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João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 30/03/2010 23:55

Lamentações de Jeremias, o Fornecedor de Cana

É natural, especialmente entre os que exercem a mesma atividade, a reciprocidade em querer saber sobre o resultado dos negócios. Sendo um pequeno fornecedor, o meu encontro com o Jeremias, que há muito não o via, não podia ser outro o assunto senão sobre a cana.

Embora comungássemos a mesma desgraça financeira referente a essa atividade, achei por bem que ele desabafasse suas mágoas e tecesse suas considerações paralelas entre o fornecedor e a usina acima.

Esperando que ele começasse o seu improviso, surpreendi-me quando ele sacou do bolso duas folhas de papel e, puxando-me para um canto, pediu-me que as lesse.

Deixando de lado o preâmbulo, eis o que disse:

“Admitimos, como tantos outros, ter sido vítimas do canto da sereia. Bem sucedidos na primeira e única safra, imaginávamos ter pisado em terreno fértil e firme a nos garantir, sem dúvida, auspiciosa e estável fonte de renda.

Casados às pressas, iludidos pela romântica fantasia do amor à primeira vista, a parceria logo mostrou uma faceta inamistosa e cruel, atuando, dentro de uma visão estreita, contra o interesse mútuo. Nunca vimos lua-de-mel tão curta. Colhida a primeira safra com as comemorações festivas do bom resultado, nuvens agourentas e sombrias começaram a pairar sobre o nosso alegre otimismo, empanando o brilho do sol a revigorar as nossas esperanças.

Onde está a culpa desse casamento mal sucedido entre Paisa e fornecedores? Reconhecemos que o intervalo entre a primeira safra e o presente, fatores adversos da natureza, chuva e sol na medida errada, contribuíram para a frustração de algumas expectativas. A esses caprichos, soma-se o fator preço, volúvel e sensível ao mercado externo, em parte decorrente da flutuação da cotação do dólar. A primeira causa é de entendimento geral, enquanto a segunda, compreensível a poucos, é a menos convincente das justificações.

Mas nem o bom preço, como ora ocorre, pode ser objeto de alegria de que iremos tirar o pé da lama. Se o fornecedor tiver dívida, ela cresce na mesma proporção do preço da cana, fato que anula, numa lógica satânica, toda a euforia. O mesmo se diga do dólar, que não sofreu grande desvalorização. Será que existe alguma via salvadora para o fornecedor?

É evidente que aquele que vive na iniciativa privada deve estar preparado para os reveses a ela inerentes. O que nos chama a atenção é parecer que o itinerário percorrido pelas duas partes, não converge para a mesma direção. Enquanto o fornecedor tenta transitar pela estrada da sobrevivência, esburacada e cheia de solavancos, a Paisa trafega em trechos pavimentados, a propiciar-lhe o conforto de uma viagem ruma à expansão de seus negócios.

Os bons resultados se foram e o fornecedor, alimentado pela esperança, fica a esperar pelo seu retorno. Essa espera, que se torna sem fim, vem originando o desgaste e o conseqüente pessimismo que cresce a cada dia. E quem é o culpado dessa falta de sintonia entre os dois parceiros? Estamos certos que a Paisa, num descrédito quase total, aparentando ter abraçado o sentimento da ganância insaciável, nunca oferece a mínima vantagem capaz de minimizar o drama do fornecedor.

Não imaginamos que a Paisa deva transformar-se numa casa de caridade, mas é inadmissível que permaneçam indiferente e insensível aos extremo no que toca ao drama do fornecedor. É o absurdo de uma visão empresarial! Não bastasse esse aleijão, tem carregado em todo o curso de sua história o estigma da crônica descapitalização, fruto da má gestão com as cores da aventura e da temeridade, transformando o fornecedor em argila na construção de prédio sem estrutura. E o que tem a ver o fornecedor com seus erros? Já houve, ao menos, um gesto de desculpa e satisfação do porquê dos seus vergonhosos e humilhantes métodos de pagamento? O bom relacionamento, ao que nos parece, está fora de cogitação

Que não culpe a crise mundial que abalou a economia dos países como um todo. Isso é passado e não permite desculpa para um comportamento corriqueiro de desrespeito e indiferentismo. É uma atitude que nos faz acreditar que não estamos em parceria com uma Usina e sua modernidade administrativa, mas com um engenho e sua filosofia escravagista e autoritária. Em outras palavras, a impressão que nos dá é que entre Paisa e seus fornecedores existe um acordo tácito. Ela planta e colhe e, no faz de conta que paga, distribui em parcelas as migalhas que julga de direito do fornecedor. É uma nova modalidade de grilagem. O fornecedor tem a posse de direito e a Paisa, de fato. Quem lucra mais? É inacreditável!

