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Fernando Maximino Cruz Lessa

Fernando Maximino Cruz Lessa

Acadêmico de Direito e atento ao Direiro do Consumidor

Postado em 30/10/2009 00:01

Os empréstimos consignados em folha e o Direito do Consumidor

Frequentemente nos deparamos com uma situação que, atualmente, vem se vulgarizando em nosso país. Ao escutar um anúncio sobre empréstimos consignados em folha, já me bate a desconfiança na empresa, tamanho é o número de problemas surgidos destes contratos.

Por serem disponibilizados, na maioria das vezes, para aposentados, é grande a manipulação de algumas instituições que operam com essa modalidade de crédito. Excluindo(é devido salientar), as de boa-fé, que contribuem para a economia local e ajudam ao aposentado no mundo capitalista, encontramos empresas que, sem a menor segurança outorgam a qualquer interessado, a possibilidade de operar tais linhas de crédito. E mais grave ainda é o fato de ser outorgada de mesmo modo a atribuição de orga-nizar e recolher a documentação necessária para a devida formalização destes emprés-timos.

Uma pessoa de má fé, no uso destes poderes, pode buscar documentação de aposentados e formalizar contratos de empréstimos sem a sua solicitação e se apoderar do valor sacado.

O fato descrito acontece corriqueiramente em nosso meio. Diversos aposentados sofrem, muitas vezes sem saber, a manipulação de estelionatários que realizam estes empréstimos e continuam realizando os mesmos atos, pois se beneficiam da incapacidade física de suas vítimas.

Em alguns municípios a Defensoria Pública ajuizou Ação Civil Pública para acabar com a prática destes atos, o exemplo próximo é o município de Porto Real do Colégio aplicando-se uma multa consideravelmente alta para cada contrato formalizado irregularmente.

Mas, como o Direito protege o aposentado deste golpe frequentemente aplicado?

O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor responsabiliza o forne-cedor de serviços, independente de culpa, pelos danos causados por seus defeitos na prestação de seus serviços, vejamos: “Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.” Assim, o fornecedor assume o risco de sua atividade integralmente, devendo em qualquer caso que haja dano causado por ele, indenizar o consumidor no que lhe couber. No caso de empréstimos consigna-dos, o consumidor lesado geralmente é um idoso o que inclui o dano dentre as práticas abusivas do artigo 39 do CDC, vejamos: “Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição so-cial, para impingir-lhe seus produtos ou serviços.”

Portanto deve o consumidor, principalmente os aposentados, ficarem atentos. No caso de aposentado, verificar com frequência o seu histórico de consignações junto ao INSS se há algum empréstimo consignado não requerido. De mesmo modo aos funcionários públicos e demais com a possibilidade de realizar estas modalidades de empréstimos.

Constatando qualquer irregularidade, o consumidor deve buscar o auxílio de um profissional da advocacia para ter solucionado o seu problema.
 

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  • anderson Parabéns pelo artigo, não só você está atento, nós também estamos
  • Deilson Moreira Parabéns pelo artigo, mas faltou mencionar o Código Penal, que neste caso anda junto ao CDC, além do que prevê o CDC, o CP traz penas a este tipo de ação, no caso o estelionato, dentre outras práticas. "Título II, Capítulo VI, artigo 171 - obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício ardil ou qualquer outro meio fraudulento - Pena: reclusão, de 1 a 5 anos, e multa"
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 22/10/2009 20:53

Políticos e Velórios

Assim como as flores têm o seu desabrochar durante a primavera, o cio das fêmeas para a reprodução no meio animal, percebemos que há, em síntese, um período para tudo na natureza.

