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Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 05/10/2009 19:22

A dinastia musical de Piaçabuçu

A dinastia musical de Piaçabuçu
Euterpe São Benedito - Composição Pioneira - Mestre Francelino

A tradição da escola musical de Piaçabuçu provém desde o tempo em que o Imperador D. Pedro II, quando de sua viagem à cachoeira de Paulo Afonso, em 14.10.1859, foi recepcionado por uma banda de rebecas e outros instrumentos naquela localidade. Os atuais musicistas e aprendizes da Sociedade Musical Euterpe São Benedito constituem a quarta geração de uma dinastia de excelentes músicos que começou com o mestre Euclides e teve no mestre Manoel Francelino a sua figura de maior expressão.

Nos idos de 1910, a banda de música existente em Piaçabuçu era regida pelo Sr. Euclides de França, conhecido por mestre Euclides, cargo que exerceu até os 90 anos. Ele teve a honra de participar do aludido grupamento musical que recebeu o Imperador D. Pedro II. Dos seus pupilos que alcançaram sucesso, vale mencionar: Capitão Manoel Euclides (regente banda 28º Batalhão Exército Aracaju e 20º Batalhão Exército Maceió) – Manoel Soares Filho, vulgo “Manoel Teiú”, (regente Polícia Militar Vitória - ES) – Cláudio Santos (trombonista da orquestra Odeon RJ) e Manoel Linhares, “Nezinho” (clarinetista Marinha RJ).

Aproximadamente no ano de 1928, idoso e com a saúde debilitada, repassou o cargo de instrutor e regente ao seu dedicado e talentoso musicista Manoel Francelino, iniciando-se, assim, a segunda fase da corporação. Considerado o melhor pistonista da região, ainda bem jovem, Francelino foi convidado para compor a seleção de músicos das bandas Euterpe Ceciliense e Carlos Gomes de Penedo, quando da recepção festiva, em 1932, ao Presidente Getúlio Vargas naquela histórica cidade.

A Sociedade Filarmônica Euterpe São Benedito somente foi legalizada estatuariamente em 10.06.1952, oportunidade em que foi empossada a seguinte diretoria: Presidente: Antônio Machado Lobo; Vice-Presidente: José Machado Tojal; 1º Secretário: Manoel Francelino dos Santos; 2º Secretário: Joaquim Aristides dos Santos; 1º Tesoureiro: Pedro de Lima Castro; 2º Tesoureiro: Antônio Machado Lemos.

Banda pioneira da Euterpe São Benedito (égide do mestre Francelino): Clarinetas: Valdir Silva (Dida) – Joaquim Gomes (Pescoço) – José Carmo – Aloísio Bispo; trompetes: Manoel Paé – José Américo – Gilson Matos; trombones: Aloísio Chagas – Ari Carvalho; trompas: Chico Caim – Alberon Guedes; saxofones: Francisco Machado – Serapião Valter; contrabaixo: Wilson Ferreira; Percussão: João Ferreira e José Dias.

Infelizmente, quando de uma tocata em Sergipe em 17.11.1968, ocorreu o naufrágio da embarcação que conduzia os músicos, vitimando o primogênito do mestre Francelino, o barbeiro e trombonista José Harry, que o estava substituindo no comando da banda. Este acontecimento trágico provocou profunda melancolia no tão dedicado pai, que se afastou das atividades musicais, só vindo a retornar em 1985, oportunidade em que continuou dando tudo de si pela subsistência da Sociedade Filarmônica Euterpe São Benedito, incluindo o próprio salário de vereador.

Quando o velho maestro adoeceu, assumiu a regência da banda, em caráter interino, o musicista Nailton Muniz. Antes de morrer em 14.02.1993, aos 80 anos, chamou o compadre João Ferreira da Silva e pediu que ele assumisse a direção da Sociedade. Manoel Francelino, o eminente instrutor, deixou para trás um rastro de amor e dedicação à música. Foi toda uma vida dedicada ao oficio de tocar, reger e ensinar. Graças e ele, a cidade de Piaçabuçu mantém atradição de uma escola de músicos disciplinados e de bom padrão técnico. Dentre a considerável quantidade de discípulos que ingressaram em corporações militares, merecem ênfase os musicistas João Vasconcelos e Adail Araújo, que chegaram a oficiais-regentes, respectivamente, nas bandas de fuzileiros navais de Natal e Rio de Janeiro, além do sargento Gilvan Gonçalves da Polícia Militar de Alagoas.

