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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 11/02/2010 01:59

A Vergonha do Caipira Galã

Que gosto não se discute, todos sabemos. No que tange aos nossos predicados da boa aparência e beleza pessoal, somos os mais parciais dos julgadores. Chegamos ao ponto, muitas vezes, de não perceber em nós uma grande fealdade, mesmo que todos a reconheçam como uma unanimidade.

Vadinho, como era popularmente conhecido, era uma dessas pessoas que chamam a atenção por alguma originalidade. Baixo e um tanto atarracado, encontrava-se com sessenta e oito anos de idade. Moreno claro, rosto largo, cabelos lisos e ralos, nariz ligeiramente achatado, olhar vivo, boca grande marcada pela flacidez do lábio inferior, podia não causa espanto, mas também nada tinha a ver com a beleza. Acontece que a vida costuma oferecer compensações. Era sociável, comunicativo e espirituoso.

Era filho único de um pequeno proprietário, tendo feito na cidade, na década de sessenta, o primário. Na pequena propriedade, como único herdeiro, residia com a mulher e uma amásia em casas contíguas. Os filhos, casados, residiam fora do estado. Não tinha empregados e sozinho cuidava de um pequeno rebanho e alguma cultura de subsistência.

O que não deixava de chamar a atenção de todos, era o fato de Vadinho conviver com a mulher Mariquita, com a mesma idade, não bem conservada, o que lhe dava um aspecto de bem mais velha, agravado pelo descuido da aparência, e a amásia Prazeres, morena, cabelos lisos, bem torneada, rosto engraçado, seus seios ligeiramente flácidos, era apetitosa e com ela pernoitava.

A relaxidão de Mariquita e sua frigidez sexual que ficou mais acentuada com a idade, obrigou-o, sem protesto da mesma, a cair nos braços da amásia. É um comportamento freqüente nas mulheres do campo que, outrora arrumadinhas para atrair o futuro pretendente, tornam-se com o tempo alheias a boa aparência, passando para a condição de repelentes de marido. Não tinha o menor sentido à fidelidade conjugal. Sexo, além de ser vida, é o mais agradável dos prazeres, necessário à estabilidade do casamento. Conviviam muito bem, na mais perfeita harmonia. Essa inusitada circunstância fê-lo chegar à conclusão, confessava aos amigos, que o homem deveria ter duas mulheres, uma para constituir família e outra exclusiva para os prazeres do sexo, proibida de parir para melhor conservar a forma.

Ao contrário de Mariquita, Vadinho preocupava-se com o seu visual. O barbear-se diariamente, como fazia, para quem mora na zona rural, não deixava de ser um comportamento incomum. Queria, a todo custo, apagar a velhice da cara. Brincava de se esconder com o tempo, achando que assim dava-lhe corda para afastá-lo do inevitável desfecho da vida.

Quando ia à cidade, invariavelmente nos dias da feira, comportava-se como um janota. Logo cedo, após um banho no São Francisco, vestia a melhor calça, camisa de cores berrantes, gosto que perdurava desde a juventude, borrifava o rosto e o corpo com um perfume barato, concluindo o seu ataviamento com os óculos escuros na cara. Eis que a velhice, num passe de mágica, transfigura-se em um corpo com toda vitalidade. Notava-se claramente, nesses momentos, a personificação da vaidade em seu grau máximo de satisfação, um verdadeiro astro do cinema.

Pronto achava-se para a conquista feminina, caso aparecesse. Embora já não estivesse a dar conta do recado com Prazeres, julgava-se um reprodutor à maneira de um paxá africano.

A feira, para muitos matutos, é um dia de festa. Nessa ocasião, uma das duas, a mulher ou a amásia, acompanhava o Vadinho em revezamento semanal. Após chegarem à cidade em um carro velho, acertavam sobre o local e hora do retorno. Caso ele não chegasse na hora combinada, que ela voltasse no transporte coletivo. Ela ia às compras e ele, para exibir-se e dar vazão a seu temperamento extrovertido, procurava os amigos para inteirar-se das novidades.

Para tornar a conversa mais agradável, procuravam um boteco nas imediações do meretrício.

Pinga e cerveja, um copo atrás do outro, a conversa tornava-se cada vez mais animada. O assunto predominante, aparentemente inadequado para a idade, era mulher. Hábito de comportamento de quem quer dar a aparência de viril, quando a virilidade, a passos largos, começa a abandona.

Era comum, dada a proximidade dos bregas, que as quengas aparecessem na esperança de garfarem clientes e dar início aos trabalhos pela sobrevivência. Naquele dia, algumas já tinham aparecido, mas sem despertar o gosto do Vadinho.

A boa notícia para os freqüentadores de cabaré é o aparecimento de uma nova puta. Por sorte ou azar de Vadinho, naquele oportunidade apareceu uma apetitosa carne fresca. Beirava os vinte anos. Pele clara, cabelos lisos, quase esguia, corpo de violão, pernas e coxas bem torneadas, sem manchas, um rosto agradável, seios ainda firmes, era um deleite visual e a promessa do mais excitante combate sexual. Não seria ela demais, correndo o risco de ser rejeitado? O álcool, nessas ocasiões, aliado ao seu temperamento alegre, fez milagre. Esquece a possibilidade de ser rejeitado. Não era ela uma profissional a sobreviver da exploração do próprio corpo? Dirige-se a mesma e a convida a sentar-se à sua mesa. Após as apresentações de praxe, oferece-lhe um copo de cerveja. Comida apetitosa ao seu alcance, tornou-se imediatista para degustá-la mais rápido possível. Impaciente, pergunta-lhe onde está hospedada. Bebe um pouco mais.

Seu nome era Sirlene. Vadinho, a essa altura com a cabeça altamente alcoolizada, quer ver logo o desfecho daquele doce encantamento. Levantam-se e rumam para o quarto da Sirlene. Era de uma pobreza franciscana, resumindo-se numa cama e um guarda-roupa. O banheiro, no corredor, era comunitário a exalar um péssimo odor. Isso não tinha nenhuma importância perto da sua impaciente expectativa de desnudar aquele lindo corpo, abraça-la, beija-la da cabeça aos pés e chegar ao ápice do seu desejo. Tudo isso aconteceu nos mínimos detalhes. Sexo, afinal, é uma arte que requer criatividade e imaginação para torná-lo mais excitante e poder atingir o verdadeiro êxtase do prazer. Mas o que estava acontecendo com o Vadinho naquele dia?

Malabarismo corporal nas mais diversas posições eróticas foram feitas, sem conseguir despertar por completo do profundo sono o guerreiro peniano de grandes façanhas de outrora.

