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Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 30/08/2009 11:44

A surpreendente saga da penedense Maria da Cruz

“Na história de Minas Gerais há mulheres que se imortalizaram, fosse pela beleza ou por seus talentos, fosse também por martírio sacrossanto. Mas, digam-nos agora se alguma foi, mais do que esta, digna de memória de nossos fastos.” Este foi um tributo prestado pelo historiador mineiro Diogo de Vasconcelos, ao encerrar o capítulo terceiro da segunda parte da “História Média de Minas Gerais”, de 1917, de sua autoria, a Maria da Cruz, acusada de ter liderado, no ano de 1736, norte da Capitania de Minas Gerais, juntamente com o filho Pedro Cardoso e o cunhado Domingos do Prado, uma revolta contra a cobrança do “imposto da capitação”, que substituiu o “quinto do ouro”.

A aludida sedição, cognominada de “Motins dos Sertões”, é bem conhecida dos apreciadores da história de Minas e consta do Arquivo Público Mineiro, que publicou, através de suas revistas, algumas das cartas escritas pelo então governador da Capitania do Estado, Martinho de Mendonça, que comandou a repressão ao movimento. À época, Maria da Cruz, viúva do coronel Salvador Cardoso de Oliveira, sobrinho de Mathias Cardoso de Almeida, famoso bandeirante e desbravador paulista, dominava com a família a região do Sítio das Pedras, atual cidade de Pedras de Maria da Cruz, situada no norte de Minas, à margem direita do Rio São Francisco, Micro-Região Sanfranciscana de Januária.

Decretadas as prisões dos envolvidos, exceto Domingos do Prado que conseguiu escapar, Maria da Cruz e o seu filho Pedro Cardoso são presos e levados para Vila Rica, onde poucos dias depois são transferidos para uma fortaleza no Rio do Janeiro, na qual permaneceram detidos por um ano. Julgados em Salvador pelo Tribunal da Relação, a líder insurgente é indultada, mas o filho condenado a degredo. Nos rastros da história da heroína, o casal de historiadores mineiros Giselle Fagundes e Nahílson Martins, procedentes da cidade de Montes Claros (MG), promoveram um fantástico e fidedigno trabalho de pesquisa, que remontou, dentre outras fontes, documentos do Arquivo da Torre do Tombo em Portugal, manuscritos da Biblioteca Nacional, Casa Borba Gato em Sabará (MG) e processos de ingressos em irmandades nobiliárias por parentes afins.

Através da busca documental, alvo da publicação do livro “Alvará de Perdão Concedido a Dona Maria da Cruz, Viúva”, comprovou-se que Maria da Cruz Porto Carreiro era natural e batizada na freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Vila do Penedo, sendo, inclusive, irmã do Frei Manoel da Madre de Deus, que foi guardião do Convento de São Francisco da referida localidade. Em seu testamento, integrante do acervo do fórum Edmundo Lins (Serro – MG), aberto em 1760, ela confirma a sua origem natal e registra ser filha de certo capitão Pedro Gomes e de Dona Domingas. De seu casamento com o então capitão paulista Salvador Cardoso, que se encontrava na região do Baixo São Francisco combatendo os gentios, menciona seis filhos: O mestre de campo Mathias Cardoso de Oliveira, Padre João Cardoso, Pedro Cardoso de Oliveira, Padre Manoel Cardoso e Dona Maria Cardoso de Oliveira e Dona Catarina do Prado, casadas, respectivamente, com os coronéis Alexandre Gomes Ferrão Castelo Branco e Domingos Martins Pereira.

Mas, afinal, quais seriam as famílias ascendentes de Maria da Cruz? Segundo o manuscrito “Nobiliarquia Brasiliense”, de Roque Luis de Macedo da Câmera, o pai de Maria da Cruz seria Pedro Gomes de Abreu, capitão-mor de Sergipe-Del-Rei, neto de Leonel de Lima, Senhor da Casa de Regalados e sua mãe, Domingas Francisca Travassos, filha de Manoel Martins Chaves. A informação, no entanto, é refutada pelo casal pesquisador de Montes Claros, por não localizar nos anais históricos sergipanos o nome de Pedro Gomes de Abreu na lista de capitães-mores de Sergipe. É suscitada outra hipótese, aparentemente mais lógica, de que o pai de Maria da Cruz seria Pedro Gomes de Abreu, primeiro administrador da povoação de Urubu de Baixo, atual cidade de Propriá (SE), que teria se casado com a filha do Sr. Domingos da Cruz Porto Carreiro, proprietário de uma fazenda vizinha.

Esse novo Pedro Gomes de Abreu era filho de Pedro de Abreu Lima, genro de Antônio Cardoso de Barros, por sua vez, filho de Cristovão Cardoso de Barros, o conquistador de Sergipe, e neto de Antônio Cardoso de Barros, primeiro Provedor da Fazenda da colônia, devorado em 1556 pelos índios caetés, juntamente com o primeiro Bispo D. Pedro Fernandes Sardinha, após o fatídico naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda na costa de Coruripe (AL). Pedro de Abreu Lima foi agraciado pelo sogro com concessões de terras da região da “Serra da Tabanga” e, posteriormente, com áreas do futuro município de Propriá. No entanto, essa tese alternativa sofreria duro golpe. No texto “Propriá em seus albores” (1956), de autoria de João Fernandes Brito, é citado o “Padre João Gomes de Abreu” como sendo o filho referenciado de Pedro de Abreu Lima. Mesmo assim, o casal Giselle/Nahílson, que ficou apegado à suposição tão pitoresca, não descarta a possibilidade de algum erro de transcrição de algum manuscrito antigo pelo aludido autor.