Os últimos anos do imortal mestre coincidiram com a posse do autor deste trabalho na gerência local do Banco do Brasil, que hipotecou grande apoio à corporação, sendo adquirido novo instrumental, um vistoso fardamento e contratado um orientador militar habilitado, o renomado regente Paulo Correia Amorim. Foi um período de intenso movimento e evolução musical, concorrendo para isso a criação de uma afinada orquestra de baile. Mas, nuvens negras despontariam no horizonte. E o velho João Ferreira, ao receber o comando da Euterpe de seu compadre Francelino, sabia da árdua batalha que teria de enfrentar. Como toda banda interiorana, dificuldades de toda ordem e pouco incentivo da Prefeitura. Num misto de revolta e desabafo, ele sempre questionou a falta do devido interesse público pela mais antiga herança cultural de Piaçabuçu. Assim, ao lado da abnegada esposa Aliete, o jeito era sair de porta em porta pedindo dinheiro.

Mesmo assim, até a sua morte em 17.08.2007, mestre João conseguiu manter viva a tradição musical da cidade. Muito contribuiu para isso o grande trabalho voluntariado de jovens instrutores e regentes como Gilvan Gonçalves, Manoel Ferreira e Aldo Félix, assim como a renovada paixão da juventude local pela música. Com o falecimento do incansável guerreiro, também a Sociedade Euterpe São Benedito perdeu o maior arquivo vivo de sua história. Em seu lugar, assumiu o filho João Vicente, que continua na mesma “via crúcis” do pai e administrando novas crises. Graças à obstinação e perseverança dos dirigentes “Ferreiras”, a Funarte, em duas oportunidades, contribuiu com o repasse de novos instrumentos.

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  • igo Ta de parabéns por essa reportagem sobre umas das mais antigas bandas do Brasil!!!!
  • denilson lima andrade Mais uma bela reportagem do grande pesquisador e amante da música, Wilson Lucena. Parabéns!
Isabel Cristina Medeiros de Barros

Isabel Cristina Medeiros de Barros

Clínica Geral com Pós-Graduação em Medicina do Trabalho

Postado em 01/10/2009 21:35

Saúde da família! Realidade, passado ou futuro?

Médica de PSF desde 1997, quando o estado de Alagoas implantou as primeiras equipes de PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMILIA presenciei a expectativa da sociedade, principalmente os mais carentes com relação ao novo modelo de atendimento a saúde. O Ministério da Saúde o apresentava como a solução da assistência básica e acreditei nessa mudança de modelo, pois finalmente teríamos um sistema de saúde voltado para a prevenção, diferente do anterior que se baseava apenas na medicina curativa e hospitalar. A estratégia do programa consiste em dividir o atendimento em áreas de abrangência, atendidas por equipes formadas por: agentes de saúde, aux. de enfermagem, enfermeira, dentista e médico, visando realizar consultas programadas com grupos prioritários de crianças, idosos, gestantes, etc., promover educação em saúde, visitas domiciliares e criar vínculos com as famílias e a comunidade para solucionar os problemas locais em conjunto. Lembro que na sua implantação, todos os profissionais participavam de um treinamento, chamado “introdutório ao PSF”, mostrando os fundamentos do programa e como trabalhar em “equipe”. Infelizmente não teve continuidade, pois seria muito útil para alguns profissionais que desconhecem o sentido de “equipe”, “comunidade” e “programas”. Faltam perfil e formação adequada em vários profissionais inseridos nos programas.

Desde sua implantação, os PSFs fizeram a diferença em vários municípios, sou testemunha de sua eficácia quando as equipe e os gestores são comprometidas com a comunidade . Como exemplos de melhoria na atenção básica têm: a cobertura do pré-natal, a vacinação, o planejamento familiar, o controle dos hipertensos, diabéticos e etc.

Passados 15 anos da regulamentação dos PSFs. visualizamos este modelo de assistência caindo no desacredito pela população , e são vários os motivos e culpados, à começar pelo Ministério da Saúde , que construiu um programa perfeito em suas propostas, mas falho em regulamentar a situação trabalhista dos profissionais e em fiscalizar e cobrar dos gestores municipais seus deveres. A falta de médicos nas equipes também é um complicador, e explica-se pelas opções de trabalho com melhor remuneração em outras atividades, além do grande número de vagas em aberto por quase todos os municípios para os PSFs, ocorrendo assim o deslocamento do médico onde ofertar melhores condições de trabalho. A difícil fixação do profissional em determinada equipe, leva à impossibilidade de se criar vínculos com a comunidade e conseqüente continuidade dos programas.