Os políticos, seguindo essa linha do relógio natural a marcar a hora de sua hipocrisia, também tem o seu momento de falso sentimento e solidariedade ao próximo. Estamos a nos referir, em especial, à família do pranteado por ocasião dos velórios. Não perdem um, mesmo que na mais distante periferia da cidade. Podem até não conhecer o morto e seus familiares. O que lhes importam é o espólio eleitoral que possa usufruir da ingênua família. Marcam presença e fazem questão de serem notados. Não brigam entre si, da forma que os machos para definirem seu predomínio sobre as fêmeas em relação aos demais, porque tal gesto contraria frontalmente seus interesses. É o momento de se mostrarem contristados, revestidos, como ensinava Maquiavel, das mais belas virtudes humanas. Podemos não concordar com o teor da peça, mas é, convenhamos, uma cômica e divertida encenação.

Temos por vizinha, coincidentemente, a Igreja de São Benedito, local onde se realizam muitos velórios. Essa circunstância nos despertou, após uma longa observação, para a presente abordagem. Atualmente, por exemplo, ausente o período da campanha eleitoral, não vemos a presença dos políticos. É como se tivessem migrado ou em plena entresafra dos nobres sentimentos. Ausente a motivação, instigada pela burrice política, a verdade é que nada supera, na arte representativa, o múltiplo e magistral desempenho do interesse próprio.

Há poucos dias atrás, na referida Igreja, comentávamos a respeito desse comportamento, quando tivemos a oportunidade, coincidentemente, de contar um sonho bem a propósito. Os sonhos, como sabemos, são quase sempre estapafúrdios, sem pé nem cabeça. Ei-lo na sua esquisitice. O ano era de campanha eleitoral para escolha dos novos prefeitos e vereadores.

Num passe de mágica, achava-nos na companhia de São Pedro que percorria o Brasil de ponta a ponta, para conceder aos candidatos em geral, durante e após a campanha eleitoral, o direito de expedir passaporte das almas para o céu, contanto presentes aos funerais.

Finda a empreitada, transportamo-nos para um muro divisório entre o céu e o inferno. Aqui tive a oportunidade, num rápido olhar, de ver seus diversos degraus reservados aos condenados segundo o grau de seus pecados, como imaginava Dante. Também deu para ver uma pontinha do céu e algumas almas que chegaram durante as eleições. Exibiam, risonhas, os passaportes que lhes deram direito de entrada. Do lado de fora, em sentido contrário, encontravam-se as que chegaram após o pleito. Protestavam para entrar, alegando terem sido honestas, justas e humanas. São Pedro, não mais suportando o barulho, foi curto e grosso, dizendo-lhes: pouco me importam suas virtudes, sem a indulgência vocês terão de passar pelo primeiro degrau, reservado aos trouxas, aos crédulos e desatentos. Será por um breve tempo. Não fiquem contristados. Vocês serão justiçados. O último degrau, de horríveis castigos, está reservado para uma grande parte dos políticos, dos facínoras e autores dos crimes monstruosos. Sentindo-se aliviadas pela anunciada vingança, baixam a cabeça e, ensimesmadas, dirigem-se para o local recomendado.

Despertei e fiquei curioso por não ter esquecido nenhum detalhe desse estrambótico sonho. Mais ainda por perceber que em seu absurdo havia muito realismo. Assim, caro eleitor, se você acha que em seu velório, se resolver morrer no pós eleição, terá a presença de um político para conceder-lhe visto em seu passaporte para o céu, é bem mais provável que você terá uma breve estadia no inferno.

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  • Antonio Lins Na verdade João Pereira o que você quis dizer mesmo?
  • Melissa Muito bom. Parabéns pelo texto senhor João e continue a nos presentear com suas nobres e sábias palavras.
  • Clisse de albuquerque Senhores quemanuseiam o saite aquiaontece, nao aguentamos mais so sai artigo do joao perreira, somente ee escreve é? muda isso queremos modernidade ufffffaaa chatisse
  • Alexandre Tancredo P. Ribeiro É desnecessário qualquer comentário sobre os artigos criados pelo Dr. João Pereira e sobre o mourejado espaço que ocupa social e culturalmente na nossa Penedo. É desopilante encará-los por suas riquíssimas metáforas cravejadas pela excelência do humor social. Mais uma vez; PARABÉNS. Alexandre Tancredo
Isabel Cristina Medeiros de Barros

