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Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 05/12/2009 13:29

O mercantilismo religioso

Fenômeno em muita evidência nos atuais tempos, o “mercantilismo religioso” ou o “comércio da fé” remonta às célebres indulgências católicas. No catolicismo, as indulgências, condicionadas a penitências e boas obras, são concedidas para perdoar as penas temporais causadas pelo pecado. Como os perdões também se associaram aos donativos piedosos, logo emergiram os abusos e desvirtuamentos. Durante a idade média, documentos forjados declaravam que indulgências de caráter extraordinário foram concedidas, assim como também ocorreu a venda das concessões por profissionais “perdoadores”, que pregavam: Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma sai do purgatório.

Em 1517, o Papa Leão X ofereceu indulgências para aqueles que dessem esmolas para reconstruir a Basílica de São Pedro em Roma. O agressivo marketing de Johann Tetzel em promover a causa provocou o monge alemão, Martinho Lutero, a escrever suas “95 Teses”, através das quais protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, bem como de alguns absurdos praticados pelo seu clero, ensejando a Reforma Protestante. Sob a nova ótica evangélica, devidamente embasado na Bíblia desde Abraão, assoma o “dízimo”, que corresponde ao repasse de um décimo da renda do fiel para a “Casa do Senhor”. Em caráter espontâneo, ofertas adicionais também são bem vindas.

Em relação à tributação, a coleta do dízimo é legal e livre de imposto, desde que o seu produto seja direcionado para as despesas de manutenção e custeio da igreja, edificação de novos templos religiosos, subsistência dos pastores, ajuda a um irmão carente ou enfermo, dentre outros. No entanto, desviá-lo para o próprio bolso é crime. Segundo reportagem especial da Revista Veja, O sagrado e o profano, de 19.08.2009, o Poder Judiciário aceitou denúncia do Ministério Público contra o grupo dirigente da “Igreja Universal do Reino de Deus”, por crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, ao qual se atribui a apropriação indébita de bilhões de reais em dízimos coletadas de seus adeptos.

Sedimentado em depoimentos de pastores dissidentes e de várias vítimas, vídeos e constatações in loco, sob a égide da “Teologia da Prosperidade”, o texto ilustra que a organização religiosa do bispo Edir Macedo ensina e prega que o grau de demonstração da fé é diretamente proporcional aos valores das doações, ou seja, quanto mais dinheiro o fiel der à igreja, mais fé demonstra e mais receberá de Deus, tanto no âmbito terreno, como no espiritual. Por isso, além da exigibilidade do dízimo, aliados a campanhas suplementares de arrecadação, pastores profissionais e criativos, inclusive com metas de captação financeira, estimulam, em escala sempre crescente, aportes extras dos fiéis.

Em tudo isso, muito pitoresco também o clima de catarse e de êxtase criado nos cultos. Ao longo da semana, existe toda uma programação bizarra, que contempla a aquisição de produtos de graça celestial, tais como a rosa, sabonete e óleo ungidos, sal grosso, espada e martelo. Contudo, o mais interessante e cômico são as sessões dos exorcismos ou descarregos, o popular “Xô Capeta”. Certamente, só pessoas pouco esclarecidas ou muito angustiadas podem ser induzidas a tamanho “conto de vigário”.

Nesta semana, a Justiça Federal de São Paulo condenou os fundadores da Igreja Renascer em Cristo, aquela do craque Kaká, Estevam e Sônia Hernandes, a quatro anos de reclusão pelo crime de evasão de divisas, pena que será comutada para prestação de serviços a entidades filantrópicas. De igual modo, no tocante a escândalos financeiros, por lavagem de capitais, o Banco do Vaticano é outro contumaz freqüentador de manchetes rumorosas, fama que provém desde a Segunda Guerra Mundial, quando foi acusado de receptar os tesouros roubados dos judeus pelos nazistas.

