Artigos

João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 08/03/2017 10:29

Casualmente Conheci o Branca de Neve

aquiacontece.com.br
Casualmente Conheci o Branca de Neve
Em 2017, bloco repetiu o sucesso de anos anteriores

Da mesma forma, acidentalmente conheci um cidadão popularmente conhecido por Duda. Depois de mútua apresentação começamos a conversar sobre o carnaval. Foi num sábado de carnaval, por volta de umas dez horas. Perguntei-lhe se no povoado Peba, onde nos encontrávamos e estava a conhecê-lo, havia algum festejo momesco.

O senhor acima, educado e índole hospitaleira, após um breve histórico de sua biografia, informou-me que estava a comemorar, com colegas fundadores e outros amigos, o carnaval do bloco Branca de Neve, criado há cinquenta anos atrás, quando estudantes na cidade de Penedo. Fui então convidado a comparecer no dia seguinte, primeiro dia da comemoração, a partir das dez e trinta, à casa do senhor Anilton, ponto de partida. Antes, explicou-me como acontecia o desenrolar da folia.

Encontrava-me hospedado em uma pousada de frente para o mar. Às onze horas cheguei à residência indicada. Algumas pessoas já se encontravam, outros aos poucos iam chegando e em seguida a orquestra de cinco ou seis componentes. Fui apresentado a um bom número, homens e mulheres, casados na sua quase totalidade. O que muito me chamou a atenção, como fui esclarecido pelo Duda, foi o geral estado de espírito a esbanjar alegria e cordialidade, brincadeiras, uma autentica réplica da grande família distinguida com a graça da confraternização. Depois de comer e beber, alguns a dançar ao ritmo alegre da música, é dada a partida para os novos endereços, Regueira e Tuca que por coincidência formam o trio idealizador da ressuscitação do bloco.

Não me fiz de rogado e achei por bem aceitar o novo convite para a terça-feira. A saída seria da casa do Duda. Lá chegando, no mesmo horário do domingo, a orquestra já tocava e a animação seguia numa crescente temperatura. Como aconteceu no domingo, depois de um animadíssimo comes e bebes, o anfitrião, antes de dar partida para o itinerário traçado, fez uso da palavra para exaltar as virtudes do bloco, dando e impressão, pela comovente ênfase, que dorme e sonha com o bloco.
Eis porque, quando se fala em harmonia, congraçamento e amizade, o Branca de Neve atua nele como uma ninfa ou musa inspiradora para colocá-lo no ápice ou no rol das raras exceções dessas qualidades. Se não pecasse pelo exagero, diria que é capaz de atribui-lhe um dom divino. Dentro dessa visão, é admissível até imaginar, pelo tamanho apreço que tem pelos que formam o bloco, que se poder tivesse, expediria passaporte para que todos tivessem acesso ao reino celestial. Não acreditem que estou a ironiza-lo pela sua arrebata admiração pelo Branca, tão pura quanto a neve. Seu lirismo a respeito dele é tão grande quanto o que faria a uma bela e sensual virgem para um irresistível idílio amoroso.

Em resumo, a última visita ocorreu na casa de um médico, o Raimundo, famoso anatomista no preparo de um filé de pilombeta. Não bastasse essa iguaria, os foliões, ao adentrarem em sua casa, deram de frente com um ensopado de jacaré e outro de filé de siri. Puseram rapidamente tudo a nocaute, quando imaginei, por mim, que todos estivessem de estomago cheio. Predominou o pecado da gula. Nocauteados ficaram quase todos. Desapareceu o clima carnavalesco. Percebia-se a acomodação e a serenidade do animal satisfeito. Somente um cidadão barbudo conhecido por Pereira, pau d’agua de primeira, um legítimo filho de Baco, dançava a todo vapor. Uma outra demonstração de vida e alegria, deu-se quando boa parte dos fundadores presentes, numa demonstração de indestrutível amizade, abraçados, rodopiaram pelo salão. Foi, na aparência, uma comovente cena tribal.

