Valfredo Messias dos Santos
Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras
Em razão da proximidade do natal gostaria de discorrer sobre um tema de natureza transcendental que possa servir para uma reflexão mais real a respeito da salvação espiritual, aspiração de todos que acreditam que, ao morrer ou desencarnar, serão julgados pelos seus atos. Esse julgamento tem sido uma preocupação constante por parte de todos os que seguem uma religião ligada ao cristianismo, ou, mesmo sem ter uma religião definida, veja em Jesus o único caminho, o exemplo a ser seguido para que se chegue diante desse Tribunal Supremo, apto a merecer um bom veredito.
Quando digo que a salvação é individual é porque são as ações, os atos, as atitudes, o comportamento social ou político de cada um, que vai lhe garantir ocupar um espaço mais ou menos privilegiado no plano espiritual. Por mais perfeito que alguém possa se julgar, por mais santo que seja considerado, esses requisitos só servirão a ele próprio, não favorecendo a seus próximos como pai, mãe, esposa, esposo, filhos nem aos demais que enxerguem tais virtudes.
Cada pessoa, cada cristão deve se esforçar para, inicialmente, se auto-melhorar, extirpando de dentro de si o orgulho, a insensatez, a arrogância, o ódio, o ressentimento e especializar-se a amar, pois é na demonstração do amor ao próximo que demonstramos o nosso amor por Jesus e a Deus. Eis aí o grande desafio. Esse amor é muito pouco exercitado até mesmo por àqueles que dizem ter uma vida religiosa por vocação ou por tradição. O apóstolo João é enfático ao dizer: “Quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.”. O próprio Jesus afirmara que todos os mandamentos se restringiam a apenas dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. (grifo nosso).
Faz-se necessário que cada um que almeje essa salvação tão cobiçada, primeiro se volte para dentro de si mesmo, eliminando os entraves humanos, as traves nos olhos a que Jesus tanto se reportava, se eximindo de julgar os outros porque com a mesma medida que se julgar também será julgado. A regra aparentemente é simples: cuide de sua própria vida e deixa a vida dos outros. Melhore-se para você mesmo para que o outro que vê a sua mudança possa seguir o seu exemplo. É o mesmo Jesus que diz que devemos ser luz. Essa mudança só é real se for percebida pelos outros. Muitas pessoas dizem que mudaram que estão diferentes, que seguem uma nova vida, mas, os que estão ao seu redor não experimentam tais mudanças. Algo está errado. Essa mudança vista por nós mesmo em nossas vidas é falsa, fingida sem nenhum reflexo no espelho da vida. A mudança verdadeira experimentada por cada um é aquela capaz de promover mudança nos outros, é aquela que sirva de exemplo a ser seguido.
Apesar de se estar revestido dessa mudança, de tê-la como uma couraça contra a ingerência dos atos maléficos, denominados de pecado, se a pessoa não amar o seu próximo, todo “esforço” estará perdido. É o amor o dom supremo que está, inclusive, acima da própria fé até daquela capaz de remover montanha. O próximo, a que se refere Jesus é o instrumento para se atingir a perfeição. É nele que se deve exercer o amor a Jesus e a Deus. Não é apenas frequentar igrejas, fazer longas orações, vigílias, participar de eventos religiosos. Tudo isso sim é importante desde que o foco seja a manifestação de amor ao próximo e não às instituições de que se faça parte.
É comum, até mesmo corriqueiro, se ouvir, presenciar ou assistir discussões acaloradas sobre doutrinas religiosas, cada um defendendo suas convicções, demonstrando conhecimento teológico e filosófico, sem perceberem que, ao invés de produzir frutos benéficos, produzem os frutos da discórdia, do desentendimento, da ignorância e da falta de sabedoria. Em vez de se discutir doutrinas seria mais lucrativo se estar atento aos ensinamentos de Jesus, estes sim, devem ser difundidos no lar, no local de trabalho, na convivência social, pois é útil, concorre para aproximar as pessoas e para formar uma convicção de que é a paz e o amor, o objetivo maior do cristianismo. É, exatamente, sobre tais discussões que o apóstolo Paulo se reporta na sua epístola a Tito: “Evita discussões insensatas, genealogias, e contendas, e debates sobre a lei; porque não tem utilidade e são fúteis”.
As palavras de Jesus não são apenas para serem ouvidas, mas, principalmente, para serem refletidas e vividas como ensinamentos éticos e morais necessários e insubstituíveis para que se possa levar uma vida correta, honesta e participativa. Cada um deve ser um apóstolo de Jesus, um divulgador dessas palavras que tem transformado homens e mulheres pela sua força e poder.
Amar ao próximo no exato sentido das palavras de Jesus não é fácil, mas não é impossível. Muitos já conseguiram. O que Ele espera de cada um de nós não é, por enquanto, a perfeição, que exige uma condição espiritual superior à humana, mas que comecemos, imediatamente, a lutar conosco mesmo, sem tréguas, de forma contínua, diária para matar os dragões que nos devora por dentro e nos impede de sermos felizes. Essas mudanças só acontecerão se assumirmos, de forma verdadeira o compromisso de fidelidade aos ensinamentos de Jesus. Não devemos esperar, de forma insensata, que a mudança em nossas vidas se dê apenas nas promessas, nos desejos manifestados por ocasião da virada do ano novo e para o ano vindouro porque, de súbito, poderemos deixar este plano de existência sem experimentarmos as mudanças a nós mesmos prometidas.
Que todos entendamos que é necessário seguirmos a verdade de Jesus e reflitamos nas palavras de Paulo aos Efésios 4,22-24, assim expressadas: “no sentido de que quanto ao trato passado vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscência do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.
Despojar-se do homem (e da mulher) velhos é deixar para traz a vida de sofrimentos, de martírios internos, provocados por nós mesmos, e voltando-se para um novo horizonte, vislumbrar a Grande Luz: Jesus, e continuar o percurso da estrada da vida mais confiante, mais amigo, mais humilde, vendo no próximo o único meio visível para que se manifeste o nosso amor por Jesus, e aí sim, seja operada a grande transformação do velho para o novo, sem a qual o sonho da salvação jamais será alcançado.
postado em 04/12/2011 17:57Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Não é de hoje que leigos e especialistas falam sobre os males causados pela doce, mas econômica e socialmente amarga cana-de-açúcar.
Amarga porque é muito difícil olhar para um canavial sem visualizar o engenho, a brutal figura de seu senhor, a infame senzala, o dantesco tratamento oferecido aos escravos, a constatação da absoluta predominância da matéria-prima de onde se extrai o ouro-branco, o controle da economia do nosso Estado por mais ou menos vinte e três famílias e a criação da realeza do açúcar.
Muito tempo nos separa dos idos coloniais. De lá para cá os canaviais se tornaram mais numerosos e os engenhos sumiram porque substituídos pelas usinas.
Ontem era o Senhor de Engenho em seu cavalo, o feitor e o negro na palha da cana. Hoje é o usineiro em seu jatinho olhando seus canaviais, os administradores e, na palha da cana, não há distinção de cor. Ontem, os Senhores de Engenho marcavam seus escravos com atrozes castigos. Hoje, os usineiros deixam cicatrizes nos trabalhadores pagando por sua estafante atividade um ridículo salário.
O que, então, ganharam os moradores das regiões onde as usinas se instalaram?
Enquanto a realeza do açúcar bebe whisky selo viking e degusta vinho safra “Rei Sol” em hotéis mil e uma estrelas, eles ganharam um trabalho parecido com o da escravidão, o direito de viver numa pobreza que beira a miséria e de não ter um palmo sequer de terra para sepultar seus anônimos, mas sagrados ossos.
Além do mais, quem passar pelas regiões canavieiras verá um oceano de seres humanos destituídos de toda e qualquer esperança, com uma foice na mão, não para lutar contra aqueles que os mantêm em tão lastimável situação (que seria o certo), mas para, cansados e esfomeados, enfrentar a palha da cana ou como animal que espera a hora de ser levado para o matadouro na beira do asfalto, aguardar o transporte que o levará para seu casebre situado no mutirão (melhor seria chamá-lo de senzala) onde, em vez de descanso, encontrará mais dor, sofrimento e desespero por saber que não passa de um lúgrebe fantasma que vaga sem rumo na escuridão da noite, pois para ele não há luz no fim do túnel.
Foi Octávio Brandão em sua poesia “Ao Trabalhador de Enxada”, publicada em 1919, quem denunciou o abandono e pregou a liberdade (revolta armada?) para os que possuem tão triste sina, lamentável fadário e doloroso estigma.
Octávio Brandão! Ó, Filho Exilado! Ó, Ancestral de meus Ancestrais! Ó, Ermitão da Saudade! Se “neste País existe uma Pátria”, onde está a Pátria?
postado em 30/11/2011 12:35Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
Desprezando-se as raras exceções de candidatos com excepcionais qualidades de liderança e credibilidade, dificilmente uma campanha eleitoral de véspera resultará positiva. A regra geral, aplicada especialmente às cidades de pequeno e médio porte, é que o candidato, não podendo atuar em tempo integral como político de fato, que seria o ideal, que dê partida, no mínimo, com dois anos de antecedência. Nessas cidades, Penedo incluída, a visibilidade e o contato direto com o eleitor é imprescindível. Essa iniciativa, portanto, não pode se dar num tempo curto para não despertar no eleitor, calejado na cisma das boas intenções dos candidatos, um sinal de evidente oportunismo. Nada peca mortalmente contra o político do que a sua posição oculta.
Quase todos os políticos sabem da importância dessa estratégia, mas não a põem em prática sob a alegação do desgaste físico, psicológico e financeiro. Infelizmente, são os ossos do ofício. No que tange aos gastos financeiros, oriundos em grande parte da exploração do eleitor viciado, hão de convir que a culpa desse mal é exclusiva dos maus políticos que criaram o círculo vicioso entre a compra e a venda do voto. Se fossem e soubessem ser autênticos políticos através do poder do convencimento das boas intenções e expondo projetos de governo, estariam livres de ingerir o próprio veneno. E enquanto perdurar a prática eleitoral do político corrupto e do eleitor venal, nosso quadro político, feio e sem moldura, carcomido pelo vício, continuará senda da pior qualidade. Como a prática de um ato tende a sedimentá-lo, impedindo, no caso em apreço, a germinação das boas instituições, quando teremos eleições limpas e respeitáveis? Nunca.
Numa pesquisa eleitoral, feitas há muitas semanas atrás, na qual foi exibida uma relação de prováveis candidatos a prefeito de Penedo, foram realizadas algumas simulações entre os mesmos, mostrando, na atualidade, as preferências do eleitor. Na sua composição foram enumerados os senhores Márcio Beltrão, Israel Saldanha, Raimundo, Ronaldo, Tico e Ivana.
O que chama a atenção, faltando pouco menos de um ano da eleição, somente aparece como candidato declarado o Március Beltrão e um talvez do atual prefeito. Os demais continuam silenciosos, em cima do muro. Ora, se o melhor colocado nas simulações, o Március, há muito tempo está em campanha, o que falta aos demais candidatos, na hipótese de saírem candidatos, para botarem o bloco nas ruas? Não estou a referir-me, é evidente, a uma campanha ostensiva, mas pelo menos de contato e conversa de pé de ouvido. Estão zerados e nós nos perguntamos se mais uma vez teremos uma eleição de cara ou coroa, pobre de opções.
Em outra hipótese, será que devemos presumir que dentre os prováveis candidatos existe pelo menos um autêntico orador de massa, capaz de levá-la à loucura, manobrá-la a seu bel prazer através de uma espécie de hipnose coletiva, como fez Hitler na Alemanha? Tudo é possível.
Entretanto, afastada essa fantasia, temos de admitir que Penedo, semelhante à história dos grandes impérios, teve o seu crescimento, atingiu o apogeu e em seguida ao declínio, vivendo acomodada na memória do passado ou, como diria Camões, dos feitos assinalados. Nessa queda se faz notar claramente o eclipse de novas lideranças políticas. Afinal de contas, o que está acontecendo, há mais de trinta anos, com as gestações da nossa velha e querida Penedo? Devemos acreditar na sua definitiva extinção? Seria um tremendo castigo!
Para o nosso alento, resta-nos tão-só a lembrança dos últimos moicanos, os doutores Hélio Lopes, Alcides Andrade, Raimundo Marinho e o Senhor Dema Pereira. Será que está a sofrer uma provação? É o que nos parece. Até quando suportará essa condenação que a obriga a continuar gerar filhos politicamente estéreis?
postado em 27/11/2011 19:55Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Ao que parece, a Ética bateu asas do Brasil e deixou no seu lugar um vácuo que vem nos causando enormes prejuízos. Alguns mais pessimistas chegam até a afirmar que por aqui ela nunca fincou raízes. O certo é que, tanto da população em geral como das lideranças em particular, em qualquer nível que se observe, aqui, o desconhecimento do conceito de Ética chega às raias do absurdo. Um deputado carrega namorada, sogra, cachorro e papagaio pelo mundo todo, com passagens pagas pela Câmara dos Deputados, e fica por isso mesmo; outro esconde da Receita Federal um patrimônio avaliado em cerca de R$ 25 milhões e nada acontece; outro contrata empregados domésticos para sua casa e os lota em seu gabinete de deputado e a vida segue no mesmo diapasão; outros vendem suas passagens a membros do Judiciário e embolsam o dinheiro a título de complementação de salário e...
Todos sem exceção, ao apresentarem defesa ou emitirem nota à opinião pública, se dizem inocentes, uma vez que nos seus gestos nada haveria de ilegal. São atos que podem até não ser ilegais, mas, no mínimo, não têm lastro ético. Aí está, então, a grande questão, a grande fronteira a ser desvendada, descoberta, analisada: a da Ética. Pode um representante do povo, pode um funcionário público, pode um empresário de porte pisar na Ética e ficar tudo por isso mesmo? Ora, se todos fazem assim, então o buraco é mais embaixo! Há um ditado popular que diz que “ninguém dá o que não tem”. Donde se conclui que a tais pessoas não se pode exigir atitudes éticas se elas não sabem que bicho é esse. Isso as inocenta? De modo algum! A constatação serve para que se olhe para todos os patamares da escala social e se conclua com todas as letras: o brasileiro não foi – nem está sendo – ensinado a respeito de Ética!