A realidade do PSF está longe do que foi imaginado pelos usuários, que continuam a lotar as emergências e hospitais do país, mesmo quando têm todos os profissionais em suas equipes. As justificativas estão na falta de medicamentos, ou materiais de curativos e equipamentos no postos, além do agravamento de determinadas doenças provocados pela demora na realização de exames, encaminhamentos para especialidades que levam meses para sua marcação ou dificuldade de transporte, soma-se a estas a falta de orientação dos pacientes que vão à procura de atendimentos rápidos nas emergências por não entender os agendamentos (atendimentos programados), importante para o acompanhamento de certas doenças.

Se no passado a Saúde da Família era a esperança de uma saúde básica de qualidade, no presente impera a incerteza, pois as questões da formação e da forma de contratação dos profissionais, do financiamento, da infra-estrutura, do compromisso dos gestores com a saúde dos cidadãos e da participação efetiva dos usuários precisam ser repensadas para que exista um futuro digno para este programa e para a saúde básica no Brasil.

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  • MANOEL Não seria demasiado ressaltar, a importancia dos Agentes de Saude nas unidades dos PFS, pois estes profissionais são os CARAS responsaveis pela redução e prevenção de doenças nas comunidades, alem de um acompanhamento familiar e planejamento. Ainda bem que o Ministerio da Saude reconheceu isso.
Jean Lenzi

Jean Lenzi

Ator, dramaturgo, encenador teatral e ativista cultural

Postado em 27/09/2009 20:06

Para onde vão os ilustres?

Sempre me vi na obrigação de mostrar a mim mesmo o quanto posso ser múltiplo, e por ser eu múltiplo, seja duplo e facetado, mas que suplica aos orixás todos que nunca em minha santa emoção eu tenha a necessidade de ser falso.

Postando comentários de cultura, e por entender a cultura de forma exacerbadamente vasta, no orgasmo de minhas alucinações que para alguns possam ser patéticas, para uns outros poéticas e para uns tantos outros cabíveis e necessárias, vejo a necessidade de comentar a cultura do Penedo, e nesta oportunidade a de alguns legisladores do Penedo inclusive para tirar a prova dos “9 fora”.

Quando optei em ser artista, e sou por talento e formação (ao que pesa todas as modéstias) trago comigo um comentário do poeta francês Antonin Artaud que diz exatamente: “... aos poetas mortos todos lhe oferecem tempo para ler e reler suas memórias, mas aos poetas vivos não oferecem ao menos uma xícara de chá ou um pouco de ópio para reconfortá-los...” até mesmo para fugir desta verdade. Caberia este comentário com letras coloridas numa eloqüente faixa de tamanho “extra g”, para que fixasse-a na sala das sessões Sabino Romariz da Câmara Municipal de Penedo, Sabino, que a titulo de curiosidade é um dos poetas menos lidos do Penedo, e isto é uma lástima? Qual será o maior – talvez o chimbinha? bem, basta que perguntemos a um professor da rede municipal de ensino sobre algum escrito do nobre poeta; é bem possível que o professor não tenha nem ao menos passado pela tal rua Sabino Romariz e tampouco o tenha lido. Mas a raiz do problema está bem acima do intelecto do pobre professor, e acreditem, é consideravelmente mais grave.

O comentário a que me referia se levado na prática caberia mais para trazer de volta à realidade alguns nobres legisladores da Câmara Municipal, bem como para frustrar um errado projeto, que de tão vago - andou vagando pelos corredores da Casa do legislativo na última semana, e inexplicavelmente ao som gritante de sussurros fantasmagóricos, talvez até mais alto e mais imponente que os trios elétricos e os bailes da baixadinha tão aclamados pela cultura pop do Penedo não mais contemporâneo de Sabino Romariz.

Um “projeto de lei nº. 039/09” que a meu ver é injusto, indigno e sem fundamentação e razão se quer para se pensar “foi posto em votação em regime de urgência” no qual homenagear-se-ia o falecido promoter Ialdo Martins, titulando com seu nome a Rua São Pedro onde residia. (“O Projeto foi aprovado nas três discussões e seguirá para a sanção ou não do prefeito municipal”).