O que não paira dúvidas, é que a rede genealógica de Maria da Cruz do Porto Carreiro, qualquer que seja a sua vertente, está povoada de gente fidalga e importante. A trajetória de sua família, bem como a sua saga própria, está ligada, de forma intrínseca, à história da ocupação das margens do Rio São Francisco. O sobrenome “Porto Carreiro” é um dos mais evidentes entre os primeiros contemplados com concessões de terras em Sergipe, inclusive figurando nos colonizadores pioneiros do município de Porto da Folha. Um dos genros de Maria da Cruz, o coronel Alexandre Gomes Ferrão Castelo Branco, Cavaleiro da Ordem de Cristo, afora posses no recôncavo baiano, era Senhor do Morgado de Porto da Folha. O seu primogênito, Antônio Gomes Ferrão Castelo Branco, potentado de igual fidalguia, que chegou a residir na Vila do Penedo, esteve presente, junto com os irmãos, em 07.02.1802, na fundação da Vila de Propriá.

No ano de 1789, em pleno ciclo do ouro, deflagrou-se a “Inconfidência Mineira”. A conjuração, mormente pelo martírio na forca de seu principal líder, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, representa o maior símbolo da luta do povo brasileiro contra a opressão do governo português e anseio de liberdade. De bom alvitre ressaltar, porém, que 53 anos antes, uma revolta similar, talvez obscurecida por ter ocorrido em uma época mais remota e em local distante, em que pese ainda a onda de violência e barbárie perpetuada por algumas das milícias rebeldes, combatia, de igual modo, a cobrança abusiva, por parte da coroa lusa, de impostos incidentes sobre a extração do ouro. A suposta cabeça central do movimento, Maria da Cruz, que teve, a título de apoteose repressiva, a prisão engendrada pelas autoridades mineiras, certamente, também é merecedora do devido pedestal histórico e imortalidade.

A seu respeito, ilustra o historiador Diogo de Vasconcelos, na obra supracitada de 1917: “A têmpera varonil não lhe tirava a natural doçura e fineza de trato. Conseguia atrair o afeto de parentes, subordinados e escravos, sem que sentissem a firmeza voluntariosa do mando. O tranqüilo esquecimento, a causa melhor da morte apagou o seu nome, conservado apenas no velho e obscuro arraial, à beira do grande rio.” A memória de Maria da Cruz Porto Carreiro, em caráter inédito, está sendo resgatada pelos dinâmicos historiadores mineiros Giselle e Nahílson, os grandes descobridores meritórios de seu “status penedense”. À luz dos registros testamentais, os restos mortais da ilustre patrícia e de seus amados esposo e filho mais velho, amortalhados no hábito do patriarca São Francisco, foram enterrados na antiga Capela de Nossa Senhora da Conceição, então Sítio das Pedras, mesmo local onde foi reconstruída a Igreja do mesmo nome, porém, hoje, sem vestígios das sepulturas. Como último legado, deixou cinqüenta mil réis de esmola ao Convento de São Francisco da Vila do Penedo. Ao que parece, pela tão significativa lembrança, o seu vetusto torrão natal nunca foi de todo esquecido e, decerto, preservado, no recôndito do coração, com muito carinho e grata recordação.

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  • Mônica parabéns pelo registro! precisamos valorizar esse tipo de iniciativa. talvez a grande pergunta não seja a origem das ramificações familiares da personagem em questão. devemos indagar sobre a origem e a trajetória de outros filhos do Penedo, que, assim como Maria da Cruz, foram esquecidos por conta da ação do tempo e de outras formas seletivas que caracterizam a escrita da história e formação da memória coletiva de cada lugar.
  • Ze da Silva Mulher danada.
  • Pedro A. Conde Lobo Martins Parabéns pela matéria, Sr. Wilson. Sou descendente de Catharina do Prado, filha de Maria da Cruz, e de seu Domingos Martins Pereira, por varonia. Há muitos anos venho pesquisando a origem de Maria da Cruz, chegando a conclusões semelhantes às de Gisele/Nahilson, ou seja, Maria da Cruz seria filha de Pedro Gomes de Abreu e neta de Pedro de Abreu Lima. Mas considero que a mãe de Maria da Cruz tenha sido Domingas Ferreira (Travassos) (seu nome está no testamento de Maria da Cruz, que vi), filha do portugues Manoel Martins Chaves e outra Maria da Cruz Portocarreiro, esta sim filha de Domingos da Cruz Portocarreiro. As tias maternas de Maria da Cruz foram: Paula Martins Chaves, Nazária Ferreira Chaves cc Antonio de Souza Carvalhedo, e Ana Gomes Vieira cc João Alves Feitosa (tronco de numerosa família). Maria da Cruz foi irmã, ainda, do Frei Manoel da Madre de Deus, de Benta Gomes (mãe de Luiza), e Antonia Gomes Travassos cc Gonçalo de Barros Taveira, capitão-Mor de Oeiras. Alguns dados necessitam de maiores confirmações, mas não acho que haverá muitas mudanças. Abraços: PS: meu trisavô, João Antonio dos Santos Conde, era morador em Penedo, onde faleceu em 1910. Ainda tenho parentes aí. Os pais de João Antonio, outro João Antonio dos Santos Conde cc Herminia de Figueiredo Dantas (de Passo do Camaragibe) são fins-de-linha, sobre quem nada sei.
  • Heitor Feitosa Macêdo Rogo para quem escreu o supracitado me responda onde encontrou os nomes das filhas de Manoel Martins Chaves, e se tem mais informações sobre os mesmos, pois, para mim, é de grande interesse, pois sou descendente direto do mesmo. João Alves Feitosa, português Minhoto, casou-se co Ana Gomes Vieira, moraram em Penedo, depois em Serinhaém, até que o João, segundo a tradição, veio para o Ceara, onde se instalou em no Brejo Grande, hoje Santana do Cariri. No entanto, deixou quem fez história aqui no Ceara, foram os dois filhos dele. Lourenço e Francisco (Alves Feitosa), os maiores sesmeiros do Ceara, os quais deflagaram uma guerra contra a família Montes, também de Penedo, por questões de terra. Então, se alguém poder me ajudar, ficarei muito grato e pronto para servir.
  • Reinaldo Alves/Emmanuel ben Yehudah A fazenda da família de Maria da Cruz ficava em Porto da Folha (SE), Curral do Buraco. Quando ela, sua mãe e tias nasceram, a capela mais próxima da fazenda ficava em Penedo, por este motivo elas como registradas como naturais de Penedo.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 26/08/2009 20:54