Afinal, com raríssimas exceções, qual o curso, qual a escola, qual a rede de ensino – em qualquer nível que seja – qual, enfim, o ente público ou privado que tem entre suas preocupações o ensino da Ética? Daí como se exigir que o brasileiro responda com Ética a assuntos de natureza Ética se essa matéria não tem espaço na sua mente? Então, por isso cessa a responsabilidade de todos? De jeito nenhum! O que se constata é que o assunto é gravíssimo e merece uma forte reflexão das autoridades e lideranças que se envolvem diretamente com a questão. O que se vê, também, é que o Brasil – e outras nações de regime democrático – vêm sendo bombardeadas já há algum tempo por uma gigantesca onda de relativização de valores. “Valores? Para que tê-los? Não me enchem a pança.” É o que comumente se ouve por aí, num tipo de afirmação que beira a incivilidade e ao mais extremado cinismo.
Por sua vez, na inexistência de uma cultura que privilegie os valores, o vácuo é criado – e nele viceja a “lei da vantagem”, do querer ganhar. Sempre. Pois, afinal, o que impede um homem de roubar, de matar, de fazer apodrecer normas, regras e princípios? A Ética, em primeiro lugar. A consciência de que limites existem e precisam ser preservados para a construção do bem comum. Na Bíblia, um livro de ensino da Ética por excelência, está escrito: “Tudo me é lícito; mas nem tudo me convém”, numa permanente evocação à prática da Ética em função da existência do direito dos demais. E mais: a Ética precede à Lei – daí a enorme importância do seu ensino. É como diz aquele velho ditado: “É melhor prevenir do que remediar”. Este é o valor que o “homo sapiens” aprendeu para se tornar um ser civilizado. O mais é barbárie, pilhagem, estupro das normas da boa e saudável convivência humana.
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Dimas Patriota
Professor formado em Letras, Pós-graduado em Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa
Trocadilhos à parte, de todas as benesses que obtive com a prática dessa fantástica arte marcial, seu lema foi, entre todas, a que mais me beneficiou. E olha que o karetê me proporcionou inúmeras riquezas, tanto físicas, tais como: melhor saúde, flexibilidade, alongamento, destreza, velocidade, defesa pessoal, etc., quanto de ordem mental, como: capacidade de decisão, discernimento, concentração, etc. Contudo, foi no seu lema que encontrei uma síntese da filosofia de vida que todo ser humano que se preza, precisa seguir para ter a certeza de que terá uma vida longa e saudável.
De minha parte, afirmo que esse lema deveria ser inserido com urgência na escola básica (níveis fundamental e médio) brasileira. Tenho certeza que sua simples prática seria suficiente para salvar a vida de inúmeras gerações de jovens que perdem a vida a troco de nada, simplesmente pela falta de uma política educacional pautada na disciplina, respeito e patriotismo. O lema do Karatê foi criado e desenvolvido no Japão. Podemos assim entender o motivo pelo qual, em menos de 50 anos, o mundo presenciou esse país se transformar na segunda nação mais poderosa do planeta, em tecnologia, mesmo tendo sido arrasado pela guerra.
O lema do Karatê está subdividido em cinco tópicos, vejamos:
1º – Esforçar-se para a formação do caráter;
Numa época em que as virtudes estão sendo substituídas pela banalização da vida, imaginemos uma geração que vivesse sob a tez desse que é um verdadeiro mandamento comportamental. Uma sociedade formada por cidadãos e cidadãs de caráter e de boa índole, por isso mesmo, confiáveis. Nada atesta mais a favor de uma pessoa de que seu caráter, mesmo numa época tão conturbada no que diz respeito à bagunça moral que nos acomete.
Estamos vivenciando a era das mentiras midiáticas onde, à frente das câmeras, diante dos microfones ou ante aos atuais blogs, todos se dizem pessoas de caráter, porém, seus atos os desmentem e os denunciam. Esforçar-se para a formação do caráter é a condição primeira para o comportamento daqueles que são, verdadeiramente, cidadãos/cidadãs.
2º – Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão;
Essa parte do lema seria suficiente para livrar da morte milhares de pessoas que, simplesmente, agem pela força da emoção, movidos pela raiva ou pelo medo. Agir de forma racional, é pensar nas consequências que seus atos produzirão; é se perguntar se aquilo vai valer à pena ou não; é pensar duas vezes antes de agir. Esse simples comportamento pode salvar-lhe a vida ou evitar que você tire a vida de alguém. Ser fiel ao verdadeiro caminho da razão é conter-se diante da violência; é pensar antes para agir depois; é agir depois de um prévio estudo das consequências. Quase cem por cento das ações que nos levam a problemas sérios, jamais seriam repetidas depois de um curto momento de reflexão. Será que valeu a pena? Eu o faria novamente? Depois da impensada atitude, se nenhuma vida foi subtraída, certamente, inimizades foram plantadas para o resto da existência, simplesmente por não agir pela razão e sim pelo orgulho/raiva/medo, etc.
3º – Criar o intuito de esforço;
É aqui que conhecemos as pessoas de “ação”. Pessoas que tomam a iniciativa diante das necessidades da vida, na família, na comunidade, no trabalho, etc. São seres humanos que não medem esforços para ajudar. Muitas vezes está chovendo ou está quente demais, mas, eles se levantam da cadeira e, simplesmente, agem. A despeito da situação, tomam à frente e fazem a diferença. E, por incrível que pareça, as pessoas não nascem assim. Criar o intuito de esforço é algo que se desenvolve com o tempo. É por isso que sua prática precisa ser ensinada e estimulada.
4º – Respeitar acima de tudo;
Um ser humano que pratica essa parte do lema já traz em si, a própria personificação do respeito. Já inicia respeitando a si mesmo. Quem tem respeito próprio, respeita sua família, seu vizinho, respeita as leis e, obviamente, vive adequadamente, como uma sociedade, verdadeiramente, merece:
Uma pessoa que age dessa forma, usando o respeito acima de tudo, é o/a filho(a) que toda família gostaria de ter; é o/a funcionário(a) que toda empresa gostaria de contratar; é o/a político(a) que toda sociedade gostaria de eleger. Ainda é possível promover o desenvolvimento de cidadãos de verdade, ensinando e estimulando a prática do respeito acima de tudo e da manutenção das virtudes nas escolas.
5º – Conter o espírito de agressão.
A agressão social reina em pleno século XXI. Um século novo com hábitos antigos. É uma das poucas “coisas” do comportamento irracional que ainda está bem presente na vida também, dos seres racionais, que tanto se orgulham de serem inteligentes, pensantes, filhos(as) de Deus. No entanto, não largam mão de atitudes que deixam claro que não vão se livrar tão cedo do “animalzinho” que mora dentro de cada um.
Conter o espírito de agressão é domar esse animalzinho (em alguns, verdadeiras feras) que está latente em seu interior. O silencioso ímpeto é astucioso e o impele a agir agressivamente de várias formas que vão desde a agressão verbal até a agressão física propriamente dita.
São essas as cinco regras comportamentais que formam o lema do karatê. Algo que foi criado do outro lado do planeta e que está mudando, para melhor, também nesse lado do globo, a vida de milhares de atletas brasileiros. Quem dera que essa iniciativa fosse estendida a todos os jovens deste país!
postado em 20/11/2011 00:29Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
João Pereira Junior
Advogado, Professor de Direito e Membro da Academia Penedense de Letras
Ultimamente a Igreja Católica (IC) tem ocupado os holofotes da grande mídia de um modo bastante curioso, pois ou é noticiada levando-se em conta a figura do Papa em suas visitas internacionais (e aí se dá uma conotação positiva à imagem do catolicismo), ou é noticiado algum escândalo envolvendo clérigos (dando-se aí uma conotação negativa, obviamente). Não obstante essa constatação, nenhum desses fatos me chama mais a atenção do que a obsessão de vários seguimentos da sociedade exigindo que a IC se “atualize”, como se tal instituição fosse um equipamento eletrônico ou um clube recreativo suscetível de modismos ou modificações. Como veremos, isso não passa de mera ignorância cujas conseqüências são os mais variados disparates, tais como as idéias pré-concebidas (preconceito) em torno do cristianismo e os aconselhamentos vazios e desfocados de qualquer idéia cristocêntrica.
Não é meu objetivo abordar questões da tradição católica que, a meu ver, podem ser questionadas, ou da omissão do Vaticano no que se refere aos escândalos protagonizados por clérigos em várias partes do mundo, mas, esclarecer que o padrão moral verotestamentário e neotestamentário não pode ser objeto de discussão não só para o catolicismo, mas para qualquer denominação cristã, de modo que questões envolvendo aborto, casamento homossexual e a banalização do divórcio, por exemplo, jamais serão admitidos, a não ser que se rasgue a Bíblia, sendo esta a mesma postura das demais denominações cristãs.
A partir de agora, peço permissão ao leitor para tecer minhas argumentações levando-se em consideração premissas da fé cristã numa visão interdenominacional. Não importa se você é ateu ou panteísta, enfim, peço, apenas, que continue a leitura e observe se, no campo das argumentações – inseridas numa lógica teísta/cristã -, esta crônica faz algum sentido.
Sou evangélico e não é o meu objetivo fazer uma apologia do catolicismo (doutrina com a qual tenho pontos de divergências e de convergências, obviamente), mas, sim, fazer uma defesa da intransigência do Vaticano em relação à preservação da pregação do padrão moral que deflue do Novo Testamento, o qual, biblicamente falando, é o compêndio doutrinário do cristão.
De um modo geral a sociedade civil, mormente jornalistas, políticos e lideranças, emitem suas opiniões no sentido de que Roma precisa mudar e acompanhar a “evolução” dos tempos, vez que a Igreja Católica (IC) estaria “congelada” e desinteressante para o rebanho, pregando os mesmos valores desde os últimos 2000 anos, motivo que justificaria a perda de tantos adeptos mundo afora, cerca de 120.000 pessoas anualmente (conforme várias fontes disponíveis na web). Ou seja, a sociedade ao que parece alienada no que concerne aos ditames bíblicos, quer lidar com a IC como quem lida com uma empresa ou um clube social, cujos sócios, descontentes com a administração atual, exigem mudanças na política administrativa, achando que os princípios bíblicos se comportam como as regras jurídicas que se adaptam aos novos valores da sociedade sob pena de não pacificar os ânimos que se inflamam quando da contraposição de interesses individuais.
Se a IC está perdendo adeptos isso, definitivamente, não tem vazão na advertência acerca do pecado que sempre foi pregada. Caso o afrouxamento do padrão moral cristão fosse motivo de sucesso para se ter igrejas lotadas, as igrejas cristãs reformadas estariam quase que extintas, haja vista a ortodoxia das chamadas denominações históricas em relação à preservação do cristianismo apostólico.
Ora, acredita a IC que seus dogmas e tradições têm inspiração divina e que os ensinamentos contidos na Bíblia também foram inspirados por Deus, de sorte que, se assim crê, é evidente que a sua doutrina não pode estar em negociação. Não é a IC quem é intransigente, é a Bíblia quem não transige e nem poderia, sob pena de ser uma mensagem relativa e não propagar uma verdade absoluta, tanto assim que está escrito no livro de Mateus 24: 25, que “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”, deixando claro que a Palavra de Deus não vai se adequar aos caprichos ou modismos do homem. A Bíblia afirma, em 1 Cor. 6. 9-10: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?
Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” Tal afirmativa não se constitui em algo relativo no tempo e no espaço. É algo que vale para sempre! Definitivamente, não há o que se negociar ou atualizar.
A visão religiosa não pretende ser uma fantasia, mas uma convicção acerca da realidade. A cosmovisão de determinada doutrina é uma visão acerca da existência, de como as coisas funcionam e de quem as rege. A religião não está na seara do “gosto” onde qualquer opção é válida enquanto afirmação. O gosto é relativo, mas a realidade (quanto a sua origem e às leis que a governa) não. Isso porque não pode haver duas realidades conflitantes sob pena de se infringir um princípio da lógica chamado princípio da não contradição (PNC). Se alguém diz que existe reencarnação e que não há inferno e outra diz que não há reencarnação e que há inferno, as duas sentenças não podem ser igualmente verdadeiras, de modo que uma delas, apenas, estará correta. Se alguém diz que Deus existe e outro diz que não existe, apenas um estará com a razão, é óbvio, já que Deus não pode existir e ao mesmo tempo não existir. Nesse sentido, Cristo, Kardec, Buda, Joseph Smith e Nietzche, por exemplo, não podem está todos corretos, pois uma pretensão diferente disso feriria o princípio lógico acima nominado.
A Bíblia, portanto, é a fonte de informação acerca da realidade para a IC e para todo o cristianismo, de sorte que se a sua doutrina mudasse ao sabor da metamorfose imposta pela tão propalada modernidade, a sua visão de realidade não seria confiável, pois que inconclusiva. Aliás, a assertiva de que toda verdade é relativa encerra em si uma grande contradição já que pretende expressar uma verdade absoluta ao asseverar, categoricamente, a relatividade de toda verdade, e isso também fere o princípio da não contradição.
Verdade seja dita, o relativismo gerou a seguinte situação: a maioria das pessoas que têm alguma crença quer uma doutrina que sirva aos seus próprios interesses, em outras palavras, a moda é criar uma religião pessoal. Ou seja, debruça-se sobre um self-service doutrinário servindo-se de tudo que lhe agrada, ainda que sejam itens contraditórios, chegando mesmo a um sincretismo religioso ao unir ingredientes de vários credos. Nesse sentido, aquilo que entra em rota de colisão com seus vícios carnais vai sendo excluído do prato ou nem sequer para o prato vai. O que Cristo disse somente tem validade até onde a pessoa concorda; e quando não concorda, as reações são verbalizadas, geralmente, por meio das seguintes advertências: - me desculpe mas Jesus não disse isso - ou: - isso é fanatismo, - ou ainda: - a Bíblia está errada, afinal, foi escrita por homens! Pra mim ela é só um livro de histórias!
Pois é, prezado leitor: um mundo caótico - repositório de tantos vícios, maldades de toda espécie, mentiras, vinganças, em que a maioria da população vive olhando para o seu próprio umbigo sem qualquer compromisso com o Evangelho e de evangelizar aqueles que ainda não conhecem a Deus - arvora-se na condição de julgar o padrão moral do Criador, cujas palavras só trazem mudanças positivas a todos aqueles que, verdadeiramente, as seguem.
Realmente, era só o que faltava.