Para esta atitude eu me atrevo a perguntar ONDE ESTÃO NOSSOS ILUSTRES? E para onde vão? Em algum tempo fátuo estes homens existiram e arruavam pelas ruas plantadas com a importância de homens verdadeiramente ilustres que ficaram presos na memória e nas calçadas, isto quando as temos em contrário ao “barro vermelho e duro”, pois como será para nossos filhos, para meus tataranetos arruar daqui a um bom tempo pelas ruas Sabino Romariz, Nilo Peçanha, João Pessoa, Joaquim Gonçalves, Ialdo Martins, Eutiquio Lopes, Barão do Penedo? Opa... Alguém estranho no pedaço? Para a cidade do Penedo sim. Para a terra de Elisio de Carvalho, de Gilberto de Macedo, de Ernani Mero e de tantos outros ilustres esquecidos, Antônio Pedro, Cesário Procópio e lá se vão horas de lábia, sim, há uma grande injustiça emaranhada numa ignorância berrante.

Quando digo que estou convencido destas coisas, é que estas coisas para mim importam muito, por que penso história e vivo e faço história me permitindo a certos momentos até cair em contradição, mas não vejo nenhuma racionalidade, tampouco espírito passional em levantar uma questão como esta. Que fique claro que não tenho nada nem contra o “homenageado” nem contra o “homenageador”, apenas me entrego ao direito que tenho de ainda me indignar com tamanhas idiotices partindo de pessoas que foram postas em seus atuais assentos simplesmente para pensar Penedo, e principalmente pensar esta cidade de maneira abrasadora, quente, fervente e útil e não com bobagens e alienações; sei que para alguns este estado de espírito é inatingível até mesmo por um baixo senso intelectual aguçadamente crítico que os faça ver coisas importantes e que devem ser postas nas discussões não somente das plenárias, mais também nos bancos, nas escolas, nas praças e que de fato serviriam bem mais.

Para mim e para os meus esta insatisfação é gritante, e ver a que passo estamos, a quantas andam nossos gestores e pela antipatia da situação que é insuportável e são nestes momentos em que desejaria então ter nascido em Arapiraca, Carrapicho, Bangladesh ou até mesmo na Cerquinha das Laranjas terras sem histórico; e que nestas minhas palavras toda a arrogância seja compreendida.

Quando se homenageia um civil e não somente, acredito, após sua morte deve haver critérios para isto, que muitas das vezes não são seguidos e são claramente deturpados por plebeus ignorantes que numa levantada de bandeira só confirma suas origens inanimadas. Por que então não pensar grande e usar o poder outorgado pelo povo para servir de base e conhecimento ao próprio povo? Por que não homenagear em vida os grandes ilustres de nossa terra? Mas grandes e ilustres verdadeiros, pessoas que trabalham por Penedo com uma finalidade única: melhorar Penedo; da forma a que trata o projeto do nobre vereador, contrariamente a este poderia ser posta alguma homenagem ao Francisco Alberto Sales, ao Claudionor Higino, à Lúcia Regueira, à Lísia Ramalho Marinho, ao Raimundo Vieira, ao Hélio Lopes, à Alita Andrade, ao grande Castanha e tantos outros homens que realmente ilustram nossa terra e estão vivos e bem próximos, bem preparados, bem reis e consumíveis, dignos da cultura penedense.

Tudo isto que falo é puramente reconhecido nas caras dos meninos do Rio, consumidores fervorosos dos bailes da baixadinha, dos trios elétricos e que estão ameaçados pela própria sorte, percebo o quanto estão desvirtuados todos os valores culturais do Penedo, nada nesta terra nunca foi tão maltratado como a cultura ultimamente, sai uma e entra outra e uma é tão inútil quanto a outra; para se ter idéia do absurdo a que chegou o valor cultural do Penedo não se reconhece nem ao menos os artistas a quem dirá suas pérolas, enquanto um comércio decadente investe migalhas em trabalhos indignos como o trio elétrico, bloco de micaretas, bandas bregas de arrocha a franga e baixa a saia alguém de real valor perde a oportunidade de realizar suas glórias. Isto seria aspecto social comum a Alagoas e ao Brasil? ou apenas em Penedo se torna mais visível? Lembrando que Penedo só existe uma e é justamente a que possivelmente terá mais uma rua fantasiada “a la croquèe pasion”, mas ainda teimo em acreditar no bom senso daquele a quem compete à decisão final.

