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James Dantas

James Dantas

Fotógrafo, partilhador de conhecimento e admirador eterno de Penedo

Postado em 05/06/2019 09:11

A Evolução das Câmeras Fotográficas

Ao longo de 193 anos de evolução, a fotografia foi evoluindo como arte, e absorvendo tecnologias a fim de se tornar mais popular e acessível. A partir de agora, veremos um pouco de como as câmeras se transformaram nesses anos e chegaram ao nível que conhecemos hoje. A lista foi criada pela equipe do site Fotografia Mais.

1839, Daguerreótipo: o primeiro equipamento fotográfico criado em escala comercial.

1860, Sutton Panoramic: foi a primeira câmera a fazer fotos panorâmicas através de uma lente grande angular, preenchida com água.

1888, Kodak nº 1: primeira câmera a utilizar filme de rolo, destinada ao fotógrafo amador.

1897, Folding Pocket Kodak: primeira câmera de fole dobrável, trazendo mobilidade às câmeras profissionais.

1903, Dr Miethe’s Dreifarben: primeira câmera a utilizar três cores.

1913, Ur-Leica: primeiro protótipo de câmera 35 milímetros, projetada por Oskar Barnack.

1947, Polaroid Model 95: primeira câmera instantânea com filme, da história, projetada por Edwin Land.

1950, Kapsa “Pinta Vermelha”: primeira câmera de fabricação brasileira.

1967, Olympus Trip 35: a câmera compacta mais popular da década de 70.

1972, Polaroid SX-70: primeira SLR a utilizar filme instantâneo.

1976, Pentax K1000: SLR fabricada por mais de 20 anos e muito utilizada por estudantes de fotografia.

1981, Sony Mavica: a primeira câmera eletrônica da história.

1983, Canon T50: a primeira câmera SLR automática.

 

1991, Kodak DCS 100: a primeira câmera SLR digital.

Gostaram de fazer esta tour pela evolução dos equipamentos fotográficos? Pois no próximo artigo traremos essa discussão para o presente e falaremos sobre as principais modalidades de câmeras que podem ser adquiridas no mercado atual. Abraço e até o próximo post :D
 

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  • Márcio Cruz Azevêdo Bom dia, James, leitores e os que fazem o Aquiacontece acontecer! Gostei sim de ter feito esse passeio pela evolução dos equipamentos fotográficos. Já estou aguardando 0 próximo artigo sobre essa discussão e também sobre as principais modalidades de câmeras existentes no mercado atual Márcio Cruz.
Izabela Oliveira

Izabela Oliveira

Turismóloga por formação, historiadora por paixão e servidora pública do município de Penedo.

Postado em 29/05/2019 15:35

Um pouco de Memória e Identidade Cultural na visão de uma turismóloga penedense

Izabela Oliveira
Um pouco de Memória e Identidade Cultural na visão de uma turismóloga penedense
Convento Santa Maria dos Anjos

Hoje falarei um pouco sobre um Patrimônio Histórico belíssimo, tombado pelo IPHAN em 1941. É um local que respira história e possui um conjunto arquitetônico impressionante, desde sua construção que passou por vários estilos arquitetônicos, afinal foram 99 anos (1660 - 1759) para ficar realmente pronto. Esse local foi e é um marco para nosso povo. E as memórias ali contidas e contadas pelos frades (spoiler) e pela população mais antiga que frequenta esse local sagrado, os objetos pertencentes aos frades que já se foram, uma biblioteca de valor inestimável com coleções de livros em alemão, inglês e português arcaico, que chegam a ter 100 e até 200 anos, tudo isso faz parte da história do nosso povo penedense que deve conhecer, admirar, preservar e proteger parte de nossa história ali guardada e resguardada.

Acredito que muitos já devem ter descoberto que essas humildes linhas são sobre o CONVENTO SANTA MARIA DOS ANJOS. E esta é apenas uma parte da rica história que esse Patrimônio Cultural Material possui. E meu papel aqui é fomentar a curiosidade principalmente da população penedense. Nosso Convento foi um dos primeiros a ser fundado pela Ordem Franciscana da Igreja Católica no Brasil, lá pelos idos do século XVII. Os franciscanos e também os capuchinhos vieram a nossa Vila do Penedo do São Francisco inicialmente no século XVI, como missionários itinerantes, porém a idealização de erguer um Convento surgiu no século XVII, com intuito de evangelização do nosso povo e engrandecimento da localidade. Foi também um pedido dos penedenses a sua edificação, feito por meio de vários pedidos dos habitantes da Vila do Penedo do Rio São Francisco à província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, para que os religiosos fixassem residência na Vila, isso em 1657.