Isabel Cristina Medeiros de Barros

Clínica Geral com Pós-Graduação em Medicina do Trabalho

Postado em 20/10/2009 00:18

Ônibus da Saúde

Por que após mais uma década de bons serviços prestados, o EXPRESSO DA SAÚDE hoje se encontra abandonado no pátio da secretaria de saúde?

Corta o coração ver aquele veículo esquecido, à exposição do sol, da chuva e do descaso do poder publico depois de tantos anos servindo à saúde da população penedense, principalmente dos povoados mais distantes.

A história do EXPRESSO SAÚDE começou em maio de 1999, quando o vereador Dr. Raimundo Jorge era o secretário de saúde e fui convidada pelo mesmo para fazer parte da equipe e fui a “médica do ônibus”, juntamente com os dentistas Dr. Robson Lessa e Dr. Ubiracy A. Dantas, além do motorista e cuidador do ônibus, o Sr José Rodrigues da Silva (Zé Taba), que conduziu o seu companheiro e nossa equipe por todos esses anos. Fizeram parte dessa história outros profissionais, mas não vou citar para evitar o esquecimento de alguém, pois todos foram importantes. Vale salientar que a gestão passada deu continuidade e realizou melhorias no serviço que foi mantido durante todo o mandato.

Lembro com saudades dos sábados em que a “princesinha do agreste”, nome carinhoso dado pelo motorista Zé Taba, enfrentava sol, chuva e caminhos difíceis para atender em locais onde a assistência médica e odontológica era escassa, conseqüência da distância ou a falta de profissionais no PSF local. Recebido com alegria, o “EXPRESSO SAÚDE” se transformava num Posto de saúde ambulante cujo atendimento era bem-vindo e necessário para várias famílias carentes de atenção. Às vezes, acordar às 6 horas da manhã nos sábados para enfrentar os longos percursos era penoso, mas no povoado o cansaço desaparecia, diante da ansiedade do povo em ser atendido. Perdi a conta dos almoços com galinha de capoeira; nos povoados Santa Margarida, Conrado I e II, Marizeiro, Palmeira Alta, Manibú, Pescoço; além dos peixes deliciosos do Pov. Marituba do Peixe, Capela, Cooperativas e tantos outros servidos após os atendimentos.

Devo ao “amigo ônibus” o fato de ter conhecido quase todos os povoados e sítios desse município durante os quase dez anos de atividade no mesmo. O EXPRESSO também prestou seus serviços aos presidiários em frente à delegacia, devido à dificuldade obvia de acesso ao atendimento médico e odontológico e aos comerciários, no centro da cidade.

Acredito que os pedidos das comunidades para a ida do ônibus continuem, assim como a solicitação dos vereadores, para a presença do mesmo onde se faz necessário, mas, se esses pedidos são feitos, agora não podem ser atendidos, devido ao estado de “decomposição” em que se encontra o bravo veículo.

Neste descaso do poder público, o meu “amigo ônibus” definha em silêncio naquele pátio e pode se transformar em mais uma “sucata da saúde”. Esperamos que os que fazem o poder “acordem” a tempo de salvar o veiculo que foi a salvação de muitos e hoje precisa de salvação.
Ah! Pelo expresso e pelos “companheiros de aventuras”, aproveito para mandar lembranças a todos os outros lugares que passamos e que nunca serão esquecidos! Tabuleiro, Catrapó, Carapina, Campo Grande, Ponta Mufina, Castanho Grande, Prosperidade, Espigão, Pescoço, Marcação, Itaporanga, Ibiras I,II e III..............

