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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Que tipo de líder você é?

     

    Segundo o dicionário, liderança é a capacidade de influenciar pessoas, de comandar, de guiar, de orientar, de exercer fascínio sobre os outros. Qualidade baseada e alicerçada no prestígio pessoal e na aceitação pelos dirigidos. O conceito atual de liderança envolve a idéia, errônea, por sinal, de que a prática de liderar está ligada a números eloqüentes. Por esse raciocínio, líder é aquele que se impõe sobre um número expressivo de pessoas. Engano. Ao contrário, é bom você saber que todos nós somos líderes. Na família, no trabalho, na vizinha, na comunidade, em todo lugar exercemos liderança, influenciamos pessoas. A alguns é dada a condição de liderar grandes grupos; já a outros a condição é mais restrita, mais econômica numericamente falando. Entretanto, se ampliarmos o nosso olhar sobre o moderno horizonte dos dias atuais, veremos como está distorcida e mal entendida a questão da liderança.

    E o que é pior: como a nossa capacidade individual de liderar está sendo comprometida pela ausência da prática. Isso, em grande parte, pelo receio de correr riscos, de assumir responsabilidades. Enfim, de se expor. Pois um dos principais atributos do líder é o destemor na nomeação precisa do tempo certo de agir, na escolha do momento exato de surgir como ponto de referência. Certa ocasião, durante a celebração da Páscoa, em Jerusalém, estando todos sentados, Jesus levantou-se e disse: “Aquele que crer em mim de seu interior correrão rios de água viva”. Todos estavam sentados, obedecendo, letárgicos, a uma tradição que em nada enriquecia suas vidas. Jesus, ousadamente, pôs-se de pé. Esta é a postura do líder: impor-se pela visão profunda, pela análise acurada, pelo discernimento de apontar rumos e caminhos novos. Pôr-se de pé no momento em que todos permanecem sentados.

    Liderança, enfim, envolve muito mais a essência da qualidade do que a da quantidade. Jesus, por exemplo, liderou um exército de doze apóstolos. E transformou-os, de homens rudes e incultos que eram, em competentes divulgadores de seus ideais. Eram apenas doze. Depois formaram um grupo de setenta, depois de... Hoje, mais de dois bilhões de pessoas em todos os recantos seguem os princípios que ele ensinou. Já outros reuniram em torno de si, inicialmente, grandes multidões, exércitos formidáveis, mas, desprovidos da visão correta de liderança, perderam seus seguidores, no decorrer da vida, pelo exercício vacilante ou errôneo da liderança. Portanto, a capacidade de liderança não está ligada, necessariamente, a números expressivos para fazer valer a qualidade do líder. E sim à capacidade de ditar novos rumos, de encontrar novos e prósperos caminhos para os liderados.

    Na família, por exemplo, o pai é um líder. E as famílias, pelo menos nos dias atuais, são núcleos constituídos por poucas pessoas. Nem por isso o pai deixa de ser um líder. Um professor em sala de aula também é um líder. Como também o é um chefe de uma repartição. A questão é saber que tipo de liderança está sendo exercido por essas pessoas. Ou por outra, que tipo de resultado a liderança está gerando nos outros. Ou, ainda, o que está acontecendo pela omissão da liderança. Pois a não liderança é uma omissão grave. Por sinal, você, que está lendo agora este artigo, é um líder. Mesmo que não queira, você é um líder. Pois influencia, orienta, sugere, causa fascínio em outras pessoas. Esta constatação é que nos leva a refletir na qualidade da liderança que estamos praticando. Será uma boa ou uma má liderança? Afinal, que tipo de líder você é? Qual o fruto que está sendo gerado através da sua liderança?

     

    postado em 29/05/2011 09:12

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    Maria Núbia de Oliveira
    Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras


     

    Corredor do esquecimento ou da morte?

     

    Assisti num canal de TV, um noticiário sobre o caos da Saúde em nosso país. O repórter mostrava detalhadamente , as condições precárias do hospital em foco. Paredes mofadas, janelas sujas, aparelhos enferrujados, objetos misturados indevidamente, lixeiras próximas do material cirúrgico. Desordem total.

    Mas, um misto de revolta e tristeza se apoderou de mim, quando vi o "corredor dos esquecidos", denominação de autoria dos próprios funcionários. Os esquecidos são aqueles pacientes que chegam e são alojados nos corredores, nas macas, nos bancos, nas cadeiras ou até mesmo no chão. E lá, eles ficam completamente esquecidos. Parecem cegos à margem do caminho, tentando adivinhar quem vai passar para pedir socorro ou um alívio para as suas dores...

    É uma prévia do corredor da morte. Alguns pacientes nem imploram mais, limitam-se a esperar, gemer, ou até morrer. Caso tenha a sorte de ser atendido, pode até sobreviver! É a lei da vida, é a sentença do pobre.

    Corredor dos esquecidos, onde uma única classe é ignorada pelas autoridades que se dizem competentes. Que competência? De deixar morrer à míngua àqueles que não têm plano de saúde e que se amparam num plano único chamado SUS e que eu denomino: SUSSURRANDO UNICAMENTE PARA SOBREVIVER ? ( SUS)

    Corredor dos esquecidos: quanta gente junta, unida pela mesma história, pela mesma dor... Gemidos uníssonos, em busca da vida. Crianças, jovens, adultos e anciãos: todos juntos, num só grito sem eco.

    Pátria minha...
    Dos grandes hospitais, muito bem equipados.
    Mas ainda embrulhados, danificados
    Enferrujados...
    Esquecidos num canto por causa da guia.
    Oh! Brasil meu, dos partos na pia
    Das mortes na espera, eterna agonia...

    Corredor dos esquecidos: Quem se lembrará desse corredor? Quem terá coragem de ir até lá e num passe de mágica, tirar os pacotes de dinheiro das meias, das cuecas, das bolsas, dos bancos estrangeiros , comprar muitos leitos e levar os esquecidos para um lugar decente, iluminado e limpo? Quem se habilita? É ruim, heim?

    Enquanto isso, os gemidos continuam, as crianças nascem no chão, o ancião, de tanto esperar, morre na fila.

    As promessas viraram fumaça e esquecimento. Cadê eles? Ninguém sabe, ninguém viu. Estão " resortiando"

    postado em 25/05/2011 14:22

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    Augusto N. Sampaio Angelim
    Juiz de Direito em Pernambuco, apaixonado por Penedo


     

    "Deus mesmo, quando vier, que venha armado"!

     

    Riobaldo, o jagunço que é personagem central de Grande Sertão: Veredas, do mineiro João Guimarães Rosa, narrando sua vida e filosofando sobre o caráter dos homens e a natureza dos lugares, afirma que “o Sertão é onde quem manda é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!”.

    Tomei conhecimento de mais uma chacina em Alagoas. Quatro pessoas foram assassinadas na noite da última quarta-feira, dia 19, em Arapiraca. Naquele mesmo dia havia lido a edição de maio da Revista Piauí e uma das reportagens versava sobre o fato de Alagoas ser o Estado mais violento do país. “Engolfado pela violência” é o título da matéria. “Estado campeão em homicídios, Alagoas recorre a um ex-braço direito de Collor para diminuir a criminalidade e escapar da maldição de Graciliano Ramos”, é o subtítulo, à guisa de explicação do conteúdo. Não tenho dúvidas de que a introdução revela um preconceito, embora no decorrer das páginas se elogie o escolhido: Dario Cavalcante, 48 anos, Coronel da Polícia Militar e que fez a segurança pessoal de Collor enquanto candidato e como presidente da República, ressalvando que o mesmo nunca foi acusado de corrupção.

    Alagoas, diz a reportagem, não é o Estado mais miserável do país, pois seu PIB deixa atrás o Piauí e Sergipe, e, inclusive, tem um razoável efetivo policial que, passa de dez mil homens, somados os integrantes da Polícia Civil e Militar. A remuneração inicial dos policiais civis é de 1.800 reais; de um militar, de 1.400, o que afasta o Estado de pagar a menor remuneração entre as unidades da Federação aos seus policiais. Em que pese esses dados, a violência continua subindo e alarmando a todos e o diagnóstico mais realista é de que a polícia não tem uma estratégia eficaz no combate ao crime, não investiga, não prende e é pouco cobrada e fiscalizada. Além disto, se aponta à velha e eterna política patrimonialista pela qual o Estado foi apropriado por sua elite, confundindo os interesses privados com o público de sorte que o aparelho estatal serve, essencialmente, como um guarda-chuva protetor dessas elites, nas palavras do economista alagoano Fernando José Lira, citado na matéria.
    Morei alguns anos em Maceió e, vivenciando o seu dia-a-dia se consegue perceber muito além de suas belas praias. Até parece que a cultura da violência faz parte da formação das pessoas. O próprio Coronel Dario Cavalcante diz que, em Alagoas, “todo mundo é valente”, assim, todos querem andar armados, justificando que não é o consumo de drogas a principal causa da violência, como afirmam alguns.

    Acredito que somente a aparelhagem técnica e profissional das polícias e um levantamento científico e on line dos crimes poderá fornecer elementos suficientes para se traçar uma estratégia eficaz para reduzir o enorme número de homicídios no Estado.

    O governo e a sociedade civil devem unir esforços para tanto, senão, teremos que nos conformar com a idéia do autor de Vidas Secas, que, revoltado com a polícia do Estado, quando foi preso em 1935 e deportando para o Rio de Janeiro, por motivos políticos, olhava para o mapa do Brasil e apontando para Alagoas dizia que toda grande nação tinha um golfo e completava: “Aquilo dá um bom golfo”. Do contrário, teremos que esperar ajuda dos céus, e, neste caso, talvez seja preciso que Deus, com licença pela liberdade, tenha de acautelar.
     

    postado em 22/05/2011 00:00

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    Wilton Lisboa Lucena
    Professor da Faculdade Raimundo Marinho e integrante da APL


     

    O Princípio da Sabedoria

     

    Selecionei atitudes e frases atribuídas a personalidades do meio artístico, político e cientifico, que em dado momento de suas existências, sentiram-se humanisticamente auto-suficientes e esqueceram-se de suas “finitudes”. Nos anos 60, John Lennon, jovem compositor e vocalista da banda de rock “The Beatles”, quarteto inglês, que no auge da fama, declarou numa entrevista: “O cristianismo vai se acabar, vai se encolher, vai desaparecer. Eu não preciso discutir sobre isso. Eu estou certo. Jesus era legal, mas suas disciplinas são muito simples. Hoje nós somos mais populares do que Jesus Cristo”. Dias depois, John Lennon era atingido por 4 dos 5 tiros desferidos por um de seus fãs chamado Mark Chapman. Amigos do criminoso testemunharam que a admiração do fã pelo ídolo transformou-se em ódio alimentado pelas várias afirmações do cantor sobre Deus, consideradas como blasfêmias por Chapman.

    No Brasil, o cantor Cazuza, ícone de milhares de jovens brasileiros, ao realizar um show no Canecão – Rio de Janeiro, de repente, acende um cigarro de maconha, dá uma tragada, solta a fumaça para cima e declara: “Deus, essa é pra você”. Ao adoecer com sintomas de pneumonia, Cazuza é internado e um teste revela que o cantor é portador do vírus HIV. Após vários tratamentos no Brasil e nos Estados Unidos Cazuza, totalmente debilitado, vem a falecer.