Mas foi uma luta a construção do nosso Convento que passou por muitos trâmites, primeiro fundou a Custódia da Província Brasileira de Santo Antônio. Sendo assim alguns anos depois Frei Pantaleão Batista foi a Portugal solicitar a independência jurídica da Custódia no Brasil. Porém ainda enfrentou resistência e oposição, mas o Frei não desistiu e seguiu para Roma e lá o ministro Geral Frei João de Nápoles tomou conhecimento da situação e assinou o decreto concedendo em definitiva independência a Custódia de Santo Antônio no Brasil.

E numa casa humilde os franciscanos se instalaram. Quando frei Antônio dos Martyres em visita as Casas Conventuais pelo Brasil, deparou-se aqui com frades residindo nesta humilde residência particular, determinou então a escolha de um terreno para construção de um Convento. Escolhido o terreno, foi a vez da Câmara Municipal em 31 de julho de 1660, lavrar uma escritura de doação do referido terreno escolhido.

A euforia e expectativa da população eram grandes e em 17 de setembro de 1660, 47 dias após a lavratura da escritura, iniciou-se a edificação de um recolhimento que viria a ser o primeiro mosteiro da Vila. Passado alguns meses a capela do recolhimento (Igrejinha Franciscana), estava pronta e foi inaugurada no dia 10 de abril de 1661, um Domingo de Ramos. Ocorria naquele dia a primeira missa e pela primeira vez a vila do Penedo teve os atos da Semana Santa celebrados por completo.

Na festa da Páscoa, em 1662, na Capela do Recolhimento foi solenemente instalado o Augusto Santíssimo Sacramento. Em 04 de outubro de 1682 (dia de São Francisco de Assis) sob a proteção de Nossa Senhora dos Anjos, os franciscanos depois de 20 anos já morando na Capela do Recolhimento, que na época já havia celas para cada frade, festejaram a “Pedra Fundamental” do Convento Santa Maria dos Anjos. Esse foi um marco da construção de todo o Complexo Conventual, a Igreja de Santa Maria dos Anjos que possui uma pintura ilusionista belíssima de Nossa Senhora que de qualquer ponto que se olha, tem-se a impressão que Nossa Senhora te acompanha com o olhar, pintura esta de autoria de Libório Lial Alves, marcou também a construção da Capela da Ordem Terceira de São Francisco e do Convento.

Toda essa construção foi concluída por etapas, daí a riqueza dos vários estilos arquitetônicos contidos num só local. Podemos observar colunas dóricas e perceber que as colunas inferiores são muito mais largas em comparação com as colunas dóricas do andar superior que são altas e finas. Em seu interior construção em estilo rococó português do século XVIII, dentre outras talhas em pedra também em estilo rococó, pedras que também moldaram os anjinhos em estilo barrocos. Os adornos em pedra de Cantaria com detalhes bastante expressivos na escadaria que dá acesso a parte superior, possuindo 24 degraus e coberta por uma abóbada também em pedra, toda trabalhada nas extremidades e corrimão.

A capela consistorial, atualmente sala de espera, na entrada do Convento, possui um altar central em estilo Dom João V e aparenta ser talhada a faca, todo em madeira e cheia de detalhes. Era o local de celebração de missas e orações enquanto a Igreja não ficava pronta. Era ali que ficava a Capela do Recolhimento, falada inicialmente, ainda nos dias atuais há uma janelinha por onde as pessoas se comunicavam com os frades, já que ali também era claustro. Vale lembrar que no mesmo terreno também foi construído o Theatro Casa São Francisco.

Em 02 de fevereiro de 1689, as obras do altar mor foram concluídas e o altar foi todo revestido com folhas de ouro e ouro em pó. Houve uma solenidade de inauguração e benção, com a celebração de uma missa em Louvor a Nossa Senhora dos Anjos, Padroeira do Convento Franciscano. Houve ainda a construção da capela da Ordem Terceira de São Francisco que foi concluída em 1707. O capitão da Ordem Terceira instalou no Convento aulas de gramática para os filhos dos ribeirinhos.