Talvez fosse mais justo e necessário se os nobres edis de nossa Câmara dispensassem suas atenções às causas justas como a segurança pública, “mata-se mais gente em Penedo do que no Iraque”, a educação e a cultura como elementos primordiais e investissem nelas como autênticos beneficiários - coisa mais fácil só tirando a prova dos “10 fora”, mas antes de tudo é imperioso que nossos legisladores tenham condições de assumir a função que lhe foi confiada, para que não sejam apenas bonequinhos de luxo, ou bibelôs de um sistema ignorante e provinciano.

- Meninos, eu vi...

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  • Rafael Brandão Lopes Eu espero que esses vereadores tenham vergonha na cara e que nas próximas eleições ao invés de promessas como: maior atenção ao esporte, saúde, educação, cultura... só prometam o que realmente sabem fazer: mudar nome de rua, mandar colocar lâmpada em poste, patrocinar festas e blocos... Obs. Se não for pedir muito tem uma praça perto lá de casa, que tal " Praça Rafael Brandão".
  • Valner F. Fontes jean vc é ótimo mas, cuidado com a língua, acho que vc quando morrer não ser[a lembrado nem com um beco, mas quem disse que vc prcisa disso. vaelu quero uma avenida também kkkkkkkkkkkkkkkkk
  • Antôniel Bezerra Isso é verdade mesmo ou é mais uma alucinação do jean, se for vou exigir uma pro meu pai que foi diretor do Monte Pio e nunca teve nem uma placa, vereadores bitolados. Jean parabéns vc é sensacional, mas concordo com o valner, vc talvez não receberá nem um bêco, serioa necessário uma br interia para repousar sua furia, mas parabés
  • Severino da silva Sempre assisto as sessões da câmara municipal de Penedo, e vejo discussões diversas sobre todos os problemas da cidade. Não Tenho a mesma visão do Jean Alesí e de outros que comentaram a sua matéria. O vereador em que votei não logrou êxito na eleição,mas considero esta câmara, Salvo algumas raras exceções, uma boa câmara Legislativa, a matéria e os comentários têm um "que" de ciúme e frustação.
  • marcelo Meu Deus !!!!! Será que esses vereadores não têm o que fazer, estamos perdidos . Será que vou ter vergonha de ser Penedense.
Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 17/09/2009 13:45

O controverso e lendário Lampião

Lampião e Maria Bonita
O controverso e lendário Lampião

Há 71 anos, na fria madrugada do dia 28.07.1938, na grota do Angico, à época, município de Porto Folha – Estado de Sergipe, Lampião e mais dez comparsas, incluindo sua companheira Maria Bonita, eram trucidados pela volante alagoana do Tenente João Bezerra. Ali tinha desfecho uma odisséia sangrenta de dezenove anos e também o fim do cangaço. A cada ano de sua morte, apesar das novas teses que tentam desmistificar a sua fama de bandido insurgente e justiceiro, o mito do “rei do cangaço” continua evidente. Mais idolatrado do que odiado, Lampião representa hoje forte identidade cultural e instrumento de marketing turístico em parte do Nordeste. Para muitos adeptos, pouco importando a sua trilha de violência, o célebre cangaceiro ainda se configura em um símbolo da resistência, destemor e bravura do povo sertanejo.

Cangaço e sertão são indissociáveis. O sertão desértico, magro, das secas e dos sofrimentos. Região de uma gente de grande fé, índole pacífica, humana e piedosa. E também de um povo orgulhoso, forte e temível diante de reveses e provocações. Muito embora na concepção acadêmica de alguns autores modernos, o banditismo rural no Nordeste seja diagnosticado como uma regressão ao primitivismo de uma subcultura ainda arcaica, é incontestável que a injustiça social, fruto da ausência de um estado de direito e de um sistema arbitrário dominado pela lei do mais forte, coronéis e potentados da terra, concorreu para o surgimento e proliferação da figura do cangaceiro.

A vasta biografia de Lampião, assim como sua personalidade complexa e enigmática, é repleta de versões contraditórias ou fantasiosas, fatos emaranhados, dados cronológicos imprecisos e mistérios não desvendados. As dúvidas começam com a própria data de seu nascimento na Fazenda Passagem de Pedra, município de Vila Bela, atual Serra Talhada-PE, sendo a mais provável a de 04.06.1898. Desde cedo, Virgulino Ferreira revelou-se num jovem inteligente, ousado e competitivo, alcançando excelente performance em toda atividade ou arte que exerceu, tal como almocreve, arrieiro, vaqueiro, sanfoneiro, além de bom dançarino.