Nenhum negócio é bom e duradouro se apenas uma das partes leva vantagem. Os que administram a Paisa sabem muito bem dessa filosofia de trabalho e certamente a repete a todo momento. Acontece que fica apenas na teoria. Urge que façam uma autocrítica, recicle seus métodos de relacionamento, tocado pelo espírito humanitário, sob pena de vererm desmoronar a parceria dos fornecedores, que comem de cabresto e vivem subjugados à força cega do irracional egoísmo que carrega o emblema do lucro a qualquer custo como única finalidade.”

? Gostei. Esteja certo que a sua observação crítica, sem revelar em excesso já que traduz uma triste realidade, está em prefeita sintonia com a esmagadora maioria dos fornecedores. Não ouvimos elogios ou cânticos de aleluia ao comportamento da Paisa, mas apenas o lamento, o desencanto e a completa frustração. Quem já teve a oportunidade, no decorrer da colheita, de se encontrar em seu escritório, provavelmente tenha assistido cenas de dilacerar coração, protagonizadas por humildes fornecedores quando tomam conhecimento de seus saldos. O otimismo dá lugar ao desespero quando são informados, senão de um débito, de um aviltante e irrisório saldo de alguns centavos. E agora, deve continuar na desgastada esperança de que as coisas irão melhorar? Como irá sobreviver até a incerteza? Que atividade é essa que em toda sua fase produtiva só é capaz, semelhante a bananeira, de dar apenas um filho? Afinal de contas, qual a finalidade do trabalho, um exercício de servilismo e mortificação ou garantia de uma digna e honrada subsistência?

Os que fazem a Paisa, dão-nos a impressão que são reencarnações de um passado distante. Como se estivessem no início do capitalismo, dele têm uma visão selvagem, vampiresca e puramente leonina. Para nós, tudo; para os outros, nada. Vivendo no presente o passado, sem uma visão humanista, essa incompatibilidade a levará, inexoravelmente, à decadência e ao completo desmoronamento.

Não pretendo mais ser vítima e espectador de cenas dignas do inferno dantesco, de ver almas penadas condenadas pela teimosia e credulidade num cenário estéril a toda esperança. Sim, meu caro Jeremias, o destino torna passível de sofrer as penas do inferno a todos que se comportam em obediência à estúpida ingenuidade. Não desejo mais ouvir dos colegas fornecedores imolados, como válvula de escape, a cantarem, com toda ênfase do amargo fel, o hino de louvor à Paisa, bela página de pura poesia e encantamento de harmonia, no compasso de um caudaloso rio de impropérios e macabras recomendações. Estou a retirar-me e a livrar-me do látego dos escravocratas de engenho que parecem sentir um oculto prazer pelo sadismo

 

