• artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Onde estão as ideias?

     

    Tornei-me um político ao longo do ano de 2002 quando coordenei, aqui no estado, a campanha do candidato a presidente Anthony Garotinho. Antes, tinha com a atividade política uma ligação meramente profissional. Como profissional de marketing, tomara parte em várias campanhas eleitorais, elaborando trabalhos para candidatos a prefeito, deputado estadual, federal, senador, governador... Enfim, todos os níveis da disputa eleitoral. Como coordenador da campanha presidencial de Garotinho restringi meu trabalho à área urbana de Natal em virtude da falta de recursos para me deslocar pelo interior. Já em 2004, tendo em vista os excelentes resultados que o trabalho de coordenação em 2002 apresentara, vários companheiros acharam por bem lançar minha candidatura a prefeito de Natal, lamentavelmente destruída por uma aliança que, cheios de esperança, imaginávamos seria benéfica.

    Para alavancar a candidatura fizemos contato direto com o eleitor. Foram centenas de reuniões, encontros de bairros, participação até em atividades festivas, tudo com o objetivo de estabelecer um relacionamento estreito com o eleitor, além de ouvir seus desejos, sonhos, frustrações. Foi um período muito rico. Experiências novas, modificação de conceitos, conhecimento de novas realidades e o estabelecimento de um elo de esperança entre nós e as pessoas que nos recebiam. Porque? Pela valorização do debate de idéias. Nesses encontros, as lideranças de bairros, as donas-de-casa, até mesmo os jovens (injustamente acusados de alienados e desinteressados do processo político) apresentavam idéias, articulavam proposições, se abriam, enfim, para um debate sério, profícuo, inovador. Por esse processo, os problemas locais eram passados a limpo, deixando de existir espaço para o besteirol, para a conversa fiada.

    Durante o tempo em que esses encontros foram realizados, sempre priorizei o debate de idéias. A conseqüência, extremamente positiva, foi a formatação de um belíssimo programa de governo, por sinal bastante elogiado, e as condições de apresentá-lo, discuti-lo, debatê-lo. Tornei-me, assim, um político desejoso de manter acesa a chama da exposição construtiva de idéias, com o objetivo de enriquecer a discussão, de ocupar espaços nas mentes e nos corações das lideranças com propostas que apontassem soluções para as dores coletivas do povo. Entretanto, as dificuldades são inumeráveis para o político que quer se manter nesse diapasão, pois a quase totalidade das lideranças não está disposta a trilhar esse caminho. E o que se vê, com raras exceções, é tão somente a partidarização da atividade política, com o noticiário e as agendas entupidas com especulações as mais variadas possíveis.

    Tudo gira em torno do novo partido de fulano, da nova filiação de beltrano, da candidatura de fulano a isso ou àquilo, quem vai trair quem, quem vai largar quem no meio do caminho, quem vai ser passado para trás. O político celebrado passa a ser, então, o que sabe enrolar mais, dissimular mais, trair mais. Sabido, matreiro, experiente não é aquele que levanta e defende uma bandeira, uma causa. Sabido e matreiro é aquele que sabe indicar o maior número de afilhados para cargos comissionados, é aquele que vence o adversário com estocadas próximas da marginalidade, que pratica a maior taxa de fisiologismo, que tem um discurso cujo conteúdo ninguém sabe qual é. Que, enfim, não se compromete com nada, muito antes pelo contrário. Ideologia não existe mais, virou palavra fora de moda. Eu, contudo, não penso assim. E por pensar assim, continuarei a luta pela exposição das minhas idéias.

    postado em 28/03/2012 18:49

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Antônio Nélson de Azevedo
    É advogado e Presidiu a OAB - subsecção Penedo


     

    'Mandato' e 'Mandado' não é a mesma coisa

     

    Na linguagem judicial os termos mandado e mandato mesmo aparentando ser a mesma coisa, não é. No processo judicial o mandado é uma ordem judicial onde o Juiz presidente de uma determinada vara ou comarca determina através de um mandado Judicial a intimação ou a citação de uma das partes para integrar uma relação processual ou determinar o necessário procedimento para a efetiva continuação da tramitação de uma ação.
    No mundo jurídico o mandado faz parte dos atos legalmente previstos na condução processual e é uma prerrogativa daqueles que têm a competência constitucional para tal.

    Assim sendo o mandado de intimação, o mandado de citação, mandado de penhora, mandado de despejo, mandado de reintegração ou de emissão de posse além de outros, se materializam por determinação de magistrados e por ações diretas de seus auxiliares.
    Para cumprimento de um mandado o encarregado do cumprimento da referida ordem deve proceder de forma discreta e pacífica sempre objetivando tornar o seu ato o menos traumático possível, para não expor nenhuma das partes a exposição pública, lhe causado qualquer constrangimento. Porém, é bom ficar bem claro que a ordem deve ser cumprida, mesmo que para tal cumprimento e em último caso seja usado o poder da força do cargo, que pode chegar a requisição da ajuda da policia, estadual ou federal, conforme o caso.

    Quanto ao mandato temos a comentar que se trata de uma das formas de representação e que no mundo jurídico tal representação se concretiza com uma autorização escrita que uma pessoa jurídica ou física passa para um advogado, para em nome do outorgante defender os seus interesses. Estamos falando de um instrumento jurídico chamado PROCURAÇÃO.
    Um mandato ou simplesmente procuração permite o procurador praticar em nome do outorgante todos os atos explícitos no referido documento, inclusive casar por procuração, nestes casos, somente e tão somente o procurador limita-se a participar da cerimônia conjugal. O mandato ainda pode ser público (aqueles que são lavrados em cartórios) e particulares aqueles que são lavrados em escritórios jurídicos ou não.

    Entre as muitas formas de representação também podemos lembrar e não poderíamos esquecer a forma contemplada na relação jurídica/política adotada pela nossa Carta Fundamental, quando tratamos do regime democrático utilizado para a escolha dos nossos representantes, nos mais diversos níveis, podendo citar vereadores, prefeitos, governadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores e presidentes.

    Quando escolhemos os nossos representantes através do voto estamos passando uma procuração para que aquela pessoa ou aquelas pessoas que julgamos e acreditamos que possam melhor defender os nossos interesses e melhor representar as nossas vontades, pelo menos é esse o propósito. Assim, outorgantes/eleitores alertar nunca é demais que antes de passar a procuração coletiva (já que se trata da vontade da maioria) procure conhecer a história dos pretendentes aos cargos públicos que se apresentam para cada momento, se responde a algum processo judicial por improbidade administrativa ( Lei da ficha limpa – em voga para as eleições de outubro deste ano ), se está ou se já foi preso e se você seria capaz de entregar a chave da casa para um desses postulantes, o que seria o mínimo já que coisas mais importantes você já teria entregue (se escolher mau), nesse caso comprometendo o seu futuro, o futuro dos seus filho, da sua cidade, do seu país.

    Agora sabendo que existe uma grande diferença entre mandado e mandato é bom ter mandatários competentes, compromissados, honestos, responsáveis (que não perdem prazos nem oportunidades de fazer o melhor para seu povo – seus outorgantes e assim fazer valer a sua real qualidade de legítimos representantes), para mais tarde não amargurar o dissabor de ter escolhido um despreparado, um descompromissado, um incompetente, um desonesto e no final de tudo chegar a conclusão de ter escolhido um ditador (aquele não respeita nada nem ninguém) e suas ordens são sempre espelhadas no seu despreparo. Olho fixo em outubro de 2012.

    postado em 26/03/2012 08:08

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Ronaldo Lopes
    Engenheiro Civil, Ex-Secretário de Estado e Ex-Diretor Presidente do DER-AL


     

    Gás: Penedo saiu na frente mas pode perder a corrida para Arapiraca

     

    Reprodução

    Primeira página do documento protocolizado no IBAMA, que pode ser visto completo ao fim do texto

    A notícia veiculada no último final de semana nos meios de comunicação do estado sobre a construção de um gasoduto entre Penedo e Arapiraca, a partir da utilização do CITY-GATE instalado no município ribeirinho no ano de 2009, leva-nos a uma reflexão sobre os caminhos do tão sonhado desenvolvimento de Penedo.

    A manchete: “Gasoduto entre Penedo e Arapiraca será entregue em 2013”, nos remete às ações que foram desenvolvidas a partir do ano de 2004, no sentido de propiciar condições privilegiadas para a atração de empreendimentos que, traídos pela inércia dos governantes, viram as costas para a nossa cidade.

    Para iniciar a construção do gasoduto Carmópolis-Pilar, a Petrobras, dona do empreendimento precisava conseguir junto ao IBAMA, sua licença ambiental. Na análise da licença pelo IBAMA estavam previstas audiências públicas em municípios de Alagoas e Sergipe por onde passaria o gasoduto, dentre eles Penedo.

    À época, ano de 2004, assumia o mandato de deputado estadual na Casa Tavares Bastos, e tão logo tomei conhecimento dessas audiências, procurei o presidente da ALGÁS, Gerson Fonseca, companheiros que fomos na mesma turma de Engenharia Civil, para que ele informasse os reais perigos para os moradores do povoado Itaporanga, o mais próximo do gasoduto, bem como qual a possibilidade de Penedo usufruir daquele desenvolvimento tão anunciado na propaganda do gasoduto. Ali ouvi pela primeira vez a palavra CITY GATE (ou ponto de entrega) e me foi explicado que eram equipamentos que modificavam a pressão do gás transportado no gasoduto por grandes distancias, para a pressão de distribuição aos consumidores. Ele representava também a mudança de custódia, quer dizer, após sair do CITY GATE, a distribuição já seria da ALGÁS, concessionária para Alagoas e não mais da Petrobras.

    Empolgado com a possibilidade de Penedo criar um diferencial para atração de indústrias, estando entre as poucas cidades que poderiam oferecer o gás como matriz energética, procurei as autoridades locais, bem como as lideranças da sociedade civil organizada, obtendo apoio total à reivindicação do CITY GATE. Ficou definido ainda por estas lideranças que eu seria o porta-voz da solicitação à Petrobras, na audiência pública do IBAMA.
    Apesar do nosso apelo e dos penedenses que compareceram ao histórico Teatro Sete de Setembro, os representantes da Petrobras alegaram que o município não tinha demanda para o gás e a audiência não foi conclusiva.

    Dentro do prazo estabelecido por lei (cinco dias úteis após a audiência pública) protocolizamos no IBAMA um documento com a solicitação do CITY GATE, assinado por todas as autoridades e representantes de entidades que estiveram no Teatro, numa demonstração de que o povo de Penedo estava unido em torno daquela solicitação.

    Apesar de Penedo não possuir demanda imediata para o aproveitamento do gás, a reivindicação se embasava no potencial da região, principalmente na possibilidade de implantação de um polo cerâmico baseado em estudos realizados pela CPRM-Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais, quando tinha como presidente o penedense Humberto Ferreira Costa.

    Algum tempo depois, o IBAMA marcou outra audiência pública, onde anunciou que a Petrobras havia acatado a reivindicação dos penedenses e a instalação do CITY GATE seria uma condicionante da licença ambiental.

    Após a conclusão do CITY GATE, em 2009, o gás foi ligado pela ALGAS ao posto Grande Rio para abastecimento com gás veicular.

    Nesse período, nenhuma outra ação foi feita pela Prefeitura ou pelo Governo do Estado no sentido de gerar desenvolvimento com a utilização do gás.

    Não foi criado um distrito industrial, não foram feitos os estudos complementares da argila, solicitados por empresários do setor de cerâmica interessados em vir para Penedo, nem mesmo no portfólio apresentado pelo Estado a investidores nosso município aparece como opção com a utilização do gás.

    Agora, todo esse esforço e conquista do povo penedense podem ter sido em vão, em função da notícia divulgada pelo governo de Alagoas, onde coloca inclusive, que o gasoduto vai levar desenvolvimento às regiões do Baixo São Francisco e do Agreste.

    Como levar desenvolvimento ao Baixo São Francisco se o gás está aqui e até hoje nada foi feito para utilizá-lo no crescimento desta região?

    Nenhum investimento foi feito para viabilizar a utilização do gás em Penedo, e agora o Governo do Estado, através da ALGÁS vai investir R$ 24.000.000,00 para levar o gás para Arapiraca, “onde há potencial para atração de investimentos”, como destaca o secretário Luis Otávio na matéria, ou seja, para oferecer em Arapiraca o que já existe em Penedo.

    A decisão política do governo Teotonio Vilela de ligar o ponto de entrega (CITY GATE) do gás de Penedo a Arapiraca, antes de executar qualquer ação para seu aproveitamento em nossa cidade, demonstra a total falta de compromisso deste governo e de “penedenses” que integram seu alto escalão, com o povo desta região.

    Nada contra Arapiraca, afinal, aquele município é administrado por gestores preocupados com o seu desenvolvimento e estão empenhados no cumprimento de seu dever para com os arapiraquenses, ou seja, honrar os compromissos que um mandato impõe, mas este gás é nosso, é de Penedo, é dos penedenses e não podemos cruzar os braços, depois de tanta luta, batendo em retirada, conformados e cabisbaixos diante de tanto descaso.