Pelo andar da carruagem

Não há dúvida que é muito cedo para fazermos uma previsão do que será, concluído o mandato, a atual administração municipal. Temos em nós, no entanto, o sentimento da intuição que, reforçado pela regra de que a comparação reforça a generalização e explica a exceção, o andar da carruagem, pela observação comparativa de fatos semelhantes, dá-nos uma idéia do itinerário e destino final, infelizmente nada animador.

O prenúncio de mau agouro já tem início na campanha eleitoral com cenas vergonhosas de espionagem às manifestações do eleitor, com o intuito de inibi-lo e pressionar sua escolha, ofuscando a democracia no mais comezinho direito do cidadão. Um verdadeiro show de barbarismo, numa total falta de conhecimento do que seja política, como fazê-la de uma maneira elevada, regredindo à condição de amadores. Em virtude disso, vivemos o obscurantismo da democracia, subjugada que se encontra a razão aos baixos instintos do ódio e da intolerância.

Não bastasse o manto das trevas que nos envolve na vergonha, fato inusitado, indigesto e nada palatável ao eleitor que escolheu o atual prefeito, diz respeito ao autoritarismo da Secretária de Ação Social que, extrapolando funções adstritas à sua pasta, interfere nas demais, dando a entender quem manda na administração municipal. Servindo-se dessa aberração, é natural que a opinião pública, nas mais variadas reações que vão da revolta, da frustração do voto dado, transforme o Prefeito no centro das chacotas. Ávida pelo poder, mas arredia ao bom-senso, dá o ritmo e as cores da atual gestão, pintando o “sete” com as tonalidades da intolerância e do nanismo no discernimento de suas decisões. É tão difícil a atividade cerebral? Como seria bom se a secretária, adepta do racional, se inspirasse no Voltaire quando dizia que a razão é doce, é humana, inspira a indulgência, abafa a discórdia e fortalece a virtude.

O que mais chama a atenção nessa anomalia de atribuições é o verdadeiro estelionato do poder pela secretária em referência. E perguntamos: seu poder de mando além dos limites, é uma decisão do Prefeito ou imposição da mesma? Seja qual for à resposta, nenhuma goza da aprovação e do respeito da opinião pública. Na primeira hipótese, seria de se lamentar tão estapafúrdia iniciativa, confundindo a coisa pública como uma extensão do particular, para satisfazer caprichos domésticos. Na segunda, diríamos que o Prefeito é digno de comiseração. É tão notória essa inversão do poder, comenta-se publicamente, que quando alguém quer tratar de negócio que envolve o município, dirige-se à secretária e não ao Prefeito. Onde estamos? Penedo virou casa de sogra? Quando alguém recebe um mandato público, pode dispô-lo como bem entende? Não, sob pena de incidir na irresponsabilidade.

Qual a conclusão que podemos tirar dessa super-secretária? Achamos, dentro do absurdo que vivemos, que o Prefeito, a revelia da consulta popular, instaurou o parlamentarismo municipal. A secretária em tela é a primeira-ministra e, como tal, é quem governa. O Prefeito, numa função um tanto figurativa, é o chefe de Estado. É o pitoresco que faltava para ficar registrado na história de Penedo. Para tentar amenizar a culpa do Prefeito, perguntaríamos: será que a explicação estaria numa possível depressão, adquirida no curso da árdua e difícil campanha eleitoral? Esse quadro doentio não seria o responsável pela fobia em querer administrar? Se verdadeira fosse essa suposição, por um lado teríamos de lamentar e, por outro, seria capaz de resgatar-lhe todos os pecados cometidos.

Confessamos, é grande o nosso desconforto em abordar os presentes fatos, em razão do relativo conhecimento que temos com o Prefeito e ter-lhe sido um fiel eleitor. Mas como não devemos confundir o público com o particular, fazemos, sensíveis aos sussurros e insatisfação das ruas, imbuídos do espírito de crítica construtiva, na esperança de que, feita a devida avaliação, passem as ações a fluir dentro da normalidade.