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  • Antonio Lins Grande advogado o que o senhor quis dizer mesmo?
  • Fabiana Sr. Antonio Lins, o senhor realmente entende o que o Sr. João Pereira escreve?
  • Paulo de Souza Fraga com certeza não, Fabiana, porque estas considerações do Sr. João Pereira são claríssimas e oferecem uma excelente contribuição ao debate, assim como em outras oportunidades desta página
  • Melissa Os artigos do Dr João Pereira são claros e muito sugestivos para um debate inteligente. Com certeza o companheiro Antonio Lins espera encontrar nos textos do João, talvez aquilo que ele gostaria de ler, mas, lembre-se que nem sempre se escreve o que você quer ler, mas, sim o que você precisa ler. Parabéns por mais este artigo!
  • marcelo Eu acho que vc meu caro Antonio Lins deve ter 5 anos de idade. Respeite o sofrimento de muitos pais de família que estão sendo roubados todos os anos por essa quadrilha de usineiros. Obs: PAISA, MARITUBA.
  • Anderson Muito bom. É a triste realidade vivida por inúmeros fornedores no nosso pobre estado.
  • Antonio Lins Caro Professor João , em primeiro lugar quero lhe parabenizar pela materia e lhe dizer que o "rapaz" homonimo meu (assim quero acreditar) não sabes sequer analisar uma materia tão bem redigida e objetiva como a vossa, mil desculpas pela familia "Lins", por haver pessoas que mal sabem o que diz(qto mais o que pensam!!).
  • Kelly Sr. Antonio Lins (se é que é esse mesmo o seu nome), lembrando de outros comentários seus, sempre neste sentido (como se fosse um samba de uma nota só), entendo que existem duas opções de realidade para v: na primeira, vc estaria tentando ser irônico; na segunda vc não teria alcançado o conteúdo do texto. O problema é que em ambas as alternativas o seu cartaz não é nada bom, pois pra ser irônico, é necessária uma dose de inteligência, um certo charme típico de boa presença de espírito, o que, definitivamente, não é o seu caso. E quanto a outra opção, a sua falta de entendimento do textonada mais é do que a confirmação da sua falta de inteligência. Em outras palavras, vc é um constrangimento para os penedenses, de modo que faço votos de que vc seja de outra cidade. Vá estudar um pouquinho... comece do primário e não desista, vc chegará lá.
  • Kelly Carissima kelly, esse quem vos fala é Antonio Lins( o real) agora como podes ver posso muito bem postar uma msg como se tivesse sido vc então quero acreditar que a sua inteligencia é quem deva ser "apurada" minha cara, boa tarde.
  • henrique beltrao parabens pelo seu texto, realmente a gente sofre demais com as usinas, que so querem lucro e mais lucro e deixando a gente que produz com pouco lucro!!
  • Antonio Lins O que o senhor quis dizer mesmo redundante advogado?
Públio José

Públio José

Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida

Postado em 13/03/2010 10:57

Joga no rio!

Há tempos atrás, uma revista semanal registrou, numa matéria sobre a tendência do ser humano de causar poluição por onde anda, a naturalidade com que, em épocas imemoriais, as populações ribeirinhas descartavam lixo e produtos inservíveis pelo rio. Parece até que havia um ensinamento universal apontando para a única solução possível àquelas alturas: “joga no rio!”. Este era o brado que se fazia ouvir pelo mundo afora. Não passava pela cabeça de nenhum agrupamento humano de então que a manipulação do lixo fosse de sua responsabilidade.

Desde cedo, portanto, o ser humano acostumou-se a passar para frente, a empurrar na direção dos outros, a solução de problemas criados pela sua rotina diária. Pouco importava se, jogando dejetos no rio aqui, problemas seriam criados para outras populações acolá. O negócio era limpar a sua área mesmo que sujando a dos outros.

A realidade é que o homem desenvolveu-se através dos tempos em todas as áreas que se possa imaginar. Só não aprendeu o que fazer com o lixo. Ao que parece, a manipulação do lixo caiu naquela área da mente humana na qual a saída é fugir da responsabilidade e passar o pepino para os outros. Nada de encarar a questão de frente, de buscar solução para os problemas criados em comunidade. Por conta disso, o que se vê hoje, com raras exceções, é a quase totalidade dos rios morrendo, desfilando seus últimos instantes de vitalidade diante de uma sociedade que soube chegar à Lua, soube se globalizar, alcançar níveis nunca imaginados de desenvolvimento tecnológico, mas não sabe, lamentavelmente, se organizar em comunidade de maneira a não prejudicar a seara alheia. Tanto é que permanece, até hoje, o hábito de se desfazer de lixo e dejetos através da inércia e da passividade dos rios.

No tocante ao homem de hoje, esse hábito desgraçado de não assumir responsabilidades, de não enfrentar suas próprias demandas, não se restringe apenas a degradar rios e nascentes de água. Impera em todas as atividades onde o homem põe a mão. Na política, por exemplo, este homem aparece por inteiro, pelas mazelas causadas à população, pela má administração do dinheiro público, pelas obras superfaturadas, pela corrução, pela roubalheira generalizada. E ele nem, nem. O país afogado num lodaçal sem fim e os acusados se dizendo inocentes – e empurrando o problema para o mais próximo. Ninguém tem a hombridade de dizer “este problema foi eu que criei e vou arcar com as suas conseqüências”. Não. Não aparece ninguém com esse topete. Aparece gente de montão para enganar, para se esquivar, para encontrar saídas e esgrimir evasivas na hora de apurar as responsabilidades e apontar culpados.