    Na campanha da eleição indireta para a presidência do Brasil, um momento marcante da nossa história, quando após 20 anos de ditadura militar o povo brasileiro ansiava pela volta da democracia, o carismático candidato Tancredo Neves, que conseguira unir toda a oposição com aquele objetivo, sentindo-se fortalecido pelo apoio recebido, declarou a amigos: “Se eu tiver 500 votos do meu partido (PDS) nem Deus me tira da presidência da república”. Tancredo obteve os votos necessários e foi eleito. Todavia, não chegou a tomar posse. Acometido de uma grave enfermidade intestinal, foi assistido pelas melhores equipes médicas dos hospitais de Base de Brasília e do Instituto do Coração de São Paulo. Durante os 38 dias de agonia do presidente, brasileiros de diferentes credos religiosos uniram-se em vigílias e correntes de oração. No entanto, no dia 21 de abril de 1985, a Nação consternada ouvia com profunda tristeza a nota oficial do falecimento de Tancredo.

    A idolatrada atriz americana Marilyn Monroe, símbolo sexual dos anos 60, antes de seu falecimento foi visitada pelo prestigiado reverendo norte-americano Billy Graham, e tendo ouvido a mensagem do evangelho, disse ao mesmo: “Não preciso de Jesus”. Uma semana depois, foi encontrada morta em seu apartamento vitimada por uma overdose química.

    Conta-se que Thomas Andrews, arquiteto naval responsável pela construção do famoso navio transatlântico Titanic, ao ser questionado por uma repórter, sobre a segurança da embarcação, teria dito: “Minha filha, nem Deus poderá afundar este navio”. Na viagem inaugural o Titanic colidiu com um iceberg que rasgou o seu casco e, duas horas e quarenta minutos depois, o grande navio submergiu levando consigo Andrews juntamente com mais de 1.500 passageiros.

    Em nossa histórica cidade de Penedo, quando ainda garoto, vivenciei um episódio inesquecível. Era uma fase de início de trovoadas e lembro-me de ter pedido uns trocados ao meu saudoso pai, Wilson Lucena, que na época tinha o seu escritório contábil num antigo sobrado na Avenida Comendador Peixoto. Satisfeito, fui comprar uns “boizinhos de cerâmica” para brincar em minha “fazendinha de fundo de quintal”. Entretanto, o preço cobrado pela vendedora foi maior do que o valor que eu dispunha. Desapontado, resolvi retornar para o escritório do meu pai, quando inesperadamente, um grande clarão iluminou toda a orla seguido de um formidável estampido de trovão. Ficou gravado em minha mente, a cena da mulher apressada, arrumando as mercadorias para ir embora, e dizendo-me: “Venha meu filho, me dê o dinheiro que você tem aí e pode levar os bois, pois, com as coisas de Deus não se brinca”. O tempo foi passando e no decorrer da minha trajetória de vida, a expressão simplista daquela mulher nunca saiu da minha memória, principalmente, depois de encontrar nas páginas do Livro Sagrado as afirmações de que “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e a humildade precede a honra”.

    postado em 18/05/2011 12:00

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    João Pereira Junior
    Advogado, Professor de Direito e Membro da Academia Penedense de Letras


     

    O Casamento Real e a" Insustentável Pobreza do Ser"

     

    AFP

    Os cães ladram enquanto a carruagem passa. Esse ditado me veio à mente ao ver uma reportagem sobre as pessoas que, com alguns dias de antecedência, já se encontravam acampadas numa via privilegiada de Londres para poder garantir lugar que avistasse a carruagem real dos nubentes Willian e Kate. Não posso deixar de registrar que isso me causou perplexidade, a despeito de vivenciarmos uma realidade onde as futilidades estão na ordem do dia, movendo toda uma indústria de entretenimento nocivo. Nesse sentido, quando o “BBB” ou “A Fazenda” conseguem fabricar manchetes de jornais, revistas e sítios importantes da internet; quando torcedores de times de futebol procuram se auto-afirmar em brigas pelas ruas ou pelas arquibancadas; quando a Xuxa tem status de rainha, Luan Santana é escolhido para entoar o Hino Nacional na Fórmula Indy, em São Paulo, quando o bizarro grupo Restart ganha vários prêmios musicais da MTV, por que me impressionar com a alienação das pessoas que acordaram cedo para assistir ao tal casamento real?

    Definitivamente, acho que por medo; medo de constatar que a realidade já é demais para muita gente que não passa fome e nem vive prostrado numa cama. Ora, como é que algo tão fora de moda, tão destoante das ondas revolucionárias que assolaram a Modernidade e a Idade Contemporânea consegue despertar o interesse das pessoas? Além de fora de moda, cá pra nós, a família real britânica não tem graça nenhuma. São feiosos, distantes, frios e não parecem felizes. Em troca de morarem num castelo e terem títulos que pouquíssimas pessoas na Terra podem ter, deixam de ser gente e passam a ser uma instituição que dá lucro e glamour ao “reino” (é só atentar para os dividendos decorrentes de direitos de transmissão do casamento pela TV). Serão eles felizes com tantas limitações que lhes são impostas? Tenho minhas dúvidas, como a maioria dos leitores também tem.

    Kate, para se tornar princesa, como todos já viram em jornais de televisão e na internet, terá de cumprir algumas exigências que vão além do razoável e, que do ponto de vista de utilidade, soa como um zero à esquerda: não poderá exercer uma profissão, não poderá carregar bolsa (algo impensável no universo feminino), não poderá brincar de banco imobiliário, não poderá comer mariscos, não poderá terminar sua refeição caso a rainha termine primeiro que ela, não poderá andar (em ocasiões oficiais) ao lado do marido, mas alguns passos atrás dele, enfim, uma miríade de tolices que nos fazem indagar se tudo isso não foi inspirado numa história da Carochinha. Mas, o que é que eu tenho a ver com isso? Nada. Absolutamente, nada.

    E, por isso, mesmo não assisti ao tal casamento e creio que nenhum brasileiro tinha motivo relevante para não agir da mesma forma, portanto, volto a insistir na pergunta: por que o fascínio dos pobres de espírito por este evento, a ponto de acordarem cedinho a fim de não perder um só detalhe? Vou ousar e tentar responder: o inconsciente das pessoas é impregnado de imagens e histórias que lhes foram contadas na infância (castelos, princesas, duques, condes, cavaleiros, fadas, etc.). O que a mídia faz, ao usar a família real britânica, é mostrar às pessoas que esse mundo existe de verdade e é levado a sério tanto pelos súditos como pelo poder público, dando-lhe um ar de sanidade. Nesse sentido, se uma cerimônia de casamento mexe com o imaginário das pessoas, máxime das mulheres, o que dizer, então, da “sorte” de uma plebéia que teve a oportunidade de se unir, em matrimônio, a um príncipe que, de fato, existe?

    Infelizmente, a realidade, ao que parece, está sem graça demais para muitas pessoas que não sabem o que é fome, miséria, guerra e outras mazelas, por isso, comportam-se como nômades de si mesmos ao curtir a vida alheia que está sendo contada num mundo à parte, mas que é “real”. No vazio e na pobreza espiritual em que se encontram, buscam em outras vidas, sejam reais ou até mesmo as encenadas em filmes e novelas, aplacar uma incompletude que não pode ser sarada pela apreciação da vida privada de outrem, ainda que pessoas públicas, já que o seu vazio estará sempre a sua espera quando voltar do passeio embriagante e que se esvanece em tão pouco tempo.

    Realmente, a fuga da realidade é um subterfúgio dos miseráveis, dos desafortunados da sorte e dos depressivos, mas, também, é o subterfúgio daqueles que já não suportam a si mesmos. Enquanto naqueles há uma força centrípeta (a hostilidade do meio vai de encontro a suas vidas), nestes, há uma força centrífuga, é o vácuo espiritual que vai de encontro ao meio e, ali, também nada encontra, senão, na vida do próximo, uma espécie de mendicância existencial da qual não têm a menor consciência. É lastimável e é impressionante.
    Não imaginava isso, mas a humanidade ainda consegue me assustar. Parodiando Milan Kundera, eis “a insustentável pobreza do ser”.

    postado em 15/05/2011 09:19

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    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    O Espelho da Vida

     

    Seja exemplo para você mesmo. Olhe-se no espelho da vida e faça a sua própria auto-análise.O ser humano é dotado de um dispositivo inato e infalível capaz de lhe mostrar as suas fragilidades,egoísmo,sentimentos de inveja, o senso crítico direcionado ao bem ou ao mal.

    Olhe-se nesse espelho não como a bruxa olhava para o espelho mágico querendo que ele dissesse que era bela mesmo sabendo que era feia. Olhe-se nele, mas não interfira no que ele refletir. Seja real com você mesmo, não distorça a imagem e vislumbre os caminhos que se apresentarão à sua frente.

    Há o caminho que lhe conduzirá a ser um ator real no palco da vida, passando por ela com dignidade e respeito daqueles que dividem o mesmo espaço social, ou o de ser, dentro desse palco, um palhaço, que prefere levar uma vida encoberto pela máscara do insucesso, preferindo esconder-se dentro de si mesmo, destilando no seu mundo inferior e solitário o veneno que destrói, que denigre e que fere, como produtos de sua inferioridade.

    Olhar-se no espelho da vida, reconhecendo que a imagem disforme ali refletida é um despertar, é que fará o ser humano melhor, deixando o velho modelo e optando pelo novo transformando-se interiormente, renovando suas idéias.

    Não se permita enganar-se, olhando-se nesse espelho mágico. Se a imagem que ele refletir não for a que esperava,veja ,olhando para os episódios pretéritos, onde está a causa e a conserte.

    Seja exemplo para você mesmo para que os outros se espelhem em você. Não é o discurso, as palavras bonitas nem as ações fingidas que o tornará exemplo, mas a sua própria conduta, a sua própria dignidade, o seu próprio exemplo.


     

    postado em 11/05/2011 14:52

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    O Senhor Alagoas e Alagoano Desabafam

     

    Casualmente, deparei-me com o personagem acima que, dada a sua singular postura a chamar-me a atenção, procurei dele aproximar-me para tentar uma conversa e ver se podia captar algo interessante, a seu respeito. O local era praia de Jatiúca, em Maceió. A maré estava alta e o vento soprava suavemente. Era relativamente idoso. Vestia uma roupa surrada de tecido ordinário, cor indecifrável, uma aparência arredia à limpeza e barba por fazer. Apesar dessa imagem avessa à boa aparência e higiene, dava-me a impressão de possuir uma forte vida interior, não sei se por uma disposição natural do seu temperamento ou talvez resultante do trágico a marcar a sua existência. Tinha o olhar fixo no mar de águas limpas, transparentes e esverdeadas a esbanjar toda a sua beleza. Essa contemplação, notei, dava-lhe uma paz e fazia-lhe esquecer, transitoriamente, os percalços de um destino amargo e cruel.

    Despertado do seu transe contemplativo, virou o rosto e percebeu a minha presença. Aproveitei o momento, tomei a liberdade de sentar-me a seu lado e, de chofre, perguntei-lhe de onde era. Respondeu-me, calmamente, que era a transfiguração do Estado de Alagoas. Veja como estou vestido a rigor, para caracterizá-lo. Tudo resumido em total desventura. Diabos, pensei, estou diante de um louco.

