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Pe. Paulo Lima

Pe. Paulo Lima

Administrador Paroquial, radialista e membro da Academia de Penedense de letras

Postado em 02/01/2010 01:59

Ano novo, tempo de renovar nossas esperanças

Meus queridos irmãos e irmãs, Paz em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Estamos começando um novo ano civil, cada começo há sempre uma nova expectativa de dias melhores, de uma melhor qualidade de vida, de que a paz e o progresso esteja ao alcance de todos sem distinção. Somos assim, temos o direito de sonhar, de acreditar num futuro promissor, de traçar novas metas e de acreditar que a vida pode ser bem melhor neste ano de 2010, é preciso Fé para viver esse ideal. Como será bom se cada um de nós pudéssemos nos comprometermos mais uns com outros e lutássemos todos juntos por um mundo melhor, deixando fazendo nascer em cada coração humano a cultura da Paz.

É difícil querer mudar o mundo quando na verdade quando minha luta ou o que busco são apenas para favorecer os meus próprios interesses, aquilo que me favorece, que me beneficia, isso é ser mesquinhos demais. Quer ver o mundo mudar, então não espere por ninguém avante, faça o quanto antes o que você pode fazer por ele, e como se sentirás bem quando perceberes que o mundo está mudando para melhor começando por você, isso mesmo exatamente por você, sinal de que você pode fazer a diferença nas pequenas coisas, como fez Santa Terezinha do Menino Jesus, ela apanhava um pequeno pedaço de papel que encontrava no chão e dizia que com aquele gesto simples estava agradando ao nosso Deus. Que consciência de fé, de vida, de amor e nos tempos atuais, que consciência ecológica. Todos nós caros internautas poderemos ter um 2010 bem diferente do ano que passou, mas se entendermos que a vida é dom é serviço é amor.

Nesse contexto, não poderia esquecer uma belíssima frase de Carlos Drummond de Andrade que diz: "Para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre." Pois bem estamos com a graça de Deus no início do ano novo de 2010 que consigamos todos juntos fazer com que o novo aconteça na nossa vida e na vida do nosso próximo, na vida do mundo. Precisamos adquirir não uma nova mente, mas uma consciência nova para administrarmos melhor a nossa vida e a vida do mundo, só assim este ano de fato, seja para nós um novo ano. Impossível não é, basta que nos esforcemos e veremos que muita coisa se pode fazer, transformar e realizar, a partir da nossa adesão.

Não é utopia, mas como valeria se nossos governantes nesse novo ano se dedicassem mais ao interesses da sociedade e não apenas aos seus próprios caprichos e prazeres. Será lindo se os pais se dedicarem mais aos seus filhos e se os filhos fossem mais obedientes ao pais.

Como seria bom se este ano nos dedicarmos mais aos outros, se soubermos partilhar mais tudo o que temos de mais precioso com os outros, a saber: partilhar os nossos dons, o nosso sorriso, a nossa alegria, os nosso talentos, uma conversa amiga e sincera, as nossas habilidades enfim, se aprendermos a nos doarmos mais aos outros, partilhar a nossa vida e como nos lembra São João Bosco “ O Senhor colocou-nos no mundo para os outros”, que bonito se entendêssemos e vivêssemos essa frase e deixaríamos logo de ser tão mesquinhos em nossos relacionamentos. Essa frase nos ajuda a compreender que toda nossa vida está voltada para o nosso próximo e em especial aos menos favorecidos da nossa sociedade, aqueles que muitas vezes não tem voz, nem vez, os desfigurados do mundo atual.

Comecemos o ano acreditando sobretudo em DEUS, mas também em você, crie novos comportamentos ou hábitos de vida, inove, seja mais ousado(a) naquilo que desejar realizar, liberte-se de todos os medos do ano que passou, as decepções e deixe 2009 para trás, já passou, agora é um novo ano, devemos viver aplicando em nós uma nova mentalidade em tudo aquilo que nos rodeia, nas amizades, na maneira de pensar, de ver a vida e as pessoas, na vida profissional, na vida de fé enfim ano novo, mentalidade nova, tempo para renovar nossa esperança, afinal a vida continua.

Essa reflexão que fiz, creio eu poder ajudar muita gente, que talvez por alguma situação ou fato na vida, tenham perdido um pouco a ousadia de sonhar, de acreditar que nesse novo ano a vida da gente pode ser melhor. As vezes há experiências em nossas vidas que nos deixam assustados, temerosos, com sentimentos limitados, que não temos mais opções, que não vale a pena continuar tentando e tantos outros sentimentos que nos invade que nos deixam paralisados em vez de avançar, de continuar subindo os degraus da persistência em busca da realização nossa de cada dia. Pois bem, irmãos e irmãs o ano começa bem se o coração estiver bem, se conseguirmos superar as mágoas, as maldades, o ódio, e todo tipo de ressentimento.

Então coloquemos DEUS em tudo que fizermos nesse ano novo de 2010 e a nossa vida ganhará um outro rumo, terá outro sentido e concertesa seremos vencedores, acredite. Feliz e Abençoado ANO NONO de 2010.