Do mesmo modo que o homem de antigamente aprendeu a fazer do rio o desaguadouro natural de seus lixos e dejetos, o de hoje tornou-se mestre em transformar pessoas frágeis em verdadeiros rios, para onde são lançados seus mais abjetos projetos de interesse pessoal e carreados os dejetos mais desprezíveis do que é produzido em suas mentes. Aos mais fracos, enfim, são destinados, por essa gente sem escrúpulo, os sonhos mais egoístas e os feitos mais degradantes. Pois ao meter a mão no dinheiro público, prejudicando populações indefesas, se eximindo, além do mais, de encarar com seriedade o seu trabalho, o que estão fazendo os agentes públicos que agem assim, senão transformando em verdadeiros rios a massa humana que não pode se defender, que não pode protestar? “Joga no rio!”, parecem dizer, eternizando a irresponsável máxima de outrora. “Joga no riiiiiiiiiooooooooo!!!!” Beleza, né não?

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  • sgt sabino Belo artigo. Um problema cultural que se arrasta através da inércia e da passividade do nosso sistema educacional. Um problema de Estado onde a maioria dos nossos governantes não estam dispostos a enfrentar! Afinal, eles só pensam como políticos e não como estadistas.
  • Ederson Leite "Homo omni lupus." "O homem é o lobo do homem." O ser humano é, em sua essência, ruim e destruidor. Todos sabem das consequências da poluição, mas nada fazem. Isso parte desde atitudes simples, como jogar a embalagem da bala pela janela do carro, até as mais drásticas. O povo é mal educado sim! Façamos um exame de consciência e vamos lembrar, com certeza, daquela lata de refrigerante na rua, a sacola que rasgou e foi ao chão, o jornal que depois de lido foi descartado, etc. Moro na Santa Cruz. Quase todo dia tem coleta de lixo, seja na Fernando Peixoto ou na Duque de Caxias, mas o povo insiste em acumular lixo na esquina (num terreno da União, cercado pela Marinha)!
  • Rosiene Somos na maioria populacional do planeta herdeiros de uma cultura centralizada apenas nas pessoas que detem o "poder" politico e econômico sem tomar a consciência de que somos nós que passamos esse poder, que esta nas nossas mãos por direito e por dever. É necesserio repensar nosso modelo social que aliênia, que favorece alguns, onde esses mesmos tratam a maioria populacional como sendo algo manipulavel e sem maior importancia para a construção da sociedade, talvez a culpa seja um pouco nossa, por estarmos acostumados a passar para o outro uma responsabilidade que é so nossa.
Isabel Cristina Medeiros de Barros

Isabel Cristina Medeiros de Barros

Clínica Geral com Pós-Graduação em Medicina do Trabalho

Postado em 06/03/2010 00:39

Mulheres & AIDS- porque o gênero feminino?

Nos anos 80, quando o mundo conheceu a AIDS, tinha-se a idéia de uma infecção que só acometia homossexuais, usuários de drogas e prostitutas. Entretanto, hoje a realidade é outra. Observa-se no Brasil e no mundo uma feminilização da infecção pelo vírus HIV, devido a uma trágica combinação de fatores biológicos, econômicos e sociais, cada vez mais as mulheres estão sendo expostas a essa doença, muitas vezes pelos seus próprios maridos. No Brasil, a AIDS é a quarta causa de óbito em mulheres de 10 a 49 anos e a primeira causa como doença infecciosa no mesmo grupo.

Quais são os principais motivos da vulnerabilidade feminina para o HIV-AIDS de acordo com médicos, psicólogos e grupos de apoio a infectados?

• A iniciação sexual feminina precoce no Brasil, que acontece por vários motivos: espontaneamente, pressão social e até por pura violência física.

• A mulher tem dez vezes mais chance de contrair o vírus de um homem infectado do que um homem, de ficar doente, relacionando-se com uma mulher soropositiva.

• O esperma contaminado tem uma concentração de vírus várias vezes maior do que a encontrada na secreção vaginal de uma mulher soropositiva. Além disso, o tempo de permanência do pênis em contato com a secreção vaginal é muito menor do que a da mulher em contato com o esperma.