Dizíamos, no início, que é muito cedo para fazermos uma avaliação da atual gestão do município. Podemos, no entanto, seja qual for o resultado, se mudança não houver, que desaprovamos o conflito de poder, situação que denigre a imagem de Penedo. Em síntese, não achamos que essa aparente acefalia seja o prenúncio do sucesso. Face a esse quadro que destoa das expectativas, sentimos palpitar dentro de nós a força do instinto das aves migratórias e, contrariando o nosso conservadorismo, buscar refúgio na segurança de novas e alentadoras esperanças.

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  • Roberto Concordo plenamente com vossa matéria, o poder deve ser exercido em benefício da comunidade e não para favorecer o projeto político de seu ninguém, principalmente quando não se tem o apoio popular e sai "vencedor"de uma eleição com uma quantidade absurda de denúncia de fraude, sigamos em frente, mas, enxergo um futuro sombrio e tenebroso se esta administração continuar a administrar nossa cidade. Simplismente parabéns, João!
  • ISABEL BARROS Parabéns pelas colocações Dr Jõao, esta metéria expressa tudo o que nós penedenses, de "CORAÇÃO", pensamos desta admnistração de aparencias. Penedo encontra-se envolto em suspense desde o fatidico 05 de outubro, parece que AT vive numa eterna campanha, para convencer o povo de que é o prefeito eleito,mas entrega a admnistração nas mãos da esposa e super secretária, que não se contenta em ter apenas uma secretaria, mas controlar todas as outras. O projeto INACREDITÁVEL só veio para reforçar que os outros secretários lhes devem obidiência e que o regime atual é ditatorial, cujo poder tem dona!
  • Antonio Lins Caro João Pereira, Sua Materia foi de uma sabedoria sem igual, demonstrando que todos nós cidadãos Penedenses estamos de "olho" nessa dupla que faz de conta que administra a nossa cidade.Caso fossem 2 Homens poderiamos chamar de Batman e Robin, mas como dizem que Robin tinha uma opção sexual formada , pode-se cair como um manto! . Influenciado por suas palavras pesquisei na internet e para embasar ainda mais suas sabias colocações relato: o Municipio de Penedo recebeu de Janeiro a Junho de 2009 o valor de R$32.945.258,87 , só que no mesmo periodo ja contraiu compromissos , ja liquidados , ou seja, serviços ou compras ja realizadas no montante de R$35.618.221,91 se tomarmos o valor empenhado temos uma divida ainda maior. sabe de qto é essa divida:R$2.672.963,04!!! isso mesmo a dupla de excelente administradores deve aos fonecedores e comerciantes uma fortuna em tempos de crise. Se calcularmos mensalmente temos uma média mensal de R$445.493,84 de deficit, aonde vai parar!! ele quebrou o Municipio de Penedo, aonde esta indo o dinheiro? que serviços importantes foram feitos ? Ja que foi aprovado o projeto 28/2009 vou pedir a primeira ministra um oculos para que eu e mais de 99% da população possa verificar!!!! . Informações extraidas do Relatorio de Execução Orçamentaria publicado no sitio do Tesouro Nacional.Vale ressaltar que essas informações são assinadas pelo Sr. Joaquim Reis Santana, Alexandre Cedrim e pelo Prefeito atual e são enviadas mensalmente a Camara de Vereadores, como o Sr. Joaquim é Pai do Vereador Mario Alex (Nepotismo) pode ser que essas informações não cheguem aos edis preocupados em pedir "paliativos" ao chefe do executivo!!
  • Hamilton CAROS AMIGOS ... TIVE MINHA FORMAÇÃO MUSICAL NESSA BELA FILARMÔNICA UMA EXELENTE ESCOLA DE INICIAÇÃO MUSICAL. PORÉM ATE OS DIA DE HOJE AINDA NÃO VALORIZADA PELAS AUTORIDADES LOCAL E ISSO É VERGONHOSO. UMA ESCOLA DE TALENTOS A MELHOR ENTRE TODAS. SENHORES GOVERNANTES DE PIAÇABUÇU ACORDEM !!! E QUE DEUS ESTEJA SEMPRE COM ESSES MUSICOS SOFRIDOS DESSA CIDADE, E DESSE GRANDE PAÍS CHAMADO BRASIL.
Eduardo Motta

Eduardo Motta

Eng. de Pesca da Codevasf, pós-graduado em Desenvolvimento Regional e em Aquicultura

Postado em 23/08/2009 20:06

CERAQUA - Um marco na aquicultura brasileira

Antes mesmo de sua inauguração, o Centro de Referência em Aquicultura e Recursos Pesqueiros do São Francisco – CERAQUA, localizado no município alagoano de Porto Real do Colégio, já é uma realidade.

O projeto CERAQUA, concebido pela Codevasf, foi inicialmente aprovado na I Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, realizada em novembro de 2003 na cidade de Luziânia/GO, pela então Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República – SEAP/PR, hoje Ministério da Pesca e Aquicultura – MPA.

Considerado essencial para a difusão de tecnologia em aquicultura, em novembro de 2005 a SEAP/PR repassou à Codevasf cerca de R$ 2,9 milhões, visando a implantação do CERAQUA.

Diferentemente das demais estações de piscicultura existentes no Brasil, tanto em relação as do setor público como da iniciativa privada, que atuam com o foco na produção de alevinos para o fomento da atividade de piscicultura, o CERAQUA, além de visar a produção em larga escala de alevinos de interesse econômico e ecológico, é também um centro de prestação de serviços aquaculturais, de ciência e pesquisa, de capacitação e difusão de tecnologia, passando assim a ser um diferencial na atração de investidores para o setor de aquicultura e, dessa forma, preencherá um importante e estratégico elo da cadeia produtiva da aquicultura do baixo São Francisco.