     

    Clique aqui para ler o documento protocolizado no IBAMA


     

    postado em 19/03/2012 13:39

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    Impor limites: Obrigação dos Pais

     

    Arquivo - aquiacontece.com.br

    Foto feita em agosto de 2011 em Penedo

    Os pais têm vivido, atualmente, um verdadeiro dilema quanto a melhor forma de educar os seus filhos em razão do avanço da tecnologia que a cada dia fica mais próxima, acessível e atraente. Os vídeos games, os celulares e as lan houses que se encontram em cada esquina têm atraído milhares de crianças e adolescentes para jogos violentos onde a destruição do outro é o objetivo maior. Sempre vence o mais violento, o que possui armas mais sofisticadas.

    Como nessas casas de diversão não existe censura, o acesso a tais programas é livre dependendo apenas da escolha do usuário. Alguns adolescentes são tão viciados ao ponto de permanecerem várias horas à frente de uma tela se expondo aos seus efeitos nocivos esquecendo-se de suas obrigações escolares e familiares além do risco de se tornarem presas fáceis dos traficantes que tem marcado suas presenças, também, nesses locais.

    Desde os primeiros anos de vida já é possível perceber o desejo de liberdade desta geração. Criança de tenra idade se impõe na conquista de seus interesses e, para isso, se querem um brinquedo, por exemplo, se jogam no chão e expõem seus pais ao ridículo nos supermercados, nos shoppings e na frente de estranhos. Quando atingem a adolescência o relacionamento se agrava ainda mais e, alguns, tão logo se tornam independentes, decidem morar sozinhos como que não fizessem parte de uma família.

    Por conta desse comportamento os laços familiares tão necessários ao desenvolvimento mental, intelectual, social e humano estão ficando mais tênues contribuindo para que a família, aos poucos, venha perdendo a sua importância e se transformando em entidades familiares com as mais diversas formações.

    O pátrio poder, atualmente denominado poder familiar, vem se enfraquecendo cada vez mais. Muitos pais alegam que não têm condições de por limites a seus filhos, mesmo àqueles de pouca idade, numa demonstração de que perderam a autoridade paterna e materna.

    Aos pais incumbe o dever de sustentar, guardar e educar os filhos preparando-os para a vida de acordo com suas possibilidades. O exercício do poder familiar compete a ambos os cônjuges e, nessa competência a lei lhes confere o direito de exigir dos filhos obediência, respeito e que preste os serviços próprios de sua idade e condição.

    O civilista Washington de Barros Monteiro, ao tratar do pátrio poder (atual poder familiar) afirmara: “É inegável que aos pais assiste o direito de lançar mão de meios coercitivos adequados, desde que moderados, para a realização de seu apostolado. Outrora, o pátrio poder representava uma tirania, a tirania do pai sobre o filho; hoje, é uma servidão do pai para tutelar o filho”.

    É de responsabilidade do pai e da mãe a imposição de limites a seus filhos como forma de evitar que, sem regramento, se tornem violadores das leis e sujeitos nocivos à sociedade.

    A falta de limites concorre para que, com o excesso de liberdade, a criança e o adolescente fiquem sem rumo, sem uma identidade e não encontrem, sozinhos, os caminhos do sucesso profissional, meta almejada por todos.

    Os noticiários têm mostrado atitudes extremas de pais que perderam os limites para com seus filhos. Uns denunciam seu próprio filho por crime que cometeu temendo que, por vingança, seja assassinado, preferindo vê-lo no cárcere do que morto. Outros os acorrentam para que não voltem ao convívio de usuários de drogas onde os traficantes impõem suas próprias leis.

    Ponham limites em seus filhos enquanto é cedo para que eles não se tornem violadores das leis por não ter aprendido, no lar, as regras básicas de convivência, respeito e autoridade. Busque ajuda, quando necessitar para que , no futuro, não os culpe e não venham se arrepender pela sua própria omissão.

    “Ensina a teu filho, os caminhos em que deve andar e mesmo estando velho não se desviará dele. Prov. 22.6.” E não deixe que nenhuma outra autoridade usurpe para si, o direito de puni-los, por teres fracassado em sua missão de pai e de mãe.
     

    postado em 14/03/2012 15:03

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    O Silêncio de Adão

     

    O silêncio é uma atitude estranha. Na maioria das vezes, apresenta-se como demonstração de humildade, de submissão, de renúncia. Em outras, deixa transparecer o verniz da covardia, da omissão. Mas não deixa de ser um comportamento contraditório, polêmico até. Jesus, por exemplo, deu conotações edificantes ao silêncio. Utilizando-se dele, deixou Pilatos maravilhado e seus acusadores totalmente desnorteados, sem terem o que dizer. Calado, ele eternizou um momento em que o esperado, de sua parte, era que falasse, argumentasse, se defendesse das acusações injustas que lhe imputavam. Do episódio saiu engrandecido. O seu silêncio rasga os séculos até os dias de hoje como elemento de sabedoria, de renúncia, de negação de si mesmo. Já outros personagens... Estes, pelo silêncio, fugiram do desconforto de falar e deram péssimo testemunho com essa atitude.

    Um livro de um escritor cristão trata do assunto de forma interessante. Com o título “O Silêncio de Adão”, ele trata da paralisia cerebral e da inércia comportamental que acomete a grande maioria dos homens nos cruciais momentos de decisão. E constata que duas atitudes se destacam no universo masculino. A primeira delas é o silêncio simplesmente. Covarde, omisso, pegajoso – e, o que é pior, contagiante. Acontece na ocasião em que se faz necessária a prática do falar em defesa de uma causa, em defesa de alguém e – para não se prejudicar – o homem foge, se cala, se omite. A segunda atitude se traduz na incorporação, pelo homem, da figura do machão, que, não tendo o que falar, não tendo destreza mental para argumentar, opta pelo clássico gesto de usar da violência, de esmurrar a mesa. Em ambas as situações ele dá adeus ao diálogo e fecha a porta ao desabrochar de uma nova realidade.

    Com este enfoque, “O Silêncio de Adão” trata, enfim, da inclinação histórica que o homem vem apresentando através dos tempos para fugir de suas responsabilidades. O primeiro grande exemplo que o livro apresenta é o de Adão. Sim, o Adão da Bíblia, o primeiro homem. Pela narrativa bíblica, Deus fez de Adão o detentor de todo o plano divino para a humanidade. Só exigiu que Adão e Eva, ela criada posteriormente, não comessem da árvore do bem e do mal. A exigência foi feita especificamente a Adão. Certamente já sabendo disso, a serpente procura Eva para tentá-la na desobediência a Deus, convencendo-a a comer do fruto da árvore. O interessante é que Adão estava presente ao episódio e em nenhum momento se pronunciou contrário ao assédio da serpente a Eva. Fez pior. Além de se omitir, de se calar, concordou com a mulher e comeu do fruto da árvore proibida.

    Porque Adão de calou? Porque não esbravejou contra a invasão da serpente ao território mental de Eva, terreno que, pelas instruções claras de Deus, teria que preservar? Ao que tudo indica, Adão se curvou ao auditório constituído tão somente de duas pessoas, ao invés de argumentar com as instruções das quais era possuidor. Também através de outro exemplo bíblico, o livro mostra um homem que se utilizou da truculência para resolver uma situação que tinha tudo para ser equacionada pelo diálogo. Trata-se de Caim, o assassino de Abel. Na narrativa bíblica consta apenas um convite de Caim a Abel para irem, juntos, ao campo. Lá, o ele matou o irmão sem dar nenhuma chance ao diálogo. Foi a típica atitude de quem, não tendo disposição para se utilizar da fala, preferiu dar “um murro na mesa” para deixar bem claro que o mais forte fisicamente tinha o controle da situação. Será?

    Esse comportamento também pode ser facilmente observado nos dias de hoje. No casamento, então, nem se fala. Quantos lares desfeitos, destruídos pela fuga, pela covardia, pela indisposição de falar, de dialogar, de enfrentar, da parte do homem, situações de conflito. Pelo exemplo de Adão, nessas ocasiões, só resta, ao universo masculino, duas soluções: ou se cala, se omite e vai embora, consumando a separação, ou dá um murro na mesa e vence a situação pela truculência, pela violência, pela lei do mais forte. E vence? Será vitorioso um homem que só sabe resolver suas questões pela violência, pela força? Essa, lamentavelmente, é a herança que o primeiro homem nos deixou. Como antídoto, temos a herança que o segundo homem nos legou, Jesus. Este sim, o Adão perfeito. Que tal conhecê-lo, para passar a praticar o silêncio que edifica e a fala que constrói?

    postado em 11/03/2012 06:42

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Aloísio Vilela de Vasconcelos
    Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL


     

    Água Doce e Terra Seca

     

    Depois de uma curta e conturbada viagem por parte dos sertões de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Bahia - interrompida devido aos demônios que causam minhas mazelas e maleitas – em busca do que um dia acharam e que eu não consegui encontrar, onde por um lado, vi oceanos de água doce e Everests de riqueza e, por outro, um mundaréu de terra seca e improdutiva, miséria, muita cruz de beira de estrada e bodes nas rodovias, regressei a Maceió e, com a devida urgência, fui para Viçosa na esperança de ser curado através das rezas fortes de minha sábia curandeira.

      Ao sair de sua casa fui para meu refúgio onde me quedei acamado. Sem conseguir dormir, resolvi misturar uma tuia de comprimidos com as antigas orações do livro de São Cipriano, Clavículas de Salomão e Cruz de Caravaca. O coquetel me fez melhorar um pouco, mas a quizanga que me botaram é tão forte que ainda continuo muito bardeado.

    Mesmo febril e impaciente, não me saía da cabeça como outro seria o Brasil se transformassem, através de irrigação e orientação técnica adequada, aquelas tórridas regiões num paraíso que contivesse milhares de propriedades agrícolas produtivas. Se assim o fizessem, o que é um dantesco espetáculo seria um gigantesco Jardim do Éden.

    Só com vontade política, trabalho sério e honesto é possível responder os desafios e construir uma sociedade mais igualitária, fraterna e solidária, capaz de criar oportunidades para todos e de dar conforto a quem mais necessita. Como isto poderá ocorrer se a imprensa nacional e internacional divulga, mas me recuso a acreditar, que este País, somente com o desvio de dinheiro público a nível municipal, estadual e federal, perde todos os anos bilhões e bilhões de dólares devido às inescrupulosas práticas das mais diversas maracutaias?

    Ora, sabemos que esta grana é, na “Terra Média”, dividida entre os luciferinos “Saurons”, os tele-guiados “Nazgûl” e os horripilantes “Orcs”, fato que nos leva, sem muito esforço, a descobrir que muito falta para o reino de “Mordor” ter um fim. 

    Fico a matutar o que um “Gandalf” não poderia fazer em prol dos mais necessitados com toda esta dinheirama!

    É lamentável, mas sem a ajuda dos “Anões”, “Elfos”, “Ents” e “hobbits” a escuridão na “Terra Média” se tornará tão densa que será possível apalpá-la, pois esqueceram que “A vida e a dignidade humana estão acima de qualquer outro valor”.
     

    postado em 07/03/2012 14:26

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Maria Núbia de Oliveira
    Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras


     

    O Planeta dos Macacos

     

    Assisti " O Planeta dos Macacos". Impressionante como eles subestimam os humanos.Dizem coisas horríveis a nosso respeito. O pior é que tem um fundo de verdade.
    Em uma cena, um senador macaco, já ancião, no leito de morte, chama a esposa, os filhos e o resto da macacada para dar os últimos conselhos. Lembra suas origens, as quais deverão permanecer indestrutíveis. Durante a conversa, o velho aristocrata macaco, diz que o humano é o ser mais violento, mais cruel e egoísta de todo o planeta. Pediu que tivessem cuidado, que não se aproximassem , pois são perigosos! São mágicos do mal. Basta um olhar e arrasta a presa!. Os humanos hipnotizam, dizia o macaco. Nós chamamos isso de paixão, não é?

    As macaquinhas, em volta da luxuosa cama do velho macaco, escutavam com atenção. Uma delas, expressou a sua admiração pelos humanos, dizendo que os acham bonitos e que gostaria de pertencer a essa raça. Não terminou de pronunciar a frase. A pobre macaquinha foi surrada pela macaca mãe, ficou de castigo. Sabe qual foi o castigo? Proibida de subir nos galhos da árvores e fazer cambalhotas, além de ficar sem o seu lanche predileto: comer bananas!

    Fiquei pensando: Por que será que o velho macaco nos acha maus, cruéis e egoístas? Pobres macacos... Sonharam superar o homem e esqueceram de um detalhe importantíssimo: SOMOS IMAGENS E SEMELHANÇAS DE DEUS! Infelizmente, não honramos essa herança.

    O homem seduz, faz armadilhas para destruir. O macaco protege sua comunidade. É fiel aos seus ancestrais. O homem dança com a companheira, piscando o olho para a outra que está à sua frente. O macaco dança de olhos fechados! Mas cá pra nós, aquela macaca deu um beijinho no artista. Não resistiu aos encantos do homem!. Não tem jeito, o homem é um eterno sedutor. Nem a macaca resistiu!