Nada mais justificava a permanência. Aos poucos foram saindo. Carregavam dentro de si a nostálgica despedida com a esperança e a certeza do próximo reencontro. Fiz o mesmo, apresentando, antes, meus efusivos agradecimentos por tanta cortesia recebida. Enquanto me dirigia para a minha pousada, veio-me à mente uma premonição. Foi como se estivesse a visualizar, através das vísceras do Peba, a inexorável redução dos quadros do Branca de Neve. Os poucos que restavam, velhos chochos, mirrados e sem vida, simbolizavam um fantasmagórico saco de ossos que, não obstante sua fúnebre aproximação, deixava para a posteridade o exemplo do mais forte laço de sincera amizade, transfigurada numa autentica irmandade.

Clique AQUI e veja fotos de como foi o bloco no Carnaval 2017!

Comentários comentar agora ❯

João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 03/03/2017 16:50

Não conseguiu usufruir a ociosidade

Ilustração
Não conseguiu usufruir a ociosidade

Irineu tornou-se um prisioneiro da rotina. Nunca conseguiu atinar para a diversidade em busca de novos horizontes e preferências que enriquecem a vida, tornando-a mais aprazível e suportável. Era um autêntico representante do monótono samba de uma nota só, condição bem pior do que o samba do crioulo doido, divertido e alegre. Não sofria conflitos de qualquer natureza, quer espiritual ou carência de bens materiais. Gostava da sua profissão, tendo-a transformado em seu primeiro e único amor.

Era empregado de uma grande revendedora de automóveis. Como qualquer trabalhador citadino, levantava cedo, tomava banho, barbeava-se e trocava de roupa, não de uma maneira simples, esportiva, mas de terno e gravata. Era uma exigência formal e também estratégica em razão de seus contatos com uma clientela que se distinguia pelo poder aquisitivo. Afinal de contas, nada se perde com a boa aparência, ganha-se, principalmente quando somada à boa comunicação, simpatia e o poder de persuasão do vendedor. Irineu tinha todos esses atributos, fato que o tornou o melhor entre seus colegas, fazendo jus a elogios e gratificações.

Casado, pai de três filhos, um homem e duas mulheres, sua esposa, comum como tantas outras, de pouca vaidade e exigências, desconhecia-se grandes atritos entre ambos, suportando-se muito bem dentro de suas mediocridades. A preocupação número um do casal era a educação dos filhos, que pretendia vê-los formados em curso superior, fazer parte da nata intelectual e gozar de um alto padrão de vida. Mesmo não sendo um sovina ou avarento, raramente dispunha-se a gastar em farras, poucas em sua vida, ou em festividades em geral. Deixando de desfrutar a vida, achava mais prudente economizar para o futuro incerto que cada vez mais se aproxima da morte certa. Como qualquer um de nós, torcia que chegasse o fim de semana, não propriamente para usufrui-la em uma atividade prazerosa, mas tão-só para repor as energias e voltar revigorado para a rotina do trabalho.

Irineu, sem dúvida, era a mais acabada obra de um homem condenado pelo cruel destino a um miserável pobreza de espírito. Foi um homicida da imaginação e o mais vil dos escravos, aquele que fabrica as próprias algemas. Apesar dessas limitações de seu horizonte capaz de enxergar a vida na sua multiplicidade de formas para usufrui-la, desejava, incapaz de avaliar as consequências, a aposentadoria, acontecida aos cinquenta e nove anos de idade após exigidas contribuições previdenciárias.

E agora, Irineu, o que fazer da aposentadoria, de seu precioso saldo da vida que lhe resta? Certamente, na sua automatizada maneira de viver, nunca se deu ao trabalho de perguntar, achando que aposentadoria, enxergada e vivida pelo grosso rebanho de aposentados, era não ter compromissos e passar os dias sem nada fazer. Comer e encher a barriga como um animal é o mais importante. Essa regra não se aplica a todos, como aconteceu com o nosso Irineu, mesmo com suas limitações.