Há um consenso de que o seu estreito vínculo com a violência e o banditismo emergiu a partir do renitente conflito com o vizinho Zé Saturnino, que provocou o êxodo da família Ferreira, lado mais fraco, para Nazaré, comarca de Floresta – PE, e depois para Água Branca em Alagoas. O que se sabe é que Lampião e seus irmãos Antônio e Levino passam a ter uma vida dupla, ora como almocreves, ora como cangaceiros amadores. Envolvem-se com o bando dos “Porcino” e são acusados de participação conjunta no ataque à vila de Pariconhas, pertencente, à época, à Água Branca. Em represália, provavelmente em maio de 1921, o pacato patriarca José Ferreira, em lugar dos filhos foragidos, é fuzilado injustamente pela tropa da polícia comandada pelo então 2º Tenente José Lucena.

Lampião jura eterna vingança. Em 1922, já no comando do grupo do famoso cangaceiro “Sinhô Pereira”, empreende assalto à casa da baronesa de Água Branca, sua primeira notória investida. Convocado para combater a Coluna Prestes, em 1926, visita Padre Cícero no Ceará, onde recebe a simbólica patente de capitão. Devidamente armado e municiado, ao invés da missão patriótica, retorna ao cangaço e no ano seguinte promove o malfadado ataque a Mossoró-RN. São renhidos combates com as volantes de sete estados. À proporção que os irmãos vão tombando, exacerba-lhe os pendores criminosos e a perversidade, transformando-o no bandido mais sanguinário e procurado do país.

No ano de 1934, em pleno calor do cangaço, o escritor sergipano Ranulfo Prata, em estilo acusador, publica um livro em que relata as atrocidades praticadas e dos rastros de sangue, dor, luto e terror deixados por Lampião. Entretanto, a maioria dos autores clássicos do cangaço discorda em rotular Lampião apenas como um assassino frio, primitivo e bárbaro, já que a sua ambivalente personalidade também registra lampejos de generosidade, lealdade e respeito recíprocos com companheiros e simpatizantes, além de reverência religiosa.

Ultimamente, alguns livros contemporâneos, em caráter mais requintado, tentam desmistificar a tradicional imagem de herói sertanejo de Lampião. É o caso de “Guerreiros do Sol: Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil” escrito pelo historiador Frederico Pernambucano de Mello. O pesquisador defende a tese do “escudo ético”, que mostra como o “rei do cangaço” e muitos outros cangaceiros utilizavam o argumento da vingança para exercer a bandidagem. “O cangaço de Lampião não era de revolta, mas um negócio, assevera.”

Todos concordam que o reinado do “rei do cangaço” não teria durado tanto se não fosse a grande rede de apoio dos coiteiros, com ênfase para o jogo de interesses recíprocos com os coronéis. Na verdade, ninguém tinha coragem de negar ajuda aos bandidos e todo mundo também morria de pavor da polícia. Os coronéis não tinham esse problema. Dos potentados que mantiveram lealdade com Lampião, destacam-se o coronel José Abílio de Bom Conselho (PE), o coronel Joaquim Rezende de Pão de Açúcar (AL) e o capitão Eronildes de Carvalho, médico do Exército, que se tornaria governador de Sergipe em 1934.

A “odisséia lampiônica”, enfim, tem seu epílogo na grota do Angico (SE), na fria e chuvosa madrugada do dia 28.07.1938. Couberam os louros da façanha ao Tenente João Bezerra da polícia alagoana, que consegue surpreender Lampião em seu esconderijo. O combate dura pouco e praticamente não há reação. Zé Sereno, sua companheira Sila e outros bandidos conseguem fugir, mas o fogo cruzado atinge em cheio o estado maior do “rei do cangaço”, que morre juntamente com Maria Bonita, seu lugar-tenente Luiz Pedro e mais oito comparsas. As cabeças dos cangaceiros são decepadas e os corpos deixados insepultos no local.

Fugindo das paixões e dos clichês clássicos, com conteúdo mais refinado e acadêmico, algumas publicações recentes procuram melhor reavaliar o real papel de Lampião e do cangaço. A historiadora francesa Elise Jasmin, em sua obra iconográfica “Cangaceiros”, ilustra que Lampião e seus bandoleiros, para uma parte do Brasil, encarnaram a violência de uma sociedade arcaica e a face negativa da modernidade. Já para outra parte do sertão, representaram valores como a bravura, o heroísmo e o senso de honra.