    Observando o filme, comparei os dois planetas e vi a diferença: a terra destruída, poluída, cheia de fumaça. E o planeta dos macacos? Senti vontade de ir pra lá. Quantas árvores, frutos e respeito à natureza. E como aquela macaquinha, encantada pela beleza do ser humano, senti vontade de morar naquele paraíso verde e bem tratado. Por que será que nunca estamos satisfeitos com o que temos? Vivemos numa eterna busca. Mas sabemos que o planeta dos homens é o mesmo dos macacos e de todos os seres vivos.

    No filme os macacos dominaram o homem, pesquisaram suas vidas, estudaram suas atitudes, humilharam suas origens. Mas esqueceram de outra coisa: o homem sabe nadar, flutuar por sobre as águas e eles têm pavor ao simples contato com a água. Enquanto o homem se libertava daquele fictício planeta, mergulhando nas águas profundas daquele mar, do outro lado, à margem, os macacos olhavam, admirados, impotentes, rendidos pela inteligência do homem. Esse homem que recebeu e Deus o maior presente: O planeta terra, recheado de frutos, flores, mares , rios e lagos!
     

    postado em 05/03/2012 07:48

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Fifi, a triste figura do Carnaval

     

    Curiosa observação e agradável passatempo, recheado de certa hilaridade, é assistir, a partir de um ponto privilegiado, ao desfile, na praia, da diversidade física de seus freqüentadores. É impressionante as diferenças e ficamos admirados como a natureza, na sua arte escultural repleta de imaginação, tentando identificar cada mulher e cada homem, segundo seus atributos físicos, os criam no grau máximo da sua fealdade e beleza. E assim age não por capricho ou deliberado propósito de parcialidade, mas por intrínseca necessidade das naturais contradições, vez que uma não existe sem a outra, se faltar-lhes o fator comparação.

    Há poucos dias atrás, estávamos no local habitual a preencher o ócio com esse divertido bisbilhotar quando, inesperadamente, com um terço na mão, um pequeno chapéu na cabeça, de bermuda, surge a presença da triste figura que passaremos a chamá-la de Fifi. Não seria impróprio rezar numa caminhada? Tanta reza assim, presumimos, talvez não fosse uma combinação de pedidos, dentre eles o de poder suportar o fardo da sua feiúra? É uma senhora na casa dos setenta anos de idade. Clara, estatura média, cabelos lisos e ligeiramente esbranquiçados, seu rosto de formato quadrado e rugas bem pronunciadas e olhos pequenos lembra uma chinesa.

    Se essa rápida descrição de um rosto fora dos padrões de beleza já não fosse suficiente para se lamentar uma natureza cruel, injusta e madrasta, a ele alia-se um corpo disforme para completar um ser portador de uma beleza capenga. Como descrevê-la? Vamos tentar. É magra. Os ombros, em razão da sua atividade braçal, são largos. A barriga, vilã da beleza feminina e também masculina, é bem comportada. Infelizmente, essa andorinha, que é única, não faz verão. Os quadris são estreitos. Desçamos mais. As coxas e pernas, de tão finas, dão-nos a impressão que são ossos cobertos de pele. O que dizer das nádegas, partes tão eróticas ao gosto dos homens? É preciso? Fiquemos por aqui.

    Sabemos que tudo na vida tem suas compensações. Para muitos, em seu lugar, a fuga do convívio social, levada pelo complexo de inferioridade, seria o normal meio de fuga. A nossa Fifi não parece compartilhar dessa reação. De passadas largas e ágeis ao caminhar, seu temperamento é extrovertido e bem alegre, o suficiente até para fazer troça de seus desencantos. É tão alegre e espontânea que não consegue ouvir uma música movimentada sem acompanhar o seu ritmo. Viúva, tendo perdido o marido que sucumbiu pelo vício do álcool, nunca dispensa uma cerveja ou qualquer bebida que lhe ofereçam numa ocasião festiva.

    No carnaval, é uma explosão de alegria a saracotear ao som do trio elétrico. É incrível! Seria a imitação de Zorba, o grego, que dançava para esquecer a perda de um ente querido? Será que Fifi se esbaldava, dançava adoidadamente para esconder o inconformismo de sua imagem ao espelho? Para não acreditar, no seu sentimento narcisista, na visão de seus olhos ao apreciar a nudez de seu corpo? Quem sabe!

    Vamos ao arremate. Foi exatamente em um carnaval na cidade vizinha de Neópolis que fato inédito, cômico e inacreditável aconteceu. Acontece que a nossa Fifi, apesar de se encontrar na casa dos setenta anos de idade, julga-se perfeitamente apta a usufruir os prazeres da carne. O problema é saber se existia alguém, numa combinação de bêbado e tarado, capaz de enfrentar um saco de ossos. Será que da sua viuvez, há uns dez anos atrás, ela encontrou algum ser em forma de homem que a fez despertar da hibernação sexual? Não é fácil, embora tudo possa acontecer.

    Pois bem, na companhia de uma amiga a respeito da qual desconhecemos seus atributos físicos, entrosaram conversa com dois marmanjos. Em circunstancia tal, o bar é o caminho natural para se descontrair e, levando-se em conta que carnaval vem de carne, é também o momento ideal para acertar suas exigências. Depois de beberem algumas garrafas de cerveja, era chegada a hora da verdade.

    O álcool predispõe para os prazeres mundanos em geral. Não apenas incita como é pouco seletivo nas suas preferências. Quanto à escolha de uma parceira, torna-se uma espécie de urubu do sexo. Deixaram o bar e saíram a procura de quartos para encontros amorosos. Cada casal para seu lado. O parceiro da Fifi, adentrando em seu quarto, rapidamente despiu-se e espojou-se na cama num gesto animalesco de quem quer o imediatismo do prazer, sem pensar nos afagos e requinte das carícias que precedem o verdadeiro amor civilizado. Ansioso, olhos esbugalhados para Fifi que também começava a despir-se, pensou estar chegando a hora do clímax. Não foi preciso que completasse a nudez. Abismado com o que via e de repente convertido na mais desgraçada imagem da frustração, ordena-lhe com toda irritação: Vista-se! Vista-se! Vista-se!

    Em momento de grande emoção o efeito do álcool parece dissipar-se. Semelhante fenômeno aconteceu com o companheiro da Fifi que, como se estivesse acordado de um pesadelo, rapidamente veste-se. Ignorando o cavalheirismo, não se despede e deixa o quarto. Fifi, em seu conformismo, limitou-se a um frio sorriso. Talvez até tenha concordado com a reação do fugitivo. Seu corpo era realmente uma calamidade, capaz de ser desfrutado tão-só por um super tarado após meses de jejum.

    Amargo destino da Fifi que cônscia da sua feiúra e tendo de com a mesma conviver, é obrigada a suportar de sabores e decepções. Azarado o felizardo fugitivo que o álcool não foi capaz de excitá-lo ao ponto de encarar o corpo fantasmagórico da Fifi, a nossa simpática figura num triste desfecho de carnaval.
     

    postado em 29/02/2012 16:10

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    Eleições Limpas - Agora é pra valer!

     

    A passos largos se aproxima o tempo para as eleições municipais e, desde já, os pretendentes aos cargos de Prefeito e Vereador montam suas estratégias ou artimanhas para conquistar o voto do eleitorado que, em sua esmagadora maioria, desconhece o seu inestimável valor para que a democracia se afirme de forma verdadeira e eficiente. Para muitos pretendentes o eleitor é visto apenas como dono de uma mercadoria barata e acessível que tem o poder de garantir-lhe o poder político por muitos anos.

    Alguém já disse que a eleição é a festa da democracia. Realmente a eleição deveria ser um processo natural de escolha dos representantes do povo, onde cada integrante da sociedade com capacidade para votar pudesse analisar o perfil de cada candidato e sufragar, livremente, o seu voto, em favor daquele que pudesse melhor representa-lo.

    Os eleitores deveriam saber que compete ao Prefeito a gerência, a administração dos recursos públicos e a sua correta aplicação, sempre visando o bem estar da comunidade que lhe confiou os destinos da administração municipal e que aos vereadores, na condição de representantes do povo, compete à fiscalização sistemática da aplicação desses recursos e ainda a apresentação de projetos de lei objetivando melhoria no âmbito do Município. É o vereador o verdadeiro representante do povo no âmbito municipal.

    Os vereadores devem ter a consciência do seu relevante papel no processo democrático. A eles o povo confiou a fiscalização da correta aplicação do dinheiro público arrecadado dos pesados impostos que são pagos por todos nós. Infelizmente como vem denunciando a mídia, muitos não vêm realizando esse mister de forma aceitável.

    O que vem se constatando ao longo desses anos de afirmação da democracia em nosso País é que muitos gestores públicos se utilizam do dinheiro público para uso próprio, enriquecendo às custas de um povo sofrido e desassistido sob os olhares de edis omissos e subservientes.

    Essa prática desumana e antidemocrática; essa corrupção; esse esquema criminoso está presente nos governos municipais, estaduais e federal como um câncer a devorar as aspirações do povo brasileiro.

    A Revista Veja, Edição de 26 de outubro de 2011 traz reportagem afirmando que, somente no último ano, foram surrupiados pelos corruptos, 85 bilhões de reais, de recursos federais valor este que segundo a própria revista, daria, por exemplo , para erradicar a miséria, construir 1,5 milhão de casas, custear 34 milhões de diárias de UTI nos melhores hospitais deste país.

    Se os nossos representantes fossem independentes e estivessem à serviço do povo brasileiro essa sangria do dinheiro público seria em menor escala. Entretanto a prática dessa imoralidade, dessa improbidade administrativa é partilhada por muitos desses representantes que, se revelando traidores do povo, como lobos vestidos de pele de cordeiro, além de não exercer o seu papel fiscalizador, se aliam aos gestores desonestos em troca de favores e de propinas.

    No governo da Presidente Dilma Russeff já caíram 8 ministros envolvidos com corrupção ou tráfico de influência. Outros nomes de ministros já começam a ocupar as manchetes dos jornais e noticiários.

    É por essa razão que o povo começa a indignar-se com grande parte dos políticos brasileiros, pois a mídia tem escancarado os bilhões que são desviados dos cofres públicos em benefício particulares enquanto, Municípios e Estados convivem com dívidas cujos pagamentos impossibilitam o avanço dos investimentos em infraestruturas e comprometem a efetividade de políticas públicas essenciais.

    É crescente o movimento popular que exige transparência no trato da coisa pública a fim de que o povo, que é o dono do verdadeiro poder, tome conhecimento dos valores arrecadados e de como estão sendo aplicados.

    O Ministro Carlos Ayres Britto, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, na eleição anterior, lançou a proposta de divulgação dos nomes dos candidatos que tem “fichas sujas” para que o eleitorado possa tomar conhecimento e escolha com mais consciência, o candidato que melhor possa atender aos seus anseios.

    Como se percebe há uma indignação de grande parcela do povo brasileiro e até mesmo das autoridades das mais altas cortes de justiça, com relação a certas atitudes de políticos que tem se locupletado do dinheiro público para angariar postos políticos em verdadeira afronta aos princípios morais tão escassos no meio político.

    Os candidatos à Prefeito e a Vereador, nessas eleições municipais, deveriam sonhar os sonhos do povo que sempre se preocupa em vê sua cidade crescer, ser valorizada e respeitada, onde a educação e a cultura tenham um destaque especial, pois são elas que elevam o valor de um povo no contexto de um mundo tão complexo e tão exigente, sem se descuidar da infraestrutura necessária para que o progresso aconteça.

    Finalmente a expectativa do povo brasileiro chegou ao fim.

    O Supremo Tribunal Federal julgou constitucional a Lei Complementar nº, 135/2010- Lei da Ficha Limpa que impede à candidatura de postulante a cargo político que tenha sido condenado por um colegiado por crimes diversos ou que tenha renunciado para fugir de punição, definindo também, que a mesma já vale para as eleições deste ano.

    Assim sendo serão alijados do processo eleitoral àqueles que não se enquadrem nos requisitos da lei e cuja prática política em períodos anteriores não os recomendem para ocuparem gestões públicas em razão de atos de improbidade administrativa lesiva aos cofres públicos e de atitudes violadoras do decoro parlamentar.

    Ressalte-se também que ter “ficha suja” não é somente aquele parlamentar que foi condenado por um colegiado ou que renunciou para fugir de punições como a perda do mandato. Ter ficha suja é também concluir um mandato sem nada ter feito por seu Estado, seu Município, por sua comunidade e por sua cidade.

    Tem “ficha suja” o vereador que assumiu o compromisso com o povo para fiscalizar a aplicação dos recursos públicos e pactuam com gestores desonestos e com o desvio desses recursos para finalidades espúrias. É submeter-se o vereador à vontade do gestor, numa condição de submissão e não de representante do povo. É aquele edil que não apresenta nenhum projeto em benefício da comunidade e que se comporta como uma catenga, abanando apenas a cabeça por ocasião das votações de propostas importantes.