É por isso que a voz do povo não pode ser a voz de Deus, afinal, não é demais lembrar que o mesmo povo que saudou Jesus como Rei, volitado ramos de oliveira com as mãos, também gritou: - Solte Barrabás e crucifiquem a Jesus! Aliás, em se tratando de povo, já dizia o poeta Augusto dos Anjos: “ (...) a mão que afaga é a mesma que apedreja (...)”.
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Alexandra Pacheco
Fisioterapeuta com especialização em Fisiologia do Exercício
Tem sido cada vez mais frequente encontrarmos reportagens na mídia a respeito dos benefícios do exercício físico para a saúde. A popularização desse tema deve-se ao expressivo crescimento do número de pesquisas nessa área nos últimos anos.
À medida que as pesquisas avançam, mais benefícios são descobertos, melhores formas de aplicação são discutidas e tudo isso contribui para o enriquecimento da literatura científica e para a qualidade de vida das pessoas.
Hoje já se sabe que o exercício é um forte aliado no tratamento de várias patologias crônicas que afetam grande parte da população, como a artrose, a hipertensão, o diabetes...
Mas afinal o que o exercício tem de tão bom para nos oferecer?
Pois bem, primeiro é importante entendermos a diferença entre os termos “Atividade física” e “Exercício Físico”. A atividade física é qualquer movimento que realizamos com o nosso corpo em nossa rotina, que resulta em gasto energético, como lavar os pratos, varrer a casa, subir ou descer escadas. O exercício físico é um tipo de atividade física planejada, organizada, onde se tem um objetivo a alcançar e é orientada por profissionais capacitados que seguem critérios cientificamente respaldados, como os exercícios que estamos habituados a ver nas academias.
Quando nos exercitamos da maneira correta, todo o nosso organismo recebe as influências positivas desse ato, seja em curto ou em longo prazo. O corpo vai se modificando através de adaptações cardiovasculares, como o controle da pressão arterial; do fortalecimento do sistema de defesa; da potencialização da ventilação pulmonar; do aumento na utilização da gordura como “combustível”, contribuindo para a perda de peso de forma saudável; da regulação hormonal; do controle da glicemia; do incremento de força e potência musculares; da inibição de desordens de caráter psicológico como a depressão e a ansiedade, dentre outros tantos efeitos. Logo, nos proporcionamos mais momentos de bem-estar, nossa saúde vai melhorando, ganhamos vitalidade, serenidade, e isso é possível para todas as idades.
Há algum tempo, a recomendação geral a respeito da frequência da prática de exercícios era de até três vezes por semana, atualmente recomenda-se até cinco dias, intercalando treinos de flexibilidade, aeróbico e de força muscular.
Por isso, aproveite a dica, movimente-se e viva de bem com sua saúde!
postado em 13/11/2011 12:05Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Antônio Nélson de Azevedo
É advogado e Presidiu a OAB - subsecção Penedo
Fazendo um pouco de história, vamos voltar no tempo e chegar aos idos dos anos de mil novecentos e vinte, mais precisamente ao dia 11 de agosto do ano de 1927, data da criação dos Cursos Jurídicos no Brasil. O ato de criação se deu por decisão do Imperador D. Pedro Primeiro, sendo uma em São Paulo e outra em Recife. Assim, esta data passou a ser festejada como o dia comemorativo da criação dos cursos jurídicos no Brasil.
Ainda fazendo história vale lembrar que através do Decreto Legislativo 4.753-A, datado de 07 de agosto de 1843, foi criado o Instituto dos Advogados do Brasil, com a efetiva participação do renomado jurista, político (deputado por Alagoas), diplomata (com várias e importantes participações na defesa dos interesses do Brasil – foi contra a cobiça internacional da Amazônia), o Alagoano e Penedense, Francisco Inácio de Carvalho Moreira - O BARÃO DE PENEDO, juntamente com outros também renomados juristas do quilate de Teixeira de Freitas, Caetano, Luís Fortunato, Sousa Pinto e Francisco Acayaba de Montezuma ( primeiro Presidente do Instituto) e o nosso festejado conterrâneo foi o segundo Presidente. Cabe ainda lembrar que o Instituto tinha como finalidade precípua a criação da Ordem dos Advogados do Brasil.
Posteriormente e somente quase cem anos depois foi criada a Ordem dos Advogados do Brasil, através do decreto número 19.408 de 18 de novembro do ano 1930, por ato do então Presidente Getúlio Vargas e quatro anos depois (1934), foi criado o primeiro Código de Ética da profissão.
Também se faz obrigatório lembrar que antes da criação dos cursos jurídicos no Brasil, os nossos operadores do direito concluíam suas formações na Europa, mais particularmente em Portugal e na França, o que se tornava um fato impeditivo para que muitos Brasileiros buscassem a tão honrosa formação jurídica.
Para exercer o efetivo e gratificante mister da Advocacia o bacharel em direito deve ser aprovado no tão combatido exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Assim, devidamente habilitado ingressa no mundo jurídico e entre suas prerrogativas, passa a representar judicialmente ou extra-judicialmente os interesses dos seus constituintes que formalmente se materializa através de um instrumento procuratório, sempre com poderes específicos. Pode ainda afirmando urgência atuar sem procuração, ficando obrigado a apresentá-la posteriormente.
O Estatuto dos Advogados (Lei 8.906/94 ) é a base legal para regulamentar em todos os níveis as relações entre advogados e o mundo jurídico de maneira geral. Em sendo assim, entendemos oportuno tecer alguns comentários a respeito dos pontos que consideramos importantes no referido diploma.
Iniciamos tratando da indispensabilidade do advogado à administração da Justiça, ou seja, sem a participação do advogado não se complementam os atos processuais, mesmo que estejam presentes as partes, o juiz, o promotor e demais envolvidos no ato. Também é oportuno dizer que não existe qualquer subordinação entre advogados, juízes e promotores de justiça, devendo o tratamento respeitoso ser o balizamento para que cada um desempenhe o seu verdadeiro papel.
Também cabe comentar que o advogado exerce serviços de natureza pública e também social. Traduzindo melhor o comentado, significa dizer que nas comarcas onde não houver defensor público o advogado é obrigado a prestar os seus serviços atendendo a convite do juiz local sem poder recusar e com a consciência de que está prestando um serviço público e de natureza social. O porquê desta conduta está devidamente contemplada e disciplinada em três diplomas legais, a Constituição Federal do Brasil, o Estatuto dos Advogados e o Código de Ética e Disciplina da OAB.
Entendemos ainda necessário comentar que advogado não é parte no processo, ele representa a parte, não podendo jamais ser confundido com o seu constituinte, principalmente nos casos cuja repercussão social é muito grande (principalmente os que militam na área penal). Também o advogado não deve se envolver emocionalmente com a ação por ele patrocinada para não prejudicar o seu trabalho profissional.
Outro fato que se destaca na profissão é que ele pode atuar em causa própria, ou seja, pode postular judicialmente os seus interesses, fazer sua própria defesa quando necessário. Para exemplificar melhor tal colocação, basta dizer que quando um juiz, um promotor, um delegado, ou um desembargador pretende postular suas vontades ou promover sua defesa, nos dois casos na esfera judicial, só o faz por intermédio de um advogado.
Cabe no final comentar e esclarecer que as decisões que são prolatadas pelo Poder Judiciário de uma maneira geral, inclusive nos Tribunais Regionais e na mais alta Corte Judiciária do nosso País, que se transformam em Jurisprudências ou Súmulas, são provenientes de teses defendidas por advogados ou por representantes do Ministério Público.
Finalizando, advocacia é uma profissão que semelhante a muitas outras dignificam os seus operadores, e com sua grandeza, e no bom sentido modifica pessoas, muda conceitos, pugna pela justiça social e também material, e, engrandece a alma e os espíritos daqueles que nela acreditam.
É uma ciência, pois congrega os conhecimentos de várias outras ciências, tais como a medicina, a história, matemática, política, sociologia, psicologia a lingüística entre tantas outras. Em tudo se relaciona principalmente em face as relações humanas.
É sacerdócio porque os operadores do direito e sua representação maior (Ordem dos Advogados do Brasil) fazem da sua profissão/representação uma missão de vida, se unindo aos carentes de justiça e de oportunidades, defendendo-os na busca incansável de assegurar os seus verdadeiros direitos, e nessa busca se doam e se entregam como verdadeiros padres (pais). É a minha contribuição.
postado em 09/11/2011 12:22Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Jean Lenzi
Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural
Remontado tradicionalmente ao século XVIII, o culto aos mortos é celebrado no dia 02 de novembro orientado pelo calendário católico, e o cerne dessa ação é fator preponderante e por vezes questionável às variadas crenças religiosas e suas manifestações.
Os antigos romanos cunharam uma frase que de tão eloqüente transcendeu os séculos a nos augurar “mortuis morituri” (Mortuis, vocativo- aos. Morituri, genitivo - dos) – aos mortos dos que vão morrer -, frase possivelmente imortalizada pelo imperador romano Julio Cesar ao inaugurar fora dos limites de Roma as necrópoles e /ou sepulcrários; é o que hoje chamamos de cemitério. Curioso saber que essa frase é vista na maioria em cemitérios cujos mortos ali sepultados foram orientados segundo a religião católica. No Penedo, há uma lacuna diante desta questão em que pese a cidade ter uma predominância de católicos, essa indicação por vezes paradoxal não se apresenta no nosso cemitério “cristão-católico” São Gonçalo de Amarante.
Informações das mais precisosas podem ser obtidas através do minucioso estudo do professor Francisco Alberto Sales por meio da Casa do Penedo. Citando um dos seus livros, “Arruando Para o Forte”, o professor Sales nos faz saber detalhes singulares da nossa história que contempla a diversidade, o questionamento e também a razão. Leia-se: “a população negra do Penedo contava com muitos escravos islamizados do Sudão, escravos que conservavam pelos tempos a fora, suas crenças, seus hábitos e costumes, até mesmo observando o ritual malê no enterramento dos seus mortos, e cujas tradições místico-religiosas chegaram à “Festa dos Mortos” que era celebrada duas vezes por ano pelos mulçumanos do Penedo. Mello Morais Filho nos descreve esses rituais que também chamou atenção de estudiosos alagoanos, Abelardo Duarte e Arthur Ramos de modo especial.
Ainda sobre o cemitério São Gonçalo de Amarante cuja fundação data da chegada do Cholera Morbus, epidemia que resultou na morte de centenas de penedenses pelos idos de 1855, época em que “forçosamente” se deixava a prática de sepultar nas igrejas católicas; interessante saber que os túmulos mais antigos não estejam nesse cemitério, mas possivelmente na Igreja da Corrente e no Convento Franciscano. No “Arruando” do professor Sales encontramos fatos insólitos ligados ao nosso cemitério, como o de uma judia que faleceu no Penedo aos vinte anos em primeiro de março de 1873. Antonia N. C. Brandor era governanta dos filhos de Luiz Campos, abastado comerciante local, naqueles tempos não havia (e até hoje não há) campo santo para os de sua fé religiosa, e o vigário local não permitiu que seu corpo fosse sepultado no cemitério “católico”, o cadáver da moça foi então sepultado fora dos muros do cemitério público, no terreno da frente onde hoje funciona o Serviço Especial de Saúde Pública – SESP, e por lá permaneceu durante anos, até que em 1929 por ordens do prefeito Julio da Silva Costa, os restos mortais da jovem judia foram transladados para dentro dos muros do cemitério, ao lado do portão principal, numa carneira, túmulo simples. Isso, a lembrar do período Brasil - Holandês no qual Penedo abrigou a 2ª Sinagoga da América Latina, fundada pouco depois da primeira na cidade do Recife, e aquele fato envolvendo uma judia, ainda que isolado, foi mais que insolente, foi intransigente.
Contudo, no nosso cemitério: “andar por suas estreitas alamedas, espremendo-se entre túmulos imemoriais pode parecer mórbido, mas é também um passeio pela história ou até pelo bucolismo, já que é possível ouvir o canto alegre de um pássaro mesmo que este tenha sido engaiolado pelo coveiro”; ou ainda ouvir o assobio das almas no caso das mentes mais sensíveis e crentes. “Este é um cemitério do tempo em que os rigores dos homens eram mais rígidos e sólidos”. “E também o humor que não perdoa sequer os mortos. Quem procurar pelos corredores de túmulos achará uma lápide onde se homenageia com uma quadra um músico ilustre. Pródigo em sociedades musicais, o Penedo teve uma com duração de apenas um dia, pois seu fundador morreu no dia seguinte à sua criação. O fato está lá registrado pelos amigos no mármore: “O CLUB QUE TU CRIASTE À LEI FATAL JÁ CEDEU; ENQUANTO TU VIVESTE VIVEU, COM TUA MORTE MORREU”.
Apresentando uma vasta combinação de arquitetura fúnebre, com túmulos gigantescos pertencentes aos mais abastados da cidade, uns inclusive com obeliscos, cristos crucificados e cruzes banhadas a ouro, o São Gonçalo de Amarante apresenta também uma prática comum de aproveitamento de espaço com a verticalização dos túmulos, onde uns são dispostos sobre os outros e em andares para inclusive facilitar as visitações. Artes tumulares compõem a cenografia e junto delas, os significados, os desejos e as virtudes do homem vivo em respeito aos seus mortos.
Parte dessa razão remonta também à literatura, essa muito mais válida e intimista da forma como nos presenteia a poesia do paraibano Augusto dos Anjos com seu “caixão fantástico” - ”pois era tarde e fazia muito frio e na rua apenas o caixão sombrio ia continuando o seu passeio”. Penedo, cemitério dos vivos? É um questionamento que cabe inclusive neste calendário. Ao observar talvez no cotidiano do Penedo os males que se alimentam das 18 badaladas dos sinos da Igreja Matriz; sabe-se que são ás 18 horas que se finda o comércio, que se findam as aulas, as artes e as ousadias, e por que não dizer também que se finda a memória e daí correm entusiasmadas todas as almas vivas para seus “caixões”. A cidade se entrega à triste e bucólica escuridão da noite, e novamente Augusto dos Anjos - “em tudo o mesmo abismo de beleza”. Á essas “boas e vivas” almas válido desejar também “que a terra lhes seja leve”.