• Em geral, os homens comandam a relação sexual, usando camisinha quando lhes interessa. Nos depoimentos aos grupos de apoio a portadores do HIV são comuns as histórias de maridos que tomavam como ofensa a sugestão de usar preservativo. É como se a mulher o estivesse acusando de ser infiel.

• Embora não existam estatísticas a respeito, a experiência dos médicos mostra que é grande o número de homens casados, aparentemente insuspeitos, que gostam de uma aventura homossexual de vez em quando. "Eu afirmaria que a maioria dos homens que infectaram suas mulheres foi contaminado numa relação homossexual", declara o infectologista David Uip, de São Paulo.

• Muitos casais param de usar preservativos no momento em que consideram que o relacionamento se tornou sério ou quando passam a morar juntos. "Para eles, o preservativo é como se fosse uma formalidade", explica Dráuzio Varella. "É usado na época em que os parceiros se estão conhecendo, mas depois é abandonado.

• Apesar de a maioria das mulheres brasileiras acima dos 50 anos ter uma vida sexual ativa (Uma pesquisa de comportamento do ministério da saúde revelou que 55,3% da população feminina de 50 a 64 anos é sexualmente ativa), 72% delas não usam preservativo nem durante as relações eventuais. Uma das consequências é que a incidência de casos de AIDS nesta faixa etária triplicou entre 1996 e 2006.


Em sessão especial sobre HIV-AIDS das nações unidas, realizada em N. York em junho de 2006, foi reconhecido que a epidemia de AIDS no mundo hoje tem um perfil heterossexual e sua incidência é muito mais acelerada entre as mulheres, por isso este fenômeno ganhou o nome de feminilização da AIDS, e a ONU aponta a desigualdade de gênero e todas as formas de violência contra as mulheres como fatores determinantes para o crescimento da AIDS entre as mulheres.

Quem são as mulheres que pegam AIDS?

• 76% são mães

• 71% são contaminadas por maridos ou namorados fixos

• 59% descobrem que estão com o vírus depois que o marido adoece

• 51% têm até o 1º grau completo

• 41% têm entre 25 e 35 anos e 40% trabalham

O que fazer para prevenir o avanço do HIV entre as mulheres?

A prevenção eficaz só é conseguida através de acesso a informações, arma única para evitar que mais e mais casos se somem às tristes estatísticas brasileiras e mundiais.

Campanhas e programas voltados para saúde da mulher devem conscientizar a sociedade como um todo e não apenas o gênero feminino.

“Sem que haja uma transformação das relações desiguais de poder de gênero que existem em toda sociedade, as mulheres do mundo inteiro continuarão a ser alvos preferenciais da própria segurança. Sem corrigirmos a injustiça sócio-econômica que existe tanto dentro das nações quanto entre o mundo desenvolvido e em desenvolvimento, os pobres (tanto do norte como do sul) continuarão a sofrer o maior impacto de uma epidemia que já se tornou íntima da pobreza e da miséria”. (Parker, 2000)
 

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  • Ninguém comenta Porque ninguém comenta um artigo como este, tão bem feito, rico em detalhes e informações uteis não somente a classe feminina mais a toda sociedade no geral. Será que Penedo também fica encabulada em descutir isto, certamente será julgar o caso depois de feito.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 25/02/2010 23:52

Presenciamos um Corrupto a Falar Mal de Ladrões: Explica-se?

Sem esperarmos, fomos ouvintes de tamanho disparate. Imaginem o acanhamento ao ouvi-lo cheio de indignação a espinafrar o desonesto. Frio e desavergonhado, envergonhados ficamos nós, rostos ruborizados, não sabíamos como disfarçar o mal-estar.

Era natural que logo após esse desconfortável incidente, a nossa imaginação começasse a especular para tentar encontrar uma explicação para tamanho cinismo. Após algumas divagações, chegamos a conclusão que o político corrupto imagina que ladrão é apenas aquele que de má-fé se apropria de algo que não lhe pertence. Não o é o que subtrai o dinheiro público.

