Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 17/07/2019 07:53

O comportamento das organizações e as pessoas

A preocupação com as pessoas que trabalham em organizações, tenham elas finalidades lucrativas ou não, deve merecer uma atenção muito especial por seus dirigente, pois são elas que de fato produzem os resultados pretendidos, promovendo assim o crescimento que se espera em todo empreendimento realizado.

Porém a realidade da gestão de pessoas nas organizações está muito distante do mínimo aceitável, sendo que esta distância aumenta quanto menor for a instituição. Através de livros, artigos e reportagens em periódicos tomamos conhecimento como procedem as maiores empresas mundiais e quais são suas políticas com as pessoas que trabalham nelas.

Em nosso país também temos informações muito boas de como as empresas nacionais, independentemente da classificação de suas amplitudes, procedem no tratamento do seu pessoal. Anualmente, em várias revistas que tratam de negócios, publicam edições especiais sobre o assunto sob os mais diversificados títulos, mas que no final informa para o público interessado a prática das empresas que foram consideradas as melhores na gestão de pessoas.

No questionário para as empresas interessadas no certame encontram-se várias questões, mas algumas podem ser escolhidas com a intenção de analisar o quanto as empresas do nosso entorno estão defasadas no item de gestão de pessoas.

Quantas empresa com mais de cem funcionários tem em nossa cidade? Elas tem uma política formal e consistente de gestão de conhecimento, educação corporativa, liderança, reconhecimento e recompensa, participação e autonomia, gestão estratégica e objetivos? Simplificando nossa pergunta: Alguma destas empresas tem uma gerência de gestão de pessoas?

Se as médias e grandes empresas que tem em seus quadros dirigentes e funcionários com formação educacional de melhor qualidade, continuam desinformadas quanto as melhorias que uma política de gestão contemporânea de pessoas poderá lhes proporcionar, no universo das micro e pequenas empresas as pessoas, com raríssimas exceções, as pessoas ainda são tratadas apenas como recursos produtivos, que podem ser trocadas quando o dirigente entender que elas já não atendem o seu principal objetivo, o maior ganho possível.

Com a grande quantidade e qualidade das informações disponíveis na atualidade, como cursos presenciais ou a distância, livros, periódicos grupos de discursão congressos, workshops, para a formação de dirigentes e gerentes, fica difícil entender por que a grande maioria ainda administra utilizando os mesmos procedimentos do início do século passado, quando a orientação era para o nível operacional fazer e não pensar.

No acervo de publicações sobre gestão de pessoas, que é imenso, e no Brasil temos excelentes autores contemporâneos, observamos que as sugestões destes autores fundamentam-se no famoso discurso proferido por Douglas McGregor, na Quinta Convocação da Sloan School of Management, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em 1957, intitulado de O Lado Humano da Empresa, quando tratou da integração entre os objetivos individuais e os organizacionais. Posteriormente, em 1960, McGregor publicou seu único livro com o mesmo título, mas infelizmente conhecido apenas por pouquíssimos dirigentes empresariais.

McGregor sintetizou a sua argumentação na formulação da Teoria Y que defende: (1) as pessoas são esforçadas e gostam de ter o que fazer; (2) o trabalho é uma atividade tão natural como brincar ou descansar; (3) as pessoas procuram e aceitam responsabilidades e desafios; (4) as pessoas podem ser automotivadas e autodirigidas; e (5) as pessoas são criativas e competentes.

Como toda teoria deve ser praticada para sua real avaliação, qual a nossa percepção quando escutamos as pessoas falarem sobre o tratamento que recebem nas instituições que trabalham, McGregor estava certo ou o seu discurso foi mais uma nuvem de fumaça?
 

Comentários comentar agora ❯