    Lamento profundamente o seu terrível fado, disse-lhe. Confessei a minha condição de alagoano e, como tal, sentia os efeitos da sua tragédia. Que tinha o raro prazer de saber das coisas boas a respeito dele e a desventura de suportar a monotonia de ouvir, ver e ler os mesmos discursos, as catilinárias que noticiam homicídios, desmandos na administração, malversação do dinheiro público, carências, pobreza e miséria. Você, permita-me dizer-lhe, nasceu, azaradamente, no signo da perua e, como é da natureza dela, ela só sabia cantar: pior, pior, pior! Como o pior atrai o pior, ficamos, pobres alagoanos, a lamber os lábios como crianças ingênuas, à espera do melhor, o passageiro que nunca chega. Você é um barco furado a fazer água por todos os lados. Recentemente, na mesma edição de um jornal, li duas notícias que beiram à incredulidade. A primeira, dizia da possibilidade de você ter de mandar para os estados vizinhos seus doentes, consequência do caos hospitalar. Quê absurdo! A Segunda, velha notícia cantada a La Perua, concedia aos servidores o irrisório reajuste de 5,91%. Se não bastasse isso, concedido em duas parcelas. É zombar demais! Afinal de contas, Alagoas, quando você será capaz de nos conceder o prazer de sentir os fluidos positivos da alegria, do otimismo e esperança? Se você não tem o departamento dos milagres, como disse seu vice-governador, deveria, no mínimo, ter o da vergonha.
    - Você disse muito bem. Sabemos que o milagre é quase uma impossibilidade, mas não a vergonha, bem mais fácil de tê-la e sequer a temos, uma das principais causas do meu infortúnio. O que devo esperar? Se de um lado solfejo o canto da perua, pelo outro, com o sentimento da desolação, e desespero, sinto os efeitos da bebedeira do peru em véspera de Natal. Sinto que tudo está perdido.

    É compreensível, meu ilustre Alagoas. Apesar dos pesares, você é respeitável pela maioria dos bons alagoanos. O xis do problema são os parasitas que infestam o seu corpo, os chamados cientificamente de piolhus corruptus que, com sua antropofagia, reduziu ou quase extinguiu a nossa sensibilidade aos seus efeitos predatórios. Notícias cabeludas a seu respeito já não nos causam indignação, mas apenas a chatice de uma música repetitiva. Isso não deixa de ser um perigo, pois, se as leis têm nos costumes uma de suas fontes, não tardará que a corrupção seja, entre nós alagoanos, letra morta no Código Penal, passando a fazer parte do rol das virtudes surrealistas.

    - Meu filho, fiquei muito atento às suas palavras que, paradoxalmente, foram duramente amenas face aos males que corroem toda a minha estrutura. Tenho viagem marcada para Brasília, a fim de tentar, com o habitual pires na mão, conseguir mais recursos para os meus cofres, que muito bem são chamados de saco sem fundo. Já não faço isso como um dever, mas como um castigo eterno semelhante ao que foi infligido ao mitológico Sísifo, condenado a rolar uma enorme pedra até o cume de uma montanha. Aí chegando, a pedra escorregava até o solo e ele era obrigado a repetir infinitamente o mesmo trabalho. A verdade é que me encontro desgastado e agastado. A minha condição humana ou sub-humana sob o aspecto ético, encarregou-me de anestesiar-me o espírito. Vergonha e o amor próprio perderam-se na poeira do tempo. Sou objeto de depreciação e chacota. O que posso fazer? Os meus ouvidos, antes suscetíveis às críticas desabonadoras a meu respeito, encontram-se surdos como uma parede. Os superlativos que informam ser o mais violento, sinto ser uma condição permanente. Esta pequena amostra, entre outras, fez-me enraizar o sentimento e a convicção de que sou um ser desprezível, esquecido, abandonado pelo criador e sem qualquer expectativa de redenção. O que me resta fazer? Imagino, em meus devaneios, se as águas cristalinas que banham parte do meu corpo, não seriam capazes, após oferenda aos deuses, resgatar a miséria, incutir vergonha aos meus políticos e todos os demais pecados a mim atribuídos. E haja divagações, o único lenitivo, que à sombra dos restos mortais do otimismo vislumbra tão-só a utopia como única salvação. Fantasias à parte, cheguei a inspirar-me nas lamentações do profeta Jeremias. Procurei outro caminho, amparado na força da fé, das orações e sacrifícios.

    Fui ao deserto, fiz um longo jejum, rezei aos brados que ecoavam em todas as direções, profanando a sua paz, a quietude e o silêncio. Se infinita é a sua bondade, Senhor, por que não me concede um pouco do Seu amor, o suficiente para livrar-me do infeliz carma que me persegue e secar as lágrimas do meu rosto, emanadas de perenes dores e sofrimentos? Comi gafanhotos, dormiria numa cama de pregos ou qualquer outro sacrifício que enterrasse o meu passado e começasse a enxergar uma tênue luz de otimismo e esperança. Meus negócios, como você sabe, estão entregues aos cuidados da trindade que rege as modernas democracias no mundo, isto é, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Acontece que essa trindade é bichada, tornando-se difícil saber qual delas é a que apresenta a pior decomposição. Há muito joguei a toalha no chão. Tenho a completa sensação que tudo está perdido e acabado. Como o que não tem remédio remediado está, nada me resta senão esperar o sono letal que me leve para o repouso eterno. Tchau!

    Abro os olhos e desperto com toda clareza deste pesadelo sobre duas almas penadas. Na mesinha de cabeceira encontrava-se o jornal do dia. Levantei-me e, influenciado pelo pessimismo do sonho, não tive nenhum desejo ou curiosidade para manuseá-lo e o envelopei na cesta de lixo.

    postado em 08/05/2011 08:22

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    Maria Núbia de Oliveira
    Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras


     

    Cortinas de Tijolos

     

    Cone Freire - aquiacontece.com.br

    Cais de Penedo

    Debrucei-me sobre o cais, procurei o meu rio e não o encontrei. Um turista estava comigo, com uma telinha nas mãos, naquela árvore,em frente ao prédio da Marinha. Ele queria pintar uma tela em cima de um poema de minha autoria, intitulado: Rio São Francisco. Não deu certo. Ricardo foi procurar outro ângulo e eu permaneci ali, absorta, impaciente. Precisava ver o rio. Construções foram erguidas, quais cortinas de tijolos, impedindo o meu olhar de ver as águas do São Francisco...

    Mas, entre uma construção e outra, deixaram um bequinho, pelo qual eu pude visualizar um pedacinho do meu querido rio. Era um fiozinho de água que acenava para mim, dizendo que se eu saísse do cais e descesse a rampa, que fica em frente às cortinas de tijolos, poderia vê-lo inteiro! Os meus minutos de contemplação estavam no fim e eu tinha outro compromisso. Aquele fiozinho de água continuou seu percurso por entre os tijolos e ainda brilhava, refletindo os raios dourados de um crepúsculo. Ricardo chegou com um esboço rabiscado na tela, todo feliz, dizendo que tinha conseguido visualizar uma parte do rio. Grande vitória! Ele viu o rio... A tela vai ficar linda, dizia ele.

    Voltei para casa, aproveitando os bequinhos para me despedir do meu espelho dourado. Às vezes se escondia e reaparecia, de acordo com o movimento da minha caminhada. Talvez aquele camarote branco parecido com uma renda, já não me sirva mais. Preciso procurar outro ângulo, outro lugar para continuar assistindo o espetáculo das águas mudando de cor, em sintonia com a rotação do planeta que "geme de dores de parto e agonia", conforme o tema da Campanha da Fraternidade deste ano.

    Não posso perder o entardecer, quando o dourado do pôr do sol derrama seus raios sobre as águas franciscanas. Parece que todas as minas do mundo trazem os seus ouros naquele momento crepuscular, e os jogam nas águas desse rio, transformando-as em luminosas correntes, ricas e ocultas por Cortinas egoístas, com cheiro de concreto.

    O espetáculo, para ser visto, precisa de amplidão e é por isso que as cortinas se abrem majestosamente, saudando a platéia. O bailar das águas, a penumbra do entardecer, a revoada dos pássaros retornando aos seus ninhos, o pescador solitário que volta para o lar, enfim, todo esse ritual da natureza, não pode ficar oculto, envolto em tijolos, confundido com os sons destoantes, ferindo a música divina de uma despedida crepuscular. O pior é que pode. Os homens podem tudo! Até quando?
     

    postado em 04/05/2011 12:00

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    Augusto N. Sampaio Angelim
    Juiz de Direito em Pernambuco, apaixonado por Penedo


     

    Aurélio Buarque de Holanda e as fateiras de Passo do Camaragibe

     

    leoiran.blogspot.com

    Na bela paisagem da zona da mata alagoana, nas proximidades do exuberante litoral de águas mornas e cor que varia entre o verde e o azul, vou cavalgando sobre o cavalo de uma pousada de Passo de Camaragibe. Levo sobre a sela de “Dourado”, a pequena Maria Laura que não esconde sua alegria. À nossa frente, noutro cavalo manso, segue “Quatorze”, um simpático caboclo alagoano que leva consigo Heitor, o meu caçula. Entre risadas e explicações, descemos morros e admiramos os pedaços de mata atlântica do local e o gado nelore que ponteia a pastagem.

    Pegamos uma trilha que beira o rio Camaragibe e observo que seu curso é inesperadamente vigoroso. Tortuosamente, segue em velocidade em busca de sua foz. Às suas margens, encontramos homens pescando, crianças se banhando e, há menos de duzentos metros da pitoresca ponte que dá acesso à Cidade de Passo de Camaragibe diz que vamos voltar. Não Quatorze, quero passar pela ponte, lhe digo.
    A ponte é bem estreita e até parece que foi construída por uma criança, tão graciosa e infantil se parecem suas paredes pintadas de amarelo e azul, formando uma espécie de adorno impensável para uma ponte dos dias atuais. Foi doada ao povo de Passo de Camaragibe na administração de Fernandes Lima, em 1921.

    Meio, sem querer, Quatorze diz: “tão tratando fato”. De início não compreendi o que ele falava, mas, aguçando os sentidos e olhando em frente, percebo os sinais da degradação. É que, estando o matadouro da cidade interditado, as fateiras, pessoas que tratam de limpar as vísceras dos animais abatidos, realizam o serviço ali mesmo na beira do tolerante Rio Camaragibe. Resolvo, então, até mesmo pelo mau cheiro, seguir os conselhos do caboclo e damos meia-volta. Mesmo assim, vejo que, na outra margem do rio, uma senhora lava suas panelas nas mesmas águas.

    “Mas Quatorze, e ninguém toma uma providencia contra uma coisa dessas?”.
    O bom matuto coça a cabeça, demonstrando preocupação e diz, bem baixinho:
    “A Promotora deu três meses”.

    “Três meses para quê?”.

    “Sei direito não, doutor, mas parece que foi prá acabar com isso ou fazerem um matadouro”.
    “Faz quanto tempo que ela deu essa ordem?”

    “Não sei, mas já faz um tempo. Será que os meninos num querem espiar aquele cavalo novinho, brabo que só. Ainda não foi nem castrado. Àquele todo preto que tá sozinho lá no cercado", desconversa o guia.
    “É, acho melhor”.

    Tocamos nossos cavalos e vamos espiar a valentia do ainda indomável cavalo novo, que, ao perceber nossa presença corre de um lado a outro, com sua crina negra caindo sobre seus olhos. Os meninos enchem os olhos de felicidade.