Mas existiu um período negro na história das Ordens Religiosas que atingiu também nosso Convento. Foi a “Proibição Régia” das ordens religiosas em 1764, ou seja, estava proibido receber noviços nos Conventos brasileiros, juntamente a isso no ano de 1883 falece frei José de São Gerônimo que era o superior do nosso Convento. Desta forma o Convento Nossa Senhora dos Anjos, sem frades por conta da Proibição Régia e o falecimento do Frei Supremo fechou suas portas pelo período de 1883 a 1893.

Seu funcionamento voltou no século XIX. Solicitado pela Irmandade de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos, em 10 de março de 1886. E em 1893 alguns franciscanos chegaram a Penedo. Dentre os franciscanos vale destaque Frei Camillo de Lellis, brasileiro nascido em Pacatuba/SE. Frei Camillo desde 1892 vinha solicitando a restauração da Província de Santo Antônio do Brasil. Tanto foi seu apelo, coragem, empenho e luta que seus esforços foram aceitos, e a ele coube a missão de trazer novos frades da Província Franciscana de Santa Cruz, os frades alemães chegaram a Penedo em 02 de março de 1893.

Pelos 10 anos de fechamento do Convento, foi providenciada uma reforma e restauração da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, com o objetivo de reaver o Convento Franciscano e salvar a Província Brasileira perante a Santa Sé. Com a ajuda da Irmandade de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos, conseguiu reativar as atividades do nosso Convento e também acomodar os novos frades alemães.

Após todo esforço e luta para reabertura do Convento Santa Maria dos Anjos, e do mosteiro, Frei Camillo Lellis veio a falecer em 02 de novembro de 1904, sendo sepultado na capela do cemitério do convento que tanto esforço e luta desprendeu para que voltasse a seu funcionamento, deixando garantida a continuação franciscana para a alegria dos penedenses. Em seu lugar assumiu a direção Frei Peregrino, em 06 de dezembro de 1904.

Até os dias atuais a presença franciscana é forte em nossa cidade. O seu regime de claustro durou até os anos 80. Atualmente existem 5 freis ( Frei Walter, Frei Aluísio, Frei Lenilson, Frei Éric, Frei Firmino) no Convento e o seu superior é o Frei Walter Scheiber.

Em 2009 o IPHAN ( Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional) começou as obras de restaurou que foi feita em duas etapas, mas que envolveu todo o Convento, num trabalho árduo e minucioso, restaurando e revelando pinturas artísticas, azulejos, restaurou o altar mor e forro também. E nessa restauração transformou o antigo claustro desativado em apartamentos para hospedagem, construiu um estacionamento rotativo e instalou um elevador para idosos e portadores de alguma necessidade especial para que possam subir e descer ao andar superior com comodidade e segurança. Essas transformações foram pensadas para garantir que o convento pudesse se manter com seus próprios recursos advindos da Hospedaria e do Estacionamento. Mas tudo foi feito mantendo o estilo religioso do local que deve ser respeitado.

A Hospedaria Franciscana atende a todos os que quiserem um local calmo e tranquilo para descansar. Para hospedar-se o turista deve ligar para o telefone: (82) 3551–2279, ou enviar um e-mail para: [email protected] e assim fazer sua reserva. São 12 apartamentos equipados com frigobar, armário, ar condicionado e escrivaninha. Quarto simples com duas camas e quarto casal. Entrando em contato com os meios acima citados, o turista saberá dos preços e fará sua reserva.

E os turistas, autóctones e hóspedes podem usufruir deste belíssimo e encantador espaço que é o nosso Convento, conhecer sua/nossa história bem de pertinho em cada detalhe, seja observando sua rica arquitetura, assistindo as missas, seja sentado em algum banco do jardim central, enfim, somos detentores de um Patrimônio Histórico Cultural que intensifica a nossa identidade penedense de um povo guerreiro e religioso que tanto lutou para erguer esse monumento de suma importância para as futuras gerações. E é nossa responsabilidade zelar por esse Convento que é também nossa essência.

Todos devemos ter o sentimento de pertencimento ao local que vivemos, conhecer e se orgulhar. Todo penedense deveria e deve conhecer esse espaço religioso que por sua imponência já nos faz devanear. Visitem o Convento e o Museu de São Francisco e vejam com seus próprios olhos obras raras ali preservadas, tais como o ferro de fazer hóstia, a imagem linda de São Francisco tocando violino, peças de arte sacra e uma biblioteca com livros raríssimos. Vale muito a pena conhecer essa parte da nossa história.