Em reportagem exclusiva da Folha de São Paulo, edição de 29.11.2009, apenas com os registros da assembléia de fundação e de um estatuto maroto, comprovou-se que bastaram dois dias e R$ 218,42 para uma equipe do jornal fundar uma igreja. Com mais três dias e R$ 200,00, a fictícia “Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangelho” já tinha CNPJ, conta bancária aberta e toda imunidade fiscal. Seus ministros, uma vez escolhidos, também gozam de vários privilégios. Se a “Lei Geral das Religiões”, já aprovada na Câmara, se materializar, novas vantagens serão incorporadas. Com tantas facilidades e concessões, fundar uma igreja virou um bom negócio. Tanto assim, que hoje existe uma explosão de igrejas e de seitas religiosas, principalmente nos bairros periféricos. Como óbvio, mais pregadores impostores e bispos espertalhões no mercado.

O propósito básico da vida é a felicidade. Nesse sentido, como ponte de interação com a espiritualidade e o divino, através do evangelho, o cultivo de uma religião sadia e confiável é fundamental na vida do ser humano. Ela também é altamente benéfica como instrumento agregador da família e disseminador dos valores éticos e morais. Em difundir a verdade e a virtude. No estímulo da solidariedade, compaixão e amor. A própria ciência já admite o aspecto positivo da oração e da meditação, bem como da salutar prática da fé sem intolerância ou radicalismo.

Obviamente, que existem, tanto do lado católico, como do evangélico, eminentes pontífices religiosos, pastores sérios e de elevado grau espiritual, homens sábios e iluminados e legítimos representantes de Deus. Portanto, cuidado para não confundir uma verdadeira igreja com um templo suntuoso religioso de fachada, que abusa da credulidade dos fiéis para subtrair-lhes o suado dinheirinho e o sacrificado patrimônio. Ao invés do tão ansiado paraíso celestial, você corre o risco de embarcar num indesejável inferno terrestre.

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  • manoel sant'anna rodrigues Há grande necessidade de definirmos com altivez e maturidade, sem o peso do egoísmo ou da vaidade, o que queremos para a nossa gente. Penedo como é sabido por todos nós, precisa de um abraço politicamente patriótico, que o leve ao caminho do desenvolvimento. Devemos nos unir, para virar esta página e implantarmos uma frente, que possa dar sustentáculo aos projetos do próprio penedense. A verdade, é dizermos sem medo de errar, que Penedo tem penedenses competentes, capazes de administrá-lo e representá-lo muito bem. Com humildade e determinação, Penedo vai! Levante esta bandeira! "Se os homens tivessem dentro da alma a humildade e a gratidão, viveriam em perfeita paz." (Vicente Espinel) Manoel Sant'anna
Jean Lenzi

Jean Lenzi

Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural

Postado em 30/11/2009 18:05

Palco com tecla de "Replay"

Madame

 “CADA COISA TEM UM INSTANTE EM QUE ELA É. EU QUERO APOSSAR-ME DO É DA COISA”. Clarisse Lispector

Em artigo publicado em 2005 nos jornais ‘Gazeta de Alagoas’ e ‘o Jornal’ o dramaturgo alagoano Lael Correa comentava as dificuldades encontradas pelo artista do palco em manter viva na memória da platéia os grandes feitos de uma arte chamada cênica; como argumento, Lael utilizou-se do seguinte:

“(...) É porque o artista dos palcos já sabe, de antemão, que não poderá materializar ou tornar permanente a sua obra. O pintor terá suas telas, o músico terá suas partituras, o cineasta te rá suas fitas. No entanto, um artista de teatro terá apenas a memória da distinta platéia para guardar e valorar a sua atuação. E mesmo esta memória sofrerá a ação do tempo: lapsos, distorções, hiatos e até o total apagamento (...)”.

Na mesma razão é explicado que a arte cênica é provavelmente a arte mais difícil de avaliar e conceituar por razões que são próprias do palco, daí a ideia da filmagem, fotografia, registros dos mais diversos para o ato que acontece em cena, não podendo este, é óbvio, ser considerado teatro, uma vez que o teatro só acontece em um tempo único, restrito, onde ator e público, cúmplices de uma ação única vivem a mesma realidade; ou melhor - o realismo.