O que não se pode negar, qualquer que seja a proposição defendida, é que a violência dos cangaceiros tinha ligação intrínseca com o meio inóspito, abandonado e injusto em que viviam. Lampião, afora as atrocidades e a rede de clientelismo corrupto, ao longo de um reinado de 19 anos, à luz de sua bravura, astúcia e genialidade militar, combateu as forças policiais conjuntas de sete estados, derrotando-as em vários confrontos, intimidou coronéis, zombou de autoridades e governantes e desafiou o próprio poder central do Brasil, gerando, assim, o fascínio, o mito e a lenda do herói invencível, destemido e ousado.

O exótico cangaceiro criado por Lampião, com seu traje vistoso cheio de adereços, códigos próprios, ares de imponência e liberdade, passou a exercer forte identidade cultural no Nordeste, tanto no folclore, literatura popular, poesia de cordel, canção de gesta, dança, música, além de outros segmentos artísticos. Anualmente, no dia 28 de julho, na grota do Angico, é celebrada uma missa de ação de graças em memória de Lampião. Por ironia, no local em que ele tombou com Maria Bonita e outros companheiros, foi erguido um lúgubre marco de ferro pelo seu carrasco, o Tenente João Bezerra. Todavia, assim como outros personagens intrigantes da história, o espectro do “rei do cangaço” permanece vagueando pelas caatingas e muito bem vivo na mente do nordestino, especialmente do sertanejo.

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  • Nani Rodrigues/RJ Parabéns pela excelente matéria! É algo maravilhoso esse resgate da cultura Nordestina!
  • denilson lima andrade Excelente contextualização. Bela matéria que sempre é de se esperar vinda deste grande jornalista e pesquisador Lucena.
  • evelyn nada aver ! assisti a peça deles e foi ótima eles arrazarão, eu adorei !! e isso q vcs falaram não tem centido dó que é verdadeiro ! rum...
  • luiz carlos moreira desde garoto que ouvi falar sobre lampião,segungo comentarios dos mais velhos so oivia falar sobre as suas barbaridades, o povo daquele tempo podia aumentar mais mentir, jamais. Portanto acredito que ele era mesmo perverso, e cometeu crimes hediondos como tambem os compassas que o acompanhavam.
  • luiz carlos moreira gostaria muito de conseguir ums escritos sobre este cangaceiro principalmente do historiador e pesquizador frederido pernambucano de melo, mas não consigo o seu endereço. se poderem me ajudar eu ficarei agradecido.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 13/09/2009 20:06

Alagoas: o Estado Morcego

As chamadas ciências ocultas servem-se de objetos, números e símbolos diversos para interpretar e predizer o futuro. Se alguma delas usa a forma como meio premonitório, a forma de morcego com asas abertas, seguramente, não pode prenunciar bom augúrio.

Se Alagoas voasse, sua configuração territorial nos lembraria um morcego. Seria essa forma ensejadora de forças negativas, responsáveis pela deturpação moral que aqui impera, do atraso e das carências sociais? Não voa e sem o dom de planar nas alturas, sem sentir a leveza, a agradável sensação de liberdade e a pureza de sentimentos, permanece de cabeça para baixo. O que se pode esperar de quem vive de cabeça para baixo? Carente de uma visão da imensidão do espaço a inspirar-lhe os mais elevados e puros ideais, do chão só pode resultar a obsessão materialista e o sacrifício das virtudes que deveriam nortear suas ações. Acontece que a visão deveria compensar essa desagradável postura e suas conseqüências moralmente deformadas. Alagoas, de fato, dispõe de uma ótima visão e, como tal, deveria ser a excelência em tudo. Mas eis que surge um paradoxo em relação ao morcego. Enquanto este, carente de visão, executa a contento graças à eco-localização de que dispõe, seus meios de sobrevivência sem molestar o patrimônio de que quer que seja. Alagoas, com olhos esbugalhados, sente-se ofuscada pela claridade e descamba, jungida por uma força inata calcada nos baixos instintos, na escuridão onde vicejam os mais deprimentes adjetivos, entre eles a insensibilidade, o interesse próprio, o indiferentismo, a insensibilidade humana e a corrupção que campeiam nos mais altos escalões dos três poderes.