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  • SR. ANDRÉ E FAMÍLIA - AGRESTINA-PE PE. PAULO, SUAS PALAVRAS SÃO COMO QUE UM REVIGORANTE DE ÂNÍMO PARA A NOSSA VIDA CONTINUAR TENDO ESSA ESPERANÇA, QUE BOM O QUE SENHOR NOS FALA EM SEU ARTIGO. TEMOS É QUE ACREDITAR MESMO EM DIAS MELHORES PARA TODOS NÓS. PARABÉNS CONTINUE ESCREVENDO AQUI NESSE SITE.
  • Graça - Farol - Maceió-AL Como é saber Pe. Paulo que nada está perdido em nossas vidas e que acima de tudo o que nos acontece vale apenas continuar sonhando, sonhar não paga, e ninguém pode tirar os nossos sonhos. Gostei muito o que senhor falou estava precisando ouvir isso logo no comecinho do ano. Não deixe de escrever, suas palavras chegaram na hora certa em minha vida. Obrigado a esquipe do aqui acontece pela participação agorta também do Padre no site.
  • Prof. Antônio - Arapiraca-AL É Verdade caro Pe. Paulo, deveremos colocar Deus em primeiro lugar. O mundo não anda bem porque tem se esquecido de Deus. Parabéns pelo seu artigo tão inspirador.
  • Aparecida - Penedo-Alagoas Pe. Paulo que benção começar o ano novo lendo esse artigo que o Senhor escreveu no aqui acontece, amei que lindo o geito do senhor, participando do aqui acontece está trambém evangelizando a nossa gente. O Senhor é uma benção para nossa Penedo, precisamos de Padres assim, destemido, simples e que se dá com todo mundo.
  • Bruno Moura Esse texto fala tudo que todos nós precisamos rever em nossas vidas, sempre pensamos em nós mesmos e continuamos a fazer-nos de inocentes perguntando o porque que o mundo a cada dia que passa piora, e eis que o Pe Paulo Lima nos apresenta uma frase forte de Carlos Drummond e outra de Dom Bosco. Precisamos sim de atitudes novas, precisamos nos doar aqueles que mais precisam e deixarmos nosso coração aberto a ações novas que possom refletir em dias melhores. Pe Paulo seus textos são belíssimos, precisamos de boas noticias e isso vc nos tras com seus artigos, mensagens que transmite esperança de dias melhores.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 28/12/2009 01:01

Breve Diálogo: Como Imaginar Deus na Imensidão do Universo

Orfeu, apesar de citadino, gostava da vida do campo e de tudo que dele emanava. Admirava, acima de tudo, a sua tranqüilidade e embevecia-se, ao clarear do dia, com o vôo livre e o canto dos pássaros num coral afinado que parecia agradecer o surgimento de um novo dia.

Era dono de uma chácara com uma área aproximada de cinco hectares, situada num vale cercado por montanhas. Dividindo ao meio o vale, corria uma ribeira de águas frias e cristalinas. Nada ficava a dever ao imaginário paraíso.

Tinha uma queda pela fruticultura, diversificando-a ao máximo. Na primavera, a mata que cobria os morros, pontilhada de ipês com flores de diversas tonalidades, a todos fazia emudecer em êxtase pelo espetáculo de impar beleza.

O mês era outubro, plena primavera quando a natureza, vestida com o toque da mais pura espontaneidade, exibe-se com a divina majestade da sua beleza. Foi quando levou a conhecer o seu refúgio o amigo Dionízio com quem, no passado, costumava trocar idéias.

Terminado o jantar, por volta das dezenove horas, os dois amigos, com cadeiras em punho, sentaram-se do lado de fora para refrescar e apreciar o firmamento. Era oportuna aquela noite, pois, sem luar, o céu fica mais belo, enfeitado de estrelas.

Sentindo-se refrescado, Orfeu com os olhos fixos nas estrelas, iniciou a conversa. Nunca esqueço, ao olhar para as estrelas, de Abraão Lincoln quando disse que concordava que alguém olhasse para o chão e permanecesse ateu, mas não concebia que olhando para o céu, afirme que Deus não existe. É bem interessante esse pensamento. O firmamento, realmente, é algo fantástico. Pondo-me diante dessa grandiosidade, a apequenada e intimista visão de Deus sob a ótica religiosa, procuro a todo tempo como imaginá-lo na imensidão do universo. Veja você, existem bilhões de galáxias com bilhões de estrelas e planetas. Ante esse surpreendente realidade, Deus, teologicamente, não se assemelha mais a um pequeno chefe tribal do planeta Terra? Se tivermos de acreditá-lo segundo o entendimento cristão, seremos obrigados a admitir que somente a terra é habitada por vida inteligente ou, caso contrário outras existam, não importam números, são todos cristãos. Qual a sua posição a respeito? Convivendo de perto com as belezas terrenas, atemo-nos quase sempre aos prazeres que nos proporcionam. O mesmo não acontece com as do céu, longínquas e indevassáveis, constituindo os mais intrigantes e instigantes mistérios da vida. Fazendo parte, com outros planetas, do sistema solar, sendo a Terra a única sorteada a ter vida inteligente, forçosamente nos perguntamos: será que existe vida inteligente em outros planetas, em estrelas desta galáxia da qual fazemos parte e de outras. O que você acha ?

— Dionízio. Antes de responder-lhe, pergunto: Por que somente a Terra, entre os outros planetas do nosso sistema solar, tem vida? Exatamente por ter uma órbita em volta do sol na distancia apropriada, isto é, não muito distante para não congelar-se e não tão perto para não ter evaporada toda a sua água, elemento imprescindível à origem da vida. Igualmente ao sol, existem estrelas com um sistema planetário.