Abreviando, como iria entender o Irineu que saber usufruir o ócio é um privilégio para poucos? Desconhecendo qualquer outra atividade, especialmente de natureza artística, era incapaz de apreciar as belezas da natureza ou deleitar-se ao ouvir uma boa música. Tendo levado uma vida desenxabida, tornou-se mais insípida na ociosidade originando uma gradativa e fatal depressão. Um autêntico robô, sem sensibilidade e imaginação, carência que resume a essência da vida humana, findou por condena-lo à morte.
 

Comentários comentar agora ❯

João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 01/02/2017 15:05

Por Que São Chamados de Reeducandos...

Quando deveriam ser chamados de formandos da faculdade de artes para a especialização criminal? É impressionante como no Brasil muitos projetos revestidos das melhores intenções não passam de máscaras. São até bonitos, têm uma bela fachada teórica com a falsa aparência da beleza ideal, dentro da nossa habilidade na arte da enganação. É um comportamento infantil em querer transformar uma situação caótica em uma realidade que está além das nossas possibilidades.

A propósito do título acima, torna-se irritante continuarmos a ouvir falar em reeducando quando os meios de comunicação, especialmente a televisão, a mostrar imagens de superlotação dos presídios que transformam homens em feras espremidas como em uma lata de sardinha. Mesmo assim, com toda clareza dessa fotografia dantesca, ouvimos a insistência de alguns em chamá-los de reeducandos, como se fossem cegos ou avessos à verdade dos fatos.

É bem verdade que a nossa população carcerária, a terceira ou quarta do mundo, em tono de seiscentos mil indivíduos, torne-se completamente impossível, no todo, transforma-los, de fato, em reeducandos. Mas, deixando de lado o todo, partindo para o relativo, pergunta-se: quantos presídios pelo Brasil afora, põem em prática atividades que possam adquirir conhecimentos ou habilidades profissionais que possam reintegra-los ao convívio da sociedade? Como tudo tem um início, o começo é o primeiro e pequeno passo que aos poucos se agiganta para atingir seu objetivo. Onde está, pelo menos, esse começo? É o total descaso.

Seria bom, numa visão humanitária, que houvesse um grande percentual de recuperados, bastando, para tanto, um mínimo de condições para reintroduzi-los no convívio social. Longe de pensar em conforto ou prisões cinco estrelas dos países nórdicos, com escasso contingente carcerário. Aquele que delinqui deve sofrer na proporção do crime praticado e para que possa sentir o valor da liberdade e dos demais valores humanitários.

Voltando ao título acima, não bastasse a longínqua possibilidade de ressocializar o preso, o sistema prisional responsável deixa de fazer o possível de suma importância para recupera-lo, isto é, não juntar indiscriminadamente autores de grandes e pequenos delitos nas mesmas celas. Toda opinião pública sabe disso. Por que não acontece? Desprezo pela condição humana. Afinal de contas, não passa de um rebanho animalesco de inferior qualidade, sem PO e, como tal, não merece outro destino senão o campo de concentração em que vive.

Partindo dessa bagunça, bom seria, em nome da seriedade, que não se falasse em reeducandos a quem, carente de um horizonte capaz de vislumbrar um mínimo de esperança de ter uma vida digna e humana, está condenado, numa disfarçada pena de morte, dentro ou fora do presídio, a viver no inferno até o fim de seus dias.
 

Comentários comentar agora ❯

João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 20/01/2017 10:33

PCC vence eleição presidencial

Divulgação
PCC vence eleição presidencial

Embora alguns pareçam bem reais, não existe, na maioria dos sonhos, qualquer coerência. Raramente ficam retidos na memória e são esquecidos no confuso emaranhado de suas obscuras significações inconscientes. São, em grande parte, resultado das impressões do dia a dia, traduzidos em imagens que vão do real ao irreal. Não foi outra a causa do sonho abaixo, claro na memória nos mínimos detalhes, senão o bombardeio diário pelos meios de comunicação sobre rebelião nos presídios e os escândalos e tramas de corrupção envolvendo grandes empresas da construção civil, as maiores do país, mancomunadas com políticos do mais alto escalão do executivo e legislativo. Eis como transcorreu.