Sua parceira, a essa altura, não escondia a sua impaciência, a ponto de explodir. Ora, estava ali para fazer sexo e não ginástica. Vadinho percebeu e isso afundou mais ainda o seu desejo de usufruir as mil e uma noites que previra. Nada mais tinha a fazer. Desistiu. Olhou com raiva, quase ódio, para o flácido pênis. Com ímpeto irracional, como se ele fosse autônomo, teve vontade de dar-lhe uns tapas. Seu rosto, suado, respiração ofegante, estampava um ser dilacerado pela incredulidade, tristeza, frustração e vergonha. Como pode uma expectativa que acenava tão generosa, capaz de fazer-lhe desfalecer de prazer, transformar-se num sofrido e vergonhoso fiasco!!

Desculpa-se. Veste-se e despede-se de Sirlene que recebeu a mais amarga remuneração de sua vida. Vadinho, enquanto dirigia rumo à sua casa, convenceu-se de que a sua condição de guerreiro das proezas sexuais encontrava-se no passado. E numa honesta autocrítica, chegou a conclusão que o disfarce para exibir-se mais jovem não passava de uma infantilidade. Não há mal que não traga um bem. Adeus encenações de proezas machistas! Triste e desgraçado, sem dúvida, é aquele que não tem o espírito da sua idade.

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  • Antonio Lins O que foi que você quiz falar mesmo João Pereira?
Cristina Sanchez

Cristina Sanchez

Dedicada pesquisadora da História do Penedo

Postado em 02/02/2010 18:21

O Porquê da Lavagem do Rosário

A Capela de Santa Ifigênia

Inicialmente, no século XVII, local onde hoje se encontra a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, os negros (escravos e libertos) construíram uma capela em adoração a Santa Ifigênia (a primeira santa africana). Era Ifigênia de origem nobre, filha do rei da Etiópia. Atualmente, a imagem encontra-se ao lado direito do altar-mor e traz em suas m]aos uma casa, simbolizando o Mosteiro que a mesma fundou e o salvou das chamas, invocando o nome de Jesus. A heróica santa tornou-se símbolo de proteção a todos contra incêndio, tornando-se também defensora dos que buscam a salvação do lar e lutam para ter uma casa própria.

Segundo Silva Caraotá, em sua Crônica do Penedo, datada de 20.12.1871, fala da existência de um “livro de entradas das antigas” onde se acham assentamentos dos irmãos do Rosário dos Pretos, datados de 1634.

Analisando no acervo de mapas do tempo dos holandeses no Penedo, constatamos a existência de uma “habitação” no local da referida capela, indicando consequentemente a existência e o provável funcionamento da mesma. O mapa data de 1637, ano em que Maurício de Nassau edificou na Vila do Penedo do Rio São Francisco, para a defesa de seus domínios, o famoso Forte Mauritis.

Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

A devoção de nossa Senhora do Rosário se propagou pelo mundo, sendo levada também ao Congo (África), e introduzida no Brasil desde o início do século XVI por missionários portugueses.

A Irmandade dos Homens Pretos funcionava como uma espécie de Associação com a finalidade de abrigar as tradições afro-religiosas, objetivando aliviar o sofrimento aplicado pelos brancos, num intento de auxiliar a integração da população negra à religiosidade da sociedade branca. Os irmãos (escravos e libertos) procuravam adaptar da melhor forma possível nos seus rituais aos do catolicismo, conservando em suas procissões símbolos religiosos representados por figuras ornamentadas, bonecos e alguns animais (boi,jacaré, burrinha, elefante, etc...). Incluíam também o cortejo cerimonial africano da coroação do rei e rainha, cordões de dama de honra, seguidos por músicos, batuques e danças.

Não se sabe ao certo quando foi criada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Penedo. Sabe-se, apenas, que em 1634 ela já existia. Portanto, é uma tradição da cidade que conta com mais de 370 anos e que, com toda a certeza, foi um dos mais fortes elos propulsores da cultura afro-penedense.

Origem do Rosário

“A devoção a Nossa Senhora do Rosário tem sua origem entre os religiosos dominicanos por volta de 1200. São Domingo de Gusmão, inspirado pela Virgem Maria, deu ao rosário sua forma atual. Nossa Senhora do Rosário foi a mais popular das invocações de Maria entre brancos e negros da colônia brasileira. Foi escolhida como orago de muitas confrarias e irmandades criadas para promover a alforria dos irmãos escravos e garantir sua sepultura em solo sagrado. As festas em sua honra inclkuíam expressões culturais como o reisado e o congo, além de outras evocações da África.”

Sabe-se, aqui no Penedo, que os escravos recolhiam no mato certas “contas” acinzentadas denominadas “Lágrimas de Nossa Senhora”, com as quais confeccionavam terços e rosários para suas orações, onde, com maior devoção, encontravam o desejado consolo nos braços misericordiosos da Mãe Branca do Rosário.

Se compararmos a junção da disposição das ruas “Rosário Largo” e Rosário Estreito”, veremos que a Igreja faz uma conexão com ambas as ruas, apresentando assim a forma de um imenso rosário, exatamente no ponto onde se encontra a medalhinha no terço. Podemos ainda levar em consideração, que a característica “Cruz” que compõe o início do rosário cristão poderia se estender à milagrosa Igreja de São Gonçalo do Amarante, local esse onde hoje funciona o Colégio Imaculada conceição..

No decorrer do tempo, a Câmara de Vereadores foi aprovando projetos que renomeavam os bairros tradicionais e a maioria das ruas e praças que constituem todo o com junto arquitetônico do Sítio Histórico de Penedo e que atualmente faz parte do nosso Patrimônio Nacional. Para os mais jovens e os que desconhecem a legendária e valorosa saga das tradições penedenses, o Rosário Largo hoje é a Praça Marechal Deodoro e o Rosário Estreito tem por denominação Rua Barão do Rio Branco.

O Sincretismo Religioso

A lavagem nas igrejas é uma tradição de origem portuguesa, absorvida pelo sincretismo africano em sua feição. Ou seja: veio de Portugal nos tempos do Brasil Império, da tradição católica onde o povo fazia penitências e promessas aos santos de maior adoração, de varrer, lavar, enfeitas e zelar das igrejas. Da África, os escravos trouxeram para o Brasil a cerimônia das “Águas de Oxalá” que consiste em uma procissão representando a viagem de Oxalá, que foi acometido por injustiças durante todo o percurso de sua jornada ao Reino de seu filho. O ritual afro simboliza uma homenagem a esse orixá (divindade), com rezas, cantos e oferendas. Em localidade escolhida, e com muita água de cheiro, vão lavando e varrendo todo o ódio, inveja, fome, doenças e injustiças, pedindo misericórdia e perdão pelos atos cometidos. Para os africanos, Oxalá é o maior e mais respeitado dos orixás. No Brasil, a padroeira das Irmandades dos Pretos (escravos e libertos), é Nossa Senhora do rosário, que também é a padroeira da cidade do Penedo, que a venera em fervorosa fé e devoção. No interior da igreja, encontram-se santos brancos e negros. Ali se fazia penitência e procurava-se adaptar a cultura negra à religiosidade branca. Nessa época não havia cemitérios e somente os brancos eram sepultados na igrejas. Em decorrência, A Igreja do rosário construída pela Irmandade dos Homens Pretos, tornou-se o solo sagrado do africano no Penedo.