Como o número de estrelas é incalculável, será que somente a Terra tem esse privilégio? Foge totalmente às probabilidades matemáticas?

— Orfeu. Concordo perfeitamente com você. O que me chama a atenção, quando sabemos o porquê da vida na Terra, é ter de concluir que em qualquer corpo celeste ela é imanente, potencialmente existente a depender das condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Isso quer dizer que se em vez da Terra estivessem Vênus ou Marte, planetas sólidos e tamanho equivalente, em sua órbita, teríamos a vida tal qual entre nós. Será que nos mínimos detalhes?

— Dionízio. É difícil saber se seria uma fotocópia, mas certamente haveria muita coisa em comum. Quem sabe até sob o aspecto histórico da humanidade.

— Dionízio. Não acredito que tenha de ser igual. Nada é igual em termos de civilização e muito menos em nível planetário. As diferenças, como sabemos, existem até no que tange ao biotipo. Creio, por exemplo, que se três naves espaciais da Terra aterrisassem em pontos diferentes de uma civilização alienígena, levando respectivamente brancos, negros e amarelos, seriam tomados como de planetas diferentes, os Ets são descritos, na maioria das vezes, como de estatura baixa, olhos e cabeças desproporcionais. Na Rússia, há narrativa de quem os tenham visto como brancos e estatura alta.

— Orfeu. Quero acreditar que os elementos químicos existentes no universo são os mesmos em toda parte e a combinação desses elementos, a escassez ou predominância de alguns são as causas responsáveis pelas diferenças em tudo.

— Dionízio. Acho que tem sentido. A verdade, Orfeu, é que a vida sendo um absurdo, absurda torna-se qualquer abordagem a seu respeito. Ficamos apenas pelas bordas e no campo do hipotético, mas que não deixa de ser um excitante exercício da imaginação. Mistério é, simultaneamente, atração e repulsão. Existe algo que supere a idéia de infinito do espaço para derreter o cérebro? Mas, mudando um pouco, gostaria de saber se você acha que em tudo deve haver uma finalidade.

— Orfeu. Bem, todos nós perseguimos um objetivo na vida, sob pena de torná-la um barco sem rumo. Entretanto, atingido, outros objetivos devem ser procurados. Creio na finalidade relativa, nos limites da nossa vida, nunca além dela.

— Dionízio. Assim também penso. Finalidade vem de fim, isto é, atingido resultaria na imobilidade, que é uma negação da vida.

— Orfeu. Correto. Já que estamos a falar de prováveis vidas inteligentes fora da Terra, já lhe ocorreu perguntar-se qual a finalidade de tantos corpos celestes encontrarem-se desabitados? Isso não nos dá a impressão que o universo, em expansão como acreditam alguns cientistas, é feito sem uma programação inteligente, mas a esmo, obedecendo a uma força intrínseca? A vida inteligente, por outro lado, nesse jogo cego da criação, assemelha-se ao sorteio da mega sena, com milhões de combinações, para que algumas poucas sejam premiadas.

— Dionízio. É a impressão que nos dá. E você já imaginou se todo o universo fosse despido de vida inteligente? Não seria ainda maior absurdo de um imenso palco, com o autor da peça desconhecido, e completa ausência de espectadores? As leis intrínsecas da criação tinham que conter em seu bojo a inteligência. A inteligência e os sentidos do homem para que ela fosse apreendida, vivida e admirada.

— Orestes. Será que não estamos indo longe demais? Afinal de contas, nesse cenário obscuro da criação, o que temos a dizer a respeito de Deus? Onde colocá-lo em sua própria engrenagem?

— Dionízio. Sinceramente, não consigo conceber a existência de Deus como um regente, do lado de fora, separado da própria obra, mas sendo em cada criação parte dela. Nós, humanos, somos vontade, inteligência e liberdade de ação. Do outro lado, Deus, sob o ponto de vista panteísta, como o imaginamos, é inteligente mas não tem vontade e liberdade no ato da criação, pois, se assim fosse, poderia a todo momento estar mudando suas leis naturais, o que não acontece.Quando se diz que Deus criou o homem segundo sua imagem e semelhança, tem um sentido relativo se tirarmos a criação como ato deliberado. Entretanto, se afirmarmos que o homem,aqui na terra e em qualquer parte do universo, reflete parte da essência de Deus como força criadora determinada, estamos mais próximos da verdade.

— Orfeu. É difícil crê-lo de forma diferente, uma verdadeira frustração para os que acreditam numa outra vida após a morte. Pelo adiantado da hora, concluo para dizer que nós somos uma extensão de Deus que é tudo, e esse tudo age segundo leis que lhe são imanentes. A inteligência, de outro lado, segue o princípio da germinação espontânea. Surgidas as condições favoráveis para o desenvolvimento da vida na sua forma evolutiva, em determinado momento ela aparecerá e o ente inteligente fará os diversos estágios da sua história e desejará, a partir de seus desejos e aspirações, que Deus, com características humanas, deve existir para satisfazer seus fins na eternidade.

— Dionízio. Desejo inútil, porque toda finalidade absoluta depara-se na inércia e no fim. Esse desejo de querer viver eternamente, apesar do seu absurdo, é natural porque fazemos parte da eternidade, não no sentido linear, mas em ciclos que se alternam ou, como dizia Nietsche, correm eternamente as estações da existência.