 Vejo pela televisão, acenando para o povo, a figura de Marcola, ex-chefe e criador da extinta facção criminosa, criada na capital de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital. Duas coisas deixaram-me incrédulo e estupefato. Marcola, no parlatório em frente ao palácio do planalto, exibia no peito a faixa presidencial. A multidão em frente, toda de cabeça para baixo, formava um perfeito mapa do Brasil. Quando aplaudia o presidente, fazia com os pés, topando um no outro, produzindo um som que lembrava uma sinfonia de matracas. Depois de receber efusivos aplausos, inicia seu breve discurso por meio do qual fez seus agradecimentos pelos votos recebidos e fazendo, em rápidas pinceladas, diretrizes de seu governo.

 “Se o Brasil, e certamente o mundo, encontram-se apalermados com a minha ascensão à presidência da república, não faço exceção, reconheço, por fazer parte de uma realidade do impossível. Sendo produto de duas atmosferas empesteadas pela corrução política e pelo crime organizado, hei de agir como um superman ou semideus para destruir toda essa engrenagem que envergonha a imagem do Brasil, sufoca e emperra o crescimento do Brasil. Do ex-PCC, irei buscar apenas o exemplo da ordem na aplicação de seus estatutos que, mesmo que frontalmente contrários às leis vigentes, tinham a virtude da disciplina e o respeito aos mesmos. Precisamos dar um basta à frouxidão na aplicação das leis, causa anarquia que impera nos diversos setores da administração pública.

 Tudo é possível, mesmo o impensável ou que esteja completamente fora do previsível, bem assim com o que possa aparentemente estar além das nossas possibilidades. Há exemplo mais flagrante do que minha transformação, tendo chegado ao ápice da criminalidade? Nessa condição de egresso arrependido que volta ao convívio sadio da sociedade, não posso perder a graça dessa transformação sob pena de causar-me enorme frustração. Frustração maior aos eleitores que com elevado discernimento e imbuídos de um sentimento humanitário acreditaram que o homem, mesmo que tenha chegado ao último degrau de sua degradação, é passível de recuperação. Não existe mais em mim a ansiedade em adquirir dinheiro e riqueza. Da mesma forma, apaguei a inveja que nutria dos políticos corruptos que, a sombra da lei, auferia o lucro fácil enquanto o infrator comum, por aceitáveis ou inaceitáveis razões, assume o risco de ser preso ou perder a vida.

Mostrarei ao mundo que aqui, a partir de hoje, será posto em prática o único antidoto capaz de salvar o Brasil. Vamos fazer do veneno do crime organizado, quase extinto, a cura das picadas venenosas do que saqueiam o dinheiro público. Quanto à segurança pública, nossos soldados do extinto PCC e outras facções que igualmente debandaram do crime, com a experiência que dispõem irão garantir a tranquilidade dos cidadãos.

Não cheguei a ouvir a conclusão do discurso. A cena que se seguiu foi o deslocamento do presidente na campanha de seu vice Fernandinho Beira Mar, para dar posse ao deputado federal Bolsonaro como ministro do recém-criado Ministério da Segurança Pública. Também não foi possível ouvir as palavras do ministro vez que o curioso sonho achou por bem fechar as cortinas como uma forma de censura às ideias radicais do ministro, inimigo figadal, como tantos, de homicidas friamente desumanos, estupradores e traficantes, manifestamente irrecuperáveis. O que vi, finalizando o sonho, sabia estar no terceiro ano do mandato de Marcola. Dirijo-me a uma banca de jornal. Dou uma olhada em todos, dos mais importantes aos sensacionalistas, com predileção pelas manchetes de sangue ou catástrofes. Os sérios, noticiavam o controle da inflação, a queda do desemprego e o crescimento da economia a uma taxa de 10% ao ano. Os nanicos ou vampirescos, carentes de sangue, em sua anemia profunda relatavam pequenos ilícitos, nada de tragédias, rebeliões nas penitenciárias e a bestialidade de seus crimes que foram além da imaginação do inferno de Dante. Qual teria sido a causa de tamanho fenômeno?