Dizia Aristóteles que nada inspira menos interesse do que um objeto cuja posse é comum a um grande número de pessoas. Concordamos plenamente com essa opinião. O dinheiro público, pertencendo a todos nós, não passa de um direito difuso. A própria significação de dinheiro do povo, tem um sentido um tanto vago, sem uma realidade concreta por não atender diretamente o interesse de cada um. Como povo não passa de um amontoado de cabeças ocas, sem o espírito do coletivo, o seu dinheiro, sem a devida vigilância, desperta, fazendo exceção à regra do pensamento acima de Aristóteles, o apetite voraz do político corrupto. Como não se trata de um furto, segundo deve imaginar, a sua apropriação não passa de um adiantamento da sua legítima parte, direito restrito ao administrador gatuno.

Queremos acreditar que a opinião acima tem algum fundo de verdade. Se não pensassem assim, como devemos explicar a naturalidade desses ratos que desfilam pelas ruas de cabeças erguidas, como os mais honestos dos homens? Será que muitos políticos, após eleitos, são aliciados por uma seita secreta que os obrigam a fazer uma sessão de nudismo moral, uma conspiração contra a honestidade para se aliarem, induzidos por uma força diabólica, zelosos amigos do vício lucrativo? Haja conjeturas absurdas e obscuras para entendê-los!

Não bastasse a rapinagem, esses personagens da lama nos irritam por pensarem que são os bambas da esperteza e todos nós, pobres coitados, ignoramos todas as suas falcatruas. Carregando dentro de si o complexo de superioridade, não passam, à luz dos fatos que se desenrolam quase todos os dias, de verdadeiros canastrões do crime. São pobres conservadores, sem nenhuma inovação na arte de surrupiar o dinheiro público. Os métodos são os mesmos, qualificando-os, senão de burros, no mínimo negligentes. Para não continuarem a aporrinhar a nossa paciência com a mesmice das cenas exibidas pela televisão, por que não criam a LADROBRÁS, escola de aperfeiçoamento para os ladrões da administração pública? Ela irá ensiná-los, na hora de aplicar o golpe, a domar, através da ioga, a impaciente ganância que cega e faz descuidar-se da defesa. Aconselhará a não armar estratégia de assalto por telefone.

O grampo está muito manjado. A não depositarem em sua conta corrente o dinheiro do crime.

Há a quebra de sigilo bancário. Por que não um colchão de dinheiro? Poderão, carinhosamente, afagá-lo como fazem os avarentos. A não tramarem o golpe nas proximidades de terceiros. Existem os que fazem a leitura labial. A serem ariscos como o soldado espartano que, não recebendo o soldo para garantir-lhe a sobrevivência, era permitido que furtasse, contanto que não fosse pego em flagrante. A serem inteligentes, perspicazes, um autêntico ladrão para não protagonizar cenas cômicas de por dinheiro na cueca e nas meias. Se esse hábito se generalizar, nossa bandeira poderá perder o lema Ordem e Progresso e passará a ter o bolso e a cueca como símbolo da nossa moralidade. Não duvidem.

A pior condição do ser humano é sentir-se sozinho em situação adversa de infelicidade, de sofrimento, de dor de consciência e miséria. Outros devem fazer-lhe companhia para aliviar o fardo. Os nossos corruptos, que parecem achar que ladrão é apenas o que atua fora da área política, não têm drama de consciência vez que muitos colegas estão no mesmo barco, fato que lhes oferece o mais confortável alívio de consciência.

Na linha do pitoresco, supomos que esse componente psicológico seja mais uma razão para explicar o cinismo do corrupto para falar mal do ladrão comum. São tantos a formarem essa confraria de gatunos que chegam a sentir a sensação de inocência e de se acharem capazes de transformar o crime em virtude.

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  • Fabiana Mais uma vez o senhor se superou. Parabéns pela excelente matéria!
  • Antonio Lins O que o senhor quiz dizer mesmo joão pereira?
  • MARCELO E ESSA BANDEIRA COM O LEMA BOLSO E CUECA DEVE ENCHER OS OLHOS DO POVO, VISTO QUE É BOA DE VOTO.
  • Melissa Borges Valeu João Pereira. Pura realidade!!!
  • carlos Certamente isso não foi aqui em Penedo! Não temos políticos desse náipe. Graças a Deus.
  • marcelo Realmente Carlos, aqui em penedo não existe !!!!! KKKKKKKKKKK !!!
Públio José