Por hoje basta. Uma das finalidades da noite é dormir. A cama nos espera. Em outra oportunidade daremos sequência a esse palpitante assunto.

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  • João Pereira Júnior Há sérias dificuldades lógicas e científicas para a sustentação de teses panteístas ou agnósticas acerca da criação do universo. A Teoria do Designe Inteligente, de forma bastante elucidativa, demonstra que há situações que não podem ser obra do acaso (até mesmo porque o acaso não é um ente, portanto, impotente de ser causa de qualquer efeito). assim sendo, a depender da mensagem que determinados símbolos venham a conter, fica clara a sua organização proposital e fruto de um ser dotado de inteligência. Nesse sentido, peço vênia para transcrever um artigo que trata diretamente do assunto: Pedra de Rosetta DNA (ácido deoxirribonucleico) A teoria do Design Inteligente é uma teoria científica com conseqüências empíricas desprovida de qualquer compromisso religioso. Ela se propõe a detectar empiricamente se design observado na natureza é genuíno ou um produto das leis naturais, necessidades e o acaso. As técnicas empregadas pela teoria do Design Inteligente oferecem ferramentas de grande valia para o estudo das origens, mais especificamente para a origem da vida. A teoria do Design Inteligente utiliza a informação como o seu principal indicador confiável, pois a mesma pode ser detectada e medida, pela utilização das leis relacionadas com a informação e a sua conservação. Tem sido estabelecido estatisticamente que informação é uma entidade não material mas mental. Processos naturais são fontes fundamentalmente incapazes de gerar informação. A informação pode ser armazenada por meio de códigos em uma quantidade muito variada de meios. É importante observar-se que tanto o código utilizado quanto o meio onde ele é armazenado não podem ser considerados informação. Informação é uma mensagem. Um conjunto de símbolos codificados pode conter uma mensagem, podendo assim ser informação. Um exemplo da pesquisa para determinar se um conjunto de símbolos ou sinais estão relacionados com uma mensagem codificada vinda do espaço sideral encontra-se na área de sinais transmitidos por radiação eletromagnética. Estes sinais em forma de ondas de rádio são detectados por várias antenas de observatórios no planeta. Diferenciar entre ruído (noise) – produzido por aleatoriedade, pulsos (pulses) – produzidos por leis da natureza, e mensagens (message) – produzida por inteligência, tem sido um dos trabalhos principais do SETI (Search for Extra Terrestrial Intelligence) na busca por vida inteligente fora do planeta Terra. Várias técnicas têm sido desenvolvidas para determinar se um conjunto de símbolos codificados contém uma mensagem ou não. Por meio destas técnicas pode-se afirmar que a mensagem quando encontrada tem a sua origem relacionada a uma fonte inteligente e não a processos aleatóreos naturalistas. Essas técnicas baseiam-se em cinco áreas objetivas onde a avaliação pode ser feita por meio de uma metodologia específica. 1. Estatística – faz-se uma avaliação matemática do número de símbolos utilizados uma seqüência, da freqüência em que eles aparecem nesta seqüência e da ordem na qual eles aparecem. Estabece-se a relação: sinal transmitido / sinal recebido. 2. Sintaxe – faz-se uma avaliação do sequenciamento e do posicionamento dos símbolos nesta seqüência. Esta avaliação demonstra as regras pelas quais os símbolos são utilizados e o conteúdo de uma seqüência específica de símbolos. Estabelece-se a relação: código utilizado / código compreendido. 3. Semântica – faz-se uma avaliação do conteúdo de cada seqüência específica de símbolos em relação à seqüência toda. Obtem-se o significado da mensagem modificada. Estabelece-se a relação: idéia comunicada / sentido compreendido. 4. Pragmática – faz-se uma avaliação da relação da mensagem em relação ao contexto onde ela aparece. Estabelece-se a relação: ação esperada / ação implementada. 5. Apobética – faz-se uma avaliação do propósito da mensagem em relação ao contexto onde ela deve ser implementada. Estabelece-se a relação: propósito a ser atingido / resultado obtido. Uma ilustração prática desses 5 níveis pode ser obtida por meio da pedra de Rosetta. Os símbolos nela encontrados poderiam ser meros símbolos ornamentais ou uma mensagem armazenada naqueles símbolos. Jean François Champollion decifrou os símbolos egípcios enigmáticos, revelando que neles havia uma mensagem. Aplicando-se os testes de avaliação na pedra de Rosetta obtem-se: 1. Estatística: 14 linhas em hieróglifos 32 linhas em demótico (escrita egípcia cursiva) 54 linhas em grego, 1419 símbolos heroglíficos (116 diferentes) 468 palavras gregas. 2. Sintaxe: as seqüências de símbolos formam palavras, cada qual com um significado específico. 3. Semântica: a mensagem é uma homenagem feita ao rei Ptolomeu pelos sacerdotes de Memphis por volta do ano 196 a.C. 4. Pragmática: a homenagem deveria tornar-se conhecida por todos os povos. 5. Apobética: a mensagem tornou-se conhecida até os dias atuais. Um estudo similar pode ser feito com o DNA (ácido deoxirribonucleico), avaliandose e o sequenciamento encontrado nele é informação ou resultado de processos aleatóreos. 1. Estatística: número de símbolos utilizados, frequência e ordem na seqüência Seqüências das quatro letras químicas ATCG. 2. Sintaxe: sequenciamento e posicionamento dos símbolos Seqüência dos nucleotídeos 3. Semântica: conteúdo das seqüências de símbolos Seqüência dos aminoácidos 4. Pragmática: ação esperada Formação de proteínas 5. Apobética: resultado a ser atingido Preservação e propagação da vida O código encontrado no DNA é uma mensagem. Sua origem é inquestionavelmente de uma fonte inteligente e não de processos aleatóreos e randômicos. (O contrário seria o mesmo que tentar provar que a origem dos códigos encontrados na pedra de Rosetta é a aleatoriedade, tendo sido esculpidos pelos agentes do tempo, tais como vento e chuva, durante longos períodos de tempo.) Portanto, para o estabelecimento da origem da vida, torna-se crucial o estabelecimento da origem da mensagem contida no DNA, muito mais do que o estabelecimento da origem das suas demais características físico-químicas, tais como a sua estrutura tridimencional e os elementos químicos da sua composição. A implicação científica de tal determinação, evidenciando que a origem da mensagem ali contida não pode ser naturalista, é que a origem da vida não pode ser traçada de volta a uma série de processos cegos aleatórios, mas sim a um design inteligente. Embora aplicando-se ao DNA a mesma metodologia que é aplicada para estabelecer se sinais vindos do espaço são provenientes de uma fonte inteligente, e obtendo-se no caso do DNA um resultado positivo quanto a uma origem inteligente, causas naturalistas continuam sendo atribuídas tanto ao aparecimento do DNA quanto da vida. Passe tais informações para Dionízio, Orfeu e Orestes, a fim de que num próximo artigo possam, olhando para as estrelas, terem uma iluminação diferente.
Jean Lenzi