A lavagem do adro (terreno em frente à igreja) tem todo um fundamento nas raízes afro penedenses. A primeira lavagem da atualidade foi no ano de 2005, realizada pelo Babalaorixá Fernando Oiá Belegum que iniciou a retomada das antigas homenagens à misericordiosa Mãe Branca do Rosário. Pai Fernando, como é mais conhecido, muito tem se esforçado para o resgate das tradições afro penedenses, seguindo à risca os antigos cerimoniais africanos. Tem realizado a belíssima cerimônia das Águas de Oxalá, depois o ritual de fundamento da lavagem e, por fim, efetuado o antigo cortejo (que deve sair de uma igreja para outra), com a participação constante das “baianas” de sua casa de orações Ilê Axé Assesssu Omim e Odé Aqueran. O suntuoso cortejo sai da Igreja do Senhor Bom Jesus dos Pobres até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, entoando louvores em dialeto africano, às sextas feiras que antecedem ao carnaval. O desfile tem ocorrido à noite, para que a população em geral possa participar. O ritual da lavagem propriamente dito é concretizado bem antes, nas primeiras horas do nascer do sol.

O Folclore, a Cultura e a Religiosidade Afro Penedense

Nas tradições remotas do período da escravidão, não podemos esquecer as Taiêras, um cortejo dançante formado por africanas. Usavam torço branco de cassa, colares de coloridas contas, sendo a maioria deles de ouro,pulseiras, saias rodadas, chinelinho de salto, etc. Apresentavam-se com vestimentas, conhecidas na atualidade ao que todos chamam pelo nome de “baianas”. No estado de alagoas, segundo Abelardo Duarte, as Taiêras do Penedo eram em maior escala.

Existiu um Quilombo nos arrabaldes do Oiteiro (hoje Bairro Senhor do Bonfim), que pouco se sabe de sua história, salvo o Maracatu que até a algum tempo atrás era ainda uma testemunha viva proveniente dos resquícios do famigerado Quilombo.Tanto as Taiêras como o Maracatu do Oiteiro eram cortejos dedicados ao acompanhamento das procissões de Nossa Senhora do Rosário, como era de costume nessa época em alagoas. Iam prestar suas reverências e devoção à Santa, venerando-a em saudação diante da fachada da Igreja da Senhora do Rosário dos Pretos, e, em seguida, saíam em visita às casas de seus benfeitores. Esses cortejos também apareciam durante as festas do Natal, descendo festivo até o Comércio, tradicional centro das festividades penedense. Chegavam também: O Reisado, a Chegança do Penedo (de renomada fama em todo o estado de Alagoas e em Sergipe), o Bumba-Meu-Boi ao som da banda de pífanos, Guerreiro, Pastoril, Toré (do Oiteiro), a Batucada e tantos outros.

O africano no Penedo muito contribuiu para o desenvolvimento sócio econômico e cultural da cidade, tanto na parte material, quanto na religiosa. A cidade do Penedo reuniu no passado um dos mais populosos centros de negros, na região alagoana.

A mão escrava na construção de igreja e casario, na música, nas artes e na agricultura. O memorável legado cultural e intelectual da “elite negra” ( Os Malês), na época em que o conhecimento e o saber eram restritos aos mosteiros e conventos e ao privilégio de poucos brancos de renomada posse. Esses negros maometanos se destacavam na comunidade penedense em escrever com requinte o Árabe Clássico, conhecendo Astronomia, Direito, Aritmética e Teologia. Até o fim do cativeiro, ainda realizavam a misteriosa e estranha cerimônia da “Festa dos Mortos”, que permitia aos negros comunicar-se com os seus mortos e venerá-los.

A Boneca Negra (Bebiana) das festividades afro religiosas é uma homenagem ao elemento Malê do Penedo, representando a figura de Bebiana Maria da Conceição Costa, natural da Costa D’África, que morou e faleceu em Penedo no dia 02.05.1886. Nasceu e viveu na religião de Maomé (Negra Malê), embora também pertencesse às Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e a de São Benedito.

A cidade do Penedo tem por devoção maior à sua Padroeira, Nossa Senhora do Rosário, que sempre abrigou com seu manto de ternura a todos os filhos (sem distinção de raça ou credo) que em desespero chamavam em seu socorro.

A Lavagem da escadaria do adro da Igreja do Rosário Largo foi a forma que o Governo Municipal, na administração do ex-prefeito Marcius Beltrão Siqueira encontrou, diante de tamanha riqueza cultura, de resgatar as raízes do legado afro penedense, tendo por objetivo retirar e amparar suas tradições históricas do esquecimento.

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  • Amante da história do Penedo Parabéns Cristina Sanches, pelo seu artigo falando SOBRE O PORQUÊ DA LAVAGEM DO ROSÁRIO. Artigo como esse é sempre bom e enriquece os conhecimentos de quem ler. Que publique sempre algo desse gênero. Mais uma vez meus parabéns.
  • Pedro Soares Quem sabe, Sabe! Parabens Cristina. Na sexta quero contar com sua presença no bloco dos comerciários, la, na lavagem do Rosários. Pedrinho.
  • C. Excelente artigo, parabéns. Porém, tenho um apontamento, você diz: "A primeira lavagem da atualidade foi no ano de 2005" Mas, ao que eu sei a "Lavagem do Rosário" ou "Lavagem do beco", como é conhecida, acontece já há muito tempo e não "voltou" a acontecer apenas em 2005.
  • EMERSON FEITOSA E o nosso amigo Sérgio Paulo com a lavagem do Beco? As tradições são inventadas como diria Eric Hobsbawm!!!
  • Ednaldo Fernandes Fico feliz como penedense ao ler neste jornal virtual, esta pesquisa rica em detalhes sobre a vida dos negros que ajudaram não só na construção deta cidade, como também fizeram história, tenho muitos amigos negros em Penedo e me orgulho disto, minha avó materna era de Piaçabuçu, e era negra, um exemplo de vida para toda à família. Parabens a Cristina Sanches por nos ter dado esta bela lição, com um trabalho de pesquisa minucioso e muito importante para sabermos mais sobre nossas origens, embora algumas pessoas ainda se achem brancas, e quando perguntamos a sua cor negam, se dizendo "morenas", pura invenção do brasileiro. Quiça, outras pessoas façam a mesma coisa, pois Penedo tem muita história ainda para ser contada.
  • Julieta Calumby Pereira VOCÊ, SEMELHANTE AO CARANGUEJO, COM O GOSTO ESPECIAL DE ANDAR PARA TRAS, CAMINHAR INDISPENSÁVEL PARA QUEM QUER CONHECER O PRESENTE, PRESTA UM BOM SERVIÇO AO NOS INFORMAR SOBRE FATOS ISTÓRICOS DA NOSSA CIDADE. CONTINUE A PESQUISAR PARA NOS ESCLARECER CADA VEZ MAIS SOBRE PENEDO. DESCONHECIA QUE LAVAGEM DE IGREJA FOSSE UMA TRADIÇÃO DE ORIGEM PORTUGUESA. ACHAVA QUE FOSSE DE ORIGEM AFRICANA. TAMBÉM IGNORAVA A EXISTENCIA DOS MALÊS EM PENEDO, NEGROS ISLAMISADOS DO NOROESTE DA ÁFRICA. PARABÉNS, CRISTINA CARANGUEJO.
  • Soraya Casado Muito bem Cristina! Orgulho-me em ler matéria sobre "minha" Penedo. Desenvolvi, confesso que sem grandes custas, gosto pela cidade por ser filha de Filha de Penedo! Não tem como não se apaixonar por cada pedaço desse lugar e seus moradores. Que tantos outros (re)descubram Penedo e suas histórias. Sueli, Ronaldo, Rosilda e Marcos (todos Leite) mandam-lhe abraços.
  • ednaldo fernandes Gostaria que se possível, já que estamos próximos do carnaval, fazendo justiça, publicassem um artigo sobre o FAMOSO ' BLOCO DO VA", que tanto contribuiu para engrandecer os carnavais de Penedo. Abraços
Públio José