Um Museu assegura a preservação de nossa identidade e friso aqui que a responsabilidade de preservação cabe a todos nós. Sejamos os primeiros a dar exemplo e com orgulho e sabedoria apresentar nossos pontos turísticos aos nossos visitantes. É clichê, mas finalizo dizendo: A proteção do Patrimônio Histórico Cultural é uma obrigação de todos.

Abaixo vocês verão um vídeo com algumas fotos tiradas por mim e editado por Fábio Barreto. Um vídeo da vista janela de um apartamento da Hospedaria e algumas fotos para instigar vocês e deixar aquele gostinho de: QUERO CONHECER!!!

Horários de funcionamento

- Segunda a sexta na parte da manhã das 7h as 11:30hrs. A tarde das 13:30hrs as 17h.
- Sábado funciona das 8h até as 16:30.
- Domingo funciona das 8h as 13h.

Veja o vídeo com um pouco do que pode ser encontrado no local:

 

        


 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 22/05/2019 08:12

A profissionalização na administração pública

Um assunto recorrente em jornais, revista e principalmente entre conversa de amigos é a capacidade de trabalho do servidor público. A predominância das reportagens, artigos e principalmente das conversas entre amigos é de crítica, que às vezes chega ao limite do bom senso e do respeito ao ser humano.

O segmento que atende ao público sempre fica sujeito à avaliação de quem é atendido, mas as críticas mais intensas são direcionadas, com mais frequência, aos servidores públicos. Estes são nominados, minimamente, como preguiçosos e incompetentes e que, de acordo com os seus críticos, a maior causa deste comportamento é a segurança assegurada pela estabilidade de emprego.

O único meio de admissão ao serviço público é através do processo democrático de concurso público, que seleciona os inscritos que possuem os melhores conhecimentos técnicos exigidos no edital, conforme a natureza e a complexidade do cargo.

Os aprovados empossados somente adquirirão a estabilidade no emprego após três anos de efetivo exercício nos cargos nomeados. Durante estes três primeiros anos, de acordo com a Constituição para estes funcionários “é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade”.

O desempenho funcional é a verificação das competências e habilidades das pessoas no exercício de seus cargos ou funções. Uma das competências é a técnica, mas essa por ser objetiva, foi verificada na seleção e os que tem esta competência foram aprovados e classificados no concurso público.

 A outra competência é a comportamental que pela sua natureza subjetiva, deve ser acompanhada durante o período dos três primeiros anos de trabalho do servidor empossado, onde serão observadas sua criatividade, sua flexibilidade, seu foco em resultados e nas pessoas, sua organização, o planejamento do seu trabalho e a liderança que exerce no seu dia-a-dia.

Já a habilidade é como o servidor público observado aplica seus conhecimentos técnicos que foram exigidos na seleção e os específicos do setor onde está lotado.

Fica a dúvida se o dispositivo constitucional, que trata da avaliação dos novos servidores públicos, é cumprido pela administração pública direta e indireta, pois é difícil encontrar servidores públicos federais, estaduais e municipais que afirmem que passaram por este processo.

Esta seria uma das suposições das críticas apresentadas, a segunda estaria na ausência de uma política salarial justa, realizada através de um plano de carreira, cargos e salários que contemplasse o melhor desempenho funcional apresentado, com promoções por merecimento para os servidores que cumpriram ou excederam as metas propostas e por antiguidade a quem ficou aquém do esperado. Outra conjetura é o não aproveitamento do servidores efetivos em cargos de confiança transitório, quando, na maioria das vezes, são preteridos por pessoas designadas, mas sem as qualificações adequadas que o cargo exige.

Encontramos em diversos órgãos da administração pública servidores altamente qualificados, com plano de carreira bem definidos, salários condizentes e às vezes até superior com o cargo ocupado, que ao invés de serem criticados são elogiados pelas competências técnicas e comportamentais, como também pelas habilidades demonstradas nos exercícios dos cargos, mas infelizmente são exceções, em maior número na esfera federal, em número menor nas estaduais e pouquíssimo nas municipais.