Jean Lenzi

Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural

Postado em 21/12/2009 23:53

Que escola é esta?

O descompasso que permeia a realidade e o realismo eterniza-se numa inexplicável e latente atmosfera quando inebriada por doses fortes de um bom senso ironicamente descompromissado. É como parte fundamental de estudo para aqueles que desejam aprofundar-se sobre o trabalho do ator: teatro do absurdo, teatro da crueldade podem parecer bem distantes do nosso, mas acreditem, eu os achei zuando por palcos inóspitos.

Em razão da II edição do Intercâmbio Teatral Estudantil, proposta da trupe de teatro Artes Ribeirinhas, é pertinente comentar o que foi representado durante toda uma semana em que a mostra ficou em cartaz no Theatro Sete de Setembro.

A proposta é das melhores já desenvolvidas neste Estado, na capital alagoana duas mostras iguais já ocorriam há considerável tempo, uma delas era promoção do Sated-Al (Sindicato dos Artistas e Técnicos de Diversão), que a promoveu até 2007.

A Companhia de Artes Ribeirinhas constituída há pouco mais de três anos é a grande revelação para o teatro local, tem em seu currículo espetáculos de peso como “Sonhos de uma noite de verão” do inglês Shakespeare, passando por “Pluft, O fanstaminha” da mineira Maria Clara Machado. Interessante frisar que tal companhia surgiu exatamente de um evento como este - intercâmbio de teatro-escola, em proporções inferiores obviamente, e é a razão mais firme que eles têm para levantarem a bandeira da Mostra, que de fato merece todos os aplausos. A proposta é inquestionavelmente positiva - para fins de entretenimento e não somente, pois desde os bancos escolares estes alunos aprendem a freqüentar teatros; isto educa e sociabiliza platéias.

Mas nem tudo está no seu devido lugar, o que para alguns é razão de orgulho afinal de contas o trabalho com teatro não é dos mais contemplativos e às vezes nos faz cair na tão desejada autoconfiança; para outros serve como combustível de uma carreira infrene e daí o ator passa a produzir tudo por exatamente querer tudo. Na vez das escolas, seria elegante poupá-las uma vez que elas não recebem a atenção necessária para produzir teatro ainda que amador, os produtos por elas apresentados em boa parte do festival pode ser considerado abaixo da média, e aqui abro um parêntese para explicitar uma máxima real: grandes teatros não frutos de grandes recursos, às vezes com o mínimo de inteligência, de agilidade e de leitura reluz uma valiosa contribuição ao ato – Pede-se então, a atenção dos professores que acompanham os grupos em eventos como este.

Em pouco mais de três anos a Cia. realizadora da mostra fez estrear dois espetáculos, ambos com estilos totalmente diferenciados, o que para o teatro de quem vê, ou seja, a platéia propicia uma incerteza de quais são as prioridades do grupo. Qual linha deverá seguir, se é que devera seguir alguma? É provável que o tempo se encarregue de desfazer todos os encantos, bem como todas as frustrações até que se prove a qualidade e a importância desta unidade teatral.

Na noite do dia 21 de novembro, a trupe apresentou á platéia penendense sua mais recente montagem, estreou a peça “ELE ME DISSE QUE ELA FALOU” tragicomédia de linguagem bastante pretensiosa contando com grande parte do elenco da Cia. em cena, neste, os arteiros mostraram toda flexibilidade na escolha do texto, por sinal bastante infeliz, (e digo isto não porque não goste de comédia, entendo comédias e não apelações ), o que pode parecer como primeiro sinal de um desconforto interno, que somente eles poderão resolver.