Públio José

Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida

Postado em 22/01/2010 01:15

Não Chores!

Em todo final de ano o mesmo cenário se repete. Na sua casa ou escritório chove um montão de mensagens de fim de ano. São impressos luxuosos, cartões os mais bonitos (alguns nem tanto), outros bastante modernos, criativos, alguns de cunho mais conservador... Já, pelo computador, textos bem escritos (e mau também), acompanhados de melosas trilhas sonoras, entopem sua rotina com os conteúdos os mais diversificados. Nesse contexto, o objetivo se faz comum a todos: desejar ao endereçado da mensagem votos de saúde, paz, prosperidade, sonhos realizados, bonanças enfim. Por outro lado, em ações e gestos mais aprofundados – dependendo dos interesses em jogo – presentes também são enviados. Com a mensagem, enfeixam os desejos do remetente de que o outro seja cumulado de bênçãos, paz, prosperidade, etc., etc... Nada contra essas manifestações. Muito pelo contrário.

Elas tornam, pelo menos nesse período, o mundo menos áspero e mais gentil. Mas nada resolvem. Pois, apesar de tantos cartões, mensagens pelo computador, presentes, firulas e salamaleques o mundo chora. As pessoas choram, embora, na maioria das vezes, as lágrimas não sejam visíveis. E porque choram? Tristezas, agressões, traições, incompreensões, violência, mágoas acumuladas... Um mundo, enfim, de gestos e ações responsáveis por um estado geral de infelicidade que, no período natalino, se tenta mascarar com mensagens, festinhas e presentes. A realidade, no entanto, é que o ser humano ainda não aprendeu a administrar suas vicissitudes interiores, mesmo tendo dominado o átomo e se tornado o senhor da mais avançada tecnologia. E agride, e é agredido, e se parte por dentro, abrindo a guarda para o cultivo de sentimentos negativos e estados mentais depressivos.

Observando todas essas coisas, descobri que apenas uma pessoa, entre bilhões e bilhões de seres vivos sobre a face da terra, tem o condão de mudar, de modificar esse cenário. Seu nome? Jesus Cristo. Cartões natalinos não resolvem, festas de confraternização também não, políticas governamentais idem – como também telefonemas e tapinhas nas costas. Ainda hoje as pessoas se sentem como Jó (Jó.16.16) remoendo a sua circunstância: “O meu rosto está todo avermelhado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte...” Porque isso acontece? É lamentável se constatar, mas o ser humano – tanto o daquele tempo como o de hoje – ainda não aprendeu a administrar suas crises interiores. E a grande maioria (sempre existem exceções) não descortinou ainda o caminho do aprendizado. Daí, como cego às apalpadelas, buscam soluções onde apenas ilusões e quimeras se dizem presentes.

Pois da mesma forma que se aprende sobre um montão de coisas nessa vida, é necessário também sermos ensinados sobre a administração das nossas engrenagens interiores. E nesse campo (volto a repetir) aprendi que só há um Mestre, só um Senhor: Jesus Cristo.

Religiosidade, beatice, fanatismo? De jeito nenhum. Pura comprovação. Afinal, só ele teve e tem autoridade para afirmar (João 16.20) “Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria”. Seria Ele um mentiroso, um doido varrido para prometer a transformação (através Dele) da tristeza em alegria se tal fato, efetivamente, não ocorresse? Reflitamos! Custa refletir? Pelo menos em mim, tais palavras deram origem a uma nova realidade de vida. Concreta. Cristalina. E isso não tem nada a ver com religião.

Tem a ver com Jesus e o seu inenarrável poder de transformar choro em alegria. Como também está escrito (a respeito desse poder) em Ap. 21.4: “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima”. Como também fica demonstrado na vida da viúva de Naim, cujo filho único ela havia perdido (Lucas 7.13): “E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores”. Ah, que riqueza espiritual incalculável você ter diante de si alguém com autoridade – e amor – para aplacar sua dor, enxugar de seu rosto toda lágrima – e criar no seu íntimo uma nova esperança! E somente Jesus para prometer – e cumprir – tais promessas. Aliás, o mesmo Jesus que fala também (Mateus 11.28): “Vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. E as mensagens natalinas? Palavras, palavras, nada mais que palavras. Eu estou com o Consolador, o Mestre, a Solução, o Caminho, a Verdade, a Vida...
 

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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 17/01/2010 06:34

Conversando com Penedo

Iremos bater um rápido papoterapia com a nossa querida matrona Penedo, para que possa desabafar suas mágoas, decepções e sofrimentos. Vindo a passar nas últimas décadas breves períodos de uma convivência suportável, predominam em grande parte, como no presente, os maus tratos que estão a caracterizá-la como mulher de malandro. Encontra-se perdida a tatear na escuridão da incerteza a respeito do seu futuro. Prestes a completar um ano da terceira convivência com o atual prefeito, acompanhamos a aflição de seus filhos dissidentes dessa união. Eram quase a metade no início e provavelmente a maioria hoje, graças as desastradas iniciativas políticas e a inação administrativa. Que o diga o burburinho das ruas e a insatisfação de muitos de seus correligionários.

Percebemos claramente o seu arrependimento por ter feito um casamento que parece fadado ao desastre. Não vamos perguntá-la o porquê da sua loucura em reatar uma terceira parceria com o Alexandre, deixando de perceber uma regra que quando um administrador faz um bom desempenho no primeiro mandato, o segundo, com as raras exceções, costuma ser medíocre e os subseqüentes um desastre. Nós, pessoalmente, contribuímos com o seu erro, razão porque publicamente pedimos desculpas.