A partir da prioridade adotada pela Codevasf objetivando promover a revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, a Companhia passou a investir recursos adicionais de aproximadamente R$ 6,2 milhões, com o objetivo de tornar o CERAQUA um dos mais avançados centros tecnológicos do país, apto a atender as demandas do setor produtivo. Além disto, em decorrência da avançada degradação do meio ambiente no vale do São Francisco, o CERAQUA será de grande relevância na recomposição da biodiversidade aquática.

Para atender essas necessidades, o CERAQUA está sendo munido de equipamentos laboratoriais de última geração, de infraestrutura produtiva e para pesquisa, de recursos humanos de alto nível nas áreas de: genética, nutrição, patologia, qualidade de água, biotecnologia e de reprodução.

A crise do atual modelo de desenvolvimento mundial tem se mostrado desigual, excludente e esgotante dos recursos naturais. Por sua vez, a degradação ambiental e as desigualdades sociais refletem, como consequência, a insustentabilidade da vida no planeta.

Nesse contexto, a busca da sustentabilidade no uso dos recursos naturais da Bacia do São Francisco, configura-se como caminho possível para reverter o quadro atual de degradação, tornando inadiável a tomada de decisão, objetivando a construção de um novo modelo de desenvolvimento.

Diante dessa perspectiva, enquadra-se a importância do CERAQUA como alternativa de desenvolvimento econômico para o baixo São Francisco, com ênfase na inclusão social e sustentabilidade ambiental.

Outra inovação é o modelo de gestão compartilhada a ser adotado no CERAQUA, inédito no Brasil, que terá carater multi-institucional, cujo tema trataremos em um próximo artigo.

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  • JOSUE SANTOS COMO TÉCNICO, PRESTANDO SERVIÇOS DE ATER AOS PEQUENOS PRODUTORES DO BAIXO SAO FRANCISCO EU DIRIA QUE ESSA CONVERSA JA E VELHA, QUEM NAO SE LEMBRA DO GLORIOSO MERCOVALE ONDE NO QUAL DAVA ENFASE A PISCICULTURA DO BAIXO SOA FRANCISCO E ATE HOJE PERGUNTO: CADÊ TAL INVESTIMENTO?, CADE A FABRICA DE PESCADO ONDE ESTAVA PREVISTO (EMBORA ESTEJA CONSTRUIDO)TONELADAS E MAIS TONELADAS DE PESCADO A SER BENEFICIADO, GERANDO COM ISSO EMPREGO E QUALIDADE DE VIDA PARA O PISCICULTOR, CADE OS FINANCIAMENTO PARA OS PISCUCULTORES TRABALHAR! OLHE, HOJE DIGO COM CONVICÇAO QUE A PISCICULTURA DOS PROJETOS DA CODEVASF ESTA FALIDA, SO DEUS SABE AS CONDIÇOES QUE ESSES PRODUTORES DE PEIXE VIVEM. OBRIGADO!
  • Frederico Nunes Da mesma forma acredito que essa instituição, desde a chegada do então Senhor Ministro Altemir Gregolin é só balela. Muita conversa, muito bla bla bla e nada acontece. Já vieram não sei quantas vezes a Alagoas e os abestalhados ficam todos iludidos. O projeto que eles estavam apostando muito em Pernambuco já tá fracassando, que é a produçã de beijupirá em tanques-rede em alto mar. É tanto bla bla, que a Qualimar ta com muitas toneladas desse peixe em Recife e não tem a quem vender. Por isso, vocês precisam cair na real e parar de querer iludir esse povo do São Francisco e fazer realmente um projeto sério, com os pés no chão e parar de querer fazer mídia de coisas que não acontecem.
  • Jorge Felicio O desenvolvimento da pesquisa e da tecnologia é um fator fundamental para a viabilização para um polo de psicultura no baixo são francisco.
  • Maria da Anunciação Com a chegada da ufal, com o curso de eng. de pesca e agora a viabilização do CERAQUA, passos importantes foram dados, mas muito ainda precisa ser feito pela CODEVASF, pelo governo federal, pelos gov. de Alagoas e Sergipe para que o polo de psicultura se transforme num fator gerador de emprego e renda para o povo do baixo são francisco.
  • Luiz Eduardo Sá Barrteo Acredito que à partir do empenho e apoio dos envolvidos (aquicultores, técnicos, pesquisadores e agentes da extensão, etc) e do comprometimento dos governos com a atividade, o Centro é uma ferramenta importante para a consolidação da aquicultura nessa região
  • Jose Quirino Mendes Nobre Entre erros e acertos, tenho convicção de que acertamos muito mais. Aqui no Norte de Minas Gerais, com duas Estações de Piscicultura, desde 1980, a CODEVASF é referência no setor. Graças a pessoas que acreditam no progresso da ciência e tecnologia, assim como Eduardo Mota, Albert Bartolomeu, Athadeu Ferreira e inúmeros outros colegas, disponibilizamos à sociedade, não só emprego e renda, mas alternativas proteicas derivadas do pescado abundante em todo o vale do São Francisco. Parabéns.
Jean Lenzi

Jean Lenzi

Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural

Postado em 20/08/2009 16:29

Opereta Bufa

Sabe o velho que dizia: “Em casa de ferreiro o espeto é de pau”, não é que ele tomou fôlego e virou marceneiro…

Anualmente a cidade do Penedo é presenteada com espetos tradicionais frutos de uma cultura ainda a ser descoberta. O espeto em questão é simplesmente o Festival de Férias no Teatro, mostra de teatro “profissional” e, diga-se de passagem, concorridíssima pelos amadores de plantão. No Penedo de múltiplas facetas, ainda que extremamente bucólico, vemos arteiros desempenhando ferrenhamente suas artes e seus ofícios como se fossem eles, únicos e legítimos filhos do ferreiro de barro, figurando na cena local de forma opressora e adeptos da retaliação gratuita, mas que por talento já deveriam estar despontando em outras Alagoas.

