João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 27/09/2017 15:24

Penedo e seus calçamentos descalços

Qualquer cidade, em maior ou menor quantidade, sofre com o surgimento de buracos que se não reparados a tempo atestam uma desatenta administração, responsável pela má aparência da cidade, pelos transtornos a pedestres e a veículos. É um capricho natural causado por causas diversas, quer pelo desgaste do tempo de uso, pelas chuvas e seu poder destrutivo, quer pela inconsistência do solo e provavelmente outras circunstancias. Seja qual for o motivo, é facilmente perceptível ao cidadão.

 Acontece que Penedo, além de não deixar de sofrer os efeitos dos fenômenos acima, é deveras penalizada por um comportamento pautado pelo descaso, na incompetência de quem realiza os calçamentos e, imperdoavelmente, na irresponsabilidade de quem deve fiscalizá-los. É inacreditável, ouvimos frequentes comentários, que o calçamento feito em uma semana ou poucos meses apresentem defeitos. A propósito, o mais emblemático exemplo desses trabalhos fajutos encontra-se em frente ao supermercado Ki-barato. A falta de nivelamento causa, durante as chuvas, diversas poças d’águas. O mais cômico e vergonhoso é o calçamento que fica ao lado do estacionamento dos mototaxistas. Os tijolos, completamente soltos, não parece que foram anteriormente assentados.

 Correndo ao lado desse desmantelo, não podemos deixar de mencionar uma divertida curiosidade. Testemunhamos, por diversas vezes, ruas que ao terem seu calçamento totalmente removidos, ao ser refeito havia uma grande sobra de paralelepípedos, como se tivesse havido a multiplicação milagrosa dos pães ou um encolhimento das ruas. Mistério penedense que faz da arte laboral um desastre.

 Como devemos entender tanto amadorismo que tem raiz na deficiência e insuficiência? Que todo esse descalabro, visível a todos nós, excetua apenas os que têm a obrigação de controlar os trabalhos? Será que as obras do município estão entregues a aprendizes e amadores? Quando teremos a seriedade para encarar com responsabilidade a coisa pública? Mesmo que tivéssemos dinheiro saindo pelo ladrão se justificaria semelhante desprezo. Existe alguma razão? Evidentemente que não acreditamos estejamos envolvidos em algo semelhante ao submundo das negociatas que estão vindo à tona, envolvendo políticos e empresários.

 É por tudo que antecipadamente lamentamos que inauguração das obras do centro da cidade, funcionais e elogiáveis na aparência, não possam por muito tempo ser usufruídas pela rápida degradação das mesmas, tornando Penedo, por tradição, o rei das obras fajutas e de calçamentos descalços.
  

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