____ Por que após quase onze meses da atual convivência com o prefeito, esteja ele a maltratá-la, desfigurá-la e abandoná-la? Temos informações, não sabemos se verídicas, que o seu chefe e companheiro dorme apenas duas noites por semana com você, permanecendo os demais dias em Maceió. O que está havendo, perdeu a fogosidade e a arte da conquista? Enfado da convivência conjugal? Está em queda livre a libido do prefeito? Bem, são segredos de alcova.

____ Nada disso. Todos sabemos que no ultimo namoro, dois pretendentes disputavam para gerir da melhor forma possível e com a mais pura das intenções, como juravam, o meu destino. Chegado o fim da peleja, eis que me encontro, sem me dar conta,como vadia irresponsável, nos braços do amor de perdição do Alexandre. Inconformado o Marcio, segundo pretendente, achando que houve mutreta na disputa, tenta anulá-la pela via sonolenta da justiça. É evidente que alguma apreensão existe da sua parte, acreditando, mesmo que remota a hipótese, de perder-me. Essa preocupação de perda não deveria existir, vez que evidente está, a todos nós, sua falta de amor por mim. Se não existe afeto e carinho, qual a razão? Seria a sua Santidade, o potente, deslavado e corruptor interesse próprio? Com esse clima, nada pode funcionar a meu favor. Acredito que somado a esse fato, esteja ele sentindo da minha parte uma forte rejeição. Situação nada confortável. Resta-me esperar o desfecho dessa guerra. Caso venha a acontecer a anulação, viva, só assim terei condições de redimir meu erro.

____ E se não for coroada de êxito a sua expectativa, o que será de você?

____ Não posso fazer nada. O que não tem remédio, remediado está. Resta-me penitenciar-me e, com santa paciência, suportar estoicamente uma indesejável convivência.

____ Quem cuida da coisa alheia ou do bem público, tem a obrigação de prestar contas de seus atos. Não sabemos o porquê do descaso, da falta de responsabilidade e respeito ao povo da quase totalidade dos prefeitos em ignorar o cumprimento dessa imprescindível formalidade. Passamos a julgar pela aparência do que vemos, quase sempre em desacordo com a nossa avaliação, e ficamos sujeitos a fazer falsas imputações. E de quem é a culpa? A propósito, você acha, respeitável Penedo, que as realizações da atual administração estão dentro do que esperávamos ou estamos a viver o desencanto, o caos da terceira gestão?

____ Acaba de tocar no mais crítico dos conflitos que habitualmente acontecem entre mim e meus companheiros. Há poucos dias tive a curiosidade de acessar a internet e tomei conhecimento que o Governo Federal fez a meu favor um repasse de trinta e nove milhões de reais. Extasiada, perguntei-me: O que é ou o que foi feito com esses recursos? Enxergo quase tudo emperrado em termos de realizações. Será que a órfã saúde, a educação, saneamento, entre outros setores, estão sendo devidamente contemplados? No que tange a obras, visivelmente nada me convence. O que será de mim? Encontrando-me em frangalhos, sinto-me como se fosse a personificação dos sentimentos negativos. Deus, em que mundo me encontro!!! Se existirem, como serão os mundos paralelos? Sem perspectiva, como gostaria de passar para a outra dimensão do universo!!! Encurralada, fragilizada e sem saída, nada me confortaria mais do que o divórcio.

____ Findo o atual contrato, como imagina o futuro quadro de candidatos a disputá-la?

____ Se não houver mudança agora, isto é, se as coisas permanecerem como estão, teremos um repeteco. Espero que outros pretendentes surjam. Se a escassez de novos candidatos persistir, estou pensando em por anúncio em âmbito nacional, para que venham socorrer-me. Tomada essa providência, cuidar-me para não errar outra vez. Sei que não é fácil. O número de corruptos aumenta geometricamente e é desse caldeirão infernal que saem os Casanova que nos seduzem. Sou mulher e tenho um fraco a render-me aos elogios e promessas a meu respeito. Esse é o meu medo de cair na lábia do irresistível conquistador, a chamar-me de bela e prometer-me o céu. As mulheres gostam de elogios, mesmo que falsos. Que Deus me proteja desses falsários da palavra fácil e do veneno letal de seus sentimentos, que fazem na penumbra de seus pensamentos, inspiração de seus projetos diabolicamente corruptos.

____ Para encerrarmos, você vê um futuro duradouro do atual prefeito na política? Como pensa livrar-se ou ao menos atenuar sua culpa em relação ao ultimo pleito?

____ Sinceramente, não vejo. E a razão é muito simples.Quem é seu conselheiro mais próximo? Uma madrasta que em sua maldade e visão opaca,chega a confundir subtração com adição, estando a causar-lhe grande evasão de eleitores.Ora, o político respira voto e sobrevive pelo voto. Para tanto, é necessário, na pior das hipóteses, que mantenha estável seu eleitorado. O que estamos observando é o decréscimo. Desconheço que ele tenha feito novas amizades de peso. Ouvimos falar em perdas importantes. Está pondo fogo na própria casa. Se a essas perdas somar-se a uma administração sem rumo, antipática e apática, fim de linha. A remissão do meu erro e do pecado dessa convivência arrependida está calcada em seus erros que estão paulatinamente a eclipsá-lo e que terminará, inevitavelmente, a jogá-lo no mais profundo ocaso político.

____ Bem lúcida a sua observação. Da nossa parte, parte inseparável de você, velha guerreira, desejamos que o seu passado de ouro logo se faça presente, há potencial para isso. Esperamos que logo apague da sua memória a atual condição, sem destino e esperança de melhores dias, reduzida a uma vil e desprezível alma morta. Que ressurja do lamaçal como a flor de loto que brota do pântano com inefável beleza e volte a ser uma respeitável e admirável diva, dignamente ornamentada com os louros da vitóra.

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  • henrique beltrao parabens meu amigo Sr. Joao Pereira!!brilhante o seu texto, reflete basicamente o que esta acontecendo em penedo!!
  • leitor Nossa nunca tinha me atentado como temos pessoas de um talento enorme,esse texto é simplismente lindo e de uma cidadania.....adorei seu texto e parabens,descobri pessoas aqui como Marta,o senhor que são excepcionais verdadeiros poetas e tem muito poder em prender nossa atenção não consigo mais não ler seus artigos antes do café da manhã e digamos de passagem jantar tbm, distrai quando vejo tanta violência.morte,descaso,mais faz parte do desabafo do alagoano que sofre muito ultimamente.
  • João Pereira Júnior Conta-se que Alexandre "O Grande", passando sua tropa em revista, deparou-se com um soldado desgrenhado e com a roupa de guerra em desordem, causando-lhe irritação. Assim, diante daquele soldado desleixado, não resistiu e emplacou a pergunta: - Soldado, qual é o seu nome? - Ao que respondeu, timidamente: - Alexandre. Sem titubear, "O Grande" deu-lhe um ultimato: - Soldado, das duas, uma... Ou você muda de vida ou você muda de nome. Nesse pequeno episódio, fico a imaginar se o atual prefeito pudesse ser abordado pelo Grande Alexandre... Será que, também por misericórdia, haveria um ultimato? Acho que não, pois enquanto o soldado do episódio era displicente em sua aparência, prejudicando apenas a si, o mandatário do Penedo é indiferente à realidade, transcendendo a nocividadede sua inação para além de si. Seria, certamente, o fim do nosso equivocado prefeito. Como diria Caetano Veloso: "Algo parece está fora da ordem..."
  • LEITOR Estou impressionada em ver uma crônica falar tão expressivamente os sentimentos de uma cidade.O coração de Penedo chora tanto abandono.
Jean Lenzi