    Num site da Prefeitura Municipal consta que, seu filho mais famoso é Aurélio Buarque de Holanda, filho de Manuel Hermelindo Ferreira e de Maria Buarque Cavalcanti Ferreira e que viveu em sua terra natal durante sua infância, e parte da adolescência, tornando-se escritor, crítico literário, tradutor, lexicógrafo, filólogo e sinônimo de dicionário, acrescentando que pretende fazer a divulgação desse patrimônio cultural como forma de incrementar o turismo na cidade. É uma boa ideia e deve ser levada adiante, mas é bom que a edilidade de Passo de Camaragibe cuide melhor das condições sanitárias de seu povo, para não envergonhar Quatorze e nem constranger seus visitantes.

    A propósito, na minha infância, entre os anos 60 e 70, não haviam preocupações ambientais e nem sanitárias, e uma das coisas que me recordo era do encontro semanal das fateiras, por trás de um chafariz da cidade, no qual, conversando, cantando e falando mal da vida alheia, as fateiras iam limpando as vísceras que, depois de secas, formavam as gostosas tripas salgadas vendidas na feira livre. Ao lado das fateiras, sempre, pela abundância de comida, sempre tinham os cachorros e quando se queria dizer que alguém era mentiroso, falavam assim: “mente mais que cachorro de fateira”. As fateiras de hoje, mesmo sem leitura, sabem que sua atividade pode provocar problemas com a vigilância sanitária, principalmente quando o serviço é feito de forma inadequada, por isto que as de Passo de Camaragibe ficam escondidas numa encosta do rio, recoberta por frondosas árvores, mas, toda gente de lá deve saber do fato. Mas, pelo visto, ninguém denuncia o fato à Promotoria.
     

    postado em 01/05/2011 12:12

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    Isabel Cristina Medeiros de Barros
    Clínica Geral com Pós-Graduação em Medicina do Trabalho


     

    Faltam médicos ou falta vergonha política?

     

    Ouvimos muito nos meios de comunicação e da população em geral, reclamações sobre a falta de médicos nos serviços públicos, e isso se confirmou através de uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2010, onde a falta de profissionais médicos foi mencionada como o principal problema do sistema de saúde no Brasil por 58,1% dos entrevistados, enquanto o tempo de espera para conseguir atendimento nos serviços de saúde, foi apontado por 35,4% e a demora para conseguir consulta com médicos especialistas, por 33,8%.

    Apesar de ser a principal queixa da população, o CFM (Conselho Federal de Medicina) afirma que não existe falta de médicos no Brasil, pois em 2010 foi realizado um levantamento e observou-se que o numero de médicos no País aumentou 27% entre 2000 e 2009, enquanto a população brasileira cresceu 12% no período. O resultado indicou que existe um médico para cada 578 habitantes, mas mostrou também que apesar de não faltarem médicos, eles estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste e nas capitais dos estados, por isso a carência no nordeste, principalmente fora das capitais.

    De acordo com o CFM os problemas indicados pelos entrevistados se devem a deficiência de financiamento e ausência de políticas publica efetiva para a área de saúde. A entidade relata que os gestores do SUS, em todos os níveis, falham em apresentar soluções para a contratação de profissionais de saúde, especialmente da Medicina, garantindo-lhes remuneração adequada e condições de trabalho dignas. Este quadro se apresenta mais preocupante em nossa região, onde ocorre a má aplicação desse financiamento, já deficiente, o que torna a fixação desse profissional quase impossível.

    Enquanto os gestores municipais, estaduais e federais continuarem SEM VERGONHA de pagar R$1.000,00 a R$2.000,00 de salário base para o Médico exercer 40 h. de trabalho e fazer milagres no atendimento aos pacientes em serviços de saúde sucateados e onde “falta tudo”, a população vai continuar reclamando da FALTA DE MÉDICOS, pois os gestores “FAZEM DE CONTA” que os médicos trabalham 40 h. com o salário vergonhoso que pagam, e os médicos “FAZEM DE CONTA” que trabalham as 40 horas com o que recebem, enquanto estão em três empregos no lugar de um, pensando se valeu à pena estudar tanto, passar seis anos numa faculdade, mais dois à quatro anos se especializando, e como recompensa se “dividir em três” para receber “um salário”! Além disso, a classe médica aguarda há anos a regulamentação da Emenda Constitucional 29 que cria a carreira do médico dentro do SUS e determina um piso salarial decente! Infelizmente esse direito conseguido por outras carreiras há anos como, por exemplo, o judiciário, para os médicos é uma espera de sete anos, ainda sem conclusão.

    Diante disso tudo não é incomum ver um médico aos oitenta anos ainda em atividade, pois a maioria continua trabalhando para sobreviver na velhice, resultado dos salários, de “VERGONHA”, que receberam a vida toda, e que não resultaram numa aposentadoria decente e no descanso merecido! Então se eu sobreviver aos meus inúmeros empregos e a minha saúde permitir, me procure no consultório daqui a vinte e cinco anos!!!

    postado em 27/04/2011 12:05

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Olhai os lírios do campo

     

    Esta é uma das citações mais conhecidas da Bíblia. Faz parte de um dos mais belos momentos vividos pelos discípulos na companhia de Jesus. A essência de seu discurso envolvia a questão da ansiedade das pessoas, já naquele tempo, com a sobrevivência, com o vestir, o ter, o exibir. Na sua palavra, Jesus exortava os presentes no sentido de não se angustiarem tanto com as necessidades do dia a dia. Muito sabiamente, Jesus já preparava as pessoas daquele tempo – e dos tempos atuais – a respeito da importância de preservar sua qualidade de vida, não permitindo a ocupação da mente com pesos em excesso nem com uma configuração de vida super avaliada nas coisas materiais. Aliás, Jesus também deu uma certa importância às demandas materiais de nossas vidas, deixando bem claro, porém, de que nossa preocupação com essas coisas deveria caminhar até um certo limite. A partir daí...

    As palavras de Jesus lastreiam também uma afirmação de fé. No momento em que fez essa afirmação era verão na Palestina e nos campos, rigorosamente, não havia lírio algum. Jesus tencionava, assim, puxar pela mente das pessoas, fazendo-as lembrar de que, apesar da geografia árida, seca que elas tinham diante de si, existia sempre a perspectiva de um tempo de beleza, de fartura, de provisão. Ou por outra: mesmo quando a vida está em baixa, com predominância da dor, da incerteza, da amargura, existe sempre a perspectiva de surgir o outro lado da medalha. E, através da fé, um novo tempo poderá ser alcançado. À frente de Jesus as pessoas estavam confusas. Como enxergar lírios belíssimos, de uma textura luxuriante, em meio à secura de um período de verão? Ou como enxergar uma nova realidade de vida diante da escravidão materializada na presença do senhorio romano?

    “Olhai os lírios do campo!” Ao fazer tal afirmativa, Jesus queria enlarguecer nossa visão, ampliar nossos horizontes. Sabe-se que no campo existem armadilhas contra a vida. As aves de rapina, os répteis, os rigores do inverno, o calor inclemente do verão. Os predadores, os animais de grande porte, as ervas daninhas... Apesar disso tudo, os lírios também surgem, emoldurando com sua beleza uma nova realidade. O problema é quando o campo – em síntese, na ótica de Jesus, uma alegoria da vida, do mundo – é visualizado somente através das grossas lentes do negativismo gratuito. Apesar de todas as adversidades da vida, há sempre a presença de algo belo a ser visto, focalizado, priorizado. E que, diante de um vastíssimo leque de sentimentos que a vida nos impõe, tais como o egoísmo, o individualismo, a soberba, a arrogância, há sempre a chance de cultivarmos o belo, o frutífero, o substancial, o edificante.

    Ao que tudo indica, a planta que Jesus nomeou em seu discurso como lírio é hoje conhecida com o nome científico de “anemone coronária”. Tinha uma haste de uns 40 centímetros e pétalas vermelhas, púrpuras, azuis, róseas ou brancas. Como se vê, algo de uma beleza realmente estonteante em meio à aridez do solo palestino. Segundo relatos históricos era uma planta de floração comum na região, florescendo próxima ao tempo da colheita do feno. Devido à sua beleza, já era usada em larga escala na decoração dos ambientes requintados, bem como nas casas simples dos moradores do campo. Era, por assim dizer, um referencial de beleza, de nobreza, de excelência decorativa. Uma planta que realmente fazia a diferença. É nesse ponto que quero destacar o eixo sobre o qual gira o ensinamento de Jesus. Fazer a diferença. Priorizar sentimentos nobres sobre o negrume dos valores cultivados atualmente.

    Há momentos na vida em que a mente se fecha. O horizonte divisado vai somente um pouco além das agruras do dia a dia. O belo da vida se perde diante da feiúra do contexto da existência. É preciso romper essa linha divisória que demarca a tristeza da alegria, a angústia da paz, o caos da ordem, da serenidade, da esperança. Quando o campo da existência está recheado de abutres, répteis e ervas daninhas, é necessário se crer que, mesmo num campo assim, a semente do lírio está lá, latente, pronta a brotar – a se fazer presente. A irradiar a vida com a variedade de suas cores, a emergir bela, firme, altaneira em meio à aridez da geografia social da atualidade. “Olhai os lírios do campo” é em sua essência uma receita inteligente de vida. Ou por outra, uma concepção ideal de vida para quem deseja enxergar a realidade atual como algo mais do que um mero passar de dias. Vai olhar?

    postado em 24/04/2011 00:00

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Se Sergipe pode, por que não pode Alagoas?

     

    O pleito salarial dos servidores estaduais que está a desenrolar-se, dificilmente não buscará no Estado de Sergipe um paradigma para balizar o teto de suas reivindicações, especialmente na Polícia Militar. Não será bom para o Governo de Alagoas, sempre alagado em lágrimas de crocodilo e falsas lamentações que, o têm tornado, por anos seguidos, surdo, mudo e insensível às justas aspirações do funcionalismo.

    No mundo competitivo em que vivemos, o inferior quando deseja galgar ao patamar onde se encontram os de nível superior, espelha-se nas boas qualidades e parte para transformar seu desejo em realidade. A competição não existe apenas no nível individual entre as pessoas, mas entre países, estados da federação e cidades. Por exemplo, histórica é a rivalidade entre Sergipe e Alagoas e suas respectivas capitais. Entre os dois estados, qual a nota de cada um? Basta dizer que Sergipe, há muito anos, ostenta a melhor renda per capta do nordeste.

    Como gostaríamos de ver Alagoas despertar do torpor que o acomete por tantas gerações, procurasse alçar vôos mais altos e deixasse de ver refletida em si mesmo a imagem de penúria que o coloca na rabeira dos demais estados. Frente a essa triste realidade, sentisse vergonha, sacudisse a poeira e os nossos políticos, sentindo o peso da culpa, fossem tocados pela graça do milagre, fizessem por Alagoas juras de amor e prometessem de fato todo o empenho para erradicar-lhe sua endêmica miserabilidade. Como seria extraordinário!

