João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 20/06/2018 14:25

Ministro Gilmar Mendes: uma loucura sem razão

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Ministro Gilmar Mendes: uma loucura sem razão
Ministro Gilmar Mendes

Dizia certo político que era melhor que se falasse mal dele do que o total silêncio a seu respeito. A razão disso é que nos mais diversos graus, somos todos narcisista. Se nos dizem que somos inteligentes, um grande cientista, escritor ou seja lá que for, não nos satisfaz, no íntimo, apenas fazer parte dessa elite, mas ser maior ou melhor entre todos.

No panorama atual do judiciário, na área federal, temos dois julgadores que se encontram distantes entre si, tanto em suas decisões, quanto no que diz respeito ao grau de hierarquia. De um lado, fruto de um simples acaso do destino, caiu nas mão do juiz Sergio Moro, em Curitiba, a responsabilidade de julgar os processos da lava-jato, que alcançaram grande repercussão nacional e internacional. Isso porque um novo cenário, nunca antes visto, está em curso em nosso país. Depois de uma ere sem fim, os poderosos, ressacados, acordaram com um sentimento de pesadelo, dando-se conta que se encontrava em ruínas a desmoronar, o castelo de suas impunidades.

Por conta desse aterrorizante pesadelo, testemunhamos hoje o encarceramento de políticos de todos os naipes, ex-presidente, ex-governador, senador, deputado, etc, fazendo parte dessa festa empresários, dentre eles caciques das maiores empreiteira da construção civil que com a Petrobrás formaram a maior rede de corrupção, não apenas do Brasil, mas certamente do mundo. Naturalmente que esse cenário provocaria repercussão nacional e internacional, tendo o juiz Sergio Moro como surfista ímpar que se encontra na crista da onda, causando inveja, sem dúvida, a inúmeros colegas. O que não se esperava era uma manifesta enciumada de uma alta figura que faz parte dos quadros do STF, ministro Gilmar Mendes, de suspeitas decisões a comprometer a imagem e a credibilidade da mais alta corte do país, que deveria ser a reserva moral da sociedade. Não seria bem mais aceitável que o ministro em referência em vez de seu explícito espírito de animosidade para com o juízes da lava-jato em Curitiba e Rio de Janeiro, os elogiassem e os animassem em seus trabalhos? Por que investir indevidamente, em suas decisões através de habeas- corpus de duvidosa e insustentável fundamentação? Por que não teve a hombridade de arguir a sua própria suspenção, como no caso do empresário de ônibus coletivos, no qual foi padrinho de casamento de uma de suas filhas. Isso não justifica uma íntima amizade? Com sua cara inamistosa, de poucos amigos, de aparente autoritarismos e o dono da verdade, não deixa de investir como boi enfurecido contra nossas expectativas que tanto espera pelo fim da impunidade?

Enfim, não estão a afinar os trabalhos lava- jato entre a primeira instância e a ovelha negra em tela, pois, enquanto aqueles procuram enquadrar rigorosamente os corruptos nos termos da lei, o ministro Gilmar Mendes acha por bem liberá-los por meio de habeas-corpus, sendo que os últimos quatro delinquentes tiveram o direito à liberdade na mais idiota justificativa de que seus crimes foram praticados sem violência. Não conseguiu, na estreiteza de seu entendimento, avaliar os males sociais da sonegação de impostos e a remessa ilegal de dólares. A partir desse estrambótico argumento, que os nossos coitados marginais do trabuco, renunciem à violência e imitem os de colarinho branco, educados e que exercem seus crimes com gentileza, fazendo uso das luvas de pelica. Serão inocentados, mesmo que saquem o Brasil, com tanto que sejam diplomatas. Uma loucura de entendimento!

Mas, para concluirmos, lembremo-nos, a propósito da loucura, o filósofo Voltaire que dizia que “se você deseja obter um grande nome e ser famoso, torne-se completamente louco. Mas que se certificasse de que sua loucura estava de acordo com a maré e o temperamento da época. Que tivesse suficiente razão para dirigir suas extravagâncias. Não se esquecesse de ser excessivamente obstinado em sua opinião. É possível que você seja enforcado, mas se escapar serão construídos altares em sua homenagem!”

Seguramente, a loucura de Gilmar Mendes, sem um mínimo de razão em sua alienação metal com desejo de aparecer, em desacordo com a maré descontentando a todos, assim, contrário ao temperamento da atualidade, será muito mais digno de uma corda no pescoço como um sacrifício de assepsia do Supremo Tribunal Federal, recomendo-o, com a sua exibição circense, que caia no abismo infernal do esquecimento.
 

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