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João Pereira Junior
Advogado, Professor de Direito e Membro da Academia Penedense de Letras
Quem nasce e cresce a correr pelas tortas e enrugadas ruas desta cidade do Penedo, inexoravelmente cria, com este lugar, uma dependência afetiva extremamente salutar. Eu - que nasci em plena Av. Getúlio Vargas, em nossa histórica Maternidade da Santa Casa - tenho certeza que, no exato instante em que o cordão umbilical me foi ceifado da placenta, um outro cordão de matéria incognoscível surgiu no lugar, com o diferencial de não mais me jungir a uma placenta já descartável e perecível, mas, a uma outra: imortal forjada na rocha deste torrão e na prata líquida que insiste em viajar milhares de quilômetros, desde as Minas Gerais, tão somente para acariciar a fronte da Velha Penedo, antes do mergulho inevitável nas águas do Atlântico Sul.
João Cabral de Melo Neto disse que (...) “a cidade é passada pelo rio como uma rua”, mas, aqui, a cidade é passada pelo rio como uma avenida sem fim, e que, apesar da correnteza ser um vetor apontado para o oeste, o leito do rio é de mão dupla, acalentando o sonho tanto de quem acompanha o sentido de sua corrente, como de quem escala suas águas na procura diuturna do pescado.
Assim sendo, levando-se em conta que ultimamente ando ufanista demais, talvez pelo clima da V Bienal do Livro realizada em Maceió, onde a nossa Academia se fez presente não só com lançamentos de livros, mas com palestra ministrada pelo poeta Francisco Araújo (cadeira 12), resolvi publicar uma crônica diferente: uma crônica poética sobre nosso Penedo. Intitulei-a “Os Olhos do Poeta”, extraída do livro Capítulo do Tempo que, em breve, será publicado. Espero que gostem. Ei-la:
Penedo estava envolta por uma bruma densa. Não era noite e nem era dia, mas, um interlúdio entre a treva e o alvorecer. Os vestígios da noite já estavam de partida e uma mescla púrpura se apresentava no oriente. As luminárias, atalaias sonolentas das ruas, afônicas e nostálgicas eram os olhos de uma urbe que já não dormia e nem acordava. As ruas, tortas e entrecortadas por pedras rústicas, num ermo absoluto, pareciam fumegantes na garganta de um vulcão, sinuosas e enrugadas como um ofídio preguiçoso.
Aquela bruma, na verdade, era a fumaça que antecede o sortilégio da magia, pois, quando o sol, com seu condão resplandecente, mas ainda tênue, debruçou-se sobre a cidade, eis que surgiu uma anciã, com os olhos brilhantes e o espírito de criança, cuja estrutura robusta e imortal se espraiava no penedio, com sua gênese forjada na contundência das rochas e na fluídica prata da Canastra que pulsava ao sabor da correnteza. As águas roçavam carinhosamente o limo do cais num compasso harmonizado com o sino da Matriz.
Nessas águas, minha infância, feliz, vive imersa, e este sonho foi um mergulho a esta tenra idade, onde o rio ainda era um turbilhão de mistérios e de quimeras, de paisagens que surgem e se evanescem, de canoas que, através da ingenuidade dos olhos, transformam-se em borboletas, bailando sobre a lâmina líquida do rio, e embalando (com suas velas ou suas asas), a ânsia diuturna do pescador que acalenta.
Neste sonho pueril em que a realidade me foi arrefecida, as enchentes do São Francisco que tantas casas afogaram, nada mais eram do que o amor incontido do Velho Chico que, ao transbordar, enlaçava a Velha Cidade num abraço carinhoso de dois eternos namorados.
Talvez, os olhos do poeta, mesmo que envelhecidos e despidos das fantasias de outrora, sejam – quase - como os olhos duma criança, pois que lidam não com uma realidade mitigada, mas, criam um mundo por metáforas arrefecido.
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Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Estava em Viçosa, numa churrascaria de beira de estrada, no pino do meio dia. Enquanto esperava o salário do estômago, ouvi os sinos, por várias vezes, dobrarem. Durante o solene repicar, algumas árvores isoladas balançavam violentamente porque tangidas por uma rajada de vento. Em seu vai e vem, emitiam um rangido triste e melancólico, mais parecido com um suspiro agonizante, um último pedido de socorro. Como estavam perto de uma rodovia em restauração pensei que aquela dolente melodia vegetal fosse uma desesperada tentativa de chamar minha atenção para que as salvasse da ameaça oriunda das máquinas que retiravam barro para o aterro que se construía.
Quando ia pedir ao operador do trator para se manter longe daquelas árvores, o celular toca. Era meu irmão Ademar informando que no entalhe inferior do assento de uma rústica cadeira feita de um tronco de eucalipto tinha descoberto a imagem de um rosto feminino e que ele e outras pessoas acreditavam ser o de Nossa Senhora.
Como com a incomum notícia a fome passou suspendi o “de comer” e disparei até seu “taco” de terra para ver a cadeira, em sua cabocla casa. Ao observar o local da “aparição” notei apenas uma mancha na madeira que, após muito esforço, extrema boa vontade e “você não tá vendo?”, lembrava um rosto levemente inclinado e ladeado por um manto.
Acontecimentos milagrosos ocorrem quando o Intangível interfere no curso normal da natureza. O homem primitivo atribuía origem sobrenatural as anomalias do mundo natural. Os livros sagrados das mais diversas culturas estão repletos de relatos de milagres e determinados casos nos faz crer que esta interferência no mundo físico continua na atualidade.
Imagens de Cristo, da Virgem e de outras figuras religiosas têm aparecido milagrosamente em diferentes épocas e locais: o Lenço de Verônica, o Santo Sudário e Nossa Senhora de Guadalupe são os exemplos mais conhecidos e famosos.
O que mais impressiona é o fato de que se levarmos em conta o caráter rural, a simplicidade do ambiente, o estímulo a religiosidade, a consonância com a crença religiosa, a devoção a “Rainha do Céu” e a existência de fenômenos paranormais em nosso mundo, a “imagem da cadeira” obedece rigorosamente a alguns dos mandamentos básicos das teofanias e aparições.
SENHOR, mesmo que nada exista naquela rústica cadeira abençoa os que, devido a sua fervorosa fé, nela vêm a manifestação de Tua onipotência, mas se realmente nossa Divina Mãe ali se manifesta, cura a minha cegueira física e perdoa a espiritual.
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Maria Núbia de Oliveira
Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras
Inicio o meu artigo com uma citação de alguém que a pronunciou em um canal de tv. Se não estou enganada foi o Presidente dos Estados Unidos: " Não importa o rótulo com que você chega ao poder, mas o que você faz quando está no poder."
Achei profunda a citação acima. Ela esclarece aquilo que nós, seres humanos damos tanto valor: o rótulo. Infelizmente nos deixamos impressionar pela aparência, pelo revestimento que oculta o essencial: a verdade!
Nossos olhos não admitem uma aparência sem brilho, sem requinte. " O esencial é invisível aos olhos". É o que está dentro, no âmago do coração...
Quanta riqueza escondida, sob a aparência de um farrapo. Quanta riqueza escondida dentro de uma pessoa simples, sem sofisticação. Nossos olhos se encantam com uma veste de gala. Nossos ouvidos se aguçam numa boa alocução. E como nos enganamos... Quanta mentira escondida sob uma palavra bonita. O rótulo tem o poder de impressionar, mas o que está por trás do mesmo, ninguem vê. Está sob a proteção de uma marca. Mas existem rótulos que marcam. Não passam, porque são coerentes com a essência.
O rótulo atrai e o conteúdo edifica. O rótulo, todavia pode ser a ponte que liga à essência, se houver sintonia entre ambos.
A busca do poder está plena de rótulos : o sorriso, a atenção, o abraço, enfim, a sua valorização como pessoa votante. O rótulo é como um polvo, cheio de garras. E você se vê preso.
O encantamento pelo rótulo só passará, se você procurar ver além dele. Aprofunde-se na essência. Procure descobrir o conteúde do frasco. Se a essência não durar muito, não suportará as tempestades pós-vitória. E muitos frasquinhos, que acreditaram nos frascos grandes, passarão mais quatro anos sem perfume e até mesmo sem o rótulo enganador.
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João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
Se fizermos uma avaliação entre o bem e o mal das religiões, para que lado pende a balança?
Nas últimas quatro ou cinco décadas, o Brasil, entre outros países, vem sofrendo um surto epidêmico de igrejas evangélicas. Evangelizar, segundo sua definição, é pregar o evangelho, a mensagem de Cristo. Essas igrejas, com inúmeras denominações, quase sempre pomposas para atrair as inocentes vítimas, são quase todas armadilhas a céu aberto para extorquir seus incautos seguidores. Seus fundadores, astutos e velhacos, materialistas vazios de espiritualidade, souberam perceber a matéria-prima, o diamante bruto da ignorância e partem para explorá-lo, não para lapidá-lo, como era de esperar, mas para tirar proveito e enriquecer. E fazem isso tão aberta e desavergonhadamente que somente o seu rebanho, embriagado pela fé, não consegue enxergar.
Não consigo me convencer, mesmo assistindo ao vivo cenas de tamanha ingenuidade, como a manada humana, dispondo de uma cabeça que não pensa, deixa-se explorar pela esperteza de predadores inescrupulosos que se servindo da via mercantil, vendem uma duvidosa e ilusória salvação de acesso à graça celestial.
Há poucos dias atrás, 15/09/2011, no Jornal da Band, diante de uma enorme platéia, um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, na verdade do reino do dinheiro, entrevistava uma criança de aproximadamente seis anos. O vivaldino, desalmado, queria saber o que ela iria fazer de seus brinquedos. Com voz tímida, respondeu-lhe que iria vendê-los. E o que iria fazer do dinheiro? Depositar no cofre. Vejam que beleza de criança! Houve, certamente, muitos aplausos. O Pastor, diante de cena tão comovente e edificante, deve ter concluído que seria mais fácil convencer o rebanho a ser mais generoso. Se possível, vender tudo que tiver, pois, quanto mais desprendimento, mais garantido o lugarzinho no céu. Afinal de contas, daqui nada se leva e não há necessidade de dinheiro no paraíso.
Que se engane um adulto, passa, mas não podemos conceber que um marginal que se faz de pregador de uma igreja, procure tirar vantagem da inocência de uma criança, para mais facilmente depenar seus fiéis. Não existe, para uma criança, nada mais importante do que brincar e seus brinquedos são os instrumentos da sua diversão. Nem Deus permitiria o sacrifício de uma criança para desfazer-se de seus brinquedos. O referido Pastor, um batedor de carteira, pecou contra Deus e contra a inocência de uma criança.
O fundador da Igreja Universal, o ateu Edir Macedo, não apenas teve a inspiração para descobrir como ficar milionário sem fazer força. Como conseqüência, achou um meio de troçar e se divertir gostosamente da ingenuidade de seus fiéis. Diante de um imenso público, verdadeiro laboratório do comportamento humano, deve ser-lhe curioso e divertido, pelo convencimento teatral da oratória, fazê-la dócil aos seus interesses. Não existe na Igreja Universal maior preocupação do que aumentar a arrecadação. O próprio Macedo ensina a seus pastores como arrancar dinheiro dos fiéis. Com essa característica ímpar, diríamos que essa igreja, prevalecendo-se da liberdade religiosa e formalmente constituída, não passa de uma casa de exploração abusiva da ignorância do povão.
Existem lugares no mundo onde não há mais espaço vazio para a exploração da agricultura. As jazidas e os recursos naturais não renováveis um dia se esgotarão. Existe e sempre existirá, no entanto, o mais rentável dos recursos, com a vantagem de não estar sujeito a pragas ou a sofrer a inclemência dos elementos da natureza: a ignorância do populacho. É, assim como a beleza inspira os poetas, a ingênua ignorância estimula o apetite dos abutres e aves de rapina. O povo tem horror ao racional. É tamanha essa aversão que se fosse possível dar ao ignorante a opção de sofrer rigorosas lambadas nas costas e o esforço mental para ganhar o céu, seguramente preferirá as vergastadas no lombo. Eis a explicação do irracional de tantas crenças populares. É a realidade nua e crua de um fenômeno abrangente, em toda parte do mundo.
Apesar disso, não podemos concordar com a desfaçatez de uma igreja que é um acinte à seriedade religiosa, pondo no mesmo saco o Divino e a ganância pelo dinheiro. A Universal Sociedade Anônima não merece nenhum respeito pelo seu escrachado mercantilismo, fazendo de suas práticas religiosas apenas um meio para angariar fundos necessários à sua incontida expansão. Hipócritas por excelência, seus pastores, com provável exceção, Bíblia Sagrada em punho, fazendo o teatro do conhecimento, pregam o bem e às escondidas, praticar o mal. Sem o bom exemplo, a mais inútil das pregações. Esse paradoxo, faz com que de um lado fiquem os fiéis que, flutuando no mundo etéreo da ilusão, estão sedentos e desesperados pelo perdão Divino e, no outro, pisando em terra firme, os lobos travestidos de pastores que espertamente buscam usufruir os prazeres materiais, patrocinados bovinamente pelos que aspiram a graça de um céu hipotético.
postado em 23/10/2011 13:39Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Esta é uma das citações mais conhecidas da Bíblia. Faz parte de um dos mais belos momentos vividos pelos discípulos na companhia de Jesus. A essência de seu discurso envolvia a questão da ansiedade das pessoas, já naquele tempo, com a sobrevivência, com o vestir, o ter, o exibir. Na sua palavra, Jesus exortava os presentes no sentido de não se angustiarem tanto com as necessidades do dia a dia. Muito sabiamente, Jesus já preparava as pessoas daquele tempo – e dos tempos atuais – a respeito da importância de preservar sua qualidade de vida, não permitindo a ocupação da mente com pesos em excesso nem com uma configuração de vida super avaliada nas coisas materiais. Aliás, Jesus também deu uma certa importância às demandas materiais de nossas vidas, deixando bem claro, porém, de que nossa preocupação com essas coisas deveria caminhar até um certo limite. A partir daí...
As palavras de Jesus lastreiam também uma afirmação de fé. No momento em que fez essa afirmação era verão na Palestina e nos campos, rigorosamente, não havia lírio algum. Jesus tencionava, assim, puxar pela mente das pessoas, fazendo-as lembrar de que, apesar da geografia árida, seca que elas tinham diante de si, existia sempre a perspectiva de um tempo de beleza, de fartura, de provisão. Ou por outra: mesmo quando a vida está em baixa, com predominância da dor, da incerteza, da amargura, existe sempre a perspectiva de surgir o outro lado da medalha. E, através da fé, um novo tempo poderá ser alcançado. À frente de Jesus as pessoas estavam confusas. Como enxergar lírios belíssimos, de uma textura luxuriante, em meio à secura de um período de verão? Ou como enxergar uma nova realidade de vida diante da escravidão materializada na presença do senhorio romano?