    Existe uma piada na qual Deus distribuiu para cada país vantagens e desvantagens, sendo estas em quotas de calamidades naturais. Chegada a vez do Brasil, achou por bem livrá-lo da fúria da natureza, dando-lhe como compensação um exército de corruptos e ladrões. Será que Deus foi bonzinho com o Brasil? Bem, as calamidades são passageiras e danos materiais reparáveis, ao passo que os nossos políticos são permanentes, eternos e irrecuperáveis. Será que Deus fez o mesmo com os estados do Brasil? Tudo indica que sim. Com referência a Alagoas, por exemplo, deu-lhe as mais belas praias do Brasil, privilégio que por si só seria suficiente para pô-lo no topo do crescimento, com a exploração do turismo, atividade que mais gera renda e emprego em todo o mundo. E como anda nesse setor? Engatinhando. Por que? Acontece que do outro lado da moeda, Deus castigou Alagoas, dando-lhes proporcionalmente ao seu tamanho um considerável contingente de políticos corruptos, verdadeiros bate-estacas que afundam o estado, corrompem e emperram a máquina administrativa, gangrena o corpo sadio de Alagoas e jogam na completa escuridão as mais belas e acalentadas esperanças dos alagoanos.

    Vamos às expectativas do funcionalismo. Por antecipação, sabemos que o Governador Vilela, o Senhor Balela, nas negociações salariais, virá com a mesma choradeira, a surrada desculpa da falta de recursos financeiros e o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Até quando perdurará essa desculpa? Quando os servidores poderão nutrir a esperança de um reajuste digno? Alguma providência está sendo tomada para corrigir as distorções que impedem atender condignamente a demanda do funcionalismo? Afinal de contas, em que causa ou causas se centram as dificuldades financeiras? Queda na arrecadação do ICMS? Não. Nunca o Estado de Alagoas arrecadou tanto. O que será então?

    Sob o aspecto comparativo com Sergipe, chama-nos a atenção a reivindicação da Polícia Militar que tem atualmente um piso salarial de mil e quinhentos reais. Está pleiteando um de dois mil e oitocentos reais, mesmo assim inferior ao de Sergipe que é de três mil e quinhentos reais. Por que Sergipe pode e Alagoas não? E a educação, como está? Em termos salariais, já foi uma das melhores do Brasil. E as condições de trabalho? Nada elogiável. Acrescentando-se a isso as perdas salariais e a falta de professores, o quadro da educação no estado pode ser definido como de abandono. O que podemos dizer de um governo que relega, deixa ao descaso a educação, quando todos sabemos ser o principal fator para o desenvolvimento em todas as áreas da atividade humana? Não vamos desgastar os adjetivos, mesmo sendo os piores.
    Como é irritante e desconfortável ler nos jornais ver e ouvir o noticiário televisivo sobre Alagoas!

    Sentimos uma sensação de vazio e abandono, desconsolo e tristeza que resultam em depressão e um tormento para o espírito. Não é que não existem as boas coisas, mas são tão poucas que quase não as percebemos, diluídas e perdidas que ficam na imensidão de um mar revolto de calamidades. Não devemos, no entanto, abdicar do otimismo, mesmo diante dessa paisagem desoladora da Terra do São Nunca. Acender-lhe a chama, sem dúvida, está mais para um ato de fé do que uma crença racional de que venha ocorrer, a médio prazo, uma regeneração, uma nova mentalidade entre os nossos políticos individualistas, rudes e historicamente retrógrados. Em Sergipe, os políticos divergem, o que é muito natural, mas convergem em bloco, quando está em jogo o interesse do estado. Eis um importante diferencial, razão porque afirmamos que enquanto não houver uma mudança na visão político-administrativa dos nossos representantes, Alagoas, por mais que se mire no espelho de Sergipe, só verá dentro de si mesmo, com escancarada nitidez, toda a sua miséria e mediocridade.
     

    postado em 20/04/2011 12:00

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    Alcides Regueira Lucena
    Professor e Historiador, com pós-graduado em Gestão Educacional


     

    Penedo: 451 Anos de Luta

     

    Falar sobre a história de Penedo é algo muito valioso para mim, que sou um filho deste ilustre chão brasileiro. Nossa cidade de acordo com o historiador penedense, Caroatá, em pesquisa realizada no Convento de Iagarassú-PE, no seu livro, Crônica do Penedo, p. 14 nos relata “que Duarte Coelho Pereira teria saído em uma viagem em 1545 para explorar a costa sul de sua capitania e em 10 de outubro do corrente ano adentrou nesse majestoso rio limite de suas terras, o qual os indígenas denominavam de OPARA”.

    Por sua vez, Craveiro Costa, em seu livro História das Alagoas op. Cit. p.14 comenta: “no penedo que aí se encontra à margem esquerda do Rio São Francisco fundou uma feitoria para a vigilância do gentio, a qual foi a origem da atual cidade do Penedo”, referindo-se à viagem feita por Duarte Coelho de Albuquerque em 1560, que aqui chegando fundou uma Feitoria. Este fato foi confirmado por Frei Jaboatão em um artigo na revista IHGA. Nº XXV. Ano de 1947, p. 16 que comenta “que os irmãos Albuquerque andaram em sua viagem, em 1560, restaurando algumas povoações, que já havia, e levantando outras as margens do Rio São Francisco”. Diante destas afirmativas considero a data de 1560 como a fundação oficial desta cidade.

    Durante seus 451 anos de existência a antiga Vila do Penedo do São Francisco, revelou-se uma cidade que estava sempre na vanguarda de sua época. Durante o período colonial se destacou em diversas batalhas tendo como a principal o levante denominado de OPENEDA, quando nossos ancestrais lutaram contra os Holandeses, expulsando-os do nosso município.
    No período monárquico, Penedo se encontrava dentre as 30 cidades mais importantes do país. Durante o segundo Reinado, nossa cidade foi a Capital do Brasil por ocasião da estadia de D. Pedro II. Nesta época, se destacou o Barão do Penedo, sendo nomeado o primeiro embaixador do Brasil em Londres e posteriormente na cidade

    postado em 18/04/2011 09:33

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    Dimas Patriota
    Professor formado em Letras, Pós-graduado em Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa


     

    A arte nossa de cada dia, preservemos hoje

     

    Aloisio Leahy

    Jardim da Praça 12 de Abril, foi trocado pelo concreto.

    Nascer em Penedo é um privilégio. Viver em Penedo é ganhar um presente. Não simplesmente um presente que se compre aqui e ali. Mas, um presente ornamentado com a mais fina arte. Arte sacra, barroca, colonial. Do tipo que só se ganha de alguém que, verdadeiramente, muito nos ama. O tipo de presente que a gente não cansa de admirar; que a gente tem o maior carinho e, por isso mesmo, tem o maior cuidado; que quando se está distante, sente-se uma saudade! É aquela jóia que não se vende por dinheiro nenhum; enfim, a jóia que a gente quer preservar a todo custo.

    E por falar em preservar...! Será que já tomamos consciência da falta de cuidados que temos com relação à nossa jóia – Penedo? Os resultados que presenciamos, deixam claro que não. Muitas vezes, sequer conhecemos as riquezas artísticas que ornamentam os pilares culturais da cidade. Não é surpresa termos conhecimento de pessoas que são pegas depredando o patrimônio cultural e nem sabem que “aquilo” é pura arte; constatarmos que, por mera satisfação pessoal, destrói-se uma estrutura do arcevo histórico e constrói-se, em seu lugar, algo moderno e sem valor dentro do contexto colonial que faz Penedo ser considerada a Ouro Preto do Nordeste.

    Cada um quer deixar fincada sua “invenção” arquitetônica. Cada um quer se dá ao direito de empalmar a marreta e destruir, a seu bel-prazer. E a jóia, como a conhecíamos, vai sendo aos poucos, descaracterizada.

    12 de abril, mais um aniversário que proporciona à cidade quase cinco séculos de História com “H” maiúsculo. História de vultos, de personagens e de personalidades. História de mulheres e de homens que fizeram da cidade do Penedo uma verdadeira história em si. História de batalhas e de conquistas, de sofrimentos e de glórias. Uma História que está sacramentada na arte de seus monumentos, na força de suas tradições, na esperança de seu povo.

    Na esperança de um povo que tem a difícil e inadiável missão de preservar com “arte” a arte tão presente em sua cidade, inclusive a mais atual de todas as artes: a arte de preservar a vida.

    Entenda-se que preservar a vida com “arte” é ter a certeza de cumprir, verdadeiramente, seus deveres para poder exigir seus direitos. Esse é o princípio de toda vida saudável. Primeiro, perdoa-se, para poder ser perdoado; quando você respeita, é respeitado. Você ama e, como consequência, é amado. Isso é preservar a vida com arte.

    Com a mesma arte que, silenciosamente, “grita” por cuidados na cidade do Penedo e anseia por sua urgente preservação.

    postado em 13/04/2011 12:00

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    Luiz Paulo Reis Galvão
    Médico Gastroenterologista e Endoscopista


     

    Zé Pequeno, O Filhote do Homem

     

    Zé Pequeno se muito tivesse eram 12 anos desde que saiu da mãe, Maria das Dores, engravidada por acaso, por um bêbado desconhecido numa esquina escura de uma favela do Recife quando 15 anos tinha, apenas. Maltrapilho e mal nutrido andava a esmo em bandos pela cidade com outros Zés. Um bando de filhotes do homem disputando as migalhas jogadas pelo sistema, com as revoadas de pombos e de urubus pelos lixões da cidade. Um carrinho sem rodas, um velho tênis sem o par, um pedaço de pão, uma bola murcha. Qualquer coisa serve para aquele a quem tudo é negado, a infância, a saúde, a escola, “o que fazer” e até o colo materno. À tarde vagavam no meio do trânsito das grandes avenidas entre os carros. Vidros fechados protegem as carrancas de todo mal. Lá dentro bancos couro, ar condicionado e rostos blindados a prova de emoções. Lá fora molhados, rostos lavados, um olhar perdido e uma mão estendida. O sinal abre, os carros se vão e a fome não passa.

    Um dia, outro Zé apareceu com bermuda e tênis novos.
    - Quem lhe deu? – quiseram saber
    - Tô trabalhando para o “Organizador”. O serviço é mole “meu”. Eu levo uns saquinhos com matinho “pros home” que vem buscar na entrada da favela. Eles me dão o dinheiro eu levo pro Organizador.Ai ele me dá um trocado.
    Zé Pequeno foi trabalhar para o Organizador. Um pequenino avião carregador de saquinhos, um pombo correio no tráfego do tráfico, uma peça de pouco valor na hierárquica organização criminosa. Um dia tomaram-lhe o dinheiro da droga na esquina.
    - Você fumou o bagulho seu bosta!! – bradou aos gritos o Organizador
    – E agora vem com essa conversa pra cima de mim !!
    - Eu juro...!! – choramingou a vozinha infantil de Zé
    - Elimina, elimina !!!!

    Zé Pequeno entendeu a mensagem e correu em direção ao rio que corta a cidade. Foi perseguido, atingido e abraçado por um desses braços do rio Capibaribe estendido nessa planície alagada tão Recife para uns e tão Biafra para tantos. Ferido, se debateu no ar como um pássaro e se enforcou nas águas escuras, com uma espécie de peixe envenenado, pela tragédia de não ser ninguém. Ao entardecer flutuou na bacia do Pina uma criança morta, levada na correnteza lenta por debaixo da grande ponte em direção ao mar. Lá em cima a vida seguiu seu curso normal com legiões de automóveis levando as carrancas blindadas para suas casas. Ninguém viu, ninguém notou. Afinal de contas ninguém tinha nada a ver com isso. Um problema social, culpa dos políticos, coisa para o governo resolver...