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  • João da Costa lembramos do seu Zé Taba, e toda a equipe do onibus que sagradamente aos sábados vinha visitar a pobresa, hoje o seu Zé não tá mais, e os médicos são outros, isto é o que mesmo, politica da saúde da família.
  • Nani Rodrigues Ótima matéria!!! É hora de seguir em frente e reinvindicar o direito á saúde! Não se poder calar! É preciso resistir e lutar pela garantia do direito universal: Saúde, direito de todos|!
  • Alexandre Tancredo Pereira Ribeiro Nossa cidade vez por outra experimenta o progresso mentorado por pessoas otimistas que visam o bem coletivo. Mas infelizmente estas coisas que nos chegam por intermédio das vias políticas, tem vida curta ou este político é contemplado com novos mandatos, que continuará dando sustentação ao progresso implantado. Eis que o cargo é preenchido por um novo político eleito, então... deixa no esquecimento qualquer coisa feito pelo seu antecessor; com medo de que o povo se lembre apenas de quem realizou a obra. Um ledo engano, pois é muito mais lembrado pelo povo quem a conserva!!! Parabéns, DRª. Isabel Cristina precisamos de pessoas que utilizam os meios de comunicação e não tem memória curta.
  • fernanda maria matos dotora Isabel a saudade é grande , aqui na cooperativa jamais terá uma médica como a senhora , tudo de bom para a sen hora e toda sua família e muito obrigado por tudo que senhora fez por mim e por meus filhos
Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 15/10/2009 20:04

A jóia do Velho Chico

Há 150 anos, o Imperador D. Pedro II, no período de 14 a 18.10.1859, a bordo do vapor Pirajá, singrando as águas caudalosas do majestoso e lendário “Velho Chico”, empreendia uma viagem inédita e histórica, visitando, no lado alagoano, várias localidades ribeirinhas do circuito Piaçabuçu/Piranhas. Esta região pitoresca, dotada de uma natureza exuberante e rico patrimônio histórico, tão bem decantada pelo augusto monarca, também ganharia notabilidade pela grande vocação musical. Obviamente, que a cidade de Traipu é uma das expoentes dessa tradicional escola do Baixo São Francisco em disseminar a “Arte de Carlos Gomes”.

A tradição musical de Traipu remonta à segunda metade do século XIX, época de estrutura econômica frágil e do “coronelismo”. Motivado pela esperança da juventude de uma vida mais digna através do oficio musical, da necessidade da banda de música para alegrar as festas públicas e pela fé e tradição religiosa do povo traipuense, o ensino da música se firmaria na comunidade. Não demorou muito para que surgissem as primeiras agremiações musicais, que possivelmente foram precursoras da atual Lira Traipuense. No ano de 1886 era fundada a Sociedade Club Doméstico Musical Guarany, que teve como primeiro presidente o Sr. Manoel Firmino Menezes Matos. Desponta também nesse período outra corporação antiga: a União Traipuense Musical.

Os primórdios históricos da música em Traipu têm como referencial o musicista José Leopoldino de Barros. Nascido na cidade em 4 de janeiro de 1881 e falecido em 1912, aprendeu música com um telegrafista e musicista, Lino Ferreira Lima, aprofundando os conhecimentos musicais posteriormente na capital baiana. Tomou-se exímio executante de violino, bombardino e outros instrumentos, tendo ficado bastante conhecido pelos relevantes trabalhos prestados à frente de uma das bandas existentes à época. Outros disseminadores da “Arte de Carlos Gomes” na comunidade foram os mestres Vieira e Hermínio.

Embora o movimento musical já se fizesse intenso, a Igreja, através de seus representantes paroquianos, viria a exercer importante papel na transformação da comunidade traipuense em promissor centro musical. Graças ao grande incentivo do padre Alfredo Silva, que passou pela Paróquia de Nossa Senhora do Ó, de março/1911 a maio/1949, o ensino da música ganhou um impulso considerável. Dentre os discípulos do aludido pároco, merecem citação a Professora Mariazinha Duarte, D. Angelita, o Sr. Onofre Bispo, responsável pela formação de um coral sacro orquestrado, e Ranulfo Carmo.