Este é o grande desafio dos atuais e futuros governantes, é só copiar e melhorar a fórmula que a iniciativa privada utiliza e as críticas recorrentes desaparecerão.
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 08/05/2019 10:16

O melhor caminho

Divulgação
O melhor caminho
José Roberto Ferro, presidente do Lean Instituto do Brasil

José Roberto Ferro, presidente do Lean Instituto do Brasil, que tem como missão “melhorar as organizações e a sociedade através da prática do lean” (modelo de gestão inspirado no Sistema Toyota) formulou cinco questões sobre o desenvolvimento econômico e riqueza dos municípios, porém sem as respectivas respostas.

Entre as cinco, todas bastante interessantes, escolhi duas por entender que parecem que foram formuladas para o nosso município: 1) quais as atividades econômicas atuais mais importante? 2) qual é a “vocação” e força econômica atual do município?

Para tentar responder a primeira questão é preciso saber qual a atividade econômica atual que proporciona mais recursos financeiros (dinheiro) para o município e traz mais renda, mais emprego, mais impostos e mais circulação de dinheiro.

Para uma resposta consistente, o município deve ter uma base de dados que informe, com a maior exatidão possível, qual foi o faturamento da agricultura, da indústria, do comércio e da prestação de serviços e suas respectivas arrecadações tributárias, com também informações sobre a geração ou diminuição dos postos de trabalhos de cada atividade. Deve-se, também, ter conhecimento qual o destino da receita financeira destes segmentos, se ela é distribuída na localidade ou remetida para outros municípios onde estão sediadas as matrizes das organizações que operam no município.

Conhecendo-se qual o segmento atual mais importante para a economia do município, será necessário saber os vetores que comporão a resposta da segunda questão.

Vocação é o sentimento da população sobre qual segmento econômico poderá lhe proporcionar melhoria da qualidade de vida e força econômica é a potencialidade de desenvolvimento mais rápido das condições necessárias para a instalação e desenvolvimento de empresas que atuam em um segmento específico.

O primeiro vetor da força econômica ou a potencialidade de desenvolvimento é a infraestrutura, que de acordo com Rodolfo F. Alves Pena, é o conjunto básico que fornece as condições materiais mínimas necessárias a qualquer empreendimento público ou privado de interesse particular compartilhado: sistema de transporte, telecomunicações, energia, saneamento, gás, presença de instituições de ensino e de saúde e segurança.

O segundo vetor é a estrutura sistêmica existente e que tenha melhores condições para realizações de melhorias mais rápidas. Especificamente no segmento industrial é esta estrutura que atrai investidores e é composta de: distrito industrial (com a infraestrutura necessária ao segmento), incentivos fiscais, mão-de-obra qualificada, acesso as vias de escoamento da produção.

Já a estrutura sistêmica que atrai investidores do setor de turismo (serviços) é diferente, pois tem que ser alicerçado em: 1) inventário turístico composto dos atrativos naturais (hidrografia, clima, paisagem natural, fauna e flora) e inventário artificial (atrativos culturais, paisagem cultural); 2) hospedagem, alimentação, atrações artísticas, serviços de apoio; 3) mão de obra qualificada e 4) população comprometida com o bem estar dos visitantes (vocação).

Já o desenvolvimento segmento comercial depende de local de concentração das empresas do setor: estacionamentos, diversificação e principalmente a origem do volume monetário que circula na localidade que pode ser de três fontes principais: indústria, turismo, transferência de órgãos localizados em outras localidades ou de compradores residentes em municípios de seu entorno (comércio regional).

O senso de urgência do desenvolvimento municipal aponta para que as lideranças locais discutam e escolham a atividade econômica que terá prioridade dos investimentos, inicialmente públicos, considerando a que tenha melhor estrutura sistêmica atual e possa trazer mais rapidamente a vinda de novos investidores privados e assim responder, no menor espaço de tempo, os desejos da população com mais e melhores empregos e melhoria da educação, saúde e segurança.

Esta escolha não deve provocar nos empresários o sentimento de exclusão em planos de desenvolvimento, pois os segmentos não priorizados também tem importância, mas o único que estimula o crescimento dos outros é o turismo.

Como a maior riqueza de todas as publicações são as opiniões, ficamos na expectativa dos comentários dos leitores.
 

