João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 19/07/2017 07:25

Joaquim Barbosa, Bolsonar ou Lulacorruptus?

Vamos admiti-los, hipoteticamente, como candidatos a presidente da república. Qual dos três, face a presente situação sócio-política e econômica, você escolheria? Sem dúvida, na ótica do eleitor esclarecido, recairia no ex-ministro Joaquim Barbosa que adquiriu notoriedade à frente dos processos do mensalão junto ao STF. A coragem, a independência e hombridade exteriorizados, qualidades nada fora da normalidade em latitudes que preservem esses valores, raros entre nós, o notabilizaram como uma rara personalidade distinguida com a nobreza dessas virtudes. Podemos imaginar melhor herói, sem dúvida investida de uma aura quixotesca para resgatar do lamaçal a improbidade que corrói a política e as altas esferas da administração pública? Pobre e miserável Brasil no qual a honestidade de um homem público, disseminada pela mídia, transforma-o num herói nacional, virtude tão comum em países sérios, mas será que esses atributos do Joaquim Barbosa são suficientes para nos dar a certeza de que seria um bom presidente? Não. Não basta apenas a honestidade. Isto porque, parecendo ser portador de um temperamento explosivo, obstáculo à indispensável flexibilidade para as concessões junto ao Congresso Nacional, dificultaria a aprovação das leis, criando um impasse a dificultar sua gestão. Admitindo-se esse empecilho como real, podíamos descarta-lo desde já em relação aos dois outros concorrentes? Evidentemente que não, pois, não obstante ficasse evidenciada uma insensatez em precipitadamente se relegar a raríssima perola da honestidade tão carente entre nós, o sucesso do Joaquim ou de qualquer outro depende de uma serie dos fatores. Sem outras considerações, conjeturemos agora que no curso da campanha, na reta final, as pesquisas mostrem uma enorme distância do Joaquim em relação aos dois concorrentes, impossível uma recuperação, para que lado iriamos pender, descartada a hipótese do voto em branco ou nulo. Entre a certeza do que seria Lulacorruputus e a dúvida que seria o Bolsonaro, ficaríamos com este, mesmo que considerem extremista em suas opiniões, louco para outros, mas um autêntico indiferente aos protestos de hipócritas defensores das chamadas minorias. Bem melhor do que embarcar no mar das ilusões apregoadas por Lulacorruputus que se julga, mesmo contra os fatos que o incriminaram em uma série de maracutaias, como o mais impoluto e virtuoso dos homens, um autêntico semideus das virtudes. Embora para alguns possa parecer uma difícil escolha, não chega a ser uma dúvida infernal, ser ou não ser, na angustiante imagem de Shakespere.

Tomada a decisão para o Bolsonaro, quais seriam nossas duvidas e expectativas? Será capaz de por o Brasil nos trilhos ou porá de cabeça, cabeça para baixo? Teríamos de esperar que o impossível acontecesse? Afinal de contas, será que a história resulta de um prévio e rígido encadeamento de fatos programados pelos mandatários, alheios a imprevistos, á inconstância de sentimentos humanos e de alguns fenômenos naturais capazes de tumultuar metas de governos? Nunca foi e nunca será. Seremos sempre vítimas do acaso. Assim, nas mãos do incerto destino teríamos de jogar na mesa os dados da sorte. Por um favorável capricho, poderia formar uma boa equipe e causar inesperada surpresa. Aliada a essa condição, poderia ser contemplado com uma conjunção de fatores propícios, quer na área interna e externa.

De frente para esse quadro cinzento, impossível vislumbrar com segurança alguma esperança, não nos restaria outra iniciativa senão jogar na mesa os dados da sorte. Eis porque, imaginando termos de enfrentar semelhante sucessão presidencial, antecipamos a nossa jogada, lançamos os dados e deu Bolsonaro na cabeça.
 

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