Com a alcunha de “Nô Morcego”, o mestre Ranulfo Carmo se destacou como professor, compositor, exímio músico e regente, com passagem em bandas militares da Bahia, Sergipe e Alagoas. Sua importância é salientada porque possibilitou a formação de um grande número de músicos numa fase que o movimento musical estava bastante fragmentado. Foi o primeiro professor da escola de música José Leopoldino de Barros, criada em 14 de Julho de 1946, na então gestão do Prefeito Benedito de Freitas.

Todavia, foi o mestre Nelson Palmeira que teve a imagem mais rotulada à banda Lira Traipuense. De estilo ortodoxo, foi por muito tempo o regente da corporação, cargo que ocupou com abnegação e austeridade, até a sua mudança para a cidade de Arapiraca, onde instalou a banda local, que hoje leva seu nome. O velho mestre ficaria imortalizado, ainda, por um feliz acaso. Uma das glórias eruditas do país, o eminente regente traipuense Florentino Dias, fundador e titular da orquestra sinfônica do Rio de Janeiro, dentre outras daquela capital, foi seu discípulo.

A partir daí, começa o ciclo do maestro Antônio Basílio no comando da Lira Traipuense, que perdura até hoje. Aluno do mestre Ranulfo Carmo, exímio trompetista e profissional perfeccionista, mantendo uma equipe mesclada de musicistas experientes com jovens talentosos, foi o grande responsável pela tradicional boa performance da garbosa e elegante agremiação traipuense, mérito que muito se deve, também, ao seu parceiro e eventual substituto, Nelson Souza, grande músico, instrutor e arranjador.

Dos regentes da escola traipuense que tiveram destaque em outros estados, além do erudito Florentino Dias, merecem menção: Benome (1º Batalhão de Guardas RJ) – Aníbal Palmeira (Polícia Militar DF) – Ivo Pacheco (Exército Salvador), Paulo César Amorim (Esquadra da Marinha – RJ) – José Gerônimo ( Polícia Militar SE). De igual modo, são alvo de referência os geniais instrumentistas Capitão José Henrique (bombardino) e Adiel Mota (clarinetista).

Galeria de músicos: clarinetas: Adiel Mota – Luiz Lucarino – João Ribeiro do Nascimento Alfredo Oliveira Silva – Eudes Mota – Ranulfo Carmo – João Canuto – Nelson Palmeira – Ismerino da Alzira; requintas: Felix Tomé – Pedro Basílio; flauta: Benome; trompetes: Antônio Basílio – Renato Melo Silva – Antônio Andrade – Paquinha – Jorge Luiz da Hora – José Cavalcante – Antônio Lúcio – Toinho da Noêmia- Nilton Souza; trombones: Geraldo Camilo – Eduardo Cocorote – Aníbal Mota – Nenzinho Alfaiate – Ivo Pacheco – Adelmo André - Manoel Rodrigues; saxofone alto: Pedro Basílio – Manoel Basílio – Antônio Epifânio – Antônio Basílio Neto (Toinho) – Janderson Teixeira – Chumbinho; saxofone tenor: Benigno Mota – Jarbas Melo – Manoel Carvalho – Benedito Alencar; bombardinos: Nelson Souza – Capitão José Henrique – José Basílio – Gervásio Palmeira; trompas: Messias dos Santos – Eanes Silva – contrabaixos: Palmeirinha Mota – Luiz da Margarida – José Gerônimo – Antônio Melo – José Marques (José Bozó) – Manoel Messias – Luiz Galvão (José Cabeceira); bombo: Francisco dos Santos (Chico Pimenta) – tarol: Givaldo Melo – José de Ouro; pratos: Alfredo Melo (Jegue).
 