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  • Eduardo Regueira A matéria é de suma importância para o nosso município,maior complicador é justamente a gestão pública que nao promove um amplo debate com a sociedade para discutir o futuro do nosdo município. Muito importante traçar o perfil do nosso munícipio e para isto temos que ter todos os indicadores.
  • Ismael Das três fontes citadas acima, a que mais acredito ser primordial é a de atrair industrias para nossa região, estamos com um índice altíssimo de desemprego, e o refúgio é aceitar as meias condições que alguns pontos comercias oferecem ou o toma lá dá cá da politicagem.
  • Claudio Parabéns pela publicação, No meu entendimento o grande entrave do Município de Penedo ainda è a Gestão Publica, que tem como principal objetivo se manter no poder quem ganha com meia duzia sendo beneficiado. O conteúdo da publicação é exatamente o inverso, desrespeito a política que liberta.
Luiz Paulo Reis Galvão

Luiz Paulo Reis Galvão

Médico Gastroenterologista e Endoscopista

Postado em 24/04/2019 07:40

O velho e a ovelha negra

Ilustração
O velho e a ovelha negra
O velho e a ovelha negra

Era uma velha casa, uma bela casa, um casarão antigo, um velho sobrado do final do século XIX. Era o último dia do ano. Na grande sala o velho Genaro confere os ponteiros do grande relógio de pêndulo na parede. 23h30. Ninguém apareceu até agora. Sua prole de duas filhas, dois filhos e nove netos. Em um canto da sala um piano de cauda. Sobre ele um porta-retratos com a foto de Dona Blandina, a pianista. O piano nunca mais foi tocado desde que ela partiu para outras vidas. Seu Genaro mareja os olhos lembrando de sua companheira de tantos anos, de lutas e cumplicidade. A mesa estava pronta para a ceia, seu Genaro está à espera da familia para a chegada do novo ano. Liga a filha mais velha:

- Feliz ano novo, pai. Infelizmente não vou poder ir aí. Na sequência, vão ligando os demais também impossibilitados de irem. O velho, tristonho senta na cabeceira da mesa e chama a funcionária.

- Maria, apague as luzes. Deixe só a do piano.

- E o senhor não vai comer?

- Não, eu vou só chorar e olhar para minha companheira.

Toca a campainha. À porta está Robertinho, um de seus netos. Avesso aos estudos, envolvido com drogas, era chamado à boca pequena de "ovelha negra" pelos tios. Há dois anos tentaram interná-lo. Seu Genaro vetou.

- Esse menino tem um brilho nos olhos que só eu vejo - comentava.

Músico de garagem, sensível, meio poeta, Robertinho fazia o possível para ter o estilo dos primos e tios, mas não concordava com certas posições da família. O velho italiano continuava presidindo as empresas embora no dia a dia os filhos e o neto mais velho recém formado, é que tocavam a administração. O velho Genaro na verdade não digeria bem as novas técnicas administrativas imprimidas pelos filhos, embora se baseassem em metodologias internacionais modernas. Faltava, no entanto, a paixão e a intuição com as quais construiu tudo aquilo a partir do zero.

- Oi, Vô! Vim te ver - entrou Robertinho devagar abraçando o velho.

- Você não está com seus pais?!

- Não, estava por aí.

- Drogas, meu neto?

- Não, Vô. Tô tentando sair dessa.

- Maria. Acenda as luzes e traga o champagne.

Avô e neto conversam alegres na grande mesa.

D. Blandina observa de cima do piano. Há uma sintonia nos olhares, nos sentimentos e nas posições. Rompe o ano novo e os dois se abraçam. Há naquele abraço uma comunhão da solidão com o afeto, do velho com o novo, do ocaso com o amanhecer.

Depois do champagne, o fiel motorista Sebastião leva os dois para uma antiga cantina do bairro por sugestão do neto. Lá Genaro encontra antigos companheiros da colônia italiana e relembra cenas dos tempos antigos. Robertinho compartilha da alegria daqueles idosos. Até parece que vivera aqueles pretéritos momentos. Mais uma garrafa de vinho. O velho está alegre. São duas da manhã.

- Queria estar diante do mar quando surgisse o primeiro sol do ano - comentou Genaro.

- Então vamos descer a serra agora, Vô. Também quero ver o mar...

O carro desce suavemente pela estrada. Sebastião atento ao volante. No rádio as antigas canções de Nápoles. No rosto marcado pelo tempo uma lágrima de saudade.