Públio José

Jornalista, publicitário, escritor e atento observador da vida

Postado em 19/02/2010 14:17

A Salvação na ótica de Deus

Por mais simples e singelo que o significado do termo “salvação” represente para nós, dificilmente o ser humano comum, e o convertido a Jesus Cristo em particular, alcançarão a real dimensão do que Deus quer para nós ao nos brindar com a sua salvação. Comecemos pelo que a palavra representou para povos antigos. O termo vem do latim “salvare” e “salus”, que significam, respectivamente, “salvação” e “saúde”. Ou seja, um estágio, digamos assim, que contempla o homem com o bem-estar espiritual e o conforto físico. Já no hebraico a raiz da palavra salvação tem uma conotação mais profunda indicando também “segurança”, proposta segura e concreta de salvação. Todos estes significados, entretanto, estão longe de alcançar a dimensão plena que o termo, do ponto de vista de Deus, traduz.

Já no grego o significado de salvação, no original “soteria”, nos abre um pouco mais o leque sobre o que a palavra representa: cura, recuperação, redenção, remédio e resgate. Apesar de todos estes significados, o que significa realmente a salvação de que tanto nos fala a Bíblia? O que representa a salvação no nosso dia-a-dia? Quem será salvo? E a justificação existe de fato ou Jesus foi crucificado em vão? Para os povos do Antigo Testamento – apesar das citações até profundas consignadas em Is. 45.17; Dn. 7.13 e Is. 53 – a salvação estava bastante ligada à discussão sobre “livramento de alguma coisa” e “livramento para alguma coisa”. O homem, nesse sentido, estava salvo para se livrar de algum mal, de si mesmo e do pecado. Para que? Com que objetivo? Os rabinos acreditavam na alma, no pós-vida e nos lugares celestiais.

Para onde certamente seriam encaminhados os que tinham permanecido fiéis aos conceitos da elevação espiritual, do livramento do pecado, fugindo da degradação moral e dos castigos que devem afligir aos que teriam de se submeter ao julgamento divino. Mas a percepção nunca passava disso, nem nunca tomou os aspectos revelados por Deus ao homem através dos escritos do Novo Testamento. Baseados nos textos do Novo Testamento, principalmente no Evangelho Segundo João e nas Epístolas Paulinas, fica estabelecido que aquilo que o Filho é nisso seremos transformados, pois a nossa condição de salvos nos garante a qualidade de autênticos filhos de Deus. Em João, fica bem claro também a respeito da participação do homem na vida necessária e independente de Deus. Vida necessária tendo por base que a vida de Deus é o âmago, a essência, a fonte e o sustentáculo de toda expressão de vida.

Ao passo que as outras vidas são não-necessárias, ou seja, podem existir ou deixar de existir, por ser vida potencialmente perecível. Por outro lado, Deus tem vida independente através da qual depende somente dele mesmo para continuar a viver. Portanto, foi esse tipo de vida que Jesus Cristo recebeu por ocasião da sua encarnação e é essa vida que, através Dele, os remidos, agora passam a exalar, passam a refletir. Nas epístolas do apóstolo Paulo o conceito de salvação se aprofunda mais ainda – e por revelação divina, ou seja, autenticada pelo próprio conhecimento vindo de Deus. Agora, a salvação envolve nossa transformação segundo a imagem moral de Cristo, da qual compartilharemos a sua natureza essencial. Toda essa operação se processa pela presença do Espírito de Deus em nós, que nos amolda segundo a natureza moral de Cristo.

É essa participação na divindade, aberta a todos os homens que Nele crêem, que tanta diferença faz do conceito cultivado pelo povo do Velho Testamento. Mas e o meio pelo qual alcançaremos tamanha graça? Todo o conceito está expresso através do arrependimento, da fé, da conversão, do perdão, que nos declara detentores da glorificação e cidadãos do novo mundo. Pela plenitude de Deus, da qual passamos a fazer parte, concluímos que o processo de salvação é eterno e infinito. Assim, a salvação, em última análise, consiste em trazer o infinito ao que é finito, em trazer o que é divino ao que é humano. Diante de dimensão de tal grandiosidade, passamos a entender que nesse processo não pode haver fim e que toda eternidade, através do que Jesus nos assegura, está à nossa disposição, juntamente com uma vida aqui na terra plena das qualidades de Deus em nós. Já pensou? Aleluia!

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