    Ter “ficha suja” é exercer um cargo de Prefeito ou Vereador sem entender quais são suas atribuições e permanecer durante todo o mandato dependente da vontade dos outros.

    Tem “ficha suja” o político que não tem convicção política, fazendo do cargo um emprego sem nenhum compromisso com o povo que o elegeu.

    Tem também “ficha suja” o eleitor que vende o seu voto sem saber que está vendendo a possibilidade de ser realmente dono do poder político maculando a sua consciência e a sua dignidade, sem se aperceber que o mísero valor recebido pelo seu voto é uma ofensa diante da grandeza do seu poder.

    Há uma esperança em cada homem e em cada mulher deste país no sentido de que um dia haja transparência nas ações dos gestores públicos, dos governos estaduais, do governo federal, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores, sem que seja necessária a interferência da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário.

    Nos dias atuais, como bem disse o ministro Carlos Ayres Brito, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, “muitos tratam a eleição como um velório”. Isso se deve às sucessivas decepções do povo brasileiro com seus candidatos.

    Necessitamos voltar às raízes do processo eleitoral onde as pessoas, torciam por seus candidatos abertamente, sem medo de perseguição ou retaliação; onde aconteciam os comentários nas esquinas, nos bares, nas festas, à respeito dos candidatos que eram analisados de uma forma criteriosa e sem ofensas .

    Há urgência em entendermos, todos nós, candidatos e eleitores, que a eleição deve ser como uma festa da democracia, onde cada um, movido por suas análises pessoais aciona os botões das urnas eletrônicas, para que sua vontade seja concretizada.

    Sejamos, portanto parceiro fieis deste processo democrático para que , todos nós , homens e mulheres, sejamos livres, na mais límpida expressão da lei.


     

     

    postado em 27/02/2012 06:40

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Um Romano Convertido

     

    Convencionou-se designar de romano, do ponto de vista histórico, ao cidadão nascido em Roma. Na Roma dos Césares, bem entendido. E não apenas nascido, mas pertencente à casta dos nobres – perfeitamente entrosado, portanto, à cultura, hábitos e tradições da cidade. Ser um romano autêntico, na pura essência da palavra, era algo realmente honroso. Além do status que a nominação trazia a quem a ostentava, significava um estado de espírito. Um estado de espírito diferente dos demais mortais. Roma, além do poder político, militar, econômico, era uma potência nas artes, nas ciências, no direito, na filosofia, na oratória, só rivalizando na excelência de tal patrimônio com a cultura helênica, a dos gregos, outro potentado a espalhar pelo mundo a riqueza do seu saber, seus extraordinários conhecimentos de matemática, engenharia, aritmética, geometria, filosofia, medicina, arquitetura...

    Aliado a todo esse contexto, Roma ainda impunha ao mundo seu modo de guerrear, representado por uma máquina militar de causar inveja e derrotas a um número incontável de povos espalhados pelo mundo conhecido de então. Roma era disciplina, estratégia, tecnologia, logística, comandantes extremamente capacitados e soldados bem armados, treinados, alimentados e incentivados a vitórias sempre crescentes, tendo a esperá-los boa parte dos despojos de guerra. Era uma equação perfeita tanto para a casta, sempre a se beneficiar dos frutos desse domínio absoluto sobre outros povos, como para a soldadesca – também a prosperar por conta dessa política expansionista romana. Diante de quadro tão favorável, fica difícil imaginar na penetração de outra cultura que viesse quebrar, ou no mínimo, por em risco uma concepção tão arraigada de vida, de governo, de dominação sobre outros povos.

    Entretanto, como a sombra do sol que não agride, porém se impõe, o cristianismo foi se internando nos territórios romanos a partir da Judéia, da Palestina e regiões subjacentes – quebrando, paulatinamente, a espinha dorsal do crer, do viver, do pensar, do guerrear romano. Um dos maiores exemplos que a História nos aponta nesse sentido é a conversão de Publius Lentulus, uma das grandes personalidades de Roma àquele tempo. Segundo antigas narrações, Publius era senador no exato momento em que Jesus Cristo divulgava seu Evangelho, uma concepção intelectual, espiritual e existencial diametralmente oposta às convicções romanas. Diante da crescente crise entre a Coroa e o Senado – este, vendo-se sem informações confiáveis nem elementos para entender o fenômeno Cristo – decidiu enviar Publius a Palestina para investigar anonimamente aquele que se dizia Filho de Deus e a Luz do Mundo.

    Para um autêntico romano aquelas eram palavras ininteligíveis. Para Roma, a questão residia no poder de convencimento contido no discurso de Jesus, algo realmente preocupante para um governo que se alimentava do domínio exercido sobre outros povos. Publius assistiu ao Sermão do Monte (no qual Jesus realçou as bem-aventuranças do Reino de Deus) e nunca mais foi o mesmo. Sem saber, voltou a Roma meio romano, meio cristão. No relatório ao Senado, diz que Jesus falava de coisas muito sábias, mas não entendia, como romano, quando Jesus dizia que “todos os homens são iguais perante Deus”. Que Deus? O que Jesus pretendia com tais palavras, indagava para si mesmo e externava para seus pares. Realmente, para um romano, era difícil decifrar tal enigma. Racionalmente agia assim; porém, inconscientemente, o discurso de Jesus, diante da dominadora realidade romana, o incomodava.

    Na sequência dos fatos, total mudança de vida. Publius converteu-se e passou a defender o cristianismo, além de proteger e abrigar cristãos perseguidos. Mais: teve sua rotina doméstica radicalmente alterada pela conversão da esposa, Lívia. Ela, vivendo intensamente a essência da pregação cristã, libertou todos os escravos caseiros, principalmente a dama de companhia, a quem passou a tratar como irmã. Foi um escândalo! Pela dignidade e imagem popular, Publius não foi preso e sim a ex-escrava de sua mulher. Não contavam com a atitude de Lívia. Vendo a ex-escrava ser levada, afirmou que iria com ela. O capitão da guarda não teve outro jeito senão levá-la também. Lívia foi encarcerada e, posteriormente, sacrificada no Coliseu – aos leões. De Publius nunca mais se ouviu falar. Foi encoberto pela poeira da História, porém, com certeza, carregando no íntimo a palavra que, no monte, de Jesus recebera.

    postado em 10/02/2012 08:25

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Moézio Vasconcelos
    Advogado, professor, escritor e pesquisador


     

    Dimensão Religiosa do Homem

     

    Quando se fala da ESSÊNCIA DE DEUS, há um tema implicitamente colocado nessa unidade que é a Dimensão Religiosa do Homem.

    O homem não se pode liberar da religião porque ela é congênita em sua essência, os fatos religiosos se encontram em todos os povos. Essa religiosidade constante e universal está baseada na necessidade moral da Religião.

    As obrigações do homem para com Deus se originam do reconhecimento que o ser humano faz do domínio e do poder divino sobre seres e coisas.

    A consciência do nosso desamparo ontológico nos leva a buscar uma perfeição suprema que nos ofereça a desejada plenitude por cima das nossas possibilidades e da nossa radical impotência.

    Nossas limitações, nossas deficiências, nosso desamparo ontológico, em suma, não podem ser nosso fim. A natureza humana, diz Pascal, é nascida para o infinito e a verdade religiosa não é mais do que uma prolongação magnífica da verdade filosófica. Segundo Maurício Blondel, a Filosofia é a aspiração do infinito, impulso para a mais alta vida, a amizade como a sabedoria pelo sentimento mesmo da impotência humana para realizar o ideal, o sábio.

    Desta feita, o homem tem uma inclinação invencível para buscar o porquê, a última explicação das coisas e também uma consciência de si. O homem possui tendências para o absoluto de si. O ponto mais culminante de nossa vida é quando sentimos a presença de Deus. E a consciência de nossa responsabilidade, principalmente moral, leva-nos também a ligá-la ao ser perante o qual devemos ser responsáveis.

    Finalmente, todos esses aspectos nos levam para Deus, nos acompanham sempre e através desta confirmação está o próprio toque imediato de Deus em nossas almas. Todos os pensadores apresentam argumentos da Existência de Deus e compreenderam que Deus é um fato inegável diante do universo e do próprio homem, razão pela qual este autor acredita no ateu cristão e no cristão ateu, mas não acredita, por hipótese alguma, no ateu-ateu, aquele que não acredita no próprio ar que respira e que duvida de tudo e de todos.
    A propósito, o autor deste artigo deixa duas questões para reflexão não tão somente dos crédulos mas também dos que se dizem ateus, dos agnósticos, dos incrédulos:

    a) Quando se afirma que a felicidade consiste nas realizações de suas aspirações, tais aspirações abrangem:

    1. O problema de Deus na vida do homem ou a sua necessidade?

    2. Tais aspirações podem se reduzir as realizações afetivas do ser existente, desprezando o espírito em si mesmo?

    3. Essas aspirações se resumem aos bens materiais? Sim ou não. Por quê?

    b) A vida é propriamente antecipação, esse afã de querer ser essa antecipação no futuro, essa preocupação que faz com que o futuro seja ele, o germe do presente. Explicar:

    1. Que quer dizer antecipação?

    2. O desejo de querer ser implica numa felicidade plena? Sim ou Não. Por quê?

    3. A preocupação do futuro leva deliberadamente o homem a pensar na morte? Sim ou Não. Por quê?

    postado em 06/02/2012 08:12

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Números que assustam

     

    Natal hoje é uma cidade cujo porte já envolve números que impressionam. Alguns até assustam. Quando, por exemplo, falamos do número de analfabetos em Natal, da ordem de cem mil, muitas pessoas nem querem acreditar. Mas é a pura realidade. Pelas mesmas estatísticas, outra questão cruel se apresenta: Natal conta atualmente com um contingente superior a dez mil surdos. São pessoas aparentemente normais, que transitam naturalmente pela cidade, passam diante de você, e nem são percebidos. Pelos dados do IBGE a população brasileira é constituída de 1,3% de pessoas portadoras dessa deficiência. Trazendo tais números para Natal (1,3% de 800 mil habitantes) teremos, então, a dolorosa conclusão de que, da população natalense, em torno de dez mil pessoas, ou mais do que isso, são surdas. A existência desse número não é tanto a questão. O problema é se constatar que nada está sendo feito em seu benefício.

    Acreditamos até que esse percentual de 1,3% tenha abrangência universal, o que colocaria o Brasil, e Natal em particular, numa faixa perfeitamente normal de incidência do mal. O que queremos levantar aqui é a inexistência de uma política de inserção dessas pessoas na vida comunitária, no mercado de trabalho, tirando-as da situação de cidadãos de segunda classe para uma vida realmente digna. No plano familiar, se observarmos bem, não são encontradas as condições necessárias para o desenvolvimento social e profissional dessas pessoas. E se a comunidade e o poder público não oferecem essas condições, onde os surdos irão procurar e encontrar a saída para uma vida que lhes traga menos percalços e um patamar, pelo menos razoável, de realização pessoal? Ao governo cabe essa preocupação e a adoção de um planejamento sério, objetivo, eficaz em benefício desse segmento populacional.

    Por outro lado, com a tecnologia de hoje, não é tão difícil capacitar os surdos no sentido de uma atividade profissional adaptada às suas condições específicas. A questão é que o nosso surdo, além de analfabeto em seu próprio idioma, é incapacitado – pela sua própria condição social e pela inexistência de políticas públicas – para assumir compromissos e desafios que são perfeitamente normais às demais pessoas. Imaginemos, por exemplo, o acesso ao computador. Se, ainda hoje, trata-se de uma atividade complicada para grandes parcelas da população dita normal, quanto mais para quem mal consegue decifrar os sinais de trânsito! Enquanto isso, os surdos, muitos dos quais com índices de inteligência bastante altos, ou no mínimo com índices medianos, perambulam pela vida sem enxergar nenhum horizonte. E nem antevendo, da parte do poder público, nenhuma providência que lhes tire da condição de sub-raça.

    Pensamos de maneira diferente. Pensamos que é possível – e salutar para toda a sociedade – a transformação dos surdos de párias em agentes produtivos, pessoas que possam, juntamente com as demais, contribuir para o desenvolvimento e a manutenção de um estado de circulação de riqueza e de paz social. Para tanto, idealizamos a criação do “Centro de Atendimento e Convivência de Pessoas com Necessidades Especiais”, um complexo com avançada tecnologia, voltado para a alfabetização, capacitação profissional e socialização de surdos, mudos e até de pessoas com outros tipos de carências, tendo em vista não existir em Natal nenhuma estrutura destinada ao atendimento médico, psiquiátrico, didático, odontológico e social a essas pessoas. É mais uma contribuição, de nossa parte, ao enriquecimento do debate político. E a certeza de que o estado de bem estar social tão do desejo de todos, passa, obrigatoriamente, pela inclusão, ao sistema de geração de riquezas, dos segmentos carentes, desprotegidos e marginalizados. Você concorda?

    postado em 26/01/2012 09:55

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    O Julgamento Final: corruptos transformam-se em porcos.