O Festival de Férias no Teatro em sua 7ª edição, como já se sabe foi idéia conjunta entre a Companhia Penedense de Teatro e os náufragos da extinta Cia. Dell’Arte, isto há exatos seis anos. Daquela época pra cá, poucas diferenças puderam ser notadas quanto à questão do “Casting” do festival, sempre grupos com considerável aproximação dos produtores da mostra, há tempos eles não contemplam grupos locais; não falemos, no entanto de suas próprias pratas da casa, presença marcante e certa a cada ano. Vejo nisto um misto de censura e arrogância partindo de agentes com considerável tempo de estrada, e daí, mando uma máxima: Competência, talento e honestidade nem sempre são valores obtidos pelo tempo, e menos ainda pelo grito.

Vamos direcionar nossos comentários aos espetáculos “selecionados” para esta edição: Grupos de Maceió e Cia. Penedense de Teatro. Os grupos convidados são revisitados pela mostra, inclusive com espetáculos, e com as graças de tália deixaram camufladamente em Stand-by, o tipo besteirol sacana e comercial tão aplaudido pela platéia alagoana nos últimos tempos, e deram espaço para encenações de valores incontestáveis, exemplo do espetáculo Insônia da Companhia de Teatro da Meia Noite que trouxe a Penedo a atuação do multifacetado ator Marcos Vanderlei que antes havia feito neste mesmo palco junto de seu grupo Infinito Enquanto Truque, o espetáculo “Navegantes” na companhia do também grande Lael Correa.

Espetáculos como “Insônia” fazem parte de um teatro de vanguarda nas terras alagoanas, feito por quem ainda não se deixou levar pelo comércio e pela preguiça de pensar, daí a idéia do artista multimídia Lael Correa quando diz que: “A arte pode ser comercializável, mas nem tudo que está no comércio é arte”, isto se aplica diretamente ao que sem vendo importando da capital e até de terras sem histórico de arte, que nas últimas edições da mostra arrancaram gargalhadas histéricas da platéia que ligadas ao apelo sexual e aos enrustidos valores, fecham os olhos para trabalhos gloriosos produzidos nesta proveta penediana. Exemplos como “Pluft, O Fantasminha”, produção infanto-juvenil genuinamente penedense da Cia. Artes Ribeirinhas estiveram à margem do “edital” de convite, e sem direito à carta de apelo ou lamentações, pois é mais fácil agradar a parceiros maceioenses a ter que convidar um grupo iniciante, porém local. E isso é dar espaço para todos? O que esperar de atitudes como esta? Que tipo de sociabilidade se espera agindo desta forma, usando subterfúgios para comercializar a arte local e ignorar o que é feito aqui apenas por um ego de amador inflamado? Já está caduca a idéia de que rever o conceito de arte é uma pedida constante.

A produção local de teatro não é das mais pujantes, artistas se revezam em jornadas estrondosas de trabalho extra-teatro, são poucos os que conseguem driblar estes por maiores, isso talvez devesse reforçar a idéia de união, afinal das contas quatro gatos pingados brigam entre si por um filé alheio, e “uma cacique” orgulhosa por sua idade de tablado, bastante petulante acha-se na direção da gataria, mas nada contra, enfim, já passaram da debutância.

Nos três finais de semana propostos pelo festival, as grandes atrações foram dadas graciosamente na rua, mais especificamente na porta do Theatro onde jovens iniciantes do teatro sergipano nadaram fervorosamente para desempenhar seus papeis no espremido espaço da programação, validando o sentido do que é teatro e como fazê-lo sem grandes recursos. Em Penedo isto se torna um contra-senso se levarmos em conta os autores indiretos da proposta.

Representações de um teatro pobre e sem artifícios de inteligência e senso critico foram dadas com ares de mega-produto cultural na ideia morta de que exclusivamente durante o evento, Penedo respiraria cultura, talvez uma respiração ofegante, mas “cultura” já que a peça “Solteira Procura-se”, encenada por uma atriz de talento duvidoso, que procurando um espaço para proferir suas idiotices e um comércio que futuramente lhe será garantido a exemplo das demais edições, foi umas das contempladas pelo edital-convite certamente graças a uma velha coincidência.

Mas o Festival de Férias no Teatro não pretende-se apenas uma opereta bufa, encanta com um intercâmbio bacana entre grupos e trabalhos diferentes para gostos diferentes, e principalmente isto. A programação desta 7ª edição em grande parte superou as expectativas deste algoz escritor trazendo a exemplo de Insônia, os graciosos “Baldroca”, “Murro em ponta de faca” e o surpreso “Solampião”, este último com uma curiosidade a parte; é representado por um dos grandes atores do Estado, mas anda com a cabeça bastante mercantil, iluminadas por refletores de “boate gay” e” purpurinas recicláveis” que surpresamente não foram acendidos nesta edição. As demais noites ficaram a cargo da graciosa “Alice” da Cia. do Chapéu, “Metafaces” da Cia. De Teatro da Meia Noite e de “Os Saltimbancos” velho parceiro da mostra.