Jean Lenzi

Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural

Postado em 09/01/2010 13:28

Quando se fecham as cortinas da cena e do ato

Quando se fecham as cortinas da cena e do ato
Cia. Cena e Ato e O Casamento de Maria Feia / Melhores de 2009

As minúsculas lâmpadas postas para simbolizar a chegada do natal e conseqüentemente o fim de ano já foram apagadas, e para alguns vão sem nenhum saudosismo; e a razão é bem simples: Dar adeus ao Papai Noel que já desossou todos os perus e agora já pode ir, (aguardemos o próximo natal, mais gordo e sem dietas). Daí põe-se os gorros do bom velhinho no baú e deste mesmo móvel tiram-se as plumas, as purpurinas e os paetês, abrem-se todas as alas, pois é chegada a hora do carnaval onde os pedidos, já feitos, agora são intencionados às trocas, pois quase todos não vieram a contento.

E do mesmo modo, há exatos quatro dias para o final do ano que foi contemplado por flores e chuvas, trevas e alvoradas mais que vorazes, foram fechadas as cortinas do teatro local numa noite que tinha como dona da casa uma certa “Maria Feia”. O Theatro Sete de Setembro esteve durante o ano de 2009 ativamente disposto à classe artística local, reafirmando sua função de casa de espetáculos intimamente ligada às máscaras, e com este fim, foi o sólio de teste para artistas e arteiros, iniciantes e iniciados da arte cênica alagoana, ponto positivo, pois isto ocorreu paralelamente aos emaranhados problemas que persistem em atravessar os tempos, dando como seus morcegos centenários, vôos rasantes sobre cabeças nem sempre compromissadas. E ainda que estes “PO-BRE-MAS” tenham sido aclarados durante o último ano, mesmo assim o Theatro sobreviveu, e tal, “vida eterna ao deus Baco”!

O Theatro que em 2009 chegou aos 125 anos (em 2010 o Theatro Deodoro de Maceió chegará aos 100 anos), vem a cada novo ano sofrendo mudanças administrativas onde raras são às vezes em que isto se dá para melhor. Foi logo no primeiro semestre que a casa recebeu a direção artística da atriz Cláudia Helena Tavares, que assumiu no Theatro o compromisso de desenvolver projetos homogeneamente consistentes a favor da classe e da comunidade, isto somado a difícil tarefa de solucionar velhos perrengues que emperram a produção dos artistas cênicos; vale lembrar que estes atravessam não somente os anos, mais as gestões, as administrações e as mentes delicadamente alopradas, sejam elas dos dirigentes e dos dirigidos, coisas a serem revistas e repensadas em outros natais.

Com os direitos previstos aos consumidores de cultura poderiam ser discutidos inúmeros entraves encontrados hoje não somente na estrutura física do Theatro Sete de Setembro como também em sua composição, citemos apenas dois, que por sinal são os maiores:

1. O ar condicionado: Foi através de uma doação da Caixa Econômica Federal no inicio desta década, já não servia à Caixa, deveria então servir ao Theatro? Na ausência de brindes novos. O que de fato acontece é a falta de manutenção, com um agravante: a idade da máquina-dragão; proporcionando o desconforto de quem freqüenta a casa e seus produtos e tudo isto dificulta na permanência do público no teatro por períodos curtos até, e antes disto, compromete diretamente a realização de eventos. Mas nos alegremos, pois já é cogitada a possibilidade de serem instalados refrigeradores mais modernos e com manutenção mais acessível - os chamados “climatizadores split”. Poderia ser uma solução, hoje quem for realizar um evento sempre será interrogado pela administração do theatro que gentilmente lhe perguntará: “O Senhor quer que ligue o ar?”. Coisa grotesca, uma vez que ligado o dragão emitirá roncos que comprometem diretamente realização da sonoplastia, a quem diga o solo experimental “Fragmentos no Vazio” uma das maiores vitimas do bicho feroz.

2. A manutenção e profissionalização da técnica de luz e som do Theatro: Também adquirido por meio de prêmio, a aparelhagem existente hoje no Theatro Sete de Setembro é das melhores existentes no Estado, uma mesa de luz potente e profissional, um sistema de som não menos bacana pode fazer uma graça de peça teatral; pode? Não pode? Poderia se não tivesse os atropelos de luz e som conjugados talvez ao sistema de refrigeração, a falta de recursos para os efeitos de luz, e principalmente a falta de técnicos para operação; problemas que juntos apresentam uma peça politicamente eletiva e incorreta, pois basta mudar o prefeito e lá se vai o técnico, muda o diretor e lá se foi o operador, coisa simples e antipática feita uma Opereta Bufa – e mais uma vez?

São partes de uma gestão cultural que tenta acertar. Sem sombras de dúvidas a diretoria do teatro terá longa jornada a favor do Theatro e repito, da classe artística local, com grandes chances de promover em 2010 velhas-boas idéias não promovidas em 2009, e a primeira delas será manter os valores das pautas cobradas atualmente aos produtores:

· Locais: R$ 200,00 ou 10% da bilheteria · Não locais: R$ 400,00.

Vale lembrar que existe ainda uma participação financeira da Prefeitura Municipal de Penedo, participação maior. E é desta participação que vem a manutenção dos equipamentos e a folha dos funcionários. Mas a maior verdade de tudo isto é que desde os anos 90 o Theatro vem funcionando graças aos esforços dos artistas locais, (em outubro último os artistas de Maceió deram um abraço gigantesco no Theatro Deodoro em razão da parada de sua reforma infindável), vale dizer que aqui em Penedo o abraço ao Theatro Sete de Setembro é diário, é afinal de contas o nosso centro de convenções, que por vezes sedia eventos da grandeza de uma Terra Terta, ou simplesmente reuniões de grupos, convenções, vacinações para gente e para cães e se contentes ficarem fossas mercedes, vale dizer que tudo é muito bem organizado com direito inclusive à água geladíssima. Mas por razão destes é que o Theatro mantêm-se de pé. E por isto devemos aplaudir?

O impulso dado pela Companhia Penedense de Teatro, que completará seus 20 anos de máscaras e sapatilhas de amianto já no próximo março, foi fundamental para o surgimento de novos grupos de teatro; na época, inicio dos anos 90 o teatro era para bruto, o saudosismo deixado por Ernani Mero, as ressacas que davam aos jovens da estirpe de Nine Ribeiro, que por várias razões pode ser considerada uma das melhores atrizes que já subiram no palco do Sete de Setembro, contemporânea de Junior Dantas e de outros poucos precursores da cena local garantiram de algum modo o espelho para o que é feito hoje, e revezando-se em épocas e estilos diferenciados, os 05 grupos existentes, na soma recente de mais um, só reafirmam a vontade e a necessidade de levar o teatro local para além das margens do Rio São Francisco. Falemos então da Companhia de Teatro CENA E ATO.