Na cidade do Penedo, em especial, uma considerável fatia do que se dizia a formação maciça da platéia preferiu abraçar emocionalmente um teatro de pouca inteligência, ainda que se possa considerá-lo teatro. A platéia não só a penedense, mais a arapiraquense, - ‘alagoense’ de modo geral, guarda não somente na memória, mais e principalmente nas corriqueiras atitudes os cacos deixados pelo velho e bom besteirol, é uma espécie de teatro bem legal este, onde só os “grandes” e altamente profissionais conseguem desempenhar a difícil missão de montar um circo onde os palhaços (no sentido negativo da palavra) são os próprios expectadores, na ignorância ou na inocência estes, apenas divertem-se, pois a sessão terapia está instaurada.

Depois disto: “cabe ao dono do circo sair catando as migalhas deixadas na platéia, pois será de grande valia para a montagem da tenda em outras terras, mas com tribos semelhantes, e depois, mais outra e novamente outra que sobe e recresce numa volúpia dolorosa, e já dizia Fernando Pessoa: “ é sempre uma coisa atrás a outra, sempre uma coisa tão inútil quanto a outra”

Contra isto, somente muita competência e um senso crítico bastante aguçado para driblar estes por menores. Tomando como exemplo o próprio Lael Correa que carrega em seu currículo 16 prêmios nacionais por direção, atuação, e um criado especialmente para ele em 2001, melhor adaptação, e nenhum é de Alagoas, o que deve ser razão de orgulho. Com 26 espetáculos, o grupo Infinito Enquanto Truque criado em 1989 se orgulha da linha de teatro contemporâneo de excelente qualidade que faz com quê os escritos consagrados de seus autores prediletos ultrapassem os séculos e permaneçam sempre atuais.

Isto aconteceu com Vértice numa narrativa da vida do pintor Michelangelo, com Navegantes do poeta lisboeta Fernando Pessoa, com Ratufuso que teve o prêmio de melhor adaptação criado especialmente para o texto no Festival de Teatro do Paraná e cujos escritos pertencem ao alagoano Graciliano Ramos, com Ciranda Renda Palavra da contemporânea escritora Arriete Vilela, em Genética com a genealogia de Jean Genet, que é também o escritor revisitado da vez com Madame, novo espetáculo do grupo que de passagem por Penedo sob os auspícios da Casa do Penedo, Madame hospedou na noite do último dia 20 no Theatro Sete Setembro onde foi recebida com todas as poupas por um público delicado e sensível fortalecendo a idéia de que em Penedo há também platéia à altura de uma madame.

Comentar o teatro alagoano pode ser coisa muito difícil, são poucos os grupos que tem uma preocupação com a escolha dos textos, com a mídia, com a censura, com a reação da platéia e até mesmo com a crítica; muitos esnobam os iniciantes, mesmo que sejam eles os responsáveis pela qualidade produzida pelos iniciantes e o contraponto disto tudo é exatamente a arrogância, que a meu ver é puramente uma defesa pessimamente maquiada pelos amadores.

Mas o sólio do Penedo insiste em nos fazer possuir uma tecla de replay, haja vista as últimas encenações com seus respectivos espectadores: quando são besteiróis pornográficos a casa é cheia, o ingresso é acima do que eu previa como humilde agente cultural, a pauta do Theatro se é paga não sabemos, o que é razão para outras cerimônias. Seria muito pertinente que os produtores locais, deixassem a preguiça e o espírito mercenário de lado e fossem pesquisar de fato coisas interessantes, teatro de boa qualidade – é um questionamento que eu me faço sempre: como é possível uma criatura que se diz ser artista poder se sentir bem em ganhar dinheiro produzindo lixo, ao invés de encenar pérolas? Falta de talento? Falta de inteligência? Tenho milhões de certezas e a mais feliz é a de que Penedo comporta todos os estilos, há platéia para tudo, neste caso só resta aos produtores passarem de uma vez por todas para a segunda fase do estágio: a profissional; para tanto terão eles que antes desligarem a tecla Replay.