Apagou-se. Despertei algum tempo depois e fiquei a matutar sobre sonho tão absurdo, vendo o Brasil de cabeça para baixo a sair do fundo do poço em sua crise socioeconômica e a redimir-se dos demais pecados que o afligiam Mas seria totalmente absurdo? Será que os opostos, nem sempre tão opostos, não se encontram de fato? Será que nele, com todo o seu surrealismo, como só acontecer na vida, não pode estar incrustada alguma verdade? Quem sabe?!
 

Comentários comentar agora ❯

João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 11/01/2017 10:44

Abnegação e Ternura do Amor Feminino

Recordamo-nos da leitura da obra Alceste, de autoria de Eurípedes, que exalta ao extremo o amor de uma mulher pelo seu marido. Sabemos que os Gregos antigos, em grande parte, eram fatalistas, não fazendo exceção os autores das tragédias que retratam seus heróis presos ao determinismo. Num rápido resumo, o deus Apolo, como castigo, torna-se servo de um mortal no palácio de Admeto, que estava condenado a morrer dentro de poucos dias. Apolo consegue ludibriaras Parcas, deusas da morte, livrando-o da mesma com a condição que alguém queira morrer em seu lugar. Ninguém, pai, mãe e amigos, a não ser Alceste, sua mulher, aceita o sacrifício. Admeto, aproximando-se o dia fatal, reclama do destino e confessa que morrerá se Alceste o abandonar, o que não acontece graças a sua covardia. Para sua felicidade, Hércules, seu amigo, consegue penetrar no reino dos mortos e resgata Alceste. Será que essa obra de ficção se aproximaria mais da realidade se houvesse uma inversão no enredo entre os personagens? Certamente que não, Eurípedes sabia ser isso impossível.

A observação e a convivência mostram-nos uma radical diferença entre o homem e a mulher no plano amoroso. Enquanto na mulher prevalece o lado espiritual, no homem, em sentido inverso, por exigência natural dos conflitos, sobressai o materialismo. A mulher, com a virtude da abnegação, entrega-se sem condição ao ser amado, enquanto o homem, na maioria das vezes, quando procura ser gentil e carinhoso, está visando livrar-se de uma tensão que se alivia com a satisfação do prazer sexual. Assim, pelo natural desprendimento que lhe é inerente, a mulher está mais propensa ao sacrifício do que o homem, como se vê em Alceste.

Mesmo que se diga que o homem ama como deve amar e a mulher como mulher, parece-nos que ela, pela pureza emocional que carrega dentro do peito, está bem mais próxima de definir com precisão o amor do que o homem em seus arremedos.

Uma outra característica de suas qualidades é a capacidade de suportar a enfadonha rotina do casamento graças ao instinto de agregação e proteção da família. Aqui está o seu verdadeiro heroísmo, não mostrado nas novelas, exatamente pela sua insipidez. Por outro lado, se tivermos de fazer contraponto entre a abnegação, bem peculiar ao altruísmo feminino e ao heroísmo romântico próprio do homem, sem mérito heroico, sempre disposto a enfrentar todo tipo de perigo e obstáculos para conquistar sua amada, há uma grande diferença qualitativa. A abnegação, passiva, pressupõe o sacrifício em benefício de alguém, do amor ao próximo, ao passo que o herói, levado pelo fogo da paixão, é muito fácil ser inspirado pela bravura e enfrentar as piores tormentas e tempestades para satisfazer o próprio interesse.

Em resumo, o homem, no seu imediatismo, busca tão-só, em grande parte, a satisfação sexual. A mulher, resguardadas as exceções, quando nos braços do ente amado, sentindo-se como uma deusa na sua espiritualidade pautada na suavidade e delicadeza, contenta-se, cheia de ternura, com os afagos e carícias.
 

Comentários comentar agora ❯