Porém as grandes surpresas da mostra foram exatamente as representações de “Terra Terta” e “Como nasce um cabra da peste” ambos da própria companhia idealizadora da mostra; um comemora seus 10 anos de montagem, uma espécie de “farinha de pimba” para os nordestinos mais atentos, e o outro a grande sacada nos últimos dez anos do grupo, surpreendeu pela proeza de lotar as poltronas do Theatro Sete de Setembro com talentos efervescentes e dignos de um bom teatro regional, estilo marcante das produções da Cia. Em “Como nasce um cabra da peste” que no inicio de sua montagem teve desnecessariamente a direção assinada pela atriz Juliana Teles, (desnecessária por que a Cia. não precisava de nenhum dos pitacos da “diretora”), foi dada uma das maiores encenações do teatro local, o público que esteve presente naquela noite certamente saiu reconfortado por investir num ingresso popular de um espetáculo rico em talento e em texto e com atores verdadeiramente dispostos ao fazer teatral, comprovando que são competentes no palco, mas duvidosos nas coxias, detalhes a serem apreciados em outros momentos. O talento dos atores deste espetáculo não fica abaixo de qualquer outro que tenha se apresentado na mostra, e eles próprios reconhecem isto, são bons e merecem mais do que os refletores defeituosos do Penedo, ressalvas para a premiada atriz Jô Moreira, a pequena notável Aline Soares, o mestre Fernando Arthur, a impenitente Czar Miranildes Pereira e obviamente um dos grandes atores do Penedo, Emmanuel Silva, talento encontrado e claramente reconhecido pelo público. Artistas como Emmanuel comprovam um teatro rico, mas que nem mesmo assim escapam das cópias abobalhadas de um sistema falho e ignorante. Na noite da representação de “Como nasce um cabra da peste”, sem sombra de dúvidas as grandes encenações foram dadas por Miranildes Pereira, cujo talento a fez vestir-se numa regional parteira do nordeste esquecido, -“Dona Jerusa”-, numa atuação magnânima; e a outra, o deleite da platéia, exatamente um comerciante de soluções práticas, digno da caatinga nordestinesca, o qual encarnou magistralmente o ator Emmanuel Silva; são estes os representantes da arte mais ameaçada do mundo, mas, sobrevivente de nós mesmos, e o povo do Penedo por respeito e obrigação deverá conter o gozo e tirar o chapéu.

O Festival de Férias no Teatro existente desde 2003 era praticamente inexpressivo há até duas edições e mesmo com todos os problemas que pontuo, é atração fixa no calendário cultural de julho nesta cidade, e isso, vale ressaltar, independe de quem esteja fixado no poder público, como já sabemos este é o último a correr junto numa iniciativa como esta e, num Estado como este, onde o investimento em ação cultural se tiver voz possivelmente é afônica, não há surpresa alguma; incontáveis mostras proporcionalmente maiores já saíram de cena por depender em grande parte do poder público, e o festival de teatro do Penedo é um exemplo singular de iniciativa exclusivamente artística e merece que fiquemos de pé para aplaudi-los.

Meus caros colegas, PARABÉNS PRA NÓS!

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  • Edmundo estão de parabéns!
  • Douglas Realmente estão de parabéns!!! mais dificiumente podemos ver os espetaculos locais neste evento!!!(a não ser da propria cia Penedense) uma pena como nos fala o caro Jean. Tao como citado PLUFT,QUE MÃE QUE ARANJEI,SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO E OUTRO ´que já fui publico de todas as formas PARABÉNS><
Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 14/08/2009 19:48

Musical penedense de glórias e crises

Musical penedense de glórias e crises
Sociedade Musical Penedense

A histórica cidade de Penedo já vivenciou um passado de esplendor cultural. Os moços se preocupavam, à época, com os estímulos da inteligência e do espírito. A banda de música tocava a alma sentimental do penedense. E, não era apenas uma, mas quatro. Existem referências das agremiações Lyra Operária 6 de Novembro, composta de operários da Cia. Industrial Penedense e dirigida pelo mestre Francisco Paixão, bem como da União Caixeral, organizada por elementos do comércio local e regida por Lauro do Carmo. De maior evidência social, despontaram as bandas Euterpe Ceciliense e Carlos Gomes, fundadas, respectivamente, em 1883 e 1888, pelos maestros Henrique Thomaz Ribeiro e Manoel Tertuliano dos Santos (Manoel Baixo).

Numa iniciativa do empresário Mário Themistocles Dantas da Empresa Penedense de Transportes, era fundada, em 16.07.1944, a Sociedade Musical Penedense, cuja primeira diretoria ficou assim constituída: Presidente - Mário Themistocles Dantas; Vice-presidente - Jonas Sales; Secretários - Odijas Souza e Thomaz Barboza; Tesoureiro - Homero Thomaz; Diretor Fiscal - Antônio Porto. A banda musical pioneira contou com a adesão de músicos das extintas corporações musicais Euterpe Ceciliense e Carlos Gomes.