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  • Alunas dele 'sagrado' Aê Professor, essa foto aê,''abafando'' kkkkkkkkk Tá lindão' gostossinho o senhor viuu Beijos
  • Carlos Gomes Vc Geanderson dos Santos, já desligou a tecla replay? Pq pelo que vejo em seus espetáculos é um conjuntos de besteira + porcaria = nada! Talvez se vc fosse mais humilde, seria um pouco melhor como artista! Pq vc até que fala bonito! Mais só falta vc agir como os personagens de suas estórias! Está na hora de vc crescer um pouco! Falar só não adianta! É preciso agir! Abraço cara!
  • MEIO FÃ Se a tecla de replay foi ou não, será ou não desativada só o artur, a mira e aline podem dizer, mais o q o jean fala e faz é muito impotrante para o teatro local, quanto as porcarias ainda não vi ele fazendo nenhuma, a não ser o de dá creditos a quem não merece - como por ex, criticcar os colegas que são bobos demais para separar a amizade e trabalho. Jean vc ta de parabéns;
  • GEANDERSON G. DOS SANTOS quem critica um critico é sempre um ignorante, ele fala coisas próprias da sua area e só, acredito até que fala pouco! ahhh e eu sim me chamo Geanderson G. dos Santos e não faço teatro. valeuuu.
  • Carlos Eduardo Tem plateia pra tudo mesmo menos para seus espetaculos!!!! Que não dão meia duzia de pessoas pingadas, mesmo sendo custo zerooo!!! xerooooo Dom Geanderson dos Santos!!!
Públio José

Públio José

Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida

Postado em 27/11/2009 18:56

A caverna de cada um

Todos nós enfrentamos momentos difíceis em nossas vidas. Muitos – a grande maioria, por sinal – tendem a interiorizar seus problemas e vê-los bem maiores do que são na realidade. Tais pessoas costumam transformar suas dificuldades em inimigos tão difíceis de enfrentar e vencer que a saída, na maioria das vezes, é procurar o isolamento como forma de refrigerar o sofrimento e diminuir a intensidade da dor. Na verdade, buscam cavernas interiores onde possam se esconder e deixar a borrasca passar, ao invés de se instrumentalizarem para a luta, cultivando dentro de si as armas necessárias ao enfrentamento dos problemas. É natural esse comportamento, o que não quer dizer que seja o mais recomendável. Todos nós, em alguma circunstância de nossas vidas, habitamos cavernas. Já certas pessoas passam a viver nelas um tempo longo demais, diminuindo, com isso, a sua capacidade de luta.

A caverna pode ser até salutar quando o tempo nela vivido é utilizado para meditação, renovação de forças e cultivo de uma nova esperança. Fora disso é fuga, covardia ou a perda da capacidade de reagir, de lutar, de transformar momentos difíceis em aprendizado, capacitação. Muitos personagens ilustres se utilizaram, ao longo da história, de cavernas como forma de superar realidades indigestas. Freud, por exemplo, carregou em seu interior um longo período de tristeza pela morte de um neto. Foram anos sofridos, vividos, em grande parte, em cavernas, das quais saía, de vez em quando, para prosseguir na luta do dia a dia. São também notórios os casos de escritores, artistas, intelectuais, personalidades ilustres que, de tanto buscarem nas drogas uma caverna segura para suas aflições, vazios existenciais – e até inspiração – terminaram sucumbindo a essa nefasta convivência.