    Na sua pequena biografia há um bebê (ratinho) tentando tirar do seio materno as suas ultimas conseqüências. Há o cidadão brasileiro dotado de sentimentos e sonhos. Um carrinho a pilha, uma bicicleta, ou até um futuro quem sabe? Sonhos de criança brasileira dividindo o espaço e possibilidade de sobrevivência em pé de igualdade com o caranguejo brasileiro nos mangues escuros da cidade. Há também os pés contaminados, os microorganismos que viajam por suas artérias e veias inexpressivas. Há, circulando, uma linfa transparente, insípida, inodora, sem coragem e sem futuro a definir-lhe o destino biológico e social. Há anticorpos medrosos, e bisonhos linfócitos emagrecidos acovardados diante da doença, diante da vida. Há ainda um pequeno calção branco cobrindo-lhe a sexualidade impúbere, e no rosto uma sutil esperança cobrindo-lhe a realidade. Agora boiando no rio, Zé Pequeno é um grito de socorro de um Recife subterrâneo mais pra Zé do Caixão do que pra Manoel Bandeira.

    Nessa noite houve uma reunião de pessoas interessadas em um mundo melhor, gente ligada a ecologia, preocupadas com o aquecimento global, sociólogos angustiados com a violência urbana e os problemas sociais. Uma espécie de Simpósio envolvendo organizações de várias tendências. No grupo, pessoas de alto nível intelectual, profissionais liberais, professores doutores, industriais, políticos, gente da imprensa, representantes do clero, representantes de várias ONGs ligadas aos movimentos sociais e ecológicos.

    Socialites e o pessoal do meio artístico ali estavam representados. Na pauta pela ordem, a pesca predatória da baleia e da lagosta, particularmente quando feita na época inadequada vitimando os frágeis filhotes daqueles animais. Depois foi a vez do peixe-boi marinho, coitado, condenado a extinção e para o qual houve uma proposta de que cada socialite adotasse um filhote e o criassem em suas piscinas domesticas, já que o animal é dócil não atrapalhando o banho das dondocas. Um jovem empresário propôs que nos fins de semana saíssem grupos dos condomínios de luxo dos morros do bairro Aldeia, a bordo de seus veículos “off-road” importados, levando mamadeiras em busca de eventuais filhotes de Mico-Leão Dourado que poderiam estar famintos no meio da mata atlântica.Coitadinhos.

    Lá pras tantas pediu a palavra D. Benedita, uma negra gorda, sessentona, representante da Amcora (Amigos da Comunidade do Rato), a favela de Zé Pequeno. Falou da crescente onda de assassinatos de meninos de rua, ou seja, do crescimento da “mortandade” de Filhotes de Homem. O presidente da mesa, ecologista premiado na ONU, pediu desculpas, mas devido ao adiantado da hora, não era possível analisar o problema de mais um filhote nesse dia e deu por encerrada a sessão

    Zé Pequeno, o Filhote do homem, “dormiu” no Instituto Medico Legal, e ao nascer do dia foi sepultado como indigente por não ter sido procurado por ninguém. Poderia ter sido um grande ator, um músico famoso, médico ou até um político correto, se não lhe tivessem negado o direito à condição e a dignidade humanas.

    Viveu, foi tratado e morreu com menos importância do que os filhotes dos bichos.
     

    postado em 10/04/2011 00:00

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  • artigos

    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    O joio e o Trigo

     

    Jesus quando pregava, principalmente para o povo pobre e sem formação que atentamente O ouvia, tinha o cuidado de fazer-se entender de uma forma muito objetiva, falando em parábolas e se utilizando dos elementos da natureza à sua disposição, como semente, solo e plantas. Outras vezes as parábolas se tornavam incompreensíveis para aqueles que se apressavam em testar os seus conhecimentos divinos como os escribas e fariseus.

    Na parábola do joio e do trigo Jesus diz que “O Reino dos Céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Enquanto os trabalhadores repousavam, veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo. O trigo cresceu, mas junto a ele também cresceu o joio. Os trabalhadores indagaram o seu patrão: Não semeaste bom trigo, de onde vem o joio? Foi um inimigo que o plantou. Então os trabalhadores se propuseram a arrancar o joio, mas o patrão disse-lhe: Não, porque arrancando o joio arriscais a tirar também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita, pois ai, sim, arranque primeiro o joio ate-o em feixes para que seja queimado. Recolhei depois o trigo para o celeiro”.

    Jesus quis mostrar que na vida, no nosso convívio com as outras pessoas, podemos enfrentar dissabores e decepções, principalmente daquelas que se encontram bem próximas a nós. De início o relacionamento é muito bom e as demonstrações de amizade e respeito se repetem a cada dia. Entretanto, nem todas as pessoas que se encontram em nosso redor alimentam no seu âmago os sentimentos de amor, de lealdade e de confiança. Algumas, apesar de estarem bem próximas e aparentarem serem amigas leais, maquinam desejando o mal e torcendo para que a infelicidade faça morada em nossos lares. Normalmente tais pessoas se aproximam com a finalidade de obter vantagens, privilégios, destaques, favores.

    É muito difícil se detectar de imediato essas investidas que são devidamente planejadas, pois, aparentemente demonstram serem amigas fiéis e sempre prontas para servir.

    O joio é uma planta semelhante ao trigo só que não produz trigo e essa constatação só se percebe por ocasião da colheita, onde o trigo se sobressai com seus cachos prontos para serem colhidos e o joio nada produz, apenas, durante o período do crescimento, se aproveita dos nutrientes que seriam destinados ao trigo.

    O Mestre alertava para que as pessoas tivessem muito cuidado para não serem enganadas por falsas promessas e por ensinamentos duvidosos.

    Nas nossas vidas a lição também pode ser muito bem aplicada. Ao detectarmos o joio não devemos deixá-lo que, soprado pelo vento, abale o trigo ao ponto de afastá-lo de seu espaço natural inibindo o seu crescimento. Ao contrário, o trigo deve fincar com firmeza suas raízes e se esforçar para crescer ao ponto de ultrapassar o joio e absorver o oxigênio puro, com a cabeça erguida e certo de que na colheita será bem mais fácil vencer a batalha.

    O joio é a força do mal que para ser combatida exige muita sabedoria e persistência. Essa força não deve ser afrontada diretamente, mas sim deve ser aniquilada aos poucos, até mesmo disfarçadamente, pois o trigo é o bem, o bom fruto que deve ser preservado e, como o julgamento não nos compete e sim a Jesus, no tempo certo, deixemos que Ele mesmo, como o agricultor divino, faça a colheita e separe o joio para o fogo e o trigo para o celeiro.

    Tomara que sejamos o trigo!

    postado em 06/04/2011 13:27

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    Isabel Fernandes
    Bibliotecária Especialista e Contadora de Historias


     

    O que falar?

     

    Você passa por uma situação de assalto, os ladrões levam sua bolsa e as pessoas lhe dizem: “Agradeça a Deus por não estar machucada”. Agora eu pergunto o que falar para a família enlutada do Capitão Macário? Assassinado brutalmente por “assaltantes” em plena luz do dia, em sua residência, quando saiu em defesa de sua família.

    Então, que diremos aos pais idosos que perderam um filho tão querido, à esposa que ficou sem seu esposo amoroso, aos filhos que nunca mais sentirão o seu abraço forte, dando-lhes a segurança tão necessária, aos irmãos que não terão mais seu carinho e aos amigos que sentirão muita saudade de uma pessoa tão estimada. 

    A violência campeia a solta em nosso Estado e já se tornou algo banal. Andamos assustados nas ruas. Nossa casa deveria ser nosso porto seguro. Todavia, pode ser invadida a qualquer hora, tanto faz seja dia ou noite, nada intimida mais os malfeitores. Para eles atingirem seus objetivos, uma vida a mais ou a menos não faz a menor diferença.

    Por que chegamos a esse ponto? A resposta pode estar lá atrás, na formação sócio, histórica, política, econômica e cultural brasileira. Os índices alarmantes da violência em Alagoas também estão presentes em todos os Estados da federação, às vezes em proporção menor, provocados pela falta de educação, cultura, emprego, geração de renda, enfim de políticas públicas eficazes no combate e prevenção dessa mácula em nossa sociedade.

    Enquanto houver crianças passando fome, sem escola, sem lazer, sem acesso às artes e educação, não haverá perspectivas melhores em relação à segurança para nós pessoas dignas, honestas, trabalhadoras e contribuinte de impostos, que se diga de passagem nossa carga tributária é uma das mais altas do planeta.

    O criminoso não nasceu criminoso, uma série de circunstâncias o levou por esse caminho. É preciso termos consciência também dessa realidade como cidadãos que somos e sermos participativos de alguma forma, seja nos engajando nos movimentos a favor da paz, cobrando posicionamentos dos nossos governantes, enfim nos envolvermos mais com os problemas do nosso Estado. A crítica é importante, mas não soluciona os problemas, a participação sim, poderá ser a solução. Precisamos que Estado e sociedade civil busquem juntos o caminho da PAZ.

    E agora, o que falar para a família enlutada do Capitão Macário?
    Devemos dizer que siga em frente, já que os seres humanos têm a enorme capacidade de superação. Será o bastante?

    Sabemos que nada trará o ente tão querido de volta e que só o tempo diminuirá tamanha dor. Mas, dependendo do nosso posicionamento daqui por diante, talvez ele não seja mais um que tombou em vão.

    postado em 03/04/2011 00:00

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  • artigos

    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Sujos Derrotam Ficha Limpa

     

    Com um triste e decepcionante final, foi exibido no último dia 23/03/2011 o capítulo da novela Ficha Limpa com um lamentável remate por parte do Supremo Tribunal Federal, premiando os criminosos.

    O sentimento de justiça é inato, faz parte do senso comum, não precisa ser aprendido na universidade e muito menos vestir uma toga para apreendê-la. Entre nós, infelizmente, a enlutada justiça, não bastasse a sua viuvez, é deveras desacreditada. A decisão do Supremo, tornando inaplicável a Lei da Ficha Limpa à última eleição, acrescenta uma boa pitada de descrédito. Na verdade, é difícil aceitar os fundamentos jurídicos dos ministros que se opuseram à sua imediata aplicação, mesmo com alegações de ordem constitucional, vez que estava em jogo a aspiração de todo o Brasil. Qual era o pleito? A barbárie, que seria inaceitável? Não. Era apenas a moralização da política, visando resgatá-la do submundo. Frente a essa circunstância, inconcebível qualquer pensamento impeditivo, mesmo de ordem constitucional, sob pena de se tornar prostitucional.

    Diz o parágrafo único do Art. 1º da Constituição Federal que “todo poder emana do povo”. O povo, portanto, está no topo do poder, razão porque devemos entender que as leis existem para servir o homem e não o contrário. Não foi esse, salvo engano da nossa parte, o entendimento do Supremo que entre o desejo da sociedade e o apego a uma norma constitucional, preferiu optar por esta, como se fosse possível dissociar respeito à constituição, da legítima aspiração popular. Esta, sem dúvida, é a que deve prevalecer. Culpa da constituição que não atinando para a lei natural das exceções, não criou dispositivos capazes de evitar conflitos dessa natureza. Embora a forma seja necessária ao ato jurídico, acreditamos que a essência deve prevalecer sobre a forma. Muitos julgadores escravizam-se ao aspecto formal, trocando a sustentabilidade da essência plantada no chão, pelo vago e etéreo floreio ornamental da forma.