“Olhai os lírios do campo!” Ao fazer tal afirmativa, Jesus queria enlarguecer nossa visão, ampliar nossos horizontes. Sabe-se que no campo existem armadilhas contra a vida. As aves de rapina, os répteis, os rigores do inverno, o calor inclemente do verão. Os predadores, os animais de grande porte, as ervas daninhas... Apesar disso tudo, os lírios também surgem, emoldurando com sua beleza uma nova realidade. O problema é quando o campo – em síntese, na ótica de Jesus, uma alegoria da vida, do mundo – é visualizado somente através das grossas lentes do negativismo gratuito. Apesar de todas as adversidades da vida, há sempre a presença de algo belo a ser visto, focalizado, priorizado. E que, diante de um vastíssimo leque de sentimentos que a vida nos impõe, tais como o egoísmo, o individualismo, a soberba, a arrogância, há sempre a chance de cultivarmos o belo, o frutífero, o substancial, o edificante.
Ao que tudo indica, a planta que Jesus nomeou em seu discurso como lírio é hoje conhecida com o nome científico de “anemone coronária”. Tinha uma haste de uns 40 centímetros e pétalas vermelhas, púrpuras, azuis, róseas ou brancas. Como se vê, algo de uma beleza realmente estonteante em meio à aridez do solo palestino. Segundo relatos históricos era uma planta de floração comum na região, florescendo próxima ao tempo da colheita do feno. Devido à sua beleza, já era usada em larga escala na decoração dos ambientes requintados, bem como nas casas simples dos moradores do campo. Era, por assim dizer, um referencial de beleza, de nobreza, de excelência decorativa. Uma planta que realmente fazia a diferença. É nesse ponto que quero destacar o eixo sobre o qual gira o ensinamento de Jesus. Fazer a diferença. Priorizar sentimentos nobres sobre o negrume dos valores cultivados atualmente.
Há momentos na vida em que a mente se fecha. O horizonte divisado vai somente um pouco além das agruras do dia a dia. O belo da vida se perde diante da feiúra do contexto da existência. É preciso romper essa linha divisória que demarca a tristeza da alegria, a angústia da paz, o caos da ordem, da serenidade, da esperança. Quando o campo da existência está recheado de abutres, répteis e ervas daninhas, é necessário se crer que, mesmo num campo assim, a semente do lírio está lá, latente, pronta a brotar – a se fazer presente. A irradiar a vida com a variedade de suas cores, a emergir bela, firme, altaneira em meio à aridez da geografia social da atualidade. “Olhai os lírios do campo” é em sua essência uma receita inteligente de vida. Ou por outra, uma concepção ideal de vida para quem deseja enxergar a realidade atual como algo mais do que um mero passar de dias. Vai olhar?
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Alexandra Pacheco
Fisioterapeuta com especialização em Fisiologia do Exercício
Após a conclusão da minha Graduação em 2008, fui convocada a trabalhar em três cidades do interior da Bahia, uma delas foi a cidade de Miguel Calmon, onde trabalhei por 2 anos. Lá, tive a oportunidade de trabalhar com saúde pública, o que me ajudou a amadurecer profissional e pessoalmente, fosse através dos mais simples relatos dos pacientes dentro de um consultório ou até mesmo a partir da troca de experiências com outros profissionais da saúde que tive a felicidade de conhecer.
Com essas pessoas, aprendi a amar ainda mais a minha profissão, ter a certeza de que devemos trabalhar com o coração e a lutar por melhorias sempre. Hoje, diante do que aprendi e de tudo que ainda estou a caminho para aprender, tenho consolidada em minha mente a ideia de que se a comunicação é importante, informar sobre saúde é fundamental.
O texto que segue foi gentilmente cedido por um colega e amigo, enfermeiro, no qual ele compartilha uma experiência vivida no setor saúde e destaca o quanto é importante orientar as pessoas a respeito desse tema.
Vale a pena conferir e refletir!
O caso da Raposa
Era eu calouro no trabalho, recém-formado e com poucos meses em terras de Miguel Calmon-BA, quando participei de uma campanha de vacinação contra a raiva. Preparativos prontos, orientações feitas, volantes iniciadas, tudo como é. Numa oportunidade rotineira, verificando os mapas de vacinação, constatei a seguinte proeza:
Cães vacinados: X;
Gatos vacinados: Y;
e uma observação no rodapé do mapa: Raposa vacinada: 01!
“Misericórdia!” pensei eu. “A equipe foi pro mato, pegou uma raposa e vacinou!”
Mas quem orientou esse absurdo? Foi dito e repetido que a vacina é para cães e gatos. E como pegaram a raposa?
O cérebro inquieto foi atrás do vacinador, cujo nome manterei em segredo.
- “Chiquinho de Babau”, você foi pegar uma raposa no mato pra vacinar? Como foi isso?
- Não! - Respondeu ele já sorrindo – Fomos a uma casa lá na roça e o dono criava um cachorro e uma raposa. Vacinamos os dois!
Vejam vocês… criando raposa! Como se não bastassem os riscos de um animal doméstico contrair e transmitir a raiva, uma pessoa ainda teve a sublime ideia de domiciliar um animal silvestre.
De lá pra cá, mudei. Não mais espero bom senso das pessoas. Fico feliz quando o encontro, mas não crio expectativas. Não aposto na ideia “As pessoas já sabem isso” ou “Estão carecas de ouvir aquilo”. Parto do princípio de que sempre existem os que não sabem e os que sabem coisas equivocadas, por isso, é sempre necessário reforçar as orientações disponíveis, em todas as ações, sejam elas campanhas de vacinação ou recomendações cotidianas numa consulta de Enfermagem.
Mas o tempo passa e com ele vem a maturidade. Nunca esqueci o “caso da raposa”. Passeando no trem da vida, saí da assistência, visitei rapidamente a Vigilância Sanitária, fui rebocado para a Coordenação da Atenção Primária, e estive Secretário de Saúde interinamente durante cinco meses (que pareceram cinco anos).
Foi quando percebi que a raposa não me causou só boas gargalhadas. Ela respalda minhas ações.Quantas vezes nos vemos “criando raposas” em nossos espíritos, em nossas casas, em nossos empregos?
Quantas vezes agimos por impulso, aumentando os riscos de adoecimento e de complicações apenas por não identificarmos que aquele ato ou aquela conduta são raposas, no final das contas?
Quantas vezes absorvemos excessivamente estresse, mágoas e aborrecimentos, pessoais e profissionais, alimentando essas raposas em nossas mentes e praticando o mais sutil dos suicídios?
Pensemos. Até que ponto nossa racionalidade nos empurra ao penhasco do “tarefismo”, da “numerolatria” das produtividades, enquanto a qualidade das ações e das relações humanas é deixada às margens do processo de trabalho? De que forma isso vai mudar? Esperando os gestores/patrões agirem?
Não mesmo. Eles estão umbilicalmente amarrados a um sistema autodepreciativo, centrado no lucro e na politicagem, onde o bem estar coletivo é a última coisa considerada. Na frente dele, sempre o “establishment” e o voto.
A esperança existe e uma boa estratégia para mantê-la viva é lembrar sempre do “caso da raposa”:
Se determinada coisa aumenta os riscos e as possibilidades de complicações, não faça!
(Texto de Alexandro Gesner, enfermeiro da Secretaria Municipal de Miguel Calmon-Ba)
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Antônio Nélson de Azevedo
É advogado e Presidiu a OAB - subsecção Penedo
Em toda festa de aniversário, na hora de cantar os costumeiros parabéns, tudo começa com parabéns pra você e termina com um grito geral de viva o aniversariante e todos respondem ao mesmo tempo: viva, viva, viva. Tudo muito normal.
Queridos amigos o presente artigo que com muita simplicidade e ousadia passo a escrever na busca em fazer um comparativo histórico da utilização da palavra VIVA. Reportando-me a época dos grandes julgamentos prolatados em praça pública, quando o rei, o imperador ou um grande líder decidia sobre a vida de um acusado e para não assumir sozinho muitas vezes as consequências da sua decisão usavam o povo para validar as suas vontades (alguma semelhança com os atos praticados pelos nossos atuais governantes? Claro que não é simplesmente coincidência).
Pois bem, naquela época colocavam o acusado já humilhado, julgado e condenado (geralmente a morte) no meio da praça e consultava o povo perguntando: viva ou morte. O maior exemplo de tal julgamento foi o que aconteceu com JESUS CRISTO que foi morto na cruz e ao ter comparado os seus feitos com os feitos de um ladrão já condenado a morte.
Na injusta decisão o povo uma verdadeira massa de manobra (já manipulado) ao ser provocado pelo governante gritava viva o ladrão e morte ao inocente (Jesus), fazendo valer a vontade do soberano que objetivando eximir-se da culpa do seu ato insano e na busca da imparcialidade, produz a celebre frase até hoje conhecida e muito usada por alguns igualmente insanos e irresponsáveis, com o mesmo propósito de não levar a culpa sozinho. `Lavo minhas mãos. ´ Quanta hipocrisia.
Hoje, muitos anos depois o povo é chamado a praça pública, não mais para validar a vontade de um governante, mas para discutir sobre a vida de um dos maiores patrimônios do povo brasileiro que é o RIO SÃO FRANCISCO e nessa consulta o povo nordestino grita com todas as suas forças : VIVA O RIO SÃO FRANCISCO; VIVA O RIO SÃO FRANCISCO.
Soma-se a esse grito outros de todas as partes do Brasil, pois o Rio São Francisco a exemplo da seleção opera a magia de unir todo povo Brasileiro em favor da sua REVITALIZAÇÃO, que o diga o nosso Toinho Pescador (carinhosamente apelidado de Nego D’água) e se vivo estivesse o saudoso e combativo Dr. José Teodomiro, que mesmo usando uma bengala não perdia um momento para defender o sangue que corria em suas artérias, o grande OPARA.
Hoje outros que amam e dedicaram suas vidas na defesa do Rio São Francisco, cito os contemporâneos: Inácio de Loiola Damasceno Freitas, o professor sergipano Luiz Carlos Fontes, a professora Lucia Regueira, Dr. Alberto Sales, Anivaldo Miranda, o menestrel das Alagoas Teotônio Vilela, D. Luiz Capio, além de outros que igualmente aos gigantes acima por mim relacionados a levantaram e levantam grande bandeira que é a urgente e necessária revitalização daquele que mata a sede e a fome de muitos e valorosos brasileiros - o povo Nordestino e grande parte do igualmente bravo povo Mineiro.
Assim, finalizamos dizendo o que todo mundo já sabe que todas as vezes que ao cantar parabéns gritamos viva é porque queremos que aquela pessoa querida tenha muitos anos de vida. Para o rio são Francisco não pode ser diferente. Parabéns Rio São Francisco, parabéns velho Chico, sabemos que teu sofrimento é grande, teus ferimentos são graves e profundos, porém não fraqueje, vamos te salvar, lute, resista, continue forte, estamos do seu lado. VIVA O RIO SÃO FRANCICO, responda meu povo: VIVA, VIVA, VIVA. VIVA O RIO SÃO FRANCISCO, VIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVA.
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Carlos Eloy
Professor Licenciado em Química,Pós graduado em Educação ambiental e Gestão
A sociedade contemporânea perdeu o hábito de alimentar-se com produtos naturais. Aqueles que eram retirados da roça e caiam diretamente nas mesas e formavam o pão nosso de cada dia. A tecnologia é a única responsável por essa terrível mudança. Tirou o homem do campo e o trouxe para as cidades. Homens que na maioria das vezes só sabem trabalhar com a terra e, ao deparar-se com os grandes centros urbanos, ficam tão perdidos quanto um animal irracional. O resultando é a formação de favelas e seus filhos fora da escola.
Que o avanço tecnológico melhorou a qualidade de vida dos seres humanos, isto é fato, inclusive dos animais irracionais. Quando eu era criança, via meu avô castrar o boi de uma forma que não sai da minha cabeça até nos dias de hoje e, ao lembrar, dá-me calafrio. Que tão perversa forma era essa? Derrubava o animal com as quatro patas amarradas, colocavam seus testículos em cima de um cepo de madeira e com um porrete batiam com força, enquanto isso o pobre animal indefeso apenas gemia de dor.
Toda essa barbaridade surtia um efeito impressionante, os testículos do animal atrofiavam em poucos dias. Outra prática dolorosa utilizada com os mesmos fins era arrancar os testículos de cavalo com uma faca bem afiada. Mas, qual o objetivo para tanta crueldade? Bem! O animal (boi) que não sentisse atração sexual certamente só pensava em comer. Então, iria engordar e ficar pronto para o abate, enquanto o outro (cavalo) teria mais agilidade para o trabalho. Também via minha mãe castrar frango. É, frango! Cortava-lhe uma região traseira e retirava dele seus testículos, depois costura e passava cinza de carvão para que a cicatrização fosse mais rápida. Isso levava mais ou menos de quatro a cinco meses para que a ave ficasse pronta para o abate.
Nesse ponto a tecnologia veio realmente para melhorar, pois, não se ver tais crueldades nos animais. Hoje, utilizam técnicas bem avançadas que não causam dor e, tão pouco, calafrio nos observadores. Por outro lado, as mulheres já não se preocupam mais em conservar aves para os meses que precedem o pós parto, porque em cada esquina, os abatedores oferecem aves que engordam em quarenta e cinco dias e sem nenhum trabalho extra para elas.
Todos esses avanços tecnológicos podem estar causando preocupação para a comunidade cientifica, acredito. A indústria alimentícia, por exemplo, preocupada em abastecer o consumo exagerado da população mundial, utiliza-se de meios que eleva a vida útil dos alimentos de umas simples vinte e quatro horas para quatro longos anos ou até mais, dependendo do tipo de alimento. Os criadores de frangos utilizam-se de ração que contém substâncias químicas poderosas para deixar as aves prontas para o abate em quarenta e cinco dias. Isto é ruim? Não, pois os alimentos, mantendo-se naturais, certamente não saciaria a fome da humanidade. Os frangos sendo conservados por métodos tradicionais também não dariam vencimento à demanda. A preocupação é como estamos nos alimentado!