Entre os famosos, Jesus Cristo foi um craque em usar a caverna de maneira produtiva. No Jardim do Getsêmani, momentos antes de ser preso, utilizou-se esplendidamente desse instrumento de reclusão como forma de se fortalecer interiormente para enfrentar – e vencer – as horas difíceis que teria pela frente. Na solidão do ambiente, em permanente contato com Deus, através da oração, Jesus travou dentro de si uma batalha tão dolorosa que chegou a suar sangue. A beleza desse instante está em que seu sofrer não acontecia por nenhum problema criado por ele. E sim pelo preço que teria de pagar pela cédula de dívida que tínhamos com Deus por conta dos nossos pecados. Após a intensa introspecção, Jesus saiu do Getsêmani fortalecido interiormente para enfrentar a prisão, o julgamento e a morte. A caverna serviu, assim, para meditar, renovar suas forças e cultivar uma nova realidade.

Realidade que se concretizou no advento da ressurreição. Pois eram nesses instantes de isolamento, no recolhimento interior utilizado principalmente para o contato com Deus, que Jesus encontrava lenitivo para suas dores e revelação dos fatos que viriam a seguir. Ele, portanto, utilizava-se da caverna na busca das explicações para as dúvidas e incertezas que, por ventura, surgissem em seu caminho, e também na correção dos rumos no seu relacionamento com os homens. Assim, a caverna era um elemento altamente valioso na arrumação interna de suas emoções e no planejamento futuro de sua rotina. Conclui-se, então, ser muito difícil não habitarmos cavernas ao longo de nossas vidas. A questão é saber o uso que estamos fazendo dela. Se ela está nos retemperando para vitórias futuras, ou nos levando ainda mais para o fundo do poço. Aliás, agora mesmo, você está dentro ou fora da caverna?

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Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 23/11/2009 23:19

O contraponto degradante das favelas cariocas

Certamente, o grande “Arquiteto do Universo” e a natureza foram muito caprichosos na construção e lapidação de um dos cenários mais magníficos e belos de todo o planeta, onde se descortina a cidade do Rio de Janeiro. Infelizmente, como uma mancha escura que se alastra numa magistral obra de arte, num contraponto degradante, surgiram e cresceram as favelas cariocas. Focos de bolsões de pobreza e redutos do banditismo, elas também são responsáveis por um injusto estigma de uma suposta violência urbana generalizada, que muito prejudica a imagem da “Cidade Maravilhosa”.

O termo “favela” remonta à Guerra de Canudos, cidadela construída junto a alguns morros, entre eles o “Morro da Favela”, assim chamado por causa de um arbusto chamado favela que encobria a região. Os combatentes, ao regressarem do conflito, sem receber o soldo, instalaram-se em construções provisórias no “Morro da Providência”. O local passou, então, a ser designado por “Morro da Favela”. No término do período escravagista, sem posse de terras e sem condições de trabalho, grande contingente de ex-escravos também assomou os morros cariocas. Por outro lado, durante grandes empreendimentos urbanos, a exemplo da construção das linhas de bondes, os trabalhadores acomodavam-se nos canteiros de obras. No final, quando não encontravam emprego em novas obras, tinham de construir seus barracos junto aos locais em que pudessem conseguir trabalho

A gradativa migração da população rural para o espaço urbano, aliada à histórica injustiça social brasileira, assim como da dificuldade do poder público em criar políticas habitacionais adequadas, são fatores que impulsionaram o crescimento dos domicílios nas favelas. Hoje, o Rio de Janeiro já tem mais de 1.000 favelas. As mais novas são apenas pequenos grupamentos de barracos. Segundo o Instituto Pereira Passos (IPP), de 1999 a 2008, o aumento de áreas faveladas foi de 3,4 milhões de metros quadrados, território equivalente ao do bairro de Ipanema. Mantido esse ritmo, estima-se que a área ocupada pelas favelas no Rio dobrará em 34 anos. Assim, até 2043, a cidade pode perder um quarto de sua área verde. Um gigantesco monstro voraz e avassalador, muito difícil de ser contido ou erradicado.