Em “Ele me disse que ela falou” tudo é muito falho, desde o texto em si até a última concepção da sonoplastia. É um espetáculo com sérios problemas, ao que pese a minha dúvida: Ele está pronto? Ou ainda passa por uma concepção, pelo processo de montagem? No caso da primeira afirmação ser a real são perceptíveis as falhas. É um texto mal escrito, mal encenado, mal dirigido e mal interpretado principalmente, e que diferentemente das encenações anteriores ficou claro nesta, o amadorismo destes arteiros. Com ares de mega-produção chega a ser decepcionante. Mesmo com todos os esforços em segurar a peça do começo ao fim, tudo na concepção da direção era muito cru, sem a sensibilidade e presteza necessárias para lapidar personagens, a direção não soube dosar os cacos, os exageros, as excentricidades; no enredo do espetáculo que contem uma infinidade de personagens homossexuais, estes foram encenados de forma totalmente caricatas, é possível que estes atores nunca tenham lido, ou vivido situações semelhantes às das personagens, daí, caberia um laboratório – a rua é a indicação. Jovens que se propõem a fazer teatro e não lêem teatro, não pesquisam teatro e não vêem teatro é mais absurdo do que a escolha deste texto tenebroso, é inconcebível. E mais do que isto é ver num discurso final totalmente alienado, a indisposição à critica e à reações de grupos, enfim, tudo seria muito nobre se a proposta fosse apenas fazer, sem a necessidade de querer “causar” , sem grandes pretensões. Existem idéias seculares de teatro profissional e de teatro amador, um estar diretamente ligado à forma e às razões para que se faça teatro, o outro vai além; capta a qualidade da encenação e principalmente a idéia do fazer teatral, sem grandes preocupações, sem nenhuma lapidação, apenas por gosto e feição.

A pergunta “Que escola é esta?” foi feita por uma pessoa da platéia no momento em que se dava a representação da peça, é uma ‘deixa’ para que o grupo reflita sobre as ações artísticas, as pretensões e as conjunturas que dão à Artes Ribeirinhas o titulo de revelação do teatro local.
E mais uma vez: ”cuidado com Dionísio”...

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  • anne Procure o que fazer, deixe de ta falando tanta besteira, deixe de ser envejoso, INVEJA MATA, quem é vc na fazenda em?
  • Carlos Gomes Interessante é que esse cara chamado GEANDERSON DOS SANTOS, por que é esse o nome dele, e não GEAN LENZI (kkkkkkkkkkk), só monta porcaria, só produz porcaria e só fala porcaria! E ainda abre a boca pra falar mal dos outros artistas! Se toque cara, seja mais inteligente. E saiba reconhecer o trabalho dos outros! Tente conquistar as pessoas, pois é público e notório que no meio dos artistas de PENEDO, vc não é bem vindo! Tente mudar isso, comece mudando vc mesmo. Afinal, ninguém é forte sozinho! Abraço e reflita sobre tudo que eu falei.
  • Fagner Jean antes de criticar e bom olharmos para os nosso defeitos. O teu espetáculo " As mãos de Euridice" é um porcaria, tanto que não emplacou! Vc sempre apresentava com teatro vazio,mas isso pra vc teve um lado bom, pq provou que vc tem amigos, pq aturar aquele espetaculo só sendo seu amigo! E muito ruim vc é um pessimo ator, (Minha opnião). Se eu voce vc eu teria vergonha de escrever um texto falando mal do outros. No lugar de escrever gaste seu tempo olhando teus defeitos! Abarços
  • Jhonatan Figueiredo Estive presente na apresentção da cia artes ribeirinhas e sinceramente não concordei com nada do que foi dito nessa critica inutil e arrogante de alguém despeitado que poderia muito bem usar seu dotes de escrever coisas imprestáveis como esta para fazer um espetáculo que pelo menos consiga prender o publico até o "meio" da apresentação! Ouvi comentários de gente que conhece teatro muito bem e eles foram elogiados, pois realmente merecem...o q me leva a confirmar que esse comentário só pode mesmo ter vindo de alguém despeitado com o sucesso alheio! Parabés artes ribeirinhas! vcs são ótimos, e irei de novo assistir a peça de vcs que ao contrario do que diz essa critica, é muito bom, divertido e prende as pessoas até o final! Abraço!
  • Michele Nao concordo com nada disso.O espetáculo foi maravilho, deveria estar fazendo artigos melhores do que está postando a sua opnião o que você acha.Se você acha guarde para você! Gostei muito do espetáculo, e tenho certeza que as pessoas gostaram também.
  • anne KKKKKKKKKKGEANDERSON DOS SANTOS VC PERDEU A OPORTUNIDADE DE FICAR QUIETINHO, PRA Ñ SER TÃO HUMILHADO, MAIS CASTIGO PRA GENTE INVERJOSA É DISSO A PIOR, PARABÉNS ARTES RIBEIRINHA, VÃO EM FRENTE O SUCESSO ESPERA POR VCS.
  • júnior a peça foi legal..só que pude peceber insegurança de alguns atores! uns pareciam esta lendo um texto decorado.. axo que vcs dá companhia deveriam fazer teste antes de coloca-los no palco!
  • Wagner Acho que o Jean de fato é muito polêmico, suas ideias tem certo fundamento quando se vai olhar o que ele fala, quem viu a peça, e como o Jean entende teatro vai sentir o mesmo que ele, é feio, é mal feito, é divertido e é apelativo, são amadores e deveriam antes que qualquer coisa pedir ajuda a quem entende JEAN /CLÁUDIA/ MIRA/ ARTHUR /LUCIA é bom falar, só que nem sempre ele é bonzinho, isto é ótimo adoro essas lapadas, vamos concordar que o cara faz coisas boas, 'As Mãos' para quem não viu outras montagens, é simplesmente bem resolvida, e quem vai discutir com o Jean, quem se atreve??? se for olhar quem melhor faz teatro em Penedo vai ver JEAN E CIA PENEDENSE. Vamos respeitar a opinião dele, pois se não tivesse valor não seria tão polemico e não estaria aqui gastando tempo em comentar suas criticas. PARABÉNS PARA OS DOIS LADOS.
  • Zaíra Na minha opinião, os que "sabem" em vez de criticar os "iniciantes", ajude-os a evoluírem e desenvolver uma boa performace no palco. Se surgem novos espetáculos e novas companhias teatrais, é porque existe um certo espírito vivo que luta pela preservação da cultura local para que o nosso palco não feche as cortinas. Eu acho ainda, que as pessoas deveriam respeitar as opiniões e os trabalhos dos outros. Aos criticados: trabalhem, ensaem e mostrem que sabem fazer. Ao crítico: não faça uma crítica tão arrogante que faça os criticados desistirem dos seus sonhos, faça uma crítica em que eles entendam onde errou e refaçam de um modo que não venham a ser criticados por você de novo, seja mais amigo e chegue junto sem medo com a sua pouca experiência de palco, dê uns toques aqui, outros ali e desse jeito você conquistará o respeito da galera e passará a ser... um crítico.
Públio José