Com pouco mais de oito meses, o grupo formado nos corredores de um colégio local abandonou os bancos escolares para uma promissora carreira nos tablados. Jéssica Oliveira, Arthur Antunes e Marcelly Alpiano estão hoje sob os auspícios do experiente ator Emmanuel Silva e do comprometido diretor Tiago Henrique França, desta união fez surgir o grupo que em novembro último estreou num Festival de Teatro Estudantil o divertido e regional “O Casamento de Maria Feia”. Mas antes de qualquer coisa é sabido que “quem está na chuva é pra se molhar”, seja em que área for, criticas deverão surgir inclusive para reforçar ações de um trabalho público, feito por pessoas que se tornam públicas por pura convenção e feição.

Dos grupos existentes, somente a Cia. Teatral Artes Ribeirinhas lançou um novo produto em 2009, o espetáculo “Ele Me disse que ela falou” foi revelado na mostra produzida pela própria companhia e parece ter agradado, e na ausência, veteranos da Companhia Penedense de Teatro marcaram presença com seu Festival de Férias no Teatro trazendo velhas cenas interessantes, entre eles o seu também regional “Como nasce um cabra da peste”, desbancando a possível covardia do “Jeremias, O Herói”, do Núcleo de Pesquisa Teatral entre outros trabalhos mais ou menos importantes, onde uns permaneceram quietos e fizeram a política da boa vizinhança, outros partiram para novos palcos, e outros ainda repetiram a sopa sonoplastica e mudaram a cena para alcançar o sucesso tardio nos palcos da capital. Mas no fechar das cortinas, quem melhor fez a cena em 2009 foi sem sombra de dúvidas a “Maria Feia” que num lapso de gentileza e elegância nos convidou para seu casamento orquestrado por bons sons regionais, e com decoração brilhantemente rasteira, (diga-se esteiras), e com direito às gaiolas o casamento aconteceu, e nele, personagens de um nordeste nem sempre carrasco, feito por machos nem sempre tão machos criadas a partir das viagens do autor Rutinaldo Miranda Batista, as Marias e os Josés dançavam afoitamente, e o frouxo cangaceiro bailava a contento, digno de uma encenação inteligente e atenta às verdades do texto.

A cumplicidade e o entrosamento dos atores permitiram à boa estadia dos convidados do casamento, que presenciaram danças, trocas de figurinos e cenários criados com uma delicadeza nordestinesca de tirar o chapéu. Tudo no espetáculo é bem resolvido, ponto para o jovem diretor Tiago França, e razão de orgulho do grupo que arrancou logo na estréia a maioria dos brindes ofertados pelo júri do II Intercambio Estudantil de Teatro.

A direção conjunta de Emmanuel Silva e Tiago França deu ao espetáculo um estado real de clichês nordestinos e de conceitos falsos e principalmente daquela velha e legal máxima shakespeariana: “Tudo bem quando termina bem”. A estes novos colegas, revelações do teatro penedense em 2009, ‘MERDA’.

Os problemas do Theatro Sete de Setembro, a desunião e incompreensão dos artistas e grupos locais, o alvoroço político e social, as grandes cenas como as de “MADAME”, e até do “PICA-PAU” que visitaram esta proveta em 2009, seguidos também pelas cenas medíocres que fazem parte do oficio, as revelações do teatro local contribuíram juntos para mais um ano efervescido por competentes agentes culturais, pelos arteiros com egos altamente inflamáveis, pensamentos e opiniões mal interpretadas, pelas novas gestões que trazem em seus pacotes novos “entendedores de cultura” – por tudo isto e somente, os refletores do nosso theatro, ainda que defeituosos conseguiram dar a luz e a magia necessárias aos trabalhos do atores locais, e estes agora dão os blackout gerais para que as cortinas emperradas finalmente se fechem, mas ambos vão cheios de promessas para a temporada de 2010.

AGUARDEMOS, POIS ENTÃO!