Mas a grande dimensão do abismo não é apenas social ou ecológica. Quase a metade das favelas cariocas está nas mãos dos bandidos que comandam o narcotráfico. A topografia montanhosa, as dificuldades de acesso e a alta densidade populacional as transformaram em trincheiras. Ao longo de uma semana, o autor deste artigo, em companhia da consorte, fizeram o primeiro arruar na cidade do Rio de Janeiro, oportunidade em que foram colhidos vários depoimentos, notadamente de taxistas. Todos foram unânimes em ressaltar que a problemática está intimamente ligada à contumaz ineficiência e inércia governamental, conivência política e corrupção policial, além de uma relativa letargia e indiferença do poder central. Ademais, se matar um traficante, vem outro. Se urbanizar uma favela, a quadrilha muda para outra.

Sob alguns ângulos, não deixa de ser interessante um comparativo do cangaço de Lampião com o narcotráfico carioca. Tal como nas favelas, o sertão nordestino era uma terra inóspita, abandonada pelo Estado e dominada pela lei do mais forte. As populações pobres eram as maiores vítimas. Sempre ficavam no meio do tiro cruzado entre as atrocidades dos cangaceiros e as represálias policiais. Além de sua astúcia, Lampião só conseguiu manter um reinado de 19 anos graças ao seu clientelismo corrupto, representado, principalmente, pela figura do coronel sertanejo. O célebre facínora sempre estava à frente da polícia em informação, armamento e munição. Para combater o rei do cangaço em seu território, as volantes da polícia eram compostas por outras “feras da caatinga”, inclusive ex-cangaceiros. Portanto, não adianta recrutar praça do Exército para subir o morro. No entanto, quando há vontade e determinação política, as soluções aparecem. Bastou o presidente Getúlio Vargas bater o martelo, Lampião logo foi acuado e morto.

Não obstante toda a extrema gravidade do problema e da proximidade das favelas com bairros nobres e vias de comunicação, torna-se imperativo que haja distinção entre “violência urbana” e “guerrilha nos morros”. Não se pode generalizar a coisa. Na estada deste autor no Rio, nada foi percebido de anormal ou excepcional no cotidiano carioca. Ao contrário, em alguns quesitos, a notável metrópole é até mais segura do que certas capitais nordestinas. Os traficantes cariocas não são terroristas religiosos fanáticos, nem tampouco guerrilheiros separatistas. O episódio do helicóptero abatido não deixa de ser um fato isolado e fortuito, possivelmente condenado pelos próprios chefões do narcotráfico.

O Rio de Janeiro reúne plena capacidade para promover uma Olimpíada inédita e histórica. Obviamente, que as autoridades e os poderes constituídos têm de empreender uma cruzada conjunta contra o crime organizado. Não está em jogo apenas a reputação e o futuro da “Cidade Maravilhosa”, mas o próprio orgulho nacional e a autoafirmação do povo brasileiro.

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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 20/11/2009 16:49

Até Tu, Alexandre!!

Embora se trate de um assunto sério pela gravidade de seus resultados perniciosos aos interesses da comunidade, a desonestidade na administração pública grassa de forma tão corriqueira em manchetes diárias nos meios de comunicação, que a indignação perante a mesma não tardará a dar lugar ao embotamento da sensibibilade ao indiferentismo e à resignação pela ineficácia punitiva aos meliantes envolvidos.

Surpresa para uns, não tanto para outros, encontrando-nos no primeiro grupo, a propósito da nota estampada no topo da primeira página do Jornal Extra de 30 de outubro do ano em curso, a informação de que o prefeito de Penedo é recordista em Processo de Improbidade.

É bem verdade que entre nós, por razões óbvias, basta alguém tornar-se político para automaticamente ser considerado um ladrão. É um erro, naturalmente, pelas raras exceções que existem. Relativamente ao nosso prefeito, fato que nos causou surpresa, foram apontadas, com documentos, situações que caracterizam improbidade e outras irregularidades que trazem a tona um misto de descaso, ingenuidade, hilaridade e ignorância a respeito do emprego do dinheiro público. As cabeludas justificativas para doação de recursos a falsos necessitados, tem origem na Secretaria de Ação Social que teve e tem na atual gestão como titular a poderosa mulher do prefeito. Onde já se viu doar dinheiro para uma endividada pagar débito a agiota! Agiotagem é crime. Em vez de doar, porque não a encaminhou a assistência judicial. Não seria o ganancioso agiota amigo da secretária ou do prefeito? Quem sabe! Como ter a coragem de dizer que a filha de um ex-prefeito é pobre na forma da lei? É muita frieza e cinismo!