     

    De memória curta, absurdos, sem pé nem cabeça, assim são os sonhos na sua grande maioria. Catão, aparentemente, é aquele tipo de pessoa que habitualmente apelidamos de normal. Toca a vida sem qualquer originalidade que o distinga do comum dos mortais em suas aspirações, niveladas que são pelo imprescindível a garantir-lhe uma digna sobrevivência com um pouco de conforto. Sobressai-se pela qualidade de caráter que o coloca no rol especial das pessoas honestas.

    Cultiva um hábito que o escraviza para se tornar o cidadão mais bem informado. Embora a leitura de revistas e jornais não ocorra com frequência, em compensação o noticiário televisivo, imperdível, está no topo de sua preferência.

    Existiam coisas no cenário nacional que a sua ingênua honestidade não consegue fazê-lo entender. Porque, pergunta-se com frequência, os três poderes que regem o Brasil são uma fonte perene de escândalos de corrupção? Será que não se pode descobrir um meio para estancá-la a um nível aceitável? No que diz respeito à corrupção no meio político, fato banal, já não o impressiona tanto. Por outro lado, o poder judiciário, uma caixa de surpresa, deixa-o muitas vezes insone por não conseguir convencer-se com a interpretação de alguns ministros do Supremo Tribunal quando apreciam temas polêmicos de repercussão nacional.

    Por que, por exemplo, o corrupto eleito não é impedido de ser empossado, independentemente do tempo do delito, exceção de prescrição? Ora, se o crime não está extinto, trata-se de um corrupto em potencial e, como tal, não está à altura de ser um representante do povo. O Congresso Nacional, já infestado de gatunos, fica obrigado, por uma míope decisão judicial, a receber mais emporcalhados que irão denegrir ainda mais a sua imagem. Como fica o interesse da sociedade?

    Sendo um pragmatista, acha que toda lei e sua interpretação quando divergente quanto à sua aplicabilidade no tempo, deve ir ao encontro do anseio do povo, relevando-se proibitivas formalidades constitucionais. Afinal de contas, está convencido, as leis existem para servir a sociedade e não o contrário. Que não se fale, com reverência, em respeito a Carta Magna porque tudo que é grande leva intrinsecamente o seu oposto, isto é, magnos erros e magnos acertos.

    Ainda na esfera do poder judiciário, na atualidade um acontecimento, chama-nos deveras a atenção. Trata-se da guerra, praticamente a sós, da Corregedora do Concelho Nacional de Justiça, Ministra Eliana Calmon, contra diversas associações de magistrados. A primeira frente de sua batalha diz respeito à competência do CNJ punir juízes, precedendo iniciativas dos tribunais de justiça, nem sempre eficientes na apuração de delitos, levados pelo espirito corporativista. Será que essa divergência justifica tamanha balburdia e inconformismo?

    A segunda refere-se a uma provável investigação da vida dos membros do judiciário. Vamos admitir, diz Catão, que seja verdadeira essa insinuação. E pergunta, se o juiz, desembargador ou ministro têm uma conduta ilibada, por que o medo da investigação? Somente o feijão podre irá bolar. Não estarão alguns sansões do judiciário com a consciência pesada? Lembrou-se, a proposito da guerra da ministra Eliana, do dramaturgo Ibsen que dizia que o homem mais forte que há no mundo é o que está mais só. Temos uma mulher no páreo dessa grandeza de ser forte.

    Catão encontrava-se sobrecarregado com notícias que eram apropriadas para o mundo da delinquência. Quase todos os dias pipocavam notícias sobre improbidade de autoridades públicas em algum lugar do país. O Congresso Nacional, chegou a conclusão, era um lugar inconveniente e perigoso para deputados e senadores xingaram-se mutuamente de ladrões, pedirem apuração de responsabilidades contra ministros, pois, autênticos rabos de palha, amanhã aparecerão no noticiário com os mesmos pecados.

    Em nome da brevidade, vou narrar com exatidão a terrível metamorfose acontecida em seu sonho.

    Aconteceu na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Era um mar de gente. No centro, não era bem um teatro de arena, parecia mais um curral, estava cheio de corruptos dos três poderes. Lembravam animais. Em suas fisionomias transpareciam o medo, o assombro e a inquietação, movendo-se de um lado para outro. Separava-os um estreito corredor formado por compridas mesas. Por trás da multidão havia um palco para apresentação das bandas de samba. O espetáculo tem início com o toque do hino nacional. Vibrantes aplausos. Em seguida, vêm os ritmos carnavalescos.

    O que mais lhe causou curiosidade e muito riso, é que todos os corruptos, impecavelmente bem vestidos como homens respeitáveis, tinham um corpo de porco e um rosto, da mesma forma, parecido com um focinho de porco. Os que faziam parte do judiciário, além da toga que vestiam, distinguindo-se dos demais, carregavam na cabeça o símbolo da justiça. Não bastasse o mau gosto desse enfeite que os ridicularizava, a efígie, despudoradamente, a todo momento tirava a venda, piscava, abria e fechava os olhos. Era a imagem da vadia de programa que faz tudo por dinheiro.

    De repente, a claridade da praça se reduz a uma penumbra. Do céu, envoltos num halo luminoso, descem dez julgadores, os anjos exterminadores. Segundo convencionaram, cada qual faria o julgamento de cinquenta corruptos, sorteados entre componentes dos três poderes. As sentenças, sem necessidade de enfadonhos relatórios, resumiam-se a fazer a leitura da vida pregressa de cada um, indicando dia, mês e ano de cada delito. Ao término de cada, os sentenciados iam ficando um ao lado do outro. Concluídos os trabalhos, os dez juízes, em uníssono, como nos filmes americanos, desejam solenemente: “que Deus tenha piedade de suas almas”. Imediatamente, como obedecendo a um controle remoto, os corpos entram num processo de autocombustão.

    A multidão, até então silenciosa, aos berros bate palma. Após alguns minutos, o ar estava empesteado pela fumaça e o cheiro de gordura, lembrando-lhe os fornos crematórios nazistas. Quando o toucinho estava crocante, no ponto pururuca, o fogo automaticamente se apagava. Os corpos eram postos sobre as mesas para serem trinchados. Diversas mulheres vestidas à baiana apareceram com bandejas contendo acompanhamento para o churrasco. O samba está a todo vapor. Muita cachaça e cerveja. O povo, canibalizado, estalava os beiços de satisfação.

    Convém lembrar que logo após a condenação dos corruptos, os juízes voltam para o céu e a uns cem metros de altura abrem uma faixa em letras garrafais com a seguinte mensagem: o bom Deus não quis que vocês, brasileiros, sofressem a ira da natureza, mas como nenhum país poderá ficar isento de algum castigo, deu-lhes generosas safras de ladrões. Arrependido da sua escolha, bem mais grave do que terremotos e furações, em seu nome breve voltaremos para completar a limpeza.

    Os que não foram julgados ficaram entregues aos cuidados de uma figura apavorante. Era alto, ombros largos, barba espessa num rosto quadrado e olhos vermelhos que revelavam toda a ira e maldade. Tratava-se de Caronte, o barqueiro do inferno, que os conduziu em direção a um túnel escuro que descia para as profundezas da terra. Ele sabia onde colocá-los, o degrau do inferno compatível com seus crimes.

    Nauseado, Catão acorda sobressaltado e aos engulhos pelo desagradável cheiro de gordura. Acalmou-se. No quarto, não havia cheiro de gordura. Então se deu conta do sonho que acabara de ter e pensou consigo mesmo: esse pesadelo até parece uma revelação do além. Enraizada e tão grave é a corrupção no Brasil que só o julgamento divino, da maneira que sonhara, será capaz de salvá-lo com o jeito pátrio de ser: samba, cachaça e churrasco de corruptos.

    Bendita graça divina!

    postado em 22/01/2012 00:00

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Aloísio Vilela de Vasconcelos
    Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL


     

    Sexta-feira morreu

     

    Ele nasceu em 23 de junho de 1930, e morreu no dia 4 de janeiro de 2012. Começou a trabalhar nas fazendas viçosenses quando tinha apenas sete anos plantando capim, cortando e limpando cana, ou seja, contribuindo para que seus donos ficassem cada vez mais ricos e ele miserável, pois nunca lhe ensinaram que o certo seria lutar pela socialização da riqueza para que todos tivessem direito a tudo.

    Como a renda familiar era muito baixa, ainda cuidava da roça e confeccionava bolsas, balaios e caçuás com titara para serem vendidos na feira e ajudar seu pai a sustentar sua numerosa prole.

    Em 1956, tentou se aposentar devido a um derrame, mas perderam seus documentos, fato que adiou sua aposentadoria por 13 anos, uma vez que só conseguiu seu intento, devido à idade, em 1969, depois de ter trabalhado como burro de carga durante 32 anos.

    Grande e profunda foi minha tristeza ao saber que este homem, chamado JOÃO CAETANO DA SILVA, mais conhecido por todos como Sexta-Feira, havia morrido. Ele representava um tipo de pessoa que há muito desapareceu, pois apesar de ter trabalhado durante tanto tempo, de sempre ter votado nos brasões de Viçosa, de morar de favor numa pequena meia-água, de viver de sua pequena aposentadoria - com a qual comprava sua alimentação, dava um agrado a quem a fazia, ajudava o sobrinho e pagava a mensalidade de seu funeral – e de ninguém ter melhorado sua vida, ele, como fervoroso devoto de Padre Cícero e do Sagrado Coração de Jesus, não guardava rancor, pois achava que um dia as coisas iam melhorar e vivia assim porque Deus queria.

    Nada melhorou, uma vez que sua juventude foi de pobreza e sua velhice de miséria. Também não lhe ensinaram, ou ele não percebeu que todo aquele que possui economia de miséria e se rebela é apoiado por Deus.

    Ontem caboclo forte e trabalhador, hoje fraco e pedinte, pois andava curvado e todos os dias fazia a peregrinação dos miseráveis até a porta do rico Banco do Brasil, onde ficava, até o meio-dia, pedindo uma moeda a um e a outro, para minimizar suas necessidades.
    Que triste ironia!

    Quando deixava seu vergonhoso “ponto”, seguia seu rumo. Rumo que o levava para o nada que possuía.

    Que País é este!

    Mestre Né, o pedreiro do Casarão, quando viu o enterro passar, disse: “Foia que ta na árve quando seca já é pra caí”.

    Tem razão, Mestre Né! O Sexta-Feira secou e caiu.

    Caiu nos braços de Deus.
     

    postado em 18/01/2012 12:34

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    A Mentira

     

     A cena se passa numa das novelas da tv. Na sala de uma casa o telefone toca. A empregada doméstica vai atender, enquanto a dona da casa dialoga com o filho na faixa dos dez anos. A empregada tira o fone do gancho. Do outro lado da linha uma mulher se identifica e pergunta se a dona da casa está. Ao ouvir o nome da pessoa que está ao telefone, a patroa gesticula para a empregada, orientando-a a dizer que ela não está. O menino assiste à cena meio intrigado. Se a sua mãe está, porque dizer à empregada que não está? Cenas iguais a essa se repetem diariamente em todos os lugares do mundo. Tendo por base a mentira, as pessoas tentam, de todas as maneiras, se desvencilhar das dificuldades e vicissitudes que encontram pela frente. A saída, normalmente, é se livrar do problema entranhando-o de mentira. Nunca o encarando com coragem, firmeza, determinação. Porque será?

     A mulher da novela é só um exemplo da maneira desonesta, irresponsável e inconseqüente que adotamos, na maioria das vezes, para resolver problemas do dia-a-dia. O pior é que nos esquecemos das pessoas que estão ao nosso redor, nos analisando, nos observando e nos adotando como modelo a seguir. Futuramente, o que a mãe que mente diante do filho, ainda pequeno, quererá dele quando tiver que vê-lo enfrentando suas próprias dificuldades? Que ele as enfrente esgrimindo a espada da verdade? Que ele pratique comportamentos que nunca presenciou em casa adotados pelos pais? Como, se diante de si teve sempre adultos como exemplos, como referenciais, mentindo, distorcendo, trilhando o caminho da mentira? Como, se assiste, diariamente, adulto já profissionalizado, o chefe na repartição utilizar-se prioritariamente da mentira para resolver o que surge no seu escaninho?

    Pela televisão também assistimos as lideranças políticas darem um verdadeiro show no emprego da mentira, da falsidade, da dissimulação, quando tentam justificar seus maus feitos na vida pública. Porque o ser humano mente tanto? O mundo dos negócios, o das atividades esportivas e comerciais, por exemplo, também não ficam atrás. Nesse terreno é dado por inteligente, competente, sagaz, o que sabe utilizar, com o máximo da maestria, os instrumentos da mentira, da matreirice, do engano. Quando se ouve dizer “Fulano é competente” é porque, na maioria das vezes, o elogio está ligado ao uso descarado, pelo elogiado, da falta da verdade. O interessante, acima de tudo, é que aprendemos desde cedo, nos bancos escolares, no catecismo católico, nas escolas dominicais das igrejas evangélicas, que devemos nos valer da verdade sempre – defendendo-a e empregando-a ao longo da vida.