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  • Andrea Lima Estive assistindo vários espetáculos durante o ano de 2009 no Theatro 7 de Setembro e pude perceber como o Theatro mudou e para melhor. A primeira coisa que perguntei foi quem estava na administração e admirei-me quando ví que era uma jovem e atriz. Isso já é um passo fundamental para uma boa administração de uma casa de espetáculos. A mudança no Sete de Setembro é visível e clara, eu notei que nãao mais existia o mau cheiro que emanava quando sentavámos na primeira fileira de cadeiras da parte baixa, aquilo era insuportavél e percebi também que os banheiros estão sempre limpos e cheirosos coisa que não acontecia antes..Parabéns pela nova administração e toda a equipe do Theatro Sete de Setembro por estarem no caminho certo. Em 2009 a programação voltada paara o público infantil foi de uma sensibilidade muito grande.Nossos jovens e crianças precisam conhecer a cultura, o teatro, a música. Parabéns a todos artistas penedenses que continuam fazendo sua ARTE e não deixam a peteca cair.
  • Alcides Cunha Pereira Achei muito proveitosa a proposta de fazer uma revisão a respeito das atividades desenvolvidas e da vida do teatro local, durante o ano que se passou. Acredito que realmente ainda existe muito a se percorrer para termos o teatro desejamos porém, se também não buscamos, temos o teatro que merecemos. O autor do texto, e já acompanho alguns de sues textos, sempre me parece muito cítrico ao falar de aspectos do teatro, ou da CIA Penedence, e ainda mais qndo da atriz Claudia Helena. Certa vez citou seu espetáculo como "sobejo". Para mim compromete muito os seus textos essa “pessualidade”. Vejo realmente, a necessidade de uma mudança na aparelhagem do condicionador de ar. porém em nada comprometeu o espetáculo "fragmentos no vazio" das vezes que pude vê-lo. Me parecendo tbm que o autor lança grande responsabilidade das produções e fomento desta à diretoria do teatro e quando sabemos isso é tão infantil que deveria ser desnecessário dizer. Engrosso o fole do mesmo autor a respeito das mudanças dos técnicos, concordo, isso muito prejudica. Ao passo que ainda adicionaria, melhoria de técnicos na maquiagem e cenários. Mas já que estamos falando das produções artísticas realizadas no ano anterior, não vi o mesmo, citar a respeito de seu espetáculo. E que bom q está aberto às críticas e q as faz com prontidão aos seus colegas. Partilho com o mesmo o ponto de vista do meu ponto: Seu espetáculo "as mãos de Eurides" é por demasia cansativo e monótono. E a resposta é a platéia que evade constantemente, além do baixo público. O cenário é uma "releitura" de um utilizado numa peça com ator Caio Blat. Enfim tbm não sei se foi essa a sua intenção, de "homenageá-lo". E fica aquii o desafio, ao bom crítico autor do texto. Traga-nos, em 2010, algo realmente maior, que nos surpreenda, algo que mexa conosco, algo q nos faça ver o potencial dramático que você tem!! Obrigado pelo texto.
  • Carlos Gomes Minha Cara Andrea Lima (Tenho certeza que esse não é seu nome, e sim C.H.T.). Fiquei meio confuso ao ler seu comentário, uma vez que sou freqüentador assíduo do Teatro 7 de setembro, sempre como Platéia, e como amante da cultura que sou, e não vi tantas mudanças assim, quer dizer, vi pra pior, uma vez que estão administrando o teatro de forma ditatorial, como tudo que essa administração faz. A limpeza continua uma porcaria, e chegou a meu conhecimento que os artistas são quem pagam para se fazer a limpeza, isso é um absurdo! Fiquei sabendo que para se utilizar o teatro os artistas têm que fazer das tripas coração. Agora a verdade seja dita, a maior evolução do Teatro 7 de setembro ocorreu na gestão do Beltrão, que equipou toda a iluminação, sendo uma das melhores do país, reformou o espaço interno, e principalmente tratava os usuários de forma digna. Quanto a esse cidadão, de nome Geanderson dos Santos, não tenho mais nada a falar, só concordo com meu amigo Alcides. Antes de criticar alguém Geanderson analise seus atos e sua conduta meu caro... É ano novo, uma nova oportunidade de vc conquistar amigos, pq pelo que sei, vc está na lista de 99,99% das pessoas de Penedo, na lista dos inimigos e isso não é bom... Abraços.
  • Luis Limah Ultimamente o teatro 7 de setembro ao contrario do que se vem comentando. vem evoluindo de tal forma que deixa a maioria dos cidadãos penedense mais satisfeito com o trabalho e administração do teatro. E não posso deixar de comentar sobre o som a iluminação que estavam sempre perfeitos. Na minha participação no intercâmbio estudantil de teatro pude notar uma verdadeira disponibilidade dos profissionais que atuam no teatro e a preucupação se estava sempre tudo bem e se precisavamos de algo. Frequento o teatro desde sempre e é notável a evolução. Quando levei amigos da holanda lá pra assistir alguns espetáculos ficaram impressionado não só com a historia do teatro , como também com a limpeza do local q estava impecáveis. Não poso deixar de parabenizar a diretora do teatro, que faz tudo bem feito; quando uma pessoa faz seu trabalho bem feito tem que ser reconhecida... Que continue assim sempre evoluindo apesar das criticas dos invejosos sabemos que o teatro esta em bons caminhos.
  • A DEFENSORA Que bobagem, não acredito que chegamos a este ponto, gente no mundo inteiro são feitas criticas a tudo e por que aqui ninguém quer, e no caso do jean são muito inteligentes (eu acho), corrosivo, sarcástico é até bem humorado quem o conhece sabe, sou amiga dele e ex aluna e quero defendê-lo, eu até acho que as vezes ele exagera, rmas espeitem ele como homem e como profissional, este texto por exemplo é totalmente elogioso, é questão de leitura e ninguém fala nada, dizer que ele está na lisrta de inimigos de 99,99% dos penedenses não um tanto exagerado, afinal ele é algum bandido, matou alguém, não apenas tem opinião e oportunidade de expressa-lae porque isto acontece em por que ele é um artista de valor, ele é divertido e adoro os papos dele, e só pra contrariar ele se chama Jean-Derson Lima( seu unico defeitorsrsrs), vamos dar a cesar o que é de cesar, ele apoia sim o pessoal de teatro e se for perguntar pra galera de teatro quem é ele tenha certeza de que só falarão mal os da penedense que sabem o que fizeram com ele no festival passado...deixaram de lado sua peça as mãos de euridice que é uma das melhores peças já produzidas aqui, bem pensada e estudada, que como ele mesmo disse assistir tudo mundo assiste, entender é queó bicho, e pior eram todos amigos dele e onde já se viu ele verdadeiro diz se gosta ou não e o porque das peças dos outros e os outros quando estão estão na frente dele dizem que gostam, e depiois dizem que não pois como amiga eu estou no 1% dos verdadeiros amigos dele, pra frente Jean..uhhhummmmm lenzi. Bjos natally
  • ANTÔNIO FAGUNDES meu caro AMIGOOOO JEANDERSON DOS SANTOS!!!TA PODENDO ANTONIO FAGUNDES!!!KKKKKKK era pra ter uma foto só do teu espetaculo como melhor de 2008, 2009 e 2010 porq só vc faz espetaculos belissimo0s kkkkkkkkkkkkkkk como AS MÃOS DE ALGUMA COISA QUE JÁ BEM PASSADO EM???KKKK coloca ele no palco de graça pra ver se vai 10 pessoas. JURO Q SE DER 10. EU VOU NA PROXIMA VER AQUILO!!!!! QUE VC CHAMA DE BOM ESPETACULO MAL DIRIGIDO MAL ENCENADO OU MELHOR MAL TUDO. HÁAAA NEM ME MANDA CORTEZIA DINOVO QUE MEUS AMIGOS ME XINGAM ATÉ HOJE PORQ MANDEI QUE ELES FOSSEM. XEROOOOOOO VC É O CARA NORDESTINO MAIS FRANCES QUE CONHEÇO.KKKKKKKKKK BJSSSSSSSSS
  • Alcides Cunha Pereira Bem minha fala eu gostaria de me dirigir a uma moça que aqui postou chama Natally. Defensora, já que é assim q você se intitula, percebe-se bem na tua fala que você deve ser muito nova, e acadêmica. Não estamos falando de qualquer crítica que se faz no mundo, estamos falando de um profissional que se dispõe a fazê-la por meio público e como tal, tem peso maior. Não é a conversinha de corredores de escola. Acredito que o autor do texto deve realmente ser muito inteligente, tanto que lhe fiz o desafio de trazer algo novo para nós em 2010, no fim da minha primeira fala. Não seja exagerada, ninguém aqui o está acusando de “assassinato”, apesar de que existem diversas formas de se matar uma pessoa e a morte social é uma das piores delas. Não seja maniqueísta. Ninguém é todo bom, nem todo mal. Não sei o que aconteceu em relação a ele com o tal festival, nem acho q isso é competência deste fórum, mas acredito, pela forma como falou, que só detém a opinião de um lado, procure saber do outro e forme uma bem mais embasada. Bem e por fim, acusar as pessoas que se opuseram ao texto como todo ou parte dele como sendo pessoas que não interpretaram corretamente, ou ainda que o espetáculo dele é para pessoas “inteligentes”? Talvez você deva voltar à escola, ou aprender a acolher a opinião dos outros, tem todo direito de ter a tua, sem te de agredir os diferentes, ou faça o ENEM, a base dele é toda interpretativa.