Os mais recentes fatos que nos colocam na vitrine do impossível acontece, referem-se ao desrespeito pelo judiciário por algumas categorias sindicais em greve e pela Assembléia ou Assombração legislativa que teria de afastar um de seus morcegos hematófagos. Será que se trata de algo real ou é pura ficção ? Será que o que lemos nos jornais a respeito é real ou ficção? Será que o nosso Estado separou-se definitivamente do Brasil para se transformar, às claras, numa republiqueta do trabuco e do direito natural onde vence o mais forte? Se é imperdoável o comportamento dos sindicatos acima referidos, o que dizermos da Assembléia Deslegislativa que agora, ao invés de elaborar e votar as leis, passa a ingeri-las para depois, feita digestão, transformá-las em excremento.

É trágico assistirmos ao desespero do náufrago quando, na sua ansiedade para safar-se da morte, ver perdido seu único objeto de salvação. A propósito, quando nos referimos aos três poderes e o estado de escombros e calamidades morais em que se encontram, sentimos o trágico da solidão em nossas vidas quando imaginamos fosse o judiciário uma exceção capaz de resgatar nossa última esperança, vê-lo jogado na vala comum da criminalidade. As recentes notícias que relatam a percepção indevida de vencimentos por parte de juízes e desembargadores, parece-nos totalmente absurdas, algo impensável e inconcebível. Como podemos conceber tamanho embotamento dos princípios morais!

E o que dizermos do legislativo? Desse autêntico tornado que surrupia desavergonhadamente as finanças públicas? Uma inutilidade que temos de engolir em nome da democracia. Altamente oneroso, não fossem os escândalos financeiros, o empreguismo, por tudo que não é e deveria ser, jamais saberíamos da sua existência. Na mesma linha da estupefação do descaso com os cofres públicos, há um aborto da administração pública denominado tribunal de contas ou faz de conta do que qualquer outra coisa, que sem dúvida alguma, prejudicial e inútil, é o maior acinte à sociedade, fazendo-se necessária a sua extinção, não pela instituição em si, importante, mas pelos vícios e incompetência dos que o compõem. Não passa de um ninho de acomodação política para privilegiados a usufruírem altos salários e mordomias em troca do nada. Pura calamidade! Quanta inspiração o cenário alagoano nos estimula para o niilismo! De fato, se as coisas no Brasil não andam bem segundo as recomendações éticas com a coisa pública, em Alagoas, caótica e à deriva, parece-nos a mais acabada inspiração para o caos.

Acreditavam alguns historiadores, para explicar o surgimento da extraordinária cultura helênica, que a beleza da sua paisagem, despertando a sensibilidade, teria sido a causa principal. Esse presente dos deuses, favorável à introspecção, predispôs o grego para os mais altos vôos na especulação filosófica. Ora, se verdadeira fosse essa hipótese, por que em Alagoas, com o mais belo litoral de águas límpidas, as coisas acontecem de forma disparatada e totalmente opostas? Por que, ao invés da prosperidade sócio-econômica, temos a fome e o analfabetismo? Por que o nosso cenário político, que deveria ser uma réplica do período de Péricles, o mais brilhante da história helênica , temos a mais deslavada improbidade? Por que, se vivemos descrentes, descontentes e decepcionados com o executivo e o legislativo, não nos deixou o judiciário como exceção, uma válvula de escape no meio de tantos desencantos? Será mesmo que uma mudança na sua forma geográfica, veríamos os nosso vampiros mudarem de hábito alimentar, deixando de serem hematófagos insensíveis e desumanos, a sugar impiedosamente, o sangue do esquálido e esquelético Alagoas? Será que se cegássemos os que formam os três poderes, ficariam com a sensibilidade mais aguçada para os problemas sociais e adotar, por tabela, a honestidade como uma prática de vida? Por que não cegá-los? Não, o mais nobre, se nobreza tivessem, é que eles se auto-mutilassem. Irreabilitáveis perante a opinião pública, só uma medida radical poderia salva-los. Que vazassem a enormidade de seus olhos corrompidos para, num corajoso gesto edipiano, provarem o arrependimento e o remorso pelo incesto que cometem com e contra a bondosa mãe Alagoas. Édipo ignorava o incesto que cometera com sua mãe, acontecimento a ele inevitável, vez que estava prescrito em seu destino, segundo a crença fatalista dos autores da tragédia grega. Os filhos dissolutos de Alagoas que comandam seu destino, contrariamente, cometem-no com a mais límpida e degenerada consciência. Existe melhor meio para salvarmos o nosso Estado do tamanho lamaçal e insensibilidade moral em que se encontra?

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