    A respeito da questão, a Bíblia nos ensina que, para o cristão, o sim é sempre sim e o não é sempre não. Nos esclarece, ainda, que os mentirosos jamais herdarão o reino dos céus. Jesus salienta, também sobre o assunto, que o Diabo é o pai da mentira. Logo, quem se utiliza rotineiramente do seu uso está fazendo o jogo daquele que, segundo Jesus, só veio para matar, roubar e destruir. O interessante é que, ao sairmos da inocência da infância para o jogo bruto do aprendizado profissional, somos sempre instruídos a fazer da mentira um instrumento valioso para o alcance do sucesso. Esse comportamento vai deixando seqüelas irreparáveis ao longo de nossas vidas e criando, ao nosso redor, seguidores fiéis, aprendizes capacitados a se exercitarem na prática da mentira. Ah, a mentira. Como se livrar do seu veneno? Como deixar de vê-la nos outros e de usá-la no dia-a-dia?

      

    postado em 15/01/2012 15:32

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Eliene Sandra Mello
    Penedense, poetisa, escritora e professora aposentada


     

    Apelo ao Bom Jesus dos Navegantes

     

    Oh! Bom Jesus dos Navegantes, rogai por nós. Olhai para esta cidade linda, que infelizmente está a agonizar.

    Rogai pela população, que de braços abertos, não tem pra quem apelar.
    O desemprego crescente, obriga seus filhos migrar para distante.
    Rogai por uma política decente, que venha ajudar a linda Penedo a não definhar.
    A festa, o pão, o circosó servem para silenciar, por enquanto a voz dos aflitos. Depois de um tempo os problemas retornam.

    Oh! Bom Jesus dos Navegantes, rogai por estas crianças que andam sem rumo. Rogai pelos jovens sem perspectiva de um futuro promissor,

    Afastai o tráfico e aviolência que aterrorizam os lares.

    Rogai pelos homens sem emprego, pelas mulheres sem guia, pelos enfermos sofredores, vagando nos corredores dos hospitais, dia a dia.

    Bom Jesus dos Navegantes! Rogai pelo São Francisco, fonte de alimentação. Empregai seus pescadores, para um digno ganha pão.

    Rogai pelas mentes dos nosso representantes, para que lutem por uma política verdadeira.
    Bom Jesus dos Navegantes, navegai no coração de cada penedense, renovando o amor. Saúde, harmonia sejam a estrela guia da minha gente sofrida, há muito tempo esquecida.
    Penedo, terra querida, que tenho no coração!

    postado em 11/01/2012 21:09

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Maria Núbia de Oliveira
    Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras


     

    "Atire a primeira pedra, quem não tiver pecado"

     

    A multidão foi ao encontro de Jesus. No meio dela, um grupo de obcecados pela lei, queria testar o Filho de Deus, jogando aos seus pés uma mulher adúltera. Todos se aglomeravam em torno da pecadora. Os mais instruídos citavam a Lei de Moisés, questionando Jesus.
    A mulher jogada no chão, rosto encoberto pelos longos cabelos, soluçava, esperando a condenação. Tinha cometido um dos maiores pecados daquela época. Hoje virou rotina. O seu pecado escandalizava o mundo, feria a lei de Moisés.

    Aqueles senhores, porém, tinham uma preocupação maior: colocar Jesus no canto da parede. Usariam aquele episódio para denegrir a imagem do Filho de Deus no que diz respeito ao cumprimento da lei, caso Ele não a seguisse ao pé da letra. Esperavam a resposta fatal de Jesus Cristo.

    Pairou um longo silêncio. Longo, porque todo silêncio, por menor que seja, parece uma eternidade, face à expectativa de uma atitude ou de uma resposta coerente ou não.
    Jesus não tinha pressa. O momento não era de preocupação com a lei. Estava em jogo um ser humano, uma alma aflita, uma frágil mulher à mercê de uma turba enfurecida.
    O Homem do perdão inclinou-se, reflexivo, olhos fixos na areia, no pó que somos todos nós, após a morte. Escreveu alguma coisa que a Bíblia não narra. O que será que Ele escreveu? Gostaria de saber.

    A turba impaciente, insistia. Queria uma resposta, uma atitude d'Aquele que veio para redimir e não para condenar!

    Pleno de sabedoria, altivo, jogou nos tímpanos dos executores das leis, a célebre frase: " ATIRE A PRIMEIRA PEDRA QUEM NÃO TIVER PECADO!"

    Um oceano gelado apagou toda a euforia. Invadiu cada consciência. Um por um foi saindo sem resposta, sem argumento e as pedras jogadas no chão...

    O episódio não termina aqui. Jesus volta-se para a mulher e mesmo sabendo da resposta, pergunta: " Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?" " Ninguém, Senhor."
    " Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar."

    A Bíblia não conta o que houve depois daquele momento. Mas alguns Romances do tempo do Cristianismo, narra com maior extensão a alegria daquela mulher ao se ver livre das correntes do pecado. Tornou-se seguidora de Jesus Cristo! O perdão renova! Quantos prisioneiros do pecado sem chance de um mergulho nas águas da redenção para depois um decolar em busca de Jesus Cristo!
     

    postado em 09/01/2012 09:09

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    João Pereira
    Advogado, escritor e atento observador da política


     

    Querida Penedo, como você está feia!

     

    Arquivo - aquiacontece.com.br

    Que delicadeza de afirmação. Aceito sua brincadeira, meu grande amigo. Sei muito bem que você conhece a psicologia feminina no que toca à preocupação com sua beleza pessoal. Modéstia à parte, sei que não sou feia, mesmo ao natural, sem maquiagem. Se você tivesse dito que no momento me encontro feia, concordo com a sua afirmação mesmo que peque pela falta de elegância e cavalheirismo.

    -Queria desculpar-me pela minha insensibilidade. Compreendo a vaidade feminina, o desejo que a mulher tem de ser reconhecida e elogiada como bela, mesmo que seja falso o elogio. Como não sou dado a galanteios, a donjuanismo, prefiro a verdade que pode causar dor, mas que servirá de estímulo de uma mudança para melhor. Acontece que no momento, ao contemplá-la, a minha imaginação leva-me a compará-la a uma velha obesa, despenteada, mal vestida, suja e, para agravar essa insuportável aparência, exibe um semblante alheio, conformista e desconsolado, merecendo urgentemente, depois do banho, o chamado banho de loja. Onde está o seu amor próprio? Qual a causa de tanto desleixo?

    - Ora, meu amigo, não me pergunte sobre a evidência das coisas. Posso muito bem, num toque de imaginação, tornar-me bela e faceira. Infelizmente, para que apareça essa mágica, é preciso que os que gerenciam meus interesses façam por mim e os responsáveis não têm a menor preocupação com isso.

    -Por que não bradar aos quatro ventos? Já que você não faz, faço eu. Prefeito e vereadores de Penedo, acordem e não fechem os olhos ao visível que vergonhosamente nos entristece e, unidos, vamos transformá-la numa cidade limpa. É preocupação primordial de uma cidade histórica voltada para o turismo, atrair e não repelir o turista que deve levar boas recordações e não a decepção de uma cidade suja.

    Há muito estamos a necessitar de um código de postura para disciplinar, entre outras coisas, o uso dos terrenos urbanos não murados. Não sei se ele já existe. Acredito que não, pois, em caso afirmativo é como se ele não existisse. Nada fora dos padrões brasileiros onde as leis são sinônimos de sementes, as boas e as chochas, isto é, as que germinam e são postas em práticas, e as outras que são relegadas ao esquecimento.

    A nenhum de nós, ao passar pela frente desses terrenos, dificilmente não torce o nariz diante de uma cena que hostiliza o mais elementar princípio de civilidade. É uma autentica reprodução das ruas das cidades medievais, que recebiam lixo e até dejetos, desconhecendo os graves malefícios para a saúde. Mas se viviam com a sujeira, a lama, ratos e porcos que tranquilamente chafurdavam nas ruas, é inconcebível e inaceitável o retorno de um comportamento primitivo.

    Hoje, 25/11/2011, numa inspiração de revolta, resolvi escrever o presente, face a imundice e o mau cheiro que exalava do lixão vizinho à minha residência. Convivo com essa desgraça há mais de vinte anos, em pleno centro da cidade. Fica exatamente na frente da Igreja de São Benedito, local onde foi dado inicio à construção de uma praça, por sinal inacabada e sem fim. A cena é revoltante e mais revoltante ainda quando sabemos que os autores dessa barbárie são pessoas da vizinhança que presumíamos fossem civilizadas.

    Se a nenhum prefeito podemos diretamente atribuir responsabilidade por absurda atitude, vez que seria necessário por um guarda de plantão nas vinte e quatro horas do dia nos citados terrenos, não significa que a municipalidade deve continuar inerte, estranha ao problema e sem buscar um meio para erradicar paisagem tão primitiva. Deve ficar claro que a principal causa da selvageria não está na ausência do mencionado código, embora necessária sua existência, mas na falta de educação de muitas pessoas que, insensíveis, são incapazes de entender as conseqüências do seu barbarismo.

    Embora não se possa educar por decreto, achamos como providencia inicial para minimizar o dano à nossa cidade, que sejam localizados os donos dos terrenos em apreço e em seguida convencê-los a cercá-los sob pena de, findo o prazo convencionado sem uma resposta positiva, passarem a receber uma penalidade crescente no valor do IPTU, do mesmo modo como faz o INCRA com as propriedades improdutivas.

    Acontece que a imagem suja da cidade não se prende apenas aos terrenos baldios, mas às ruas quase como um todo. Como contornar esse problema? Uma das mais recomendáveis é a distribuição pelas ruas de coletores de lixo. Essa providencia deve ser complementada com um trabalho de catequese junto à população, através de todos os meios de comunicação. Que se busquem pessoas competentes para tal fim.

    Sabemos que o fantasma dos empreendimentos públicos sempre foi e é a falta ou escassez de recursos financeiros. Por outro lado, também sabemos, o sucesso depende das boas idéias, quase sempre revestidas de simplicidade. Tornar Penedo uma cidade limpa não requer um malabarismo para encontrar boas idéias e muito menos alto dispêndio, mas um pouco que resultará num enorme dividendo que a todos nos orgulhará. O que falta, verdade seja dita, é a vontade de fazer.

    Passem a gostar de Penedo, diga adeus á inércia e percebam como se pode fazer tanto por tão pouco. No dia que aparecer um prefeito que resolva enfrentar o monstrengo da má educação, filha da ignorância que reside e perambula pelas ruas, será consagrado como o grande matador, distinguindo como o maior prefeito de Penedo.


     

    postado em 05/01/2012 19:31

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    O (Bom) Vinho de Jesus

     

    Um dos momentos mais comentados da vida de Jesus Cristo é o que está descrito no Evangelho de João, capítulo 2, que trata das bodas de Cana da Galiléia. É a célebre transformação da água em vinho. Muito se tem falado a respeito do assunto. O ponto de maior discussão é o que tenta definir se o vinho originado da água tinha álcool ou não. Os que bebem encontram no episódio um argumento a mais para continuar entornando seus copos seja qual for o motivo. Os que não bebem batem firme na tecla de que Jesus jamais produziria uma bebida que alterasse – para pior – o estado de espírito das pessoas. Essa polêmica vara os séculos até os dias atuais. E tudo indica que não se chegará nunca a um consenso, a uma conclusão fechada em torno do assunto. Deixando de lado esse aspecto do caso – embora acreditando que o vinho de Jesus não continha álcool – queremos aqui abordar outro lado da questão.

    O versículo 10, do mesmo capítulo 2, nos traz a reação do mestre-sala – também conhecido como mordomo, organizador de festas, e que nos dias atuais seria tratado como promotor de eventos – sobre a qualidade do vinho que Jesus produzira a partir da água. Suas palavras, ditas ao noivo, foram as seguintes: “Todos costumam por primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora”. A admiração do tal promotor de eventos residia no fato de que houve regularidade na qualidade do vinho servido do início ao fim da festa. É esse ponto que eu quero ressaltar na análise dos acontecimentos que se passaram há mais de dois mil anos atrás. O que vem de Jesus não tem variação, não tem descontinuidade, não tem perda da qualidade – enfim, não tem alteração. Jesus nos contempla com o que de melhor Ele tem para nos dar – do início ao fim da nossa vida.

    Com Jesus não tem essa história de gestos de segunda ou de terceira categoria; de ações que se iniciam, mas não se completam. Com Jesus o bom vinho é servido do início ao fim, dando um sabor todo especial ao espetáculo da vida – para os que crêem, é claro. Lamentavelmente muitos se perdem na discussão estéril se o vinho produzido por Jesus continha álcool ou não. Muitos continuam perdendo um tempo precioso por não descortinarem a sabedoria extraordinária de Jesus, gastando tempo em polêmicas improdutivas, deixando de alcançar a posição que Ele almeja para todos nós: o de bons bebedores do seu vinho, de apreciadores do vinho do seu amor. O vinho de Jesus não tem o álcool que o mundo conhece, que embriaga, empobrece, embrutece a alma humana. O vinho de Jesus se manifesta através de sua presença constante em nossas vidas, impregnando nossas almas do aromático buquê da sua alegria.