A agremiação passou a funcionar provisoriamente no Monte Pio dos Artistas e depois no sobrado onde residia o músico e mestre Edson Porto. Para a sua construção, a entidade contou com a colaboração da Prefeitura Municipal na gestão do prefeito Alcides Andrade, além do repasse de verbas pelo então deputado federal Antônio de Freitas Cavalcanti, certamente o grande baluarte de sua história mais remota.

Na galeria de presidentes figura os nomes dos senhores Mário Themistocles – Edson Porto Fausto Pereira Pinto – Homero Tomaz – Ernani Carvalho – Padre Luiz Soares - Gerson Espinheira - João Fernandes Lessa – Luiz Vitorino Guimarães - José Andrade Alves - Onofre Monteiro - Afonso - Epaminondas Rocha - Evaldo Araújo – Antônio Carlos Belo – José Belias – Horácio Mangabeira - Paulo Moraes Calumby – Sebastião Ramos e Weliton Mota. Já no quadro de figuras ilustres e colaboradores, são alvo de destaque o prefeito Tancredo Pereira, patrono da sociedade, o jornalista Wilson Lucena e o contador Paulo.

O seu elenco de regentes teve como precursor o carismático maestro Edson Porto, seguido de Fausto Pereira Pinto - Manoel Pedro - Antônio Porto - Homero Thomaz - Luiz Freire e o mestre vitalício e de honra Nelson Silva, recentemente falecido e maior referencial da agremiação. Em sua fase contemporânea, a Musical Penedense contou com os trabalhos profissionais dos conhecidos oficiais militares reformados Eraldo Trindade, Raimundo Santos e Jonas Duarte.

A pioneira banda da Sociedade Musical Penedense tinha a seguinte constituição: clarinetas: Manoel Amaral - Nelson Silva - Eduardo Montenegro (Sessenta) - Manoel Gomes e Elias Gomes; trompetes: Leonardo Marques - Elisio Souza - Antônio Porto - José Santos José Eduardo; trombones: Homero Thomaz - Thomaz Barbosa; Sax alto: José Vaz - Gerônimo Vieira; trompas: Abílio Pereira - José Cassiano - Ricardo Souza - Moacir Porto; Bombardino: José Cunha; contrabaixos: Mauro Silva - Avelino Ricardo (Lindor) - Tinô Camarão (hélicon); percussão: Tarciso Thomaz - Francisco Catarino - Miguel Oliveira e Aguinaldo Oliveira.

Outros grandes e tradicionais músicos passaram pelas suas hostes: Armando – Benício dos Santos - Aldo – Adriano – Wilson Barbosa – Genésio - João de Celso – José Ramos - José Carlos - Carlos Alves – Sérgio Alves - Emílio – Claudionor ( Nô) – Elízio Ramos (Tininho) - Luiz Carlos (Luiz Scania ) - Manoel Alves – Sargento Nilton – Fausto Pereira - Paulo Batista (Mainha) – Bonerj Bezerra - José Araújo – Antônio Bezerra – Lindomar – Joan – Sandra - Amado Caldas – Emanoel Rocha - Edson Moura - Sebastião Ramos – João Faustino – Alfredo Santos, dentre outros.

Com a sua programação festiva já tradicional, no dia 19.07.2009, a Sociedade Musical Penedense comemorou os seus 65 anos de inestimáveis serviços prestados à causa musical de Penedo. Através de sua escolinha, imortalizada na figura do lendário mestre e maestro Nelson Silva, centenas e centenas de músicos foram formados. A sua tradicional banda de música sempre participou de eventos religiosos e cívicos em Penedo, assim como em outras localidades do Baixo São Francisco.

No entanto, como já de praxe, a agremiação atravessa mais uma crise. Em matéria recente em jornal local, o maestro Wellington Mota, na prática o governante de fato da Musical Penedense, teceu os contumazes protestos pela falta dos repasses financeiros da Prefeitura. Mas, isso constitui apenas uma parte da questão. O imóvel da sociedade, o maior do gênero no Estado, é grande, ocioso e dispendioso de manutenção. Inexistem sócios contribuintes. A atividade social se limita ao jogo de baralho noturno. Por dissidência com a maneira de administrar do aludido dirigente, boa parte do pequeno grupo de adeptos está afastada. Carecem de completa reformulação a escolinha e a banda de música. Em suma, a entidade prescinde de uma diretoria mais coesa e representativa que possa promover as necessárias e vitais mudanças em prol de seu soerguimento.

Fenômeno histórico, artístico e sociológico, não obstante todas as dificuldades para subsistir e o descaso governamental, a banda de música nunca deixou de ter uma presença marcante na comunidade em seus momentos mais caros e solenes, funcionando como um verdadeiro conservatório popular. Ainda é a mais antiga instituição ligada à criação e preservação da tradição musical brasileira, desenvolvendo, notadamente nas pequenas localidades interioranas, importante trabalho educativo e social, através do qual propicia oportunidade de uma vida mais digna a centenas de jovens carentes. Por isso, convém que as lideranças municipais tenham um pouco de maior sensibilidade para tão relevante causa.

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  • José Felix Brilhante trabalho de pesquisa!! Parabéns a organização por apoiar a cultura!
  • Zuildson Ferreira Alves Meu pai , João de Celso , falecido, dedicou grande parte de sua vida musical à Banda de Música da Sociedade Musical Penedense. Trompetista reconhecido em todo estado de Sergipe , Alagoas e outros. Excelente trabalho. Parabéns!!!!!!