 

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  • Demosthenes Barbosa No tarol e zabumba faltou ser lembrado a figura ilustre de Damião Galego (Roger) ha muitos anos sempre presente nas majestosas apresentações da LIra Traipuense.
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 09/10/2009 01:35

Mercadores da Fé: Os Novos Capitalistas da Ilusão

Será que em alguma época da humanidade, em termos proporcionais ao número de habitantes, houve alterações para mais ou para menos em se tratando de crenças religiosas? Creio que não existem dados a respeito. Mas não seria normal esperar que com o crescente conhecimento científico, notadamente dos últimos cem anos, houvesse um considerável decréscimo? Não é o que observamos. A religiosidade, sem dúvida, faz parte do instinto humano.

Muitas vezes, em tom de brincadeira, tenho dito que se eu fosse malandro, tivesse o dom da palavra aliada à dramaticidade hipnótica dos grandes pregadores, iria fundar a minha igreja. Escolheria um nome pomposo e chamativo. Seria uma boa isca chamá-la de Igreja dos Prazeres da Vida Eterna. Teria de atualizar-me com as escrituras. Acho que não teria disposição para reler o Antigo Testamento, chato a bessa, mas faria ao menos a do novo. Para facilitar-me ainda mais, buscaria ajuda de um grande estudioso da área e destacaria as melhores a apropriadas citações dos profetas, dos evangelistas e das epístolas de São Paulo, necessárias à minha pregação – enganação. Para tanto, teria de representar muito bem como se fosse um autentico crédulo da Bíblia. O importante é parecer ser autêntico e ter o dom do convencimento. Muitos evangélicos que estão a pregar por aí afora são ateus e estelionatários. Edir Macedo, fundador da milionária Igreja Universal é cínico e ateu. Você já teve a oportunidade de ver, via internet, o fausto como vive nos Estados Unidos? É o mais acabado malandro da fé. Grande ator da arte representativa!

Nada mais verdadeiro que o ditado popular que diz “Triste do sabido se não existissem os tolos”. Na atualidade, graças aos meios de comunicação em massa, existe alguma matéria-prima mais importante para gerar dividendos a favor dessa nova classe de pregadores da ilusão divina perante a massa ignara? Quando falo em classe é porque, incrivelmente, existem muitos espertos cada qual a alegar que a sua Igreja é a que prega, de fato, a palavra de Deus. Não percebem eles e os que crêem que a Bíblia seja depositária da palavra do Criador que, se verdade fosse, não comportaria dissensões. Não é ela a mesma para todos os cristãos? Por que tantas divergências de interpretação? Contradição não tem nenhuma afinidade com a verdade. O que é, é. Não podem existir duas verdades, uma repele a outra. Toda essa mixórdia prova apenas, de forma irrefutável, que as religiões são criações puramente humanas. Para as pessoas de grande fé, no entanto, não existem argumentos suficientemente convincentes capazes de abalar suas convicções. É o mais insondável dos mistérios do homem.

Dizia Marx que a religião era ópio do povo. Em seu historicismo ou dialética sobre os sistemas de produção, acreditava nas passagens sucessivas do feudalismo, capitalismo, socialismo e por fim o comunismo onde o homem, isento dos grandes conflitos, teria o suficiente segundo as suas necessidades e não segundo às suas possibilidades. Quero acreditar que Marx, materialista e ateu, com o seu comunismo, pretendia criar o paraíso na Terra. Caiu na mesma utopia do éden celestial. Entre ambos existem duas diferenças. O primeiro, realiza-se aqui na Terra e em vida e o outro no céu após a morte. De outro lado, segundo entendo, têm uma coisa em comum: o comunismo, exceto entre as tribos primitivas, é impraticável numa sociedade civilizada onde predomina a competição e o desejo de ascensão social, e quanto ao celeste é, filosoficamente, absurda a sua concepção. Até no pensamento o paraíso é um enorme enfado.