    Em síntese, diríamos que a Ficha Limpa não engrandece o nosso país, vez que a sua existência prova ao mundo que vivemos cercados por ratazanas que roem e corroem a ética que deve prevalecer na atividade pública. Nem de longe teria sido idealizada num país sério e civilizado. Acontece que embora saibamos que as instituições só podem se aperfeiçoar pelo homem, a Ficha Limpa, preenchendo uma lacuna, surgiu como uma necessidade emergencial, enquanto não formos capazes de melhorar e sermos dignos das nossas instituições. Não será uma solução definitiva, mas provavelmente será uma barreira para conter o ímpeto de muitos corruptos. A negação que frustrou a expectativa de toda a sociedade, contemporizando com os criminosos, deu-nos a sensação de um vazio na credibilidade da justiça.

    Na mesma linha dessa decepção, tendemos a nos convencer que alguns Ministros do Supremo, não obstante a grande erudição de todos que compõem, é bem provável que essa característica de elevados conhecimentos jurídicos, seja de vez em quando um mal para a sociedade, pois, contentando-se em esgrimir na abstração dos pensamentos, sem nenhuma relação ou afinidade com o chão que pisamos, permanecem nas nuvens, frios e alheios aos problemas terrenos.

    Conclusão: A erudição jurídica da pequena maioria dos Ministros do Supremo, tendo perdido o rumo do esperado destino, apesar da clareza ofuscante do caminho, derrotou a bem intencionada Ficha Limpa. Já se viu tamanho absurdo?!
     

    postado em 30/03/2011 12:00

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    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Com que cara eu vou?

     

    Há uma composição de Noel Rosa, imortalizada na voz de inúmeros talentos da nossa música popular, que pergunta “com que roupa eu vou ao samba que você me convidou?”. A letra é uma gozação em cima do próprio Noel – ou de alguém de seu relacionamento – que, em virtude de dificuldades financeiras, estava na condição de não ter uma roupa digna para se fazer presente ao convite de um amigo para uma festa, para uma noitada numa gafieira ou algo semelhante. Estou me utilizando do talento de Noel, da sua veia humorística, da sua capacidade de transpor para a música, com reconhecida maestria, fatos corriqueiros da sua vida, e da rotina de pessoas do seu relacionamento, para ilustrar um acontecimento local que aponta o delírio, a lunaticidade que atinge gestores públicos em determinadas ocasiões. Pois de outra forma não se pode qualificar os fatos que envolvem Natal e a Copa do Mundo.

     Só que o episódio narrado em forma de música por Noel Rosa registra uma brincadeira. Ou, mesmo que seja, uma dificuldade vivida por alguém em determinado momento. Já o manto delirante que encobre a geografia estatal natalense apresenta conotações bem diferentes. E com potencial suficiente para causar grandes estragos. Danos, inclusive, que, se abrirmos o compasso, se refletirão em escala muito maior, se espalhando pelo Estado inteiro, tendo em vista a importância que Natal desempenha no contexto norteriograndense. Quando vemos a realidade encontrada pelo povo, quando busca os serviços mais elementares oferecidos pelo poder público, aí se delineia mais forte esse devaneio de se construir um novo estádio de futebol em Natal, ao custo de R$ 1,2 bilhão. Com isso não quero me incluir no bloco dos que são contra a participação da cidade na Copa do Mundo de 2014. Muito pelo contrário.

    Mas não posso deixar de “ficar arrupiado” (como diz o matuto) com soma tão astronômica imobilizada em uma só atividade enquanto a maioria da população pena diariamente à procura da solução de problemas que envolvem saúde, educação, segurança e outras demandas pessimamente administradas pelos poderes constituídos. E a questão não envolve somente o fato de estes serviços serem prestados pessimamente. O problema é que, hoje, vários destes serviços já nem estão sendo prestados à população – em função da degradação da capacidade gerencial e do desacerto financeiro que atinge a administração pública. Ora, se educação, saúde, malha viária e os próprios órgãos estatais estão em pandarecos, quem garante que a gigantesca e complexa estrutura esportiva que tais gestores planejam construir não se degradará igualmente com o correr do tempo? E aí como Natal vai ficar?

    Super endividada? Sem eira nem beira? Vendo preciosos recursos públicos forrar bolsos outros? Em função de quê? Vê-se que a demanda para Natal fazer parte da Copa do Mundo poderia ser suprida numa escala mais condizente com nosso porte, com a bitola esportiva local. E nunca com uma estrutura gigantesca, portentosa, que, para ser erguida, está a exigir a garantia de ativos que futuramente farão falta às carências coletivas da cidade. No popular: a consignação dos royalties do petróleo, como garantia para a construção do futuro elefante branco (Deus queira que não), é “jogar dinheiro bom em cima de dinheiro ruim”, como diria Dona Mariquinha, barraqueira da Feira do Alecrim, ao que parece mais entendida nesses meandros dos que os doutos que estão a tratar do assunto. Que por sinal, e em síntese, assumiu aspectos tão espantosos que não se tem mais palavras para descrevê-lo.

    Voltando a Noel. Façamos a adaptação da frase “com que roupa eu vou?” para “com que cara eu vou?”. Pois assim os responsáveis por essa loucura se indagarão futuramente – depois que a cortina do espetáculo se fechar e o ingresso for cobrado. Aí com que cara verão a continuidade das intermináveis filas em postos de saúde carentes de médicos, de remédios, de tudo? Com que cara trafegarão por ruas e avenidas esburacadas? Com que cara verão os informativos atestando os crescentes índices de violência? Com que cara verão a população indefesa diante da dengue? Com que cara verão o nível de ensino descendo ladeira a baixo, com escolas degradadas e professores despreparados? Com que cara irão aos eleitores pedir voto? Com que cara, enfim, entoarão o samba coletivo do prejuizo, da decepção (diante da majestática – porém ociosa – Arena das Dunas)? Sim, com que cara? Pimba na gorduchinha? 

    postado em 27/03/2011 09:30

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    Maria Núbia de Oliveira
    Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras


     

    Águia

     

    De todos os pássaros do nosso planeta, um, prende a minha atenção e se destaca, sem contudo, ferir o valor dos outros É a águia.

    A águia tem fortes características : determinação, perseverança e humildade, além de ser uma excelente educadora! Quando voa,, quer atingir o infinito. Quando deseja obter sucesso em suas investidas, na luta pela sobrevivência, não desiste. Quando ensina seus filhotes os primeiros ensaios para aprenderem a voar, os impulsiona para o alto, abre as asas e fica pairando sob os mesmos, para ampará-los , caso haja risco de quedas, as quais, às vezes são inevitáveis no decolar de uma busca...

    Educar implica em direcionar sem atrofiar o educando. Orienta o caminho e retrocede. Mas fica de longe observando a caminhada daquele que inicia os primeiro passos ou o primeiro vôo... Foi assim que fez a mãe de Moisés. Colocou-o no rio e ficou de longe, acompanhando com o olhar e com o coração, o filhinho deslizando sobre o rio, em busca da felicidade. Ela sabia o que estava fazendo. Era uma verdadeira águia.

    E é, quando chega a velhice e suas garras e seu bico se curvam, impedindo-a de se alimentar, por não poder agarrar a presa, que a águia, enfraquecida, voa para as montanhas mais altas e distantes e lá, na solidão dos seus dias, bate as unhas e o bico nas duras rochas, até sangrarem . As garras caem, o bico se renova!

    Revestida de nova força , a águia deixa a sua reclusão e ligeira, vai juntar-se às suas companheiras , e recomeça mais uma etapa em sua vida. Vive mais trinta anos! A dor gerou vida e novas prespectivas.

    Algumas águias menos fortes, se deixam abater. Não têm a determinação, nem a presença de espírito para se recolherem e se renovarem. Morrem de fome. Mas é uma minoria.

    Assim somos nós, seres humanos: nascemos para voar alto. Nascemos para sermos águias! Mas, quantas vezes, nem tentamos bater as asas. Imagine voar! As veredas da vida nos impedem e vamos ficando por aqui mesmo, sem desejar voar pelo infinito.

    Mas o momento da dor também passa. Podemos recomeçar o nosso vôo até conseguirmos atingir os objetivos do Objetivo Geral de Deus.

    Ser águia é ter a certeza de que podemos superar todos os obstáculos.

    Ser águia, é não desistir jamais.

    postado em 23/03/2011 12:24

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    Ronaldo Lopes
    Engenheiro Civil, Ex-Secretário de Estado e Ex-Diretor Presidente do DER-AL


     

    Penedenses nascidos em Arapiraca

     

    A cidade de Penedo sempre se destacou no interior de Alagoas pela qualidade da medicina aqui praticada.

    Com bons médicos, das mais diversas especialidades e com uma boa estrutura hospitalar mantida há anos pela Santa Casa de Misericórdia de Penedo, entidade filantrópica bicentenária, e mais recentemente o SEMEP – Serviços Médicos de Penedo, da rede particular, Penedo sempre funcionou como cidade pólo da região do Baixo São Francisco na área da saúde.

    Munícipes de Igreja Nova, Piaçabuçu, Feliz Deserto, Porto Real do Colégio, São Sebastião e Junqueiro, além de vários municípios de Sergipe, se deslocam com freqüência à nossa cidade para atender suas necessidades de consultas, exames, tratamentos, cirurgias, etc.

    A maternidade da Santa Casa, sempre foi referência para todas as mulheres desta região que precisam dar a luz a seus filhos.

    Há pouco tempo atrás, na última campanha política, o deputado Joãozinho Pereira, com origem familiar em Junqueiro, onde seu pai foi prefeito por várias vezes, envaidecia-se, em seus comícios, ao dizer que representaria esta cidade na Assembléia Legislativa, uma vez que aqui havia nascido quando Junqueiro ainda não tinha maternidade e Penedo era a opção para toda a região.

    Como parlamentar ele pode representar as duas cidades já que seu mandato é abrangente, mas será que ele é penedense ou junqueirense?

    Recentemente, com a suspensão do pagamento pela Prefeitura de Penedo do sobreaviso aos cirurgiões e anestesistas, a cidade deixou de atender aos casos de urgência cirúrgica nos finais de semana, ficando como alternativa ao povo de Penedo e região, a Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca.

    Da mesma forma, o setor de obstetrícia da Maternidade de Nossa Senhora do Bom Parto, da Santa Casa de Misericórdia de Penedo, não funciona aos finais de semana e as mulheres gestantes penedenses, principalmente aquelas que não podem pagar um hospital particular, precisam ser deslocadas para Arapiraca para terem seus filhos.

    E aí nos perguntamos: Filhos penedenses ou arapiraquenses?

    Triste realidade para uma cidade que já teve tudo e atualmente não consegue garantir o nascimento de seus filhos em seu próprio solo.

    Nasci na maternidade de Penedo, mesma cidade onde meus pais nasceram, não tendo nada contra a cidade de Arapiraca, mas tenho orgulho em dizer que sou natural de Penedo, cidade que está na minha certidão e no meu coração.

    Hoje, ao ouvir relatos dramáticos de mulheres que perderam seus filhos por falta de assistência na hora sagrada do parto e o depoimento de homens que, entristecidos, lamentam não poder ostentar a naturalidade penedense na certidão de nascimento de seus filhos, não posso deixar de registrar minha tristeza e indignação pela falta de critério com que as políticas públicas de saúde em minha cidade estão sendo conduzidas.