Públio José

Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida

Postado em 15/12/2009 17:51

Quando cai a ficha

 Esta é uma expressão popular que indica o momento no qual uma pessoa toma consciência de algum fato, de alguma ocorrência, ou de alguma consequência, fruto de uma decisão tomada por si ou por outrem, e que não tinha alcançado ainda à sua parte racional. Em outras palavras, demonstra o surgimento do clique, do estalo por algo ainda não visto em sua real dimensão, nem analisado em seu total significado. A expressão tem origem naquelas radiolas instaladas em bares e restaurantes e que, ao receber a ficha que comanda o funcionamento de suas engrenagens, deixa cair o disco solicitado pelo cliente, passando a executar a música de preferência deste. Hoje, na verdade, é usada muito mais no sentido figurado do que se referindo ao equipamento instalado em casas de diversão. O qual, na maioria das vezes, tão somente entretém o saudosismo de alguém alcoolizado, querendo reviver antigas sensações.

De todo modo, embora mais utilizada em tom de deboche, tem profundidade em sua essência e um significado que vai muito além da simples pronúncia. Muitos crimes, conflitos e problemas das mais diversas cores e matizes teriam sido evitados se, em seus principais responsáveis, tivesse ocorrido o fenômeno do “cair a ficha”. Pedro, por exemplo, negou Jesus por três vezes – logicamente porque sua ficha ficara enganchada em alguma parte de seu equipamento cerebral. Quando, após uns solavancos advindos das circunstâncias, sua estrutura mental funcionou – ou seja, quando a ficha finalmente caiu – chorou amargamente. Interessante se notar que, em se tratando de cair a ficha, uns sujeitos dão mais trabalho do que outros. Hitler, Judas, Stalin, Pinochet, Fidel, Pilatos, Saul, Lampião... não nos deixam mentir. Sem deixar de mencionar os grandes criminosos, os grandes assassinos.

Personagens que, embalados por um ideal, por um sentimento de vingança ou simplesmente por desejos materiais de conquista, causaram enormes prejuízos a si, aos mais próximos e a populações inteiras, impulsionados, com certeza, por falhas de seus mecanismos mentais. Os quais, por lapsos de funcionamento, estabeleceram tardiamente – ou mesmo em hora nenhuma – o momento de fazer “cair a ficha”, de cessar a ação. Nesse sentido, cabe a pergunta: se a ficha de Hitler tivesse caído antes da eclosão da guerra tudo aquilo teria acontecido? Difícil resposta, difícil... Hitler, por sinal, é um personagem singular, pois seu prontuário histórico não assinala, em momento algum, a menor demonstração de sua parte em promover uma solução para o conflito. A não ser a que apontasse para a derrota total dos inimigos – e a tão perseguida, por ele e seguidores, destruição da população judaica.

Em inúmeros momentos da vida vemos pessoas citando essa expressão: “Fulano, caia a ficha!”... Querendo, com isso, mostrar a dificuldade de alguém acordar para a realidade. Ou de pessoas vivendo momentos e situações de desespero em razão da demora em processar a potencialidade do prejuízo que causariam por atitudes impensadas. Por sinal, a esse respeito, Jesus sempre nos alertou: “Vigiai e orai”. Ou por outra: “Fique atento!” Ou ainda: “Preste atenção ao que você está fazendo – e aos outros também!” Em suma, deixar cair a ficha ao longo da vida é muito bom. É sinal de humildade, de sabedoria, de discernimento, de inteligência, de ousadia, de determinação... E também de proteção, de anteparo às conseqüências de gestos tresloucados dos outros e de si mesmo. Como se vê, o assunto é sério e o momento é de azeitar a radiola. Ou a sua está enferrujada? Caia a ficha!!!!!!!!!