Tivemos curiosidade de somar as irregularidades apontadas no artigo do citado Jornal, excluído o caso do FUNDEF. Totalizaram um pouco mais de vinte e quatro mil reais, quantia própria a satisfazer um reles batedor de carteira. Temos de convir, no entanto, que os casos narrados são apenas uma pequena amostragem das peças do baú da infelicidade para nós e deliciosa fruição por parte dele. As notas frias e o superfaturamento, o filé mignon da farra, essas fantasias de luxo autorizam a mudar de patente, deixando de ser um mero soldado raso, equivalente a um batedor de carteira, para o de generalíssimo milionário da esperteza sofisticada, vestido com esmerada elegância do colarinho branco e a indispensável cartola para fazer a mágica de desaparecer o dinheiro da platéia penedense. Infelizmente, não podemos reprimir nossa imaginação e apontá-la para outra direção. Pouco importa o valor para caracterizar o crime, quando claro ficou o dolo para a apropriação dos recursos do município. Aquele que é fiel no pouco, é também no muito e vice-versa.

Nada corrompe mais do que o poder. Até o mais comum dos homens, passando a exercê-lo, transforma-se num verdadeiro rei absolutista, acima da lei e de tudo. Os honesto muitas vezes sentem-se atraídos a cair nas malhas da tentação, como se estivessem arrastados, indefesos, por uma lei natural segundo a qual, no fundo, provavelmente somos todos corruptos. O poder, demônio da tentação, sem dúvida é o mais difícil teste de resistência às delícias do crime. Alguns, com base numa rígida formação moral, passam com louvor. Mas como o melhor caminho para livrar-se de uma tentação é ceder a ela, o Alexandre, fraco de espírito, cedeu.

Por que fracassou ilustre prefeito? Quem disse que o elegemos para malversar e fazer malabarismo com o dinheiro do município? Sucedendo a dois prefeitos-catástrofes no primeiro mandato, nós o elegemos como alguém capaz de resgatar o tempo perdido e repor Penedo nos trilhos do desenvolvimento, com uma administração ilibada, acima de qualquer suspeita. Acreditávamos que fosse capaz de alçar vôos e com a clara visão das alturas, ser inspirado pela ética, perceber a diferença entre o bem e o mal, sobressair-se entre a ralé dos corruptos, fazer parte dos poucos eleitos pela nobreza de caráter e firmar-se na história de Penedo, a altura de seus feitos assinalados. Quê decepção!!! Nada melhor traduz atualmente o nosso estado de espírito, abatido pela incredulidade e, como se estivéssemos totalmente sem rumo, e de fato estamos, fazer um tanto trágico a pergunta: E agora, Penedo, para onde?