    Ainda segundo o relato bíblico, o noivo estaria em vias de passar por momentos de extrema dificuldade. Em plena festa o vinho acabou. E agora? O que fazer? Supermercados naquele tempo não existiam. Distribuidores de bebidas também não. Muito menos lojas de conveniência. Além do mais, aonde encontrar, àquela altura, vinho em quantidade e qualidade suficiente para servir a tanta gente? A situação era realmente vexaminosa. Tanto naquele tempo, como nos dias atuais, é vergonhosa a situação de alguém que faz uma festa e deixa a bebida se acabar no meio da comemoração. No caso do noivo a situação era bem pior. Afinal, se tratava de um casamento, evento carregado de todo o simbolismo e ritualística da religião judaica. Com certeza o noivo seria encarado pela família da noiva – e pelos convidados – como um relapso, um desastrado, no mínimo um imprevidente.

    Certamente haveria conseqüências, escândalo. Para sorte do moço Jesus se fazia presente em sua vida. E seu toque, sua misericórdia, seu inesgotável amor recolocou tudo no lugar. Ao transformar a água – que em nada resolveria a questão naquele momento – em vinho de qualidade, Jesus alterou radicalmente o curso daquelas vidas. Do noivo, da noiva, dos familiares de ambos – e até dos convidados. Transformando maldição em bênção, tristeza em alegria, decepção em realização. Até o mestre-sala ficou satisfeitíssimo. Afinal, sua clientela não teria do que reclamar – muito pelo contrário. Com Jesus é assim. A turbulência pode até vir. E com certeza virá. Mas, através do vinho do seu amor, situações difíceis podem ser modificadas. O que está esperando? Vamos experimentar o vinho de Jesus? Tim, Tim.

    postado em 02/01/2012 11:53

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Não Cabia Jesus em Belém

     

    A narração bíblica nos traz até os dias atuais o relato do nascimento de Jesus – o homem. Segundo o livro de Lucas, capítulo 2, versículos de 1 a 7, a saga do menino teve início em Belém. Um decreto do Imperador César Augusto “convocando a população do império para recensear-se”, foi a exigência que levou José a tomar o rumo de Belém, “cidade de Davi”, por ser ele da casa e da família de Davi. Segundo o versículo 7, “ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”. Segundo relatos históricos, José perambulou por todos os lugares e recantos de Belém à procura de um espaço onde a criança pudesse nascer com um mínimo de conforto e segurança – e não encontrou. É nesse sentido que queremos focar a essência do dramático episódio. Ou seja: não havia, rigorosamente falando, nenhum lugar para Jesus em Belém.

    Com certeza os conterrâneos ilustres, as personalidades de ali e de alhures tinham seus lugares garantidos em Belém. É absolutamente certo que o prefeito, os presidentes dos diversos órgãos da cidade, suas autoridades, seus parlamentares, seus sacerdotes, todos, enfim, estivessem muito bem instalados. Nos bairros periféricos, mesmo as pessoas mais humildes, embora disputando espaços exíguos, também tinham a certeza de um sono tranqüilo quando chegasse o advento da noite. Enfim, todos tinham lugar em Belém – menos Jesus. A Bíblia não registra, mas José deve ter entrado em desespero. Qual o chefe de família que quer ver seu primeiro filho nascer num curral, ao relento? José, na verdade, se deparou em Belém com a insensibilidade dos homens, com a dureza de seus corações. Os tais, quando bem instalados, pouco se importam com as adversidades alheias.

    Não havia lugar para Jesus em Belém. Atualmente, essa realidade não está muito distante dos fatos ocorridos naquele tempo. Muitas pessoas, embora enfeitando suas casas e suas vidas com penduricalhos comercializados no período natalino, continuam com o mesmo sentimento de avareza, de insensibilidade e de aridez espiritual que se apossou do povo naquele tempo. Outras abarrotam os seus espaços domésticos com tantos símbolos, tantos enfeites e tanto consumismo, que não resta em suas vidas nenhuma condição para a manifestação dos ensinamentos e dos princípios que Jesus, tão sabiamente, propagou ao longo de sua existência. Onde está Jesus em sua vida? Qual a prioridade dedicada a Ele – mesmo nessa época do ano? Tem gente que valoriza muito mais a beleza da árvore de Natal do que o conhecimento das palavras e das promessas contidas nos Evangelhos que Ele nos deixou.

    Nenhuma intenção de criticar aqui esforços mercadológicos para ampliar o raio de ação da indústria e do comércio. A questão é que a humanidade está enclausurada numa perigosa operação de religiosidade estéril, sem vínculos com Jesus. E assistindo inerte à troca de um fato verdadeiro, marcante, fascinante, cheio de significado – como o nascimento de Jesus, por uma tradição entranhada de sofismas e sem nenhum lastro espiritual – o Papai Noel. Onde está Jesus em sua vida? Ou por outra, qual a sua reação se José hoje batesse à porta? José bateu à porta em Belém e não lhe deram ouvidos. Você daria? Compartilharia seus espaços com José para Jesus nascer em sua vida? O consumismo não pode ser a razão principal do viver natalino. O importante é Jesus – sempre. Atenção, atenção! Tem gente batendo à porta. Está ouvindo? É José pedindo um espaço para Jesus nascer. Você vai abrir a porta?

    postado em 26/12/2011 14:40

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Jean Lenzi
    Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural


     

    Curral de Gente I

     

    É do conhecimento da grande maioria dos estudiosos que as margens do Rio São Francisco propiciaram a criação do gado que se beneficiava com as suas águas e com a salinidade de suas barrancas. Daí a designação de Rio dos Currais.

    Hoje, passados muitos anos e, passadas também as farturas daqueles tempos; assistimos as faltanças não somente das abundâncias materiais como também das espirituais, em que pese a insistência em se bem dizer do fervor do povo barranqueiro. Mas se temos fé e esta gera esperança, isso já se esvai na névoa do tempo como os currais de gado e, ficamos a assistir "bestializados" a edificação de novos currais. Só que dessa feita, currais de gente.

    A administração pública de nossa cidade de maneira equivocada e cruel intervém nos sítios históricos de preservação rigorosíssima e, de maneira a transformar os nossos logradouros em verdadeiros currais de gente.

    O que se verifica na Avenida Beira Rio, ou Comendador Peixoto é um escárnio à nossa inteligência e um grave desrespeito à nossa cidade, já protegida por Lei Federal como Patrimônio do Brasil. Há pouco tempo a administração municipal foi obrigada a demolir parte das besteiras que havia construído com dinheiro público: quiosques a guisa de mercados de artesanato. Digo parte porque também foram edificadas outras construções para sediar restaurantes que, por sinal, de tão precários, não resistiriam a mais superficial inspeção sanitária se acaso saúde pública houvesse.

    Assim como os quiosques do artesanato, esses “restaurantes” foram também denunciados e condenados e devem ser retirados brevemente. O mesmo ocorrendo com os postos de gasolina que ainda teimam em permanecer alheios a todo clamor público, alimentando o tráfego pesado na região e os bolsos de maus penedenses.

    Nota-se que a parafernália de “arranjos urbanísticos” tem sempre como objetivo manter intocável os privilégios de uma minoria que insiste em retirar do caos o máximo proveito, e, mesmo quando isso vem em prejuízo da cidade que os viu nascer. É um ciclo vicioso: os postos se escudam na presença dos "restaurantes" e outras besteiras para justificar sua presença. Estes precisam dos motoristas, principalmente dos caminhoneiros que pernoitam na região e com isso, a favelização da orla se acentua, propiciando a prostituição, uso de drogas e toda uma série de desconforto social.

    Um visual humano e ambiental dantesco domina a entrada principal da cidade que afasta dessa área seus habitantes, além de, é claro, os turistas que chegam mesmo a terem medo de passar por ali em determinadas horas.

    Ainda em sua insana “gerência”, a administração pública substituiu as antigas pedras de calçamento por bloquetes modernos e de precária manutenção, e que nada tem a ver com Penedo, a não ser as conveniências possíveis nos editais licitatórios. E como se não bastassem essas crueldades, enchem esse espaço com estacas a guisa de currais para “orientar” o transeunte e evitar que os habitantes, ainda desatentos, utilizem mal esses espaços. E, alheia a tudo isso por incompetência e aulicismo, a Secretaria Municipal de Turismo e Cultura anuncia nos foros Gestores do Turismo um plano para receber os turistas nacionais e internacionais. Algo incrível de se acreditar.

    Já que de nada servem os órgãos fiscalizadores para coibirem esses desmandos; roguemos aos céus que se alevante em defesa da Cidade do Penedo, Patrimônio do Brasil, a indignação dos verdadeiros penedenses e dos demais brasileiros contra esses atos vandálicos de verdadeira depredação da nossa cidade.

    Que os homens de bem do nosso país acorram ao nosso clamor de modo a não permitir que a nossa cidade seja destruída por incautos, que, disfarçados de administrares públicos, de maneira irresponsável brincam com nosso patrimônio cinco vezes centenário.

    Que se dê um BASTA a essa irresponsabilidade em nome do Patrimônio Brasileiro.

    Que o Ministério da Cultura cuja titular Dra. Ana Buarque de Holanda, filha do grande historiador brasileiro, Sergio Buarque de Holanda, lance seu olhar sobre Penedo e exija que os órgãos a ela submetidos, atuem tempestivamente em socorro dessa Cidade cuja população vem ao longo dos anos sofrendo a amargura por todos os desmandos de suas administrações, e que vem assistindo no dizer de Aristides Lobo, “bestializada” a degradação de seu sitio histórico. Evocamos ainda as tradições dos Buarque de Holanda, recordando o querido Chico, para que possamos também “ter as nossas praças e os nossos jardins”. E que neles cantem os nossos pregões, mercadejes, os nossos ambulantes e, a cidade volte a ser um local agradável para se viver.
     

    postado em 21/12/2011 13:57

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Maria Núbia de Oliveira
    Escritora e poeta, integrante da Academia Penedense de Letras


     

    A Dança

     

    O salão está pronto. Os convidados começam a chegar e os protagonistas da festa estão nos camarins, vestindo suas fantasias para se apresentarem ao público. Aquele que melhor dançar, será eleito e ganhará o troféu mais cobiçado do mundo: o poder!
    Cada um vai planejando arrebentar com o outro para ser o melhor aos olhos da turba, que perdida, já não sabe quem escolher, pois não tem opção.

    A dança começa. Os músicos tocam seus instrumentos para o seu escolhido. Aliás cada protagonista tem a sua orquestra, cuja missão é impressionar. Uns vêm com a valsa, retrocedendo no tempo, apelando para os sentimentos saudosos de uma geração, que atônita, já não sabe se a orquestra está ou não afinada. Outros vêm com a Música Popular Brasileira, no intuito de arrancar aplausos e admiração. Há os que chegam com tudo na música eletrônica, derrubando quem está na frente, jogando raios de luzes coloridas sobre os olhos de todos, os quais sob o efeito do laser, não enxergam nada, só ouvem o barulho.

    A festa continua. Os que terminam suas apresentações retornam ao camarim, cruzando os dedos, desejando a queda do rival. O que eles não se lembram é que existem sapatos anti derrapantes. Quem planeja dificilmente cai . Final da festa. Hora da decisão. Quem será o escolhido? Quem, dentre os dançarinos, melhor se apresentou? Quem dentre todos não derrapou na pista nem ofuscou os olhos do povo enquanto se apresentava?

    Enquanto deslizava pelo salão, pensou no conforto da platéia, na segurança, na brisa leve suavizando o calor? Quem? Quem dentre os dançarinos respeitou os limites da multidão e teve o cuidado de não atropelá-la? Pensou em aplacar a sede, saciar a fome, dignificar as pessoas? Que tipo de dança foi apresentada? Se foi uma dança distante, num palco muito acima da platéia, forçando-a a volver o rosto para alcançar o dançarino, com certeza, esse não será premiado. Se foi uma dança, sem ritmo, monótona, sob o olhar de uma platéia inerte, desestimulada, também não terá prêmio. Também uma dança com o muito barulho e sem metas, nada de vitoria.

    E o que dizer daquele que é empurrado para o salão, sem ensaio, sem amor à arte, entrando de "gaiato", pra ver se dar certo? Sei não. Pode até dar certo. O problema é que quando aprende a dançar, perde a inocência da ignorância e se torna pior do que os profissionais. Não daria troféu para ele.

    Não é possível que dentre tantos não exista um que absorva os requisitos necessários para executar a mais linda das danças. Aquela que está em sintonia com todas as orquestras, seja qual for o conjunto dos instrumentos. O bom dançarino deve permanecer no centro para melhor visualizar a multidão. Deve interagir com todos, direcionar o olhar para cada rosto que o olha e espera um aceno, uma resposta, um toque musical em forma de esperança! E quando a música parar que ele tenha expressado todo o seu sentimento de ter encantado e realizado a promessa feita antes da subida ao pódio. Se não o fez, que sai cabisbaixo, sem aplausos e sem retorno.
     

    postado em 18/12/2011 11:13

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Aloísio Vilela de Vasconcelos
    Professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL


     

    Hoje

     

    Estou em Viçosa sozinho, vendo salas sem voz e cadeiras e sofás vazios do Casarão de meus saudosos pais. Mais uma vez, acompanhado das minhas sagradas e inesquecíveis lembranças e da cruel solidão.