A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que detém o controle de qualidade dos produtos destinados ao consumo humano, e animal, exige que as informações sejam colocadas à vista dos consumidores de forma explicita nos rótulos. O problema seria simples se os consumidores soubessem ou tivessem a prática de fazer leitura nos rótulos dos produtos, e o conhecimento dos tipos de substâncias químicas que são usados na conservação de tais alimentos assim como dos problemas que as substâncias podem causar a saúde.
Vamos aos fatos! Alguns produtos são conservados com substâncias que são chamadas naturais, como é o caso da carne bovina em que se utiliza o sal de cozinha para fazer carne do sol ou a famosa carne de charque e o bacalhau. Outros necessitam de aditivos mais sofisticados como: o ácido benzóico; benzoato de sódio; ácido fosfórico (também conhecido como pirofosfato); glutamato monossódico; sulfato de alumínio; nitrato de sódio, dentre outros produtos que quando consumidos de forma descontrolada, podem causar desde uma simples alergia até problemas de saúde mais graves.
Qual a importância de uma boa leitura nos rótulos dos Alimentos? Levar o consumidor a evitar determinados produtos que causam riscos à sua saúde, ou consumi-los de forma descontrolada. Exemplo: a maioria dos produtos comestíveis contém sódio (Na) em sua estrutura, como na maioria das vezes ele não se apresenta de forma combinada com o cloro (Cl), o gosto salgado nos alimentos não será notado. Então, o consumidor não dá muita importância para a sua presença. Entretanto, o sódio, mesmo fora da combinação com o cloro, é o grande vilão para a pressão sanguínea. Pesquisas apontam que o crescimento de pessoas com problemas de hipertensão está relacionado com a alimentação de produtos que contém sódio.
Desde a década de 70, o cloro, uma substância de cor esverdeada e altamente cancerígena, muito utilizada na indústria de PVC e que já foi utilizado na Primeira Guerra Mundial para exterminar seres humanos, é utilizado para desinfecção da água que bebemos. Ela pode reagir com certos tipos de matérias orgânicas e produzir subprodutos com potencial cancerígeno. Essa mesma substância (cloro) também é utilizada para clarear a farinha de trigo do pão nosso de cada dia. Em países de primeiro mundo a desinfecção da água é feita com ozônio ou com outras substâncias mais eficazes que o cloro.
Não sou engenheiro de alimentos, nem bacharel em química, tampouco nutricionista, que são conhecedores das reações químicas que podem ocorrer em determinados alimentos que contenham aditivos. Mas, será que os altos índices de doenças relacionadas ao câncer, doenças do coração e hipertensão estão mesmo ligadas à hereditariedade ou os alimentos industrializados consumidos sem nenhum critério estão contribuído para o aumento dessas doenças?
Raquel Carson, em seu livro Primavera Silenciosa, alerta a comunidade cientifica sobre as consequências desastrosas do DDT (dicloro-difenil-tricloroetano) na década de 60, disse: “as substâncias químicas ás quais se exige que a vida se ajuste não são mais somente o cálcio, a sílica, o cobre e todos os demais minerais lavados das rochas e carregados pelos rios até o mar: são as criações sintéticas da mente inventiva do ser humano, preparadas em seus laboratórios e sem equivalentes na natureza”. Ou seja, temos que nos ajustar as mudanças tecnológicas e, para que isso aconteça, faz-se necessário mudanças bruscas de nossos hábitos, porque o “ser humano mal conhece os demônios de sua criação”.
Que não sabemos mais viver sem o auxilio da tecnologia, isto também é fato. Principalmente dos alimentos industrializados. Assim, temos que apreender a ler os rótulos dos produtos para que possamos conhecer os aditivos que podem causar riscos à nossa saúde e evitar o consumo exagerado. Portanto, cuidados: “quanto mais colorido, industrializados ou elaborados for um produto, maiores serão as probabilidades de que contenha numerosos aditivos. É o caso de produtos de confeitaria, aperitivos, refrigerantes, refeições prontas, molho, condimentos, sopas desidratadas”.
Quero deixar claro que o objetivo do texto não é fazer você parar de comer produtos industrializados ou parar de tomar água tratada, até porque a água é essencial a vida e precisamos dela em quantidade mínima de dois litros diários. Mas, contribuir para melhorar a qualidade de vida e manter sua vida mais saudável.
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João Pereira Junior
Advogado, Professor de Direito e Membro da Academia Penedense de Letras
Era de se causar perplexidade os números aterrorizantes do último exame de ordem para obtenção de uma inscrição na OAB, entretanto, como tudo que se torna rotina acaba virando normalidade, já não é motivo de espanto os resultados desses certames. As causas para este quadro nefasto e que expõem as vísceras da educação brasileira têm sido apontadas por professores quando instados a opinar sobre o assunto e, de fato, as mazelas apontadas são pertinentes, tais como a proliferação descontrolada de cursos e a falta de estrutura das instituições de ensino superior, a falta de investimento em contratação de docentes doutores e mestres, enfim. Todavia, entendo que o problema esteja localizado em um degrau abaixo e não, necessariamente, no ensino superior - que como já falei, tem suas mazelas. Nessa esteira, toda a discussão que se faz sobre como resolver o problema da falta de qualidade dos cursos de graduação só terá sentido se resolvida outra questão que é anterior a essa: a indústria de certificado de conclusão do ensino médio. É daqui que devemos partir para começar a discutir o problema dos cursos superiores no Brasil.
Ora, em sala de aula tenho verificado, com facilidade, que o número de alunos despreparado advindos da escola pública ou privada sobrepuja, em muito, o número dos que estão aptos à graduação. Será que esse fato não é suficiente para chamar a atenção das autoridades e da sociedade? Culpar as instituições privadas ou públicas de ensino superior pelo malogro educacional desse país é um tanto injusto, pois as faculdades apenas repetem a tática utilizada pelos educandários de ensino médio, qual seja: diante da irresponsável e insana concorrência (autorizada pelo MEC, diga-se de passagem), vale o lema: que passem todos, mas não nos deixem. Ora, se o MEC credenciou a faculdade e lhe autorizou a oferta dos respectivos cursos, é claro que ignorou a viabilidade econômica do empreendimento, pois se naquela região já existem outras faculdades com a mesma oferta, esta poderá será maior que a procura e a instituição, que já investiu um bom capital estruturante, não poderá fazer seleções rigorosas sob pena ir à falência. Isso é óbvio.
Mas aliado ao fato de o ensino médio aprovar alunos que não passariam em seleções ainda que mais fáceis, há um fato negativo que não pode ser atribuído nem ao ensino médio e nem ao ensino superior: a qualidade intelectual dos alunos. Há, no Brasil, uma maléfica e aleijante cultura de se jogar às escolas toda responsabilidade para com seus filhos, até mesmo questões ligadas às regras de etiqueta. Se se perguntar a cada pai ou mãe de família quantos livros leram em toda a vida, a resposta será chocante. Esse pai e essa mãe, atrofiados que se encontram por falta de leitura, que suam frio quando diante da necessidade de escrever alguma coisa (um bilhete, um ofício, uma comunicação interna, um despacho, uns dizeres de agradecimento, etc, etc.), não entendem a necessidade de se estimular a leitura junto a seus filhos a fim de que desenvolvam a capacidade de escrever, de melhor raciocinar, de pontuar intuitivamente, de falar com desenvoltura e de se ter mais predisposição para o estudo. As casas da maior parte das famílias são alijadas de livros ou, se os tem, dão a eles outra serventia similar a de um pinguim sobre a geladeira. Acreditam que tudo o que a escola faz é mais que suficiente para a formação de seu filho. Quanto engano. Questões morais, de educação doméstica, de etiqueta, de higiene, de valores religiosos e de incentivo à leitura, por exemplo, são de obrigação dos pais. É claro que existem exceções, mas a regra é que onde não há leitura, a cultura do estudo é menos intensa e isso se tem refletido nas escolas e faculdades de forma cada vez mais freqüente, a ponto de o aluno despreparado ser a regra e não a exceção nas salas de aula.
Há sete anos que me enlacei com o magistério em nível de graduação e posso garantir ao leitor que não consigo entender como é que determinados alunos concluíram o ensino médio. Pessoas que guardam uma perigosa proximidade com o analfabetismo funcional (lêem, mas não entendem ou são incapazes de construir um pequeno texto com demonstração de algum domínio da escrita e de raciocínio), entretanto, lá estão eles “brincando de curso superior”. Fico constrangido ao perceber que um aluno, no 4º período de Direito, tem dificuldade de ler um dispositivo legal e revoltado fico ao corrigir as avaliações que são as provas documentais da loucura em que estamos inseridos.
Constantemente recebo e-mails desesperados de alunos que denunciam o seu grau de leitura assim que começam a sua súplica: “professor mim ajude”. Nesse sentido, jamais esquecerei de uma aluna que numa aula sobre o Direito na antiga Grécia me perguntou quem era o deus Vela. Lembro que era uma atividade em sala e os alunos estavam utilizando o livro “A Cidade Antiga” de Fustel de Coulanges. Ora, como eu nunca havia ouvido falar em qualquer deidade da parafina, eu pedi que ela me trouxesse o livro para que no contexto eu pudesse (com alguma presença de espírito) lhe dizer algo, foi quando percebi o surrealismo da circunstância. O texto estava assim disposto: “O deus vela por ele e dá-se-lhe assim o epíteto de erkéios”. Não, prezado leitor! Foi isso mesmo que você entendeu: a aluna havia confundido um verbo com um substantivo. Outra vez, numa aula sobre formação do Direito Canônico, ocasião em que já havia me referido a outras datas, assim escrevi no quadro: “313, Tolerância ao Cristianismo; 380, Oficialização do Cristianismo.” Uma aluna, então, me redarguiu: “Professor, não seria no plural, tolerâncias, não? – Perguntei: - E porque seria? – Ao que ela arrematou: - Não são trezentas e treze?
Eu poderia ainda citar outras situações vivenciadas por mim ou por meus colegas, mas não há necessidade, pois essas duas ilustram bem o estado de calamidade do ensino superior brasileiro. A falta de cultura, de conhecimentos gerais, de algum domínio da língua pátria, de vocabulário é a tônica dos nossos secundaristas e graduandos. Ontem mesmo, enquanto eu aplicava um exercício, das quatro salas do 2º período (manhã e noite) de determinada faculdade, em três delas recebi perguntas acerca do significado de palavras como: simultâneo, fático, preterir e dissertação.
Muitos alunos gaguejam ao fazer uma simples leitura, não conseguem concatenar as idéias quando da elaboração de uma resposta em questões abertas, ferem a gramática em todos os sentidos (ortografia, concordância verbal, nominal, etc, etc, etc.). Tudo isso é fruto não só do mau preparo das escolas, mas também dos próprios pais que não lêem e nem podem incentivar o que não fazem e nem compreendem. Infelizmente, vivemos no país do televisor e não do livro. É só responder à pergunta: quantas horas você passa diante do televisor e quantas diante dos livros? Quantos livros você leu durante esse ano e durante o ano passado?
Ora, o Direito, por exemplo, lida com situações diversas que envolvem sentimentos, patrimônio, penas variadas (inclusive a de perda da liberdade), daí porque deve o seu operador ter uma visão periférica do fenômeno social. Todavia, do que tenho conversado com eles, a visão de mundo de meus alunos, futuros operadores do Direito, é a seguinte: a) gosto musical: Galã do Brega, Gatinha Manhosa, Tyrone e congêneres; b) programas de televisão preferidos: realitys shows, filmes de ação, novelas, Malhação, programas humorísticos, de fofoca e de bate-boca entre familiares; c) livros (quando lêem): Harry Poter, Crepúsculo, Lua Nova e congêneres; d) revistas: Quatro Rodas, Capricho e congêneres; e) programação “cultural”: farrear em bares, praia, em churrascos promovidos pela turma, (em todas essas ocasiões sempre ouvindo aquelas músicas dos grupos descritos na letra “a”). Ou seja, o futuro é mesmo dos macacos.
É por essa realidade, que profundamente agradeço aos meus pais por terem condicionado, tantas vezes, a minha mesada à leitura de pelo menos um livro, cuja estória deveria ser contada a eles para eu provar que, de fato, havia lido a obra. Entretanto, sei que há pais que não só não incentivam a leitura, como inadmitem que um filho seja reprovado se a mensalidade da escola estiver em dia, o que mostra a visão estrábica dessas pessoas. Na verdade, comportamento criminoso como esse deveria ser tipificado como abandono intelectual, pois os próprios “painacas” obstaculizam um processo sério de aprendizagem da criança e/ou do adolescente. Aliás, esta é a única preocupação de grande parte dos pais: que seu filho passe de ano, seja de que jeito for, afinal de contas: - eu tô pagaaanu!
Realmente, a educação doméstica nesse país é uma zorra total, e aí ficamos todos em pânico, como gado que, na fazenda, sabe que está indo para o matadouro. Pobre Brasil do BBB: bobo, burro e barato.
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Isabel Fernandes
Bibliotecária Especialista e Contadora de Historias
Penedo, cidade construída sobre rochas, fundada pelos holandeses, há mais de quatrocentos anos. Um dos berços históricos e culturais de Alagoas. Terra de casarões, museus e igrejas que contam histórias pitorescas e fabulosas.
A vida me levou a Penedo. Quando concluí minha graduação em Biblioteconomia, fui convidada para atuar na Faculdade Raimundo Marinho, onde permaneço até os dias de hoje.
De cara, a cidade me encantou.
Dedicada aos afazeres que me eram atribuídos pela Faculdade, nos períodos vespertinos e noturnos, desfrutava a felicidade de ter as manhãs livres para garimpar as joias penedenses.
Os dias foram passando, um após o outro, durante seis anos, e os meus olhos foram habituando-se: as paisagens, os monumentos, os becos, as ruas, os calçamentos e ao rio. Pois é, além de toda riqueza cultural, a cidade ainda é banhada pelo Rio São Francisco, com suas águas ora azuis, ora verdes, e sua prainha fazendo a festa e alegria dos seus habitantes nos dias de folga.