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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 10/12/2009 15:25

Velhice Descartável e o Tempo, Artista da Deformidade

Ainda cedo, quando tomamos conhecimento que o homem era um animal, desde então ficamos decepcionados com essa classificação. Infelizmente, logo percebemos que as nossas funções são as mesmas dos demais, excetuando-se apenas no grau de inteligência. Mas por que o Criador, perguntava-nos, não nos fez diferentes a excluir-nos dessa igualdade? Sujeito aos efeitos corrosivos do tempo a envelhecê-lo, por que a sua existência não finda à altura de seus atributos de superioridade, sem a horrível deformação do corpo e o atrofiamento das faculdades mentais?

De ontem para hoje, dia após dia diante do espelho, nada percebemos que denote as marcas do tempo. Sua ação, no entanto, lenta e silenciosamente vai aos poucos deixando transparecer, imperceptível, a sua índole destruidora. Somente no atacado, decorridos alguns anos, especialmente quando ingressamos na chamada terceira idade, notamos quão enorme e avassaladora foi a sua ação contra a estética. Não só no aspecto físico, mas também no psicológico. Agora, a passos largos, esvai-se a vitalidade em tudo e, se não desaparece o desejo de viver, há um enfado pela vida, fato que não deixa de ser uma forma velada dela nos despirmos sem lamentações.

Variável é a longevidade e o vigor de cada um. Por mais otimista que sejamos, não podemos chamá-la de melhor idade, quando o melhor já se foi sem esperança de retorno. E torcemos o nariz para certas exibições ridiculamente visíveis, quando algum terceirista pretende mostrar uma virilidade, na verdade capenga ou inexistente, numa tentativa de enganar a si próprio e esconder os malefícios do tempo.

Alega-se, a favor da velhice, a sabedoria inexistente no jovem. E não pode existir porque ação e pensamento transitam por caminhos opostos. O jovem transpira ação e os tropeços dela decorrentes, inevitáveis e necessários, constituem o aprendizado de cada um. Nessa fase, os conselhos são chatos e irritantes, certamente por se acharem na contramão do tempo. A sabedoria, costumeiramente fria e taciturna em seu semblante, sendo um somatório de experiência e conhecimentos não é, apesar da sua respeitável e grande importância, uma virtude virtuosa vez que carrega em seu bojo resquícios bolorentos de inveja da juventude que, com todos seus pecados, é muito mais desejável. Quando passada a fase dos maus exemplos, passa-se a fase dos conselhos. A sabedoria, mesmo ao longe, cheira a cadáver.

A velhice, no homem, deveria ter um limite na sua duração, extinguindo-se automaticamente com a perda da realidade. A sua permanência além desse limite não tem nenhum sentido.

Dependente de todos, inútil para si mesmo e para os outros, ver gastado pelo tempo e em suas mãos entregue para continuar a deformar-lhe e debilitar-lhe a saúde, é uma imagem que emocionalmente nos deixa num misto de compaixão e inconformismo.

Tudo que é jovem na sua normalidade é belo e atraente. O velho, desmemoriado em seu retorno a ser criança-estorvo nada que faça traduz algum encanto. Contrariamente e bem a propósito, há poucos dias atrás, num restaurante, tivemos a oportunidade de ver uma caravana turística da terceira idade a almoçar. Não fazemos essa observação com o intuito de gracejar, já que fazemos parte dessa idade, mas apenas ilustrativo dentro da linha da presente abordagem.

Fizeram-nos lembrar gafanhotos a devorar uma plantação. Era um apetite e tanto! Um deles, boca flácida e desdentada, fazia o movimento da mastigação tão rápido que o lábio superior quase topava no nariz. Outros, estômago cheio, estampavam no mortiço e inexpressivo olhar a tranqüilidade do animal satisfeito. Triste quadro!

Todos nós temos uma jornada a cumprir, muitas encerradas de forma prematura e brutal. Achamos que aqueles que são distinguidos com a longevidade, não importa o número de anos, enquanto conscientes têm todo o direito de viver, mesmo que prostrados numa cama, paralíticos ou desmembrados em cadeiras de rodas. A consciência é o fundamental em nossas vidas e sem ela nada tem sentido num corpo que se move em estado vegetariano. Para quê?! É uma pena que não exista um costume entre nós ou uma lei que permita a execução da eutanásia quando o idoso, em declaração por escrito, manifestou o desejo de a ela submeter-se. As corriqueiras divergências a seu respeito são irracionais e infantis, pois, se a vida é o mais precioso bem, ninguém ou lei alguma pode interpor-se contra o desejo de alguém dela dispor como e quando bem entender. As crendices sociais pseudo humanitárias, os dispositivos legais e dogmas religiosos, a respeito, são os mais estúpidos pesadelos contra a liberdade individual. É o rebanho submisso que tem a faculdade de pensar, mas não pensa, sem o brilho da lógica e do racional, escrava das convenções, que pretende impor sua vontade.

Esse é o nosso ponto de vista, considerando-nos privilegiados se, oportunidade tivermos de chegar ao início da caduquice, sermos imediatamente ceifados desta vida. Pode ser que esse desejo e o pensamento que ora expomos seja considerado para muitos algo brutal e chocante, mas que se compatibiliza e está perfeitamente em harmonia com as nossas convicções.

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