Em seguida aparece Tico, que saiu da sala e veio me consolar. No recreio, mais tarde, muitos colegas vieram agradecer pela aula que não houve. O comentário no intervalo não poderia ser outro.

    Graças a Deus aquela aula foi suficiente para o desabafo de América.

    Já relembrei com ela o acontecido, muito depois de deixar de ser seu aluno, em alegre momento de nostalgia. Todos que conviveram com América sabem o quanto competente e preparada ela é. Aliás, a facilidade com os números é genética em sua família. Todos sabem o quão boa pessoa ela também é.

    Minhas notas baixas em sua matéria, admito, foram culpa exclusivamente minha.
     

                                                                                                                 Autor: Roberto José Peixoto

    postado em 25/03/2013 15:26

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