A vida me levou ainda a ser contadora de histórias e, através desse caminho, resolvi não apenas contar histórias. Por que também não criá-las? Num curso de que participei sobre o fazer literário, uma das atividades proposta pela ministrante foi a realização de uma viagem para Penedo a procura de vivências estéticas.
Confesso que ao abrir o email de minha professora fiquei um pouco aborrecida.
– Poxa! Já fico de segunda a quinta em Penedo e ter que retornar no sábado.
Estava redondamente enganada. Para começo, retornar a Penedo, ainda que para cumprir uma tarefa, com o pessoal do curso, foi inovador.
Durante a viagem, houve um percalço: o ônibus apresentou uma falha mecânica e foi trocado por outro, o que nos causou uma hora de atraso. Porém não foi o suficiente para nos tirar o bom humor e ainda serviu para unir o grupo.
Chegamos a Penedo esfomeados. Com algumas amigas dirigi-me ao Oratório não para rezar, mas para degustar os quitutes de lá.
Água de coco para matar nossa sede, caldinho de feijão com torresmos crocantes como entrada. E o prato principal? Hum! Aquela peixada preparada com o saboroso fruto do Rio São Francisco.
Como se diz : “barriga cheia, mão lavada, pé na estrada”. Saímos então, a buscar nossas vivências estéticas.
Passamos pelo centro histórico com suas fachadas maravilhosas, remetendo-nos ao passado glorioso da cidade; mercado de artesanato que não se diferencia dos vários mercados existentes por aí. Mas, o tempo urgia tínhamos hora marcada para retornar à Maceió.
Havia tanta coisa para ser vista: Museu do Paço Imperial, Forte da Rocheira, Igreja dos Pretos e de São Gonçalo, Conventos de Nossa Senhora dos Anjos, Casa do Penedo, Teatro Sete de Setembro...
Saímos então a passear por Penedo. Tira uma foto aqui, tira outra foto ali... Foi quando encontramos D. Maria, Maria nome de mãe, nome de amiga, ela que com 96 anos de idade, estava na sala de sua casa, sentada numa cadeira de balanço, observando a rua pela janela e a confeccionar renda de bilro!
Dona Maria nos convidou a entrar em sua casa. E que alegria tê-la em nossa companhia! Que exemplo de vida! Aquela simpática e sábia anciã nos encantou.
Embora o desejo fosse de ficar ali por várias horas, ouvindo suas histórias, o tempo não nos permitiu. Assim, prosseguimos o passeio.
Em nossos corações, todas sabíamos ter encontrado uma joia chamada Maria e que nunca mais a esqueceríamos.
Bem que D. Maria poderia tornar-se patrimônio vivo desta cidade!
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Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
O silêncio é uma atitude estranha. Na maioria das vezes, apresenta-se como demonstração de humildade, de submissão, de renúncia. Em outras, deixa transparecer o verniz da covardia, da omissão. Mas não deixa de ser um comportamento contraditório, polêmico até. Jesus, por exemplo, deu conotações edificantes ao silêncio. Utilizando-se dele, deixou Pilatos maravilhado e seus acusadores totalmente desnorteados, sem terem o que dizer. Calado, ele eternizou um momento em que o esperado, de sua parte, era que falasse, argumentasse, se defendesse das acusações injustas que lhe imputavam. Do episódio saiu engrandecido. O seu silêncio rasga os séculos até os dias de hoje como elemento de sabedoria, de renúncia, de negação de si mesmo. Já outros personagens... Estes, pelo silêncio, fugiram do desconforto de falar e deram péssimo testemunho com essa atitude.
Um livro de um escritor cristão trata do assunto de forma interessante. Com o título “O Silêncio de Adão”, ele trata da paralisia cerebral e da inércia comportamental que acomete a grande maioria dos homens nos cruciais momentos de decisão. E constata que duas atitudes se destacam no universo masculino. A primeira delas é o silêncio simplesmente. Covarde, omisso, pegajoso – e, o que é pior, contagiante. Acontece na ocasião em que se faz necessária a prática do falar em defesa de uma causa, em defesa de alguém e – para não se prejudicar – o homem foge, se cala, se omite. A segunda atitude se traduz na incorporação, pelo homem, da figura do machão, que, não tendo o que falar, não tendo destreza mental para argumentar, opta pelo clássico gesto de usar da violência, de esmurrar a mesa. Em ambas as situações ele dá adeus ao diálogo e fecha a porta ao desabrochar de uma nova realidade.
Com este enfoque, “O Silêncio de Adão” trata, enfim, da inclinação histórica que o homem vem apresentando através dos tempos para fugir de suas responsabilidades. O primeiro grande exemplo que o livro apresenta é o de Adão. Sim, o Adão da Bíblia, o primeiro homem. Pela narrativa bíblica, Deus fez de Adão o detentor de todo o plano divino para a humanidade. Só exigiu que Adão e Eva, ela criada posteriormente, não comessem da árvore do bem e do mal. A exigência foi feita especificamente a Adão. Certamente já sabendo disso, a serpente procura Eva para tentá-la na desobediência a Deus, convencendo-a a comer do fruto da árvore. O interessante é que Adão estava presente ao episódio e em nenhum momento se pronunciou contrário ao assédio da serpente a Eva. Fez pior. Além de se omitir, de se calar, concordou com a mulher e comeu do fruto da árvore proibida.
Porque Adão de calou? Porque não esbravejou contra a invasão da serpente ao território mental de Eva, terreno que, pelas instruções claras de Deus, teria que preservar? Ao que tudo indica, Adão se curvou ao auditório constituído tão somente de duas pessoas, ao invés de argumentar com as instruções das quais era possuidor. Também através de outro exemplo bíblico, o livro mostra um homem que se utilizou da truculência para resolver uma situação que tinha tudo para ser equacionada pelo diálogo. Trata-se de Caim, o assassino de Abel. Na narrativa bíblica consta apenas um convite de Caim a Abel para irem, juntos, ao campo. Lá, o ele matou o irmão sem dar nenhuma chance ao diálogo. Foi a típica atitude de quem, não tendo disposição para se utilizar da fala, preferiu dar “um murro na mesa” para deixar bem claro que o mais forte fisicamente tinha o controle da situação. Será?
Esse comportamento também pode ser facilmente observado nos dias de hoje. No casamento, então, nem se fala. Quantos lares desfeitos, destruídos pela fuga, pela covardia, pela indisposição de falar, de dialogar, de enfrentar, da parte do homem, situações de conflito. Pelo exemplo de Adão, nessas ocasiões, só resta, ao universo masculino, duas soluções: ou se cala, se omite e vai embora, consumando a separação, ou dá um murro na mesa e vence a situação pela truculência, pela violência, pela lei do mais forte. E vence? Será vitorioso um homem que só sabe resolver suas questões pela violência, pela força? Essa, lamentavelmente, é a herança que o primeiro homem nos deixou. Como antídoto, temos a herança que o segundo homem nos legou, Jesus. Este sim, o Adão perfeito. Que tal conhecê-lo, para passar a praticar o silêncio que edifica e a fala que constrói?
postado em 28/09/2011 13:15Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Dimas Patriota
Professor formado em Letras, Pós-graduado em Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa
Há quatro tipos de pessoas que, apropriadamente, tomam decisões à mesa da vida: as espiritualmente sofredoras que, obviamente, são o veneno social; as tolas que necessitam, urgentemente, despertar; as saudáveis que, simplesmente, são felizes e as sábias que, logicamente, dominam as sendas da grande jornada.
1 – as pessoas que pertencem à primeira classe são aquelas que são dominadas por suas mentes doentias. Que vivem a maquinar investidas contra tudo e contra a todos. Em sua maioria, são falsas e mentirosas, cheias de artimanhas, promíscuas e desnudas de quaisquer virtudes. Por isso mesmo, não merecem a mínima confiança. Traem com muita facilidade, são volúveis e vítimas das próprias tentações. Como postulava Freud, “... nascem polimorficamente perversas”. Traem a si mesmas, pois não têm amor próprio; à sua família, pois não respeitam nem os filhos a quem deram à luz; ao próprio Deus, pois já não têm a certeza do que verdadeiramente são. São perigosas e, por isso mesmo, merecem as consequências de seu próprio castigo. Sofrem continuamente, pois praticam os mesmos erros repetidamente. Seus títulos estão mofando em alguma gaveta, enquanto sua mente permanece no limiar de um ego exacerbado fincado na mediocridade irracional. Geralmente não aceitam sua infelicidade e atribuem aos outros a causa de sua degradação moral. São perseguidoras e, enquanto não levam os outros para o precipício, não sossegam. Quando são desmascaradas, fazem-se de vítimas e choram copiosamente. São capazes de enganar até o mais exímio dos juízes. São sonsas e vivem disfarçadas de boa gente. Todo cuidado é pouco ao lidar com esse tipo de pessoas. A salvação de uma pessoa desse grupo é considerado algo de extrema dificuldade, mesmo sendo comuns suas constantes e descaradas presenças nas igrejas. Na verdade, elas teriam que nascer novamente, pois, já estão fazendo “estágio” para o “inferno” que as aguarda.
2 – as tolas – pertencem ao rebanho... dos que acreditam em tudo; dos que assistem a tudo; dos que aderem a tudo; dos que ouvem tudo; dos que compram tudo; estão sedadas, são vítimas em potencial. Logicamente, sofrem também. Contudo, é um sofrimento decorrente de atitudes promovidas pela lavagem cerebral que recebem. Logo, suas atitudes são perdoáveis. Obviamente, os tolos estão mais próximos da salvação de que os que pertencem ao primeiro e repugnante grupo de pessoas. O sofrimento dos tolos se dá porque se deixam enganar, não enxergam a verdade nas entrelinhas, compram gato por lebre e ainda se dão por satisfeitos. O sofrimento dessas pessoas não “arde” no espírito tanto quanto arde no bolso. O choro dos tolos é verdadeiro, não se trata do produto de um sentimento maquiavélico, forjado para enganar, choram por conta do prejuízo que, por ventura, levaram. Fazem de tudo na obtenção de dinheiro para comprar, comprar e comprar..., para pagar, pagar e pagar. São presas fáceis das pessoas do primeiro grupo, dos falsos políticos, dos charlatães, da mídia, etc. São as vítimas do “Panis et circense”. Só precisam... acordar... subir a montanha... ficar acima das ilusões... retirar a venda que os cega.
3 – as mentalmente saudáveis – há um grupo menor de pessoas que pode ser considerado especial: é aquele composto pelas pessoas que são equilibradas. Seus sentimentos sempre promovem agradáveis sensações aos que os rodeiam. Dá gosto estar ao lado dessas pessoas. Praticamente não choram, mas, quando o fazem, é por puro contentamento – dá vontade de abraçá-las. Só desejam o bem, são sinceras e são justas. Superaram as tentações consideradas banais e, por conta disso, são felizes por natureza. Tudo o que possuem foi conseguido com competência e profissionalismo. Promovem a paz por terem consciência que a paz está no interior de cada ser.
4 – por fim, há os sábios – um grupo realmente pequeno de dedicados buscadores. Mas, para o bem da humanidade, nunca estará em extinção. Sempre é possível encontrar um aqui ou acolá. Há muito tempo, subiram a montanha e já não fazem parte do grande rebanho dos iludidos. Muitas vezes, são confundidos com os excluídos – por não participarem da grande e alegre marcha em direção ao “matadouro”..., por não serem influenciados facilmente..., por não chorarem as lágrimas dos desesperados. São ridicularizados por serem imunes às invencionices midiáticas. Os obstáculos são encarados pelos sábios como puro ensinamento e parte das fases evolutivas de sua vida. Essas pessoas estão praticamente livres do sofrimento, pois são prudentes e suas ações são dotadas de um incrível raciocínio lógico que jamais lhes proporcionarão frutos desagradáveis. Todo sábio é um ser mentalmente saudável por natureza, jamais se desespera. São sólidos, sensatos e prudentes. São os que dominam suas mentes e, obviamente, não são dominados por elas. Cada minuto de sua vida é uma dádiva de sabedoria, cada lugar freqüentado é fonte de conhecimento. Falam pouco, muito dizem; ouvem muito, pouco absorvem. Em sua percepção, há um filtro que, naturalmente, exclui absolutamente tudo aquilo que é desnecessário. Não dão importância à crítica dos sofredores, pois suas vidas são pautadas na constante busca pela comunhão com o Criador.
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João Pereira
Advogado, escritor e atento observador da política
A alegação acima foi emitida pelo repórter da Globo, Roberto Kovalick do programa Bom Dia Brasil, em18/08/2011, referindo-se ao achado nos escombros causados pelo tsunami, da quantia equivalente a sessenta e seis milhões de reais. Como perto de cada quantia encontravam-se documentos que identificavam seus respectivos donos, noventa e seis por cento dos mesmos já tinham recebido. Todo esse dinheiro, é bom que se ressalte,foi encontrado por muitas pessoas que em seguida, num mesmo gesto, fizeram a entrega na delegacia na mesma linha de comportamento agora no setor público, o mesmo repórter e no mesmo programa, na semana seguinte, 26/08, informava que a província de Fukushima, equivalente estado entre nós, devolveu, parece-me que à Cruz Vermelha, a importância de cento e oitenta milhões de reais. Qual o motivo? Após uma nova avaliação dos danos, percebeu-se que houve um excesso do dinheiro recebido. E logo pensei no estado de Alagoas. Precisamos adivinhar o que faria? Pediria, no mínimo, uma complementação.
Com relação ao Brasil e outros países do mesmo calibre moral, nada edificante, qual a conclusão que podemos tirar desses dois fatos? O mais curioso é que a ação do poder público nada mais é do que um reflexo do comportamento das pessoas. É que esses países não dispõem de boas e sólidas instituições. Isso não quer dizer, sem apelarmos para o extremo, se semelhante acontecimento tivesse ocorrido no Brasil, uma ou duas pessoas teriam feito o mesmo, entregando o dinheiro na delegacia, local nem sempre recomendável. A diferença é que enquanto no Japão a honestidade é quase uma unanimidade, no Brasil é um exceção em semelhante circunstância.
Por outro lado, sabemos que o Japão é um país milenar, o que não seria razão suficiente para explicar a sua grandeza de princípios, mas que sempre soube cultuar os padrões de comportamento moral, o respeito à ordem, o gosto pelo trabalho, o patriotismo e o sentimento de honra capaz de levar ao extremo do suicídio como a prática do haraquiri, abrir a barriga com a própria espada. Notabilizaram-se também o heroísmo dos Kamikasis que na segunda guerra mundial jogavam seus aviões contra os navios americanos. Aos valores antigos, foi influenciado pelas idéias ocidentais no setor produtivo, como livre comércio e o estímulo à livre iniciativa, fatores que o colocam como a segunda potência econômica, recentemente ultrapassada pela china.