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  • Jose Miranda Rezende Parece que estamos cedendo a vonta de nossa visão, pois, PENEDO esta acordando...mal uso do dinheiro PUBLICO, PERSEQUIÇÕES, INFRETAMENTOS. GRAÇAS A DEUS. PENEDO ESTA ACORDANDO.
  • VALQUIRIA NOBRE ESTOU SEM PALAVRAS, DIANTE DO Q JOÃO PEREIRA ESCREVEU, ÓTIMAS PALAVRAS, PENEDO PRECISAVA SABER O Q ALEXANDRE FEZ E FAZ COM NOSSO DINHEIRO, E EXISTE MUITO MAIS COISAS Q Ñ FOI COLOCADAS NO JORNAL, O JORNAL EXTRA APENAS FEZ UM RESUMO, MAIS O Q ME DEIXA REVOLTADA ASSIM COMO O POVO INTELIGENTE DE PENEDO, É SABER Q UMA CRIATURA Q FAZ O Q FAZ COM O DINHEIRO PUBLICO, Ñ É DIGNO DE ANDAR NAS RUAS DE NOSSA QUERIDA PENEDO, E AINDA COMPRA UM MANDATO DE PREFEITO.
  • AC Em Penedo é sempre o sujo falando do mal lavado! Se colocar na balança ela não pende pra nenhum dos lados! FATO!
  • Cida Parabéns João Pereira pela brilhante matéria, e isto não é só o senhor prefeito como a senhora "poderosa" esposa do mesmo que responde por diversas irregularidades administrativas desde 2004, é verdade e notório o que foi publicado no jornal extra. E mais a primeira dama em 2004 foi depor ate na PF por dar dinheiro a amigos de funcionários fieis a ela e seu esposo, mas não existe leis para faze-los pagar, pelo contrario colocam uma venda na cara e o povo que por ser muitas vezes tão humildes são usados para esconder mais desvios de recursos onde se dizem ser para os mais carentes. É uma pena mas justiça, punição só existe para os que nada tem ou tem muito pouco. E o povo ainda elegem um prefeito que nada fez no peiodo de 08 anos e o que fara agora? Mais farras com o dinheiro e a dignidade do povo penedense. É lamentável.
  • Roberto Penedo se envergonha destes fatos, infelizmente nosso futuro não é promissor com um administrador desta natureza a frente de nosso município, parabéns João pela sua coragem.
  • Juliana Penedo tá entregue aos guabirus... É uma pena... Alguém tinha que fazer esse comentário maravilhoso... Falar pelo povo em público... Obrigada Dr. João por ser essa pessoa... enquanto outros se omitem, vc foi lá e disse... Parabéns
  • Mari das Dores É lamentável e nojenta toda essa situação, enquanto o povo carente de Penedo mtas das vezes vivem morando nas ruas, crianças fora da escola e usando drogas, vem pessoas como essas q encontram-se na administração da nossa querida cidade, e faz coisas q nem dá p imaginar q alguém seja capaz de fazer. E o q é mto pior, ainda existe pessoas como esse tal de AC, q só pode ser msm um anticristo, achando tdo normal, lindo, uma coisa corriqueira. Q pena, é tão triste, pois q história política podemos contar futuramente aos nossos filhos e netos a respeito da nossa cidade? É quando eu pergunto, o q dizer da frase "Contra fatos ñ existe argumento" se por aqui ñ funciona dessa forma. Na verdade o q podemos dizer de fato é q, pode mais, quem tem mais ou ainda pode mais quem paga mais. Podemos dizer q PENEDO é uma cidade sem lei, sem pespectiva de futuro. Infelizmente tenho q dizer, q bom meu pai q tanto amava essa cidade ñ tá vivo p vê-la indo pelo ralo nas mãos de pessoas sem compromisso com esse povo realmente carente e sofrido. Mas nunca é mto lembrar, q o único q subiu e ñ desceu foi JESUS CRISTO e ele ver tudo, sabe tudo, pode tudo e com certeza proverá!!!
  • JP Como Advogado que o senhor é, eu acho, não se pode condenar quem ainda esta sendo julgado, é falta de ética e profissionalismo Dr. João, portanto, creio que o senhor esta esquecendo que o Sr. Marcius Beltrão também responde por Improbidade administrativa. Use as palavras certas que assim lhe for conviniente, é só um toque.
  • MG PARABÉNS DR. JOÃO PELA MATERIA!! INFELIZMENTE A JUSTIÇA É CEGA!! ISSO É BRASIL!!
  • rosi Parabéns Mari das Dores, vc falou tudo que eu gostaria de dizer,e ao senhor de coragem Dr João Pereira parabéns pela matéria. PENEDO está de luto.
  • AC "penedo se envergonha destes fatos, infelizmente nosso futuro não é promissor com um administrador desta natureza a frente de nosso município, parabéns joão pela sua coragem. postado por: Roberto em 23/11/2009" Me diga QUANDO Penedo não esteve com um administrador desta natureza à frente...