As utopias sempre fizeram parte do pensamento do homem, tendo como inspiração , acredito, resquícios da fantasia infantil, aliada à impotência para atingir as mais elevadas aspirações. Quem tiver a oportunidade de assistir pessoalmente ou pela televisão o desenrolar da oração carismática ou a pregação exaltada do pregador evangélico, dominando a platéia, perceberá a fragilidade dos fieis submissos a fé, a gritarem de braços levantados, lembrando a súplica de um náufrago a pedir perdão de seus pecados para ter acesso ao céu e, na sua ansiedade, seriam capazes até de tomá-lo de assalto. Não é a fé em si, sentimento positivo nas pessoas sensatas e equilibradas, isentas da exploração, mas o desequilíbrio emocional de tantos ingênuos e ignorantes que criam o campo propício à rapacidade dos espertos.

E assim caminha a humanidade, de um lado a rastejar e do outro, na companhia dos mais altos e criativos pensamentos ou nas asas da fantasia das grandes utopias. Existe campo mais fértil e propício ao assalto dos novos capitalistas da ilusão?

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  • Minervino Cristo não é Religiao, Cristo é Vida
  • aleckse Concordo contigo nobre jornalista,mas o que me causa grande indignação, é saber que a cada dia surgem outros edir macedos da vida, e fica por isso mesmo, não se faz nada ou não se pode fazer nada.
  • MARQUES É VERDADE E O INTERESSANTE É QUE AQUI EM PENEDO TEM MAIS IGREJAS DO QUE FIÉS. O CARA ALUGAR UM GALPÃO, COMPRA A PRESTAÇÃO VÁRIAS CADEIAS DE PLÁTICO E !!! LEGAL COMEÇA A GANHAR DINHEIRO.
  • Edir essa sua preocuapação só passa a exisitir, a partir do momeno em que os empreendimentos religiosos são bem sucedidos... Quem é o verdadeiro HIPÓCRITA nessa história???
  • Alexandre Tancredo Pereira Ribeiro Aproveito esta "deixa" para uma discordância construtiva de alguns aspectos abordados no artigo do Dr. João Pereira. Os testamentos de Deus; são de fato a vossa Palavra; isto é na verdade o que podemos chamar de irrefutável. As religiões têm alguma coisa em comum: acreditam em Cristo (ou a maioria convenientemente pregam esta crença) para propagarem suas doutrinas de forma confortável e ostensivamente para atestá-la como verdadeira. Max realmente caiu em utopia, pois o que pregava rimava e correspondia com teoria e fantasia; enquanto que a utopia do Éden é uma verdade contida na gêneses de todas as escrituras. A única coisa que o homem cria, é caso; de acordo com a sua forma de adoração, segundo ele; melhor que a dos outros.
  • joao joao Fico a pensar com que autoridade o senhor discorre acerca do que os evangélicos fazem no Brasil e fora dele. Por quê não fala também do catolicismo? Por quê não mostra a profunda tirania dos ministros católicos de Roma, que, em passado próximo, mataram milhões de pessoas pelo simples fato de não concordarem com seus princípios idólatras e não se submeterem à sua tirania religiosa? Existe inquisição santa? Que diatribe estapafurdia é essa, que o senhor omite ao discursar solenemente contra os evangelicos? O senhor pode acusar os evangelicos de serem assassinos em massa, perseguidores dos cristãos, cientistas e judeus, como os bispos de Roma na chamada inquisição santa? Por que não falam nada contra a maior ditadura religiosa do ocidente, que é o Romanismo católico? Será que é porque o catolicismo é uma religião pobresinha e coitada, que não tem dinheiro nem pra matar a fome dos seus padres? Por que ninguem fala contra o absurdo da cobrança católica do laudêmio e foro em imoveis próximos aos seus templos em todas as cidades do Brasil? Durma com esse barulho!!!