E quanto a nós, onde estão as boas e intrínsecas instituições que fazem parte do comportamento espontâneo e natural da formação do brasileiro? As virtudes coercitivas são frágeis porque não têm base de apoio nas convicções íntimas da sua prática, herdadas através das gerações. Muitos pais, especialmente nos dias de hoje, descuidam-se da formação moral dos filhos, razão porque continuaremos a escorregar nos vícios da improbidade. Afinal de contas, de quem herdamos as nossas instituições? Do velho Portugal, fortemente influenciado pela igreja católica medieval, período das trevas quando, por um lado, a igreja preocupava-se com a conversão dos índios, pelo outro os colonos tinham como único objetivo saquear as riquezas do Brasil e levá-las para Portugal. Não tinham o ideal de aqui formar sua nova nacionalidade. Nascemos, assim, órfãos e despidos de instituições.
Vejamos com base no que acima dissemos sobre o valor primordial das instituições como alavanca do desenvolvimento de um país, um paralelo entre as colonizações portuguesa e espanhola de um lado, e a inglesa do outro. Qual foi a mais bem sucedida? A inglesa, porque levou para seus novos territórios a sua filosofia de vida como a liberdade, democracia, livre empreendimento, trabalho, respeito às leis, e os colonos viam na riqueza um bem ao olhos de Deus e não um pecado na visão medieval da inquisição. Imaginemos o território brasileiro se tivesse sido colonizado pelo Japão. Que potência não seria! Na mesma linha, os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, seriam hoje da mesma forma se tivessem sido colonizados por espanhóis e portugueses? Evidentemente que não, porque lhes faltavam as boas instituições.
Com inconcebível atraso no tempo, o Brasil começa agora a despontar no cenário internacional como potência econômica. Diríamos até que é uma promoção por antiguidade do que pelo mérito de suas instituições. A globalização da economia, aliada aos nossos enormes recursos naturais, têm tudo a ver com o milagre, um novo dínamo para impulsionar a economia mundial. Nesse sentido, continuaremos a crescer, mas não impedidos, infelizmente, de assistir as saturadas novelas protagonizadas pela velha corrupção. E enquanto não somos um país sério, se é que um dia o seremos, vamos nos contentar apenas espinafrar e maldizer a corrupção. Continuaremos a adotar a lei do Gerson, tirar vantagem em tudo como a eterna instituição nacional. Permaneceremos como os teóricos dos discursos floridos e atitudes corrompidas.
Enfim, enquanto não nos conscientizamos de que não devemos nos apropriar do alheio ou roubar por temor à lei, mas por uma convicção íntima da consciência que nos dita a não fazer, continuaremos a dar manchete à honestidade como uma raridade, enquanto no Japão ela continuará na placidez de uma velha virtude espontânea e corriqueira.
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Aloísio Vilela de Vasconcelos
Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Viçosa. Sexta-feira. Dezessete de junho. A mais escura e, espiritualmente, negra das horas da noite havia passado. Eu me preparava para tirar uma madorna no meu modesto refúgio quando o silêncio é quebrado pela voz em canto, cansada e suplicante, de um ébrio solitário que estava na Praça Apolinário Rebelo. Sai do quarto e fui até a área ver o que acontecia. Ao longe, vislumbrei alguém em pé na calçada que, desordenadamente, alternava versos de violenta revolta com soluços de pranto em tom de gravíssima dor.
A cena me comoveu a tal ponto que fiquei olhando, por mais de uma hora, os tombos causado pela embriaguez do solitário seresteiro e escutando o que, repetidamente, sem violão ou outro qualquer instrumento musical, a chorar cantava.
Por que aquele homem estava ali, totalmente embriagado, naquela madrugada fria, chorando e cantando desesperadamente?
Ali estava, qual náufrago que não deseja se afogar, a espera de quem lhe estendesse a mão e o salvasse para que, também, pudesse salvar. Ali estava, qual menino doente e com fome, a aguardar a cura e o alimento. Ali estava, qual desabrigado e indigente, pois há muito que a cheia levou sua casa, e apesar das promessas, ele e sua família ainda moram num desprezível abrigo ou infame barraco de lona e vivem na mais absoluta miséria. Ali estava, qual cortador de cana, a sonhar com a chegada do doce vento de uma sociedade mais igualitária. Ali estava, qual cordeiro preso no redil, impaciente por não ter encontrado o pastor que lhe mostre o caminho da libertação e não o do holocausto.
Portanto, não achei estranho que utilizasse a linguagem da dor e da angústia e pedisse como presente a morte: ela, com certeza, o aliviaria da vergonha e do sentimento de fracasso, pois ele não tem mais nada, a não ser as drogas que o consome e o faz escravo dos outros e dele mesmo.
Para que dizer que está vivo se não sabe o que é viver e nunca conheceu a felicidade? Se só sabe quão amargo é o gosto da tristeza e do sofrimento? Se o presente que mais deseja é um abraço para o além? Se todo dia clama a um Deus misericordioso e seus lamentos não são ouvidos?
SENHOR DEUS, não deixe os ébrios tristes e solitários que cantam e soluçam nas madrugadas frias e incineram o chão com lágrimas de fogo tão sós e desesperados. Para libertar todos os teus filhos, injustiçados e escravizados, manda desta vez um messias de comportamento guerreiro e que tenha como objetivo a revolução através de golpes de baionetas, pois só com essa nova fé renascerá a esperança em outras estradas a serem trilhadas.
postado em 18/09/2011 11:47Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Públio José
Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida
Na vida do apóstolo Pedro inúmeras passagens relatam sua rica convivência com Jesus. Entretanto, uma das mais significativas diz respeito ao início da caminhada do apóstolo com Jesus. Jesus chegara à praia e estava sem condição de falar à multidão porque “esta o apertava”. Olhando de um lado para outro, Ele divisou o barco de Pedro, naquelas circunstâncias a tribuna ideal, o púlpito perfeito. O texto bíblico não relata, mas Jesus deve ter pedido licença, permissão a Pedro para utilizar o seu barco como palanque. Naquele momento o espaço que pertencia a Pedro – o seu barco – era um elemento importantíssimo para o discurso que Jesus pretendia proferir. Pedro era tido como uma figura explosiva, sanguínea, e era de se esperar, pelo seu agir natural, que ele negasse a Jesus o seu espaço. Além do mais porque acabara de chegar de uma pescaria – pescaria, por sinal, totalmente infrutífera.
A lógica, portanto, indicaria uma recusa total de Pedro às pretensões do Mestre. A história nos informa que o futuro apóstolo estava passando por momentos empresariais dificílimos. Pedro devia impostos a Roma e o faturamento advindo da pesca, naquele tempo ainda feita em condições extremamente precárias, não vinha correspondendo às suas expectativas. Entretanto, Pedro acedeu. Abriu seu espaço físico para a pregação da palavra de Jesus. Este foi um momento importante, demarcatório na sua vida. No primeiro contato com Jesus ele aceitou interagir, colaborar. A narração está contida na Bíblia, em Lucas 5, do versículo 1 ao 13. Mas, o mais importante não foi somente Pedro emprestar seu barco a Jesus – foi também abrir coração e mente para o conteúdo do que Jesus falava e, conseqüentemente, aceitar, na sua lógica, a essência do discurso proferido.
Depois de ouvir a Jesus pela primeira vez Pedro nunca mais foi o mesmo. De início foi testemunha e alvo principal de um milagre promovido pelo Mestre. Após emitir a sua fala, Jesus – sabedor das extremas dificuldades empresariais que ele enfrentava – se volta para Pedro e lhe ordena que se faça ao largo e lance as redes ao mar. Ainda impactado pelo discurso que ouvira minutos atrás, Pedro faz uma declaração de fé ao afirmar: “Mestre, havendo trabalhado toda à noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes”. O resultado é por demais conhecido. As redes ao serem trazidas à tona estavam abarrotadas de peixe, e, de tão pesadas, quase que se romperam, necessitando da ajuda de outros pescadores que estavam próximos. Foi um caso típico de superprodução inesperada.... Pedro, assim, sentiu na própria pele o resultado da abertura de seus espaços para Jesus.
Em nossas vidas nós também temos nossos espaços a administrar, a preencher. A questão é saber com que tipo de proposta, de discurso nossos espaços estão sendo preenchidos. A nossa residência é um espaço importantíssimo; nossa mente, a família, ambiente de trabalho, o ambiente social que habitamos – enfim, as áreas ao nosso redor que influenciamos, mas também os espaços, sob nossa responsabilidade, que sofrem influências externas, influências de outrem. Pedro poderia ter negado seu espaço a Jesus. E aí, o que teria acontecido? A pesca tão frutífera, que quase afunda o barco e quase rasga as redes, teria ocorrido? Certamente o Evangelho de Jesus teria de ter uma outra redação, um outro desfecho. Pedro cedeu seu espaço físico e mental para Jesus. É hora, então, de se perguntar: com que tipo de conteúdo nós estamos preenchendo nossos espaços físicos, mentais e espirituais?
Em certos ambientes só se fala em dinheiro; em outros é a ascensão social, política e empresarial que ocupa todos os momentos. Para certas pessoas o importante é curtir futilidades, superficialidades. Um grupo, extremamente numeroso, é integrado por gente que não pensa em outra coisa que não tenha um forte peso material. E a salvação? Poucos se preocupam em buscar uma explicação para esse fenômeno espiritual que irá marcar nossas vidas para a eternidade. Para a grande maioria o imediatismo é que importa, com a vantagem correspondente. Outros estão ocupando seus espaços com crimes, mortes, seqüestros, corrução. Para alguns o se prostituir é a atividade ideal, compensadora. Pedro destinou todos os seus espaços a Jesus. Deu-se bem, fez história. Resta saber, a essas alturas, se é positiva ou não a destinação que estamos dando aos nossos espaços. Não já está na hora de refletir?
postado em 14/09/2011 12:18Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Jean Lenzi
Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural
Ao acompanhar a parada militar do 7 de Setembro e tantas outras existentes à parte os calendários festivos, ocorreu-me que nós penedenses, em especial, carregamos no sangue um instinto “mordaz” – somos velhos! Nascemos junto com o Brasil. E isso tende a ser algo paradoxal, não somente por ser o nosso Brasil um “jovem”, mas principalmente por ser o meu Penedo um “velho”. Digo que desde muito cedo fui dado às oportunidades várias de conhecimento, boas ou ruins, grandes ou úteis, e muitas destas busquei aqui mesmo nesta terra sem palmeiras e onde o sabiá já se cansa de cantar.
“Culturando” velhas máximas, nos deparamos com uma velha idéia despropositadamente renovada - A Parada Militar do 7 de Setembro e a Parada do Orgulho Gay ; enquanto uma é tradição, a outra é invenção buscando ser tradicional. Uma semana de tradição será uma semana tradicional se a entendermos pelo sentido restrito da palavra que pode até ser ambígua, mas é completa e “traz conservadoramente o respeito das gerações”. E se formos além e observarmos instintivamente o que se exibe nas paradas do 7 de Setembro e do Orgulho Gay, pouca diferença se encontrará, salvo a mensagem de civismo, ou muitas das vezes nem civismo, nem civilidade.
Do tradicional dia 7 de Setembro, recordo com alegria os tempos em que meus pais me levavam à casa de meus avôs no antigo “Beco do Hospital” para de lá avistarmos juntos as marchas cadenciadas dos soldados e estudantes que se apresentavam no desfie cívico do dia da Independência. Já que recordar é viver, e já imbuído desse sentimento nostálgico, reavivo com verdade toda beleza que pude presenciar numa época em que nossa paixão era unicamente a de Cristo, certos de que não havia ainda Barack Obama. E num átomo, eu me transportei das calçadas para as ruas; deixei de assistir para ser assistido exatamente no ano em que junto de minha irmã primogênita, completávamos os dobrados da Banda Marcial do Colégio Estadual do Penedo (CJSP). Era uma alegria distinta tanto para quem tocava como para quem assistia. Recordo ainda da vez em que fui gritado pelo “maestro” Luiz Egno, que enérgico me pedia a atenção. Esse dia eu jamais pude esquecer.
Lembrar dos fervorosos concursos de banda, e da competição que existia antes, durante e depois, onde se era terminantemente proibido comentar as pretensões musicais de uma banda para outra. Lembrar mais remotamente também do Maestro Egildo, é saber que os “memes” do Penedo já não são os mesmos. E ver quantos equívocos se comete em nome do “melhor” é um dos pontos mais turbulentos da minha memória. Lembrar da disputa que se abria entre os colégios para decidir qual seria o último a desfilar, isso por acreditar que sendo os últimos seriam os “maiorais”; lembrar de minha avó que da calçada, fitava os ricos figurinos das moças que se exibiam alegoricamente enquanto aguardava ansiosamente para avistar de longe seu neto que era o último a desfilar, e como sempre depois de todos vinham os maiorais, junto deles também vinha a exaustão, já companheira fiel tanto da avó quanto do neto. Isso seria o prazer do matuto, e isso ainda hoje é visto e aplaudido como tradição no Penedo.
Testemunhar o prazer de um pivete afoito tanto quanto suicida a desfilar sob sol escaldante fantasiado de Sabino Romariz, cujas mãos suportavam um cartaz que mostrava trechos do poema “O Lírio” – isso é prazer pra brasileiro. Porém, quando nos aproximamos do pivete, e lhe oferecemos um copo com água, e por curiosidade lhe perguntamos: quem é Sabino Romariz? E o pivete esperto e traquinas nos responde firmemente: -“sei não, foi a tia quem vestiu e mandou eu segurar”...resta-nos crer que isso não é prazer para penedense, mas de há muito vem se fortificando tradicionalmente no Penedo.
Triste concluir que o que temos visto nos desfiles das paradas militares do 7 de Setembro se confunde com as plumas e paetês das paradas gays. Ainda que o lastro seja o mesmo, em que pese uma ter gritado a independência para uma “maioria”, enquanto a outra quer gritar a independência de uma “minoria”, tudo isso que é muito, ainda é pouco para o que queremos.
postado em 11/09/2011 11:33Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
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