Faltando poucos quilômetros o trânsito pára, e o tempo avança. Não vai dar tempo de surpreender o sol. Há uma pequena estrada de terra à direita com uma placa: "Sítio Santa Bárbara".

- É o sítio de Antonio Máximo! Lá do almoxarifado da fábrica. Ele falou que iria para lá no ano novo - comenta Sebastião - Lá tem uma pequena área de penhasco que dá para ver o mar ao longe. Já estamos perto do litoral.

- Toca pra lá - comandou Genaro.

- Patrão, a que devo a honra? - falou o dono do sítio.

- Ao engarrafamento e ao meu desejo de ver o mar. Me leve logo nesse penhasco.

Já havia o primeiro clarão na barra do dia. Era um pequeno mirante com um banco de pedra embaixo de um flamboyant amarelo. Não havia nuvens e o sol apontou devagar. Robertinho faz os acordes de "Cuore Ingrato" no violão e o velho canta baixinho com a voz embargada. O sol desponta.

- Conheci sua avó em um lugar como esse em Nápoles. Acho que foi o momento mais significativo de minha vida. Ao longo do horizonte passava um barco e ela falou que um dia um barco nos levaria para um lugar distante. Tempos depois aportávamos no Brasil. A energia dela por trás da cena me possibilitou tudo que consegui na vida.

- Vô, eu trouxe o retrato dela na mochila.

- Vou sentá-la no banco com a gente.

Caprichosamente passou um pequeno barco pesqueiro no horizonte, uma silhueta desenhada pelo sol.

- Meu Deus! É a mesma cena. Ela e eu, eu e ela. Num futuro não muito longínquo partirei em um barco desses pra encontrar minha querida. Robertinho, acho que você é a extensão de mim. Cuide de você, do mal que lhe assombra e dê sequência ao meu trabalho.

- Vô, você é a melhor pessoa que conheço e, nesse momento mágico eu lhe prometo: vou cuidar de mim e de outros que lutam para sair do vício e não conseguem.

Voltaram pro casarão e descansaram. À tarde a mãe de Robertinho chegou.

- Feliz ano novo, papai!

- Pra você também minha filha, tudo bem com você?

- Mais ou menos papai, Robertinho passou a noite na rua com a turma que ele convive e até agora não voltou. Esse menino não tem jeito.

- Não se apresse no seu julgamento, minha filha!

- Oi, mãe, feliz ano novo! Dê-me aqui um abraço.

- Que faz aqui, Robertinho?

-Vim passar o ano novo com Vovô.

- Eu pensei que...

- Vocês pensam muito. E muito erram - comentou o velho Genaro.

Robertinho passou a trabalhar na empresa e por sugestão do avô começou de baixo para vivenciar cada nível por curtos períodos até ir galgando os cargos de direção. À noite: a faculdade. Durante o dia: o trabalho e as lições do avô. Os tios, vice­presidentes, mantinham um olhar meio torto, mas seu Genaro ainda tinha mão de ferro e poder que foi aos poucos delegando ao neto. As empresas cresceram com o novo estilo "Robertinho". Moderno, mas democrático. Tecnológico, mas sentimental. O Sítio Santa Bárbara virou "Fundação Genaro Bione", com 150 vagas para tratar dependentes químicos. O Mirante virou “Avarandado do Amanhecer D. Blandina Bione". Poucos anos depois, Seu Genaro embarcou no veleiro do sol com destino ao infinito. As cinzas foram jogadas do "Avarandado do Amanhecer''.

Quinze anos se passaram. Dr. Roberto despacha com sua assessora na presidência da empresa. Atrás da grande mesa o retrato dos avós. Juntos como queria o velho. Os engenheiros apresentam os dois novos projetos da Fundação: reflorestamento na Serra do Mar e reciclagem de lixo empregando moradores de rua. Coisas da "Ovelha Negra". Na foto o velho parece sorrir. 

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  • Jaime Emocionante! Meu irmão é um grande poeta!
  • MARIA ANTONIETA DA Amei. Uma grande lição para os filhos que abandonam os pais em dias significativos para eles. Um velho iria atrapalhar. E é isso . O amor do neto é grandioso. Parabéns ao autor. Muitas bênçãos para ele e família. Vou compartilhar o mais que puder. O engraçado é que hoje é o dia dos netos. Um abraç