    O mínimo que se pode garantir às crianças que estão chegando ao mundo é o direito de nascer em seu próprio chão. Atualmente, em nossa Penedo, não é possível sequer assegurar a esses pequeninos cidadãos o orgulho de ser penedense.
     

    postado em 19/03/2011 20:38

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    Dimas Patriota
    Professor formado em Letras, Pós-graduado em Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa


     

    Mulher

     

    Mulher: quando te vejo passar,
    Com esse rebolado tão feminino,
    Capaz de me desorientar,
    Deixando-me fora do tino, confesso que...
    ...as curvas de seus quadris me enchem os olhos, porém são as retas do seu caráter que me conquistam;
    ...a forma do seu corpo, o contorno de seus lábios e o ondular dos seus cílios me fascinam, mas, é a estética de sua personalidade que me faz pensar em ti por semanas a fio;
    ...o flerte malicioso dos seus olhos quase me hipnotiza, porém, saiba que o que verdadeiramente me prende, é a pureza de um olhar sincero;
    ...o condimento de suas insinuações é extremamente inebriante, contudo, o verdadeiro trunfo está na simplicidade do seu agir;
    ...a nudez do seu corpo me tira o fôlego, em contrapartida, são as vestimentas do seu virtuoso espírito que me deixam, por ti, apaixonado;
    ...sua sensualidade não tem preço, entretanto, é sua majestosa sensibilidade que faz de ti um ser realmente especial.
    Mulher: que você...
    ...conquiste, mas, não as vitórias que exijam sua alma em troca;
    ...invente, mas, não invenções iguais as que os homens criaram e estão proporcionando a extinção da vida;
    ...cometa erros, mas, não os erros da promiscuidade que o ego humano tanto se orgulha em ostentar;
    ...queira ser bela, mas, não com a beleza das capas de revistas à custa do preço de sua idoneidade;
    ...que seja “a mulher”, mas, não a mulher objeto que o sistema faz questão de comprar, usar e abusar.

    08 de março - FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!
    De 1911 a 2011, cem anos de lutas e conquistas. Parabéns!

    postado em 16/03/2011 16:10

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    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    S.O.S Travessia de Balsa

     

    Os espoliados e sofridos usuários das balsas que fazem a travessia Penedo-Passagem, alarmados e indignados com o impiedoso tratamento a que estão submetidos e jogados à própria sorte, sem um órgão fiscalizador que coiba os excessos e abusivos aumento nas passagens de veículos, tornando-se vítimas indefesas da burrice empresarial, cegos pelo lucro exorbitante, lamentável exemplo da exploração impune e da ganância desenfreada, vêm com o presente pedido de socorro oferecer publicamente tentadora recompensa a quem os informar qual a autoridade competente que possa livrá-los das garras afiadas dos seus brutais e insensíveis algozes.

    Sabemos que toda prestação de serviço deve ser merecidamente recompensada. Isso vem a significar que descontados todos os gastos gerais de manutenção, o lucro deve manter-se num índice aceitável para as duas partes. As tentações do lucro fácil devem ser exorcisadas para evitar que os olhos, num inevitável processo de degeneração, não fiquem maior do que a cara e venham a desvirtuar por completo as leis racionais do comércio. Os que fazem as duas empresas que exploram os serviços da travessia, ainda têm tempo de se medicar para reverter a desenfreada ambição pelo lucro. Os preços atualmente praticados, variáveis segundo o tamanho dos veículos, são incompatíveis com o pequeno percurso num tempo aproximado de cinco minutos. Somente numa distância e tempo três vezes superior provavelmente se justificasse os valores cobrados, acrescidos de um cafezinho num indispensável gesto de cortesia. Pelo menos é assim que se comportam as raposas, os mestres do comércio que tem uma visão muito além do umbigo.

    A regra primordial do comércio não é a prática do preço exorbitante, mas o bom tratamento à clientela que tende a crescer, resultando no êxito do empreendimento. Acontece que essas regras não interessam aos empresários em referência. Eles têm a faca e o queijo na mão, podendo prevalecer do beco sem saída em que se encontra o usuário que necessitando atravessar, é obrigado a oferecer o pescoço à guilhotina. Se quiser recusar o supremo sacrifício, só existem duas alternativas, usar a ponte Propriá-Porto Real do Colégio ou deixar o carro se o destino não for de longa distância.

    Sucede que nada dura para sempre e as coisas podem mudar. No passado, bem a propósito, lembramo-nos que para justificarem os preços abusivos, alegaram os custos de manutenção e a crescente redução de veículos na travessia. Encurralados pela extorsão, não será bem provável que os usuários encontrem uma chave que os livre das algemas do pequeno cartel de olhos enormes e visão obscura? Nesse sentido, é bem oportuno que frisemos, quando uma travessia R$ 11.200,00 pelo dia e 14.200,00 no horário noturno e feriados, gastava-se de combustível de Neópolis a Aracaju a importância de R$12.480,00.

    Que acham dessa absurda e incrível realidade? Ela acena atualmente para o retorno acima? É o que nos parece. Assim, acreditando não estarmos a exagerar nos nossos adjetivos, que qualificam para desqualificar a estatura dos empresários da travessia em tela, lamentamos que os mesmos, estando a sofrer a nostalgia do passado inglório, comecem a pintá-lo mais uma vez com as cores da burrice, da cegueira e irresistível ganância do lucro fácil, compatível com a inabilidade dos nanicos do comércio.

    postado em 09/03/2011 12:06

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  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Quem são os pequeninos?

     

    É certo que Jesus Cristo, em seu ministério pelos territórios da Judeia, Galileia e Samaria, sempre manifestou apego especial pelas crianças, a quem, por diversas vezes, nomeou de pequeninos. É célebre, mesmo entre os incrédulos, a passagem que enfoca o assunto (Mc. 10.14). Nela, Jesus se indigna pela insensibilidade dos apóstolos ao tentarem impedir o acesso a ele de várias crianças. “Deixai vir os pequeninos a mim e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus”. Em seguida, realçando a pureza e a santidade infantis, atributos indispensáveis no reino ao qual se referia, arrematou: “Em verdade, em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. E, tomando-as nos seus braços e impondo-lhes as mãos, as abençoou” – tal gesto significando, de sua parte, amparo, carinho, proteção, além de exemplo por nós a ser seguido.

    Portanto, tanto nestas como em inúmeras outras passagens de sua vida terrena, Jesus deixou bem claro o prioritário, indispensável e amoroso tratamento às crianças como ponto fundamental à fé cristã. Tal ensinamento se vê bem pautado em Mateus 18.1-4: “Naquela mesma hora, chegaram os discípulos aos pés de Jesus, dizendo: Quem é o maior no Reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus”. Entretanto, em outras ocasiões, Jesus elasteceu o significado do termo “pequenino”, enquadrando nele pessoas fragilizadas pelas circunstâncias da vida – mesmo as adultas. Em Mt. 18, desta feita no versículo 6, Jesus já emprega o termo de forma mais abrangente ao utilizá-lo no plural, certamente referindo-se a vários “pequeninos” ali presentes.

    “Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar”. E no versículo 11: “Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido”. Essa, com certeza, é linguagem para “pequeninos adultos”, pois os “pequeninos infantis” não se enquadram na concepção de “perdidos” a que Jesus se refere. Nosso grifo objetiva demonstrar que Jesus, na ocasião, expandiu o conceito de pequenino para pessoas ali presentes, já convertidas, que já o seguiam, já o aceitavam pela fé – portanto, pessoas adultas. De outro modo não as teria nomeado como “pequeninos que creem em mim”, pois criança, cronológica e biologicamente, não tem preparo intelectual, nem discernimento, nem maturidade suficiente para analisar, considerar e crer em um complexo discurso de conteúdo espiritual.

    Assim, para Jesus, crianças e adultos são seus pequeninos – principalmente quando fragilizados pelas agruras da vida – mesmo os bem forrados materialmente. Tal conceito independe se a condição de pequeninos se materializa através de problemas de ordem pessoal, familiar, profissional, política, econômica... Ou mesmo, quando pobres, se marginalizados de políticas assistenciais de governos ou de outros órgãos cuja competência é de tê-los sob cuidados – e que não vem cumprindo a atribuição. E agora?

    A quem cabe cuidar dessas demandas se seus responsáveis delas não tomam conhecimento? O próprio Jesus se avoca o direito: “Vinde a mim todos vós que estais sobrecarregados e oprimidos, e eu vos aliviarei (Mt. 11.28)”. Como se vê, o convite é um só: “Vinde a mim”. Extensivo tanto a “pequeninos pequenos” como a “pequeninos grandes”. Por sinal, como você está agora? Pequenino? 

    postado em 06/03/2011 09:22

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  • artigos

    Isabel Fernandes
    Bibliotecária Especialista e Contadora de Historias


     

    “O infeliz continuará sempre infeliz”

     

    A experiência foi das piores. Aconteceu numa noite quente e calma de verão. Resolvi visitar minha amiga Silvia, havia meses que não nos víamos, tínhamos tanta coisa para conversar, nosso reencontro foi caloroso e com abraços apertados. Não parávamos de falar um só instante. Decidimos sair para orla e encontrar um grupo de amigas em comum que estavam reunidas num barzinho. A noite prometia ser alegre e relaxante. Silvia propôs de irmos a pé, era pertinho, iríamos caminhando mesmo.

    Tudo aconteceu tão de repente, ao dobrarmos uma esquina, surgiu uma motocicleta ocupada por dois rapazes. Repentinamente a moto parou, um dos rapazes desceu, era alto e musculoso, e com revolver em punho se dirigiu a mim e disse:

    – A bolsa! A bolsa!

    Fiquei paralisada, olhei aquele rapaz com arma brilhando em sua mão e querendo a minha bolsa. Uma pessoa que eu não sabia quem era, nem de onde veio e qual era sua história de vida. Mas, naquele momento, a arma dava-lhe o direito de ficar com a minha bolsa ou com a minha vida. Num gesto automático entreguei minha bolsa para ele e preferi ficar com a minha vida. Ele subiu na moto e foi embora com o outro comparsa, levando minhas coisas pessoais: documentos, cartões de créditos, aparelho celular, até meus óculos de leitura e a chave do meu apartamento.

    A nossa noite acabou. Voltamos ao apartamento de Silvia e começamos a ligar para operadoras e realizamos o cancelamento dos cartões de crédito. Depois nos dirigimos a uma delegacia de plantão para fazermos o tal BO, boletim de ocorrência, este será meu documento nos próximos dias. Partimos então em busca de um Chaveiro 24 horas para abrirmos meu apartamento.

    Silvia foi super prestativa, ficou todo tempo do meu lado, me auxiliou em tudo. Só quem sente na pele esse tipo de experiência é que sabe os transtornos que sofremos. Ter uma pessoa amiga do lado num momento desses faz toda diferença.

    Em casa acessei a internet e avisei por email aos meus amigos e familiares o ocorrido. Recebi muitos emails solidários, um particularmente me chamou a atenção, foi enviado por meu queridíssimo e grande amigo Walter Melo, dizia assim:

    – Minha amiga, força e bola pra frente! Você conseguirá tudo de volta. “O infeliz continuará sempre infeliz.”

    postado em 02/03/2011 12:00

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