    Hoje, 17 de novembro, o dia amanheceu nublado e apenas uma levíssima garoa molhava suavemente os telhados, as calçadas e as ruas tirando um pouco a poeira. Apesar de lá fora chover brandamente, as nuvens estavam baixas e carregadas. Lá para as matas do saudoso Dr. Humberto, chegavam a topar na copa das árvores: sintoma de que vem por aí um pé d’água forte e duradouro.

    Não sei por que me lembrei de uma das histórias que minha santa mãe, Irene Vilela de Vasconcelos e, também, minha Tia, Irmã Francisca Brandão Vilela, no tempo que bebida não me embriagava, sentavam perto de mim para contar.

    Contavam que quando meu bisavô, o Coronel José Aprígio dos Passos Vilela e sua esposa moravam na Boa Sorte, todos os seus filhos e filhas com suas respectivas famílias foram educados para aos domingos chegarem cedo em sua casa, permanecerem fazendo-lhe companhia e ficarem para almoçar.

    Nestas reuniões semanais além de outros assuntos, sempre noticiavam os problemas ocorridos na fazenda e no engenho durante a semana. Quando algum dos filhos reclamava do trabalho, minha bisavó, Maria Brandão Vilela, que até então se mantivera calada fazendo tricô parava e, enérgica e educadamente dizia ao reclamante que ele se contivesse, pois aperreio teve seu velho pai – e nunca o viu reclamar - para conseguir, através de muito sacrifício, trabalho duro e honesto o que ele, reclamante, havia recebido de mãos dadas.
    Para quem enxerga é muito mais do que uma simples história, senão vejamos: o “serem educados” significa aderir ao Cristianismo; as “reuniões” lembram as do Mestre com seus apóstolos; o “almoço”, a Última Ceia; o “domingo”, o dia da Ressurreição do Senhor; o “filho reclamante”, os que achavam difícil seguir o Galileu; o “silêncio de meu bisavô”, o sofrimento mudo de Jesus durante sua Paixão e, finalmente, a “intervenção de minha bisavó”, o siga o exemplo dele, ou seja, “toma tua cruz e carrega-a calado”.

    Em primeiro lugar está a solidariedade à consangüinidade; em segundo, o cumprimento dos ensinamentos recebidos e em terceiro, o respeito a mais cristalina ancestralidade.
    Portanto, não mais me amedronta ou incomoda a solidão do presente. Preocupa-me a certeza das lágrimas derramadas devido à desmedida tristeza e amargura de meus antepassados que há muito se foram. 

    postado em 12/12/2011 08:52

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Públio José
    Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida


     

    Onde foi parar a lanterna?

     

    Os tempos antigos nos encantam com a história de um homem que deu uma demonstração impressionante de lucidez num momento tempestuoso da vida de um povo. Os tempos eram de escuridão. Principalmente na mente dos homens, das elites, dos cabeças pensantes. Escuridão de idéias, escuridão nos costumes, nas práticas políticas, econômicas, sociais e familiares. A bagunça imperava nesse período. Apesar disso, as elites não relaxavam no que elas sabem fazer muito bem: levar vantagem. Os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, enquanto honestidade e outros nobres atributos eram mercadoria rara. O chique nessa época era ser sabido, perspicaz. (Por acaso, alguma semelhança em tal cenário com os dias de hoje?) Homem de princípios, e sabedor de que não se pode oprimir os menos favorecidos eternamente, ele pensava. Onde estava a solução? Como contribuir para mudar as coisas?

    O terremoto social se aproximava das elites, porém elas não estavam nem aí. Como alertar aquelas lideranças desmioladas de que não se brinca com a dor coletiva de um povo? A quem recorrer? Com quem interagir na busca de um projeto que contemplasse a todos com o fruto das riquezas do trabalho coletivo? Recolhido ao seu espaço doméstico, indagava, preocupado, até onde aquela situação subsistiria. Em qual momento sobreviria o caos, o choque ensandecido das massas sofredoras com as elites alheias aos problemas que estavam criando. De quem estamos falando? Diógenes era seu nome. Rabugento, circunspecto, grego de Atenas, discípulo de Antístenes - o fundador da Escola dos Cínicos – viveu em 437 a 375 a.C. Era amante da natureza e um desprendido em termos materiais. Desprezava as riquezas e as convenções sociais. Sua visão de vida era libertar-se dos desejos e reduzir as necessidades ao mínimo.

    Tudo leva a crer, pelo seu pensar, pela engenharia interior que formava seu caráter, pela sua constituição intelectual, que era um homem profundamente preocupado com os anseios dos menos favorecidos. Um escultor, enfim, da virtude, da decência, da moralidade. Certo dia, diante de um turbilhão de sentimentos, e num ápice de intensa reflexão, saiu pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, com uma lanterna na mão. Acesa! Ação fulminante. As raposas, as dondocas, os dândis, os sanguessugas ficaram estupefatos. Um homem sábio, íntegro, com uma lanterna acesa na mão – em plena luz do dia! Estaria louco? A resposta, de uma lógica chocante, veio depois de muita indagação, depois de ter espicaçado a curiosidade, principalmente, dos poderosos: “Estou à procura de um homem honesto”. Recado transmitido, missão cumprida, recolheu-se satisfeito. Estou me utilizando da história de Diógenes para me reportar ao que se passa em nosso país.

    Os costumes, os hábitos, as práticas de nossas lideranças precisam de um choque de moralidade. Precisamos urgentemente de uma nova lanterna, de um novo Diógenes que invada as mentes dos homens levando a luz da racionalidade, das decisões em benefício do povo. A lanterna de Diógenes precisa iluminar os espaços legislativos, governamentais, jurídicos, para clamar em favor dos pobres. A estrutura interior das nossas lideranças precisa passar por uma reciclagem, por uma nova onda de lucidez. Porque, atualmente, o que vemos? Falta de pudor público, exame superficial das questões sociais, desvios de verbas públicas, cinismo coletivo, crimes de toda ordem. Meu Deus, onde vamos parar? Estamos todos perplexos com o cenário atual, no qual a grande maioria dos agentes públicos está crucificando as instituições – simplesmente para levar vantagem. Onde estará Diógenes? Onde guardou sua lanterna? Dióóóógeeeneeesss!

    postado em 07/12/2011 15:33

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
  • artigos

    Valfredo Messias dos Santos
    Procurador de estado, defensor público e membro da Academia Penedense de Letras


     

    A salvação é individual mas ninguém se salva sozinho

     

    Em razão da proximidade do natal gostaria de discorrer sobre um tema de natureza transcendental que possa servir para uma reflexão mais real a respeito da salvação espiritual, aspiração de todos que acreditam que, ao morrer ou desencarnar, serão julgados pelos seus atos. Esse julgamento tem sido uma preocupação constante por parte de todos os que seguem uma religião ligada ao cristianismo, ou, mesmo sem ter uma religião definida, veja em Jesus o único caminho, o exemplo a ser seguido para que se chegue diante desse Tribunal Supremo, apto a merecer um bom veredito.

    Quando digo que a salvação é individual é porque são as ações, os atos, as atitudes, o comportamento social ou político de cada um, que vai lhe garantir ocupar um espaço mais ou menos privilegiado no plano espiritual. Por mais perfeito que alguém possa se julgar, por mais santo que seja considerado, esses requisitos só servirão a ele próprio, não favorecendo a seus próximos como pai, mãe, esposa, esposo, filhos nem aos demais que enxerguem tais virtudes.

    Cada pessoa, cada cristão deve se esforçar para, inicialmente, se auto-melhorar, extirpando de dentro de si o orgulho, a insensatez, a arrogância, o ódio, o ressentimento e especializar-se a amar, pois é na demonstração do amor ao próximo que demonstramos o nosso amor por Jesus e a Deus. Eis aí o grande desafio. Esse amor é muito pouco exercitado até mesmo por àqueles que dizem ter uma vida religiosa por vocação ou por tradição. O apóstolo João é enfático ao dizer: “Quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.”. O próprio Jesus afirmara que todos os mandamentos se restringiam a apenas dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. (grifo nosso).

    Faz-se necessário que cada um que almeje essa salvação tão cobiçada, primeiro se volte para dentro de si mesmo, eliminando os entraves humanos, as traves nos olhos a que Jesus tanto se reportava, se eximindo de julgar os outros porque com a mesma medida que se julgar também será julgado. A regra aparentemente é simples: cuide de sua própria vida e deixa a vida dos outros. Melhore-se para você mesmo para que o outro que vê a sua mudança possa seguir o seu exemplo. É o mesmo Jesus que diz que devemos ser luz. Essa mudança só é real se for percebida pelos outros. Muitas pessoas dizem que mudaram que estão diferentes, que seguem uma nova vida, mas, os que estão ao seu redor não experimentam tais mudanças. Algo está errado. Essa mudança vista por nós mesmo em nossas vidas é falsa, fingida sem nenhum reflexo no espelho da vida. A mudança verdadeira experimentada por cada um é aquela capaz de promover mudança nos outros, é aquela que sirva de exemplo a ser seguido.

    Apesar de se estar revestido dessa mudança, de tê-la como uma couraça contra a ingerência dos atos maléficos, denominados de pecado, se a pessoa não amar o seu próximo, todo “esforço” estará perdido. É o amor o dom supremo que está, inclusive, acima da própria fé até daquela capaz de remover montanha. O próximo, a que se refere Jesus é o instrumento para se atingir a perfeição. É nele que se deve exercer o amor a Jesus e a Deus. Não é apenas frequentar igrejas, fazer longas orações, vigílias, participar de eventos religiosos. Tudo isso sim é importante desde que o foco seja a manifestação de amor ao próximo e não às instituições de que se faça parte.

    É comum, até mesmo corriqueiro, se ouvir, presenciar ou assistir discussões acaloradas sobre doutrinas religiosas, cada um defendendo suas convicções, demonstrando conhecimento teológico e filosófico, sem perceberem que, ao invés de produzir frutos benéficos, produzem os frutos da discórdia, do desentendimento, da ignorância e da falta de sabedoria. Em vez de se discutir doutrinas seria mais lucrativo se estar atento aos ensinamentos de Jesus, estes sim, devem ser difundidos no lar, no local de trabalho, na convivência social, pois é útil, concorre para aproximar as pessoas e para formar uma convicção de que é a paz e o amor, o objetivo maior do cristianismo. É, exatamente, sobre tais discussões que o apóstolo Paulo se reporta na sua epístola a Tito: “Evita discussões insensatas, genealogias, e contendas, e debates sobre a lei; porque não tem utilidade e são fúteis”.

    As palavras de Jesus não são apenas para serem ouvidas, mas, principalmente, para serem refletidas e vividas como ensinamentos éticos e morais necessários e insubstituíveis para que se possa levar uma vida correta, honesta e participativa. Cada um deve ser um apóstolo de Jesus, um divulgador dessas palavras que tem transformado homens e mulheres pela sua força e poder.

    Amar ao próximo no exato sentido das palavras de Jesus não é fácil, mas não é impossível. Muitos já conseguiram. O que Ele espera de cada um de nós não é, por enquanto, a perfeição, que exige uma condição espiritual superior à humana, mas que comecemos, imediatamente, a lutar conosco mesmo, sem tréguas, de forma contínua, diária para matar os dragões que nos devora por dentro e nos impede de sermos felizes. Essas mudanças só acontecerão se assumirmos, de forma verdadeira o compromisso de fidelidade aos ensinamentos de Jesus. Não devemos esperar, de forma insensata, que a mudança em nossas vidas se dê apenas nas promessas, nos desejos manifestados por ocasião da virada do ano novo e para o ano vindouro porque, de súbito, poderemos deixar este plano de existência sem experimentarmos as mudanças a nós mesmos prometidas.

    Que todos entendamos que é necessário seguirmos a verdade de Jesus e reflitamos nas palavras de Paulo aos Efésios 4,22-24, assim expressadas: “no sentido de que quanto ao trato passado vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscência do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

    Despojar-se do homem (e da mulher) velhos é deixar para traz a vida de sofrimentos, de martírios internos, provocados por nós mesmos, e voltando-se para um novo horizonte, vislumbrar a Grande Luz: Jesus, e continuar o percurso da estrada da vida mais confiante, mais amigo, mais humilde, vendo no próximo o único meio visível para que se manifeste o nosso amor por Jesus, e aí sim, seja operada a grande transformação do velho para o novo, sem a qual o sonho da salvação jamais será alcançado.

    postado em 04/12/2011 17:57

    Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do aquiacontece.com.br ou de seus colaboradores. Dê sua opinião com responsabilidade! Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

    comentários

     
 
 
  • Cadastre-se para receber novidades do Aqui Acontece
  • carta
  • cadastrar
 
Avenida Antonio Candido Toledo Cabral, 149
Dom Constantino Penedo - AL
Fone: (82) 3551 5091
contato@aquiacontece.com.br